UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO
GRANDE DO SUL – UNIJUI
DJENIFER ANDRESSA BUCHHOLZ
AVALIAÇÃO DA SATISFAÇÃO DOS USUÁRIOS DE SISTEMAS
DE AQUECIMENTO SOLAR DA ÁGUA EM EDIFÍCIOS
MULTIFAMILIARES NA CIDADE DE SANTA ROSA - RS
Santa Rosa 2018
DJENIFER ANDRESSA BUCHHOLZ
AVALIAÇÃO DA SATISFAÇÃO DOS USUÁRIOS DE SISTEMAS DE
AQUECIMENTO SOLAR DA ÁGUA EM EDIFÍCIOS
MULTIFAMILIARES NA CIDADE DE SANTA ROSA - RS
Trabalho de Conclusão de Curso de Engenharia Civil apresentado como requisito parcial para obtenção do título de Engenheiro Civil.
Orientador(a): Prof. Dr. Giuliano Crauss Daronco
Santa Rosa 2018
DJENIFER ANDRESSA BUCHHOLZ
AVALIAÇÃO DA SATISFAÇÃO DOS USUÁRIOS DE SISTEMAS
DE AQUECIMENTO SOLAR DA ÁGUA EM EDIFÍCIOS
MULTIFAMILIARES NA CIDADE DE SANTA ROSA - RS
Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado para a obtenção do título de ENGENHEIRO CIVIL e aprovado em sua forma final pelo professor orientador e pelo membro da banca examinadora.
Santa Rosa, 21 de dezembro de 2018
Prof. Dr. Giuliano Crauss Daronco Pós-Doutor pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) - Orientador Prof. Msc. Mauro Fonseca Rodrigues Coordenador do Curso de Engenharia Civil/UNIJUÍ
Agradeço a Deus por tudo que me fora concedido.
AGRADECIMENTOS
Ao meu orientador, Prof. Dr. Giuliano Crauss Daronco, pela colaboração, dedicação, amizade e incentivo para alcançar este objetivo.
Aos envolvidos diretamente na pesquisa, obrigado por me receberem e gentilmente cederem um pouco de seu tempo.
Aos meus amigos e colegas da UNIJUI, que sempre estiveram junto comigo me apoiando, auxílio e incentivando ao longo de minha formação.
A toda minha família, pelo apoio e incentivos durante minha formação acadêmica, em particular a minha cunhada Kedlen Adams e meus irmãos Djone Buchholz e Djulio Buchholz que auxiliaram diversas vezes, e aos meus pais Armando Buchholz e Eleni Buchholz que sempre estiveram ao meu lado me incentivando a prosseguir pela realização de meus sonhos.
Feliz é a pessoa que acha a sabedoria e que consegue compreender as coisas, pois isso é melhor do que a prata e tem mais valor do que o ouro.
RESUMO
BUCHHOLZ, Djenifer Andressa. Avaliação da satisfação dos usuários de sistemas de aquecimento solar da água em edifícios multifamiliares na cidade de Santa Rosa - RS. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso. Curso de Engenharia Civil, Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, Santa Rosa, 2018.
Percebe-se atualmente a importância na utilização de novas fontes de energias sustentáveis, sendo essas incentivadas por programas governamentais, visando a redução principalmente do consumo de energia elétrica. Com isso, os sistemas de aquecimento solar da água visam substituir os chuveiros elétricos. Dessa forma, o estudo aborda a eficiência do sistema de aquecimento solar através do ponto de vista do consumidor em dois edifícios residenciais na cidade de Santa Rosa- Rio Grande do Sul. Portanto, delimitou-se como objetivo geral: avaliar a satisfação dos usuários de sistemas de aquecimento solar de água em edifícios residenciais através de pesquisa de satisfação de clientes. Afim de atingir o objetivo proposto, optou-se por uma pesquisa do tipo exploratória, em que o procedimento de coleta se caracteriza como estudo de caso e a natureza dos dados como qualitativa. As fontes de informações utilizadas foram de dados primários por meio de entrevistas. Os resultados foram obtidos por meio revisão bibliográfica e dados levantados em campo através de questionários, considerando dois edifícios residenciais com sistemas de aquecimento da água parecidos, porém com idades diferentes (1º com 4 anos e o 2º com 8 meses). Para tanto, a entrevista foi realizada com base em três etapas relacionando dados gerais do edifício, dados pessoais de cada entrevistado e opiniões pessoais sobre o sistema de aquecimento da água. Assim sendo, verificou-se que o sistema de aquecimento solar da água, pelo ponto de vista dos usuários é eficiente, pois este conta com um sistema secundário de aquecimento da água que supre a ineficiência do aquecimento solar. No entanto, considerando os gastos gerados pelo sistema solar e pelo sistema secundário, muitos usuários deixam de usar parcialmente o sistema de aquecimento solar da água, por considerarem que este gera um desperdício de água potável e gera também gastos excessivos com o sistema secundário em períodos frios e chuvosos.
Palavras-chave: sistema de aquecimento solar, energia elétrica, eficiência energética, pesquisa de satisfação.
ABSTRACT
BUCHHOLZ, Djenifer Andressa. Evaluation of the user satisfaction with solar water heating systems in multi-family residential buildings in the city of Santa Rosa- RS. 2018. Undergraduate Dissertation. Civil Engineering. Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil - UNIJUÍ, Santa Rosa, 2018
Nowdays, the importance of sustainable energy sources is recognized, and these are encouraged by government programs, aiming at reducing mainly the consumption of electric energy. With this in mind, the solar water heating systems aim to replace the electric showers. So this study is about the efficiency of the solar heating system through the consumer's point of view on two residential buildings in the city of Santa Rosa- Rio Grande do Sul. So, it was delimited as a general objective: to evaluate the satisfaction of users of solar water heating systems in residential buildings through a research about the satisfaction of the users. In order to reach the proposed objective, we opted for exploratory research, in which the collection procedure is characterized as a case study and the nature of the data, qualitative. The sources of information used were data obtained through interviews and surveys. The results were obtained through bibliographic review and data collected in the field through the sources we had, considering two residential buildings with similar water heating systems, but with different ages (1 was 4 years old and the other 8 months old). That said, the interview was conducted based on three steps relating general data of the building, personal data of each subject and personal opinions on the heating system water. Therefore, it has been verified that the solar water heating system, from the point of view of the users is efficient, as it has a secondary water heating system that is turned on when the solar heating is inneficient or insufficient. However, considering the costs generated by the solar system and by the secondary system, many users do not use the solar water heating system partially because they believe the solar system wastes to much water and also is too expensive combined with the secondary system at cold and rainy periods.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Sistema de aquecimento solar predial ... 23
Figura 2:Coletor solar Plano ... 24
Figura 3:Coletor solar Plano ... 25
Figura 4: Processo de elaboração de um questionário ... 31
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 - Amostragem esperada x atingida ...45
Gráfico 2 - Amostragem esperada x atingida ... ... 45
Gráfico 3 – Renda familiar edifício A ... 46
Gráfico 4 - Renda familiar edifício B ... 46
Gráfico 5 - Equipamentos instalados edifício A ... 47
Gráfico 6 - Equipamentos instalados edifício B ... 48
Gráfico 7 - Utilização da água aquecida no Edifício A ... 50
Gráfico 8 - Utilização da água aquecida no edifício B ... 50
