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23 - técnicas de integração

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Academic year: 2021

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Técnicas de integração

Em diversas situações, as regras básicas de integração não são suficientes para resolução de algumas integrais. Por isso, técnicas mais avançadas são necessárias para achar a solução.

Por exemplo, para se calcular

x (x2

+5)100dx usando=se somente as regras básicas, é necessário

expandir (x² + 5)100 pelo teorema binomial, multiplicar por x, e então antidiferenciar a expressão

resultante termo a termo usando a regra geral da linearidade. Integral por substituição

O exemplo anterior pode ser mais facilmente resolvido a partir de uma observação sobre diferenciais e a regra da cadeia.

Suponha que u é uma função de v e que, por outro lado, v é uma função de x. De acordo com a regra da cadeia temos: du dx= du dvdv dx

desde que as derivadas du/dv e dv/dx existam. Dessa forma, a notação de Leibniz permite interpretar a diferenciação como uma razão entre diferenciais. Apesar dessa interpretação não ser totalmente verdadeira, essa abordagem leva a resultados válidos graças à regra da cadeia.

No exemplo anterior, podemos realizar uma mudança de variável de integração (ou substituição), da variável x para outra variável, por exemplo u. Fazendo u = x² + 5, teremos:

du dx=2 x

du=2 x dx

1

2du= x dx Fazendo a substituição na integral:

(2)

x (x2+5)100dx=

(x2+5)100xdx=

u1001 2du= 1 2

u 100 du 1 2 u101 101+C Substituindo u por (x² + 5):

x (x2+5)100dx=(x 2 +5)101 202 +C

Em resumo, o método da substituição é a aplicação da regra da cadeia de forma “inversa”. O processo para calcular uma integral pelo método da substituição, deve-se seguir as etapas:

1- Determinar a porção do integrando f(x) de forma a simplificar a operação, e criar uma variável, por exemplo uma variável u, que seja igual a essa porção. Essa variável será também uma função da mesma variável independente, no caso u = g(x);

2- Usando a equação g(x) determinada na etapa anterior, determinar a diferencial du. A equação resultante deverá ter a forma du = g'(x)dx;

3- Usando as duas equações u = g(x) e du = g'(x)dx, reescrever todo o integrando, incluindo dx, em termos de u e du somente;

4- Calcular a integral em termos de u;

5- Usando a equação u = g(x), reescrever a resposta da etapa anterior em termos da variável original.

No caso do uso desse método para integrais definidas, é importante lembrar que os limites de integração se referem à variável independente, e por isso, devem ser igualmente substituídos pelos valores correspondentes da nova variável.

Exemplo: Calcular

1 2

t2 (t3+2)2dt

(3)

Calculando a integral indefinida

t

2

(t3+2)2dt , usando a mudança de variável u = t³ + 2, de modo que du = 3t²dt, ou t²dt = 1/3du. Logo:

t2 (t3+2)2dt=

1 3 du u2= 1 3

u −2 du=1 3

(

u−1 −1

)

+C= −1 3 u+C= −1 3(t3+2)+C Então:

1 2 t2 (t3+2)2dt=

|

−1 3(t3+2)

|

1 2 = −1 3(8+2)− −1 3(1+2)= 7 90

O cálculo no exemplo acima pode ser abreviado mudando os limites de integração de acordo com a troca de variáveis. Os limites de integração na integral definida acima se referem à variável t, um fato que pode ser enfatizado reescrevendo a integral na forma:

1 2 t2 (t3+2)2dt=t=1

t=2 t2 (t3+2)2dt

Para fazer a mudança de variável u = t³ + 2, observe que quando t = 1, u = 3 e quando t = 2, u = 10. A mudança de variáveis, então, fica:

t=1 t=2 t2 (t3+2)2dt=

u=3 u=10 1 3 du u2 = 1 3 u=3

u=10 u−2du=

|

−1 3 u

|

3 10 1 3

(

−1 10

)

− 1 3

(

−1 3

)

= 7 90

De forma mais genérica, quando se realiza a mudança de variável, digamos de x para para u = g(x), numa integral definida na forma

a b

f [g (x)] g '(x )dx , não apenas devemos mudar o integrando como foi feito para uma integral indefinida, mas também deve-se mudar os limites de integração de modo que a integral assuma a forma

g (a) g (b)

(4)

Integral por partes

A técnica de integração por substituição pode ser interpretada como a regra da cadeia invertida. Da mesma forma, a integral por partes pode ser vista como a regra do produto invertida.

De acordo com a regra do produto, (f . g)' = f' . g + f . g', ou seja, f.g é a antiderivada de (f . g)' = f' . g + f . g', isto é:

[f '(x )g(x )+f (x )g ' (x)]dx=f (x )g(x )+C ou

f ' (x) g(x )dx +

f (x )g '(x )dx=f (x)g (x)+C

f (x) g '(x )dx =f (x )g (x)−

f '(x )g( x)dx

Sabendo-se que a constante C é incluída na constante de integração correspondente a

g(x )f '(x )dx .

Criando variáveis para as funções envolvidas, podemos fazer u = f(x) e v = g(x). Assim, du = f'(x)dx e dv = g'(x)dx. Logo, podemos reescrever a última equação como:

u dv=uv −

v du que é conhecida como a fórmula para a integração por partes.

