UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL – UNIJUÍ
MICAEL LEAL PACHECO
IMAGEM CORPORAL: ESTUDO SOBRE IDOSOS PRATICANTES DE ATIVIDADE FÍSICA E SUAS PERCEPÇÕES
SANTA ROSA 2018
MICAEL LEAL PACHECO
IMAGEM CORPORAL: ESTUDO SOBRE IDOSOS PRATICANTES DE ATIVIDADE FÍSICA E SUAS PERCEPÇÕES
Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Curso de Educação Física da UNIJUÍ, como requisito parcial para a obtenção do grau de Bacharelado.
Orientador: Profº. Me. Mauro Bertollo
Santa Rosa 2018
UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande Do Sul DHE – Departamento de Humanidades e Educação
A Comissão Examinadora, abaixo assinada, aprova o trabalho de conclusão de curso:
IMAGEM CORPORAL: ESTUDO SOBRE IDOSOS PRATICANTES DE ATIVIDADE FÍSICA E SUAS PERCEPÇÕES
Elaborado por:
MICAEL LEAL PACHECO
Banca examinadora:
___________________________________________________ Profº. Me. Mauro Bertollo – Presidente da banca
___________________________________________________ Profª. Dra. Moane Marchesan Krug – Examinadora do trabalho
DEDICATÓRIA
Dedico esse trabalho aos meus pais que me apoiaram durante todo o percurso da Graduação, oferecendo-me apoio e suporte para que chegasse onde cheguei, o trabalho de
conclusão de curso alcançando meus objetivos.
RESUMO
Nota-se, perante revisão de literatura que a atividade física é pré-requisito essencial para um envelhecer saudável. Ainda, presume-se que a atividade física é um condicionante para a melhora da percepção da imagem corporal. Sendo assim, o estudo tem como objetivo analisar a percepção da imagem corporal de idosos praticantes de atividades físicas. Este estudo se caracterizou como quantitativo, do tipo descritivo, e teve como amostra, 21 idosos de um grupo de convivência de Santa Rosa – RS, todos eles ativos fisicamente. Para analisar o nível de atividade física foi aplicado o Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) – versão curta. Já, para análise da percepção da imagem corporal foi adaptado e aplicado o teste “A Minha imagem corporal”. Os resultados mostraram que os idosos quando questionados sobre suas percepções de condição física, habilidade corporal, saúde e aparência referente à sua imagem corporal, apresentaram respostas positivas em sua maioria. Conclusão: Por fim, correlacionando a imagem corporal com saúde, através de um paradigma biopsicossocial. Podemos perceber a importância da atividade física através dos resultados e de revisão de literatura.
SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO...7 2 REVISÃO DE LITERATURA...9 2.1 O ENVELHECIMENTO...9 2.2 ATIVIDADE FÍSICA...10 2.3 GRUPOS DE CONVIVÊNCIA...12 2.4 IMAGEM CORPORAL...13 3 METODOLOGIA...16 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO...17
4.1 NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA ...17
4.2 PERCEPÇÕES DA IMAGEM CORPORAL...18
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS...23
REFERÊNCIAS...24
APÊNDICE A: TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO...26
ANEXO A: QUESTIONÁRIO INTERNACIONAL DE ATIVIDADE FÍSICA – VERSÃO CURTA...27
ANEXO B: CLASSIFICAÇÃO DO NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA IPAQ...29
1 INTRODUÇÃO
As populações idosas vêm aumentando no mundo todo, com impressionante magnitude e velocidade, sobretudo, se comparadas a outras faixas etárias, (TRIBESS, 2006). No Brasil não é diferente, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2005), indicam que a população idosa é de 9,6% do total, havendo 16,7 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, as quais se enquadram como idosas. Segundo Maia (2016), durante o Século XX, a população idosa era abaixo de 10% da população brasileira, tendo uma média equiparada a países menos desenvolvidos. Porém, entre 2005 e 2015 subiu para 14,3%. Para Tribess (2006) a longevidade tem contribuído para esse aumento de idosos na população. Os idosos longevos são a faixa etária que mais aumenta no Brasil e no mundo, os quais são caracterizados por terem 80 anos ou mais (CRUZ apud B- KRUG, 2015). Há diversos aspectos que podem interferir para o aumento da população idosa, alguns benéficos e outros negativos. B- Krug (2015) aponta alguns, como a hereditariedade, a boa alimentação, a prática regular de atividade física, o uso do cognitivo, o convívio social, o uso de tabaco e bebidas alcoólicas, a obesidade, entre outros.
Nessa perspectiva, de acordo com Nahas (2003), cogita-se, que certas características físicas estivessem ligadas à longevidade e a boa saúde. Observando que pessoas ativas fisicamente tinham mais autonomia, mais vigor e vivessem mais. Porém, nunca tratado como questão fundamental, pois as principais causas de mortes são, historicamente, por agentes externos, como a água, esgotos, guerras, entre outros. A partir disso, com o passar dos anos, começou a haver estudos científicos ligados à atividade física. Levando em consideração que pessoas ativas vivem mais, a inatividade física representa grande número de mortes prematuras e baixo nível de qualidade de vida nas sociedades contemporâneas, principalmente em países industrializados. Considerando-se esses aspectos, para Nahas (2003) pessoas ativas fisicamente, têm uma melhor aptidão física e acabam levando vantagem perante as inativas, que têm mais chances de terem doenças cardiovasculares.
Então, como a atividade física regular mostra-se capaz de manter o indivíduo com maior capacidade funcional, melhor aptidão física, também engloba outros fatores, sociais e psicológicos. Consoante a isto, Tribess (2006) relata que, ao sentir-se autoconfiante em realizar tarefas com eficácia, o indivíduo idoso pode vir a ter uma melhor satisfação corporal, promovendo sua imagem corporal. Para Saikali et al. (2004), a imagem corporal é a forma como a mente vê o corpo.
Com base no exposto, tendo em vista que a atividade física colabora com a promoção à saúde; e à autoconfiança, busco através desse estudo verificar a contribuição da mesma para a imagem corporal de idosos, para que a partir dele possa haver futuras intervenções com essa faixa etária para uma vida com hábitos saudáveis. Contudo, pretendo responder ao seguinte problema: qual a percepção que o idoso praticante de atividade física tem de sua imagem corporal? Para responder a tal questionamento tenho como ponto de partida o objetivo de analisar a percepção da imagem corporal de idosos praticantes de atividades físicas. Posterior a isto, objetivo, especificamente, verificar a percepção de idosos praticantes de atividade física, quanto as suas condições físicas, habilidades corporais, saúde e aparência.
