• Nenhum resultado encontrado

caso 2

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "caso 2"

Copied!
25
0
0

Texto

(1)

2 GESTÃO INTEGRADA DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

Nesta seção se apresenta o marco teórico-conceitual da dissertação, visando, sobretudo, esclarecer sobre a gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos. Para lograr êxito neste intento, partir-se-á pelos conceitos e princípios de alguns termos-chave como resíduos sólidos, coleta seletiva, gestão integrada e gerenciamento de resíduos sólidos, em seguida, faz-se uma síntese da abordagem sobre consumo consciente e a geração de resíduos, após são apresentados os modelos de gestão e gerenciamento e a seção encerra-se com o panorama da gestão e o gerenciamento dos RSU no mundo e no Brasil.

2.1 CONCEITOS E PRINCÍPIOS

A partir da década de 1970, resíduos sólidos vem sendo definido por diversos autores. Para Sewell (1978) o termo lixo é definido como “materiais indesejados pelo homem que não podem fluir diretamente para os rios ou se elevar imediatamente para o ar”.

De acordo com Girord (1993) o artigo 1 da Lei Francesa nº 75.663 de 17 de julho de 1975, define resíduos sólidos como “todo resíduos de um processo de produção, de transformação ou utilização, toda substância, matéria, produto, ou mais geralmente, todo bem móvel abandonado ou que seu proprietário o destina ao abandono”

Para Moreira et al (1994) a Comunidade Econômica Européia (CEE), de acordo com as diretrizes 75/442 e 78/319, define o lixo como “qualquer substância ou objeto cujo detentor se desfaz segundo a legislação vigente”.

Mancini (1999) esclarece que o significado do conceito “resíduos sólidos” corresponde ao que conhecemos popularmente por “lixo”.

Para Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 1987) resíduos sólidos são: resíduos nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição.

Em 2010, de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS, os resíduos sólidos são materiais, substâncias, objetos ou bens descartados resultantes de atividades humanas em sociedade, aos quais a destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder.

Podem apresentar-se no estado sólido ou semissólido, gasoso (quando contidos em recipientes) e líquido (quando apresentem particularidades que tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções

(2)

técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível). Os resíduos sólidos podem ser classificados, quanto à origem em:

a) resíduos domiciliares: os originários de atividades domésticas em residências urbanas;

b) resíduos de limpeza urbana: os originários da varrição, limpeza de logradouros e vias públicas e outros serviços de limpeza urbana;

c) resíduos sólidos urbanos: os englobados nas alíneas “a” e “b”; d) resíduos de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços; e) resíduos dos serviços públicos de saneamento básico;

f) resíduos industriais;

g) resíduos de serviços de saúde;

h) resíduos da construção civil: os gerados nas construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil;

i) resíduos agrossilvopastoris;

j) resíduos de serviços de transportes: os originários de portos, aeroportos, terminais alfandegários, rodoviários e ferroviários e passagens de fronteira;

k) resíduos de mineração.

Reconhecida por ser uma excelente estratégia para desviar resíduos sólidos domiciliares dos lixões ou de aterros sanitários para um processo de reutilização e/ou reciclagem, a coleta seletiva impõe desafios.

Entende-se por coleta seletiva3 a coleta de resíduos sólidos previamente segregados conforme sua constituição ou composição.

O conceito de coleta seletiva, surgiu em 1941, segundo Pieroni apud (MANCINI, (1999) como sendo “uma separação prévia de materiais que poderiam ser reaproveitados”.

Para Amazonas (1990) coleta seletiva consiste na separação de papéis, metais, plásticos e vidros na fonte geradora, é uma forma para a segregação dos materiais recicláveis. Após a coleta tais materiais podem ser classificados por categorias e encaminhados as indústrias recicladoras.

3

Lei nº 12.305 de 02 de agosto de 2010, Política Nacional de Resíduos Sólidos em seu Art. 3º o qual dispõe sobre seus princípios, objetivos e instrumentos, bem como sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos, incluídos os perigosos, às responsabilidades dos geradores e do poder público e aos instrumentos econômicos aplicáveis.

(3)

Segundo Mancini (1999, p. 22) “a coleta seletiva dos resíduos sólidos recicláveis é a coleta seletiva” embora existam várias definições sobre coleta seletiva, conforme cada autor.

Bringhenti (2004, p. 14) em sua tese de doutorado intitulada “Coleta Seletiva de resíduos sólidos urbanos: aspectos operacionais e da participação da população” definiu a Coleta Seletiva como:

A etapa de coleta de materiais recicláveis presentes nos resíduos sólidos urbanos, após sua separação na fonte geradora, seguindo de seu acondicionamento e apresentação para coleta em dias e horários pré-determinados, ou mediante entrega em Postos de Entrega Voluntária (PEV´s), Postos de trocas, a catadores autônomos, sucateiros ou a entidades beneficente.

A resolução CONAMA Nº 275 estabelece um padrão de cores de fácil visualização para identificar os recipientes e transportadores utilizados na coleta seletiva, a saber: azul – papel/papelão; vermelho – plástico; verde – vidro; amarelo – metal; marrom – resíduos orgânicos, entre outros.

Na coleta seletiva tais materiais são separados na fonte geradora – residências, empresas, escritórios, escolas, comércio, etc. – e são transportados e destinados a reciclagem. O ideal é a separação prévia dos resíduos conforme sua origem e encaminhados as centrais de triagem para que possam ser conduzidos as empresas recicladoras e, posteriormente comercializados, retornando ao processo de fabricação do produto.

A PNRS (2010) define reciclagem por ser “o processo de transformação dos resíduos sólidos que envolve a alteração de suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas, com vistas à transformação em insumos ou novos produtos”. (BRASIL. LEI 12.305/2010). E por rejeitos:

os resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada. (BRASIL. LEI 12.305/2010).

Por disposição final ambientalmente adequada, a referida política define como sendo “a distribuição ordenada de rejeitos em aterros, observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adverso”. (BRASIL. LEI 12.305/2010).

Por gestão integrada de resíduos sólidos segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos (2010) entende-se como sendo:

(4)

um conjunto de ações voltadas para a busca de soluções para os resíduos sólidos, de forma a considerar as dimensões política, econômica, ambiental, cultural e social, com controle social e sob a premissa do desenvolvimento sustentável. (BRASIL. LEI 12.305/2010).

