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Migrações internacionais e inserção de equatorianos no mercado de trabalho da cidade do Rio de Janeiro

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Migrações internacionais e inserção de equatorianos no mercado de

trabalho da cidade do Rio de Janeiro

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Camila da Silva Vieira2 Palavras-chave: migração; equatorianos; trabalho; Rio de Janeiro.

RESUMO

O presente estudo se insere no contexto das migrações internacionais contemporâneas, fenômeno que vem se intensificando cada vez mais nas últimas décadas, tornando-se assunto prioritário nas agendas políticas internacionais, entre a opinião pública e no meio acadêmico. Ao estudar esse tema é preciso levar em conta a perspectiva econômica das migrações, especialmente no que se refere às múltiplas transformações que estão ocorrendo num mundo tomado pela globalização e pelo capitalismo, onde são cada vez mais frequentes termos como informalidade, flexibilidade, terceirização e precarização do trabalho.

Nesse contexto, o objetivo principal desse estudo é analisar como se encontram os equatorianos no mercado de trabalho da cidade do Rio de Janeiro, na medida em que esse grupo tem se apresentado como um fluxo migratório internacional recente na cidade a ser melhor conhecido. Para viabilizar o estudo foram utilizados os micro dados secundários da amostra do Banco Multidimensional de Estatísticas (BME) referentes ao Censo Demográfico de 2000, assim como os dados do recentemente divulgado Censo Demográfico de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que permitirá comparar esses dados, além de mostrar resultados mais próximos da realidade atual.

A segunda parte do estudo utiliza dados primários coletados em campo, através da aplicação de questionários aos equatorianos encontrados atuando no mercado informal em diversos bairros da cidade do Rio de Janeiro. Optou-se por essa forma de aquisição de dados, pois acredita-se, que, por ser um tipo de migração que parece estar sendo intensificada recentemente, estima-se que não será tão bem captado nem mesmo pelo Censo Demográfico de 2010. Além disso, são procuradas respostas que não se encontram nos questionamentos realizados pelo Censo, como por exemplo, no que diz respeito aos motivos da vinda para o Brasil, as condições de trabalho e as perspectivas desse grupo.

Os primeiros resultados indicam que em 2000, os equatorianos representavam no Brasil um total de 1168 indivíduos; no estado do Rio de Janeiro foram computados 331 equatorianos e no município do Rio de Janeiro, 228. Com relação à inserção no mercado de trabalho é possível compreender que existem grupos distintos, com diferentes níveis escolaridade, por exemplo, que se traduzem em também diferentes e até mesmo discrepantes tipos de ocupação, níveis de renda e condições de trabalho. Contudo, observações atentas pela cidade permitem inferir que está sendo cada vez mais constante a presença de equatorianos pelas ruas de diversos bairros, especialmente vendendo objetos artesanais no comércio informal de rua.

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Trabalho apresentado no XVIII Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em Águas de Lindóia/SP – Brasil, de 19 a 23 de novembro de 2012.

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Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGG) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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1. INTRODUÇÃO

A mobilidade espacial da população constitui importante indicador da dinâmica de uma sociedade, refletindo mudanças ocorridas tanto nos espaços de saída como nos de chegada das pessoas que migram. Esses movimentos de população sempre integraram a história da humanidade, mas a partir da década de 1980 houve uma intensificação desses fluxos a nível mundial em decorrência do processo de globalização. Como resultado desse fenômeno, há o surgimento de novas categorias e novos fluxos migratórios que merecem ser investigados em suas múltiplas escalas de análise.

O estudo do impacto desses fluxos migratórios internacionais pode revelar dinâmicas sócio-espaciais particulares, na medida em que os migrantes se constituem em reflexo e condição do processo de mudanças de uma sociedade e de alteração e produção do espaço nos países de origem e de destino, como destaca Castles:

As migrações internacionais constituem um importante fator de mudança social no mundo contemporâneo. São as transformações econômicas, demográficas, políticas e sociais que ocorrem no seio de uma dada sociedade que fazem com que as pessoas migrem. Por sua vez, estas migrações ajudam a produzir novas mudanças, tanto no país de origem, como no de acolhimento (CASTLES, 2005: 7).

Quanto à participação brasileira nesse contexto, a partir dos dados censitários de 2000 (IBGE), pode-se perceber que os imigrantes internacionais já representavam considerável contingente no Brasil, 681.860 pessoas, isto é, aproximadamente 11% das 5.857.902 que vivem no Brasil. Desse total, o estado do Rio de Janeiro detém parcela significativa, representada por 132.281 pessoas (19%), enquanto a cidade do Rio de Janeiro, tendo recebido 98.296 imigrantes, participa com 74% do total do Estado e 14% do Brasil. Tais cifras justificam a relevância de se analisar a participação do Rio de Janeiro no contexto das migrações internacionais, desenhada a partir de fluxos específicos com crescente importância na contemporaneidade. Ao analisar os grupos de imigrantes além dessas cifras, percebe-se que anteriormente os imigrantes eram majoritariamente europeus; contudo, a partir dos anos 2000 começam a entrar na cidade, imigrantes provenientes de diversos outros países, em especial da América Latina, a exemplo do Equador.

Sendo assim, o objetivo principal desse estudo é analisar como se encontram os equatorianos no mercado de trabalho da cidade do Rio de Janeiro, na medida em que esse grupo tem se apresentado como um fluxo migratório internacional recente a ser melhor conhecido. Segundo os dados da amostra do Censo Demográfico de 2000, os equatorianos representavam no Brasil um total de 1168 indivíduos; no estado do Rio de Janeiro foram computados 331 equatorianos e no município do Rio de Janeiro, 228. Almeja-se entender, portanto, quais as principais características desse contingente migratório com relação à alocação no mercado de trabalho, tanto no que se refere a dados secundários dos Censos Demográficos quanto a dados primários coletados em campo com equatorianos atuando no mercado informal. Colocam-se assim, as seguintes questões:

• No contexto atual de intensificação dos fluxos migratórios internacionais, por que o Brasil e o Rio de Janeiro constituem-se em atrativo para equatorianos?