Gráfico 9 - Funcionamento adequado em relação as estações climáticas no edifício A ... 51
Gráfico 10 - Funcionamento adequado em relação as estações climáticas no edifício B ... 52
Gráfico 11 - Avaliação quanto a temperatura na primavera no edifício A... 53
Gráfico 12 - Avaliação quanto a temperatura no verão no Edifício A ... 53
Gráfico 13 - Avaliação quanto a temperatura no outono no edifício A ... 54
Gráfico 14 - Avaliação quanto a temperatura no inverno no edifício A ... 54
Gráfico 15 - Avaliação quanto a temperatura na primavera no edifício B ... 55
Gráfico 16 - Avaliação quanto a temperatura no verão no edifício B ... 56
Gráfico 17 - Avaliação quanto a temperatura no outono no Edifício B ... 56
Gráfico 18 - Avaliação quanto a temperatura no inverno no edifício B... 57
Gráfico 19 - Equipamento utilizado para aquecer a água no edifício A... 59
Gráfico 20 - Equipamento utilizado para aquecer a água no edifício B ... 59
Gráfico 21 - Equipamento utilizado para aquecer a água no edifício A... 60
Gráfico 22 - Equipamento utilizado para aquecer a água no edifício B ... 61
LISTA DE SIGLAS
ANEEL Agência Nacional de Energia Elétrica ºC Grau Celsius
CPVC Cloreto de polivinílico clorado
INMETRO Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial PEX Polietileno reticulado
PNEf Plano nacional de eficiência energética PPR Polipropileno random
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ... 14 1.1 JUSTIFICATIVA ... 14 1.2 DELIMITAÇÃO DO TEMA ... 17 1.3 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA ... 17 1.4 OBJETIVOS ... 18 1.4.1 Objetivo Geral ... 18 1.4.2 Objetivos Específicos ... 18 2 EMBASAMENTO TEÓRICO ... 19 2.1 USO DA ENERGIA ... 192.2 SISTEMAS DE AQUECIMENTO DA ÁGUA ... 20
2.2.1 Sistema de aquecimento da água com chuveiro elétrico ... 20
2.2.2 Sistema de aquecimento solar da água ... 21
2.2.3 Sistema de aquecimento solar com sistema secundário a gás ... 21
2.3 CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE AQUECIMENTO DA ÁGUA ... 22
2.4 PERDA DE CALOR DO SISTEMA ... 25
2.5 PRINCIPAIS MATERIAIS E COMPONENTES UTILIZADOS NAS REDES DE TUBULAÇÕES DE ÁGUA QUENTE ... 26
3 METODOLOGIA ... 27
3.1 ESTRATÉGIA DE PESQUISA ... 27
3.2 DIRETRIZES GERAIS ... 27
3.3 MATERIAIS ... 28
3.3.1 Pesquisa através de questionários ... 28
3.3.1.1Elaboração de Questionários ... 30
3.3.1.2Tamanho da amostra ... 33
3.3.1.4Trabalho de campo ... 34
3.3.1.5Preparação de Dados ... 35
3.3.1.6Preparação e elaboração de um relatório ... 36
3.3.2 Método de abordagem ... 36
3.4 DELINEAMENTO ... 38
4 ESTUDO DE CASO ... 39
4.1 ELABORAÇÃO DO QUESTIONÁRIO ... 39
4.1.1 Definição da informação necessária para elaboração do questionário ... 39
4.1.2 Definição da amostragem ... 40
4.1.3 Elaboração das perguntas ... 41
4.2 TRABALHO DE CAMPO ... 43
4.2.1 Aplicação dos questionários ... 43
4.2.2 Coleta de dados sobre o sistema instalado ... 44
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 45
5.1 ANÁLISE QUANTO AOS EQUIPAMENTOS INSTALADOS NOS APARTAMENTOS ... 47
5.2 ANÁLISE QUANTO A EFICIÊNCIA DO SISTEMA DE AQUECIMENTO SOLAR DA ÁGUA EM RELAÇÃO AS ESTAÇÕES CLIMÁTICAS ... 50
5.3 ANÁLISE QUANTO O SISTEMA SECUNDÁRIO DE AQUECIMENTO SOLAR DA ÁGUA... ... 57
5.4 ANÁLISE GERAL DO SISTEMA DE AQUECIMENTO SOLAR DA ÁGUA ... 60
6 CONCLUSÃO ... 64
REFERÊNCIAS ... 67
APÊNDICE A …. ... 69
APÊNDICE B …. ... 71
1
INTRODUÇÃO
O presente Trabalho de Conclusão de Curso foi desenvolvido na área de instalação hidrossanitária e trata do ensaio sobre a satisfação dos usuários de instalações de aquecimento solar em edifícios residenciais, realizado pela acadêmica Djenifer Andressa Buchholz, sob orientação do professor Dr. Giuliano Crauss Daronco.
Esta pesquisa tem por objetivo analisar a satisfação dos usuários de equipamentos de aquecimento solar da água em edifícios residenciais na cidade de Santa Rosa – RS. A análise se dará quanto aos diferentes tipos de equipamentos utilizados para o sistema principal e secundário de aquecimento da água e, quanto as quatro estações climáticas. 1.1 JUSTIFICATIVA
Atualmente no Brasil, se tem como maior fonte geradora de energia elétrica, as usinas hidrelétricas. Isso se deve a grande capacidade hidráulica existente no Brasil. Assim sendo, 60,3% da energia gerada no país é proveniente de usina hidrelétrica. (ANEEL, 2017).
Em 2007 esse percentual era equivalente a 90% da energia gerada em todo país. Nesse mesmo ano constatou-se que, o consumo residencial era cerca de 22% do total de energia elétrica produzida. Com a demanda aumentando gradativamente, o governo e as entidades responsáveis pela preservação ambiental, começaram a disseminar ainda mais a busca por fontes de energia sustentáveis e que causassem menos impactos no meio ambiente. (RAIMO, 2007).
Pode-se notar que em cerca de 10 anos o percentual de eletricidade produzida no Brasil não se restringe mais apenas as usinas hidrelétricas, que chegava a atingir 90% da produção, mas hoje a produção hidrelétrica chega a ser em torno de 63,8% da geração total de eletricidade. Isso se deve ao aumento da quantidade de energia produzida e à implementação de novas fontes geradoras de energia, como por exemplo as usinas termoelétricas, termonucleares, centrais de energia eolielétrica (EOL) e central geradora solar fotovoltaica, totalizando os outros 36,2% gerados. (ANEEL, 2017).
Em busca de novas soluções energéticas estimuladas pela crise energética ocorrida em 2001, onde notou-se que a demanda de energia estava se tornando insuficiente para a quantidade que a população necessitaria. Desta feita, foi criado o Plano Nacional de Eficiência Energética, que visou buscar fontes alternativas de geração de
energia, incentivando o uso de sistemas de energia renovável como aquecimento solar, energia eólica, energia solar fotovoltaica, entre outros. (PNEF, 2011).
Através de pesquisas realizadas pelo Ministério de Minas e Energia, juntamente com a ANEEL e PROCEL, observou-se que o segundo maior consumo de eletricidade no país era pertinente ao setor residencial, cerca de 23,8% do consumo nacional (BALANÇO ENERGÉTICO NACIONAL, 2011). Sendo que uma boa parcela desse uso se devia aos chuveiros elétricos, que em sua grande maioria eram e ainda são utilizados em horários denominados de “pico”, pelo fato de serem utilizados simultaneamente por milhares de pessoas, gerando um congestionamento na demanda de energia. (PNEf, 2011).
Estando ciente desse problema na distribuição de energia elétrica, o Ministério de Minas e Energia buscou tomar providencias para a redução do uso de eletricidade, primeiramente nas residências, focando no horário de pico. Tomando como base o Plano Nacional de Eficiência Energética (PNEf), criado com o propósito de instrumento de pesquisas para diversas áreas e segmentos, evidenciando a distribuição e produção de energia elétrica. Assim sendo, uma dessas pesquisas foi direcionada a necessidade de incentivar o uso de aquecimento solar de água em troca do uso dos chuveiros elétricos. (PNEF, 2011).
Desse modo, o uso de sistemas de aquecimento solar de água em residências familiares, teve por intuito a redução de uso de chuveiros elétricos, gerando uma economia na eletricidade provinda de usinas hidrelétricas. Segundo a PROCEL (2005 apud PNEf, 2011), os chuveiros são responsáveis por 18% do consumo nacional de energia elétrica residencial e, correspondem a 6% da demanda do sistema em horário de pico, relatou que 42% dos chuveiros elétricos eram ligados entre as 18 e 19 horas.
