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Jornal95Marco2012

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A palavra do presidente

Excelentíssimos senhores Delegados e Delegadas do Es-tado de Pernambuco, nesta edição do nosso JA, gostaríamos de abordar mais um tema de grande relevância para o de-sempenho das nossas funções. A apreciação das excludentes da ilicitude pelo Delegado de Polícia.

Para ilustrar a complexidade da questão, basta dizer que, atualmente, se uma pessoa for apresentada ao plantão poli-cial, por ter matado, em legítima defesa, criminoso que tenta-va, por exemplo, estuprar sua filha, o delegado de Polícia se sentirá inseguro em relaxar a prisão. Tal situação é absurda! Mas ocorre com frequência.

A autoridade policial se vê obrigada a tomar tal medida, por interpretar que a atual redação do parágrafo único, do

estado de necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento de dever legal e exercício regular de di-reito, in verbis:

(...)

.

supramencionado dispositivo legal não é restritiva, mas sim, . Ou seja, confere ao Juiz o dever de verificar se o autuado praticou o fato sob o manto de uma das excludentes de ilicitude, não afastando expressamente a apreciação de tais circunstâncias pelo Delegado de Polícia antes da lavratura do Auto de Prisão em Flagrante.

E tal conclusão se dá, principalmente, quando da interpre-tação sistemática do próprio CPP, analisa-se o parágrafo úni-co do Art. 310, em sintonia úni-com os Arts. 301 e 302 do Código

C ons el ho E di tor ia l: P res id en te 1º v i ce 2º v i ce

Edição e Redação Diagramação Tiragem

O Jornal Adeppe é de propriedade e orientação da Assoc iação dos Delegados de Polícia de Pernambuco. Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não representam necess ariamente o pensament o da ADEPPE. Todos os direitos reservados.

O projeto “Quem colabora ganha prêmio” promete este ano. Vamos sortear entre os adeppeanos que cola-borarem com o jornal uma TV LED de última geração durante a confraternização de fim de ano, em dezem-bro. O projeto “Quem Colabora Ganha Prêmio” foi cria-do com o objetivo de estimular a categoria a contribuir com este espaço democrático que é o JA.

E para a edição de 2012 já temos quatro nomes: Verônica Azevedo, Tancrêdo Loyo, Adalberto Freire e Helga de Queiroz. E você vai perder? Então se prepare para o sorteio. Mande já a sua colaboração para o e-mail do Jornal: [email protected]. A ordem de publicação do material obedecerá critérios como a data de envio do artigo.

de Processo Pe nal, que de terminam

.

. Embora o

.

do sua filha ou a pessoa que reage ao crime de roubo e mata

nal, determinam a prisão em flagrante da pessoa que

come-.

Em sintonia com este entendimento, foi apresentado o pro-jeto de lei nº 1843/2011 de autoria do Dep. João Campos, que acrescenta § 4º ao art. 304, do Código de Processo

Também o projeto do novo CPP, em seu Art. 540, §6º, con-templa tal entendimento, estendendo expressamente tal pos-sibilidade às Autoridades Policiais.

Finalmente, concluímos que em tais casos o Delegado deve relaxar fundamentadamente em despacho, o flagrante, e ou-vir todos os envolvidos, remetendo os autos para o Delegado circunscricional para, de acordo com o seu juízo de tipicidade,

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diretoria da Adeppe atuou fortemente para apro-var na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de nº 37/2011. O projeto tem como objetivo definir a competência para a investigação criminal, assegurando a função à Polícia Judiciária (polícias federal e civis dos es-tados e do Distrito Federal).

O presidente da entidade, Flaubert Queiroz, o primeiro vice-presidente Gileno Siqueira e a vice-presidente da Adepol para o Nordeste, Silvia Renata fizeram uma gran-de mobilização junto aos parlamentares norgran-destinos, no sentido de demonstrar a necessidade de regulamentar e restringir a investigação criminal.

A PEC foi aprovada na CCJ da Câmara Federal por 31 votos a favor e 8 contra. O projeto é de autoria do deputa-do Lourival Mendes (PTdeputa-doB/MA) e deve ser encaminha-do para o plenário da Casa.