• Quais as principais características da migração equatoriana para o Rio de Janeiro no que diz respeito à inserção no mercado de trabalho?

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2. CONJUNTURA DAS MIGRAÇÕES INTERNACIONAIS CONTEMPORÂNEAS

A dimensão que o fenômeno migratório alcançou nas últimas décadas acabou colocando-o como assunto prioritário nas agendas políticas internacionais, conquistando grande espaço, não só entre as ações governamentais, como também entre a opinião pública e no meio acadêmico.

Sendo assim, para o estudo das migrações internacionais contemporâneas não são mais suficientes as interpretações decorrentes das abordagens clássicas em migração. Torna-se necessário vencer o desafio teórico de analisar as migrações contemporâneas à luz de um novo paradigma a partir das alterações desencadeadas especialmente com a globalização e o transnacionalismo.

É preciso, portanto, considerar as novas tendências da mobilidade do mundo globalizado, que pode intensificar e alterar fluxos migratórios, suas causas, consequências, agentes envolvidos, temporalidades, entre outros aspectos. Segundo Becker (1997), cada nova ordem política mundial é associada a uma nova ordem econômica com o surgimento de novos fluxos demográficos.

Nesse sentido, sugere-se que os contornos desse novo paradigma3 possam estar ligados à superação do enfoque majoritariamente econômico das migrações até a década de 70, e à associação a outras dimensões de análise que estariam ganhando destaque no cenário das migrações internacionais, como a dimensão política e a dimensão social. No entanto, a perspectiva econômica ganha novo destaque, especialmente considerando as inúmeras transformações em curso no mundo do trabalho, como a discussão cada vez mais frequente de conceitos como informalidade, flexibilidade, terceirização, entre outros.

2.1 Globalização, transnacionalismo e criminalização das migrações

A partir da década de 80 a necessidade de acompanhar a dinâmica do capitalismo acabou consolidando o fenômeno da globalização, a partir da integração e interdependência cada vez maiores entre os países, considerando aspectos econômicos, políticos, sociais e culturais. Esse processo desencadeou significativas transformações nas sociedades e nos territórios, estudadas por autores como Ianni (1997), Bauman (1999) e Castles (2005).

Como exemplo dessas transformações, o fortalecimento da integração entre os países fez emergir no mundo uma lógica transnacional, onde os processos e as trocas de mercadorias, informações e pessoas ultrapassam as fronteiras dos Estados Nação.

Pedone (2002) discutiu fortemente a influência dos processos de globalização e transnacionalismo nas migrações internacionais. Segundo a autora, a globalização econômica cria um novo regime de produção de espaço e de tempo, onde os fluxos se organizam a partir do meio técnico-científico-informacional (Santos, 2000) e onde as escalas tornam-se supranacionais, ampliam-se os blocos econômicos regionais e os processos de descentralização. Ainda segundo a autora, também as diferenças entre países ricos e pobres se acentuam nesse contexto, possibilitando um contingente de mão-de-obra com tendências à migração para países centrais em busca de melhores condições de vida:

En este contexto, la aceleración de las migraciones nacionales e internacionales es uma respuesta de trabajadores desplazados de mercados de trabajo locales raquíticos, com condiciones laborales cada vez más precarias. (PEDONE, 2002: 35).

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Castles (2005) também discute a relevância de estudar as migrações internacionais à luz dos processos inerentes à globalização e ao transnacionalismo. O autor ressalta que a emergência da década de 80 alterou os fluxos migratórios internacionais, tornando-os mais volumosos, rápidos e complexos, e transformando antigos países de emigração em países de imigração. E reforça essas modificações nas migrações internacionais:

A globalização fornece ainda os meios tecnológicos para que os transportes sejam baratos e as comunicações facilitadas. Por isso, se tornaram as migrações tão difíceis de controlar e tantos migrantes, impulsionados pelas mais diversas motivações, se deslocam. A distinção administrativa entre as categorias de migrantes econômicos e refugiados perde sentido. As migrações organizam-se cada vez mais através de redes informais que transcendem as fronteiras. (CASTLES, 2005: 8).

Todo esse processo de intensificação das migrações internacionais acabou por intensificar também o processo de criminalização das migrações, questão de dimensão política bastante enfatizada na atualidade por autores como Pedone (2002), Póvoa Neto (2005) e Brito (2009).

Pedone (2002) enfatiza que a intensificação das trocas de bens inerente à nova ordem mundial não foi acompanhada de uma livre troca de pessoas. Ou seja, o avanço advindo da globalização foi contraditório na medida em que estimulou a mobilidade e as trocas de uma forma geral, mas ao mesmo tempo ampliou as barreiras à migração. A crescente demanda de mão de obra estaria sendo acompanhada de fortes restrições à migração internacional. Javier López-Cifuentes (2008), representante da ACNUR no Brasil comenta sobre o assunto:

A economia tornou-se mundial, planetária. As fronteiras se apagaram para o capital especulativo, mas não aos seres humanos. Crescentes segmentos da população tornam-se marginalizados e excluídos do bem-estar material. Como resultado, emerge o fenômeno de fluxos massivos de migrações forçadas, nas quais milhões de indivíduos buscam fugir não mais de perseguições políticas individuais, mas predominantemente da fome, da miséria e de conflitos armados. Para esses milhões de migrantes e refugiados, as fronteiras parecem não ter desaparecido. Pelo contrário, para eles, os muros estão cada vez mais altos, principalmente as muralhas das nações mais influentes e responsáveis por esse processo. (LÓPEZ-CIFUENTES, 2008: 9).