Assim, o plano do governo tem o propósito de incentivar a população a aderir o uso de energias renováveis, para diminuir o consumo de eletricidade provinda maioritariamente de usinas hidrelétricas. Então, essa energia que pressupostamente “sobraria” da redução do uso de chuveiros elétricos, poderia vir a ser usada para outras demandas, além de diminuir a sobrecarga de eletricidade em horários de pico. (PNEf, 2011).
Com isso, os sistemas de aquecimento de água por energia solar, nos últimos anos vem tomando cada vez mais força. Isso se deve a redução dos preços dos insumos energéticos, a conscientização da população com o meio ambiente e a melhoria da imagem dos aquecedores solares, além das vantagens oferecidas pelo governo com
subsídios fiscais. Sendo esse sistema não mais empregado apenas em residências de alto padrão, mas agora tomando espaço nas classes médias da sociedade, bem como em hotéis, restaurantes e edifícios. (BORGES, 2000).
A PROCEL em 2007, informou que as classes de edificações residencial, comercial e setor público representam em torno de 50% do consumo nacional de energia elétrica. Sendo grande parte desse consumo destinado ao conforto ambiental dos usuários. Porém, existe um potencial técnico de redução dessa energia em até 25% em edificações já existentes e 50% para prédios novos se considerar-se uma eficiência energética desde a fase de projetos.
Com isso observa-se que as construções possuem um grande desperdício de energia, por não estarem levando em consideração os avanços tecnológicos envolvendo a área da arquitetura, bioclimática, novos tipos de materiais, equipamentos e tecnologias construtivas, que permitem um melhor uso da eletricidade e garantem o conforto para o usuário. Para o melhor aproveitamento da energia elétrica, essas soluções devem ser introduzidas já na fase de projetos, seguindo na fase de construção, até a utilização final do produto. (PROCEL, 2007, 2009).
O aquecimento solar de água gera economia direta no bolso do consumidor. Quando bem projetados e instalados, chegam a economizar certa de 80% da energia gasta. Para garantir que a qualidade dos sistemas de aquecimento solar produzidos no Brasil seja de acordo com o desejado, em 2009 o governo brasileiro tomou como obrigatório a etiqueta do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO). (SOUZA, 2009).
Porém, quase não são encontradas pesquisas relativas ao uso do aquecimento solar a longo prazo. Não se encontra a real eficiência e economia dos aquecimentos solares de água a longo prazo, que é tanto propagada por mídias governamentais e vendedores, e dessa forma não se tem pesquisas dos resultados quanto a eficiência esperada pelos seus usuários. E essa eficiência tanto disseminada, será que se refere a todas as estações do ano, em todos os estados do Brasil, ou apenas em algumas regiões desconsiderando-se as mais frias e as mais quentes. Essas indagações ainda são muito rotineiras quando se trata de energias renováveis, pois os consumidores buscam muito mais a economia financeira do que a preservação ambiental.
Na região sul do Brasil, o sistema de aquecimento solar tem baixa eficiência, pelo fato do Sul haver menor número de horas de sol para o devido aquecimento da água em
todas as estações, e também pelo fato do inverno possuir temperaturas mais baixas. (THOMAZ, 2014).
Deve-se pensar na necessidade de analisar a real satisfação dos usuários dos sistemas de aquecimento solar, buscando compreender a real eficiência desses sistemas para os mais variados usuários. Como por exemplo, em um edifício de 10 pavimentos, pensando pela lógica do sistema de aquecimento da água, o usuário da cobertura certamente sempre terá o perfeito aquecimento da água, podendo ser até superior do que o desejado. Porém, o usuário do térreo por ser o último a receber água, tem o aquecimento da água prejudicado pela perda de calor gerada pelos vários metros de tubulações que separam sua ducha do sistema de aquecimento solar.
Por esse motivo, busca-se saber se todos os usuários de edifícios possuem apenas duchas, já que dispõem de sistema de aquecimento solar, ou se dispõe de chuveiros elétricos para quando a água não chega aquecida suficientemente no seu apartamento. Gerando dessa forma um consumo de energia elétrica que, poderia vir a ser utilizada em outros setores, mas retorna as residências pela falta de eficiência dos aquecedores solares de água.
Busca-se tomar conhecimento dos sistemas de aquecimento solares de água, analisando o tipo de aquecimento solar (coletivo ou individual), o sistemas e aquecimento da água alternativo caso o sistema de aquecimento solar seja ineficiente. Analisando assim, a real satisfação dos usuários desses sistemas de aquecimento da água, comparando a posição do apartamento nas diferentes estações do ano.
1.2 DELIMITAÇÃO DO TEMA
Análise da satisfação dos usuários de equipamentos de aquecimento solar de água, instalados em edifícios residenciais na cidade de Santa Rosa – RS. A avaliação foi quanto a satisfação sobre a eficiência desses equipamentos nos diferentes pavimentos em relação as quatro estações climáticas. E ainda foram analisadas sugestões de meios alternativos de aquecimento da água, caso a eficiência dos sistemas de aquecimento solar não sejam satisfatórios.
1.3 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA
Os equipamentos de aquecimento solar de água vêm como substituição do uso de chuveiros elétricos, mas há dúvidas quanto sua eficiência à longo prazo. A questão principal gira em torno da eficiência do aquecimento da água em relação a posição da
unidade habitacional e em relação às diferentes estações climáticas. Busca-se saber ainda se essa eficiência é continua ou varia ao longo dos anos.
1.4 OBJETIVOS 1.4.1 Objetivo Geral
Avaliar a satisfação dos usuários de sistemas de aquecimento solar de água em edifícios residenciais, através de pesquisa de satisfação de clientes.
1.4.2 Objetivos Específicos
A realização dessa pesquisa, pretendeu contemplar os seguintes objetivos: • Criação de modelos de pesquisa de satisfação dos usuários dos sistemas de aquecimento solar de água em edifícios residenciais;
• Realização de entrevistas junto com os proprietários de apartamentos que dispõe de sistemas de aquecimento solar predial, visando contemplar os seguintes itens:
Identificar o sistema de aquecimento solar predial utilizado e suas fontes de aquecimento de água alternativas;
Identificar se há variação da qualidade do aquecimento da água nas diferentes estações climáticas;
Verificar se há variação da qualidade do aquecimento da água em relação a posição do apartamento;
Verificar quais as soluções encontradas pelos usuários caso o aquecimento da água seja ineficiente;
Considerar a variação da eficiência dos equipamentos de aquecimento solar a longo prazo.
2
EMBASAMENTO TEÓRICO
2.1 USO DA ENERGIA
O alto consumo de eletricidade atualmente é notório, devido as grandes vantagens que esse tipo de energia trás para a humanidade. É visível que a energia elétrica trouxe mais comodidade, conforto e inúmeras possibilidades tecnológicas. Porém nem toda essa energia precisa ser provinda de fontes de energia não renováveis como petróleo, carvão ou gás por exemplo, a produção de energia pode ser proveniente também de fontes renováveis como eólica, solar, hidrelétrica e afins. (SIMIONI, 2006).
O uso dessa energia é considerado uma necessidade do ser humano, todavia nem toda energia utilizada é totalmente essencial. Mas essa percepção do que é ou não essencial, só é notado em situações limites como guerras e miséria, e essa percepção varia de sociedade para sociedade. (SIMIONI, 2006).
Em 1993, Anderson & Ahmed comentaram que o uso de energias renováveis é atraente do ponto de vista ambiental e promissor no ponto de vista econômico, declararam ainda que a energia solar é um recurso abundante. Percebe-se que naquela época já havia a perspectiva do aumento do consumo de energia elétrica em todo o mundo, sendo que esse consumo e certamente a geração de energia, dobraria em 30 anos e depois esse valor ainda triplicaria. Então começou-se a pensar na utilização de energias renováveis como por exemplo a energia solar, pois esse tipo de energia não gera poluentes na atmosfera e minimiza os danos ambientais causados por fontes de energia não renováveis. (ANDERSON e AHMED, 1993).