A ideia da PEC é reforçar o sistema de investigação, de modo a evitar que outras instituições realizem investiga-ções sem a devida obediência a padrões técnicos, sub-missão a mecanismos legais de controle e em desacordo com a processualística penal, imiscuindo-se na figura dos órgãos legitimados e capacitados para o exercício das con-troladas atividades de polícia judiciária.

a) - A investigação

visa exclusivamente a elucidação dos fatos, com imparci-alidade, interessando apenas à realização da justiça, po-dendo servir tanto à acusação quanto para a defesa;

b)

c)

d)

e)

- O promotor é a parte interessada que acusa no processo criminal;

f)

- Admitindo-se a possibilidade de que uma das partes que integram o processo crime venha a produzir inquisitorialmente a prova, restaria quebrado o constitu-cional e fundamental equilíbrio exigido pela Justiça;

“Ressalte-se que o inquérito policial é o único instru-mento de investigação criminal que, além de sofrer o or-dinário controle pelo juiz e pelo promotor, tem prazo cer-to, fator importante para a segurança das relações jurídi-cas”, diz a PEC.

Apesar de a CF/88 e o CPP fazerem restrição sobre a competência da investigação, interpretações corporativistas de algumas instituições podem gerar uma série de trans-tornos para o cidadão. O Ministério Público, por exemplo, normatizou o tema em norma formalmente inconstitucio-nal para realizar investigação sem a previsão legal de pro-cedimento e de forma.

Modelo diferente da investigação policial, desenvolvi-da por meio do inquérito e termo circunstanciado, instru-mentos cujas regras são definidas por leis ordinárias fe-derais (CPP e Lei nº 9.099/95).

“Essa foi uma grande vitória para a Adeppe e para to-dos os delegato-dos do Brasil. Mostramos que quando nos unimos conseguimos avançar no reconhecimento à nossa profissão. Queremos, sobretudo, reforçar a segurança jurí-dica do cidadão, no que se refere à investigação criminal e assegurar que ela seja de competência de quem está realmente respaldado para isso”, afirmou Flaubert Quei-roz.

g) – Da

mesma forma que o Ministério Público, como parte no processo, a defesa tem interesse de que a prova tam-bém lhe favoreça;

h)

- A figura do pro motor/ inquisitor resultaria em inexorável ofensa aos princípios do devido processo legal e da busca da verdade real, que permeiam toda a persecução penal, desde o inquérito;

i)

Nisto reside o princípio da paridade das armas, no qual acusação e defesa tem as mesmas oportunidades para o promoção da justiça;

j)

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stá confirmada a realização da AGE-Assembleia Geral Extraordinária dos associados da Adeppe, para formalizar a entrega dos PJES, caso o Gover-no do Estado não reveja o tratamento dispensa-do atualmente ao chamadispensa-do Programa de Jornada Extra de Segurança. Diante do regime de trabalho vigente na Polícia Civil, até parece que ainda sobrevivem os resquíci-os do tempo da escravatura. Daí, a Assembleia agendada para o dia 02 de abril próximo, está sendo chamada de AGE da libertação.

Sufocados por jornadas excessivas de trabalho, com remuneração insignificante, os delegados cansaram de

es-perar uma solução do problema. É bom lembrar que na Assembleia do dia 13 de fevereiro, apesar de angustiada, a classe resolveu continuar cumprindo as jornadas extras, alargando o prazo para que o Governo resolvesse a ques-tão. A decisão foi tomada pela categoria em respeito à sociedade, a maior prejudicada, uma semana antes do carnaval.

Até o fecha mento dessa ediç ão, o pr esidente Flaubert Queiroz aguardava a manifestação do Governo do Estado. O presidente convoca toda a classe para a Assembleia do dia 02 de abril, com o propósito de validar e dar representatividade à decisão que vir a ser tomada.

Foto: Divulgaçã o

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Foto s: T árcio Alves Foto: Corte sia

(5)

O Decreto Federal No. 2222 de 08/ 05/1997 relata em seu texto que é facultado ao portador da identidade policial, o livre ingresso em casas de diversões e lugares sujeitos à fiscali-zação da Polícia, bem como, portar arma em todo o Território Nacional. No entanto, constatamos que hoje, a segurança privada dirigida ninguém sabe por quem, e apoiada por legis-lação que desconhecemos, assumiu poder tão forte que as verdadeiras autoridades legalmente constituídas, exceto para apurar fatos já consuma-dos em seus recintos, são proibidas de ingressarem em casas de shows, casas de eventos diversos e vias públi-cas isoladas por eles, que logo aparecem os truculentos, esbanjando musculatura, nem olham a identificação policial e vão

Autoridade policial? Da forma que vai, o porteiro dos cinemas, dos garis, co-bradores de ônibus e de qualquer coisa barrarão as verdadeiras Autori-dades. Parabéns ao Secretário de Se-gurança do Rio de Janeiro que não deixa seus policiais serem desmorali-zados, parabéns também ao ex-chefe de Polícia, Aníbal Moura, que não permitiu que um porteiro de casa de show desmoralizasse seus policiais. Acho que a carteira policial, apesar de constar o texto da lei, perdeu seu va-lor. O que vale mesmo é a jaqueta preta, que qualquer um faz em casa e põe o nome polícia ou segurança privada.