Para isto, organizei o presente trabalho de conclusão de curso primeiramente, com a introdução para possíveis orientações sobre o trabalho. A partir daí, apresento a revisão de literatura, com o embasamento teórico para realização das análises. Após, mostro a metodologia, que retrata como a investigação foi realizada. Em seguida, exponho os resultados e discussões, mostrando os dados obtidos e fazendo comparações com a literatura. Por fim, faço as considerações finais a respeito do presente estudo.
2 REVISÃO DE LITERATURA
Como citado anteriormente as populações idosas vêm crescendo no mundo todo, inclusive no Brasil. Dados IBGE (2005), indicam que no Brasil a população idosa é de 9,6% do total, havendo 16,7 milhões de pessoas com 60 anos ou mais as quais se enquadram como idosas. Durante o século XX no Brasil, esta população esteve abaixo dos 10% e incrivelmente entre 2000 e 2015 aumentou para 14,3% conforme indica Maia (2016). Sendo assim, a seguir, dá-se a revisão de literatura de extrema importância para a discussão e apresentação dos resultados.
2.1 O ENVELHECIMENTO
Desta forma, segundo Vilela et al. (2006), isso pode se dar por diferentes fatores, como a melhoria da condição de vida das pessoas através de saneamento básico, melhora da infraestrutura e também aumento da expectativa de vida. Segundo Langlois apud Balestra (2002), o envelhecimento é acompanhado por algumas características: a universalidade onde todo indivíduo deve passar por esse processo, a irreversibilidade que não se pode mudar o que aconteceu, o que está feito está feito. A cumulatividade em que uma consequência se soma a outra até chegar a um efeito final e a sequencialidade que o que ocorre hoje é consequência do passado e causa para o futuro.
Diante de tais características se faz necessário buscar alternativas para condições melhores de vida dessa população. Vilela, Carvalho e Araújo (2006) cita que o aumento da população idosa não significa necessariamente ser algo bom, que em alguns casos a velhice se torna sinônimo de sofrimento, pelo fato de alguns idosos serem dependentes fisicamente, sofrer com depressão, se afastar de outras pessoas, se sentirem improdutivos. O envelhecimento deve ser um processo autônomo, através da melhora da qualidade de vida. Para isso é preciso ter uma vida adequada por elementos individuais e sociais, buscando viver positivamente, vindo a ser um desafio intelectual.
O envelhecimento pode trazer sentimentos negativos, mas também positivos que lhe tragam satisfação. Néri (1993) comenta que mesmo numa fase da vida que a pessoa está sujeita a correr riscos biológicos e sociais, a mesma deve adotar à suas características capacidades que mantenham ou possam trazer o seu bem-estar novamente, podendo lhe satisfazer durante a velhice. Tal capacidade pode vir a contribuir para as transformações físicas que estão associadas a essa etapa. Vilela, Carvalho e Araújo (2006) mostra em seu
estudo que o idoso tem a representação que a velhice está acompanhada da improdutividade e também da dependência de outras pessoas. Para isso é necessário buscar uma perspectiva de vida onde se tenha hábitos saudáveis e positivos.
Sendo assim, as pessoas devem aceitar o envelhecimento, é algo natural, uma fase da vida que está prevista. Mota apud Vilela, Carvalho e Araújo (2006) diz que o envelhecer é um acontecimento implacável, o qual não pode ser amenizado. Ele está presente desde o momento em que a pessoa nasce até momento em que irá morrer. Sendo a velhice a última fase da vida. No entanto, cita que essa trajetória é diferente de indivíduo para indivíduo, tendo influência da cultura, tempo e espaço. Com tudo, é um percurso de evolução, a ser construído por cada um ao longo da trajetória da vida, dependendo de costumes e hábitos, elementos culturais e sociais.
2.2 ATIVIDADE FÍSICA
A atividade física pode ser definida como o gasto energético acima dos níveis de repouso com qualquer movimento corporal (NAHAS, 2003). É um pré-requisito para um envelhecimento ativo, pois com a chegada da velhice também acontecem alterações orgânicas segundo Moreira, Teixeira e Novaes (2014), como a diminuição da massa muscular ocasionando perda de força muscular, perda do equilíbrio corporal, diminuição da massa óssea, alterações hormonais e diminuição da visão progressivamente. Esta tem papel importante para a manutenção e promoção à saúde, influenciando na autonomia, qualidade de vida, bem-estar e independência funcional (MOREIRA, TEIXEIRA E NOVAES, 2014). Além de auxiliar para uma melhor qualidade de vida do idoso, segundo Matsuo et al. (2007), a atividade física também contribui para uma melhor percepção corporal, aumentando as capacidades físicas, funcionais, fisiológicas, cognitivas e sociais.
Diante disso, quanto maior for o nível de atividade física do individuo maior será sua aptidão física. Esta desempenha papel importante para a autonomia e independência funcional, podendo ser relacionada ao desempenho motor ou relacionada a saúde, sendo esta ultima a mais indicada para idosos. A aptidão física quando relacionada à saúde se dá através de cinco componentes, conforme Caspersen (apud Monteiro, Padovan e Gonçalves, 1999). São eles: composição corporal, resistência muscular localizada, flexibilidade, força muscular e resistência aeróbia. Para Nahas (2003), a sua importância e seus componentes variam perante interesses pessoais, idade, condições gerais de saúde e as necessidades existentes do
indivíduo. Também relata que tais componentes podem ser derivados da hereditariedade, estado de saúde, da alimentação e, principalmente, da prática de atividade física e exercícios.
A composição corporal está relacionada à quantidade e proporção dos componentes do corpo humano relata Oliveira e Santos (2012). A composição corporal como nível de gordura corporal, sendo ela dividida em gordura e massa corporal magra. Resistência muscular localizada é a capacidade de repetir um movimento num maior espaço de tempo com a mesma eficiência (NAHAS, 2003). Flexibilidade segundo Martins e Monte (2011), é a capacidade de efetuar um movimento através de uma articulação com máxima amplitude sem correr o risco de ter uma lesão. Da mesma forma Nahas (2003) define flexibilidade como mobilidade corporal, referindo-se a amplitude dos movimentos. Oliveira e Santos (2012), definem força muscular como a capacidade de gerar algum movimento particular através de fatores fisiológicos e mecânicos por uma tensão muscular perante uma resistência. Resistência aeróbia para Oliveira e Santos (2012), é a capacidade do transporte do oxigênio até os músculos e a utilização pelos mesmos. Para Nahas (2003), é a capacidade de o organismo como um todo resistir a fadiga em exercícios de média e longa distância.
