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A importância da expressão dramática e corporal em alunos com necessidades educativas especiais

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Academic year: 2021

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Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Escola das Ciências Humanas e Sociais

Departamento de Educação e Psicologia

A importância da Expressão Dramática e Corporal

em Alunos com Necessidades Educativas

Especiais

- Versão Final-

Relatório de Estágio com feição dissertativa do Mestrado

em Ensino de Teatro

Élio David Rodrigues da Silva

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Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Escola das Ciências Humanas e Sociais

Departamento de Educação e Psicologia

A importância da Expressão Dramática e Corporal

em Alunos com Necessidades Educativas

Especiais

- Versão Provisória -

Relatório de Estágio com feição dissertativa do Mestrado

em Ensino de Teatro

Élio David Rodrigues da Silva

Orientadora: Professora Doutora Rita Gisela Martins de Azevedo

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Relatório de Estágio com Feição Dissertativa elaborado com vista à obtenção do grau de Mestre em Ensino de Teatro, em conformidade com o Despacho n.º 3613/2009, de 22 de Janeiro.

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A minha grande amiga e namorada Telma Taveira.

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AGRADECIMENTOS

Elaboração deste relatório com feição dissertativa contou com a colaboração de pessoas a quem gostaria de salientar agradecer:

À Professora Doutora Rita Gisela Martins de Azevedo, minha orientadora, pelo seu profissionalismo, dedicação, companheirismo e pelos seus conselhos.

À Direção do Mestrado de Ensino de Teatro.

À Professora Doutora Maria José Cunha, orientadora da unidade curricular de estágio. A todos os docentes da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro que me acompanharam ao longo deste percurso, transmitindo-me conhecimentos de grande importância.

Aos meu Pais e a minha família pelo apoio, incentivo e preocupação e tornar-me na pessoa que sou.

Aos meus amigos por todo o apoio e ajuda incondicional, em especial ao Márcio Meireles, mas igualmente aos Triângulo com 4 Lados (Elisa Freitas, Nelson da Silva e Raquel Magalhães)

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SIGLAS E ABREVIATURAS

AVEDC – Agrupamento Vertical de Escolas Diogo Cão CEB – Ciclo de Ensino Básico

NEE – Necessidade Educativas Especiais PAA – Plano Anual de Atividades

PE – Projeto Educativo

PEA – Projeto Educativo de Agrupamento PEE – Projeto Educativo de Escola PC – Projeto Curricular

PCA – Projeto Curricular de Agrupamento PCE – Projeto Curricular de Escola PCT – Projeto Curricular de Turma RI – Regulamento Interno

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RESUMO

As expressões dramática e corporal são uma ferramenta fantástica de integração e de desen-volvimento do individuo independentemente das suas limitações ou barreiras físicas ou psicológicas. Estas práticas obrigam a altos níveis de concentração e raciocínio que ajudam no desenvolvimento de tarefas e atividades. Por sua vez, numa deficiência ou imperfeição física ou psicológica registada numa criança que tem dificuldade em atingir objetivos da mesma forma que outras crianças num ambiente escolar, entende-se que essa criança requer de necessidades educativas especiais.

Crianças com necessidades educativas especiais necessitam de um complemento educativo adicional e diferente, com objetivo de promover o seu desenvolvimento e a sua aprendizagem, utili-zando todo o seu potencial, logo as expressões dramáticas e corporais podem ser esse complemento e a ferramenta essencial para potenciar essas crianças.

Este estudo é uma revisão bibliográfica ligada as duas principais temáticas acima apresenta- das e com base nessa revisão é realizado uma reflexão teórica.

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ABSTRACT

The dramatic and body expressions are a fantastic tool for integration and individual deve- lopment regardless of their limitations or physical or psychological barriers. These practices require high levels of concentration and reasoning that help in the development of tasks and activities. In turn, disability or physical or psychological imperfection recorded in a child who has difficulty achieving goals in the same way that other children in a school setting, it is understood that the child requires special education needs.

Children with special needs require additional and different educational supplement, in order to promote their development and their learning, using their full potential, so the dramatic expressi- ons and body can be the complement and the essential tool to empower these children .
This study is a literature review linked the two main themes presented above and based on that review is car-ried out a theoretical reflection.

Word-keys: theather, dramatic expression, dramatic play, special education.