De outro ponto de vista, da sociedade de destino dos migrantes, Brito (2009) também comenta sobre as dificuldades de sobrevivência dos indivíduos migrantes:

Além do mais, a sociedade urbana, mais competitiva e cada vez menos solidária, assombrada com a barbárie que tem predominado nas relações sociais, aumentou os seus mecanismos de discriminação e de exclusão dos mais pobres. Conseqüentemente, as barreiras ao livre trânsito dos migrantes têm sido freqüentes e exacerbam os mecanismos de seletividade estrutural. (BRITO, 2009: 16).

Póvoa Neto (2005) ao comentar sobre essas barreiras à migração, diz que há na atualidade um avanço de tentativas de criminalizar a própria condição de migrante, através de medidas legais que autorizam a prisão, o processo e o encarceramento de clandestinos, de pessoas que tenham permanecido mais tempo do que o autorizado ou que tenham realizado atividade laborativa nas fronteiras nacionais dos países de imigração. Segundo o autor:

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Trata-se, sob alguns aspectos, de um momento inteiramente novo, em termos de culpabilização dos migrantes como suspeitos ou responsáveis pela insegurança social e política das sociedades desenvolvidas (PÓVOA NETO, 2005: 297).

2.2 Transformações no mundo do trabalho, migrações e informalidade

Segundo estudo realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre as tendências da migração internacional do trabalho cujo título é “Migração Internacional do Trabalho: Uma abordagem baseada em direitos”:

Os migrantes internacionais, estimados em 214 milhões em 2010, representam apenas três por cento da população mundial; As mulheres constituem quase 50 por cento dos migrantes internacionais; Os trabalhadores migrantes (isto é, os que estão economicamente ativos no total da população migrante) são cerca de 105 milhões em 2010 e, Os trabalhadores migrantes - que migram por emprego - e suas famílias, cerca de 90 por cento do total de migrantes internacionais.4

Sendo assim, nota-se que os fluxos migratórios por motivos econômicos (em busca de emprego) tendem a constituir ainda a grande maioria dos fluxos no que concerne à migração internacional. Sobre essa tendência, Ibrahim Awad, diretor do Programa de Migração Internacional da OIT comenta a necessidade de proteger esses trabalhadores migrantes e ao mesmo tempo, usar esses fluxos em prol de benefícios tanto para os países de origem quando para os países de destino:

A migração internacional é essencialmente um problema que diz respeito ao mercado de trabalho, ao emprego e à questão do trabalho decente e menos um problema de segurança, uma questão do asilo ou de refugiados... O desafio é para regular a migração de tal forma que ela possa servir como uma força para o crescimento e a prosperidade nos países de origem e destino, além de proteger e beneficiar os trabalhadores migrantes. 5

Com relação às alterações no campo do trabalho no século XXI, Pochmann (2001) afirma que elas vêm gerando excedentes populacionais de mão-de-obra que não são incorporados pelo mercado. Isso torna piores as condições gerais de trabalho, na medida em que o trabalhador torna-se menos exigente frente à escassez e dificuldades em conseguir emprego. Como exemplos dessa situação, tem-se uma crescente desestruturação do mercado de trabalho, ampliação das taxas de desemprego, menor ocorrência de trabalhadores assalariados e precarização dos postos e condições de trabalho.

Como algoz dessa situação estaria a propaganda da globalização, com divisão de riqueza, produção, trabalho e poder, que parece não se realizar. Mézáros (2006), sobre as contradições do processo de globalização, afirma que a ironia da contemporaneidade seria o modo antagônico com que se dá a relação entre aumento da produção e a produção de trabalhadores supérfluos (embora esses trabalhadores não sejam considerados supérfluos como consumidores). A ideia central, segundo esse autor, é que a essência do capital se

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,5 Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios. Trabalhadores migrantes: indispensáveis, mas sem direitos. In:

Resenha Migrações na atualidade – Ano 20 – nº 79 – Junho de 2010. (Disponível no site do Centro

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baseia em acumulação, lucro, diminuição de custos e auto expansão, por mais dolorosos e catastróficos sejam os desdobramentos. Segundo o autor:

... é a primeira vez na história que a dinâmica do controle social metabólico auto-expansivo do sistema expele, brutalmente se necessário, uma maioria esmagadora de seres humanos do processo de trabalho. Esse é o sentido profundamente perturbador da globalização. (Mézáros, 2006:32).

Segundo Brito (2009) todas essas transformações em curso no mundo do trabalho tornaram o mercado mais rígido, exigindo muitos pré-requisitos de nível de qualificação e habilidades que o tornaram também extremamente excludente para a grande maioria da população migrante. Assim, geram consequências para os fluxos migratórios, como comenta o autor, superando as abordagens clássicas em migração:

Não há dúvida que a redução excepcional da capacidade de geração de emprego e de novas oportunidades ocupacionais, objetivamente, descolou a mobilidade espacial da mobilidade social, inaugurando um novo padrão migratório e superando as antigas teorias e o paradigma que servia de referência para elas. (BRITO, 2009: 16).

Nesse contexto, a urgência de estudar o mercado de trabalho na atualidade, deve-se, portanto, às condições da nova organização capitalista, que segundo Vasapollo (2006) é caracterizada cada vez mais pela precariedade, flexibilização e desregulamentação. Contudo, o autor alerta que a flexibilização não deve ser encarada como solução para multiplicar os postos de trabalho e os índices de ocupação, pois na verdade é uma imposição à força de trabalho para que se aceitem salários mais baixos e piores condições laborais. Nesse sentido, acabam surgindo muitas opções no mercado informal, ou ainda ilegal, através de trabalhos irregulares, precários, sem carteira assinada ou qualquer garantia (Como férias remuneradas, décimo terceiro salário, seguro desemprego, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, entre outros).