Dentro deste contexto de análise, por Gerenciamento de resíduos sólidos: o conjunto de ações exercidas, direta ou indiretamente, nas etapas de coleta, transporte, transborda, tratamento e destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, de acordo com Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos ou com Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos.

De acordo com a política, o Art. 14 da PNRS, estabelece que são planos de resíduos sólidos:

I - o Plano Nacional de Resíduos Sólidos; II - os planos estaduais de resíduos sólidos;

III - os planos microrregionais de resíduos sólidos e os planos de resíduos sólidos de regiões metropolitanas ou aglomerações urbanas;

IV - os planos intermunicipais de resíduos sólidos;

V - os planos municipais de gestão integrada de resíduos sólidos; e

VI - os planos de gerenciamento de resíduos sólidos. (BRASIL. LEI 12.305/2010).

Ressalta-se que em quaisquer dos planos é assegurada ampla publicidade ao seu conteúdo, bem como controle social em sua formulação, implementação e operacionalização, incluindo a realização de audiências e consultas públicas.

Do ponto de vista político, os princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos, descritos no art. 06, são apresentados abaixo:

I – a preservação e a precaução;

II – o poluidor-pagador e o protetor-recebedor;

III – a visão sistêmica, na gestão dos resíduos sólidos, que considere as variáveis ambiental, social, cultural, econômica, tecnológica e de saúde pública;

IV – o desenvolvimento sustentável;

V – a ecoeficiência, mediante a compatibilização entre o fornecimento, a preços competitivos, de bens e serviços qualificados que satisfaçam as necessidades humanas e tragam qualidade de vida e a redução do impacto ambiental e do consumo de recursos naturais a um nível, no mínimo, equivalente à capacidade de sustentação estimada do planeta;

VI - a cooperação entre as diferentes esferas do poder público, o setor empresarial e demais segmentos da sociedade;

VII - a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos; VIII - o reconhecimento do resíduo sólido reutilizável e reciclável como um bem econômico e de valor social, gerador de trabalho e renda e promotor de cidadania;

(5)

IX - o respeito às diversidades locais e regionais;

X - o direito da sociedade à informação e ao controle social;

XI - a razoabilidade e a proporcionalidade. (BRASIL. LEI 12.305/2010).

A partir da apresentação dos princípios, tem-se a questão prática da avaliação e medição da sustentabilidade nos programas/projeto e ações relacionados à gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos, como é o caso de programas de coleta seletiva. Este tema emerge de pesquisas e estudos para definição de critérios.

2.2 CONSUMO CONSCIENTE E A GERAÇÃO DE RESÍDUOS

A crise ambiental que vem sendo vivenciada pelas sociedades humanas em todo o planeta tem gerado sofrimento, dúvidas e insatisfações. Vivemos uma crise de valores. Os modelos de felicidade, baseados na capacidade de adquirir bens materiais e na ideia de que os recursos naturais durariam para sempre, se tornaram um sonho impossível para a maioria da população. O resultado são sentimentos de frustração e baixa autoestima.

De acordo com Portilho (2004) em uma sociedade capitalista, praticamente, 80% dos recursos naturais são consumidos por 20% da população e o sucesso é medido pela quantidade de coisas que se pode ter.

A autora considera que a crise ambiental é uma construção social e que, ao longo do tempo, houve transições no discurso utilizado para a problematização da questão, conforme sistematizado a baixo:

a) Até a década de 1970 – os problemas ambientais eram decorrentes do crescimento populacional;

b) A partir da década de 1970 – os problemas eram decorrentes do impacto da produção;

c) A partir da década de 1990 – os problemas são decorrentes do impacto do consumo.

A matriz desse problema está no modelo de desenvolvimento adotado em quase todo mundo ocidental, o qual exibe um padrão exagerado de consumo produzindo uma quantidade tal de resíduos que a natureza jamais conseguirá absorver ou processar.

Corrobora com esta afirmação, a Organização Panamericana de Saúde (2005) ao constatar que o modo de vida urbano produz uma diversidade cada vez maior de produtos e de resíduos que exigem sistemas de coleta e tratamento diferenciados após o seu uso e uma destinação ambientalmente segura.

(6)

Sob tais condições, a redução dos milhões de resíduos gerados vem sendo apontada como um dos maiores desafios da atualidade, uma vez que a geração excessiva de resíduos sólidos afeta a sustentabilidade urbana e que a sua redução depende de mudanças nos padrões de produção e consumo da sociedade.

Para Dias (2002) se faz necessário buscar e atingir um novo estilo de vida, baseado numa ética global, regida por valores humanitários harmonizadores. Para isto, deve-se contribuir para melhorar o planejamento, o manejo e a geração de políticas publicas capazes de tornar as cidades menos impactantes e mais agradáveis de viver, conciliando desenvolvimento com conservação e uso sustentável e equitativo de recursos naturais, com a decisiva participação das populações locais no processo de gestão.

Para o autor, cidades com manejo eficientes (resourceful city) enfatizam a necessidade de se reduzir a produção de resíduos, a poluição e os riscos. Busca-se a eficiência no uso de energia, dos materiais, dos alimentos e da água e promove-se a reciclagem, a reutilização e a redução de consumo.

Segundo MANCE (2003) o consumo é o momento final do processo produtivo. É em função do consumo que o processo de produção se organiza atuando na viabilização do lucro e o acúmulo da mais-valia. O consumo como tal, pode ser analisado como consumo produtivo (consumo de insumos, energia, etc) para realização de um bem ou serviço, e consumo final, compreendido como acabamento do produto, fruição do bem ou serviço.

Mance (2003) assevera que o consumo pode ser classificado em quatro classes: alienado, compulsório, para o bem viver e solidário.

O consumo alienado caracteriza o consumo praticado por influência das semioses publicitárias. As propagandas movem as pessoas a comprar os produtos, gerando desejos e fantasias, associando-as a outras coisas, situações ou identidades que as pessoas gostariam de ter, usufruir ou ser (MANCE, 2003).

O consumo compulsório é aquele que se é obrigado a realizar para satisfazer as necessidades biológicas, culturais e situacionais e que ocorre quando a pessoa tem pouco recurso para atendê-lo ou não há alternativas para escolher. Neste caso, busca-se comprar sempre o que for mais barato, sem preocupar com qualidade, o que interessa é maximizar a quantidade de produtos com o mesmo dinheiro (MANCE, 2003).