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ÍNDICE

DEDICATÓRIA... 4 AGRADECIMENTOS... 5 SIGLAS E ABREVIATURAS... 6 RESUMO... 7 ABSTRACT... 8 ÍNDICE... 9 INTRODUÇÃO... 11

I PARTE – PARTE TEÓRICA DE CARÁTER DISSERTATIVO... 15

Capítulo 1 – Educação Especial... 16

1.1. História da educação especial... 16

1.2. Definição de necessidades educativas especiais... 17

1.3. Conceito da família... 18

1.4. Apoio aos pais... 19

1.5. O papel dos pais... 21

1.6. O impacto da deficiência na família... 21

1.7. O conceito de integração... 24

1.8. Formas de integração... 26

Capítulo 2 – A Expressão Dramática e Corporal... 28

2.1. Expressão... 28

2.1.1 Expressão Dramática ... 28

2.2.2 Expressão Corporal... 29

2.3. Teatro... 29

2.4. O Jogo... 30

2.5. O Jogo no desenvolvimento integral da criança... 32

2.6. Categorização do jogo na infância... 32

2.6.1. O jogo pedagógico... 33

2.6.2. A importância de usar as regras do jogo... 34

2.7. A comunicação como forma de expressão... 34

2.8. A expressão nas crianças... 35

2.9. A criatividade... 36

2.10. A socialização... 36

Conclusão... 38

II PARTE – PARTE PRÁTICA... 39

1. Caracterização do meio envolvente... 40

2. O Agrupamento Vertical de Escolas Diogo Cão... 42

2.1. EB 1º Ciclo de Lordelo... 43

3. Documentos orientadores... 43

3.1. Projeto educativo do agrupamento... 43

3.2. Projeto curricular do agrupamento... 45

3.3. Regulamento interno... 48

3.4. Plano anual de atividades do agrupamento... 48

3.5. Projeto curricular de turma... 49

4. Caracterização dos Recursos Humanos... 50

4.1. Alunos... 50

4.2. Pessoal docente... 50

4.3. Pessoal não docente... 51

4.4. Pais e/ou Encarregados de Educação... 51

5. prática educativa supervisionada... 51

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Reflexão sobre o estágio... 53

Conclusão... 54

Referências Bibliográficas... 55

Netgrafia... 57 Anexos... CD

(11)

INTRODUÇÃO

O presente relatório com feição dissertativa contempla uma fundamentação teórica e prática, bem como análise reflexiva acerca da temática da importância da expressão dramática e corporal em alunos com necessidades educativas especiais. Este estudo constituído com uma revisão bibliográfica sobre as temáticas dos alunos com necessidades educativas especiais e expressões dramáticas e corporal. A segunda parte de caráter prático com o relatório de estágio realizado no Agrupamento Vertical de Escolas Diogo Cão, mais particularmente na Escola Básica 1 n.º 6 de Vila Real. Com o presente documento pretende-se a obtenção do grau de Mestre no Mestrado em Ensino de Teatro na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Com base na revisão bibliográfica, entende-se que as expressões dramática e corporal ao serem aplicadas com crianças com necessidades educativas especiais em ambiente escolar, pois a escola é um espaço privilegiado para o desenvolvimento pessoal e social, contribuiu para a aproximação da criança com o restante grupo e ajuda para o seu sucesso escolar. As artes, em particular as expressões dramáticas e corporais são elementos indispensáveis no desenvolvimento da expressão pessoal, social e cultural do individuo. São formas de Saber que articulam a imaginação, a razão e as emoções. Elas perpassam as vidas das pessoas, trazendo novas perspetivas, formas e densidades ao ambiente e à sociedade em que se vive.

Este trabalho foi desenvolvido no âmbito do estágio curricular realizado na Escola EB1 nº.6 de Vila Real pertencente ao Agrupamento Vertical de Escolas Diogo Cão, sob a orientação da professora Maria José Cunha e o professor cooperante João Paulo Miranda. O estágio é realizado em dois momentos – aulas observadas¹ – e as aulas de responsabilização individual².

Para além do trabalho realizado na escola necessário horas extras onde nestas incluímos todo o trabalho realizado de pesquisa individual e em grupo, trabalho de preparação para planificações e discussões de grupo e trabalho de interajuda com o professor cooperante e reuniões com a professora orientadora.

Ao longo do período de estágio o grupo teve sempre autonomia para propor e elaborar atividades tendo sempre em foco o domínio da expressão dramática e corporal, uma vez que, em nosso entender, se trata de uma metodologia fundamental para o desenvolvimento das emoções, da criatividade, da autonomia, da comunicação da criança, entre outras.