Dentre essas “alternativas” contemporâneas relacionadas à crise do mercado de trabalho, destaca-se aqui a emergência do trabalho informal extremamente relevante nesse estudo. Segundo Oliveira (1998):

Nessas condições, acelera-se, pela ótica do capital, o processo de expulsão de trabalhadores, atingindo, sobretudo os menos qualificados e mais pobres. Não é de estranhar, pois, que a produção independente daí receba um novo e vigoroso impulso. Quando as portas do setor formal se fecham, é para o informal que forçosamente se voltam aqueles trabalhadores. (OLIVEIRA, 1998: 18).

Além disso, ainda sob a ótica do trabalho informal e do conceito de informalidade, é fundamental levar em consideração a discussão em que Santos (2004) considera o circuito inferior da economia, como abrangendo uma série de atividades:

...engloba atividades de serviço como a doméstica e os transportes, assim como as atividades de transformação como o artesanato e as formas pré-modernas de fabricação, caracterizadas por traços comuns que vão além de suas definições específicas e que têm uma filiação comum. (SANTOS, 2004: 201).

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3. OPERACIONALIZANDO O ESTUDO

Enquanto área de interesse da pesquisa é preciso conhecer uma pouco sobre a cidade do Rio de Janeiro, que, com seus 6.323.037 habitantes (IBGE, 2000), é a capital do estado, segunda maior metrópole do país e um dos grandes centros econômicos, culturais e financeiros. No Mapa 1 é representada dentro dos recortes espaciais nos quais se insere.

Mapa 1: Mapa de localização da cidade do Rio de Janeiro. Organizado pela autora.

Segundo a prefeitura do Rio de Janeiro, a cidade pode ser dividida em unidades de planejamento (bairros, regiões administrativas e áreas de planejamento). No Mapa 2 pode ser visualizada a divisão da cidade em áreas de planejamento, a partir da base cartográfica adquirida junto ao Instituto Pereira Passos (IPP, 2004).

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Essa divisão por Áreas de Planejamento muito se assemelha à divisão por zonas da cidade (Norte, Sul, Oeste e Central), presente no imaginário popular, porém não considerada uma divisão oficial pelos órgãos de planejamento. Segundo o Mapa 2, a Área de Planejamento 1 (laranja escuro) seria a Zona Central ou simplesmente o centro da cidade; a Área de Planejamento 2 (laranja claro) é bem próxima ao que seria a Zona Sul da cidade, à exceção da presença de bairros como Tijuca e Vila Isabel considerados popularmente como sendo da Zona Norte; a Área de Planejamento 3 (amarela) se conformaria na Zona Norte, popularmente chamada também Subúrbio da cidade; e as Áreas de Planejamento 4 e 5 (verde claro e verde mais escuro, respectivamente) seriam a Zona Oeste da cidade.

Outra escala se análise pertinente a esse estudo são as Áreas de Ponderação (Mapa 3) que, instituídas pelo Censo Demográfico de 2000 do IBGE, consistem numa agregação de setores censitários mutuamente exclusivos. Essa é a menor unidade de divulgação dos dados da amostra do Censo Demográfico, visto que os dados referentes aos setores censitários não são divulgados na amostra por motivo de sigilo. Essa é uma escala bem detalhada, que auxilia na identificação de especificidades na cidade do Rio de Janeiro.

Mapa 3: Município do Rio de Janeiro segundo Áreas de Ponderação. Organizado pela autora. Para viabilizar a primeira parte da pesquisa foram utilizados os micro dados da amostra do Banco Multidimensional de Estatísticas (BME) do Censo Demográfico de 20006

As variáveis utilizadas foram: País de nascimento; Idade; Anos de estudo; Total de rendimentos brutos; Posição na ocupação (relação de trabalho existente entre a pessoa e o empreendimento em que trabalhava); Horas semanais trabalhadas; Ocupações. Levantados os do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na apreciação dos mesmos, a categoria de análise foi o Imigrante Equatoriano, não nascido no Brasil e natural do Equador.

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É válido destacar que os dados referentes ao Censo Demográfico de 2010 estão apresentando algumas incontingências e por isso não serão aqui utilizados como desejado; um exemplo é grande presença do resultado “não-aplicável” em muitas variáveis, o que cria dúvidas quanto à fidelidade dos dados; esse fato foi relatado por e-mail mas até então não foi explicado pela coordenação do Censo do IBGE; além disso, em 2010, a amostra diminuiu de 10% para 5% o que empobrece as análises e impede a comparação dos dados (o que pode influenciar no cálculo de equatorianos, que, no Brasil aumentaram de 1168 em 2000 para 1729 em 2010, enquanto no estado do Rio de Janeiro foram reduzidos de 331 em 2000 para 212 em 2010 e no município do Rio de Janeiro, passaram de 228 em 2000 para 137 em 2010, quando o que se observa empiricamente é um aumento cada vez mais acentuado de equatorianos pela cidade); e ainda, de 2000 para 2010 as Áreas de Ponderação na cidade do Rio de Janeiro foram aumentadas de 170 para 200, não havendo base digital disponibilizada pelo IBGE para mapear as variáveis na nova divisão proposta.

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dados referentes ao Censo Demográficos de 2000, os mesmos foram organizados no software Excel, onde são construídos gráficos e tabelas; alguns são mapeados no software Arc Gis 10.0 e são feitas as interpretações e análises dos resultados encontrados.

A segunda parte da pesquisa utiliza dados primários coletados em campo, através da aplicação de questionários aos imigrantes equatorianos encontrados atuando no mercado informal em diversos bairros da cidade do Rio de Janeiro. As respostas encontradas nos questionários foram organizadas no software Excel. Optou-se por essa forma de aquisição dos dados, pois acredita-se, que, por ser um tipo de migração bastante recente, não será tão bem captado nem mesmo pelo Censo Demográfico de 2010. Além disso, são procuradas respostas que não se encontram nos questionamentos realizados pelo Censo, como no que diz respeito aos motivos da vinda para o Brasil, condições de trabalho e perspectivas.