O consumo para o bem viver ocorre quando as pessoas não se deixam levar pelas armadilhas publicitárias e, optam por produtos e serviços que garantam o seu próprio bem viver, permitindo sua singularidade como seres humanos (MANCE, 2003).

(7)

do próprio bem-viver pessoal, mas também do bem-viver coletivo, em favor dos trabalhadores que produziram aquele bem ou serviço e da manutenção do equilíbrio dos ecossistemas (MANCE, 2003).

Trata-se de um consumo que ao adquirir um produto ou serviço leva-se em consideração aspectos solidários e ecológicos em toda a sua cadeia produtiva. Sob esta lógica, cada ato de consumo passa a ser um gesto de dimensão planetária, que pode tornar o consumidor um cúmplice de ações desumanas e ecologicamente prejudiciais, afinal, não se trata somente de considerar o lixo final derivado do consumo – invólucro, embalagens, etc, mas o impacto ambiental e social do próprio processo produtivo, que pode ser insustentável, provocando fenômenos não apenas de esgotamento de recursos, como também alterações prejudiciais aos ecossistemas locais e planetários.

Frente a esta situação, um gerenciamento integrado em todas as etapas de manejo dos resíduos sólidos urbanos, pode render as comunidades, maior sustentabilidade ambiental e equidade social.

Segundo Lima (2002), a reversão do atual padrão de desenvolvimento, em direção a sustentabilidade ambiental, tem no manejo adequado dos resíduos sólidos, um de seus maiores desafios, sendo que a adoção das práticas de gerenciamento integrado pelas municipalidades poderia ser a base do processo de enfrentamento do problema.

2.3 DO MODELO TRADICIONAL AS NOVAS PRIORIDADES DA POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS - PNRS

Para Demajorovic (1995) o desenvolvimento da política de resíduos sólidos nos últimos anos, nos países desenvolvidos, permite identificar três fases distintas.

A primeira fase, que prevaleceu até o início da década de 1970, é caracterizada pela prioridade em garantir apenas a disposição de resíduos.

(8)

Figura1 - Modelo tradicional de tratamento de resíduos sólidos.

Fonte: Moore (1989 apud DEMAJOROVIC, 1995), modificado.

Neste modelo, observa-se que o crescimento rápido da exploração dos recursos naturais e do consumo nos centros urbanos, apresentava, em contrapartida, um aumento igualmente rápido do volume de resíduos a serem dispostos, um fato decorrente da ausência de políticas para reduzir a quantidade de resíduos em qualquer das etapas do sistema produtivo.

Em meados da década de 1970, pela primeira vez, a política de resíduos sólidos estabelece as prioridades de sua gestão, na seguinte ordem:

Redução da produção de resíduos; Reciclagem do material;

Incineração com reaproveitamento de energia, e; Disposição em aterros controlados.

A partir da década 1980, os efeitos dessa política apresentavam-se: de um lado, a redução da produção de resíduos continuava como retórica, de outro, a promoção da recuperação e da reciclagem passou a ser prioridade nesta segunda fase (figura 2).

bens / serviços

(9)

Figura 2 - Modelo de gestão de resíduos sólidos incluindo a reciclagem.

Fonte: Moore (1989 apud DEMAJOROVIC, 1995), modificado.

Nesta fase, por meio do incremento da lesgislação e incentivos econômicos estimulou-se o uso de reciclaveis e ainda, o apoio da população, deestimulou-senvolvendo-estimulou-se um mercado rentável, para os produtos recicláveis. Ademais, para garantia e reaproveitamento dos resíduos, são estabelecidos novas relações entre consumidores finais e produtores e distribuidores e consumidores.

Ao final da década de 80 surgiram as críticas ao incentivo apenas ao reaproveitamento e reciclagem dos resíduos. Percebeu-se que nesse processo não existia vinculação entre resíduos gerados e fonte geradora. Desta forma, não havia estímulo para redução de resíduos desnecessário, desde o início do processo produtivo e fosse uma prioridade pela empresas.

A partir da década de 1990, inicia-se a terceira fase, marcada pelo estabelecimento de novas prioridades do sistema de gestão dos resíduos sólidos.

Nesta fase, a prioridade passa a ser a redução do volume de resíduos já no início do processo produtivo, continuando nas demais etapas da cadeia produtiva. Este modelo sugere uma série de alterações no comportamento dos diversos atores envolvidos em todas as etapas do processo, conforme figura 3.

bens / serviços

(10)

Figura 3 - Modelo de gestão de resíduos sólidos adaptados as novas prioridades da política ambiental.

Fonte: Moore (1989 apud DEMAJOROVIC, 1995), modificado.

São diretrizes desta atual política de resíduos solidos as seguintes prioridades: a) Evitar ou, quando não for possível, diminuir a produção de resíduos;

b) Reutilizar ou, quando não for posssível, reciclar resíduos; c) Utilizar a energia presente nos resíduos;

d) Inertizar e dispor os resíduos.

Dentro deste contexto de análise, este sistema incorpora as dimensões de sustentabilidade, uma vez que evita a produção de determinados resíduos, reaproveita parcela deste e inertizar-se o restante. E ainda, gerencia a produção de resíduos em todas as fases do sistema econômico e não apenas se concentra no tratamento e disposição final.

No Brasil somente a partir de 2010 com a publicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos é que se inova ao estabelecer uma nova ordem de prioridade para a gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, qual seja: não geração, redução, reutilização, reciclagem,

(11)

tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. Permite-se ainda a utilização de tecnologias para a recuperação energética dos resíduos sólidos urbanos, desde que tenha sido comprovada sua viabilidade técnica e ambiental e com a implantação de programa de monitoramento de emissão de gases tóxicos aprovado pelo órgão ambiental.

Dentre as principais inovações, destaca-se:

a) Responsabilidade Compartilhada; b) Logística Reversa; c) Coleta Seletiva; d) Acordos Setoriais; e) Planos; f) Catadores;

g) Resíduos Perigosos (Cadastro Nacional de Operadores de Resíduos Perigosos); h) Áreas Contaminadas;

i) Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (SINIR)

A responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos é o conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, para minimizar o volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como para reduzir os impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental decorrentes do ciclo de vida dos produtos.

