Técnicas de integração
Em diversas situações, as regras básicas de integração não são suficientes para resolução de algumas integrais. Por isso, técnicas mais avançadas são necessárias para achar a solução.
Por exemplo, para se calcular
∫
x (x2+5)100dx usando=se somente as regras básicas, é necessário
expandir (x² + 5)100 pelo teorema binomial, multiplicar por x, e então antidiferenciar a expressão
resultante termo a termo usando a regra geral da linearidade. Integral por substituição
O exemplo anterior pode ser mais facilmente resolvido a partir de uma observação sobre diferenciais e a regra da cadeia.
Suponha que u é uma função de v e que, por outro lado, v é uma função de x. De acordo com a regra da cadeia temos: du dx= du dv⋅ dv dx
desde que as derivadas du/dv e dv/dx existam. Dessa forma, a notação de Leibniz permite interpretar a diferenciação como uma razão entre diferenciais. Apesar dessa interpretação não ser totalmente verdadeira, essa abordagem leva a resultados válidos graças à regra da cadeia.
No exemplo anterior, podemos realizar uma mudança de variável de integração (ou substituição), da variável x para outra variável, por exemplo u. Fazendo u = x² + 5, teremos:
du dx=2 x
du=2 x dx
1
2du= x dx Fazendo a substituição na integral:
∫
x (x2+5)100dx=∫
(x2+5)100xdx=∫
u1001 2du= 1 2∫
u 100 du 1 2 u101 101+C Substituindo u por (x² + 5):∫
x (x2+5)100dx=(x 2 +5)101 202 +CEm resumo, o método da substituição é a aplicação da regra da cadeia de forma “inversa”. O processo para calcular uma integral pelo método da substituição, deve-se seguir as etapas:
1- Determinar a porção do integrando f(x) de forma a simplificar a operação, e criar uma variável, por exemplo uma variável u, que seja igual a essa porção. Essa variável será também uma função da mesma variável independente, no caso u = g(x);
2- Usando a equação g(x) determinada na etapa anterior, determinar a diferencial du. A equação resultante deverá ter a forma du = g'(x)dx;
3- Usando as duas equações u = g(x) e du = g'(x)dx, reescrever todo o integrando, incluindo dx, em termos de u e du somente;
4- Calcular a integral em termos de u;
5- Usando a equação u = g(x), reescrever a resposta da etapa anterior em termos da variável original.
No caso do uso desse método para integrais definidas, é importante lembrar que os limites de integração se referem à variável independente, e por isso, devem ser igualmente substituídos pelos valores correspondentes da nova variável.
Exemplo: Calcular
∫
1 2
t2 (t3+2)2dt
Calculando a integral indefinida
∫
t2
(t3+2)2dt , usando a mudança de variável u = t³ + 2, de modo que du = 3t²dt, ou t²dt = 1/3du. Logo:
∫
t2 (t3+2)2dt=∫
1 3 du u2= 1 3∫
u −2 du=1 3(
u−1 −1)
+C= −1 3 u+C= −1 3(t3+2)+C Então:∫
1 2 t2 (t3+2)2dt=|
−1 3(t3+2)|
1 2 = −1 3(8+2)− −1 3(1+2)= 7 90O cálculo no exemplo acima pode ser abreviado mudando os limites de integração de acordo com a troca de variáveis. Os limites de integração na integral definida acima se referem à variável t, um fato que pode ser enfatizado reescrevendo a integral na forma:
∫
1 2 t2 (t3+2)2dt=t=1∫
t=2 t2 (t3+2)2dtPara fazer a mudança de variável u = t³ + 2, observe que quando t = 1, u = 3 e quando t = 2, u = 10. A mudança de variáveis, então, fica:
∫
t=1 t=2 t2 (t3+2)2dt=∫
u=3 u=10 1 3 du u2 = 1 3 u=3∫
u=10 u−2du=|
−1 3 u|
3 10 1 3(
−1 10)
− 1 3(
−1 3)
= 7 90De forma mais genérica, quando se realiza a mudança de variável, digamos de x para para u = g(x), numa integral definida na forma
∫
a b
f [g (x)] g '(x )dx , não apenas devemos mudar o integrando como foi feito para uma integral indefinida, mas também deve-se mudar os limites de integração de modo que a integral assuma a forma
∫
g (a) g (b)
Integral por partes
A técnica de integração por substituição pode ser interpretada como a regra da cadeia invertida. Da mesma forma, a integral por partes pode ser vista como a regra do produto invertida.