Os bairros já visitados com as respectivas quantidades de questionários aplicados foram: Méier (seis questionários), Bangu (onze questionários), Campo Grande (quatro questionários), Centro (doze questionários) e Copacabana (sete questionários), totalizando 40 questionários aplicados. O critério na escolha dos bairros foi baseado em dois fatores principais: inicialmente foram feitas observações empíricas dos equatorianos espalhados pela cidade; posteriormente foram analisados os bairros nos quais se encontravam os equatorianos a partir dos dados do Censo de 2000 (Mapa 5, mais adiante).

Os primeiros bairros pesquisados foram escolhidos com base na proximidade e na facilidade de ida a campo, em virtude de disponibilidade de transporte, colaboradores7, datas e horários compatíveis com a jornada de trabalho dos imigrantes equatorianos. Outros bairros devem ser ainda objeto de investigação, como Leme, Ipanema, Santa Teresa, Humaitá, Jacarepaguá, Taquara, Madureira, entre outros. O Mapa 4 a seguir mostra a localização dos bairros já visitados e dos bairros citados pelos equatorianos nas respostas dos questionários, como pertencentes também ao seu conjunto de locais de trabalho, visto que muitos deles trabalham em bairros diversos.

Mapa 4: Bairros de trabalho já visitados e bairros citados pelos Imigrantes Equatorianos na cidade do

Rio de Janeiro – Pesquisa de Campo. Organizado pela autora.

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Colaboraram com a pesquisa os integrantes do Grupo de Estudos Espaço e População (GEPOP/UFRJ): Luiz Antônio Chaves de Farias, Danielle Faria Peixoto, Pedro Gabriel Silva dos Santos e Caio Perdomo de Oliveira.

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4. RESULTADOS

4.1 Os equatorianos no mercado de trabalho do Rio de Janeiro em 2000

Com relação aos dados secundários foi computado o total de equatorianos existentes na cidade (228) e em seguida, esse total foi espacializado para verificar em que bairros da cidade eles encontravam-se alocados (Mapa 5).

Mapa 5: Equatorianos segundo Áreas de Ponderação (AP) referentes a bairros na cidade do Rio de

Janeiro em 2000. Organizado pela autora.

A primeira observação necessária sobre o Mapa 5 é que foi feita uma associação entre as Áreas de Ponderação e os bairros da cidade do Rio de Janeiro, para melhor identificar os locais de residência dos equatorianos na cidade. Como já explicitado, as Áreas de Ponderação são as menores unidades de divulgação dos dados da amostra do Censo de 2000 e consistem numa agregação de setores censitários (não divulgados por motivos de confidencialidade). Sendo assim, um bairro pode ser dividido em mais de uma Área de ponderação, como pode ser observado em Copacabana, que na legenda do Mapa 5 aparece duas vezes, pois foram identificados equatorianos em duas Áreas de Ponderação desse bairro.

De acordo com o Mapa 5 é possível perceber que a maior parte dos equatorianos (aproximadamente 176, num total de 226 pessoas) encontrava-se em 2000 morando na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro (Humaitá, Flamengo, Copacabana, Ipanema, Santa Teresa, Leblon e Leme), ficando os outros em bairros da Zona Norte da cidade, como Engenho Novo (11) e Tijuca (14) e da Zona Oeste como Senador Vasconcelos (25).

Essa distribuição dos equatorianos na cidade do Rio de Janeiro, apesar de relativamente defasada por ser baseada em dados do Censo Demográfico de 2000, foi essencial para identificar os bairros em que se alocavam esses imigrantes. No entanto, a observação empírica no campo também foi primordial, na medida em que os bairros de residência dos imigrantes equatorianos identificados no Censo nem sempre correspondem aos bairros onde os mesmos trabalham, ou seja, aos locais onde são mais facilmente localizados e onde é possível conversar e aplicar os questionários.

Além da localização espacial dos equatorianos na cidade, foram trazidas algumas características relativas à alocação dos equatorianos no mercado de trabalho (ocupações,

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horas trabalhadas e posição na ocupação) ou que estejam relacionadas ao tema e ajudem a melhor interpretá-lo (idade, escolaridade, renda).

Com relação à variável idade expressa no Gráfico 1 é possível afirmar que os equatorianos encontram-se distribuídos majoritariamente entre cinco faixas etárias: de 5 a 9 anos (16,22%), de 20 a 24 anos (15,77%), de 30 a 34 anos (14,86%), de 35 a 39 anos (14,86%) e 50 a 54 anos (14,41%). A partir desses dados pode-se dizer que o perfil dos equatorianos que vem para a cidade do Rio de Janeiro é majoritariamente de jovens em idade produtiva (de 20 a 54 anos) que, em muitos casos, podem vir acompanhados de família com filhos, o que justificaria a alta percentagem de crianças de 5 a 9 anos e de muitos adolescentes de 10 a 14 anos. Vale ressaltar que muitos desses jovens adultos possivelmente terminam o ensino básico e, sem oportunidades no Equador (país pobre e sem muitas perspectivas de crescimento), migram para outros países buscando melhores condições de vida.

Fonte: Banco Multidimensional de Estatística (BME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dados da Amostra do Censo Demográfico de 2000. Organizado pela autora.

No que diz respeito à variável relativa à escolaridade (Gráfico 2)

Fonte: Banco Multidimensional de Estatística (BME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dados da Amostra do Censo Demográfico de 2000. Organizado pela autora.

, é possível afirmar que os equatorianos apresentam escolaridade relativamente alta: a maior percentagem é de equatorianos com 15 anos ou mais de estudo (33,04%), seguindo-se os que possuem de 11 a 14 anos de estudo (29,91%). No entanto, é válido destacar que também é alta a percentagem de equatorianos sem instrução ou com menos de 1 ano de estudo (21,88%).