Para fortalecer a responsabilidade compartilhada e seus objetivos, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes são responsáveis por:

a) Investir no desenvolvimento, na fabricação e na colocação no mercado de produtos que possam, após o uso pelo consumidor, ser reutilizados, reciclados ou receberem outra forma de destinação ambientalmente adequada e que a fabricação e uso gerem a menor quantidade de resíduos sólidos possível.

b) Divulgar informações sobre as formas de evitar, reciclar e eliminar os resíduos sólidos dos seus produtos.

c) Recolher os produtos e os resíduos após o uso, bem como dar a destinação final ambientalmente adequada para os produtos sujeitos ao sistema de logística reversa.

(12)

d) Participar das ações previstas no Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, quando firmados acordos ou termos de compromisso com o município, no caso de produtos ainda não inclusos no sistema de logística reversa.

A logística reversa é um instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.

No âmbito da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, o titular dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos é obrigado a:

a) adotar procedimentos para reaproveitar os resíduos sólidos reutilizáveis e recicláveis oriundos dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos;

b) articular com os agentes econômicos e sociais medidas para viabilizar o retorno ao ciclo produtivo dos resíduos sólidos reutilizáveis e recicláveis oriundos dos serviços de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos;

c) realizar as atividades definidas por acordo setorial ou termo de compromisso; d) implantar sistema de compostagem para resíduos sólidos orgânicos;

d) estabelecer sistema de coleta seletiva;

e) dar disposição final ambientalmente adequada aos resíduos.

A coleta seletiva é a coleta de resíduos sólidos previamente segregados conforme sua constituição ou composição.

Sempre que for estabelecido o sistema de coleta seletiva pelo Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos e na aplicação do sistema de logística reversa, os consumidores são obrigados a:

a) acondicionar adequadamente e de forma diferenciada os resíduos sólidos gerados; b) disponibilizar adequadamente os resíduos sólidos reutilizáveis e recicláveis para coleta ou devolução.

O poder público municipal poderá instituir incentivos econômicos aos consumidores que participam do sistema de coleta seletiva, na forma de lei municipal.

(13)

fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes, tendo em vista a implantação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto.

Para sua operacionalização a política prevê como instrumento o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas ou de outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis, tendo como objetivo a integração dos catadores nas ações que envolvam a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. Assim sendo, têm–se o reconhecimento do resíduo sólido reutilizável e reciclável como um bem econômico e de valor social, gerador de trabalho e renda e promotor de cidadania.

2.4 A GESTÃO E GERENCIAMENTO DOS RSU NO MUNDO E NO BRASIL

No mundo moderno a produção de resíduos sólidos vem aumentando numa escala vertiginosa, exigindo soluções conjuntas entre poder publico e sociedade civil para a correta gestão e gerenciamento desses resíduos.

Para o conjunto de ações voltadas a solucionar os problemas com os resíduos sólidos, tais como normas, leis e procedimentos sob a premissa do desenvolvimento sustentável defini-se de gestão integrada e por gerenciamento as etapas de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.

Para Monteiro et al (2001) a visão moderna de gestão integrada de resíduos sólidos consiste “no envolvimento de diferentes órgãos da administração pública e da sociedade civil com o propósito de realizar a limpeza urbana, levando em consideração as características, culturais e econômicas dos cidadãos e as peculiaridades demográficas, climáticas e urbanísticas locais”.

Lima (2002) sugere que a gestão integrada de resíduos sólidos deva ser pautada por quatro áreas pragmáticas, a saber: (1) minimização da geração de resíduos; (2) maximização do reuso e da reciclagem; (3) promoção do tratamento e da disposição final dos resíduos sólidos de forma ambientalmente correta; e, (4) maximização da cobertura dos serviços de limpeza pública urbana.

Os serviços de limpeza pública urbana compreendem a coleta regular dos resíduos sólidos urbanos, incluindo os resíduos domiciliar, de varrição e comercial, os quais são atribuições, desde a Constituição de 1988, dos municípios brasileiros.

Monteiro et al (2001) consideram como parte integrante do serviço de limpeza urbana de um município as etapas de geração, acondicionamento, coleta, transporte, transferência,

(14)

tratamento e disposição final dos resíduos sólidos, além da limpeza de logradouros públicos. Assim sendo, define-se gerenciamento de resíduos sólidos como sendo o conjunto dessas ações exercidas, direta ou indiretamente, de acordo com o plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos ou com plano de gerenciamento de resíduos sólidos4.

Segundo o CEMPRE (2007) o plano de gerenciamento de resíduos sólidos é um documento que apresenta a situação atual do sistema de limpeza urbana, com a pré-seleção das alternativas mais viáveis, e o estabelecimento de ações integradas e diretrizes sob os aspectos ambientais, econômicos, financeiros, administrativos, técnicos, sociais e legais para todas as fases de gestão dos resíduos sólidos, desde a sua geração até a destinação final.

Para Lima (2002) a combinação dessas ações deverá ser feita, no âmbito de cada município, para encontrar seu próprio modelo de gerenciamento integrado, de acordo com as condições territoriais, socioeconômicas locais, bem como a composição e a quantidade de resíduos sólidos gerados.

Nos países desenvolvidos, já vem sendo incentivadas e empregadas estratégias como “redução na fonte” por meio de processos tecnológicos e por meio da “análise do ciclo de vida” dos produtos, bem como investimentos em reciclagem, reutilização, tratamento e destinação final adequados dos resíduos.

Nesses países, a tendência é o tratamento de resíduos em incineradores modernos que recuperam energia e só ocorre a disposição final dos resíduos em aterros sanitários quando os mesmos não podem mais ser recuperados.

Ademais, tais países possuem uma política bem definida com determinação de cada instituição responsável pelas ações no tocante a gestão e gerenciamento dos resíduos sólidos.

Na Europa, há duas tendências fortes na gestão dos resíduos sólidos: (1) regularização forte, fruto da organização dos agentes envolvidos e (2) responsabilização da industria pelos resíduos gerados.

Em Berlim, na Alemanha, existem cerca de 3 mil aterros, entre os quais, cerca de 500 são para resíduos domésticos, e onde as águas são recirculadas. A produção média diária de resíduos é de 1kg/pessoa/dia. A cidade possui um Fundo Monetário Mensal, onde os recursos são gastos prioritariamente em ações de administração e programas de Educação Ambiental.

Na Holanda, há parcerias entre os setores público e privado. O primeiro disponibiliza a infraestrutura e o segundo é responsável pela operacionalização do sistema, sendo controlado e fiscalizado pelo Estado.