Advertências

Com esta dissertação pretendemos aplicar a metodologia da expressão dramática e corporal nas escolas e demonstrar que o recitar um poema ou a execução de uma pequena performance são suficientes para crianças com necessidades educativas especiais possam trabalhar com outros

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indivíduos e ajudar a ultrapassar barreiras.

Sendo assim, com a prática da expressão dramática e corporal e a sua metodologia prática, em nossa opinião permite desenvolver maior confiança e possibilitar novas perspetivas sobre a forma de estar na sociedade. Esta apresenta-se como uma área de conteúdo de extrema importância, através das atividades de exploração corporal, vocal, do meio envolvente e de objetos, proporcionam às crianças momentos únicos e efémeros, enriquecendo as suas vivências de uma maneira espontânea, utilizadas através de jogos e permitem participar em desafios coletivos e pessoais, que contribuem para a construção da identidade pessoal e social, permitindo o entendimento das tradições de outras culturas, sendo uma área de eleição no âmbito da aprendizagem ao longo da vida.

O Ponto de partida

Pretendemos nesta dissertação demonstrar que a metodologia da expressão dramática e corporal pode proporcionar grandes benefícios às crianças com necessidades educativas especiais. Esta contribui para o desenvolvimento pedagógico e social da mesma no 1º ciclo do ensino básico, para além do seu desenvolvimento nas suas competências gerais, a serem gradualmente apreendidas ao longo da educação.

Assim, a expressão dramática e corporal ajuda na

“descoberta de si e do outro, de afirmação de si próprio em relação com o(s) outro(s) que corresponder a uma forma de se apropriar de situações sociais.” (OCEPE, 1997:59).

Em nosso entender esta prática pedagógica favorece o desenvolvimento global da criança, favorecendo através de atividades lúdicas, o desenvolvimento de uma aprendizagem global (cognitiva, afetiva, sensorial, motora e estética).

A Singularidade

A nossa pesquisa e análise de documentos sobre esta temática permite-nos afirmar que apesar de alguns desses estudos abordarem alguns conceitos como expressão dramática ou corporal, jogo dramático, não existem investigações que se debrucem efetivamente sobre análise do processo e metodologia da expressão dramática como contributo na educação especial. Daí que nos tenha parecido que este estudo revela ser pertinente visto haver pouca informação relacionada com este assunto. Sendo assim no âmbito do Mestrado em Ensino do Teatro da UTAD esta temática surge como relevante e de caráter pioneiro.

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A proposta

Como foi expresso anteriormente a expressão dramática e corporal permite ajudar as crianças a superarem as suas dificuldades de comunicação, de auto-estima e proporciona o desenvolvimento de uma aprendizagem global trazendo benefícios à sua formação pessoal e social. O objetivo deste estudo é demonstrar que a metodologia da expressão dramática e corporal é uma ferramenta fundamental no crescimento e que promove grandes benefícios, contribuindo positivamente em crianças com necessidades educativas especiais.

A metodologia

A presente dissertação é composta por duas partes. Esta encontra-se organizada, de acordo com a seguinte esquematização:

• I Parte – Parte teórica de caracter dissertativo • II Parte – Parte prática

Na primeira parte explicamos pormenorizadamente o objeto de estudo desenvolvido sobre a expressão dramática como auxiliar para as relações de género.

No capítulo 1, abordamos a Educação Especial. Fazemos referência à metodologia da Educação Especial e o seu valor pedagógico. O papel dos pais e a importância da família no acompanhamento de crianças NEE. As várias formas de integração destas crianças numa turma.

No capítulo 2, pretendemos caraterizar alguns conceitos como expressão dramática e corporal. A expressão como forma de comunicação associada a criatividade e a socialização. Tendo em conta a opinião de alguns autores consultados, pretendemos inserir uma componente e fundamentação teórica essencial relativamente aos conceitos que serão prezados no decorrer de todo o nosso trabalho.