O Gráfico 3 representa a distribuição dos imigrantes equatorianos segundo faixas de rendimento determinadas pelo Censo Demográfico. A leitura do gráfico permite observar que a maior percentagem de equatorianos encontra-se na faixa de 10 a 15 salários mínimos (15,77%). No entanto, não muito atrás são encontrados os equatorianos que recebem de 5 a 10 salários mínimos (13,96%) e de 3 a 5 salários mínimos (13,51%). Contudo, uma informação relevante é a alta percentagem de equatorianos que não possui rendimentos

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(14,86%). Vale destacar que nessa categoria “sem rendimento” não são considerados os menores de 10 anos que se encontram na categoria “não aplicável”.

Fonte: Banco Multidimensional de Estatística (BME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dados da Amostra do Censo Demográfico de 2000. Organizado pela autora.

A variável relativa às ocupações (Gráfico 4)

Fonte: Banco Multidimensional de Estatística (BME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dados da Amostra do Censo Demográfico de 2000. Organizado pela autora.

mostra que a maior parte dos equatorianos trabalha em Serviços, Vendas, Comércio, Loja e Mercado (15,77%); em segundo lugar encontram-se os Profissionais das Ciências e das Artes (15,32%); em terceiro lugar os Técnicos de Nível Médio (14,41%) e em quarto e último lugar, os Membros Superiores do Poder Público, Dirigentes e Gerentes, representando apenas 4,5% dos equatorianos na cidade. Essa leitura indica a diversidade de níveis de ocupação entre os equatorianos, que se encontram inseridos em ocupações tanto de alta qualificação, como Profissionais das Ciências e das Artes e Membros Superiores do Poder Público, Dirigentes e Gerentes, quanto em ocupações de reduzida qualificação, como trabalhadores de Serviços, Vendas, Comércio, Loja e Mercado e Técnicos de Nível Médio.

O Gráfico 5 representa o número de horas semanais trabalhadas pelos equatorianos na cidade do Rio de Janeiro. É possível perceber que a maioria dos equatorianos trabalha em média de 40 a 44 horas semanais (16,67%) que seria o número de horas de referência segundo as leis trabalhistas. Vale destacar que também é significativa a percentagem de

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equatorianos que trabalha além desse número de horas, de 45 a 48 horas (4,95%) e 49 horas ou mais (13,06%), o que caracteriza condições não ideais de trabalho. Além disso, também há equatorianos que trabalham poucas horas semanais, de 30 a 39 horas (10,36%) e de 15 a 29 horas (4,95%), o que pode indicar trabalho em ocupações mais qualificadas que exigem menor carga horária, ou aprendizes, que trabalham menos horas.

Fonte: Banco Multidimensional de Estatística (BME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dados da Amostra do Censo Demográfico de 2000. Organizado pela autora.

No que diz respeito à posição na ocupação dos equatorianos (Gráfico 6) é possível perceber que a maioria encontra-se com carteira de trabalho assinada (30,18%). Em percentagens menos expressivas, estão os empregados sem carteira de trabalho assinada (10,36%), aprendizes ou estagiários sem remuneração (4,95%) e os que exercem trabalho doméstico com carteira de trabalho assinada (4,5%).

Fonte: Banco Multidimensional de Estatística (BME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dados da Amostra do Censo Demográfico de 2000. Organizado pela autora.

A partir dessa breve exposição de características dos equatorianos no mercado de trabalho da cidade do Rio de Janeiro, é possível compreender que esse grupo não apresenta um padrão ou tipo específico. Existem, na verdade, grupos distintos, com diferentes níveis escolaridade, por exemplo, que se traduzem em também diferentes e até mesmo discrepantes

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tipos de ocupação, níveis de renda e condições de trabalho, podendo ser considerados, dois grupos sociais com níveis socioeconômicos opostos.

4.2 Os equatorianos no comércio de rua do Rio de Janeiro em 2012

No que se refere aos dados primários, vale reforçar que foram alvo da pesquisa apenas os equatorianos encontrados trabalhando no comércio de rua da cidade do Rio de Janeiro. Esses indivíduos representariam, por exemplo, uma parcela dos trabalhadores identificados no Censo Demográfico de 2000 como “de Serviços, Vendas, Comércio, Loja e Mercado” (15,77% representando aproximadamente 36 pessoas no universo de 228 equatorianos) e ainda daqueles trabalhadores indicados como “sem carteira de trabalho assinada” (10,36% representando aproximadamente 24 pessoas no mesmo universo). Sendo assim, a amostra coletada em campo já cobriria esses percentuais, na medida em que foram realizados 40 questionários com equatorianos vendedores de mercadorias nas ruas da cidade, que, consequentemente não possuem qualquer vínculo empregatício.

4.2.1 Caracterizando os entrevistados

Com relação à caracterização dos equatorianos, foram contabilizados 22 homens e 18 mulheres, 26 solteiros e 14 casados – o que muito tem a ver com a idade dos equatorianos entrevistados, na medida em que a faixa etária predominante foi de jovens, geralmente solteiros, de 15 a 24 anos (29 entrevistados), seguida de adultos de 25 a 34 anos (7 entrevistados) e por último adultos de 35 a 44 anos (4 entrevistados).

Esse perfil corroboraria os dados encontrados na análise dos imigrantes equatorianos no Rio de Janeiro de acordo com o Censo Demográfico de 2000, onde é grande a presença de jovens equatorianos migrando na atualidade, além de crianças (que não são entrevistadas). Além disso, a grande maioria dos entrevistados alegou possuir parentes no Rio de Janeiro e ter viajado também com parentes (e amigos), o que iria ao encontro do caráter cada vez mais familiar das migrações internacionais.