Segundo o EREC (Conselho Europeu de Energia Renovável), as energias renováveis poderiam suprir 35% da demanda mundial de energia até 2030, porém necessita de incentivos políticos e governamentais que visam incentivar o uso dessas energias. O relatório do EREC em referência ao cenário brasileiro, aponta que o uso das energias renováveis trará inúmeros benefícios ao meio ambiente, como a tentativa de estabilizar as emissões de CO2, além de minimizar os impactos ambientais causados por fontes de energia não renováveis. (GREENPEACE, 2017).
Com isso, verifica-se a total importância do uso dessas fontes renováveis de energia, minimizando os impactos ambientais causados pelos seres humanos ao longo dos tempos e, satisfazendo a necessidade do consumo de energia elétrica para os diversos equipamentos e tecnologias inseridos no dia a dia.
2.2 SISTEMAS DE AQUECIMENTO DA ÁGUA
No contexto da utilização de energia elétrica, nota-se que o consumo residencial de eletricidade é o segundo maior em âmbito nacional, ficando atrás apenas do consumo industrial. No consumo residencial o chuveiro é um dos equipamentos que mais consome energia, principalmente nas horas consideras de “horas de pico”. (PNEf, 2011).
Muitas tecnologias podem ser introduzidas nas residências para diminuir o consumo de energia elétrica. Assim, deve-se analisar quais são os maiores consumidores de eletricidade e adotar estratégias de consumo de eletricidade nesses pontos. Na região sul do país é visível que o uso do chuveiro elétrico é um dos maiores consumidores residenciais de eletricidade, com isso pode-se adotar novas formas de aquecimento da água. Então, caso a eficiência do aquecimento da água seja garantido, menor será o consumo de energia elétrica e maior será a economia financeira do consumidor, auxiliando ainda no meio ambiente. (THOMAZ, 2014).
Ainda segundo Thomaz (2014), quando se analisa a instalação, os materiais utilizados, a manutenção e o custo inicial dos sistemas alternativos de aquecimento da água, é possível verificar a viabilidade da utilização desses sistemas. Todavia, quando se analisa a eficiência desse sistema considerando regiões geográficas, no inverno o sistema apresenta baixa eficiência. No Rio Grande do Sul por exemplo, no inverno é necessário a utilização de um suporte termoelétrico, devido a ineficiência do sistema de aquecimento da água nesse período.
Com isso deve-se analisar os sistemas de aquecimento da água de forma isolada, verificando a sua instalação, manutenção e eficiência de aquecimento, para então tomar conclusões sobre qual sistema possui melhor eficiência seja ela econômica e sustentável.
Com isso será realizado um estudo breve de dois sistemas de aquecimento de água, o chuveiro elétrico e o sistema de aquecimento solar da água e, o sistema a gás auxiliar para o aquecimento da água quando o sistema solar de aquecimento da água é ineficiente.
2.2.1 Sistema de aquecimento da água com chuveiro elétrico
Nesse caso, a eletricidade é a fonte de calor. A transferência do calor ocorre pelo contato da água em um resistor que é aquecido eletricamente, sendo esse resistor imerso na água. O resistor que é conectado a rede de distribuição elétrica, é aquecido com a circulação de corrente, esse fenômeno é denominado de efeito Joule. (RAIMO, 2007).
O chuveiro elétrico é considerado acessível a toda a população brasileira, devido ao baixo custo de aquisição e a fácil instalação e manutenção. Chuveiros usados simultaneamente, exigem uma maior capacidade instalada no sistema elétrico para poder suprir a demanda, nos horários de pico. Em cidades grandes com temperaturas mais baixas no Brasil, pode surgir a necessidade de investimento financeiro com essa finalidade. (RAIMO, 2007).
2.2.2 Sistema de aquecimento solar da água
Nesse caso, o sol é a fonte de calor que emite energia sob forma de radiação solar. O sistema de aquecimento solar é formado por coletores que possuem a capacidade de absorver e transferir o calor provindo da radiação, para a água que circula nos tubos internos do coletor. A irradiação solar diária incidente, varia em função dos parâmetros meteorológicos e geográficos de lugar para lugar, a latitude local e o número de horas diárias de insolação, bem como a refletividade do solo e a inclinação do coletor solar, modificam o funcionamento do aquecimento da água. (RAIMO, 2007).
Um sistema de aquecimento solar simples, ocorre quando a água é aquecida apenas pela radiação solar transmitida, não contando com nenhum tipo de sistema secundário caso a emissão da radiação solar não seja suficiente para aquecer a água. (RAIMO, 2007).
2.2.3 Sistema de aquecimento solar com sistema secundário a gás
Esse sistema é similar ao sistema apresentado no item anterior (2.2.2), porém acrescido de um sistema secundário de aquecimento da água caso a radiação solar não seja suficiente para aquecer a água, pode ser utilizado o sistema a gás de aquecimento da água. (RAIMO,2007).
Ainda segundo Raimo (2007), o gás como fonte de calor, ocorre com a combustão do gás com o ar atmosférico quando ligado por uma centelha no queimador. O calor gerado atinge um trocador que transfere esse calor para a água.
Na cidade de São Paulo novas edificações ou edificações que sofram grandes reformas, são obrigadas a fazerem uma instalação permanente de gás, para atender no mínimo o fogão a gás. Com essa estrutura já instalada no prédio, a utilização de aquecimento da água a gás se torna mais vantajosa. Evidentemente deve-se respeitar as normas técnicas de instalação desses equipamentos de aquecimento da água a gás, tanto individual como coletivo. (RAIMO,2007).
Nesse caso, quando as edificações possuem estrutura predial permanente de distribuição de gás, o sistema secundário de aquecimento da água a gás é de grande valia, visto que o sistema pode ser instalado coletivamente ou individualmente, tudo dependerá das condições de projeto quanto a segurança exigida pelas normas técnicas vigentes. 2.3 CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE AQUECIMENTO DA ÁGUA
Para o aquecimento da água, existem alternativas de sistemas que variam em função das fontes de calor e configurações dos aquecedores. Podendo atender um ou mais pontos de uso de edificações unifamiliares ou multifamiliares. (RAIMO, 2007)
Esses aquecedores, podem ser instantâneos ou de acumulação. O instantâneo aquece a água no momento do uso, devendo possuir um potencial nominal que propicie o acréscimo instantâneo da temperatura da água. Já o aquecedor de acumulação, utiliza uma menor potencia nominal aquecendo a água de forma mais lenta. Com isso, a água precisa ser armazenada e mantida aquecida em um reservatório, de maneira que permita seu uso em uma demanda pré-dimensionada em volume e temperatura. (RAIMO, 2007)
Portanto, Raimo (2007) menciona que é possível ter várias alternativas para o aquecimento da água, em função das características do aquecedor e do serviço de água quente. Sendo, esses sistemas diferenciados essencialmente na forma de energia final, no circuito de distribuição de água quente, nos componentes de vazão de água e potências dos aquecedores e no armazenamento da água quente.
Os sistemas de aquecimento solar da água podem ser classificados, segundo Benedicto (2009) como sistema central coletivo, sistema individual e sistema central privativo. Dependem da escolha da construtora responsável pela construção da edificação e da escolha dos clientes/usuários.
• Sistema individual: é composto por aquecedor instantâneo individual, cada aquecedor atende um só ponto. Os chuveiros enquadram-se nessa classificação, sendo um sistema privativo. (RAIMO, 2007)
• Sistema central privado: esse sistema alimenta vários pontos de uma mesma habitação. Podendo ser por meio de aquecedor instantâneo ou aquecedores de acumulação a gás ou elétrico. A distribuição é realizada por meio de uma rede, podendo haver uma rede de recirculação da água quente, onde está alimenta os pontos hidráulicos e após retorna para o aquecedor. (BENEDICTO, 2009)
• Sistema central coletivo: o subsistema de aquecimento alimenta vários setores de uma edificação ou ainda várias unidades habitacionais (edifícios de apartamentos ou hotéis, por exemplo). Onde a distribuição da água é realizada através de uma rede, recomendando-se a recirculação da água quente na rede principal de distribuição. Esse sistema pode ser realizado por aquecimento solar como mostra a figura 1. (BENEDICTO, 2009)
Figura 1: Sistema de aquecimento solar predial
Fonte: Benedicto, 2009.
