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Benefícios com a utilização de adubos verdes

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Be ne fícios com a utilização de adubos ve rde s

Be ne fits w ith gre e n m anure s us e

NASCIMENTO, Alexandre Fe rre ira do1; MATTOS, Jorge Luiz Sch irm e r de 2

1UFV, Viços a, MG, Bras il, alexfe rre iraagro@ bol.com .br;2UFRPE, Re cife , PE, Bras il, js -m attos @ uol.co-m .br

RESUMO

Es te trabalho foi re alizado através de um a re vis ão bibliográfica a re s pe ito da adubação ve rde e os be ne fícios proporcionados com a adoção de s s a prática, com o obje tivo de divulgar os principais re s ultados cie ntíficos ne s s a áre a. Ve rificou-s e q ue a adubação ve rde proporciona m e lhorias s ignificativas nas caracte rís ticas q uím icas , fís icas e biológicas do s olo. As caracte rís ticas q uím icas s ão be ne ficiadas pe la libe ração de nutrie nte s com a de com pos ição dos re s íduos . Es s a prática m e lhora as caracte rís ticas fís icas favore ce ndo a agre gação do s olo, m aior re te nção de água e pre ve nindo a e ros ão. A biom as s a dos adubos ve rde s m e lhora as caracte rís ticas biológicas do s olo cons tituindo e m alim e nto para e s s e s m icrorganis m os . Es pécie s utilizadas com o adubos ve rde s s ão e ficie nte s na fixação biológica do nitrogênio e pode m e fe tuar s upre s s ão de plantas e s pontâne as . De s s a form a, a adubação ve rde é um a alte rnativa para dim inuir o aporte de e ne rgia e xte rna à proprie dade rural, aum e ntando a s us te ntabilidade do s is te m a.

PALAVRAS-CH AVE: Adubação Ve rde , Agroe cologia, Solo, Sus te ntabilidade . ABSTRACT

Th is w ork w as de ve lope d th rough of a re vie w about gre e n m anure s and th e be ne fits w ith th e adoption of th is practical, w ith obje ctive of dis s e m inate th e m ain s cie ntific re s ults in th is are a. It w as ve rifie d th at gre e n m anure s provide s s ignificant im prove m e nts in th e ch e m ical, ph ys ical and biological ch aracte ris tics of th e s oil. Th e ch e m ical ch aracte ris tics are be ne fite d by nutrie nts re leas e w ith th e re s idue s de com pos ition. Th is practical im prove s th e ph ys ical ch aracte ris tics favoring th e s oil aggre gation, gre ate r w ate r re te ntion and pre ve nting th e e ros ion. Th e biom as s of gre e n m anure s im prove s th e biological ch aracte ris tics of th e s oil in th e m e as ure w h e re if it cons titute s in food for th e s e m icroorganis m s . More ove r, us e d s pe cie s as gre e n m anure s are e fficie nt in biological nitroge n fixation and can pre s e nt ch aracte ris tic of s uppre s s ion of s pontane ous plants . In th is w ay, th e gre e n m anure is a alte rnative to low e r th e input of e xte rnal e ne rgy for farm , im proving th e s us tainability s ys te m .

KEY W ORDS: Gre e n m anure s , Agroe cology, Soil, Sus tainability.

Corre s pondências para: Alexandre do Nas cim e nto, alexfe rre ira-agro@ bol.com .br Ace ito para publicação e m 06/08/2007

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Introdução

O de s e nvolvim e nto da agricultura nos am bie nte s tropicais e voluiu às cus tas da de te rioração progre s s iva dos re curs os naturais , caus ando grande pe rda de biodive rs idade , as s ociada à re m oção da ve ge tação original. Com o cons e q üência, te m h avido de gradação do s olo, principalm e nte pe la re dução da fe rtilidade e aum e nto da e ros ão (COUTINH O e t al., 2003).

A pre ve nção da de gradação de novas áre as , aliada à baixa fe rtilidade natural dos s olos te m conduz ido à ne ce s s idade do us o de práticas de adição de m atéria orgânica (ALCÂNTARA e t al., 2000). De ntre e s s as práticas , de s taca-s e a adubação ve rde , re conh e cida com o um a alte rnativa viáve l na bus ca da s us te ntabilidade dos s olos agrícolas .

Atualm e nte , alguns produtore s vêm utilizando os adubos ve rde s e m s is te m a de plantio dire to (SPD), com o um a e s tratégia para m inim iz ar os im pactos provocados pe lo us o inte ns ivo do s olo, aliando prote ção e adubação (SILVEIRA e t al., 2005). Em s is te m as de produção, conduz idos por agricultore s fam iliare s , q ue apre s e ntam um a produção dive rs ificada e um a organiz ação m ais com plexa, a adoção do SPD re pre s e nta um de s afio, e m cons e q üência das inte ns as m udanças q ue o s is te m a de te rm ina e de s uas re pe rcus s õe s nos s ubs is te m as fam iliare s (W ILDNER, 2004). Contudo, trabalhos pione iros no s ul do país de ram ao Bras il o s tatus de re fe rência inte rnacional na pe s q uis a, de s e nvolvim e nto e na difus ão do SPD, e s pe cialm e nte com a utilização de adubos ve rde s , para pe q ue nas proprie dade s com m ãode -obra fam iliar (W ILDNER, 2004).

De acordo com COUTINH O e t al. (2003), s is te m as agroe cológicos de produção de pe nde m e contam bas icam e nte com os nutrie nte s prove nie nte s da de com pos ição dos re s íduos de plantas de cultivo ante riore s e da m atéria orgânica do s olo para a nutrição de plantas , q ue é um dos fatore s m ais re levante s para a

s us te ntabilidade de s s e s s is te m as .

A lite ratura s obre adubos ve rde s é re lativam e nte am pla, contudo, no pre s e nte trabalho s ão apre s e ntados alguns dos as pe ctos conce rne nte s aos be ne fícios proporcionados pe lo us o de adubos ve rde s s obre as proprie dade s fís icas , q uím icas e biológicas do s olo, be m com o s obre os e fe itos na s upre s s ão de plantas adve ntícias ou e s pontâne as .