Adalberto Freire do Nascimento é

ex-logo dizendo: “saiam da frente para não levar porrada”. Que contrastes, se temos o poder legal de qualquer hora do dia ou da noite, conforme o Decreto

aci-ma, de fiscalizar casas de diversões e outros. Por que as autoridades supe-riores estão aceitando essa aberra-ção? É bom lembrar, que o policial a qualquer dia e noite está à disposi-ção da sociedade, conforme seu jura-mento. Todavia, pergunto: não está na hora das autoridades superiores fazerem respeitar as prerrogativas da

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–Como foi para a se-nhora o trajeto para se tornar delega-da?

Eu fiz o curso de Di-reito na Universidade Católica de Pernam-buco e me formei em 2000. Mas já des-de a segunda metades-de do curso eu já sa-bia que eu queria ter uma carreira públi-ca, que eu não queria advogar. Inicial-mente, eu pensava em trabalhar como promotora do Ministério Público porque já havia estagiado na área. Mas quando eu comecei a estudar para concurso, logo depois que eu me formei, busquei também testar outras carreiras. No ano de 2003, eu fiz concurso para ser dele-gada na Paraíba. Passei e comecei a tra-balhar em 2004, como delegada em Campina Grande. Mas como eu sou pernambucana, sempre tive interesse em retornar para o meu Estado. Foi quando em 2006, abriu um concurso para delegado em Pernambuco e eu fiz e passei. Na verdade, a carreira de dele-gada foi escolhida em meio ao acaso, porque eu queria inicialmente atuar no Ministério Público. Mas quando eu come-cei na profissão, entendi a forma dinâ-mica de trabalho e a forma como eu po-deria ajudar as pessoas, eu resolvi se-guir a profissão, que me fascinou. JA - Porque a profissão lhe fascinou? WA - Diferente de outras carreiras, do Judiciário, do Ministério Público, a Polí-cia tem um certo informalismo na profis-são. A gente consegue ter um contato mais direto com a população. Isso é bem perceptível no Interior, onde as pessoas procuram os delegados para tentar re-solver qualquer tipo de problema, mmo aqueles que não estão na nossa es-fera. E foi esse contato mais próximo com o povo que me atraiu para a profis-são.

JA - E como foi sua jornada em Pernam-buco até agora?

WA - Atuei primeiramente na Delegacia de Crimes Contra a Ordem Tributária e depois fui transferida para a CVLI da Vár-zea, onde trabalho atualmente. JA- E como foi esta mudança?

WA - Foi uma grande mudança porque sai dos crimes de ordem tributária, que

ENTREVISTA

Foto: Natália Falcão

não são crimes violentos, mas são mui-to interessantes. Eu sempre gostei do tema, desde a faculdade, e hoje estou fazendo uma especialização na área. Quando eu fui transferida pra o CVLI da Várzea o objetivo era investigar os cri-mes de homicídio. Hoje eu faço um tra-balho de resgatar inquéritos antigos de homicídios e concluir. Eu acompanho cerca de mil inquéritos, de 1993 a 2007. JA - E como é lidar com homicídios? Ain-da mais tendo em mãos um número tão grande de inquéritos?