Ainda segundo Benedicto (2009), os sistemas coletivos de aquecimento da água possuem três tipos de distribuição da água quente, em edifícios residenciais:
• Alimentação ascendente: alimentação realizada a partir de um barrilete inferior;
• Alimentação descendente: essa parte de colunas de recalque para um barrilete superior, e posteriormente alimenta as colunas de abastecimento das unidades residenciais;
• Alimentação mista: é a combinação dos dois modelos anteriores.
Pode-se classificar o sistema quanto seu tipo, sendo este escolhido conforme sua aplicação e a temperatura de operação que a aplicação necessita. Para temperaturas baixas, como o aquecimento de piscinas, os coletores podem ser do tipo plano sem cobertura. Para o aquecimento para o banho doméstico, os coletores necessitam ter cobertura. E para aplicações industriais, os coletores planos de alto desempenho ou coletores de tubo evacuado, são mais recomendados por atingirem temperaturas acima de 80ºC. (ROSA,2012)
Rosa (2012), cita que os coletores planos com cobertura, são compostos basicamente com os seguintes componentes:
• Caixa externa: esta mantem e suporta todo o conjunto, podendo ser fabricado em alumínio, aço ou material polimérico.
• Tubulação: é por onde o fluido passa sendo dividida em tubos do cabeçote (entrada e saída do coletor, localizados na parte inferior e superior possuindo um diâmetro maior) e tubos elevadores (interligam os tubos cabeçotes inferior e superior, possuem um diâmetro menor).
• Placa absorvedora: é a responsável principal da conversão de energia radiante em energia térmica, passando por condução e convecção através dos tubos para o fluido de trabalho. Essa placa pode ser única (envolve todos os tubos), ou particionada. Os materiais mais utilizados para essas placas são o alumínio, o cobre pintado de preto ou com algum tipo de tratamento seletivo especial, ou ainda tubulações de plástico.
• Cobertura: pode ser de vidro, policarbonato ou acrílico que permita a passagem da radiação solar. Possui a função de minimizar as perdas de calor por convecção e por radiação para o meio ambiente. O coletor plano pode ser visualizado na figura 3.
Figura 2:Coletor solar Plano
Fonte: Empresa Central da Construção Empreendimentos, 2018.
Já o coletor tubular, citado por Rosa (2012), pode operar com transferência direta. O coletor de tubo evacuado é composto basicamente por:
• Tubos: são de vidro, sendo 2 tubos concêntricos, onde no interno esta o fluido de trabalho, sendo este mesmo coberto na parte externa com uma camada seletiva. Entre o interno e o externo está o isolamento a vácuo, responsável por atenuar as perdas térmicas por convecção e condução. • Grampo metálico: neste existe um capturador de gases que se trata de uma
pastilha de material reativo que é colocado dentro do sistema de vácuo com proposito de mantê-lo praticamente sem matéria.
• Cabeçote: neste são inseridos os tubos por onde passa o fluido de trabalho, podendo ser de aço, alumínio ou cobre, revestidos por algum isolamento térmico.
• Estrutura: é o que mantem os tubos presos ao cabeçote e na posição adequada a captação da energia solar. Este sistema de coletor tubular evacuado pode ser apresentado na figura 4.
Figura 3:Coletor solar Plano
Fonte: Empresa WGSOL, 2018. 2.4 PERDA DE CALOR DO SISTEMA
A perda de calor, segundo Benedicto, (2009), ocorre por convecção, radiação ou condução, na circulação da água ao longo da rede de alimentação. Assim, caso não haja consumo de água em um determinado período de tempo e, a água permanecer parada na tubulação, tem-se uma queda de temperatura afetando o conforto dos usuários e o desempenho térmico.
Esse problema é ainda maior quando a rede de tubulação aumenta, gerando um desconforto pela demora da chegada da água quente além do desperdício de água que
ocorre até a água atingir a temperatura desejada no ponto de consumo. Isso se deve em virtude do tipo de material e o isolamento térmico das tubulações. (BENEDICTO, 2009) Para solucionar esse tipo de problema é necessário ter-se uma previsão de um sistema de recirculação da água através de um circuito fechado, formado pelos trechos ascendentes e descendentes da rede, toda a água quente circula, mesmo quando todos pontos estão fechados. Essa recirculação pode ser efetuada de forma natural (termossifão: diferença de densidade entre a água quente e a água fria), ou ainda por circulação forçada (instalação de bomba que forneça energia à água para que se estabeleça a corrente de recirculação). (BENEDICTO, 2009)
2.5 PRINCIPAIS MATERIAIS E COMPONENTES UTILIZADOS NAS REDES DE TUBULAÇÕES DE ÁGUA QUENTE
No fim da década de 60, o cobre começou a ser utilizado como substituto do aço galvanizado, já que possuía uma durabilidade superior se comparada ao aço. Mais tarde, outras tecnologias começaram a dividir espaço com o cobre. Então, no inicio dos anos 80, ocorreu o surgimento de tubos e conexões de material plástico resistentes à água quente, sendo o Cloreto de polivinílico clorado (CPVC) o pioneiro. Logo após surgiram o polipropileno random (PPR) e o polietileno reticulado (PEX). Cada um dos materiais possui um nicho e aplicações preferenciais, ou seja, todos devem ser levados como opção durante a elaboração de um projeto. (NETO, 2017)
Atualmente o material mais utilizado para a tubulação de água quente, na região a ser pesquisada, é o PPR. Onde a principal vantagem, segundo Neto (2017), desse produto é poder conectar as tubulações com suas respectivas conexões através de termofusão, evitando o uso de roscas, soldas, anéis de borracha ou cola.
3
METODOLOGIA
3.1 ESTRATÉGIA DE PESQUISA
O presente estudo teve como propósito verificar a real eficiência dos aquecimentos de água solar. Foram então, analisados dois edifícios residenciais na cidade de Santa Rosa, cujos sistemas de aquecimento solar da água instalados são parecidos em sua grande maioria.
O estudo é composto por uma revisão bibliográfica seguida de uma pesquisa de campo onde, através de questionários aplicados a usuários dos sistemas de aquecimento solar da água, se saberá o ponto de vista de cada morador sobre a real eficiência do sistema de aquecimento solar da água. Esses questionários foram aplicados através de entrevistas pessoais, em casos excepcionais foram aplicados questionários online com auxilio da ferramenta do Google Formulário. Em seguida, esses dados foram anexados a uma planilha do Excel, gerando gráficos para análise dos dados coletados em campo.
3.2 DIRETRIZES GERAIS
Inicialmente, foi realizado um levantamento dos edifícios residenciais que possuíam sistema de aquecimento da água solar instalados em todas as unidades habitacionais. Através desses resultados, optou-se por analisar dois edifícios residenciais que possuem sistemas parecidos de aquecimento solar da água.
Então, realizou-se uma pesquisa bibliográfica para analisar os parâmetros de pesquisa relevantes a serem perguntados nas entrevistas. Então, com esses dados, foi realizada a elaboração do questionário que foi aplicado nas entrevistas pessoais e nas online.
A confecção desse questionário foi realizada em três etapas, primeiro foram elaboradas as perguntas com base nas revisões bibliográficas iniciais, em seguida o questionário foi analisado conforme os edifícios a serem pesquisados, então teve-se a reformulação das perguntas com base nos edifícios escolhidos para a pesquisa e em uma nova revisão bibliográfica.
Após a finalização e aprovação do questionário, este fora aplicado buscando-se atingir 100% da amostragem dos dois edifícios em pesquisa. Finalizando a pesquisa de campo, os dados coletados, foram analisados em uma planilha do Excel fazendo-se um comparativo das opiniões de todos os entrevistados.
3.3 MATERIAIS
3.3.1 Pesquisa através de questionários
Os questionários têm como objetivo obter informações, por meio de perguntas escritas ou orais, aplicadas as pessoas entrevistadas. O questionário necessita estimular os entrevistados a participarem da pesquisa, buscando minimizar o tédio, cansaço e as exigências impostas. De modo simultâneo deve reduzir possíveis erros de respostas erradas ou imprecisas dos respondentes ou ainda erros de registro do entrevistador. (CAMIOTO, 2014).