4

(15)

A cidade de Nova Iorque nos Estados Unidos, é considerada a capital do lixo por produzir em média 12 mil toneladas diárias de resíduos, perfazendo cerca de 2 a 3kg/habitante/dia. Os resíduos produzidos na cidade são levados ao aterro próximo da cidade de Manhattan, considerado uma das maiores obras de engenharia do mundo, embora já esteja com sua vida útil em fase de esgotamento. Aproximadamente 50% dos resíduos gerados vão para os aterros, 20 % são incinerados e 25% são reciclados.

De modo geral, a maioria dos países o gerenciamento dos resíduos fica a cargo das administrações municipais, como ocorre no Brasil, exceto no Japão, onde os governos Federal e Estadual são responsáveis por analisar, regularizar e fiscalizar o gerenciamento dos resíduos.

A forma como as questões sobre resíduos sólidos são tratadas no Brasil é reflexo do descaso ocorrido no passado. Já nos Estados Unidos, onde o consumo é incentivado, os esforços em busca da redução de resíduos é mais limitado. No entanto, os países europeus analisados possuem legislação, fiscalização e controle mais aprimorados, adequando-os as suas metas e cronogramas, os quais são constantemente ajustados, por meio de acompanhamento e monitoramento periódico.

De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), em 2010, o Brasil gerou cerca de 61 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU), o que representa cerca de 378 quilos/habitante/ano. Todavia, tais resíduos nem sempre recebem o correto destino final. Segundo os resultados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico de 2008 do IBGE apontam os “lixões” como o destino final dos resíduos sólidos em 50,8% dos municípios brasileiros. A tabela 1 apresenta o cenário do destino final dos resíduos sólidos no Brasil.

Tabela 1 - Destino final dos resíduos sólidos, por unidades de destino dos Resíduos (%) - Brasil - 1989/2008.

Aterro controlado

1989 88,2 1,1

2000 72,3 17,3

2008 50,8 27,7

Destino final dos resíduos sólidos por unidades de destino dos resíduos (%)

Ano Vazadouro a céu aberto Aterro Sanitário

9,6 22,3 22,5 Fonte: Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, 2008.

Da mesma forma, a tabela 2 revela a quantidade de resíduos produzidos pelo estado do Pará, no ano de 2010, segundo a (ABRELPE).

(16)

Tabela 2 - Quantidade de resíduos produzido no Estado do Pará, em 2010.

PA 5.625 4.579 26,90% 0,881

Estado RSU ge rado

(t/dia)

RSU cole tado (t/dia)

De stinação final adequada

Lixo cole tado (kg/hab/dia)

Fonte: Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – ABRELPE.

No Brasil, os problemas com destinação correta dos resíduos é recente e as situações distinguem-se de município para município. Se tratando de um problema crescente, não se torna vantajoso para administração pública a busca por soluções tardias. Entretanto, nacionalmente, a partir de 1993, a Resolução CONAMA nº 5 de 1993, prevê a implantação do gerenciamento dos resíduos sólidos obrigatório, o qual mantém o conceito técnico ou definição técnica de resíduos sólidos previstos na NBR 10.004 da ABNT (1987).

De acordo com a PNRS (BRASIL. LEI 12.305/2010) a responsabilidade quanto ao gerenciamento dos resíduos sólidos no país podem variar, de acordo com sua origem, conforme a tabela 3:

Tabela 3 - Responsabilidade sobre os resíduos sólidos conforme origem e classe.

Origem Classe Responsável

Domiciliar 1 Prefeitura

Comercial 1 Prefeitura

Industrial 1,2 Gerador do resíduo

Público 1 Prefeitura

Serviço de Saúde 1,2 Gerador do resíduo Portos, aeroportos,

terminais ferroviários 1,2 Gerador do resíduo

Agrícola 1,2 Gerador do resíduo

Entulho 1 Gerador do resíduo

Fonte: Ambiente Brasil (2010).

Um sistema de gestão e gerenciamento eficiente atua no objetivo de minimizar e reduzir a geração do lixo na sua fonte. Como estratégia principal, propõe-se ao consumidor os famosos 3 R´s – 1) reduzir o consumo de itens inúteis, descartáveis que despendam recursos não renováveis; 2) reutilizar adquirindo produtos usados costumizando-os e 3) reciclar o que for possível.

(17)

A partir da ECO 92 a política dos 3R´s foi oficializada e consagrada na Agenda 21 com objetivo de reduzir o impacto ambiental negativo das atividades humanas na busca do gerenciamento integrado dos resíduos sólidos gerados desde a sua prevenção (redução na fonte) passando pela reutilização (reuso) e reciclagem (3R´s).

No entanto, no Brasil, apesar da PNRS inovar ao estabelecer uma nova ordem de prioridades na gestão e gerenciamento dos RSU, na prática os avanços ainda são limitados em relação a ações voltadas para a minimização da geração dos resíduos, uma vez que a preocupação maior das administrações municipais está relacionado a destinação final correta dos resíduos e não na prevenção da poluição gerado por eles, os gráficos 1 e 2 apresentam os dados nacional, e os dados na Região Norte, Estado do Pará, Região Metropolitana de Belém e Belém, respectivamente:

Gráfico 1 - Quantidade diária de lixo coletado, por unidade de destino final do lixo coletado, segundo as grandes regiões, unidades da federação, regiões metropolitanas e municípios das capitais.

(18)

Gráfico 2 - Quantidade diária de lixo coletado, por unidade de destino final do lixo coletado, segundo as grandes regiões, unidades da federação, regiões metropolitanas e municípios das capitais.

Fonte: Pesquisa Nacional de Saneamento Básico – IBGE (2010), modificado.

Segundo o IBGE (2010) cerca de 62,6% dos domicílios urbanos brasileiros são atendidos, ao mesmo tempo por rede de abastecimento de água, rede coletora de esgoto e coleta de lixo direta, enquanto que 50,8% destina inadequadamente este material em vazadouros a céu aberto.

A inoperância das administrações municipais, emaranhada por conflitos de interesse e ou políticos, em melhorar a qualidade dos serviços públicos prestados e com isso, melhorar a qualidade de vida da população, faz com que os órgãos públicos municipais deixem de buscar investimentos federais, ou até mesmo, os percam para a implantação de aterros sanitários, coleta seletiva e usinas de reciclagem, um dos grandes desafios, uma vez que no Brasil, os serviços de limpeza urbana são de responsabilidade do município.