Já dentre as mudanças orgânicas, como supracitado, uma grande perda para o idoso acontece no sistema sensorial motor ocasionando em uma instabilidade postural. Como consequência, passam a ter menor velocidade de deslocamento e marcha lenta. Com isso, o indivíduo tem grande risco de sofrer quedas, que têm como definição o deslocamento do corpo para um nível inferior diante da posição inicial, sendo esse involuntário. No Brasil pelo menos 30% dos idosos caem ao menos uma vez ao ano, sendo que, as quedas ocorrem mais em idosas do que em idosos. Esse é um dos principais problemas clínicos pela alta ocorrência e suas complicações, levando à um alto custo financeiro (PADOIN et al., 2010). Em seu estudo Padoin et al. (2010) também relata que idosos sedentários tendem a ter maior risco a quedas quando comparados com praticantes de atividade física. Além do mais, apresentam ter mais dores nos pés e maior medo de cair. Já os praticantes de atividades físicas apresentam ter maior mobilidade funcional, mais equilíbrio e uma melhor habilidade para a marcha, tendo o risco de queda minimizado e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida.
Nessa consoante, o envelhecimento é algo que difere de pessoa para pessoa, é um processo que não deve ser baseado apenas pela idade cronológica do individuo, as condições físicas devem ser percebidas, pois podem interferir nesse ciclo. Santos e Knijnik apud Caporicci e Neto (2010), dizem que idosos fisicamente ativos quando comparados com inativos demonstram ter idade biológica de 10 a 20 anos a menos. Sendo os mais ativos, além de ter aparência mais nova têm melhor autonomia, que segundo Moreira, Teixeira e Novaes
(2014), é viver a vida com suas próprias regras, controlando as decisões pessoais. Também cita que a autonomia está fortemente ligada as Atividades da Vida Diária (AVD) que seriam as capacidades de fazer apropria higiene pessoal, se vestir, sentar e levantar da cadeira, deitar e levantar da cama, comer, as quais são atividades básicas de existência autônoma. Além de a autonomia estar ligada as AVD, também estão conectadas com as Atividades Instrumentais da Vida Diária, sendo lavar a louça, varrer e lavar a calçada, fazer compras, cuidar da parte financeira, se automedicar, usar meios de transporte e também de comunicação. Estas atividades necessitam de habilidades motoras como força/resistência muscular e flexibilidade.
Portanto para adesão e aderência de idosos a atividades físicas se faz necessário programas que os atraem. Moreira, Teixeira e Novaes (2014) mostra que a educação é um fato importante a ser trabalhado com essa faixa etária para que tenham maior autonomização de seus desejos. Buscando os profissionais de Educação Física fazer um trabalho multiprofissional, com outros profissionais da saúde, educando-os junto de seus familiares para que haja um incentivo para a prática da atividade física. Também, exigindo do poder público, espaços capacitados a receber essa população, como calçadas, parques e praças que oportunizem e incentivem os mesmos a estarem sempre ativos.
2.3 GRUPOS DE CONVIVÊNCIA
Com essas questões associadas ao aumento da população idosa, atualmente, se faz necessário pensar em estratégias para mantê-los ativos e inseridos socialmente, sentindo-se úteis na sociedade. Uma das alternativas são Grupos de Convivência voltados para a este público. Segundo Leite, Cappellari e Sonego (2002) essa inserção de idoso em grupos tem aumentado progressivamente. Sendo que, como já citado, os idosos sentem-se improdutivos, incapazes e acabam se isolando socialmente quando chegam nessa etapa da vida. Leite, Cappellari e Sonego (2002) trás a informação de que em grupos de convivência o idoso aumenta seu contato social e integração, participando de atividades com trabalhos manuais, exercícios físicos, viagens, entre outros. Consequentemente acabam trocando informações e conhecimento, estabelecendo relações interpessoais e eliminando a solidão que sentiam antes de fazer parte do grupo.
Há Grupos de Convivência com diferentes objetivos, os quais zelam mais pela promoção a saúde através do exercício físico, outros por atividades manuais, outros por práticas esportivas, entre outros. Leite, Cappellari e Sonego (2002) mostra em seu estudo que a procura por Grupos de Convivência tem sido maior pelo público feminino. No entanto, em
grupos que visam realização de bailes como objetivo, princípio voltado a dança, a procura é grande por idosos tanto do sexo feminino como do masculino. Já para grupos de teatro e de atividades manuais a busca é baixa e praticamente visada pelo publico feminino apenas. Porém a procura por grupos que visam a promoção à saúde através de exercícios físicos a demanda de idosos é positivamente grande.
A procura por Grupos de Convivência por parte dos idosos se dá por causa de vários fatores. No estudo de Leite, Cappellari e Sonego (2002), onde foram entrevistados idosos de diferentes grupos, houve respostas diversificadas da razão de começarem a participar destes grupos. Por causa da solidão foi uma das respostas. Ainda assim, outros falam em ter melhores condições de saúde, estes através de programas de universidades. No entanto, há aqueles que só vão para grupos por causa da indicação médica, não sendo uma atitude intrapessoal. Outros motivos citados são a melhora da capacidade física, qualidade de vida e saúde mental. Voltando para o lado psicossocial então, o estudo mostra que por parte das mulheres pode melhorar sua imagem corporal, pois criam expectativas pré-eventos, se preocupam em se arrumar antecipadamente, escolhendo roupa que irão usar e como se maquiar e arrumar o cabelo.
Enfim, passam a se ver úteis após voltar a ter uma vida ativa social e fisicamente. Acabam se identificando com as atividades realizadas e aderindo a esses programas, resgatando sua cidadania. Leite, Cappellari e Sonego (2002) exemplifica que ao participar de um grupo destes, o idoso passa a ter a oportunidade de participar da gestão do mesmo, da organização, aumentando sua auto estima. Desta forma passa também a se aceitar como idoso, aceitando a faixa etária que se encontra. Por fim, melhorando suas habilidades e sendo mais eficiente e eficaz em suas AVD.
2.4 IMAGEM CORPORAL
Segundo Matsuo et al. (2007) a Imagem Corporal é a forma como nos vemos, como o corpo se apresenta para nós, através de uma construção de percepção, afeto, e fatores cognitivos. A forma de interpretar e se relacionar com o mundo através de experiências seja por sensações visuais, auditivas, olfativas, gustativas e somato-sensitivas se faz a construção da identidade corporal. Segundo Balestra (2002), essa forma de interpretar o mundo se da por valores, crenças e metas, tendo durante a trajetória do envelhecimento forte influencia do meio, sociais e culturais, mas também heranças genéticas. Sendo o envelhecer elaborações sociais permanentemente construídas através de vivências. Procurando sempre através de
propostas terapêuticas retardar a velhice, envelhecer com mais saúde, tentativas de prolongar a vida.