Segundo Camioto (2014), para pesquisas de marketing pode-se usar a técnica do incidente critico (TIC), que é uma técnica qualitativa de análise de dados coletados, com intuito de solucionar problemas práticos. Uma pesquisa eficaz de marketing envolve cinco passos: definir o problema da pesquisa, desenvolver o plano de pesquisa, coletar a informação, analisar a informação e apresentar os resultados.
Identificar o problema é o ponto chave para a pesquisa de marketing. Para isso, deve-se levar em consideração a finalidade do estudo, tendo conhecimento do histórico do problema, todo e qualquer tipo de informação necessária tendo assim a tomada de decisão. Essa fase deve ser realizada juntamente com os responsáveis pelas decisões, especialistas no setor, envolvendo uma discussão de análise de dados ou alguma pesquisa qualitativa. Ainda nessa fase, deve-se definir o tipo de projeto de pesquisa a ser adotado, tendo em vista que nem todos projetos estabelecem pontos muito específicos de seus objetivos. Então, os projetos podem ser distinguidos em três tipos: pesquisas exploratórias, pesquisas descritivas ou pesquisas de causa-efeito. (CAMIOTO, 2014).
Conforme Camioto (2014), podemos descrever os três tipos de pesquisa da seguinte maneira:
• Pesquisa causa-efeito: é caracterizada por manipular diretamente as variáveis com o objetivo do estudo, essa manipulação proporciona o estudo da relação entre causas e efeitos de um determinado fenômeno.
• Pesquisa descritiva: esta observa, registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos (variáveis) sem manipulação. Tenta descobrir, com uma possível precisão, a frequência que um fenômeno ocorre, sua relação e conexão com outros, a sua característica e natureza.
• Pesquisa exploratória: essa reúne dados preliminares que esclareçam a real natureza do problema e, a partir disso devem surgir suposições ou novas ideias. Com isso,
esse tipo de pesquisa busca explicar um problema e descobrir relações entre os elementos componentes da situação, a partir de referenciais teóricos. A principal finalidade da pesquisa exploratória é proporcionar maior familiaridade com o problema, tendo em vista uma maior precisão, ou formulação de hipóteses para posteriores estudos. Pode ser realizada como parte de pesquisa descritiva ou experimental, bem como de forma independente. Esse estudo necessita de um levantamento bibliográfico, entrevistas não estruturadas com pessoas experientes na pratica com o problema pesquisado e ainda estudos de caso.
Com o problema e os objetivos da pesquisa definidos, a segunda fase do projeto de pesquisa de marketing envolve um plano eficiente para coletar as informações necessárias. Com isso, é necessário ter conhecimento sobre fontes de dados, abordagens de pesquisa, instrumentos de pesquisa, planos de abordagem e métodos de contato. Os dados podem ser primários, pois consistem em informações originais para um proposito especifico. Com essas informações, é preciso desenvolver uma abordagem que será utilizada no plano de marketing. (CAMIOTO, 2014).
Com todas essas informações reunidas, duvidas sanadas e decisões tomadas, o pesquisador pode formular a concepção de pesquisa, que deve detalhar todos procedimentos a serem seguidos e a forma como será realizada a pesquisa. (CAMIOTO, 2014).
A amostragem é realizada em três etapas, segundo Camioto (2014), a primeira consiste na definição do público alvo, logo após é estabelecido o tamanho da amostra, ou seja, quantas pessoas serão entrevistadas. A última etapa é a determinação da escolha dos entrevistados.
Já os métodos de contato para a pesquisa de marketing, podem ser via entrevista telefônica, questionário postal ou via internet ou ainda uma entrevista pessoal. Esses métodos de abordagem devem ser escolhidos dependendo da disponibilidade do pesquisador e a área de estudo, visando contemplar a eficiência da pesquisa de marketing. (CAMIOTO, 2014).
A última etapa para elaboração da pesquisa de marketing, é fornecer conclusões e recomendações, permitindo a utilização dessas informações para tomada de decisões. Por isso, Camioto (2014), recomenda a documentação do projeto através de um relatório escrito, apresentando todas as etapas e considerações, assim como os resultados e constatações da pesquisa.
Então, para uma pesquisa de marketing o método mais usual é o questionário, pois garante uma padronização e comparação dos dados adquiridos durantes as entrevistas. Ainda facilita o processamento das informações, aumenta a velocidade e traz exatidão nos registros. (CAMIOTO,2014).
3.3.1.1 Elaboração de Questionários
O questionário, segundo Camioto (2014), tem por objetivo principal obter informações das pessoas entrevistadas, através de inúmeras perguntas respondidas, sendo essas orais ou escritas. Devendo incentivar os entrevistados a participarem da entrevista minimizando o tédio, a fadiga e as exigências impostas. O questionário deve ser elaborado buscando minimizar erros decorrentes de respostas erradas ou imprecisas dos entrevistados, ou por registro incorreto do entrevistador.
A ausência de teoria é o principal ponto fraco para a elaboração de um questionário. Pois não existem princípios científicos que garantam um questionário ideal ou ótimo, a habilidade para elaboração de um bom questionário é adquirida com a experiência na área. (MALHOTRA, 2001).
O planejamento de um questionário, segundo Malhotra (2001), pode seguir uma série de etapas como apresentado na figura 1, possuindo diretrizes para cada uma. Essas etapas são inter-relacionadas e a elaboração do questionário envolve interação e entrelaçamento.
Figura 4: Processo de elaboração de um questionário
Fonte: Malhotra (2001)
Essas etapas são descritas por Malhotra (2001) da seguinte maneira:
1) Especificar a informação necessária: o primeiro passo para a elaboração do questionário consiste na especificação das informações buscadas, sendo este igual ao início do processo de planejamento de pesquisa. É importante rever os componentes do problema e a abordagem, principalmente questões de pesquisa, hipóteses e as características do problema, então o pesquisador deve reunir essas informações em tabelas “fantasmas” (tabela em branco usada para classificando os dados).
2) Tipo de método de entrevista: esta pode ser realizada de diferentes formas, como entrevista pessoal, por telefone ou e-mail, dependendo das características do questionário.
3) Conteúdo de uma pergunta individual: as perguntas devem atingir a informação desejada ou servir para uma finalidade. Perguntas de duplo efeito (perguntas que buscam abranger dois objetivos) devem ser evitadas pois podem ser confusas para o entrevistado, resultado em respostas ambíguas.
4) Superando a dificuldade de resposta do entrevistado: primeiro passo é saber se o entrevistado possui conhecimento na área de interesse da
pesquisa. Com isso, podem ser usadas “questões filtro”, essas avaliam a familiaridade do entrevistado com o assunto, para isso essas questões devem ser abordadas antes de qualquer pergunta especifica sobre a pesquisa em estudo. Deve-se tomar cuidado também no caso de o entrevistado não recordar de alguns fatos, para isso as perguntas devem sugerir evidencias sobre o evento. Por fim, é necessário minimizar o esforço exigido do entrevistado.
5) Escolha da estrutura da pergunta: essa pode ser perguntas não estruturada, que são perguntas abertas, onde o entrevistado responde com suas próprias palavras, ou podem ser perguntas estruturadas, essa por sua vez são um conjunto de respostas alternativas e o formato da resposta, sendo essa de múltipla escolha (a uma série de respostas ofertadas e o entrevistado pode escolher uma ou mais alternativas oferecidas), questões dicotômicas (tem apenas duas alternativas de resposta, como sim ou não) e, questões escalonadas (essa sugere uma escala de satisfação de determinado produto, podendo ser por exemplo de 1 a 5 onde 1 é totalmente insatisfeito e 5 é totalmente satisfeito).
6) Escolha do enunciado da questão: é a tradução, em palavras, do conteúdo e da estrutura da questão, sendo essa de forma clara para fácil compreensão do entrevistado. Para evitar problemas de não-resposta do entrevistado ou erro na resposta, algumas diretrizes são sugeridas: definir o problema, empregar palavras simples e comuns, evitar palavras ambíguas, evitar perguntas indutoras, evitar alternativas implícitas, evitar suposições implícitas, evitar afirmações positivas e negativas.