Na maioria das cidades brasileiras a coleta de lixo é realizada por empresa privada, sob concessão, subcontratação ou permissão. Outro desafio no setor de limpeza urbana refere-se a falta de especialista na temática dos agentes envolvidos tanto na prefeitura quanto nas empresas privadas, os quais são essenciais para o bom funcionamento do sistema.

De acordo com Fritsch (2000) o Departamento de limpeza pública geralmente é incumbido a uma Secretaria Municipal, o qual é responsável pelos serviços de limpeza de rua, capina, limpeza de valetas, bocas de lobo, terrenos baldios, bem como pelo saneamento básico e fiscalização das atividades que envolvem os resíduos sólidos, desde a coleta até a sua disposição final.

(19)

Esses serviços garantem a manutenção da limpeza das cidades, evitando riscos de enchentes e minimizando riscos á saúde pública. Podem ainda gerar trabalho e renda e cidadania as pessoas envolvidas. Por tudo isso, a gestão e o gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos, são tarefas complexas e abrangentes, refletindo na dificuldade da maioria dos municípios brasileiros em operacionalizá-los, devido a carência de autonomia e recursos.

Neste sentido, a Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece no art. 18. que a elaboração do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos é condição para que o Distrito Federal e os municípios tenham acesso aos recursos da União ou para serem beneficiados por incentivos ou financiamentos de entidades federais. Assim, terão prioridades os municípios que: I - optarem por soluções consorciadas intermunicipais para a gestão dos resíduos sólidos; II - implantarem a coleta seletiva com a participação de cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis formadas por pessoas físicas de baixa renda. (BRASIL. LEI 12.305/2010).

O respectivo plano deverá ser elaborado com horizonte de atuação de 20 (vinte anos) e revisões a cada 4 (quatro anos), sendo que, a administração municipal, tem até agosto de 2012 para elaborar seu plano, respeitando o conteúdo mínimo, que está sintetizado abaixo:

I - diagnóstico da situação dos resíduos sólidos gerados no respectivo território, contendo a origem, o volume, a caracterização dos resíduos e as formas de destinação e disposição final adotadas;

II - identificação de áreas favoráveis para disposição final ambientalmente adequada de rejeitos, observado o plano diretor e o zoneamento ambiental, se houver;

III - identificação das possibilidades de implantação de soluções consorciadas ou compartilhadas com outros Municípios, considerando, nos critérios de economia de escala, a proximidade dos locais estabelecidos e as formas de prevenção dos riscos ambientais;

IV - identificação dos resíduos sólidos e dos geradores sujeitos ao plano de gerenciamento ou a sistema de logística reversa, observadas as disposições desta Lei e de seu regulamento, bem como as normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama e do SNVS;

V - procedimentos operacionais e especificações mínimas a serem adotados nos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, incluída a disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos;

VI - indicadores de desempenho operacional e ambiental dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos;

VII - regras para o transporte e outras etapas do gerenciamento de resíduos sólidos, observadas as normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama e do SNVS e demais disposições pertinentes da legislação federal e estadual; VIII - definição das responsabilidades quanto à sua implementação e operacionalização, incluídas as etapas do plano de gerenciamento de resíduos sólidos a cargo do poder público;

IX - programas e ações de capacitação técnica voltados para sua implementação e operacionalização;

(20)

X - programas e ações de educação ambiental que promovam a não geração, a redução, a reutilização e a reciclagem de resíduos sólidos;

XI - programas e ações para a participação dos grupos interessados, em especial das cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis formadas por pessoas físicas de baixa renda, se houver;

XII - mecanismos para a criação de fontes de negócios, emprego e renda, mediante a valorização dos resíduos sólidos;

XIII - sistema de cálculo dos custos da prestação dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, bem como a forma de cobrança desses serviços;

XIV - metas de redução, reutilização, coleta seletiva e reciclagem, entre outras, com vistas a reduzir a quantidade de rejeitos encaminhados para disposição final ambientalmente adequada;

XV - descrição das formas e dos limites da participação do poder público local na coleta seletiva e na logística reversa, e de outras ações relativas à responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos;

XVI - meios a serem utilizados para o controle e a fiscalização, no âmbito local, da implementação e operacionalização dos planos de gerenciamento de resíduos sólidos e dos sistemas de logística reversa;

XVII - ações preventivas e corretivas a serem praticadas, incluindo programa de monitoramento;

XVIII - identificação dos passivos ambientais relacionados aos resíduos sólidos, incluindo áreas contaminadas, e respectivas medidas saneadoras; XIX - periodicidade de sua revisão, observado prioritariamente o período de vigência do plano plurianual municipal. (BRASIL. LEI 12.305/2010).

Para isto, um dos instrumentos de incentivo para minimização dos resíduos, está no processo de recuperação dos materiais recicláveis existentes nos resíduos sólidos urbanos iniciado com a coleta seletiva.

Para Abreu (2001) a coleta seletiva facilita e estimula a reciclagem, uma vez que os materiais separados são mais limpos e têm maior potencial de recuperação e, por conseguinte, de comercialização. Podem ainda representar diversos ganhos para a sociedade na perspectiva da sustentabilidade urbana quando contribui para geração de trabalho e renda, inclusão social e cidadania aos catadores envolvidos.

Segundo pesquisa do IPEA (2010) diversos benefícios ambientais foram atribuídos a reciclagem, entre eles os associados à redução do consumo de energia, uma vez que ao diminuir a necessidade de intensivas energias para produção de matéria-prima virgem, pode proporcionar substancial economia de energia para toda sociedade.

Além destes destaca-se os benéficos ligados a redução do consumo de água – ciclo hidrológico, preservação da biodiversidade e de recursos não madeireiros. Neste caso, especialmente na produção de aço e papel a partir de matérias-primas virgens que necessita de intensiva e extensa utilização de áreas de florestas plantadas, diminuindo as áreas de florestas nativas. A reciclagem possibilita menor área de florestas plantadas com espécies exóticas, o

(21)

que viabiliza a existência de florestas nativas e, com isso, maior proteção da biodiversidade, assim como a exploração de recursos não madeireiros de maneira sustentável.