No que diz respeito à escolaridade dos equatorianos a resposta predominante foi que possuíam primário completo (21 entrevistados), seguido de secundário completo (10 entrevistados) e primário incompleto (8 entrevistados). É válido ressaltar que a educação básica e obrigatória no Equador é composta por primário (a partir de 5 anos, com duração de 7 anos) e secundário (duração de 3 anos, da 8ª à 10ª série, terminando por volta dos 15 anos). Depois desses 10 anos de estudo básicos, existe um tipo de especialização chamada bachillerato, que pode ser físico-matemática, químico-biológica, social ou técnica com duração de 3 anos e anterior à entrada no ensino superior. Sendo assim, o perfil desses trabalhadores com relação à escolaridade distancia-se bastante dos resultados encontrados nos dados secundários, onde a maioria dos equatorianos apresentava alta escolaridade, com mais de 11 anos de estudo; pelo contrário, a escolaridade predominante dos entrevistados foi de até 10 anos de estudo.

Com relação à data de chegada dos equatorianos à cidade, a grande maioria alegou ter chegado em 2011 (30 entrevistados), o que confirmaria a atualidade da intensificação do fluxo de equatorianos no Rio de Janeiro. Os demais chegaram em 2010 (5 entrevistados), 2009 e 2008 (2 entrevistados cada) e 2012 (1 entrevistado). Portanto, esses equatorianos não seriam captados pelos dados de 2010, confirmando a hipótese levantada e a relevância do trabalho de campo para esse estudo.

Quanto à origem, a grande maioria dos equatorianos respondeu ser natural de Otavalo (30 entrevistados), seguindo-se dos naturais de Quito (7 entrevistados) e de Cotacachi (3 entrevistados). Os otavaleños são um grupo indígena famoso por seu estilo de vida viajante,

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em que mudam suas residências pelos países como forma de conhecê-los e conseguir mercado de consumo para vender seus produtos artesanais.

4.2.2 Motivos da migração

Em suas cidades de origem, os equatorianos trabalhavam com artesanato (13 entrevistados) e comércio (11 entrevistados), que muitas vezes poderiam estar associados, na medida em que os otavaleños costumam fabricar os produtos artesanais que vendem no comércio. Além disso, 12 entrevistados alegaram que não exerciam trabalho, somente estudavam (em virtude da pouca idade). Sendo assim, o principal motivo relatado para justificar a saída do Equador foi a busca de trabalho (30 entrevistados), na medida em que as oportunidades no Equador são poucas e de baixa rentabilidade já que há muitos equatorianos realizando as mesmas atividades e vendem produtos similares. Vale ressaltar, que mais uma vez, mantem-se no cerne das migrações do Equador para o Brasil a razão econômica.

Entre os motivos da escolha pelo Brasil em detrimento de outros países, os equatorianos responderam que vieram muito pela curiosidade em conhecer o país (13 entrevistados) e para trabalhar e vender seus produtos (13 entrevistados). Outras respostas apareceram como a família e/ou amigos já estarem aqui ou terem recomendado o Brasil (7 entrevistados); por gostar do Brasil em virtude de suas belezas ou situação econômica mais avançada que o Equador (6 entrevistados); pelas facilidades de entrada de equatorianos; somente por temporada.

Sobre os motivos da escolha pela cidade do Rio de Janeiro em específico, os motivos foram muito semelhantes: para trabalhar (12 entrevistados); família já estabelecida na cidade (9 entrevistados); conhecer (7 entrevistados); houve destaque, contudo, para o surgimento de motivos como a presença de muitos turistas para comprar os produtos (4 entrevistados) e a presença da praia (9 entrevistados).

Em relação aos bairros nos quais moram os equatorianos na cidade, foram constatados somente 3: Copacabana (14 entrevistados), Centro (22 entrevistados) e Lapa (4 entrevistados). Quando perguntados sobre os motivos de escolha desses bairros para morar, a maioria alegou que algum parente já estava estabelecido no bairro (15 entrevistados). Além desse motivo outros apareceram, como: dificuldade de locação e desconhecimento de outros bairros; no caso de Centro e Lapa, facilidades como transporte, segurança e preço baixo; e no caso de Copacabana proximidade com a praia e os turistas, o que também seria motivo de maiores probabilidades de vendas.

4.2.3 Condições de Trabalho

No que diz respeito aos bairros escolhidos para vender seus produtos, os equatorianos alegaram que muitas vezes trabalham em mais de um bairro, podendo ser um durante o dia e outro ao entardecer; ou ainda, bairros diferentes em cada dia da semana. Sendo assim, esse fato se tornou uma variável de dificuldade na realização da pesquisa de campo, na medida em que algumas vezes foi possível identificar o mesmo equatoriano (já entrevistado) num outro bairro em outro dia ou horário. Assim, torna-se mais difícil analisar a ocorrência dos equatorianos pela cidade, em virtude da dinâmica complexa que eles apresentam com relação à organização de sua atividade comercial.

Os bairros mais citados pelos equatorianos como pertencentes as suas rotas de trabalho foram: Méier, Bangu, Copacabana, Ipanema, Taquara, Campo Grande, Madureira, Largo do Machado, Centro (Figura 1) e Leblon. As principais respostas citadas para a escolha desses bairros para trabalhar foram em geral relacionadas a maior facilidade para vender como: mais movimento de pessoas, maior tranquilidade, menos fiscalização e a

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caracterização desses bairros como “comerciais”. Outros motivos citados foram a indicação de familiares e amigos, o desconhecimento de outros bairros, concorrência em Copacabana (já existem muitos equatorianos vendendo) e proximidade do local de moradia.

Quando perguntados se gostam do tipo trabalho que exercem, os equatorianos responderam majoritariamente que sim (32 entrevistados), explicando que vendem bem, ganham dinheiro, o trabalho é tranquilo, livre, sem horário fixo, é até divertido, aprendem português e gostam pois só sabem fazer isso da vida e a família toda trabalha nesse ramo. Contudo, outros 7 entrevistados disseram que não gostam do trabalho especialmente devido aos problemas com os guardas e à concorrência com outros comerciantes.