7) Determinar a ordem das perguntas: as perguntas de aberturas são parte crucial para ganhar confiança e cooperação dos entrevistados. Essas perguntas devem ser simples, interessantes e não ameaçadoras, as perguntas que pedem a opinião dos entrevistados são excelentes para iniciar o questionário. Tem-se então as informações básicas (diretamente ligadas com o problema da pesquisa). Em seguida, tem-se a diretriz geral onde são obtidas informações de classificação (características socioeconômicas e demográficas, classificando assim os entrevistados e trazendo compreensão para os resultados). Por fim, tem-se as informações de identificação (nome, endereço ou número telefônico).
8) Formato e planejamento: o formato, espaçamento e posicionamento das questões possuem efeito significativo sobre os resultados. Uma boa pratica é dividir o questionário em várias partes. As questões devem ser numeradas, facilitando a codificação das respostas. Deve-se considerar que perguntas colocadas no início do questionário costumam receber mais atenção do que as últimas questões. Outra sugestão é numerar os questionários, facilitando o controle.
9) Reprodução do questionário: a reprodução do questionário pode influenciar nos resultados por exemplo, se estiver em um papel de má qualidade e aparência, pode ser tratado pelo entrevistado como uma pesquisa sem grande relevância para sua atenção, prejudicando a qualidade das respostas. Com isso o questionário deve ser reproduzido em papel de boa qualidade aparentando profissionalismo. Além de se tomar cuidado com o tamanho da fonte para que a leitura não se torne cansativa.
10) Pré-Teste: é um teste realizado para uma pequena parcela de entrevistados, visando buscar e eliminar falhas ou erros no questionário. Esse pré-teste deve ser abrangente, testando todos aspectos do questionário, incluindo conteúdo da pergunta, enunciado, sequência, formato, layout, dificuldade da pergunta e instruções. A medida do possível esse pré-teste necessita envolver a aplicação do questionário em um ambiente semelhante ao desejado a pesquisa real. É importante a realização do pré-teste pessoalmente, indiferente de como será realizada a pesquisa real. As respostas obtidas aqui, devem ser analisadas e codificadas e, se as respostas não puderem ser relacionadas com as tabelas fantasmas já planejados, significa que não foi prevista uma análise importante. Caso alguma parte da tabela fantasma permaneça em branco, pode ter sido omitida alguma pergunta indispensável.
Após criado o questionário, deve-se planejar quantas pessoas devem ser pesquisadas. Essa quantidade de entrevistados é definida como tamanho da amostra que será apresentado no próximo item.
3.3.1.2 Tamanho da amostra
O tamanho da amostra, segundo Camioto (2014), varia de acordo com o orçamento disponível para pesquisa, a importância econômica das decisões e a
variabilidade na população. As duas primeiras questões podem ser gerenciadas, mas a última o gerente da pesquisa não possui controle.
As condições que favorecem o uso de amostra, segundo Malhotra (2001), são: um orçamento pequeno, o tempo disponível pode ser curto, abrange um grande tamanho da população, possui pequena variância de característica, tem baixo custo de erros de amostragem, possui um alto custo de erros não amostrais, possui natureza de medição destrutiva e tem atenção a casos individuais.
O planejamento da amostragem começa com a definição da população-alvo, que é a coleção de elementos ou objetos que possuem a informação procurada pelo pesquisador e sobre os quais devem ser feitas inferências. Em seguida, tem-se o arcabouço amostral, sendo esse uma representação dos elementos da população-alvo, ou seja, é uma lista ou conjunto de instruções para identificação da população-alvo. Então, é realizada a escolha de uma técnica de amostragem, seguida da determinação do tamanho da amostra e, por fim é executado o processo de amostragem. (MALHOTRA, 2001).
3.3.1.3 Ética para pesquisas de marketing
No planejamento do questionário é importante levar em consideração questões éticas para o relacionamento do pesquisador com o entrevistado. Uma preocupação gira em torno de questionários extensos, perguntas delicadas, questões com mais de um cliente no mesmo questionário e a tendenciosidade deliberada do questionário. Isso porque os entrevistados estão dedicando voluntariamente o seu tempo, por isso não devem ser sobrecarregados com solicitações de informações supérfluas. Entrevistas domiciliares podem levar até 60 minutos sem sobrecarregar o entrevistado. (MALHOTRA, 2001)
O pesquisador tem a responsabilidade ética de planejar um questionário, que obtenha a informação desejada de maneira não-tendenciosa. É justificável induzir perguntas em certa direção (formar questões principais). A estrutura da pergunta deve buscar adotar opções apropriadas, e não as opções mais convenientes. Através do pré-teste do questionário, deve-se verificar se há ocorrência de falha ética ou não, então corrigir essa falha antes da realização da pesquisa real. (MALHOTRA, 2001)
3.3.1.4 Trabalho de campo
Durante essa fase, os pesquisadores entram em contato com os entrevistados, apresentam os questionários ou formulários de observação, registram os dados e entregam os formulários preenchidos para processamento. (MALHOTRA, 2001)
A natureza do trabalho de campo pode se diferenciar como diretamente aplicada (pessoalmente de casa em casa, contato de rua, entrevista pessoal assistida por computador, e observação) ou ainda a partir de uma base (pesquisa telefônica, por correio, e e-mail). A preocupação com a ordem ética está especialmente ligada ao trabalho de campo. A natureza do trabalho em campo varia com o modo de coleta de dados e, a ênfase relativa aos diversos estágios será diferenciada quando trabalhada com entrevistas telefônicas, pessoais, pelo correio ou eletrônicas. (MALHOTRA, 2001).
O entrevistador, segundo Malhotra (2001), necessita possuir um total conhecimento do questionário e estar por dentro do assunto trabalhado na pesquisa. Além de possuir um treinamento quanto ao contato inicial para com o entrevistado, a formulação de perguntas de forma clara e objetiva, a sondagem que tem por objetivo motivar os entrevistados a ampliar, esclarecer ou explicar suas respostas, deve ainda se atentar quanto ao registro das respostas e o encerramento da entrevista.
3.3.1.5 Preparação de Dados
Antes que os dados brutos contidos no questionário sejam submetidos a uma análise estatística, devem ser alinhados em um formato apropriado para análise. A qualidade dos resultados estatísticos depende dos cuidados adotados na fase de preparação de dados. Caso não haja uma adequada atenção a esses dados, os resultados estatísticos podem ser comprometidos, levando a resultados tendenciosos e interpretações incorretas. (MALHOTRA, 2001)
Esse processo é todo comandado pelo plano preliminar de análise de dados, formulado durante a fase de planejamento da pesquisa. Inicia-se selecionando os questionários aceitáveis, em seguida é realizada a edição, codificação e transcrição dos dados, que são depurados, estabelecendo então um tratamento para as respostas faltantes. A preparação dos dados, deve iniciar assim que os primeiros questionários estiverem disponíveis para análise, assim, caso detectado algum problema, é possível modificar o plano de trabalho de campo para que se realize a ação corretiva necessária. (MALHOTRA, 2001)
Quando avaliados os primeiros questionários, esses podem ser manipulados, caso haja inconformidade nas respostas encontradas, com isso os questionários voltam para o trabalho de campo, onde são retomadas as questões com valores faltantes e descarta-se os respondentes não satisfatórios. Após a avaliação dos questionários, segundo Malhotra (2001), é realizada a codificação, onde utiliza-se um código numérico ou alfanumérico
para representar uma resposta especifica para determinada questão, juntamente com a posição que o código vai ocupar na coluna.