Ainda segundo a pesquisa os autores afirmam:

A interpretação dos benefícios ambientais gerados pela reciclagem é a de que, em termos ambientais, a reciclagem de uma tonelada de cada um dos materiais, ao evitar a produção de uma tonelada do material a partir de matérias-primas virgens, reduziria, pelo respectivo valor, os danos causados ao meio ambiente. Em outras palavras, ao reciclar, a sociedade se beneficiaria por ter um meio ambiente mais limpo, e o valor que se atribui ao bem-estar produzido por isso está refletido (CARLEAL; CRUZ, 2010, p. 20).

Contudo, poucos municípios dispõem de programas de coleta seletiva institucionalizados em seus sistemas de limpeza pública, geralmente são implantados e operacionalizados na forma de programa-piloto específico, articulado por organizações não governamentais e/ou pelo poder publico local.

O ideal e legal é que os programas de coleta seletiva sejam parte integrante do Plano de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos Urbanos, no entanto, a coleta seletiva vem sendo gradativamente implantada em diversos locais, tais como: condomínios, clubes, escolas, empresas, entre outros.

Seguindo as orientações do CEMPRE (2007), um programa de Coleta Seletiva pode ser sistematizado nas seguintes fases: (1) Diagnóstico; (2) Planejamento; (3) Implantação; (4) Operação e Monitoramento; (5) Análise de benefícios.

No tocante a modalidade de coleta, o CEMPRE aponta para quatro tipos:

a) Coleta porta-a-porta – veículos coletores diferenciados percorrem os domicílios em horários e dias específicos;

b) Posto de Entrega Voluntário (PEV) – Contêineres ou pequenos depósitos dispostos em pontos fixos nos bairros, onde as pessoas depositam espontaneamente os recicláveis no local apropriado;

c) Posto de Troca – consiste na troca de materiais recicláveis por bens ou benefícios; e, d) Coleta com a participação dos catadores – consiste na utilização do trabalho dos catadores organizados em cooperativas ou associação, bem como os catadores autônomos, apoiados pelo poder público ou não, os quais recolhem os materiais recicláveis dispostos em via pública, segregado ou não, oriundo de domicílios, ou estabelecimentos comerciais ou empresas doadoras, utilizando-se de carrinhos de tração manual ou de transporte veicular.

(22)

Esta modalidade pode ser subdividida em:

a) Coleta Seletiva feita com carrinhos de tração manual: consiste no trabalhador autônomo atuando de forma isolada ou em pequenos grupos familiar e vende seu produto a sucateiros diariamente; e,

b) Coleta Seletiva realizada por organização de trabalhadores da Reciclagem: consiste em um grupo de trabalhadores da reciclagem organizados sob a forma de cooperativa ou associação visando garantir melhores condições de trabalho e renda para todos.

Neste contexto, para Dias (2001) aos poucos as administrações municipais brasileiras têm adotado o gerenciamento integrado dos resíduos sólidos fomentando a inclusão social de catadores, até mesmo de catadores presente nos lixões, e articulado um conjunto de ações normativas e operacionais para coletar, separar, tratar e dispor os resíduos sólidos.

Quando isto acontece, geralmente, a prefeitura disponibiliza recursos logísticos (galpão de triagem, equipamentos e material) necessários para operacionalização do sistema de coleta, triagem, beneficiamento e comercialização dos materiais recicláveis promovendo, assim, trabalho e renda aos catadores organizados.

Nas modalidades Posto de Entrega Voluntária e Posto de Trocas – periodicamente o material recolhido é transportado para o galpão de triagem da cooperativa ou associação de catadores organizados para posterior beneficiamento e comercialização.

Na modalidade de Coleta Seletiva por Organizações de Trabalhadores da Reciclagem o material doado e coletado é transportado ao galpão de triagem, beneficiado e comercializado pela própria cooperativa ou associação, sem interferência do Poder Público.

Desta forma, o CEMPRE em seu guia de gestão de resíduos sólidos sugere que para planejar e estabelecer um programa de coleta seletiva se faz necessário analisar os vários aspectos identificados no diagnóstico da situação atual com vistas a escolher, entre os vários tipos de programas existentes, o que melhor se adapta ao município.

Dependendo da estratégia de programa a ser adotada, a população pode ser orientada sob a forma de segregação a ser utilizada: segregar os resíduos na fonte, acondicionando-os por cada tipologia específica (plástico, metal, vidro, papel, orgânico) ou por grupos de materiais (materiais recicláveis e demais resíduos, incluindo o orgânico).

Para tanto, é importante que nos programas de coleta seletiva sejam considerados ações e/ou projetos de Educação Ambiental, os quais devem privilegiar soluções voltadas à conscientização e educação da comunidade estimulando a adoção de princípios e atitudes

(23)

visando à minimização da geração de resíduos na perspectiva da sustentabilidade urbana. No tocante ao cenário de operacionalização dos Programas de Coleta Seletiva no Brasil, embora, a questão ambiental esteja amplamente difundida pelos grandes meios de comunicação, a maior parte das iniciativas e ações de Coleta Seletiva é informal.

No Estado do Pará, segundo pesquisa da CICLOSOFT, realizada em 2010 pelo Compromisso Empresarial para a Reciclagem – CEMPRE apenas a cidade de Belém, dentre os municípios da Região Metropolitana de Belém desenvolve o Programa.

O Governo Federal, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano – SEDU contratou um estudo intitulado “Avaliação Técnico-Econômica e Social de Sistemas de Coleta Seletiva de Resíduos Sólidos Urbanos existentes no Brasil”. (SEDU, 2002).

De acordo com o estudo, realizado em 2002, pelos pesquisadores da PUC-PR/ISAM verificou-se que a maioria dos programas em execução tratava-se de experiências-piloto com iniciativas pontuais organizadas pelo poder público, iniciativa privada, ONG´s, associação de moradores, ou desenvolvidas em escolas, condomínios, bairros e empresas.

A pesquisa identificou que, na maior parte dos municípios os programas/projetos de coleta seletiva existente, os dados referenciais e estatísticos encontram-se dispersos e não sistematizados e ainda que o conceito de programa de coleta seletiva integrado ao sistema de limpeza pública urbana, conforme estabelece a legislação vigente é incipiente e tais programas/projetos atendem apenas parcialmente a população local.

Corrobora com esta informação, o CEMPRE (2010) ao afirmar que os programas/projetos de coleta seletiva em exercício atendem menos de 10% do município.