Balestra (2002), diz que para se ter um envelhecimento bem-sucedido, o idoso deve ter uma interação com o meio, tendo competências para executar seus projetos de vida, através da percepção da realidade. Sempre buscando conhecer o novo, com suas próprias escolhas para se ter uma boa qualidade de vida, a qual depende das condições ambientais, da avaliação subjetiva de saúde, doenças, medicamentos entre outros. A avaliação pessoal do seu bem-estar e a suas competências para as AVD. Através dessa avaliação, o indivíduo idoso compreende de forma positiva essa fase da vida, pode aceitar as mudanças, tendo hábitos saudáveis, prevenindo doenças, estabelecendo novos objetivos. Por fim aumentando seu bem-estar e qualidade de vida e adotando comportamentos compatíveis com suas necessidades perante a sociedade.
Por outro lado, a representação social do idoso está sujeita a padecer de preconceitos, estigmas e estereótipos sociais conforme Balestra (2002). Com a chegada da “Terceira Idade”, já começava haver um interesse financeiro nessa faixa etária através das mídias. Esse termo foi divulgado ao Brasil pelo SESC de São Paulo em 1977 através do programa “Escolas abertas a Terceira Idade”, o qual foi transplantado da França onde usavam tal termo para designar pessoas que ultrapassavam os 60 anos. Em uma pesquisa em Beltimore no Estados Unidos surge o termo “Melhor Idade”, o qual, o autor sintetiza que com o passar dos anos e suas individualidades a pessoa pode melhorar em qualquer setor. Porém é usado para atrair interesses econômicos, políticos, sociais e mercado de consumo (A- KRUG, 2015).
Corroborando ao estudo de B- Krug (2015), Balestra (2002) cita que esses termos tendem a demonstrar uma visão parcial sobre a velhice, mostrando apenas os lados positivos. No entanto, também diz que os clichês da vida social mostram uma imagem ameaçadora para quem está chegando nesse ciclo, a questão das incapacidades e doenças. Cita que não se devem deixar levar por tais considerações e modelos onde velhos são vistos como inúteis, inválidos, que necessitam de cuidados. Procurar manter relações interpessoais e experiências mútuas com idosos e pessoas mais jovens. Relata, ainda, estudos onde não se deve classificar as pessoas como, por exemplo, “velho” ou “jovem”, pode ser um velho vendedor, um velho carpinteiro, um velho médico, entre outras representações.
Le Boulch apud Balestra (2002), diz que a imagem corporal pode ser favorecida pelo desenvolvimento da personalidade, pelo conjunto funcional, sendo a relação entre o organismo e o meio. Ainda assim, tendo-se uma boa imagem corporal pode-se ter uma melhor compreensão para o desenvolvimento psicomotor. Para Balestra (2002), a autoimagem
governa os atos do sujeito que também pode sofrer influência de outros fatores como a hereditariedade, que traz a individualidade física e de aparência. Outro fator seria a educação, através de regras de convivência. Por fim, a autoeducação que aceita ou rejeita a influência de outros fatores e vir a agir através de suas sensações, sejam táteis, olfativas ou até mesmo de dor, sofrendo influência de seus desejos e de suas emoções.
Schilder apud Balestra (2002) disserta que a imagem corporal se faz das estruturas fisiológicas, libidinais e sociológicas. Da mesma forma diz que a imagem corporal está fortemente definida como um fenômeno social, pelo desejo de ser visto por outras pessoas e gostar disso, sentir outros corpos, conhecendo-os através do tato. Retomando as três estruturas, expões que da estrutura fisiológica inclui-se as contribuições genéticas herdadas e modificações sofridas nas outras fases da vida, sendo as inter-relações particulares a cada sujeito. Já a estrutura libidinal é o conjunto de experiências emocionais vividas através de relacionamentos e está indiretamente ligada ao grau de satisfação subjetiva. Por fim a estrutura sociológica, onde é abordado as escolhas das pessoas, a comunicação social e também olhar e expressões.
Por fim, com uma vida ativa o idoso se mantém conectado com o mundo, possibilitando-o a explorar mais seu corpo através do movimento corporal, tendo conhecimento suficiente sobre seus limites. Com uma vida ativa também se mantém longe dos distúrbios da motivação, os quais reduzem o indivíduo a novas experiências. Também com relações de troca com o meio pode acrescentar significados positivos na construção de sua imagem corporal. O autoconhecimento da imagem corporal permite a execução dos movimentos para realização de suas experiências. Um sujeito que tem a expressão limitada através de seu corpo poderá sofrer perdas no desenvolvimento motor, vindo a ter movimentos deficientes. É preciso que desenvolvam, sempre, o senso de pertinência, busca da redescoberta e do aprendizado de movimentos. Afinal a imagem corporal está sempre em processo de construção e reconstrução, pois o corpo humano é plástico, está sempre em processo de transformação.
3 METODOLOGIA
A pesquisa caracterizou-se de natureza descritiva conforme Gil (2002), cujo estudo, descreve as características de determinada população através da relação entre variáveis. Apresentou uma abordagem metodológica quantitativa, através de análise de dados dos níveis da realidade. Dessa forma, teve como tipo de delineamento adotado, estudo de campo. A população foi constituída por 21 idosos de um Grupo de Convivência de Santa Rosa – RS, sendo todos eles classificados como ativos ou muito ativos através do Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) – versão curta.
Este estudo seguiu procedimentos éticos com seus participantes. Cada sujeito preencheu e assinou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE (APÊNDICE A). Desta forma, foram informados do teor da pesquisa, garantindo-lhes o direito a anonimato e de desistência da pesquisa sem qualquer dano.
Primeiramente foi obtida a autorização da instituição mantenedora do grupo de convivência, o qual teve alguns de seus integrantes que serviram como amostra. Bem como, em seguida, falou-se com a facilitadora de atividades do grupo. A partir de então, foi repassado aos idosos o objetivo do estudo e aos que aceitaram participar da investigação foi entregue o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
A partir de então, num primeiro momento foi aplicado o Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) – versão curta1 (Anexo A), para analisar o nível de atividade física em que se encontravam, conforme classificação do nível de atividade física IPAQ (Anexo B). Após verificação mediante o questionário, foi constatado que os 21 voluntários eram ativos ou muito ativos e, portanto, poderiam participar do estudo. No segundo momento, foi adaptado e aplicado o teste “A Minha imagem corporal”2 (Anexo C), formulado por Lovo apud Monteiro (2012), o qual avalia a imagem corporal.