Figura 1: Equatorianos trabalhando na Uruguaiana (Fonte: Jornal O Globo online). 4.2.4 Perspectivas

Quando perguntados se vivem melhor no Brasil do que viviam em suas cidades de origem no Equador, as respostas foram bem divididas: 20 entrevistados alegaram que não, em virtude especialmente do fato de viver com saudades de familiares que estão no Equador ou que o nível de vida era o mesmo; e 20 entrevistados responderam que sim, alegando que aqui há mais possibilidades para trabalhar e ganham mais dinheiro do que no Equador.

Com relação à adaptação, 35 entrevistados disseram que se sentem bem no Brasil, adaptados, e somente 5 entrevistados alegaram que se sentem excluídos por motivos como discriminação, perseguição pelos guardas nas ruas, língua diferente. Contudo, acredita-se que essa questão tenha se confundido um pouco com a questão do preconceito, onde 31 entrevistados disseram não sofrer nenhum tipo de preconceito e 9 alegaram sofrer preconceito com relação novamente à língua e também ao cabelo grande dos homens equatorianos.

Nessas questões destacadas, muitos equatorianos ressaltaram a receptividade e a simpatia do povo brasileiro. Sendo assim, acredita-se que os motivos relatados como de discriminação e preconceito, como a língua diferente e a perseguição pelos guardas, por exemplo, reflitam mais as dificuldades enfrentadas pelos imigrantes de maneira geral (que falam outra língua) e por trabalhadores do setor informal, respectivamente.

Para finalizar, quando perguntados sobre a existência de planos para migrar novamente, os equatorianos também ficaram muito divididos: 20 entrevistados disseram que pretendem se estabelecer no Brasil; os outros 20 entrevistados disseram que pretendem realizar mais uma etapa migratória, sendo que, 10 pretendem voltar para suas cidades de origem no Equador, e os outros 10 desejam migrar para outros países como Chile, Rússia, Espanha, Estados Unidos, Argentina e Colômbia.

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5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A ampliação dos fluxos migratórios a nível internacional especialmente a partir da década de 1980 é (e deve ser) um fenômeno cada vez mais discutido nas agendas políticas internacionais, entre os governos de diversas escalas, na Academia, em associações, empresas e entre a sociedade civil. Tendo em vista os destaques contemporâneos que a perspectiva econômica das migrações tem tido a nível mundial, em geral na procura por emprego e melhores condições de vida, torna-se essencial considerar as transformações em curso no mundo do trabalho que o tornam mais rígido e excludente para a grande maioria da população migrante. Sendo assim, uma alternativa que se coloca é a emergência cada vez mais notada do trabalho informal, exemplificada aqui pelos equatorianos que trabalham no comércio de rua do Rio de Janeiro.

No presente estudo procurou-se caracterizar, portanto, a inserção desses imigrantes equatorianos no mercado de trabalho da cidade do Rio de Janeiro, tanto a partir de dados secundários quanto de dados primários; através dos dados secundários relativos ao Censo Demográfico de 2000 notou-se a presença de diferentes grupos sociais de equatorianos, com níveis de escolaridade variados, que se traduzem em discrepantes níveis de renda, condições de trabalho e nível de qualificação das ocupações; já nos dados primários, onde foram objeto de pesquisa somente os equatorianos alocados no setor informal da economia, ou seja, apenas um grupo social específico, foi possível verificar as condições de trabalho no comércio de rua, os motivos de vinda para o Brasil, os locais de moradia e trabalho e as perspectivas desse grupo. Além disso, foi possível inferir o recente incremento do fluxo de equatorianos para a cidade do Rio de Janeiro, pois, alheia às incontingências dos dados do Censo Demográfico de 2010, a pesquisa de campo revelou maciça vinda de equatorianos a partir do ano de 2008, com grande destaque para o ano de 2011.

Ao procurar as causas para o incremento desse fluxo migratório, pode ser colocado que o crescimento econômico acentuado do Brasil nos últimos anos qualifica-o cada vez mais como um país em expansão, com boas oportunidades de emprego e consequentemente com melhores condições de vida. Assim, torna-se cada vez mais (como já o foi desde o início de sua história) um local de destino almejado por imigrantes de outros países que não tem tantas oportunidades em seus países de origem. Além disso, a cidade do Rio de Janeiro, mundialmente conhecida por suas belezas naturais e futuro palco de eventos de gigantesca magnitude como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, acaba se tornando também grande atrativo para imigrantes que almejam melhores oportunidades de emprego e de vida.

Vale destacar que essa capacidade atrativa do Brasil vem sendo acompanhada de uma postura do governo brasileiro frente às questões migratórias internacionais, essencialmente de defender o direito de ir e vir dos migrantes, e de repensar a questão burocrática com relação à entrada de pessoas de outros países. É preciso que haja enfim a criação de uma nova política migratória nacional que leve em consideração as muitas mudanças que ocorrem na atualidade, assim como a diversidade de fluxos migratórios envolvendo o país, tanto de imigrantes que chegam, como de brasileiros no exterior, de modo a facilitar as movimentações das pessoas e suas possibilidades de fixação.

Conhecer um pouco mais sobre os imigrantes equatorianos é fundamental, portanto, pois chama a atenção para a demanda que tem sido delegada ao Brasil no acolhimento de imigrantes internacionais. Com esse exemplo, pode-se dizer que as configurações migratórias contemporâneas que se estabelecem entre Brasil e Equador refletem também o estreitamento das relações entre esses países, assim como entre os países da América Latina, a partir da

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integração econômica proposta pelo MERCOSUL, e de acordos bilaterais de livre residência e livre circulação de pessoas entre os países membros e associados.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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