Na segunda parte da dissertação estruturamos esta de maneira diferente, organizamos por pontos e não por capítulos. No nosso primeiro ponto, começamos com a caraterização do meio envolvente da nossa prática educativa, especificamente, o meio envolvente – o concelho de Vila Real, o Agrupamento Vertical de Escolas Diogo Cão e a escola EB1 nº. 6 de Vila Real, onde realizamos a nossa prática. Posteriormente, fazemos um resumo dos documentos orientadores do agrupamento, mais concretamente do Projeto Educativo de Agrupamento, o Projeto Curricular, o Regulamento Interno, o Plano Anual de Atividades e por fim, o Projeto Curricular de Turma. No ponto quatro elaboramos uma breve caraterização dos recursos humanos segundo as informações obtidas através do projeto de intervenção do Agrupamento Vertical de Escolas Diogo Cão. No ponto

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cinco fazemos a descrição de algumas características das quatro turmas onde trabalhamos e apresentamos também as plantas de cada sala de aula.

Por fim no último ponto, o ponto seis, apresentamos algumas planificações do estágio e as suas respetivas reflexões. As restantes planificações bem como imagens e outros recursos utilizados, seguem no CD em anexo.

Em suma optamos por uma metodologia que analisa:

a) Definição e história da educação especial, o papel dos pais e da família, conceitos e formas de integração.

b) A contextualização teórica de conceitos como, expressão dramática, jogo dramático, improvisação, dramatização, teatro, teatro infantil e teatro para infância.

c) Em terceiro lugar apresentamos o nosso objeto de estudo, processo trabalhado desenvolvido e o resultado obtido.

d) A encerrar a nossa dissertação apresentamos, na segunda parte, os documentos fundamentais para o desenvolvimento do nosso relatório de estágio.

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CAPÍTULO 1 – EDUCAÇÃO ESPECIAL

1.1. História da Educação Especial

Podemos situar os primórdios da Educação Especial pelos finais do século XVIII. Esta época é caracterizada pela ignorância e rejeição do indivíduo com deficiência.

Nas sociedades antigas era normal o infanticídio quando se observavam anormalidades nas crianças. Durante a Idade Média a Igreja condenou o infanticídio, mas, por outro lado, acalentou a ideia de atribuir a causas sobrenaturais as anormalidades de que padeciam as pessoas. Considerou-as possuídConsiderou-as pelo demónio e outros espíritos maléficos e submetia-Considerou-as a práticConsiderou-as de exorcismo.

Nos séculos XVII e XVIII os deficientes mentais eram internados em orfanatos, manicómios, prisões e outros tipos de instituições estatais. Ali ficavam junto de delinquentes, velhos, pobres… indiscriminadamente. 1

2A Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais, organizada pela

UNESCO, em Salamanca, em Junho de 1994, consagrou um conjunto de conceitos como “Inclusão” e “Escola Inclusiva” que passaram a fazer parte da gíria entre os profissionais ligados à educação.

Para muitos a Declaração de Salamanca representa a consagração de uma educação que atende às diferenças individuais, e ninguém exclui na mesma escola. Para outros, trata-se de um novo discurso educacional adequado a uma nova economia mundial que integra ricos e pobres, tra-balhadores e desempregados, normais e anormais num mesmo sistema de exploração, mantendo todas as abissais desigualdades sociais. Tudo pode ser rentabilizado e gerar mais-valias.

O tema não é novo. Durante séculos o debate sobre a exclusão / integração esteve centrado sobre a questão da natureza humana. A primeira fronteira entre os homens está na concepção de que cada um vai criando sobre a natureza humana. A tradição filosófica consagrou que a natureza de algo é o seu ser, a sua essência ou substância. A natureza é pois um conceito ideológico que tem servido para fundamentar as mais díspares teorias políticas educacionais.

1 Coordenação: Rafael Bautista. “Necessidades Educativas Especiais”. Capítulo I. Pág. 22. 1997. 2ª ed. Ana Escoval. 2 Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. “Declaração de Salamanca e

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1.2. Definição de Necessidade Educativa Especial

No relatório Warnock (1978) aparece pela primeira vez o termo necessidades educativas es-peciais. 3

O conceito de necessidade educativa especial é um conceito – chave.

Um aluno tem Necessidades Educativas Especiais4 quando a sua deficiência ou a sua imper-feição física ou psicológica não lhe permite atingir, da mesma forma que os outros, aquilo que lhes é ensinado normalmente na escola.

O conceito de dificuldade de aprendizagem é relativo; surge quando um aluno tem uma difi-culdade de aprendizagem significativamente maior do que a maioria dos alunos da sua idade, ou sofre de uma incapacidade que o impede de o utilizar ou lhe dificulta o uso das instalações educati-vas geralmente utilizadas pelos seus companheiros.