Os questionários foram aplicados durante as aulas de Câmbio realizadas pelo grupo. Para a análise dos dados foi utilizado o software Microsoft Excel, em uma análise de frequência acumulada exposta em percentual, para a estatística descritiva e quantitativa. Já para a aferição dos resultados qualitativos foi usado análise a partir de categorização (Bardin, 2011).
1
O instrumento é dividido em 4 seções que questionam a duração e frequência das atividades físicas realizadas na semana anterior a partir do dia que for aplicado o questionário. Por fim o individuo pode ser classificados em quatro níveis, muito ativo, ativo, irregularmente ativo e sedentário.
2
O instrumento avalia quatro itens, divididos em 20 questões que abordaram a forma como a pessoa avaliada vê seu corpo. São eles: Condição física, habilidade corporal, saúde, aparência. As questões foram respondidas em uma escala Likert, a qual os avaliados mostraram seu nível de concordância com o que estava sendo pedido.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Mediante o exposto, para a apresentação dos resultados foi feito a descrição das características gerais da amostra, segundo o nível de atividade física. Do mesmo modo, foi apresentada a percepção dos idosos quanto à imagem corporal. Demonstrando suas satisfações diante de suas condições físicas, habilidades corporais, saúde e aparência.
4.1 NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA
Os resultados relacionados às características da amostra podem ser encontrados na tabela1. Com base nesses dados é possível verificar a classificação dos indivíduos quanto ao nível de atividade física. A partir, de então, os idosos se mostraram com um bom nível de atividade física, sendo que, 76% da amostra se mostrou ser ativa, conforme classificação do IPAQ. O restante da amostra de 24% se mostrou muito ativa (tabela 1).
Tabela 1 - Características da amostra quanto ao nível de atividade física NÍVEL DE
ATIVIDADE FÍSICA
Classificação Ativo Muito Ativo
% 76 24
Fonte: o autor (2018).
Para que o sujeito fosse classificado como ativo, ele demonstrou realizar atividades moderadas ou caminhada durante cinco dias ou mais na semana, com sessões de trinta minutos ou mais. Da mesma forma, pôde demonstrar realizar atividades físicas vigorosas, ao menos, durante três dias ou mais em uma semana com sessões de vinte minutos ou mais.
Ainda, os que demonstraram ter realizado qualquer atividade somada (caminhada, atividade moderada, atividade vigorosa), durante cinco dias ou mais na semana, somando 150 minutos ou mais, também foram classificados como ativos. Já, aqueles que se demonstraram classificados como muito ativos, cumpriram atividades vigorosas durante cinco dias ou mais na semana com sessões de trinta minutos. Ou realizaram atividades vigorosas por três dias ou mais, com sessões de vinte minutos mínimos, mais atividade moderada e/ou caminhada durantes cinco dias mínimos na semana com sessões de trinta minutos ao menos.
Para tanto, foram consideradas atividades vigorosas, as quais exigem grande esforço, como por exemplo, realizar ginástica aeróbica, fazer serviços domésticos, carregar pesos elevados, atividades que aumentem muito a frequência cardíaca. De antemão, as atividades moderadas foram consideradas aquelas que aumentassem moderadamente a frequência cardíaca. Atividades que considerassem leves.
4.2 PERCEPÇÕES DA IMAGEM CORPORAL
Analisando as percepções dos idosos quanto as suas condições físicas, observou-se estatisticamente que todos idosos da pesquisa percebem ter força física. Sendo que, 29% percebem sua força física como um aspecto forte em si. Sentem a força como uma característica marcante, e 71% apenas concordam ter força física. Quando analisado a questão de deslocar-se rapidamente, apenas 10% sentem ser uma variável fraca, os outros 90% acreditam deslocar-se de maneira rápida. Quando questionados sobre a resistência à fadiga, mais de 80% responderam ter resistência. Por fim, quando analisado a percepção de flexibilidade das condições físicas, num todo, acreditam ter um corpo flexível. Esses resultados podem ser observados na tabela abaixo (Tabela 2).
Tabela 2 - Percepção da Condição Física CONDIÇÃO FÍSICA
Variáveis 0 1 2
% % %
Sinto que tenho força física 0 71 29
Sou capaz de me deslocar rapidamente 10 52 38
Sou resistente à fadiga 14 57 29
O meu corpo é flexível 0 67 33
Fonte: o autor (2018). *0 aspecto mais fraco na pessoa.
**1 concorda com a frase. ***2 aspecto mais forte na pessoa.
Conforme mostrado na Tabela 2, demonstraram-se ter boas condições físicas subjetivamente. Tanto, para parâmetros de força muscular, resistência aeróbia, flexibilidade e também velocidade de deslocamento, alguns desses, aspectos relacionados à aptidão física relacionada à saúde. Moreira, Teixeira e Novaes (2014) cita que, a faixa etária idosa tende a
ter alterações orgânicas como diminuição da massa muscular ocasionando em perda de força muscular, diminuição da massa óssea, além de perda do equilíbrio corporal. No entanto, a atividade física é um pré-requisito para amenizar esses impactos. Tendo em vista que, a amostra está classificada como ativa e muito ativa fisicamente, similarmente, compreenderam terem boas condições físicas conforme aspectos citados.
Sob o mesmo ponto de vista, Matsuo et al. (2007), indica que a atividade física proporciona uma melhor percepção corporal, melhorando as capacidades físicas, funcionais e fisiológicas. Fato este que, se assemelha aos resultados do estudo. Da mesma forma, que para sentirem-se ágeis para se deslocar, a atividade física tem grande colaboração. Padoin et al. (2010), menciona que uma das mudanças orgânicas é a instabilidade postural, através da defasagem do sistema sensorial motor. Dessa forma, ocasionando diminuição da velocidade de deslocamento e marcha lenta, havendo maior risco de queda. Já para praticantes de atividades físicas esses riscos são reduzidos, pois através dela há uma maior habilidade funcional.
Paralelamente, quando analisados os dados referentes às habilidades corporais, notou-se que todos os indivíduos percebem-notou-se com habilidade para dançar. Uma vez que, 62% acreditam que a dança é uma habilidade com aspecto forte em si. Ainda, quando questionados sobre suas habilidades para jogos, habilidades manuais e a facilidade para aprender diferentes gestos, apenas 5% compreendem ser uma habilidade com aspecto fraco. Esses resultados podem ser observados na tabela abaixo (Tabela 3).