Exemplo: Calcule

x sen(x)dx

Fazendo u = x e dv = sen x dx:

du = dx e v =

sen(x)dx=−cos(x)+C0 portanto:

(5)

x sen(x)dx=

u dv=uv−

v du=x (−cos(x )+C0)−

(−cos(x )+C0)dx

x sen(x)dx=−x cos(x )+x C0+

cos(x )dx−

C0dx

x sen(x)dx=−x cos(x )+x C0+sen(x)+C−C0x

x sen(x)dx=−x cos(x )+ sen(x)+C

No exemplo acima, a constante de integração C0 vinda da integração preliminar v =

sen(x)dx é

cancelada. Isso sempre acontecerá no cálculo de integrais por partes. Portanto, a constante da integral v =

dv não necessita ser escrita.

O procedimento para o uso da integração por partes para calcular uma integral na forma

F (x)dx pode ser resumida como:

1- Fatorar o integrando em duas partes de uma forma apropriada, digamos F(x) = F1(x)F2(x);

2- Escolha um dos dois fatores e chame-o de u. Faça então dv igual ao fator restante vezes dx. Para a função da etapa anterior, suponha que tenhamos escolhido u = F1(x) e dv = F2(x)dx;

3- Calcule du = F'1(x)dx e calcule v =

F2(x )dx . Não se importe em escrever uma constante de

integração para a última integral. Agora temos:

u = F1(x) dv = F2(x)dx

du = F'1(x)dx v =

F2(x )dx

4- Calcule

v du . Novamente, não se importe com a constante de integração; 5- Escreva a solução:

F (x)dx=

F

1(x) uF

2(x) dv =

u dv=uv−

v du+C

Note que a constante de integração é colocada na última etapa. Na etapa 2, tente selecionar u e dv tal que o produto de du por v (o qual deve ser integrado na parte 4) seja o mais simples possível. A fatoração na etapa 1 e a escolha de u e dv na etapa 2 são frequentemente problemas de tentativa e erro.

(6)

Exemplo: Calcule

ln(x)dx

Aqui, fazemos u = ln(x) e dv = (1)dx. Assim:

u = ln(x) dv = (1)dx du = (1/x) dx v =

dx=x logo:

u dv=uv−

v du+C

ln(x)dx=ln(x) x−

x1 xdx +C

ln(x)dx=x ln(x )−x +C Exemplo: Calcule

x3cos(x2

)dx

Primeiramente fazemos uma substituição de variáveis. Fazendo t = x², temos dt = 2x dx. Logo:

x3cos(x2)dx =1 2

x 2 cos(x2)(2 x dx )=1 2

t cos(t)dt Fazendo agora: u = t dv = cos(t)dt du = dt v =

cos(t)dt=sen (t) logo:

x3cos(x2)dx =1 2

t cos(t)dt= 1 2

(

uv−

v du

)

1 2

t cos(t)dt= 1 2

(

t sen(t)−

sen(t)dt

)

= 1 2[t sen(t)+cos(t)]

x3cos(x2)dx =1 2[x 2 sen(x2)+cos(x2)]+C

A fórmula

u dv=uv−

v du transforma o problema do cálculo de

u dv no cálculo de

v du . Com uma escolha conveniente de u e dv, podemos frequentemente conseguir que

(7)

diretamente. Uma segunda integração por partes pode ser necessária para calcularmos

v du . De fato, várias integrações por partes pode ser necessárias.

Exemplo: Calcule

x2e2 xdx Fazendo u = x² e dv = e2xdx, temos du = 2x dx e v =

e2 xdx=1 2e 2 x . Logo:

x2e2 xdx=uv −

v du=1 2x 2 e2 x

x e2 xdx

A integral à direita da equação acima necessita outra integração por partes. Fazendo u1 = x e dv1 =

e2xdx, temos du 1 = dx e v1=

e 2 x dx=1 2e 2 x . Agora:

x e2 xdx=u1v1−

v1du1= 1 2x e 2 x

1 2e 2 x dx

x e2 xdx=1 2x e 2 x −1 4e 2 x +C1

Substituindo na expressão anterior:

x2e2 xdx=1 2x 2 e2 x−(1 2x e 2 x −1 4e 2 x +C1)

x2e2 xdx=1 2x 2 e2 x−1 2x e 2 x +1 4e 2 x +C onde C = -C1.

Em resumo integrando na forma uv', onde u é um polinômio, podem ser resolvidos por sucessivas integrações por partes, quando v =

v du simplifica os cálculos.

Considerando integrais definidas, os limites de integração devem ser respeitados com relação à variável de integração. A integral definida

a b

(8)

x=a x=b u dv =

(

uv −

v du

)

x=ax=b=(uv )x=a x=b

x=a x=b v du Exemplo: Calcule

1 e x2ln(x)dx

Fazendo u = ln x e dv = x² dx, temos du = dx/x e v = x³/3. Logo:

1 e x2ln(x)dx=(uv ) 1 e

1 e v du

1 e x2ln(x)dx=

[

ln(x )x3 3

]

1 e

1 e x3 3 dx x

(

x3ln (x ) 3

)

1 e

(

x 3 9

)

1 e e3 3− e3 9 + 1 9= 2 e3+1 9

Referências

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