Alunos com NEE necessitam de um complemento educativo adicional e diferente, com ob-jectivo de promover o seu desenvolvimento e a sua aprendizagem, utilizando todo o seu potencial, para que ele possa viver como cidadão válido, autónomo e ajustado.

Contudo, ter Necessidades Educativas Especiais, não significa sempre, deficiência física e intelectual. Qualquer um de nós, numa dada altura da nossa vida, podemos necessitar de um apoio suplementar para ultrapassar determinadas barreiras que se nos apresentam na aprendizagem.

As Necessidades Educativas Especiais podem ser divididas em dois grandes grupos: Neces-sidades Educativas Especiais Permanentes e NecesNeces-sidades Educativas Especiais Temporárias.

As necessidades educativas especiais permanentes são aquelas que exigem adaptações gene-ralizadas do currículo, adaptando-o às características do aluno, que se mantém durante grande parte ou todo o percurso escolar do aluno.

Neste grupo, encontram-se crianças e adolescentes cujas alterações significativas no seu desenvolvimento foram provocadas por problemas orgânicos, funcionais e ainda por défices socio-culturais e económicos graves.

As necessidades educativas especiais temporárias exigem modificação parcial do currículo escolar, adaptando-o às características do aluno num determinado momento do seu desenvolvimen-to.

Geralmente, podem manifestar-se como problemas ligeiros ao nível do desenvolvimento das funções superiores: desenvolvimento motor, preceptivo, linguístico e sócio - emocional; ou podem ainda manifestar-se como problemas ligeiros relacionados com a aprendizagem da leitura, da escrita e do cálculo.

3 Coordenação: Rafael Bautista. “Necessidades Educativas Especiais”. Pág. 10. 1997. 2ª ed. Ana Escoval. 4 Magalhães, Freitas “Educação Especial” 2002. 6ª ed. Felgueiras: ISCE.

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A criança deficiente é a criança que se desvia da média ou da criança “normal” em: caracte-rísticas mentais, aptidões sensoriais, caractecaracte-rísticas neuromusculares e corporais, comportamento emocional e social, aptidões de comunicação e múltiplas deficiências até ao ponto de justificar e requerer modificação das práticas educacionais ou a criação de serviços de educação especial no sentido de desenvolver ao máximo as suas capacidades.

1.3.

Conceito de Família

Segundo Giddens (2000:176/177), família é um grupo de indivíduos ligados entre si, por la-ços de sangue, de casamento ou adoção, que formam uma unidade económica, em que os membros adultos são responsáveis pela educação das crianças.

Família, é um meio onde se processam as primeiras aprendizagens do ser humano e se ad-quirem as noções sobre o mundo social.

Por outro lado, a família constitui o contexto específico em que se transmitem os valores culturais e socais, que ajudarão á integração harmoniosa da realidade social. Todas as mudanças efetuadas, com evolução temporal, são transmitidas através do agregado familiar.

Compete á família proporcionar às crianças um lar com um forte suporte que servirá de base para uma longa caminhada de aprendizagens e etapas ao longo da vida.

Segundo Hoz (1990:72), A instabilidade emocional dos pais e a mútua harmonia constituem a base psicológica da ordenação da vida familiar. Como qualquer sociedade, a família precisa de normas de comportamento que permitem a vida pacífica e o dissolvimento próprio do ser Humano. (…)Poucas coisas há mais desintegradas na formação da personalidade infantil e juvenil do que não saber o que esperar das reações emocionais imprevisíveis dos pais, que umas vezes se alteram por pormenores e outras permanecem tranquilos perante situações verdadeiramente graves.

Mas falando um pouco do papel do pai e do da mãe, relativamente à sua função de modelos de identificação que dinamizam ou inibem processos de crescimento. Segundo, Ann Kahn, “Os pais

devem ser lembrados de que eles são modelos de identificação para os filhos e devem mostrar às crianças que o seu envolvimento na educação é uma prova de que a educação é importante”.

A família constitui, desde sempre, uma célula fundamental da sociedade e assume uma pre-ponderância decisiva no desenvolvimento integral das crianças, com repercussões no desenvolvi-mento harmonioso das comunidades em que se integram, sendo imperioso reconhecer as funções específicas que desempenham e estimulam a realização plena dessas funções.

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1.4. Apoio aos Pais

Uma criança deficiente pode nascer no seio de qualquer família. Com o seu nascimento os pais vêem-se inevitavelmente, confrontados com novos problemas psicológicos, sociais e na maio-ria dos casos económicos.