Tabela 3 - Percepção da Habilidade Corporal HABILIDADE CORPORAL
Variáveis 0 1 2
% % %
Tenho habilidade para dançar 0 38 62
Tenho habilidade para jogos 5 28 67
Tenho habilidade manual 5 28 67
Aprendo facilmente diferentes gestos 5 43 52
Fonte: o autor (2018). *0 aspecto mais fraco na pessoa.
**1 concorda com a frase. ***2 aspecto mais forte na pessoa.
Isto é, ao menos 95 % dos idosos pesquisados acreditam ter as habilidades ou aprender facilmente diferentes gestos como citado. Balestra (2002), diz que quando se tem uma boa imagem corporal, o individuo tende a ter uma melhor compreensão para o desenvolvimento motor. Desse modo, os sujeitos pesquisados se mostram a ter boas habilidades corporais, aspecto consequente de um bom desenvolvimento motor. Igualmente, grupos de convivência podem ser fatores determinantes a melhora da imagem corporal. Segundo Leite, Cappellari e Sonego (2002), nesses grupos são feitos trabalhos manuais, os quais podem ter vindo a colaborar com a percepção da habilidade manual para a amostra submetida.
Assim como, demonstraram ter um bom condicionamento físico através de força, flexibilidade e resistência cardiorrespiratória. Com toda a certeza, tais componentes contribuem para o desenvolvimento dessas habilidades. Considerando que, a flexibilidade e força são fatores determinantes para determinados jogos. Já que, Nahas (2003) refere-se a amplitude dos movimentos como flexibilidade, cuja, mobilidade corporal. Sendo assim, Oliveira e Santos (2012), definem a força como a capacidade de gerar algum movimento diante de uma resistência. Não somente, mas também, a mobilidade corporal pode ser associada a pratica da dança.
Quanto à percepção de saúde, os resultados podem ser observados na tabela 4. Os quais mostram que os sujeitos da pesquisa, em sua totalidade, sentem-se bem dispostos e com vigor, além de terem confiança em seu corpo. Quando questionados através de um paradigma biomédico, centrado na doença, caso sentem-se assustados por ela, 67% percebe esse sentimento como um aspecto fraco, que não lhes causam pavor. No entanto, 24% concordam estarem assustados e 9% sente como um aspecto forte. Do mesmo modo, 91% acreditam ser resistente a doença e 76% replicam não se assustar com a possibilidade de adoecer. Imprevistamente, mais de 70% sente-se assustado com a possibilidade de ter uma incapacidade. Porém, 95% estima ter uma boa saúde conforme resposta ao questionamento.
Tabela 4 - Percepção da saúde SAÚDE
Variáveis 0 1 2
% % %
Sinto-me bem disposto 0 33 67
Sinto-me com vigor 0 38 62
Sinto-me assustado pela doença 67 24 9
Sinto-me assustado com a possibilidade de ter uma incapacidade
29 38 33
Sou resistente a doença 9 48 43
Não me sinto assustado com a possibilidade de adoecer
24 48 28
Tenho boa saúde 5 43 52
Tenho confiança em meu corpo 0 52 48
Fonte: o autor (2018). *0 aspecto mais fraco na pessoa.
**1 concorda com a frase. ***2 aspecto mais forte na pessoa.
Expressivamente, os sujeitos se constituíram com boa saúde, tanto para parâmetros biomédicos quando questionados, assim como, físicos. A maioria dos idosos demonstrou serem sadios através dos questionamentos, demonstrando confiança em seu corpo e não se assustando pela doença. Também, expressaram ter vigor e sentirem-se dispostos, um fator claramente fisiológico. Tribess (2006) aponta que, a estrutura fisiológica, seja ela muscular, nervosa, óssea ou hormonal, é responsável pelas inter-relações particulares. Assim, acredita-se que irá repreacredita-sentar como o sujeito irá acredita-se portar ao meio.
Toda via, quando questionados sobre medos de futuras incapacidades, a maioria atestou ter esse sentimento. Sendo assim, pode-se analisar esse fato através de um paradigma biopsicossocial. Analisando através do psicológico, trazendo uma questão multifatorial de saúde. Padoin et al. (2010), relata que idosos tendem a ter medo de cair, uma vez que, 30% dos idosos caem ao menos uma vez ao ano no Brasil. Tendo em vista que, a queda pode gerar lesões e complicações, pode ser a causa de idosos sentirem medo de futuramente vir a ter alguma incapacidade.
Por fim, a análise dos resultados da percepção da aparência pode ser visualizada na tabela 5. Visto que todos os sujeitos analisados gostam da maneira como se vestem e 95%
demonstrou gostar de sua aparência cotidiana. Em uma relação de sexualidade, do sentir-ser atrativo para pessoas de outro sexo 5% perceberam como aspecto fraco, 57% concordam em ser atrativos e os 38% restantes vêm como um aspecto forte. Dessa maneira, apenas 9% demonstraram através de suas respostas não sentir-se bem no seu corpo.
Tabela 5 - Percepção da aparência APARÊNCIA
Variáveis 0 1 2
% % %
Gosto da maneira como me visto 0 43 57
Gosto da minha aparência cotidiana 5 43 52
Sinto-me atrativo para pessoas de outro sexo 5 57 38
Sinto-me bem no meu corpo 9 29 62
Fonte: o autor (2018). *0 aspecto mais fraco na pessoa.
**1 concorda com a frase. ***2 aspecto mais forte na pessoa.
Sob o mesmo ponto de vista, a percepção da aparência ficou de conformidade com os fatores de condição física, habilidade corporal e saúde. Mostrando que a maioria dos sujeitos analisados gosta ou sente-se bem com sua aparência. Uma das possíveis causas pode ser a frequência em um grupo de convivência. Leite, Cappellari e Sonego (2002), afirma que idosos frequentadores destes grupos se preocupam com a imagem corporal com antecedência para os eventos promovidos por estas agremiações. Procuram planejar suas vestimentas, as roupas que irão usar. No caso das mulheres se preocupam com a maquiagem, em estar bem arrumadas. Estes fatores podem vir a ser determinantes para os idosos venham a gostar da maneira como se vestem e de suas aparências.