Foi examinado no estudo da SEDU que o pessoal envolvido com a coleta seletiva desconhece o custo unitário da tonelada dos materiais recicláveis de sua região devido ao elevado custo de operação da coleta, ao mercado oscilante para comercialização dos materiais recicláveis triados e à sua qualidade insatisfatória.

Constataram a falta de estudos mais detalhados sobre a caracterização dos resíduos sólidos urbanos e, consequentemente, dos recicláveis.

Nos resultados do estudo foi observado ainda que a mão de obra informal dos catadores seja a grande força motriz da coleta seletiva. Já a coleta seletiva por meio de PEV´s, as quais depende da participação efetiva da população para a doação dos materiais recicláveis, ainda está pouco difundida e consolidada no País.

A respectiva pesquisa identificou que os principais problemas relacionados à coleta seletiva referem-se a: (1) depredação dos recipientes de coleta; (2) falta de veículo apropriado para a coleta; (3) separação deficitária entre material passível de ser reciclável e demais

(24)

resíduo, inclusive o orgânico; (4) apresentação dos resíduos para a coleta em horários inadequados; (5) custo elevado na operacionalização do programa.

O Guia do CEMPRE (2007) aponta alguns fatores que contribuem para o pequeno índice de sucesso nos programas de coleta seletiva, entre eles: (1) alto custo da coleta seletiva para as municipalidades; (2) falta de um sistema corretamente dimensionado em termos de capacidade de armazenamento e processamento de resíduos nas unidades de triagem; (3) existência de mercado para o material segregado; e, (4) a credibilidade que deve ser mantida no sistema de coleta.

Zaneti e Sá [2003] ao analisarem o panorama da coleta seletiva no Brasil identificaram que os programas/projetos implantados pelo poder público restringem-se aos aspectos técnicos do sistema de gestão, descuindando-se das dimensões ambientais, sociais, políticas e educacionais instrumentos básico na busca da sustentabilidade na gestão dos resíduos sólidos urbanos.

Milanez e Teixeira (2001) propuseram um grupo de princípios de sustentabilidade específico para a gestão dos resíduos sólidos urbanos, entre eles destaca-se, conforme quadro 1 abaixo:

Quadro1 - Princípios de sustentabilidade aplicados a gestão dos RSU. VARIÁVEIS DE

ANÁLISE DESCRIÇÃO

Universalização dos serviços

Todas as pessoas devem ser atendidas pelo sistema publico de gestão de resíduos sólidos urbanos

Integração dos aspectos econômicos, ambientais e sociais na gestão

dos resíduos sólidos urbanos

aplicação das dimensões econômicas, ambientais e sociais no momento do planejamento, tomada de decisão, intervenção e controle do sistema de gestão

Cooperação e consórcio

soluções pautadas na gestão compartilhada, assim as administrações públicas municipais devem procurar agir em parceria com outros municípios e principalmente

com as demais organizações da sociedade civil e a população em geral. Adequação das

tecnologias à realidade local

Soluções tecnológicas, tanto em relação a equipamentos quanto a processos e sistemas devem ser adequadas a realidade local considerando aspectos sociais,

educacionais, financeiros, entre outros.

Gestão Participativa pautada na transparência do processo de gestão, o qual deve ser aberto à

população e aos demais agentes sociais de forma participativa Democratização da

Informação

Esclarecimento e orientação acerca das questões dos Resíduos sólidos urbanos, incluindo as dimensões ambientais, de saúde humana, consumo e desperdício

(25)

adequadas de trabalho gerenciamento de resíduos sólidos quanto às condições de trabalho oferecidas aos trabalhadores, em geral, catadores, tais como: segurança, ergonomia e valorização do

trabalho. Geração de Trabalho

e Renda

As atividades de recuperação de materiais dos RSU devem ser apoiadas pelo poder público dando prioridades as iniciativas de cooperativismo ou associativismo e, por conseguinte, promover a geração de trabalho e renda aos catadores envolvidos Preservação dos

recursos naturais

deve-se buscar a redução da geração dos resíduos na fonte. O Poder público através de programas deve priorizar a recuperação dos materiais ou energia presente

nos resíduos sólidos urbanos antes de sua disposição final Previsão dos impactos

socioambientais

Em cada etapa do sistema de gestão de resíduos sólidos urbanos, desde a coleta até sua disposição final, deverão ser avaliados os impactos sociais e ambientais

gerados na população e meio ambientes local. Recuperação de áreas

degradadas pela gestão incorreta dos resíduos sólidos

urbanos

deve-se investir na correção das ações negativas geradas no sistema de gestão a dos resíduos sólidos urbanos.

Poluidor-pagador

trata-se da co-responsabilidade pela gestão dos resíduos sólidos urbanos sendo assumidos pelos seus geradores, inclusive a população, de forma a adquirir a

efetiva consciência ambiental na busca da sustentabilidade urbana Fonte: Milanez; Teixeira (2001 apud BRINGHENTI, 2004).

Referências

Documentos relacionados

ao setor de Fisiologia Vegetal do Departamento de Biologia da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Minas Gerais, com clones pertencentes ao Instituto Agronômico de Campinas

Quando os Cristais são colocados a menos de 20 cm do nosso corpo, com uma intenção real, eles começam a detectar o que está a mais no físico, no emocional, no mental e no

As inscrições serão feitas na Comissão Permanente de Vestibular da UFMG (COPEVE), situada no Prédio da Reitoria da UFMG, à Av. Presidente Antônio Carlos, 6627 – Campus da

Observa-se que as ações para possibilitar o acesso das mulheres à APS, à realização do exame citopatológico e a promoção da saúde se dá por meio de campanhas do outubro rosa,

Using a damage scenario of a local crack in a reinforced concrete element, simulated as a stiffness reduction in a beam-element, time-series of moving-load data are useful inputs

Apresentaremos a seguir alguns resultados que serão fundamentais para obtermos uma generalização dos teoremas das seçãos anterior para uma versão com tempo contínuo. Consideremos

apresentaremos, de forma, sucinta, as relações dialógicas de Mikhail Bakhtin e a linguagem como um fenômeno social da interação verbal; na segunda, trataremos dos gêneros

Quer seja para energia em regime contínuo, de emergência (standby), de ponta ou cogeração, também chamada de aplicações de Calor e Energia Combinados (CHP), nossas soluções