Us o da adubação ve rde

De s de a antiguidade o cultivo de de te rm inadas plantas é re alizado com o intuito de proporcionar e fe itos be néficos ao s olo, obs e rvados e m colhe itas pos te riore s . Re latos da prática da adubação ve rde às m arge ns dos lagos s uíços datam de 4.000 – 5.000 anos a.C. (SOUZ A e PIRES, 2005).

Se gundo CALEGARI e t al. (19 9 2), a adubação ve rde é a prática de s e incorporar ao s olo m as s a ve ge tal não de com pos ta de plantas cultivadas no local ou im portadas , com a finalidade de pre s e rvar e /ou re s taurar fe rtilidade dos s olos e , cons e q üe nte m e nte , a produtividade das te rras agricultáve is , pode ndo s e r re alizada tanto com gram íne as q uanto com legum inos as . De s s a form a, e s s a m atéria orgânica não de com pos ta, q uando adicionada ao s olo, libe ra nutrie nte s através da de com pos ição, q ue ape s ar de s e r um proce s s o be m m ais rápido q ue o da inte m pe riz ação dos m ine rais prim ários , te m de s e r vis to com o um a libe ração e m pote ncial (VALE e t al., 2004).

De acordo com MOREIRA e SIQUEIRA (2002), a de com pos ição é a q ue bra do m ate rial orgânico particulado, ge ralm e nte na form a de polím e ros , e m m ate riais s olúve is q ue s ão abs orvidos pe las células m icrobianas . Es s a de com pos ição é controlada pe los organis m os do s olo, condiçõe s am bie ntais e a nature z a ou com pos ição q uím ica do m ate rial e m de com po- s ição (XU e H IRATA, 2005). H EAL e t al. (19 9 7)

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m e ncionam q ue a de com pos ição dos re s íduos orgânicos pode s e r controlada por dois fatore s : e xtríns e cos (fatore s clim áticos e pe dológicos ) e intríns e cos (fatore s q uím icos e bioq uím icos ) ao re s íduo.

A m aioria dos fatore s am bie ntais q ue afe tam a de com pos ição dos re s íduos orgânicos e s tá re lacionada à s ua ação s obre a atividade dos m icrorganis m os de com pos itore s (W ISNIEW SKI e H OLTZ , 19 9 7; TSAI e t al., 19 9 2).

TORRES e t al. (2005), obs e rvaram , s ob um a m e s m a condição e dafoclim ática, q ue a taxa de de com pos ição e s tá ligada à re lação carbono:nitrogênio (C:N) do m ate rial s ob e s s e proce s s o. XU e H IRATA (2005), concluíram q ue além da re lação C:N, a de com pos ição da biom as s a m orta das plantas tam bém e s tá ligada à s ua re lação lignina:N e carbono:fós foro (C:P).

À m e dida q ue os m icrorganis m os de com põe m um re s íduo orgânico (m atéria orgânica), ocorre a m ine ralização, proce s s o pe lo q ual os nutrie nte s s ão conve rtidos da s ua form a orgânica, para s ua form a inorgânica ou m ine ral (VALE e t al., 2004). Por s ua ve z , e s s a m ine ralização ocorre s im ultane am e nte com a im obilização de nutrie nte s m ine rais , para ate nde r a de m anda nutricional dos m icrorganis m os . Da dinâm ica e inte ns idade re lativa de s s e s dois proce s s os opos tos , te m -s e a m ine ralização e a im obilização líq uida q ue é de grande inte re s s e para a fe rtilidade do s olo e nutrição ve ge tal, pois as form as orgânicas s ão conve rtidas e m CO2, NH 3, NO3-, H 2PO4-, H PO42- e SO42- (MOREIRA e SIQUEIRA, 2002).

De acordo com TORRES e t al. (2005), a m aior taxa de m ine ralização do N de re s íduos de plantas ocorre nos prim e iros 42 dias após s e u m ane jo (corte ). Es s e s autore s obs e rvaram q ue ne s s e pe ríodo, ce rca de 67,5% do N do guandu (Cajanus cajan) e 64,2% do N do m ilhe to (Pe nnis e tum am e ricanum ) foram m ine ralizados . Es s e s dados corroboram os re latos de SPAN e SALINAS (19 85, apud BORKERT e t al., 2003),

q ue obs e rvaram q ue 60 a 70% do N e ncontrado na biom as s a ve ge tal é libe rado para as plantas de cultivo e m s uce s s ão.

Se gundo VALE e t al. (2004), a m ine ralização do N é m uito influe nciada pe la re lação C:N do m ate rial e m de com pos ição. De acordo com e s s e s autore s , q uando s ão adicionados ao s olo re s íduos orgânicos com re lação C:N m aior q ue 30:1, h á o pre dom ínio da im obilização de N e m re lação a m ine ralização, durante a fas e inicial de de com pos ição. Com a adição de re s íduos com re lação C:N e ntre 20:1 e 30:1 não h á ne m pre dom ínio de im obilização ne m m ine ralização do N. Por outro lado, com a adição de re s íduos orgânicos com re lação C:N m e nor q ue 20:1 h á pre dom inância de m ine ralização (libe ração líq uida) de N no início de s ua de com pos ição, o q ue pode acarre tar num a m aior pe rda do e lem e nto, dada s ua dinâm ica.

BAIJUKYA e t al. (2006), e s tudando a libe ração de N das legum inos as utilizadas com o cobe rtura do s olo e adubação ve rde , obs e rvaram q ue a libe ração de s s e nutrie nte e s tá dire tam e nte re lacionada com a re lação lignina:N e lignina + polife nóis :N dos re s íduos e m de com pos ição. De acordo com e s s e s autore s , e s s e s com pos tos proporcionam prote ção fís ica da ce lulos e e outros com pone nte s da pare de ce lular e pode m form ar com plexos com prote ínas q ue prote ge m e dificultam o proce s s o de de com pos ição.

A libe ração pote ncial do N dos re s íduos de plantas de adubos ve rde s , e m s ua m aioria legum inos as , é pe lo fato das raíz e s de s s as plantas s e as s ociare m s im bioticam e nte com bactérias fixadoras de N atm os férico (Rh iz obium e Bradyrh iz obium ) (FREIRE, 19 9 2; RUSCH EL, 19 85). De acordo com CALEGARI (2002), legum inos as , com o a m ucuna-pre ta (Mucuna ate rrim a), guandu-anão (Cajanus cajan), crotalária (Crotalaria junce a) e leuce na (Le uce na leucoce ph ala), pode m fixar até 210 k g h a-1, 170 k g h a-1, 400 k g h a-1 e 1.000 k g h a-1 de N, durante s e us ciclos , re s pe ctivam e nte . Se gundo

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PERIN e t al. (2004), as gram íne as obtêm N s om e nte da s olução do s olo e da m ine ralização da m atéria orgânica. Entre tanto, trabalhos ante riore s e vide nciaram a as s ociação de bactérias fixadoras de N com gram íne as com o o m ilho, arroz , s orgo, cana-de -açúcar, braq uiária (Brach iaria de cum be ns ), e tc. (DÖ BEREINER, 19 9 7; MOREIRA e SIQUEIRA, 2002). Es te as s unto s e rá tratado m ais de talhadam e nte no próxim o as s unto de s s e artigo (ite m “Fixação biológica de Nitrogênio”).

As s im , com o na libe ração do N, o proce s s o de libe ração do P e s tá intim am e nte ligado à de com pos ição dos re s íduos orgânicos pe los m icrorganis m os do s olo, um a ve z q ue e s te nutrie nte e ncontra-s e as s ociado a com pone nte s orgânicos do te cido ve ge tal (MARSCH NER, 19 9 5).

Com a adição de m ate rial orgânico ao s olo com um a alta re lação C:P, os m icrorganis m os as s im ilam o fos fato dis poníve l, pre dom inando a im obilização do P e m re lação a s ua m ine ralização, e e m alguns cas os ocorre com pe tição e ntre a planta e os m icrorganis m os pe lo P dis poníve l no s olo. Entre tanto, e s s e nutrie nte im obilizado é libe rado q uando os m icrorganis m os m orre m , tornando-o dis poníve l novam e nte à planta (TSAI e ROSSETTO, 19 9 2).

GIACOMINI e t al. (2003), te s tando a libe ração do P de alguns adubos ve rde s , obs e rvaram q ue aos 29 dias após o m ane jo (corte ) da biom as s a da e rvilhaca (Vicia s ativa), ce rca de 60% do P foi libe rado para o s olo. SALMI e t al. (2006), obs e rvaram q ue após 30 dias do m ane jo da biom as s a dos ge nótipos de guandu, 50% do P tinh am s ido libe rados . W ISNIEW SKI e H OLTZ (19 9 7) obs e rvaram aos 149 dias após o m ane jo da biom as s a de ave ia-pre ta (Ave na s trigos a) q ue 77% do P foram libe rados do re s íduo.

De acordo com JONES e W OODMANSEE (19 79 ) e BROMFIELD e JONES (19 70, apud BORKERT e t al., 2003), de m ane ira ge ral, 77% do P das folhas e 79 % do P das raíz e s m ortas

ficam dis poníve l para as culturas s ubs e q üe nte s à cultura de cobe rtura, e de s s e total de P na parte aére a, 60 a 80% s ão s olúve is e m água, a m aior parte na form a orgânica.

Além da libe ração do P dos re s íduos ve ge tais , SILVA e t al. (19 9 7), cons tataram q ue h á um a corre lação inve rs a e ntre a taxa de de com pos ição dos re s íduos dos adubos ve rde s e a ads orção do P no s olo.

De acordo com PRIMAVESI (2002), com a adubação ve rde não s om e nte o P do s olo é m obilizado para as form as de m ais fácil abs orção, m as tam bém o fos fato natural é trans form ado para form as m ais “dis poníve is ”, com o ocorre no plantio da m ucuna-pre ta. Se gundo COSTA e LOVATO (2004), as culturas de cobe rtura do s olo, com o adubos ve rde s , têm e fe ito re gulador na atividade e nz im ática ligada à m ine ralização de fos fatos orgânicos no s olo, e e s s e e fe ito de pe nde do caráte r m icorríz ico e não m icorríz ico das e s pécie s utilizadas , cuja influência pe rs is te durante os cultivos s ubs e q üe nte s .

De acordo com TSAI e t al. (19 9 2), a m ine ralização do P orgânico é forte m e nte e s tim ulada pe la anae robios e para alguns tipos de s olo, s e ndo favore cida pe la alte rnância de s e ca e um idade . Os m e s m os autore s obs e rvaram q ue a m ine ralização do P orgânico é favore cida pe las te m pe raturas altas (40 até 50 oC), tanto para re giõe s tropicais com o te m pe radas . Além dis s o, o pH do s olo é indife re nte para q ue os m icrorganis m os atue m na m ine ralização do P orgânico (NAH AS e t al., 19 9 4; TSAI e t al., 19 9 2).

O potás s io (K), por s ua ve z , ao contrário dos de m ais , é um nutrie nte q ue te m pe q ue na de pe ndência da de com pos ição dos re s íduos para s ua libe ração para o s olo, um a ve z q ue grande parte de s s e nutrie nte e ncontra-s e nos com pone nte s não e s truturais e na form a iônica no vacúolo das células ve ge tais , e por is s o, é rapidam e nte libe rado após o m ane jo das plantas de cobe rtura (TAIZ e Z EIGER, 2004; GIACOMINI e t al., 2003; BORKERT e t al., 2003).

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De acordo com H UNGRIA e URQUIAGA (19 9 2), os m icrorganis m os s ão re s pons áve is por ape nas 1/3 da m ine ralização do K total contido nas células e ligado ao com plexo de plantas . Os outros 2/3 de s s e nutrie nte s ão im e diatam e nte s olúve is , não re q ue re ndo a inte rve nção de m icrorganis m os , por e s tare m fracam e nte ligados .

GIACOMINI e t al. (2003), obs e rvaram q ue aos 29 dias após o início da de com pos ição dos re s íduos ve ge tais praticam e nte todo o K foi libe rado para o s olo. De acordo com os m e s m os autore s , aproxim adam e nte 70% de s s e nutrie nte no te cido ve ge tal s ão s olúve is e m água, o q ue e xplica s ua alta libe ração s om e nte com incidência de ch uvas . Se gundo BORKERT e t al. (2003), pode -s e cons ide rar q ue a taxa de aprove itam e nto do K, prove nie nte dos re s tos de culturas , s e ja de 100% .

SALMI e t al. (2006), e s tudando a libe ração dos m acronutrie nte s prim ários dos re s íduos de alguns ge nótipos de guandu, obs e rvaram a s e guinte cons tante de libe ração de nutrie nte s : K > P > N, e vide nciando a m aior libe ração do K dos re s íduos ve ge tais e m re lação a outros nutrie nte s .

Plantas utilizadas com o adubos ve rde s pode m acum ular e m s ua biom as s a q uantidade s e xpre s s ivas de cálcio (Ca) e m agnés io (Mg), com o por e xe m plo, a m ucuna-pre ta, q ue ch e gou acum ular 11,8 k g e 2,9 k g de Ca e Mg, re s pe ctivam e nte , para cada tone lada de m atéria s e ca (BORKERT e t al., 2003).

ESPINDOLA e t al. (2006), e s tudando a de com pos ição e libe ração de nutrie nte s de algum as legum inos as h e rbáce as pe re ne s cons orciadas com banane iras , obs e rvaram a libe ração dos nutrie nte s contidos ne s s as legum inos as e , com is s o, e s tabe lece ram a s e guinte cons tante de libe ração: K > Mg > P > N > Ca.

A lenta libe ração do Ca, e vide nciada por ESPINDOLA e t al. (2006), pode e s tar ligada ao fato de s s e nutrie nte s e r um dos cons tituinte s da pare de ce lular, form ando um dos com pone nte s

m ais re calcitrante s dos te cidos ve ge tais (TAIZ e Z EIGER, 2004).

DIAS e t al. (2003), obs e rvaram q ue os com pos tos orgânicos produz idos pe la de com pos ição dos re s íduos ve ge tais dim inue m a dis ponibilidade de cobre (Cu) e z inco (Z n) e aum e ntam a dis ponibilidade de e nxofre (S) e boro (B).

ALCÂNTARA e t al. (2000), concluíram q ue as legum inos as utilizadas com o adubos ve rde s apre s e ntam m aior capacidade de re ciclage m e m obilização de nutrie nte s , e m com paração com as gram íne as , pe la m aior conce ntração de nutrie nte s na s ua biom as s a. Se gundo BORKERT e t al. (2003), as plantas utilizadas para adubação ve rde s ão e ficie nte s e m acum ular m acro e m icronutrie nte s , com e xce ção do P. Se gundo TEIXEIRA e t al. (2005), as legum inos as apre s e ntam m aiore s te ore s de N e Ca e m s ua biom as s a, ao pas s o q ue o m ilhe to, apre s e nta um a biom as s a rica e m K.

As legum inos as de s e m pe nh am um pape l fundam e ntal com o forne ce doras de nutrie nte s , q uando o s is te m a plantio dire to e s tá e s tabilizado, um a ve z q ue as plantas de s s a fam ília têm a vantage m de prontam e nte dis ponibilizar nutrie nte s para culturas s uce s s oras , e m virtude da rápida de com pos ição dos re s íduos (SILVEIRA e t al., 2005). Ape s ar do proce s s o de de com pos ição dos re s íduos ve ge tais , prove nie nte s de plantas de cobe rtura ou adubação ve rde , libe rare m um a gam a de nutrie nte s de s ua biom as s a para o s olo, is s o não s ignifica q ue e s s e s nutrie nte s e s tarão dis poníve is às culturas s ubs e q üe nte s , pois a q uantidade re al de nutrie nte s aprove itados pe la cultura e m s uce s s ão de pe nde rá do s incronis m o e ntre a de com pos ição da biom as s a e a taxa de de m anda da cultura s uce s s ora (ALVARENGA e t al., 19 9 5; SILVEIRA e t al., 2005).

Os e fe itos da adubação ve rde na fe rtilidade do s olo e s tão no aum e nto do te or de m atéria orgânica; na m aior dis ponibilidade de nutrie nte s ;

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na m aior capacidade de troca de cátions e fe tiva (t) do s olo; no favore cim e nto da produção de ácidos orgânicos , de fundam e ntal im portância para a s olubilização de m ine rais ; na dim inuição nos te ore s de alum ínio (Al) trocáve l através de s ua com plexação; e no incre m e nto da capacidade de re ciclage m e m obilização de nutrie nte s lixiviados ou pouco s olúve is q ue e s te jam nas cam adas m ais profundas (CALEGARI e t al. 19 9 3, apud ALCÂNTARA e t al., 2000).

De acordo com EMBRAPA (19 9 9 ), q ue te s tou, durante q uatro anos , a produtividade do m ilho (tabe la 1) e alguns atributos do s olo (tabe la 2), e m s is te m a de alam e das com a utilização da leuce na com o com pone nte arbóre o e s paçadas e m 5 m e ntre as linh as , obs e rvaram , de m ane ira ge ral, e fe ito be néfico nos atributos do s olo e s tudados e , cons e q üe nte m e nte , m aior produtividade do m ilho (tabe la 1). A título de e s clare cim e nto, s is te m a de alam e das cons is te no plantio de legum inos as pe re ne s , de porte arbus tivo, e m fileiras s uficie nte m e nte e s paçadas e ntre s i, para pe rm itir o plantio de culturas alim e ntare s ou com e rciais e ntre e las .

Além dos adubos ve rde s proporcionare m be ne fícios nas condiçõe s q uím icas e biológicas do s olo, pode m tam bém be ne ficiar as s uas condiçõe s fís icas , pe la e s truturação do s olo (grum os ), prote ção contra e ros ão, m aior re te nção de água e m e nor com pactação (GRAH AM e H AYNES, 2006; PRIMAVESSI, 2002).

De acordo com TSAI e t al. (19 9 2), um s olo com ótim o tam anh o de agre gados prom ove boas condiçõe s para o cre s cim e nto das plantas , particularm e nte para a pe ne tração de raíz e s e e m e rgência de plântulas , e is s o é proporcionado pe la produção de poliss acaríde os por m icrorganis m os , q ue têm influência s obre a e s tabilidade dos agre gados dos s olos .

Se gundo SILVA e t al. (2006), o e s coam e nto s upe rficial, a re te nção de água no s olo e a q uantidade de palhas produz ida pe lo m ilhe to, pode s e r e xpre s s o por um m ode lo line ar, ou s e ja, q uanto m aior a produtividade de m atéria s e ca (k g h a-1) de um a planta de cobe rtura ou adubo

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ve rde , m aior s e rá o s e u pote ncial e m dim inuir o e s coam e nto s upe rficial e aum e ntar o arm az e nam e nto de água, e com is s o e s tar contribuindo para m e lhoria das caracte rís ticas do s olo.

Outras vantage ns da utilização de adubos ve rde s s ão: dim inuição do núm e ro de patóge nos fúngicos com a de com pos ição dos re s íduos (W IGGINS e KINKEL, 2005; ARF e t al., 19 9 9 ); controle de ne m atóide e alguns ins e tos , pe lo aum e nto da biodive rs idade (MALDONADO e t al., 2001; FERRAZ e VALLE, 19 9 7); m e nor am plitude térm ica do s olo (TORRES, 2003); dim inuição da acide z do s olo, e levando o pH (NASCIMENTO e t al., 2003).

De acordo com FERRAZ e VALLE (19 9 7), a m ucuna-pre ta te m s e m os trado e ficie nte no controle do ne m atóide Me loidogyne s pp. e re s ultados obtidos e m cas a de ve ge tação m os traram q ue e s s a e s pécie tam bém é e ficie nte e m re duz ir a população do ne m atóide H e te rode ra glycine s no s olo. MORAES e t al. (2006), obs e rvaram q ue adubos ve rde s pode m s e rvir com o um a tática de controle de fitone m atóide s e m cultivo orgânico e de ve s e r inte grada às alte rnativas de m ane jo com o o us o de varie dade s re s is te nte s , s olariz ação e aração s e guida de irrigação do s olo, principalm e nte no cultivo orgânico.

Os grande s be ne fícios e ncontrados com a introdução de adubos ve rde s no s olo de s e ncade aram alguns e s tudos re lativos a s e us e fe itos s obre culturas e m s uce s s ão. ALVES e t al. (2004), concluíram q ue a incorporação do guandu no s is te m a de produção de ce noura (Daucus carota), be te rraba (Be ta vulgaris ) e fe ijãode -vage m (Ph as e olus vulgaris ), proporciona e levada produtividade de s tas h ortaliças e é com paráve l a cultivos conve ncionais . Em trabalho s im ilar, OLIVEIRA (2001), avaliando os e fe itos da adubação ve rde e m pré-cultivo com crotalária e pous io, s obre a cultura do re polho (Bras s ica olerace a) e m s is te m a orgânico de produção,

obs e rvou q ue o pré-cultivo com e s s a planta (crotalária) prom ove u o aum e nto s ignificativo na produção de m as s a fre s ca da parte aére a, do pe s o m édio das “cabe ças ” e m re lação ao pous io. Por cons e q üência, ve rificou-s e um aum e nto de 41% na produtividade da cultura.

CARVALH O e t al. (2004b), não obs e rvaram influência da adubação ve rde na cultura da s oja (Glycine m ax) e m s uce s s ão, tanto no s is te m a conve ncional de pre paro do s olo, q uanto no plantio dire to de s s a cultura. A adubação ve rde tam bém não influe nciou na produtividade do algodoe iro (Gos s ypium h irs utum ) e m s uce s s ão, tanto no s is te m a conve ncional de pre paro do s olo, q uanto no plantio dire to (CARVALH O e t al., 2004c).

Se gundo CARVALH O e t al. (2004a), a adubação ve rde com crotalária influe nciou a produtividade do m ilho (Z e a m ays ) e m s uce s s ão, s e com parado à áre a de pous io, tanto no plantio dire to, q uanto no s is te m a conve ncional de pre paro do s olo.

ARF e t al. (19 9 9 ), obs e rvaram q ue a incorporação da m ucuna-pre ta proporcionou o dobro de produtividade (2.407 k g h a-1) do fe ijoe iro (Ph as e olus vulgaris ), e m re lação a incor-poração da palhada do m ilho (1.189 k g h a-1). Não obs tante , h á controvérs ias na lite ratura q uanto aos e fe itos da incorporação de biom as s a de adubos ve rde s na cultura do fe ijão, pode ndo s e r be néfico (SILVEIRA e t al., 2005; OLIVEIRA e t al., 2002; W UTKE e t al., 19 9 8; BORDIN e t al., 2003) ou não influe nciar (ARF e t al., 19 9 6; SILVA e t al., 2003; ARF e t al., 2005) e s s a cultura e m s uce s s ão.

MIYASAKA e t al. (19 66, apud ARF e t al.,19 9 9 ), e s tudando o e fe ito da m as s a ve ge tal de legum inos as e de gram íne as e m de com pos ição s obre a cultura do fe ijoe iro, q uando incorporadas ao s olo ante s da s e m e adura do fe ijão, ve rificaram várias vantage ns da incorporação, com o: m aior re te nção de um idade e m e nor variabilidade térm ica do s olo, e m bora e m m e nor grau do q ue

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no s olo com cobe rtura m orta (m ulch ); aum e nto no te or de K nas folhas ; m e lhor de s e nvolvim e nto da parte ve ge tativa e radicular; e aum e nto na produtividade do fe ijoe iro.

Fixação biológica de Nitrogênio

A atm os fe ra te rre s tre é com pos ta por ce rca de 78% de gás dinitrogênio ou, tam bém ch am ado, nitrogênio m olecular (N2). Para obte r o N atm os férico é pre cis o h ave r a q ue bra de um a ligação tripla de nature z a covalente (N≡N) de e xce pcional e s tabilidade e m te m pe ratura am bie nte . Is to pode s e r re alizado por proce s s o indus trial ou natural. De ntro do proce s s o indus trial, ne ce s s ita-s e de e levadas te m pe raturas , ce rca de 200 oC, e alta pre s s ão, e m torno de 200 atm , para pode r fixar o N atm os férico na form a de am ônia. Por outro lado, de ntro a fixação natural (aq ui e nte nde -s e por biológica, cons cie nte ainda q ue h á outras form as de fixação natural, com o por de s cargas e létricas ), um a porção dos organis m os procariotos conve rte ou re duz e nz im aticam e nte o nitrogênio da atm os fe ra e m am ônia, a q ual pode s e r incorporada para o cre s cim e nto e m anute nção das células , e fre q üe nte m e nte is to te m e fe itos pos itivos no am bie nte e na e conom ia (TAIZ e Z EIGER, 2004; MOREIRA e SIQUEIRA, 2002).

A inclus ão de legum inos as no m ane jo dos s is te m as agrícolas te m ganh ado ate nção da com unidade cie ntífica pe lo s e u pote ncial na fixação biológica de N (FBN). Re s s alta-s e q ue a FBN re pre s e nta a form a m ais im portante de fixar N atm os férico (N2) e m am ônio, re pre s e ntando as s im , o principal m e io de e ntrada do N m olecular no ciclo bioge oq uím ico de s s e e lem e nto (TAIZ e Z EIGER, 2004; SCIVITTARO e t al., 2004), s e ndo re conh e cida, de s s a form a, com o um a fe rram e nta im portantís s im a na bus ca pe la s us te ntabilidade de s is te m as agrícolas com bas e e cológica.

A FBN pode s e r re alizada, q uanto a clas s ificação de grupos fis iológicos , por

m icrorganis m os s im bióticos e as s im bióticos . Os m icrorganis m os as s im bióticos , tam bém ch am ados de vida livre , povoam os s olos e utilizam s ubs tâncias orgânicas ou inorgânicas com o fonte de e ne rgia. De ntre os m icrorganis m os q ue pos s ue m e s s as caracte rís ticas pode m s e r citadas as algas , ch e gando a fixar 300 k g h a-1, e bactérias fotos s inte tiz adoras , h e te rotróficas e q uim ioautotrófica (RUSCH EL, 19 85). Por outro lado, de ntro do outro grupo de m icrorganis m os , ocorre um a as s ociação s im biótica m utualista ou paras ítica e ntre a planta e o m icrorganis m o, de m odo q ue os dois s ão be ne ficiados (MOREIRA e SIQUEIRA, 2002). Ne s s e s s is te m as (s im bióticos ), parte dos produtos da fotos s ínte s e s ão carre ados para a fixação de N e m de trim e nto da s ínte s e da planta, s e ndo q ue h á a e s tim ativa q ue ce rca de 2,5% da fotos s ínte s e do plane ta é cons um ida pe la FBN (MOREIRA e SIQUEIRA, 2002; RUSCH EL, 19 85). Alguns s is te m as s im bióticos já obs e rvados s ão: legum inos as e Rh iz obium ; angios pe rm as e actinom ice tos ; algas az uis ve rde s e m liq ue ns e outras plantas infe riore s , com o briófitas (RUSCH EL, 19 85).

Ape s ar apre s e ntar um arcabouço de as s ociaçõe s e ntre m icrorganis m os e plantas , do ponto de vis ta agrícola é dis pe ns ada m ais ate nção e te m po à pe s q uis a com as s ociação s im biótica e ntre m icrorganis m os e legum inos as . De acordo com TAIZ e Z EIGER (2004), o tipo m ais com um de s im bios e ocorre e ntre e s pécie s da fam ília Le gum inos ae e as bactérias de s olo dos gêne ros Az orh iz obium , Bradyrh iz obium , Ph otorh iz obium , Rh iz obium e Sinorrh iz obium , q ue coletivam e nte s ão ch am ados de riz óbios . Se gundo os m e s m os autore s , outro tipo com um de s im bios e ocorre e ntre várias e s pécie s de plantas lenh os as e bactérias do s olo do gêne ro Frank ia.

Os organis m os procarionte s s im bionte s fixadore s de N ocorre m no inte rior de nódulos , q ue s ão órgãos e s pe ciais de plantas h os pe de iras

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q ue contêm as bactérias fixadoras (TAIZ e Z EIGER, 2004; RUSCH EL, 19 85; FREIRE, 19 9 2). No cas o de legum inos as , as bactérias fixadoras de N induz e m a form ação de nódulos nas raíz e s . Ape s ar das gram íne as de s e nvolve re m re laçõe s s im bionte s com organis m os fixadore s de N, ne s s a as s ociação os nódulos não s ão produz idos . Ne s te cas o, a bactéria coloniz a os te cidos do ve ge tal ou s e fixa na s upe rfície das raíz e s , principalm e nte próxim as da z ona de alongam e nto e dos pêlos radiculare s (TAIZ e Z EIGER, 2004).

A form ação do nódulo e nvolve vários fitorm ônios e é dividido e m dois proce s s os : infe cção e organogêne s e do nódulo. O nódulo de s e nvolve caracte rís ticas s e m e lhante s a um s is te m a vas cular (q ue facilita a pe rm uta do N fixado produz ido pe los bacte rióide s por nutrie nte s dis ponibilizados pe la planta) e um a cam ada de células para e xcluir o O2 do inte rior do nódulo da raiz (MOREIRA e SIQUEIRA, 2002).

A e xclus ão do O2 dos nódulos das raíz e s é de s um a im portância para ocorre r a fixação do N, um a ve z q ue e s te proce s s o re q ue r condiçõe s anae róbicas . Cada organis m o fixador de N de s e m pe nh a e s s a função e m condiçõe s naturais de aus ência de oxigênio ou de s e nvolve condiçõe s inte rnas de anae robios e s , m e s m o na pre s e nça de O2. De s s a form a, nas gram íne as , de pre e nde -s e q ue a FBN é controlada por m icrorganis m os q ue de s e nvolve m condiçõe s e s pe cíficas de anae robios e , um a ve z q ue não é obs e rvada a form ação de nódulos ne s s as plantas . Por outro lado, as legum inos as re gulam a pe rm e abilidade dos gas e s nos s e us nódulos , de form a a m ante r um níve l de O2 q ue s us te nte a re s piração, m as s uficie nte m e nte baixo para e vitar a inativação da nitroge nas e (TAIZ e Z EIGER, 2004).

Por s ua ve z , a nitroge nas e , q ue catalisa a re ação de fixação do N2, é um com plexo de e nz im as . Es te com plexo pode s e r dividido e m dois com pone nte s , Fe -prote ína e MoFe -prote ína. De s s a form a, pos tula-s e q ue na de ficiência

de s s e s e lem e ntos , Fe rro (Fe ) e /ou Molibidênio (Mo), a FBN é re tardada, te m baixa e ficie nte ou até m e s m o é paralisada. Com o, de m ane ira ge ral, obs e rva-s e q ue os s olos da re gião tropical dificilm e nte apre s e ntam de ficiência de Fe , por e s s e e lem e nto s e r abundante e m roch as e s e dim e ntos da cros ta, além do grau avançado de inte m pe ris m o e xis te nte , de pre e nde -s e q ue o problem a da FBN na grande m aioria dos s olos bras ileiros e s tá re lacionado com a de ficiência de Mo. Ape s ar de s s a pos s ibilidade s e r plaus íve l, ante s de q ualque r de cis ão pre cipitada h á a ne ce s s idade de analisar s e a planta é s us ce tíve l de infe cção por algum s im bionte , um a ve z q ue o proce s s o de infe cção e o de s e nvolvim e nto de nódulos fixadore s de N e nvolve m ge ne s e s pe cíficos , tanto da planta h os pe de ira q uanto dos s im bionte s . Além dis s o, vários outros fatore s com o a de ficiência de nutrie nte s , por e xe m plo P, pode s e r um fator lim itante para m aior e ficiência na FBN, as s im com o, acide z do s olo, déficit h ídrico e tc. (TAIZ e Z EIGER, 2004; MOREIRA e SIQUEIRA, 2002; RIBEIRO JÚNIOR e RAMOS, 2006).

A FBN, com paráve l a fixação indus trial do N, produz am ônia a partir do N m olecular, pode ndo e s s a re ação s e r re pre s e ntada da s e guinte form a:

N2+ 8e - + 8H + + 16 ATP→ 2NH 3+ H 2+ 16ATP+ 16Pi Para e vitar a toxicidade , o N fixado na form a de am ônia pe los organis m os procarionte s s im bióticos é conve rtida e m form as orgânicas nos nódulos das raíz e s , ante s de s e re m trans portadas pe lo xilem a à parte aére a da planta. Quanto a e xportação, as legum inos as fixadoras de N pode m s e r clas s ificadas com o e xportadoras de am idas ou ure ídas , s e ndo e s s a clas s ificação re alizada com bas e na com pos ição da s e iva do xilem a. As am idas s ão e xportadas por legum inos as de re giõe s te m pe radas , por outro lado, as ure ídas s ão e xportadas por legum inos as de clim a tropical, te ndo com o e xe m plo a s oja

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(Glycine ), fe ijão (Ph as e olus ) e am e ndoim (Arach is ). Por s ua ve z , as ure ídas s ão libe radas no xilem a e trans portadas à parte aére a, onde s ão catalisados a am ônio e tão logo s ão utilizados pe las plantas (TAIZ e Z EIGER, 2004).

De m ane ira ge ral, e xis te m bas icam e nte duas técnicas para calcular a q uantidade de N fixado biologicam e nte (FBN), pe la abundância de ure ídas e pe la abundância de 15N, q ue é am plam e nte utilizada nos e xpe rim e ntos re alizados com FBN (OKITO e t al., 2004). Es ta técnica parte do princípio de q ue o N m ine ral do s olo é, e m ge ral, um pouco e nriq ue cido com 15N, re s ultado de fracionam e nto is otópico e ntre 14N e 15N q ue ocorre nos proce s s os fís icos , q uím icos e biológicos q ue e nvolve m o N da m atéria orgânica e do s olo. As s im , um a planta q ue não fixa N2 atm os férico, cre s ce ndo ne s s as condiçõe s , te rá s ua com pos ição e m 15N s e m e lhante a do N dis poníve l do s olo. Não obs tante , um a planta fixadora do N2 atm os férico apre s e ntará te ore s m e nore s de 15N, de vido ao e fe ito de diluição q ue

e s s e N2 caus ará, um a ve z q ue o 15N da atm os fe ra é z e ro. De s s a m ane ira, us ando-s e um a planta não fixadora com o m arcadora do 15N do N m ine ral do s olo, a taxa de fixação pode s e r de te rm inada pe la proporção com q ue e s te 15N foi diluído. Na prática, é im pos s íve l s abe r s e de te rm inada planta não obtém algum N oriundo de fixação, por m e canis m os as s ociados ou não à planta. Além dis s o, o ide al s e ria q ue tanto as plantas fixadoras , q uanto as não fixadoras e xploras s e m um volum e de s olo s e m e lhante , para de s s a form a, apre s e ntar padrõe s de abs orção e as s im ilação do N pare cidos . Com o is s o é praticam e nte im pos s íve l de s e r ate ndido, us a-s e a m édia do 15N de algum as plantas re conh e cidam e nte de e s pécie s para as q uais não h á h is tórico com provado de fixação biológica as s ociada q ue e s tão cre s ce ndo nas m e s m as condiçõe s das fixadoras (OKITO e t al., 2004; MIRANDA e t al., 2003).

De acordo com PERIN e t al. (2004), q ue

re alizaram te s te s de FBN e m crotalária (Crotalaria junce a) cultivada s olte ira e e m cons órcio com m ilhe to (Pe nnis e tum am e ricanum ), obs e rvaram , aos 64 dias após o plantio, um a fixação de N de 173,21 k g h a-1 no cultivo s olte iro e de 89 ,02 k g h a-1 no cons órcio.

OKITO e t al. (2004), avaliando a FBN pe la técnica de 15N na m ucuna (Mucuna prurie ns ) e am e ndoim (Arach is h ypogae a), obs e rvaram q ue 69 ,6 e 54,4% , re s pe ctivam e nte , do N contido na biom as s a de s s as plantas foi oriundo da FBN, pe rfaz e ndo 59 ,6 e 40,9 k g de N h a-1. MIRANDA e t al. (2003), te s tando a FBN e m s e te ace s s os de am e ndoim forrage iro (Arach is pintoi e Arach is re pe ns ), obs e rvaram q ue o N fixado biologicam e nte variou de 35 a 9 0% na m as s a s e ca da planta, ch e gando a fixar até 9 9 k g h a-1 e m um dos ace s s os .

Para de m ons trar a FBN e m gram íne as , e m levantam e nto re alizado para ve rificar a contribuição da FBN para a cana-de -açúcar no Bras il, POLIDORO e t al. (2001), obs e rvaram q ue e s s a contribuição variou de 0 a 60% , com m édia e m 32% . Es s a variação foi atribuída de vido aos dife re nte s cultivare s te s tados . De acordo com CAMPOS e t al. (2003), a cultura do arroz e m condiçõe s de inundação pode s e be ne ficiar da FBN, e xis tindo dife re nças e ntre ge nótipos q uanto a de pe ndência de s te proce s s o. Se gundo e s te s autore s , e ntre os ge nótipos avaliados , a contribuiçõe s da FBN variou e ntre 20 e 30 % do N acum ulado pe la planta.

Ape s ar de s s e s dados s upracitados s e re m e xpre s s ivos , na tabe la 3 s ão apre s e ntados alguns valore s de FBN de várias plantas , q ue , de m ane ira ge ral, não corroboram aos re s ultados acim a.

O N contido na m as s a s e ca de s s as plantas (de pois de cortadas e s ofre re m de com pos ição), pas s a a s e r: utilizado pe los m icrorganis m os ; abs orvido pe las plantas ; re tido no com plexo de troca do s olo; pe rdido por lixiviação ou volatiz ação; ou, ainda, pe rm ane ce m nos re s íduos .

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Todos e s s e s proce s s os s ão de pe nde nte s de vários fatore s , conform e abordage m fe ita no ite m “Us o da adubação ve rde ” de s te trabalho.

Supre s s ão de plantas e s pontâne as

Os s e re s vivos e laboram s ubs tâncias q uím icas q ue , um a ve z libe radas no am bie nte , pode m influe nciar de m odo be néfico ou pre judicial os outros e lem e ntos da com unidade (ALMEIDA, 19 9 1). Es s as s ubs tâncias s ão de nom inadas de aleloq uím icos , e e s s e fe nôm e no ch am ado de alelopatia (ERASMO e t al., 2004).

O pode r de s upre s s ão das plantas e s pontâne as ou adve ntícias e xe rcida por alguns adubos ve rde s pode s e r atribuído aos e fe itos alelopáticos (ALMEIDA, 19 9 1). Todavia, e s s e e fe ito s upre s s ivo tam bém pode s e r cre ditado a barre ira fís ica proporcionada pe los m e s m os , q ue inte rfe re m na dis ponibilidade de água, luz , oxigênio e nutrie nte s no s olo (FAVERO e t al., 2001).

COSTA (19 9 5, apud ERASMO e t al., 2004), obs e rvou e m plantas de m ucuna-pre ta, alto grau de tanino conde ns ado, e s te róide s livre s e ogliconas e s te róide s , q ue provave lm e nte e s tão re lacionados com e fe itos alelopáticos . ALMEIDA (19 9 1) obs e rvou q ue os re s íduos ve ge tais , q ue

form am cobe rtura m orta, pos s ue m aleloq uím icos e o e fe ito alelopático q ue ocorre na nature z a confunde -s e com a com pe tição.

De acordo com PRIMAVESI (2002), o com bate de plantas e s pontâne as por alguns adubos ve rde s pode ocorre r pe las e xcre çõe s radiculare s , pe la m odificação q uím ica e fís ica do s olo, pe lo s om bre am e nto e pe lo e xtrato lixiviado de m ate rial roçado.

FONTANÉTTI e t al. (2004), concluíram q ue e s pécie s utilizadas com o adubos ve rde s , e s pe cialm e nte a m ucunapre ta e o fe ijãode -porco (Canavalia e ns iform e s ), s ão e ficie nte s no controle da tiririca (Cype rus rotundus ), e m s is te m a de cultivo da alface -am e ricana e do re polho, e atribui e s s e com portam e nto a e fe itos alelopáticos .

FAVERO e t al. (2001) ve rificaram q ue as legum inos as utilizadas com o adubos ve rde s prom ove m m odificaçõe s na dinâm ica de s uce s s ão das e s pécie s e s pontâne as e a e s pécie q ue apre s e nta m aior pote ncial para re cobrim e nto e s upre s s ão de s s as plantas é a m ucuna-pre ta. ERASMO e t al. (2004), concluíram q ue e ntre os adubos ve rde s avaliados , duas m ucunas (pre ta e cinz a) apre s e ntaram os m aiore s pote nciais para o controle do núm e ro das plantas e s pontâne as . Da m e s m a form a, NASCIMENTO e MATTOS (2007) te s tando a influência dos re s íduos de três adubos ve rde s , e m cultivo s olte iro e cons orciado, s obre plantas e s pontâne as , obs e rvaram q ue a m ucuna-pre ta s olte ira e e m cons órcio com o m ilhe to apre s e ntaram m aior pote ncial de s upre s s ão.

SEVERINO e CH RISTOFFOLETI (2001) re lataram q ue a utilização da crotalária e do guandu re duz s ignificativam e nte a infe s tação das plantas inde s e jáve is nos agroe cos s is te m as , s obre tudo de braq uiária (Brach iaria de cum be ns ), capim -colonião (Panicum m axim um ) e picão-pre to (Bide ns pilos a). Se gundo ERASMO e t al. (2004), a utilização do m ilhe to é a q ue têm m e nor contribuição para o controle de plantas e s pontâne as .

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De acordo com TREZ Z I e VIDAL (2004), q ue e s tudaram o e fe ito s upre s s ivo da cobe rtura m orta do s orgo (Sorgh um bicolor) e m ilhe to s obre plantas e s pontâne as , obs e rvaram m aior e fe ito inibitório s obre plantas inde s e jáve is na cobe rtura form ada pe lo s orgo. Se gundo os m e s m os autore s , níve is de palha de s orgo de 1,3 t h a-1 foram s uficie nte s para re duz ir 50% das infe s taçõe s de capim papuã (Brach iaria plantagine a) e guanxum a (Sida rh om bifolia).

De acordo com SEVERINO e CH RISTOFFOLETI (2004), SEVERINO e CH RISTOFFOLETI (2001) e MALDONADO e t al. (2001), a utilização de adubos ve rde s contribui na re dução da população de plantas e s pontâne as , pode ndo s e r utilizados para o m ane jo inte grado de s s as plantas . Contudo, o e fe ito s upre s s ivo ou alelopático pode ocorre r tam bém s obre plantas cultivadas (H ALLAK e t al., 19 9 9 ). ABBOUD e DUQUE (19 86) ve rificaram q ue a incorporação de m ucuna-pre ta ante s da s e m e adura do fe ijoe iro provocou fitotoxicidade na cultura e re duz iu s ua produtividade .

Re fe rências Bibliográficas

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