Por fim, para Balestra (2002), o desenvolvimento motor está dividido em três estruturas: fisiológicas, libidinais e sociológicas. Salienta a estrutura libidinal e sociológica para a perceptividade da aparência. Nessa esfera, a libido se constitui nas experiências emocionais através de relacionamentos, formando a satisfação subjetiva. Fator determinante para imagem da aparência, para o sentir-se bem em seu corpo. Já a sociológica, é derivada dos intercâmbios pessoais, a confraternização com outras pessoas. Isso, através da comunicação, dos gestos, até mesmo do olhar, vindo a contribuir com a percepção que se tem perante os outros, a reciprocidade.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo desta pesquisa foi analisar a percepção da imagem corporal de idosos praticantes de atividades físicas. Considerando os resultados obtidos, nota-se que os indivíduos idosos praticantes de atividade física, percebem ter uma boa imagem corporal. Correlacionando a imagem corporal com saúde, através de um paradigma biopsicossocial, podemos perceber a importância da atividade física através dos resultados e de revisão de literatura. Dessa maneira, o idoso ativo tem mais interações com o meio em que vive, assim está sempre se descobrindo mais, explorando suas percepções e limites através de seu corpo. Essas relações de trocas com o meio se tornam de fator positivo para a imagem corporal.
Logo, explorando sua corporeidade, terá um autoconhecimento de sua imagem corporal. Conforme suas capacidades físicas, poderá realizar sua atividades instrumentais de vida diária com perfeita autonomia. Viverá com suas próprias regras, podendo se vestir, fazer serviços domésticos, realizar a própria higiene pessoal, se transportar. O individuo se sentirá totalmente útil. Por conseguinte, sendo um sujeito ativo, segundo Caporicci e Neto (2010), apresentará ter idade biológica de 10 a 20 anos a menos.
Enfim, um sujeito que tem a expressão limitada através de seu corpo poderá sofrer perdas no desenvolvimento motor, vindo a ter movimentos deficientes. É preciso que desenvolvam, sempre, o senso de pertinência, busca da redescoberta e do aprendizado de movimentos. Afinal a imagem corporal está sempre em processo de construção e reconstrução, pois o corpo humano é plástico, está sempre em processo de transformação.
REFERÊNCIAS
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Atividades físicas. Universidade Federal de Campinas, 2002. Disponível em:
<http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/EDUCACAO_FI SICA/dissertacao/Balestra_imagem_corporal.pdf>. Acesso em: 07 jul. 2018.
CAPORICCI, S.; NETO, M.F.O. Estudo comparativo de idosos ativos e inativos através da
avaliação das atividades da vida diária e medição da qualidade de vida. Motricidade, vol. 7,
núm. 2, 2010, pp. 15-24, Vila Real, Portugal. Disponível em:
<http://www.revistamotricidade.com/arquivo/2011_vol7_n2/v7n2a03.pdf>. Acesso em: 07 jul. 2018.
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A- KRUG, M. M. Gerontologia e Geriatria: conceitos e terminologias. 27 de Junho de 2015. 26 slides. Material apresentado para a disciplina de Atividade Física e envelhecimento no curso de Educação Física da Unijuí.
B- KRUG, M. M. Longevidade. 27 de Junho de 2015. 15 slides. Material apresentado para a disciplina de Atividade Física e envelhecimento no curso de Educação Física da Unijuí. LEITE, M. T.; CAPPELLARI, V. T.; SONEGO, J. Mudou, mudou tudo na minha vida:
experiências de idosos em grupos de convivência no município de Ijuí/RS. Revista Eletrônica
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VILELA, A. B. A.; CARVALHO, P. A. L.; ARAÚJO, R. T. Envelhecimento bem-sucedido:
representação de idosos. Rev.Saúde.Com 2006; 2(2): 101-114. Disponível em:
APÊNDICE A: TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Prezado (a) Senhor (a):
Estou desenvolvendo uma pesquisa/estudo denominada, provisoriamente, “Imagem
corporal: estudo sobre idosos praticantes de atividade física e suas percepções”. Este
trabalho é parte dos estudos do Trabalho de Conclusão de Curso que será apresentado ao Curso de Educação Física da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul - Unijuí - Campus Santa Rosa, requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Educação Física. A investigação tem como objetivo analisar a imagem corporal de idosos praticantes de atividades físicas. Sendo assim, estou convido-o a participar deste trabalho, respondendo um questionário.
O seu anonimato estás assegurado e suas informações/relatos serão tratados com sigilo absoluto, podendo você ter acesso a elas e realizar qualquer modificação no seu conteúdo, se julgar necessário. Você tem a liberdade para recusar participar da pesquisa ou afastar-se dela, em qualquer fase, sem que isso implique em danos pessoais. Está garantido que você não terá nenhum tipo de despesa material ou financeira durante o desenvolvimento da pesquisa, como também, nenhum constrangimento moral decorrente dela. Como pesquisador, assumo toda e qualquer responsabilidade no decorrer da pesquisa e garanto-lhe que suas informações somente serão utilizadas para o estudo acima mencionado. Se houver dúvidas quanto a sua participação, poderá solicitar esclarecimentos.
Eu__________________________________________RG______________________
ciente das informações recebidas, aceito participar da pesquisa, concedendo entrevista ao pesquisador – Acadêmico Micael Leal Pacheco (Fone: 55 99113-6703), sob orientação do professor Mauro Bertollo, vinculado ao Curso de Educação Física da Unijuí ( Fone: 55 3511-5200) autorizando-o a utilizar as informações, sem restrições de prazo ou citações, a partir da presente data, desde que seja garantido o sigilo e anonimato.
Santa Rosa, _______de_______________ de 2018.
_______________________________________________
ANEXO A: QUESTIONÁRIO INTERNACIONAL DE ATIVIDADE FÍSICA – VERSÃO CURTA
Questionário Internacional de Atividade Física – Versão Curta
Nome:_______________________________________________________ Data: ______/ _______ / ______ Idade: ______ Sexo: F ( ) M ( )
Nós estamos interessados em saber que tipos de atividade física as pessoas fazem como parte do seu dia a dia. Este projeto faz parte de um grande estudo que está sendo feito em diferentes países ao redor do mundo. Suas respostas nos ajudarão a entender que tão ativos nós somos em relação à pessoas de outros países. As perguntas estão relacionadas ao tempo que você gasta fazendo atividade física na ÚLTIMA semana. As perguntas incluem as atividades que você faz no trabalho, para ir de um lugar a outro, por lazer, por esporte, por exercício ou como parte das suas atividades em casa ou no jardim. Suas respostas são MUITO importantes. Por favor responda cada questão mesmo que considere que não seja ativo. Obrigado pela sua participação!