Por fim, é realizada a limpeza de dados, que exige a verificação de consistência e tratamento de respostas faltantes. No caso de tratamento de respostas omitidas, pode-se incluir a substituição por um valor neutro como a média, a substituição por uma resposta imputada, e deleção caso a caso e, a deleção emparelhada. A estratégia de seleção de uma análise de dados deve basear-se em estágios anteriores do processo de pesquisa, em características conhecidas dos dados, em propriedades técnicas estatísticas, e na formação e filosofia do pesquisador. (MALHOTRA, 2001)
3.3.1.6 Preparação e elaboração de um relatório
A preparação e a apresentação de um relatório de pesquisa de marketing, são o passo final desse projeto. O processo inicia com a interpretação dos resultados da análise de dados e conduz a conclusões e recomendações. Então, o relatório é reescrito de forma formal e é realizada uma apresentação verbal. (MALHOTRA, 2001)
O relatório e de sua apresentação são de suma importância para o projeto de pesquisa de marketing pois, são produtos concretos do projeto de pesquisa, servindo como registro histórico do projeto. E, as decisões quanto o tema da pesquisa são tomadas a partir dos dados encontrados no relatório. (MALHOTRA, 2001)
A pesquisa e marketing é um processo cientifico, que envolve também a criatividade, intuição e habilidade. Assim, todo projeto de pesquisa proporciona uma oportunidade de aprendizado, onde o pesquisador deve avaliar criticamente todo projeto no intuito de se obter nova perspectiva e conhecimento. (MALHOTRA, 2001)
3.3.2 Método de abordagem
Para realização da pesquisa será necessário primeiramente a criação do questionário que será aplicado para os usuários de sistemas de aquecimento solar. A elaboração do questionário deverá ser realizada através de referências bibliográficas.
Com uma metodologia compreensível, Malhotra (2001) fornece orientações necessárias para aplicar o uso de questionários como base para uma pesquisa mercadológica. Uma vez que, o assunto estudado é o sistema de aquecimento solar de água, sendo que se trata de um produto comercializado para a população devendo assim garantir uma qualidade no aquecimento da água que é medida e exigida pelo INMETRO, como consta na portaria nº 58 de 17 de março de 2017.
Com isso, os modelos de questionários fornecidos por Malhotra (2001), são de fundamental importância, já que tratam de pesquisas de marketing e estas, envolvem a satisfação de usuários em relação a produtos e serviços oferecidos no mercado comercial. Um questionário bem fundamentado auxiliará na compreensão da real eficiência dos equipamentos de aquecimento solar de água na região do noroeste do estado do Rio Grande do Sul.
Com a aprovação do questionário de pesquisa, será realizada uma avaliação do tamanho da amostra a ser estudada, levando em consideração todos edifícios residenciais que possuem sistemas de aquecimento solar da água instalados em todos os apartamentos, na cidade de Santa Rosa – RS. Os edifícios escolhidos devem no mínimo possuir uma quantidade relevante de unidades habitacionais onde possa ser analisada a diferença de satisfação de usuários que moram distantes entre si (exemplo cobertura versus térreo), sabendo-se que a água pode variar a temperatura final conforme a quantidade de tubulação a ser percorrida. Com isso, quanto maior a distancia entre cobertura e térreo, melhor será a análise de satisfação dos usuários em relação a temperatura da água.
Em seguida será iniciada a entrevista pessoal de campo nos locais definidos na concepção da amostragem. Ao findar das entrevistas iniciais, será realizada uma avaliação da eficiência dos questionários quanto sua abrangência no assunto de interesse e quanto o profissionalismo perante os princípios éticos. Caso constatadas irregularidades nesses itens, o questionário deverá ser revisto e reformulado, passando novamente por avaliação de coerência. E somente então, se dará sequência nas entrevistas pessoais, até que toda a amostra seja atingida.
Em casos onde não será possível o contato pessoal, será realizado um questionário on-line com auxilio da ferramenta Google Formulários e, ainda poderão ser enviados questionários pelo correio. Buscando-se atingir o maior número de entrevistados possível. Com as entrevistas pessoais realizadas, será iniciada a fase de preparação dos dados, esta será avaliada já no início das entrevistas, para que possam ser corrigidos possíveis erros no questionário. Com todos dados coletados, as informações serão agrupadas, analisadas e organizadas segundo sua relevância dentro do assunto estudado. Por fim, será realizado um relatório sobre os dados que foram coletados, buscando atingir a compreensão do problema abordado no estudo. Para isso, o uso de gráficos e imagens ilustrativas serão necessários para uma melhor visualização dos dados e índices de satisfação encontrados na pesquisa de campo, que serão apresentados nos resultados.
3.4 DELINEAMENTO
O presente trabalho será dividido em três etapas. Na primeira parte do estudo será realizada uma pesquisa exploratória, que consiste em uma pesquisa bibliográfica do assunto, a seguir será realizada a segunda etapa composta pelo desenvolvimento da pesquisa acompanhado pelo desenvolvimento do material de pesquisa de campo e da coleta de dados, por fim a última etapa, é a análise dos resultados e conclusão. Para maior entendimento do processo, a figura 5 apresenta a sequência do trabalho.
Figura 5: Delineamento da Pesquisa
Fonte: autoria própria
Primeiramente será exposto o tema da pesquisa, voltando-o para a realidade da região noroeste do Rio Grande do Sul. Feito isso a pesquisa será aprofundada nas características e especificações dos sistemas.
Para a coleta dos dados, será realizada a elaboração de um questionário visando abranger os objetivos da pesquisa, em seguida serão realizadas as pesquisas de campo para a coleta dos dados necessários para o estudo.
O resultado do trabalho será a análise da pesquisa elaborada com o demonstrativo dos resultados alcançados, serão apresentadas sugestões futuras que poderão ser adotadas para futuras pesquisas.
Revisão bibliográfica Levantamento dos edifícios residenciais com o sistema instalado
Especificação das informações necessárias
Determinação do conteúdo das perguntas
Escolha dos edifícios a serem pesquisados Reprodução do questionário Nova revisão bibliográfica Reformulação das perguntas para eliminar
defeitos Aplicação dos questionários Coleta de dados sobre o
sistema instalado
Preparação dos dados
Resultados
4
ESTUDO DE CASO
Para este capítulo serão apresentados as fazes para elaboração do questionário, a escolha da amostragem para a pesquisa, o questionário propriamente dito e os resultados obtidos em cada uma das perguntas realizadas no questionário.
4.1 ELABORAÇÃO DO QUESTIONÁRIO
O conjunto formal de perguntas, cujo objetivo é obter informações dos entrevistados, é dito questionário. Basicamente, o questionário é apenas um dos elementos de um conjunto de coleta de dados para uma pesquisa. (MALHOTRA, 2001)
Qualquer questionário possui três objetivos específicos. Primeiro, deve traduzir a informação desejada em um conjunto de perguntas específicas que os entrevistados tenham condições de responder. Em segundo lugar, um questionário precisa motivar e incentivar o entrevistado a se deixar envolver pelo assunto, cooperando e assim completando a entrevista. Por fim, o questionário deve sempre minimizar o erro na resposta. (MALHOTRA, 2001)
4.1.1 Definição da informação necessária para elaboração do questionário
A primeira parte da elaboração do questionário, consiste na definição da informação buscada. Para isso, foi-se utilizada a revisão bibliográfica como base e indagações sobre o sistema de aquecimento solar da água em relação a sua eficiência.
Como o objetivo da pesquisa é realiza-la em edifícios residenciais, as perguntas são voltadas para a situação da construção dos mesmos. Necessita-se saber o nome do edifício, que posteriormente será renomeado com siglas para que se tenha sigilo nas respostas dos entrevistados. Precisa-se saber ainda a idade do prédio, o tipo de sistema instalado, se há manutenções no sistema, se há sistema secundário de aquecimento da água e a posição do apartamento entrevistado.
A idade do edifício influencia diretamente na eficiência do sistema de aquecimento solar, pois este, pode ter passado por manutenções das mais variadas espécies, como manutenções preventivas, por danos de sinistros, mal funcionamento, gastos excessivos, temperaturas elevadas e afins. Dessa maneira, o sistema pode ou não estar funcionando como previsto no inicio de seu uso.
Em relação ao sistema instalado, tem-se como padrão na região noroeste do estado do RS, o sistema de aquecimento solar por placas solares e por coletor a vácuo, ambos