WA - A gente sabe que aquela família que teve o seu parente morto, mesmo que a gente consiga prender o assassino, vai continuar sofrendo. A perda do ente que-rido é para sempre. O que a gente pode dar para aquela pessoa é um senso de Justiça. Mas a gente nunca vai trazer a pesso a de volta e isso até causa um pouco de frustração porque, neste sen-tido, eu não consigo ajudar as pessoas. Claro que todo crime choca. A grande maioria dos casos que estou investigan-do segue quase que um padrão: jovem que se envolve com drogas e que é mor-to por dívida ou por briga de gangue. JA - Recentemente a gente teve dois grandes casos de assassinatos de reper-cussão local que tiveram relação com o problema da droga e da relação famili-ar. Como a senhora vê essa questão? WA - A repressão à droga é importante. Mas hoje acredito que Pernambuco faz um bom trabalho nesta área. O proble-ma de saúde pública hoje é proble-maior que o problema de Polícia porque muitas das famílias dos usuários de droga não têm condições de proporcionar para os seus filhos um tratamento. Muitas vezes a Polícia investiga, prende, mas eventual-mente essas pessoas voltam à rua e cometem novos crimes porque também temos outro problema, que é o nosso sistema prisional. A gente sabe que ele não propicia a recuperação das pesso-as, às vezes a pessoa até adquire mais vícios dentro da prisão.

JA - A senhora acha que a questão das drogas é hoje um fator potencializador da criminalidade? Em que grau? WA - No meu entender, sim. Mesmo com

a pouca experiência que eu tenho em homicídios, o que eu tenho percebido é que a maioria dos casos praticados inici-almente tem uma relação com o tráfico ou o consumo de drogas.

JA - A senhora também foi delegada na Paraíba. Qual a diferença do trabalho lá e aqui?

WA - Principalmente a questão da estru-tura. A estrutura lá era muito reduzida. Eu trabalhava numa especializada com apenas duas pessoas: um agente e um escrivão. Coisas que eu fiz aqui em Per-nambuco, eu jamais pensei em fazer no início da minha carreira na Polícia na Paraíba, como as operações de grande porte e de inteligência. Eu pensava que esse tipo de coisa só podia ser feita pela Polícia Federal. Quando eu cheguei aqui em Pernambuco, houve um choque po-sitivo, porque apesar da estrutura daqui ainda não ser a ideal, é muito melhor do que a de lá.

JA - Quais os principais problemas que a categoria enfrenta hoje em Pernambu-co?

WA - Eu achei muito estranho quando eu cheguei em Pernambuco de volta porque aqui se denominavam os delegados por grupos: novinhos, antigos, seminovos. Na verdade, a carreira é única. Existem as pessoas que estão a mais tempo e são mais experientes. A gente precisa aprender com elas. Os delegados preci-sam se unir porque a carreira da gente está começando a ganhar prestígio ago-ra. A gente já vê delegado professor, com mestrado, doutorado. Isso para a car-reira da gente é muito bom porque dá visibilidade à nossa profissão. Quando eu estudei direito, por exemplo, eu não sa-bia o que fazia um delegado. Nenhum dos meus professores era delegado. Tal-vez por isso eu nunca tenha pensado em ser delegada. Hoje em dia, você vê que é diferente, estudantes de direito curam a gente para saber como é a pro-fissão. A divisão é muito ruim para a ca-tegoria. Acho muito importante esse tra-balho da Adeppe, de tentar unir os dele-gados, comprei a idéia desde o inicio. Hoje já vemos um intercâmbio muito maior.

(7)

Março

Abril

A partir desta edição o Jornal ADEPPE será distribuído, no Estado, em todas as unidades policiais. Da Chefia de Polícia à circunscricional de Afrânio. Nas delegaci-as, nas gerêncidelegaci-as, nos departamentos, nas diretorias, nas assessorias. Onde se respi-rar polícia. Você, associado da ADEPPE, vai continuar recebendo o JA na sua residên-cia e também no seu local de trabalho. Participe do jornal. Critique. Envie sua co-laboração. Afinal, o JA é nosso

As vagas existem. O direito à promoção é líquido e certo. Os comentários sobre a não efetivação das promoções dos delega-dos são vários. E aí surgem diversas sões motivacionais. E ninguém sabe da ver-dade. Tudo isso inquieta a classe. Está na hora da Secretaria de Defesa Social e da Chefia de Polícia dizerem o que vem acon-tecendo. Do contrário, o zunzunzum ten-de a se disseminar. Para ten-desespero dos delegados, diante da omissão da Adminis-tração.

O § 5º do artigo 9º da Lei Complemen-tar nº 181/2011 reza:

Sem promoção, não há o enquadramen-to previsenquadramen-to para acontecer até o mês de maio de 2012, antes do reajuste salarial de junho de 2012.

Os delegados Breno Varejão, Marceone Ferreira e Dinahyr Novaes associaram-se à ADEPPE. Você, que ainda não é sócio, ve-nha para cá. Aqui, é a nossa casa.

Referências

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