Para responder as questões lembre que:
� atividades físicas VIGOROSAS são aquelas que precisam de um grande esforço físico e que fazem respirar MUITO mais forte que o normal;
� atividades físicas MODERADAS são aquelas que precisam de algum esforço físico e que fazem respirar UM POUCO mais forte que o normal;
Para responder as perguntas pense somente nas atividades que você realiza por pelo menos 10 minutos contínuos de cada vez.
1a Em quantos dias da última semana você CAMINHOU por pelo menos 10 minutos contínuos em casa ou no trabalho, como forma de transporte para ir de um lugar para outro, por lazer, por prazer ou como forma de exercício?
Dias _____ por SEMANA ( ) Nenhum
1b Nos dias em que você caminhou por pelo menos 10 minutos contínuos quanto Tempo no total você gastou caminhando por dia?
Horas: ______ Minutos: _____
2a. Em quantos dias da última semana, você realizou atividades MODERADAS por pelo menos 10 minutos contínuos, como por exemplo pedalar leve na bicicleta, nadar, dançar, fazer ginástica aeróbica leve, jogar vôlei recreativo, carregar pesos leves, fazer serviços domésticos na casa, no quintal ou no jardim como varrer, aspirar, cuidar do jardim, ou
qualquer atividade que fez aumentar moderadamente sua respiração ou batimentos do coração (POR FAVOR NÃO INCLUA CAMINHADA)
Dias _____ por SEMANA ( ) Nenhum
2b. Nos dias em que você fez essas atividades moderadas por pelo menos 10 minutos contínuos, quanto tempo no total você gastou fazendo essas atividades por dia?
Horas: ______ Minutos: _____
3a Em quantos dias da última semana, você realizou atividades VIGOROSAS por pelo menos 10 minutos contínuos, como por exemplo correr, fazer ginástica aeróbica, jogar futebol, pedalar rápido na bicicleta, jogar basquete, fazer serviços domésticos pesados em casa, no quintal ou cavoucar no jardim, carregar pesos elevados ou qualquer atividade que fez aumentar MUITO sua respiração ou batimentos do coração.
Dias _____ por SEMANA ( ) Nenhum
3b Nos dias em que você fez essas atividades vigorosas por pelo menos 10 minutos contínuos quanto tempo no total você gastou fazendo essas atividades por dia?
Horas: ______ Minutos: _____
Estas últimas questões são sobre o tempo que você permanece sentado todo dia, no trabalho, na escola ou faculdade, em casa e durante seu tempo livre. Isto inclui o tempo sentado estudando, sentado enquanto descansa, fazendo lição de casa visitando um amigo, lendo, sentado ou deitado assistindo TV. Não inclua o tempo gasto sentando durante o transporte em ônibus, trem, metrô ou carro.
4a. Quanto tempo no total você gasta sentado durante um dia de semana? Horas: ______ Minutos: _____
4b. Quanto tempo no total você gasta sentado durante em um dia de final de semana?
ANEXO B: CLASSIFICAÇÃO DO NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA IPAQ
CLASSIFICAÇÃO DO NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA IPAQ
1. MUITO ATIVO: aquele que cumpriu as recomendações de: a) VIGOROSA: ≥ 5 dias/sem e ≥ 30 minutos por sessão
b) VIGOROSA: ≥ 3 dias/sem e ≥ 20 minutos por sessão + MODERADA e/ou CAMINHADA: ≥ 5 dias/sem e ≥ 30 minutos por sessão.
2. ATIVO: aquele que cumpriu as recomendações de: a) VIGOROSA: ≥ 3 dias/sem e ≥ 20 minutos por sessão; ou
b) MODERADA ou CAMINHADA: ≥ 5 dias/sem e ≥ 30 minutos por sessão; ou c) Qualquer atividade somada: ≥ 5 dias/sem e ≥ 150 minutos/sem (caminhada + moderada + vigorosa).
3. IRREGULARMENTE ATIVO: aquele que realiza atividade física, porém insuficiente para ser classificado como ativo pois não cumpre as recomendações quanto à frequência ou duração. Para realizar essa classificação soma-se a frequência e a duração dos diferentes tipos de atividades (caminhada + moderada + vigorosa). Este grupo foi dividido em dois subgrupos de acordo com o cumprimento ou não de alguns dos critérios de recomendação:
IRREGULARMENTE ATIVO A: aquele que atinge pelo menos um dos critérios da recomendação quanto à frequência ou quanto à duração da atividade:
a) Frequência: 5 dias /semana ou b) Duração: 150 min / semana
IRREGULARMENTE ATIVO B: aquele que não atingiu nenhum dos critérios da recomendação quanto à frequência nem quanto à duração.
4. SEDENTÁRIO: aquele que não realizou nenhuma atividade física por pelo menos 10 minutos contínuos durante a semana.
ANEXO C: TESTE - A MINHA IMAGEM CORPORAL
Teste: A minha Imagem Corporal
� Este questionário visa saber qual é a sua opinião sobre a sua Imagem Corporal � Deve responder tomando em atenção como vê e sente o seu corpo presentemente. Marque 0 quando achar que é um aspecto mais fraco em você.
Marque 1 quando você concordar com a frase.
Marque 2 quando achar que é um aspecto mais forte em você.
Faça um X em cima da opção que melhor corresponde ao que sente e vê seu corpo. Idade:__________________Sexo:_________________ Identificação:
1. Condição Física
1.1. Sinto que tenho força física 0 1 2
1.2 Sou capaz de me deslocar rapidamente 0 1 2
1.3 Sou resistente a fadiga 0 1 2
1.4 O meu corpo é flexível 0 1 2
2 Habilidade corporal
2.1 Tenho habilidade para dançar 0 1 2 2.2 Tenho habilidades para jogos 0 1 2
2.3 Tenho habilidade Manual 0 1 2
2.4 Aprendo facilmente diferentes gestos 0 1 2
3.Saúde
3.1 a) Sinto-me bem disposto 0 1 2
3.1. b) Sinto-me com vigor 0 1 2
3.2 a) Sinto–me assustado pela doença 0 1 2
3.2.b) Sinto-me assustado com a possibilidade de ter uma incapacidade 0 1 2
3.3 a) Sou resistente a doença 0 1 2
3.3 b) Não me sinto assustado com a possibilidade de adoecer 0 1 2
3.4 a) Tenho boa saúde 0 1 2
4. Aparência
4.1 Gosto da maneira como me visto 0 1 2 4.2 Gosto da minha aparência cotidiana 0 1 2 4.3 Sinto-me atrativo para pessoas de outro sexo 0 1 2