De acordo com a regra do produto, (f . g)' = f' . g + f . g', ou seja, f.g é a antiderivada de (f . g)' = f' . g + f . g', isto é:
∫
[f '(x )g(x )+f (x )g ' (x)]dx=f (x )g(x )+C ou∫
f ' (x) g(x )dx +∫
f (x )g '(x )dx=f (x)g (x)+C∫
f (x) g '(x )dx =f (x )g (x)−∫
f '(x )g( x)dxSabendo-se que a constante C é incluída na constante de integração correspondente a
∫
g(x )f '(x )dx .Criando variáveis para as funções envolvidas, podemos fazer u = f(x) e v = g(x). Assim, du = f'(x)dx e dv = g'(x)dx. Logo, podemos reescrever a última equação como:
∫
u dv=uv −∫
v du que é conhecida como a fórmula para a integração por partes.Exemplo: Calcule
∫
x sen(x)dxFazendo u = x e dv = sen x dx:
du = dx e v =
∫
sen(x)dx=−cos(x)+C0 portanto:∫
x sen(x)dx=∫
u dv=uv−∫
v du=x (−cos(x )+C0)−∫
(−cos(x )+C0)dx∫
x sen(x)dx=−x cos(x )+x C0+∫
cos(x )dx−∫
C0dx∫
x sen(x)dx=−x cos(x )+x C0+sen(x)+C−C0x∫
x sen(x)dx=−x cos(x )+ sen(x)+CNo exemplo acima, a constante de integração C0 vinda da integração preliminar v =
∫
sen(x)dx écancelada. Isso sempre acontecerá no cálculo de integrais por partes. Portanto, a constante da integral v =
∫
dv não necessita ser escrita.O procedimento para o uso da integração por partes para calcular uma integral na forma
∫
F (x)dx pode ser resumida como:1- Fatorar o integrando em duas partes de uma forma apropriada, digamos F(x) = F1(x)F2(x);
2- Escolha um dos dois fatores e chame-o de u. Faça então dv igual ao fator restante vezes dx. Para a função da etapa anterior, suponha que tenhamos escolhido u = F1(x) e dv = F2(x)dx;
3- Calcule du = F'1(x)dx e calcule v =
∫
F2(x )dx . Não se importe em escrever uma constante deintegração para a última integral. Agora temos:
u = F1(x) dv = F2(x)dx
du = F'1(x)dx v =
∫
F2(x )dx4- Calcule
∫
v du . Novamente, não se importe com a constante de integração; 5- Escreva a solução:∫
F (x)dx=∫
F⏟
1(x) u ⋅F⏟
2(x) dv =∫
u dv=uv−∫
v du+CNote que a constante de integração é colocada na última etapa. Na etapa 2, tente selecionar u e dv tal que o produto de du por v (o qual deve ser integrado na parte 4) seja o mais simples possível. A fatoração na etapa 1 e a escolha de u e dv na etapa 2 são frequentemente problemas de tentativa e erro.
Exemplo: Calcule
∫
ln(x)dxAqui, fazemos u = ln(x) e dv = (1)dx. Assim:
u = ln(x) dv = (1)dx du = (1/x) dx v =
∫
dx=x logo:∫
u dv=uv−∫
v du+C∫
ln(x)dx=ln(x) x−∫
x1 xdx +C∫
ln(x)dx=x ln(x )−x +C Exemplo: Calcule∫
x3cos(x2)dx
Primeiramente fazemos uma substituição de variáveis. Fazendo t = x², temos dt = 2x dx. Logo:
∫
x3cos(x2)dx =1 2∫
x 2 cos(x2)(2 x dx )=1 2∫
t cos(t)dt Fazendo agora: u = t dv = cos(t)dt du = dt v =∫
cos(t)dt=sen (t) logo:∫
x3cos(x2)dx =1 2∫
t cos(t)dt= 1 2(
uv−∫
v du)
1 2∫
t cos(t)dt= 1 2(
t sen(t)−∫
sen(t)dt)
= 1 2[t sen(t)+cos(t)]∫
x3cos(x2)dx =1 2[x 2 sen(x2)+cos(x2)]+CA fórmula
∫
u dv=uv−∫
v du transforma o problema do cálculo de∫
u dv no cálculo de∫
v du . Com uma escolha conveniente de u e dv, podemos frequentemente conseguir quediretamente. Uma segunda integração por partes pode ser necessária para calcularmos
∫
v du . De fato, várias integrações por partes pode ser necessárias.Exemplo: Calcule
∫
x2e2 xdx Fazendo u = x² e dv = e2xdx, temos du = 2x dx e v =∫
e2 xdx=1 2e 2 x . Logo:∫
x2e2 xdx=uv −∫
v du=1 2x 2 e2 x−∫
x e2 xdxA integral à direita da equação acima necessita outra integração por partes. Fazendo u1 = x e dv1 =
e2xdx, temos du 1 = dx e v1=
∫
e 2 x dx=1 2e 2 x . Agora:∫
x e2 xdx=u1v1−∫
v1du1= 1 2x e 2 x −∫
1 2e 2 x dx∫
x e2 xdx=1 2x e 2 x −1 4e 2 x +C1Substituindo na expressão anterior:
∫
x2e2 xdx=1 2x 2 e2 x−(1 2x e 2 x −1 4e 2 x +C1)∫
x2e2 xdx=1 2x 2 e2 x−1 2x e 2 x +1 4e 2 x +C onde C = -C1.Em resumo integrando na forma uv', onde u é um polinômio, podem ser resolvidos por sucessivas integrações por partes, quando v =
∫
v du simplifica os cálculos.Considerando integrais definidas, os limites de integração devem ser respeitados com relação à variável de integração. A integral definida
∫
a b
∫
x=a x=b u dv =(
uv −∫
v du)
x=ax=b=(uv )x=a x=b −∫
x=a x=b v du Exemplo: Calcule∫
1 e x2ln(x)dxFazendo u = ln x e dv = x² dx, temos du = dx/x e v = x³/3. Logo: