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Estratégias de competitividade em sistemas de produção de café

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FACULDADE DE ENGENHARIA AGRÍCOLA

LUÍSA AMÉLIA PASETO

ESTRATÉGIAS DE COMPETITIVIDADE

EM SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE CAFÉ

CAMPINAS 2018

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LUÍSA AMÉLIA PASETO

ESTRATÉGIAS DE COMPETITIVIDADE

EM SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE CAFÉ

Tese apresentada à Faculdade de Engenharia Agrícola da Universidade Estadual de Campinas como parte dos requisitos exigidos para obtenção do título de Doutora em Engenharia Agrícola, na área Gestão de Sistemas na Agricultura e Desenvolvimento Rural.

Orientador: Prof. Dr. Marco Túlio Ospina Patino

ESTE EXEMPLAR CORRESPONDE À VERSÃO FINAL DA TESE DEFENDIDA PELA ALUNA LUÍSA AMÉLIA PASETO, E ORIENTADA PELO PROF.º DR. MARCO TÚLIO OSPINA PATINO

CAMPINAS 2018

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AGRADECIMENTOS

Ao CNPQ, UNICAMP, CPG, IAC CAFÉ, bases fundamentais de alcance às ferramentas necessárias à contribuição cientifica e fonte de recurso para a realização da pesquisa...

Às empresas, aos proprietários rurais, funcionários e colaboradores, diretores, consultores, alunos, enfim todos meus parceiros nas trocas de experiencias e leitura dos dados.... fica aqui o registro de todas as nossas observações, percepções... de conversas... encontros...cafés... workshops...sempre extremamente agradáveis.

Especialmente a minha família...semente onde germinou minha curiosidade pelo saber.

Ao meu orientador pelas oportunidades de reflexão... onde tenho certeza que, foram anos de crescimento.

A minha guru de análises, que muito contribuiu para diminuir as páginas escritas....

A minha eterna experiente conselheira, amiga muitas vezes companheira de viagem... que muito contribuiu com as ideias, fotografias, discussões, correções...

Aos amigos que se mantiveram na torcida para o sucesso... aliviando sofrências ...carências...falta de habilidade para o manejo tecnológico....

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Este exemplar corresponde à redação final da Tese de Doutorado defendida por Luísa Amélia Paseto, aprovada pela Comissão Julgadora em 24 de agosto de 2018, na Faculdade de Engenharia Agrícola da Universidade Estadual de Campinas.

________________________________________________________________ Prof. Dr. Marco Túlio Ospina Patino – Presidente e Orientador

_________________________________________________________________ Dra. Flávia Maria de Mello Bliska – Membro Titular

_________________________________________________________________ Dr. Sérgio Parreiras Pereira – Membro Titular

_________________________________________________________________ Prof. Dr. Mauro José Andrade Terêso – Membro Titular

_________________________________________________________________ Dr. Carlos Eduardo Osório Xavier – Membro Titular

A Ata da defesa com as respectivas assinaturas dos membros encontra-se no processo de vida acadêmica do discente.

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RESUMO

O Brasil é líder mundial na produção e exportação de café e segundo no ranking do consumo. A crescente conscientização dos produtores brasileiros e concorrentes, em relação ao reconhecimento das oportunidades para criação de competitividade e produtividade, são questões determinantes à inserção e perpetuação no mercado. No Brasil se consolida alterações na gestão da produção, em resposta à demanda por produtos de qualidade e sustentáveis. Torna-se crescente a busca por novas parcerias, melhores práticas agronômicas que diferenciem e criem oportunidades de redução de custos e riscos no ciclo de produção. O objetivo desta pesquisa foi determinar a contribuição da gestão em sistemas de produção de café, identificando indicadores de conhecimento e capacitação que gerem diferencial aumentando a competitividade das organizações. A base de dados principal foi gerada com informações coletadas na aplicação de questionários aos proprietários e colaboradores. Os agentes formadores da cadeia de valor do café foram observados em duas Mesorregiões (Sul de Minas e Campinas), divididos em duas microrregiões, selecionando-se três municípios um total de cinco propriedades em cada município de cada microrregião. Também foram analisadas 4 propriedades, em diferentes municípios da região Cerrado Mineiro em AHP (análise hierárquica de processos), reconhecendo a ordem de prioridade do cafeicultor na tomada de decisão. Para as comparações entre mesorregiões Sul de Minas e Campinas, aplicou-se a programação linear, analisando-se a relação entre as variáveis das três dimensões da sustentabilidade. As análises evidenciaram as oportunidades à competitividade, identificando fatores de gestão e inovação tecnológica nos sistemas de produção certificados e convencional de produção de café. Os resultados confirmaram que as certificações exigem alto padrão de qualidade sinérgico e excelência em gestão, reflexos da exploração de competências essenciais, acesso à informação, conhecimento e treinamentos, no ciclo de produção. No Cerrado Mineiro observa-se que, a produção de café foi expressiva no período de 1996 até 2016, porém a participação das cooperativas e associações no volume de exportação evoluiu mais lentamente. Em 2006 foi de 6,9% e em 2016 algo em torno de 9,8% do total produzido. É comum o produtor perceber poucos incentivos na produção de cafés de qualidade superior, pois além de não privilegiar a qualidade no ciclo de produção do café, ainda não recebe e nem percebe, uma remuneração na venda, que valorize e incentive tal diferencial. As propriedades rurais apresentam gestão organizacional com foco na produção e vendas em escala, sendo a variável controle de custo a maior prioridade em tomadas de decisões

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produtivas e de mercado. Comparativamente no Sul de Minas explora-se em melhores condições as competências essenciais da cadeia de valor. A produção nas mesorregiões, evidencia diferencias em gestão para a determinação da estratégia de posicionamento e de mercado. Por suas características de individualização produtiva, tecnologia e mecanização, na mesorregião Campinas, tem-se a melhor exploração da produção e de posicionamento de mercado. A qualidade permeia a produção mineira e paulista, observada nos registros de produtividades acima da média brasileira. Nota-se que, no Sul de Minas a exploração das competências essenciais é mais presente.

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ABSTRACT

Brazil is the world leader in the production and export of coffee and second in the consumption ranking. The increasing awareness of Brazilian producers and competitors regarding the recognition of opportunities to create competitiveness and productivity are determining factors in the insertion and perpetuation in the market. In Brazil, changes in production management are consolidated, in response to the demand for quality and sustainable products. The search for new partnerships, agronomic best practices that differentiate and create opportunities to reduce costs and risks in the production cycle is growing. The objective of this research was to determine the contribution of management in coffee production systems, identifying knowledge and training indicators that generate a differential, increasing the competitiveness of organizations. The central database was generated with information collected in the application of questionnaires to owners and collaborators. The agents that form the coffee value chain were observed in two mesoregions (South of Minas Gerais and Campinas), divided into two microregions, selecting three municipalities a total of five properties in each municipality of each micro-region. Also, 4 properties were analyzed in different municipalities of the Cerrado Mineiro region in AHP (hierarchical analysis of processes), recognizing the order of priority of the coffee grower in decision making. For the comparisons between the South of Minas Gerais and Campinas mesoregions, the linear programming was applied, analyzing the relationship between the variables of the three dimensions of sustainability. The analyzes showed the opportunities for competitiveness, identifying management factors and technological innovation in certified production systems and conventional coffee production. The results confirmed that certifications require high standards of synergistic quality and management excellence, reflecting the exploration of essential competencies, access to information, knowledge, and training in the production cycle. In the Cerrado Mineiro, it is observed that the production of coffee was expressive in the period from 1996 to 2016, but the participation of cooperatives and associations in the export volume evolved more slowly. In 2006 it was 6.9% and in 2016 something around 9.8% of the total produced. It is common for the producer to perceive few incentives in the production of high-quality coffees since in addition to not privileging the quality in the coffee production cycle, he still does not receive and does not perceive a sales remuneration that values and encourages such a differential. The rural properties present organizational management with a focus on production and sales in scale, with the cost control variable being the

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highest priority in making production and market decisions. In comparative terms in the South of Minas, the essential competencies of the value chain are better exploited. The productions of the mesoregions show differences in management for the determination of the positioning and market strategy. At Campinas, due to its characteristics of productive individualization, technology, and mechanization, one has the best exploitation of production and market positioning. The quality permeates the mining and São Paulo production, observed in the records of productivities above the Brazilian average. It is noted that in the South of Minas the exploitation of the essential competencies is more present.

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Seleção Espacial de Estados brasileiros produtores de cafés Arábicas da

Pesquisa. ... 28

Figura 2: Desenvolvimento conceitual do estudo ... 51

Figura 3: Modelo para formação da Hierarquia em tomada de decisões ... 66

Figura 4: Análise de Equilíbrio das Forças Ambientais, Sociais e Econômicas ... 68

Figura 5: Prioridade dos Fatores para Tomada de Decisão em Fazendas Cafeeiras ... 71

Figura 6: Cotação de café de "Boas Práticas Agrícolas e Qualidade*" em R$/sc para o período de 2001 a 2011. ... 80

Figura 7: Número de variáveis sociais atendidas em relação ao custo por hectare ... 111

Figura 8: Número da variáveis sociais atendidas em relação ao custo/ha ... 112

Figura 9: Número de variáveis ambientais atendidas em relação ao custo por hectare .... 114

Figura 10 : Número de variáveis ambientais atendidas em relação ao custo por hectare . 115 Figura 11: Relação entre custo e produção para a Mesorregião Sul de Minas e Campinas ... 116

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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1: Análise das dimensões sociais, ambientais e econômicas por fazenda ... 70 Gráfico 2: Aderência às Variáveis de Gestão Ambiental, Econômica e Social das Mesorregiões Sul de Minas e Campinas/SP. ... 110

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Região Mogiana Paulista: Mesorregião Campinas/SP e suas Microrregiões produtoras e cooperativas – 2015:2016 ... 29 Tabela 2: Mesorregião Sul Minas/MG: Microrregiões produtoras, municípios e cooperativas – 2015:2016 ... 30 Tabela 3: Caracterização das Variáveis de Gestão para o Reconhecimento de Key Drivers na produção de café das Mesorregiões de Campinas/SP e Sul de Minas ... 32 Tabela 3 (continuação): Caracterização das Variáveis de Gestão para o Reconhecimento de Key Drivers na produção de café das Mesorregiões de Campinas/SP e Sul de Minas .. 33 Tabela 4: Variáveis Selecionadas em Programação Linear para a Mesorregião Campinas (MP) e Mesorregião Sul de Minas ... 39 Tabela 5: Participação das Cooperativas na Produção de Café brasileiro (Produção em M/scs) ... 54 Tabela 6: Participação das Cooperativas nas Exportações de café brasileiro (000/sacas) .. 54 Tabela 7: Indicadores de Desempenho da Cafeicultura Brasileira. Anos 2000 a 2016 ... 55 Tabela 8: Comparativo do Custo de Produção de Café brasileiro (Média em Sacas /US$) 57 Tabela 9: Comparativo Capital Social x Mecanização x Produtividade ... 73 Tabela 10: Caracterização da Administração e Gestão da Propriedade – Gestão Econômica propriedades de Ouro Fino. ... 89 Tabela 11: Caracterização da Administração e Gestão da Propriedade para Poços de Caldas ... 91 Tabela 12: Caracterização da Administração e Gestão da Propriedade para Andradas ... 93 Tabela 13: Caracterização da Administração e Gestão da Propriedade em Alfenas ... 95 Tabela 14: Caracterização da Administração e Gestão da Propriedade em Poço Fundo .... 96 Tabela 15: Caracterização da Administração e Gestão da Propriedade em Machado ... 98 Tabela 16: Caracterização da Administração e Gestão da Propriedade em Amparo ... 101 Tabela 17: Caracterização da Administração e Gestão da Propriedade em Serra Negra .. 103 Tabela 18: Caracterização da Administração e Gestão da Propriedade em Socorro ... 104 Tabela 19: Caracterização da Administração e Gestão da Propriedade em São João da Boa Vista ... 105 Tabela 20: Caracterização da Administração e Gestão da Propriedade em Espírito Santo do Pinhal ... 106 Tabela 21: Caracterização da Administração e Gestão da Propriedade em Divinolândia 107

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Tabela 22: Área em ha (hectares) em produção de café no Brasil, período de 2006 a 2013 ... 135 Tabela 23: Produtividade em sacas por ha (hectares) em produção de café no Brasil, período 2006 a 2013 ... 136

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ABREVIAÇÕES E SIGLAS

ABIC: Associação Brasileira da Indústria de Café AC: Análise de Cluster

ACP: Análise de Componentes Principal

ACECAP: Associação dos Cafeicultores Certificados do Circuito das Águas Paulista ACAFEG: Associação dos Cafeicultores Familiares dos bairros de Gabiroba e Gonçalves AHP: Analytic Hierarchy Process

APL: Arranjo Produtivo Local

APP: Área de Preservação Permanente

APRA: Associação dos Produtores Rurais do Bairro Areião e Região

APROCEM: Associação dos Produtores Rurais e Comunitária de Ernesto Machado APROD: Associação dos Produtores Rurais de Divinolândia

APROJARDIM: Associação dos Produtores Rurais de Santo Antônio de Jardim

ASCAFE: Associação dos Cafeicultores Familiares da Microbacia do Bairro Santa Terezinha

ASSL: Associação de Cafés Especiais de Santa Luzia

ASSODANTAS: Associação dos Agricultores Familiares do Córrego D’Antas ASSOMANDASSAIA: Associação de Produtores Rurais de Mandassaia

BPA: Boas Práticas Agrícolas

CAFENICA: Asociación de Cooperativas de Pequeños Productores de Café de Nicaragua CD: Cereja Descascada

CECAFE: Conselho dos Exportadores de Café do Brasil

CEPEA/ESALQ: Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada CNC: Conselho Nacional de Café

COCAPEC:Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas COCAMPI: Conselho do Café de Mogiana do Pinhal CONAB: Companhia Nacional de Abastecimento

COOCASER: Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Serra Negra e Região COOMOUFI: Cooperativa Modelo de Ouro Fino

COOPAMA: Cooperativa Agrária de Machado COOPERCITRUS: Cooperativa de Produtores Rurais

COOPFAM: Cooperativa dos Agricultores Familiares de Poço Fundo e Região. COOPINHAL: Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Pinhal

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COOXUPE: Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé EPAMIG: Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais EPI: Equipamentos de Proteção Individual

EUA: Estados Unidos Americanos

FLO: Fairtrade Labelling Organizations International GINI: Coeficiente de Desigualdade Social e Renda ha: hectare

IBD: Instituto de Biodinâmica

IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ICAFE: Instituto del café de Costa Rica

IDH: Índice de Desenvolvimento Humano IEA: Instituto de Economia Aplicada IP: Indicação de Procedência

MAPA: Ministério da Agricultura, Pesca e Abastecimento OCB: Organização das Cooperativas do Brasil

OCDE: Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico OCEMG: Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais P&D: Pesquisa e Desenvolvimento

PIB: Produto Interno Bruto RL: Reserva Legal

SCAA: Associação Americana de Café Especiais – Speciality Coffee SIDAF: Selo de Identificação da Participação da Agricultura Familiar SINDIPINHAL: Sindicato Rural do Espírito Santo do Pinhal

UNICAFES: União das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária UNICAFFEE: Universidade do Café – Unilly.

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SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ... 18 1.1 Objetivo Geral ... 21 1.2 Objetivos Específicos ... 21 1.3 Estrutura da Tese ... 21 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ... 23 3 MATERIAIS E MÉTODOS ... 27

3.1 Caracterização da Área de Estudo: Mesorregião, Microrregião e Cidades ... 27

3.2 Cafeicultura do Cerrado... 30

3.2.1 Modelo AHP ... 31

3.3 Perfil dos Cafeicultores, Entrevistas e Variáveis Utilizadas. ... 31

3.3.1 Gestão Ambiental ... 34

3.3.2 Gestão Econômica ... 35

3.3.3 Capital Social ... 36

3.4 Modelo de Programação Linear ... 37

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES ... 44

4.1 ARTIGO 1 - O COOPERATIVISMO NA QUALIDADE E COMPETITIVIDADE DAS EXPORTAÇÕES: EVIDÊNCIAS NO CAFÉ BRASILEIRO. ... 44

4.1.1 INTRODUÇÃO ... 44

4.1.2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 46

4.1.3 RESULTADOS E DISCUSSÕES ... 53

4.1.3.1 Participação das Cooperativas nas Exportações de Café... 53

4.1.4 CONCLUSÕES ... 57

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 58

4.2 ARTIGO 2 - PRODUÇÃO DE CAFÉ DO CERRADO MINEIRO: ANÁLISE DE OPORTUNIDADES PARA A COMPETITIVIDADE. ... 61

4.2.1 INTRODUÇÃO ... 61

4.2.2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 63

4.2.3 RESULTADOS E DISCUSSÕES ... 68

4.2.3.1 Oportunidades à Competitividade do Café do Cerrado. ... 68

4.2.4 CONCLUSÕES ... 73

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 74

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4.3.1 INTRODUÇÃO ... 77

4.3.2 Estratégias regionais na produção competitiva de café. ... 81

4.3.3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA. ... 83

4.3.4 RESULTADOS E DISCUSSÕES ... 85

4.3.4.1 Caracterização das Mesorregiões. ... 85

4.3.4.2 Mesorregião do Sul de Minas. ... 86

4.3.4.2.1 Microrregião de Poços de Caldas ... 87

4.3.4.2.2 Microrregião de Alfenas. ... 93

4.3.4.3 Região Mogiana Paulista (Baixa e Média): Mesorregião Campinas ... 98

4.3.4.3.1 Microrregião de Amparo ... 100

4.3.4.3.2 Microrregião de São João da Boa Vista ... 104

4.4 CONCLUSÕES DA ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE AS MESORREGIÕES CAMPINAS E SUL DE MINAS ... 117

5 CONCLUSÕES ... 119

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 121

APÊNDICE 1 ... 128

QUESTIONÁRIO PARA APLICAÇÃO DIAGNÓSTICO DAS PROPRIEDADES CAFEEIRAS ... 128

APÊNDICE 2 ... 132

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO ... 132

ANEXO A ... 135

ANEXO B ... 136

ANEXO C ... 137

AUTORIZAÇÃO ARTIGO 1 ... 137

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1 INTRODUÇÃO

Os debates econômicos e sociais para a agricultura no Brasil e nos países em desenvolvimento apontam para preocupações-chave, como a necessidade de planejamento e desempenho das empresas agrícolas, as exigências de garantia de acesso à infraestrutura e aos serviços sociais, sem comprometer as condições e os recursos para as gerações futuras (colaboradores e herdeiros).

Por ser um setor dinâmico, a agricultura depende da adoção de inovações e mudanças tecnológicas, geralmente advindas da capacidade de gestão aplicada nas propriedades rurais. A absorção de conhecimento e aprendizagem do produtor e demais atores da cadeia de valor para a gestão, vem direcionando a melhor utilização das competências essenciais e, não somente, a excelência em controles de insumos, tecnologias e inovações aplicados à produção nas propriedades rurais (VIAN, 1997).

A partir de uma abordagem neo Schumpeteriana, diversos estudos relacionados à inovação e tecnologia reconhecem a influência dos elos (atores) de formação da cadeia, distribuídos nos ciclos de vida de produção(subsistemas), como relevantes mecanismos de diferenciação em gestão nas organizações rurais (NELSON e WINTER, 1982).

Para Schumpeter (1982), um processo de produção engloba uma combinação de forças materiais advindas da terra e do trabalho e outras tantas forças imateriais, que compreendem as técnicas organizacionais e do meio ambiente sócio cultural. Neste sentido, especificamente do ponto de vista econômico, o meio ambiente apenas mais recentemente é aceito como demandador de regras à produção e distribuição organizacional (gestão), nas atividades rurais.

Ainda seguindo a linha de pensamento de Schumpeter, na contemporaneidade, seus sucessores aceitam que o comportamento empreendedor do negócio, com a introdução e ampliação das inovações tecnológicas e organizacionais, constitui-se na ferramenta essencial para as transformações econômicas e para o desenvolvimento e manutenção em longo prazo das empresas.

Desta maneira, as inovações e as mudanças tecnológicas passam a introduzir nas gestões das organizações o diferencial da necessidade de uma maior participação dos agentes formadores da cadeia de valor em sinergia com os produtores.

Nos estudos de Gowdy (1998) e alguns sucessores de Roegen (1971), considerados precursores estudiosos da economia ecológica, a aquisição, o armazenamento e o processamento da informação em uma empresa, são ferramentais que permitem a

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adaptação do comportamento organizacional, aos estímulos socioambientais do mercado e do consumidor, em vistas à sobrevivência e desenvolvimento em longo prazo.

Assim inicia-se uma pulsante necessidade de adaptação e renovação no comportamento organizacional das propriedades e empresas para o século XXI. Especificamente às atividades de produção agrícola, que avançam na direção do processamento e partilhamento da informação, por toda a cadeia de valor do agrossistema.

Com o rápido desenvolvimento e aplicação destes novos métodos de gestão dependentes da sinergia da informação para a avaliação de custos e benefícios econômicos, tem-se intensificado a produção de alimentos, utilizando- se processos eficientes de gestão e disseminação de conhecimento e consequentemente, retornando à organização em valor agregado ao produto final, (CASTRO JUNIOR e REIS, 1998 e 2003; DUNCAN, 1998; MAXIMIAMO, 2000; PORTER, 1989; PRAHALAD, 2010; REEVES e BEDNAR, 1994). Tradicionalmente na agricultura do café, fatores como clima, solo, altitude, além do sistema de produção e beneficiamento utilizados, relacionam-se diretamente com a qualidade do produto, ofertados ao mercado. Porém na atualidade, parâmetros diferenciadores que incorporem atributos de natureza física, sensorial, ética, ambiental e social, passam a compor o novo mix de qualidade a ser percebido no produto. Consequentemente a nova determinação de preço para o mercado vem afetando e exigindo novas ferramentas à lucratividade organizacional.

A ascensão de novos países concorrentes, como centro de referência na produção de cafés de qualidade superior, como é o caso do Vietnã, e a união dos países da América Central (Honduras, Costa Rica entre outros), revelam e aceleram as condições de mudanças, os riscos e as condicionantes ao desenvolvimento da atividade cafeeira no Brasil (HERSZKOWICZ, 2009).

No Brasil observa-se que a necessidade de aumento da capacidade produtiva para atender ao mercado interno e externo, tem influenciado o desenvolvimento de novas áreas para a produção agrícola (Bahia, Rondônia, Paraná, entre outros). E como consequência direta nota-se a ampliação dos diferentes mercados de insumos agroindustriais e a remodelação das parcerias institucionais produtivas, para apoio ao crescimento desejado.

Ainda que lentamente, o segmento cafeeiro brasileiro vem acompanhando o movimento global, e percebe-se uma ampla transformação produtiva e organizacional a caminho. Encontram-se evidencias da introdução de estratégias de agregação de valor ao

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produto, via gestão da qualidade e bem-estar dos colaboradores, em resposta aos atributos e exigências dos consumidores finais e do mercado, (BITZER e GLASBERGEN ,2010; HERSZKOWICZ, 2009; RUBEN, 2013; UTTING, 2009).

De olho na arquitetura deste diferencial do processo de produção de café, vem-se aprimorando estudos sobre a valorização da exigência de qualidade do café, para consumo e mercado, como imperativos à melhoria e à competitividade sistêmica do setor agrícola cafeeiro (SAES e SILVEIRA ,2014).

Vislumbram-se nos agrossistemas cafeeiros, ferramentas de adaptação ao atendimento às mudanças nos hábitos dos consumidores, ao avanço do ambientalismo e à necessidade de internalização dos custos de produção (financeiros e produtivos).

Impõem-se novos desafios e mudanças na forma de gestão das propriedades e à manutenção da produção agrícola de café brasileira, no formato da inserção sinérgica do produtor na cadeia de valor (dinâmica na utilização das competências essenciais e estratégias de gestão da qualidade e posicionamento ).

Desta maneira o Brasil como líder mundial na produção e na exportação de café e segundo colocado, no consumo, tem na crescente conscientização dos produtores de café, com relação ao reconhecimento e compreensão das oportunidades para criação de competitividade e produtividade, suas questões determinantes à inserção e perpetuação no mercado.

Nos censos brasileirosde 1996 até presente data, encontram-se indícios dessas transformações, principalmente com mudanças em gestão organizacional e de produção, privilegiando as interrelações da cadeia de valor do negócio, em ambos os casos (IBGE, 2013).

Neste contexto, destaca-se a assimetria da informação entre stakeholders como um dos problemas e desafios e ainda se estão relacionados a gestão da administração (organizacional) e produtiva das propriedades rurais de café no Brasil.

Desta maneira essa assimetria torna relevante o objetivo de analisar as implicações das estratégias de gestão utilizadas para “criação de valor”, no que tange capacitação, informação e exploração das competências essenciais dos agentes da cadeia.

O reconhecimento das oportunidades estratégicas à construção de competitividade na produção de café, nos diversos sistemas de produção analisados nas mesorregiões Sul de Minas e Campinas (compreende municípios da Região Mogiana

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Paulista Baixa e Média), pretende responder duas hipóteses. Quando conhecimento e a capacitação são fluxo contínuos entre os agentes da cadeia de valor:

1. Possibilitam aos produtores estabelecer estratégias mais sinérgicas de agregação de valor e inovação ao produto e;

2. Contribuem para a identificação de oportunidades de competitividade.

Ao perseguir o objetivo cumpre-se evidenciar o valor agregado (percepção do produtor/gestor), na produção do café com qualidade, e uma possível resposta ao problema de reconhecimento de competitividade, na tomada de decisão melhorada, via aplicação de conhecimento e capacitação em gestão pelos proprietários. Evidenciando- se assim as oportunidades para introdução de estratégias que permeiem a cadeia de valor, favorecendo as competências essenciais, para o bem coletivo.

Portanto foram definidos os seguintes objetivos e específicos: 1.1 Objetivo Geral

 Determinar a contribuição da gestão em sistemas de produção de café, identificando indicadores de conhecimento e capacitação que geram diferencial e ou aumentam a competitividade das organizações.

1.2 Objetivos Específicos

 Identificar e analisar as técnicas de produção e gestão adotadas nos sistemas de produção de café convencional e certificado;

 Analisar o capital social (proprietários e colaboradores) e sua relação com a produtividade nos sistemas de produção de café;

 Identificar na cadeia de valor de produção de café, fatores de conhecimento e gestão com necessidade de aprimoramento da gestão das propriedades;

 Comparar os resultados obtidos em termos de competitividade entre as regiões analisadas;

1.3 Estrutura da Tese

Após o desenvolvimento da introdução com o problema em estudo, as hipóteses e na seqüência os objetivos, esta tese organiza-se da seguinte forma:

O capítulo 2 aborda a revisão de literatura de maneira geral destacando-se os conceitos da teoria da contingência, das competências essenciais, de processos de gestão e capacitação.

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O terceiro capítulo descreve Materiais e Métodos utilizados para a seleção da área de estudo e as etapas envolvidas na execução da metodologia AHP e Programação Linear, com múltiplos stakeholders.

O quarto capítulo aborda os Resultados e Discussões, divididos em três artigos. O primeiro artigo (4.1, aceito para publicação) analisa o cooperativismo na qualidade e competitividade das exportações, analisando as evidências no café brasileiro com a introdução do cooperativismo e do associativismo .

O segundo artigo (4.2, aceito e publicado) aborda a produção de café no cerrado mineiro, analisando oportunidades para a competitividade e reposicionamento no mercado de cafés especiais, com a utilização da ferramenta AHP elencando prioridades dos proprietários em suas tomadas de decisões.

Esses resultados fazem a transição para o último artigo (4.3) que aborda as estratégias de competitividade na cafeicultura brasileira e seus diferenciais produtivos de gestão nas Mesorregiões do Sul de Minas e da Campinas.

No quinto capítulo encontra-se a conclusão geral e sugestões para trabalhos futuros.

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2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Os resultados deste estudo são apresentados em três artigos, submetidos, sendo dois deles já aceitos e publicados. Desta forma a revisão bibliográfica foi desenvolvida especificamente para cada artigo, para facilitar a discussão dos resultados.

A partir dos anos 2000, o segmento café especial, ou seja, certificado e ou de qualidade, que agrega valor para venda, começa a ganhar destaque. Representava em 2016 cerca de 12% do mercado internacional da bebida.

Uma das vantagens de se produzir com qualidade para este mercado em expansão, se justifica pelo preço pago aos grãos diferenciados, que normalmente são comercializados por valores superiores àqueles praticados para os grãos de cafés comuns e ou commodities entre 20% a 70% segundo IBGE(2014).

Assim, dados secundários utilizados nesta tese foram obtidos em literatura científica, estatísticas oficiais de produção, consumo, comércio exterior em publicações especializadas no agronegócio (digital e editoradas), além das entrevistas pessoais durante a aplicação dos questionários.

Os dados econômicos avaliados e o comportamento dos agrupamentos permitiram investigar os produtores, na busca para evidenciar a importância ou não da gestão e melhoria contínua (BPA), na produção de café no Brasil.

Nas fontes de informações pesquisadas para esta tese, destacam- se como maiores Estados produtores de café no Brasil , na região norte, nota-se Para (PA) e Rondônia (RO), para a região nordeste, Bahia (BA), para a região Sudeste onde ocorre as maiores concentrações os Estados de Minas Gerais (MG), Espirito Santo (ES), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), na região Centro Oeste, caracterizada como área de avanço, os Estados de Mato Grosso (MT), Goiás (GO) e para a região Sul o estado do Paraná (PR).

As mesorregiões analisadas exercem complementariedade entre os Estados e entre as mesorregiões, microrregiões e em alguns casos nas cidades via dependência do sindicato rural e cooperativa.

De maneira geral e como premissa do referencial bibliográfico escolhido, destacam-se os conceitos da teoria da contingência, os de competências essenciais, e aperfeiçoamentos em processos de gestão e capacitação.

A identificação dos agentes da cadeia, para as análises, exploram mudanças nos sistemas e padrões de bem estar, para o desenvolvimento sustentável, identificam possíveis conflitos de interesses e soluções de compromisso entre diferentes atores locais e

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evidenciam potenciais de inovação e melhoria continua nas prorpiedades agrícolas e seu entorno.

Desta maneira , as variáveis e diferenciais em gestão foram reconhecidas pelo grau de influência na formação de vantagem competitiva, discriminando o potencial em direcionar o produto para uma diferenciação no mercado e/ou seu potencial em direcionar o controle de custos na produção. Duncan et al., 1998 exploram uma visão semelhante em sua abordagem sobre vantagem competitiva e organização interna, quando classificam ações ou operações do processo de produção como indutores diferenciados (uniqueness driver) e ou indutores de custo (cost driver) na criação de vantagens competitivas.

Os conceitos premissa dos estudos consideram contribuições das diversas teorias econômicas desde Schumpeter e de forma sinérgica e complementar a gestão da organização, como as tarefas, a estrutura, as pessoas, a tecnologia e o ambiente (BACON et al., 2008; BEUCHELT e ZELLER, 2011; CHIAVEGATTO, 2004; GREGORATTI , 2011; PRAHALAD, 2009), entre outros.

Pretendeu-se nesta abordagem reconhecer ferramentas de análises para as organizações de dentro para fora, colocando o ambiente, como fator primordial na estrutura e no comportamento das organizações.

No primeiro artigo notadamente as bibliografias evidenciam as influências do cooperativismo e do associativismo para a inclusão do produtor na produção de café diferenciado. Porter em 1985, introduzia nas suas análises de práticas empresariais, os resultados de eficiência coletiva, como a integração das diferentes formas de relacionamento, entre as entidades organizacionais e as redes humanas de trabalho, fossem elas, formais ou informais, internas ou externas.

Desta maneira PORTER (1985) e SCHMITZ (2005), PRAHALAD (2010) retomam e introduzem conceitos econômicos, sobre ganhos com eficiência coletiva. Pensado por Marshal (1920), muitas vezes esses ganhos coletivos encontravam-se na cadeia de valor de forma intangível e representados pelo capital humano (capital social).

Em gestão do ambiente e tecnologia, grandes desafios das organizações, destacam-se conhecimento e capacitação, que oferecem oportunidades e recursos, e ao mesmo tempo impõe ameaças à organização (CHIAVEGATTO, 2004).

Mais recentemente, os estudos de Gregoratti, 2011 mostram que a utilização de normas de gestão e ou certificações na produção, podem se constituir em uma

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estratégia-chave para a promoção do desenvolvimento sustentável, com foco em mudanças nas cadeias de valor para a produtividade.

Na atualidade, o reconhecimento da cadeia de valor do café, concentra-se, em sua maioria, no sistema de produção de Comércio Justo (FAIRTRADE). Reconhecido como um sistema de cadeia de valor eficiente, onde a sinergia das parcerias entre atores é premissa para a necessidade de desenvolvimento do capital social, reconhecido como um efeito positivo sobre o produtor rural (BACON, 2005; BACON et al., 2008; BRAY et al., 2002; CALO and WISE, 2005) em relação ao bem-estar e qualidade de vida.

Encontram-se também estudos indicando evidências de melhoria na renda e na qualidade da produção de café (BARHAM et al., 2011; BEUCHELT e ZELLER, 2011; RUBEN e FORT, 2011; VALKILA and NYGREN 2010;), mediante processos de gestão e capacitação.

No segundo artigo o fator “inovação tecnológica’ (certificação e irrigação) é investigado com o intuito de compreender evidenciais do conhecimento e sua aplicação aos processos de gestão e produção, de forma continuada, nas propriedades rurais.

A acumulação de conhecimentos específicos de cada agente da cadeia, consolida a investigação econômica e a somatória das condições e características do meio ambiente e cultural. E a consolidação dos mecanismos de integração entre os atores indica a base informativa para a consideração de existência de um fluxo de diálogo para a melhoria contínua (qualidade e gestão).

As abordagens bibliográficas utilizadas para o artigo dois e três, (CASTRO JUNIOR e REIS, 1998 e 2003; DUNCAN, 1988; MAXIMIAMO, 2000; PORTER, 1989; PRAHALAD, 2010; REEVES E BEDNAR, 1994) sugerem o fortalecimento potencial das organizações na busca pela qualidade do produto e do ciclo de produção, os processos de fluxo de informação e conhecimento e gestão aplicados são indicadores que permitem analisar e comparar os desafios para se atingir a eficiência em melhorias contínuas. Sendo também permeabilizadas as boas práticas agrícolas na cadeia de valor e na geração de oportunidades competitivas, construiu-se análises para o reconhecimento de Key drivers.(DUNCAN, 1998 e NELSON, G. C. et al., 2005).

Os agentes influenciadores ou drivers de mudança (DUNCAN,1988), são elementos da realidade que influenciam diretamente o ambiente estratégico, de investimentos, das atividades de P&D (pesquisa e desenvolvimento) ou de conhecimento.

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Drivers de mudança (key drivers norteadores) são indicadores reais que impactam o ambiente de influência, são elementos que podem provocar mudanças de acordo com as estratégias, escolhidas para gestão das organizações (NELSON, G. C. et al., 2005). Drivers, como considerado no presente trabalho, são indicadores resultantes do processo de gestão aplico no ciclo de produção do café, que podem causar mudanças significativas nas propriedades rurais, considerando o conhecimento e a capacitação disponível e que se verifique a possibilidade de mudanças e ou aperfeiçoamento.

Desta maneira, relacionam os resultados das abordagens e análises das parcerias que podem fortalecer potencialmente as organizações e os produtores, ou seja, o reconhecimento das melhorias tecnológicas dos ativos produtivos e o capital social e humano das organizações. (BARRET, 2008; MARKELOVA et al., 2009).

Desta maneira, as bibliografias destacadas possibilitam uma abordagem sobre o conhecimento técnico e a gestão aplicada na cadeia de valor de café especial, abarcando sua relação com o potencial fluxo contínuo de diálogo entre os agentes da cadeia de valor e a geração de oportunidades para a competitividade.

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3 MATERIAIS E MÉTODOS

3.1 Caracterização da Área de Estudo: Mesorregião, Microrregião e Cidades

De acordo com a OCB e a UNICAFES, no Brasil aproximadamente quinze Estados possuem e exploram uma boa estrutura comercial e mercadológica para o café.

Desta maneira, a primeira rodada para a determinação espacial das propriedades a serem analisadas levou em consideração dados do IBGE (Censos Agropecuários) e CONAB, (abrangendo os anos de 1996, 2006 , 2010 e atualizações até 2018 disponíveis) e das cooperativas (OCB e UNICAFES, 2014), para cada mesorregião.

Predominantemente das lavouras de Minas Gerais e São Paulo, maiores produtores e comercializadores brasileiros (BUREAU/UFLA, 2013), o café arábica permite ao consumidor degustar um produto mais fino, requintado e de melhor qualidade.

O café robusta (Coffea Canephora) é mais usado na fabricação de cafés blends e solúveis, por apresentar menor acidez e teor de cafeína maior. Predominantemente encontrado nas lavouras do Espírito Santo e Rondônia, porém para este estudo o café conilon não será foco específico das análises e bibliografias.

Os agrupamentos de produtores de café arábica, com destaque para Minas Gerais, São Paulo, escolhidos para pesquisa e sua especificação em nível de messorregião, permitem demonstrar aspectos importantes da aplicação de inovação e tecnologia para melhorias contínuas na produção de café no Brasil.

As análises e avaliações de cada agrupamento escolhido para pesquisa (Minas Gerais e São Paulo), permitiram a avaliação de cinco propriedades rurais de três municípios, das duas microrregiões, perfazendo um total de 30 entrevistas para o agrupamento Campinas e 30 para o agrupamento Sul de Minas e seis cidades para cada mesorregião.

A Mesorregião Campinas é representada nesta pesquisa por municípios pertencentes geograficamente a Média e Baixa Mogiana Paulista.

Os indicadores para determinação dos agrupamentos foram quantidade produzida em toneladas/sacas, o número de propriedades e quantas cooperativas atendem especificamente aos produtores de café, dados disponibilizados pelo IBGE, CONAB, ABIC, entre outras fontes referenciais, desde os anos de 1996: 2000 até 2017.

Foram considerados os indicadores de área plantada e produtividade do IBGE,(2015:2016; ANEXO A e ANEXO B); em Minas Gerais maior produtor de café arábica brasileiro, especificamente a Mesorregião Sul de Minas, e para São Paulo a

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Mesorregião Campinas (Região Mogiana Paulista Baixa e Média), em destaque na Figura 1.

Figura 1: Seleção Espacial de Estados brasileiros produtores de cafés Arábicas da Pesquisa.

Fonte: IBGE (2017)

Há continuidade geográfica entre os as áreas de estudo (Estados, mesorregiões, microrregiões); em alguns casos, entre os municípios analisados, por meio da dependência dos sindicatos rurais e cooperativas.

Os dados econômicos avaliados e o comportamento dos agrupamentos permitiram investigar os produtores, para evidenciar a importância ou não da gestão e a melhoria contínua (BPA), na produção de café no Brasil.

A identificação dos agentes da cadeia, para as análises, explora mudanças nos sistemas e padrões de bem estar, para o desenvolvimento sustentável, identifica possíveis conflitos de interesses e soluções de compromisso entre diferentes atores locais e evidencia potenciais de inovação e melhoria contínua nas propriedades agrícolas e seu entorno.

O Agrupamento Baixa e Média Mogiana Paulista, referência nesta pesquisa, está localizado na Mesorregião Campinas; que se divide em duas microrregiões, sendo a primeira a Microrregião de São João da Boa Vista, composta pelos municípios de Espirito Santo do Pinhal, São João da Boa Vista, Divinolândia, e a segunda Microrregião de Amparo formada pelos municípios de Amparo, Serra Negra, e Socorro, perfazendo as duas um total de quatro cooperativas e uma produção para o ano de 2014:2015 de 31.972 tons.

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A Mogiana Paulista Média e Baixa é o terceiro maior produtor nacional, e segundo em qualidade geral na produção do café arábica. As características dos grãos se apresentam com aroma pronunciado, corpo médio (encorpado) e acidez equilibrada.

Na Mogiana (Alta, Média e Baixa), denominação mais tradicional do Estado de São Paulo, o café foi introduzido há quase 200 anos. O plantio é feito em solo arenoso, a uma altitude média de 900 a 1.000 metros.

Na Tabela 1 caracteriza-se economicamente a Região Baixa e Média Mogiana Paulista, sendo referência de pesquisa a Mesorregião Campinas com seus principais municípios e microrregiões, e a produção em toneladas para safra de 2015/2016. Significativas 25.514 tons de produção, ou seja, 22.850/scs. Aproximadamente 97 % da produção dos municípios com representação pelos dados do IBGE (WEBCART 2017).

As cooperativas e associações identificadas para estas duas microrregiões são: COOPINHAL, COOXUPE, APROD, ACECAP*, COOCASER* e SPECIALITY COFFEE*, (*inexistentes fisicamente).

Tabela 1: Região Mogiana Paulista: Mesorregião Campinas/SP e suas Microrregiões produtoras e cooperativas – 2015:2016

Microrregião São João Boa Vista Tons/Arábica Cooperativa

Espírito Sto. Pinhal 7.504 COOPINHAL

São João de Boa Vista 3.900 COOPINHAL

Divinolândia 2.710 APROD

Microrregião de Amparo

Amparo 1.639 ACECAP

Serra Negra 5.880 COOCASER

Socorro 3.881 SPECIALITY COFFEE

Fonte: IBGE

A Mesorregião Sul de Minas foi dividida em duas microrregiões, sendo elas, a microrregião de Alfenas, formada pelas propriedades rurais produtoras de café dos municípios de Alfenas, Machado e Poço Fundo e a microrregião de Poços de Caldas, formada pelas propriedades rurais dos municípios de Andradas, Ouro Fino e Poços de Caldas. Em cada microrregião foram pesquisadas um total de 15 propriedades.

O agrupamento Sul de Minas é abrangido por oito cooperativas de café; suas propriedades foram responsáveis por um total de 80.432 tons de café arábica na safra 2015/2016, ou seja, 140.500 scs. Aproximadamente 20% da produção da mesorregião,

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excetuando-se os municípios do entorno e influência da Cooperativa de Guaxupé – COOXUPÉ. Estes municípios foram excluídos para que não houve distorção nos resultados , fato que a COOXUPÉ , corresponde a 95% dos agentes do Brasil.

O Sul de Minas Gerais produz café com sabor doce e suave, aroma acentuado, corpo equilibrado e acidez cítrica. Atualmente, corresponde a 70% da renda das propriedades rurais do Sul de Minas. A altitude média do plantio é aproximadamente 950 metros.

A Tabela 2 indica dados da produção de café arábica em toneladas, por municípios e as cooperativas implicadas na pesquisa de campo.

Tabela 2: Mesorregião Sul Minas/MG: Microrregiões produtoras, municípios e cooperativas – 2015:2016

Municípios Tons Arábica Cooperativa Produção Microrregião de Alfenas

Alfenas 13.728 ASSOMANDASSAIA

Poço Fundo 8.765 COOPFAM/APROCEM

Machado 24.871 COOPAMA

Microrregião de Poços de Caldas

Ouro Fino 9.700 COOMOUFI

Poços de Caldas 6.279 ASSODANTAS

Andradas 17.089 ACAFEG/CITRUS/PINHAL

Fonte: IBGE

3.2 Cafeicultura do Cerrado.

A região do Cerrado foi escolhida porque, além de ser a maior produtora de cafés especiais brasileira, tem como característica a grande utilização de técnicas de gestão, mecanização e irrigação em suas propriedades rurais. Foram entrevistadas quatro propriedades rurais de café, em quatro diferentes municípios do Cerrado Mineiro, que responderam as 64 questões do questionário norteador desta tese e ainda mais um questionário especifico para as análises de prioridades nas tomadas de decisões, AHP (Analytic Hierarchy Process), adaptada à amostra.

A validação e aperfeiçoamento dos indicadores e variáveis utilizadas deu-se mediante as respostas dos proprietários e técnicos consultores em assistência técnica, para melhor extrapolação dos resultados e análises.

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Assim, aplicação dos questionamentos especificamente para a Região do Cerrado Mineiro, foi realizada intencionalmente em quatro fazendas produtoras de café, de quatro municípios diferentes, com área produção de 1500ha e 68.000scs colhidas, mecanicamente e irrigadas, representando 1,5% de produção da Região Cerrado Mineiro e 18% da área plantada da microrregião de UNAÍ, onde estão localizadas as propriedades .

Buscando aprimorar as validações das perguntas e metodologia de análise, apenas neste estudo de caso, foi realizada uma análise de dados com a ferramenta AHP, entre as variáveis certificação e irrigação, além das análises de Key Drivers.

3.2.1 Modelo AHP

A Analytic Hierarchy Process - AHP é uma abordagem que combina critérios objetivos e subjetivos na tomada de decisões, fornecendo uma abordagem relativamente simples para os usuários expressarem preferências por problemas complexos (ITAMI et al., 2001 e GARFI et al., 2011). Os autores citados destacam o aspecto multifacetado do AHP, simples, flexível e transparente para os participantes, e centrados nas necessidades dos beneficiários.

A AHP foi desenvolvida por Thomas Saaty na década de 1970, e permanece como um dos métodos mais utilizados para análises de tomada de decisões multicritério. É um fundamento matemático para analisar decisões complexas, que envolvem múltiplos stakeholders e múltiplas alternativas, utilizando uma estrutura hierárquica que facilita a definição rigorosa de prioridades e preferências nos processos de tomada de decisão (SAATY, 1991).

Para a construção do consolidado global hierárquico e entendimento da tomada de decisões prioritárias, nas quatro propriedades rurais, as questões aplicadas abordaram comparações entre os indicadores de certificação e mecanização, em subníveis de indicadores de análise de solo, orientação técnica e treinamento e de colheita seletiva, controle de custos e irrigação, respectivamente.

3.3 Perfil dos Cafeicultores, Entrevistas e Variáveis Utilizadas.

Os indicadores utilizados (Tabela 3) preservam as características comuns entre os diferentes códigos e normas; por conseguinte, a construção do questionário comum levou em consideração as diferenças nos aspectos social, ambiental e político; e no

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contexto institucional de cada área de aplicação, levou em consideração a naturezadistinta dos recursos e o número e diferentes atores envolvidos.

Tabela 3: Caracterização das Variáveis de Gestão para o Reconhecimento de Key Drivers na produção de café das Mesorregiões de Campinas/SP e Sul de Minas

Tipo de Gestão Nome Variável Tipo Variável

Econômica Tipo Produtor* Qualitativa

Econômica Área da propriedade (ha) Quantitativa

Econômica Área plantada (ha) Quantitativa

Econômica Produção Total Café (sacas) Quantitativa

Econômica Produtividade (ha) Quantitativa

Econômica Custo por saca (R$) Quantitativa

Econômica Custo por ha (R$) Quantitativa

Econômica Certificação Qualitativa

Econômica Tempo adesão (anos) Quantitativa

Econômica Reconhece melhorias pós certificação Dummy Econômica Percentual da produção recebe valor

diferenciado

Quantitativa

Econômica Fez Adequações Dummy

Econômica Quantidade Natural Quantitativa

Econômica Quantidade CD Quantitativa

Econômica Troca insumos por café Quantitativa

Econômica Estima produção Quantitativa

Econômica Empregados Fixos Quantitativa

Amb. Mq.Benf. Trator* Quantitativa

Amb. Mq.Benf. Quantos Quantitativa

Amb. Mq.Benf. Colhedora Quantitativa

Amb. Mq.Benf. Máquina de Benefício Dummy

Amb. Mq.Benf. Tulha Dummy

Amb. Mq.Benf. Terreiro Dummy

Amb. Mq.Benf. Irrigação Dummy

Amb.Prod. Descarte de resíduos Qualitativa

Amb.Prod. Controle de Erosão Qualitativa

Amb.Prod. Adubação Química/Tons Quantitativa

Amb.Prod. Adubação Orgânica/Tons Quantitativa

Amb.Prod. Adubação orgânica compra resíduos? Quantitativa

Amb.Prod. Aplica Inseticida: Quantitativa

Amb.Prod. Aplica fungicida Quantitativa

Amb.Prod. Área colhida manualmente (ha) Quantitativa Amb.Prod. Área colhida mecanicamente (ha) Quantitativa Amb.Prod. Possui orientação técnica na propriedade Quantitativa Amb.Prod. Controla custos de produção Quantitativa

Amb.Prod. Quantidade de Talhões Quantitativa

Amb.Prod. Quantidade de Tabelas Quantitativa

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(continuação Tabela 3): Caracterização das Variáveis de Gestão para o Reconhecimento de Key Drivers na produção de café das Mesorregiões de Campinas/SP e Sul de Minas

Diferentes abordagens para pesquisa quantitativa e qualitativa foram utilizadas na tentativa de gerar eficazmente informações sobre as diferentes partes interessadas e suas diferentes expertises nos processos produtivos.

A resposta aos questionamentos previu em algumas perguntas uma escala de quatro pontos para as argumentações: “sim”, “parcialmente”, “não” e “não se aplica” (dummy). Maximizando semelhanças comparáveis entre as propriedades, o questionário reúne dados de produção, bem como dados qualitativos e contextuais das propriedades, cooperativas e devidos órgãos de certificação e ou mercado (cadeia de valor/stakeholders).

Tipo de Gestão Nome Variável Tipo Variável

Amb.Manejo Tem terreiro suficiente Quantitativa

Amb.Manejo Se não, interfere na produção de qualidade? Quantitativa Amb.Manejo Cumpre as normas APPs, RL, Qualitativa Amb.Manejo Preservação de recursos energia, lenha, água. Quantitativa Amb.Manejo Realiza análise de solo anualmente Quantitativa Amb.Manejo Realiza adubação orgânica com a casca do

café

Quantitativa Amb.Manejo Faz limpeza e manutenção dos equipamentos Dummy Amb.Manejo Faz registro das operações no campo Quantitativa Amb.Manejo Realiza colheita seletiva Quantitativa Amb.Manejo Separa o café colhido (pano e máquina) de

varrição Dummy

Amb.Manejo Esparramação e recolhimento de acordo com recomendações técnicas

Dummy Amb.Manejo Monitora a umidade no processo de secagem

e armazenamento Dummy

Amb.Manejo Possui controles de vetores (insetos, roedores) no armazenamento

Dummy

Amb.Manejo Controla impactos ambientais Dummy

Social Tipos de mão de obra utilizada* Qualitativa

Social Quantos? Quantitativa

Social Cumpre normas trabalhistas Dummy

Social Oferece moradia Dummy

Social Oferece alojamento Dummy

Social Acesso água potável Dummy

Social Oferece equipamentos EPI Dummy

Social Registro em carteira Dummy

Social Previdência social Dummy

Social Treinamento e capacitação de mão de obra Dummy Social Herdeiros dão continuidade na atividade Dummy Social Filhos dos empregados permanecem na

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O questionário em sua integra Erro! Fonte de referência não encontrada., consta de um conjunto de 64 indicadores de boas práticas agrícolas (sustentabilidade e qualidade na produção), no âmbito das propriedades rurais e da cadeia de valor do agrossistema café. Sua aplicação e construção partiram da premissa que os indicadores variam em função da natureza e do sistema de gestão aplicados nas propriedades rurais, e abarcam características próprias de cada mesorregião, microrregião e entornos, importantes e relevantes no reconhecimento proposto.

A modelagem do questionário buscou combinar indicadores econômicos, sociais e ambientais, de modo que se reconheçam as especificidades de competitividade influenciadoras, e como resposta procurou sugerir ações para aproveitamento das oportunidades de crescimento no mercado e na qualidade do produto.

É importante ressaltar que ao serem utilizados indicadores quantitativos (formas numéricas) e qualitativos (muitas vezes subjetivos) no questionário, para cada dimensão analisada, pode-se encontrar um ou mais indicadores de influência, nas oportunidades de melhorias para a competitividade.

Assim os indicadores estão agrupados para atender às três dimensões que são o principal foco da pesquisa: Gestão Ambiental com 35 indicadores; Gestão Econômica com 17 indicadores e Gestão Social com 12 indicadores.

3.3.1 Gestão Ambiental

O primeiro conjunto investigativo é composto por 35 indicadores, subdivididos 3 dimensões de gestão : máquinas , equipamentos e benfeitorias, do ambiente de produção e de manejo. Busca-se desta maneira evidenciar as características do meio ambiente produtivo quanto a qualidade das condições apresentadas.

Portanto, são investigados:

Adubação orgânica: quando utilizada de forma adequada pode substituir a adubação química e ou mineral, reduzindo assim os custos de produção. É um indicador quantitativo. Adubação química: sua utilização pode provocar importantes fontes de poluição ambiental, em função dos compostos químicos utilizados na formulação, caso não sejam aplicados de forma adequada (seguindo recomendações técnicas).Normalmente é importado o que pode provocar aumento de custo em função de cambio. É também uma variável quantitativa.

Inseticidas e Fungicidas: são dois indicadores quantitativos aplicados para prevenção de doenças e aumento de produtividade da planta.

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Descarte de resíduos: é um indicador qualitativo da produção, pode ser utilizado como substitutos dos adubos e fertilizantes em aproveitamento sustentável.

Potencial de erosão: é um indicador quantitativo e indica o nível de porosidade do solo e consequente perda da área produtiva.

Devolução de Embalagens: indica se a propriedade segue normas e orientações técnicas e legais de prevenção no manejo produtivo.

Máquinas e Benfeitorias: avalia-se a existência de trator, colheitadeiras, tulha, terreiro, máquinas de beneficiamento além da utilização de práticas de irrigação.

Produção e Manejo: as melhorias contínuas avaliadas aqui referem-se ao cumprimento das normas APP e RL, preservação de recursos naturais, análise de solo registro de operações produtivas, colheita seletiva controle de vetores no armazenamento entre outros. Trator: indica a quantidade de mecanização disponível e como é adquirida e gerida (próprio, cooperado, leasing).

Colheita: indica se a colheita é mecanizada ou manual.

Máquina de Benefício e Tulha: os dois indicadores estão relacionados ao beneficiamento do café e estabelecimento de suas características.

Terreiro: este indicador indica se há ou não pavimentação para o processo de secagem dos grãos e consequentemente sua relação com a qualidade do café.

Orientação Técnica: indica se a propriedade investe em treinamentos e consultorias para melhorias de gestões ambientais, econômicas, produtivas e sociais.

Tecnologia aplicada: é um indicador qualitativo que orienta a produção para o mercado, é uma variável qualitativa e aplica-se à gestão, tecnologia e capacitação.

Práticas de manejo: é um indicador qualitativo, as práticas estão diretamente ligadas a agregação de qualidade à produção.

Irrigação: Assegura a produtividade e a qualidade da produção, porém seu custo elevado pode interferir no custo total da produção. É uma variável quantitativa.

3.3.2 Gestão Econômica

A dimensão da administração e gestão da propriedade (17 indicadores) envolve informações sobre especificidades para a eficiência. Contempla-se nesta dimensão indicadores sobre a renda do estabelecimento, a diversidade de fontes e a distribuição da renda entre os envolvidos nos processos produtivos e dados sobre a qualidade da moradia. São indicadores investigados:

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Sistema Produtivo: São analisados três tipos de sistemas: o Fairtrade como gerador de comércio justo e demais certificadoras oficiais; o sistema convencional que atende ao mercado commodities; e o multicertificado que está em conformidade com várias regras e normas convencionadas de qualidade, sem necessariamente ser certificado oficialmente. Certificação e tempo de certificação: duas importantes variáveis qualitativas para destacar a fidelização do produtor à atividade e grau de conhecimento para capacitação e aplicação de gestão na propriedade.

Tamanho da Propriedade e área cultivada: importante para caracterização da propriedade e seu projeto produtivo.

Produção Total e área colhida: indicadores de produtividade e rentabilidade das propriedades, são variáveis quantitativas.

Área plantada com outras culturas e ou diversidade de fontes de renda: indicador quantitativo para a determinação da dedicação do proprietário à sua produção e fidelização à atividade rural.

Produção e valor agregado, gestão de ganhos e retornos: duas variáveis quantitativas importantes na análise de risco do negócio e geração de rendas.

Controle de Custos de Produção: indicador responsável pela percepção da gestão da produção, formado também pelas variáveis talhões e tabelas, indicando a precisão ou não aplicada na produção.

3.3.3 Capital Social

O terceiro conjunto de 12 indicadores, contempla a verificação da consolidação de mecanismos de integração entre os atores da cadeia para a melhoria contínua.

O termo Capital refere-se às redes de relacionamento baseadas na confiança, cooperação e inovação (indivíduos dentro e fora da organização) facilitando a acesso à informação e ao conhecimento. Neste estudo as redes são de natureza informal, envolvendo laços horizontais (entre pares) e diagonais (entre colaboradores de distintas áreas e stakeholders) (PRAHALAD, 2004).

Os compradores e consumidores têm demandado produtos com qualidade diferenciada, quanto ao meio ambiente e responsabilidade social, o que exige um esforço dos produtores em manter suas melhorias continuamente.

Abrange, ainda considerações sobre a qualidade de vida dos residentes na propriedade, incluindo acesso à educação, a serviços básicos, padrão de consumo,

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características relativas ao emprego, como qualidade, e benefícios; segurança e saúde ocupacional; e oportunidade de emprego em local qualificado. São parâmetros investigados na coleta de dados:

Mão de Obra: variável quantitativa que indica número de trabalhadores fixos e temporários aplicados à produção.

Acesso à treinamentos: esta variável indica o fluxo de informação disponibilizada e adequação ao perfil do colaborador, é um indicador qualitativo de qualidade.

Acesso a serviços básicos: variável qualitativa que permite identificar a qualidade de vida proporcionada ao colaborador e a fixação no campo.

Qualidade do emprego e segurança e saúde ocupacional: são variáveis qualitativas, são itens considerados para a aquisição da certificação, que agrega valor ao café, e consequentemente, melhora o preço para o produtor.

Qualidade da moradia: é um indicador qualitativo, que pondera a fixação do proprietário e familiares na área rural.

Oportunidade de emprego e herdeiros: é um indicador qualitativo que expressa a visão de futuro e possibilita menor êxodo rural.

Os agrupamentos produtivos analisados foram reconhecidos de acordo com os conceitos de Malhotra (2006), na intenção de caracterizar por meio das variáveis socioeconômicas os grupos e seu desempenho, em relação às conformidades de gestão e administração nas propriedades dos cafeicultores estudados.

Para o levantamento das informações necessárias às análises de caracterização das partes interessadas, foi elaborado um questionário, com base nas principais normas, códigos de conduta de programas de certificação e leis vigentes no país e no mundo, em Boas Práticas Agrícolas (BPAs).

Consequentemente a metodologia quantitativa para avaliação dos indicadores, incorpora um processo de identificação através da utilização de Programação Linear (PL). Sendo uma técnica estatística de síntese de informação, a PL, quando aplicada em um banco de dados, tem o objetivo de reduzir os dados influenciadores, sem perder a informação e sua relevância.

3.4 Modelo de Programação Linear

As análises de programação linear foram aplicadas para evidenciar se é possível diminuir os impactos ambientais e sociais nas produções de café, através das

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certificações ou processos de melhorias contínuas.

A programação linear é uma técnica que pressupõe a relação linear entre as características do problema, representadas e relacionadas por meio de uma série de equações lineares com restrições sugeridas para garantir o melhor resultado e melhor aderência do modelo à realidade.

Encontra-se estudada em ABRAHAM; COOPER, W.W, 1961; BENEKE, R. R.; GOLDBERG, J. B, 2004; WINTERBOER, R, 1984; WINSTON, W. L., como uma técnica de pesquisa operacional, sendo classificada como a otimização, da melhor combinação das variáveis, na busca de um melhor resultado possível, resumidamente por HILLIER and LIEBERMAN, 2013.

O modelo proposto neste estudo contempla duas funções objetivos distintas, a maximização da produção e a minimização do custo. Assim, o modelo se caracteriza como um problema de programação linear bi-objetivo, cuja solução é representada por uma curva denominada Fronteira de Pareto. A Fronteira de Pareto deste problema mostra os pares produção (eixo y) e custo (eixo x) para cada uma das configurações de solução encontradas para o problema de programação linear.

Para a resolução do modelo proposto foi utilizada a ferramenta gamultiobj do software Matlab2016a. As restrições do modelo se deram pela delimitação do intervalo de valores que cada uma das variáveis pode assumir, denominada canalização das variáveis.

Além das restrições de canalização, foram utilizadas restrições para delimitar o total de adubação, soma de adubação química e orgânica, número total de funcionários, soma dos trabalhadores safristas e fixos e as variáveis sociais e ambientais a serem atendidas para venda com certificação.

As análises das 64 variáveis foram divididas em três dimensões: Gestão Econômica; Gestão Ambiental de Máquinas e Benfeitorias, Produção e Manejo e, Gestão de Capital Social - são apresentadas na Erro! Fonte de referência não encontrada., para a composição da programação linear.

Nessas análises em PL, as 64 variáveis originais para a formação do questionário aplicado formaram um conjunto de 17 variáveis com influência para tomada de decisões, eficientes e práticas nas propriedades das mesorregiões pesquisadas (Tabela 4).

Estas 17 variáveis estão como resposta às delimitações e restrições usadas na análise quando da aplicação da programação linear.

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Para Gestão Econômica, são influenciadoras as variáveis, “tipo de produtor” e “troca de insumos por produção”; para gestão ambiental máquinas e benfeitorias: destacam-se “quantidade de tratores”, “colheita mecanizada”, “manual” e “irrigação”; para a gestão ambiental ambiente de produção: apresentam relevância as variáveis “quantidade de adubo químico” , “quantidade de adubo orgânico”, “controle de custos com tabelas” e “controle de custos com talhões”.

A variável “ faz registro de operações” é importante na gestão da produção e manejo e, para gestão de capital social encontram-se as variáveis: “tipo de mão de obra utilizada” , “quantidade e qualidade de mão de obra” e se” herdeiros e filhos de colaboradores tem visão de engajamento em longo prazo”.

Tabela 4 Variáveis Selecionadas em Programação Linear para a Mesorregião Campinas (MP) e Mesorregião Sul de Minas

Variável Tipo de Gestão

Certificado Econômica

Convencional Econômica

Faz troca de insumos Econômica

Qtd. tratores Ambiental Máquina e Benfeitorias Colheita mecanizada Ambiental Máquina e Benfeitorias

Colheita manual Ambiental Máquina e Benfeitorias

Irrigação Ambiental Máquina e Benfeitorias

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