Apesar de muitas destas famílias se manterem unidas e superarem todas as dificuldades, ou-tras há que não aguentam a pressão e acabam numa guerra de responsabilidades que as leva ao ter-mo, passando pelo divórcio e muitas vezes pelo abandono da criança.

Sabemos que todas as crianças requerem tempo e atenção da parte dos pais, mas, crianças com deficiência intelectual, requerem atenção a toda a hora e acompanhamento para ações, o que por vezes leva os pais à exaustão.

As despesas do agregado familiar, também sofrem grandes alterações, pois é necessário comprar um grande número de medicamentos de preço elevado e a higiene destas crianças e jovens requer um maior cuidado, sendo os produtos gastos em maior quantidade.

Muitas vezes, por falta de ajuda prática, baseada na informação dada por especialistas, os pais ficam impedidos de dispensar aos filhos os cuidados básicos essenciais a um desenvolvimento máximo das suas capacidades.

Para que os pais consigam um relacionamento, o tão normal quanto possível, com os seus fi-lhos deficientes e possam colaborar de forma eficaz na sua educação é essencial que o tenham con-seguido aceitar plenamente, que tenham concon-seguido vencer as dificuldades e que tenham ultrapas-sado a crise, ou seja, que tenham aprendido a amar o seu filho deficiente.

Mas, será que os pais são ajudados? Será que lhes são explicadas as características do pro-blema do filho, a forma como deverão ser tratados?

Na realidade as ajudas são escassas e em pleno século XXI, ainda podemos encontrar crian-ças portadoras de deficiência intelectual fechadas em casa porque os pais têm vergonha ou sim-plesmente falta de informação. Estas crianças não têm qualquer independência e necessitam de aju-da para realizarem as ativiaju-dades essenciais.

É necessária a existência de workshops educativos para que os progenitores de jovens porta-dores de deficiência intelectual se sintam capazes e possam dar todo o apoio e auxílio aos seus fi-lhos.

No entanto, a segurança social, dá apoio a progenitores com membros portadores de neces-sidades educativas especiais, seguem-se alguns apoios oferecidos a pais com filhos com NEE:

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ü Transporte a Pessoas com Deficiência, é uma das respostas sociais desenvolvida

através de um serviço de natureza coletiva de apoio a crianças, jovens e adultos com deficiência, que assegura o transporte e acompanhamento personalizado.5

ü As crianças e jovens com deficiência podem ainda ter direito a ajudas técnicas,

in-cluindo as decorrentes das novas tecnologias, que são apoios financeiros destinados a compensar a deficiência ou a atenuar-lhe as consequências e a permitir o exercício das atividades quotidianas e a participação na vida escolar, profissional e social.

ü Centro de Atendimento/Acompanhamento e Animação para Pessoas com Defi-ciência, resposta social, desenvolvida em equipamento, organizada em espaço

poli-valente, destinado a informar, orientar e apoiar as pessoas com deficiência, promo-vendo o desenvolvimento das competências necessárias à resolução dos seus pró-prios problemas, bem como atividades de animação sociocultural.

ü Serviço de Apoio Domiciliário, resposta social, desenvolvida a partir de um

equi-pamento, que consiste na prestação de cuidados individualizados e personalizados no domicílio a indivíduos e famílias quando, por motivo de doença, deficiência ou outro impedimento, não possam assegurar temporária ou permanentemente, a satis-fação das necessidades básicas e/ou as atividades da vida diária.

ü Centro de Atividades Educacionais, resposta social, desenvolvida em

equipamen-to, destinada a desenvolver atividades para jovens e adultos com deficiência grave.

Jovens portadores de necessidades educativas especiais têm ainda: Bonificação do Abono de Família para Crianças e Jovens Portadores de Deficiência com majoração nas famílias monoparen-tais; Subsídio por Frequência de Estabelecimento de Educação Especial; Subsídio Mensal Vitalício; Subsídio por Assistência de 3.ª Pessoa.6

Poder-se-á concluir, que apesar dos apoios dados pela segurança social aos progenitores, es-tes são insuficienes-tes, uma vez que cada vez mais existem crianças e jovens portadores de deficiência intelectual.

5Segurança Social.

Http://www.portaldocidadao.pt/PORTAL/entidades/MTSS/DGSS/pt/SER_accao+social+para+pessoas+com+deficienci a.htm [consultado em 09-07-2015]

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1.5. O papel dos pais

O papel dos pais na educação de crianças com necessidades educativas especiais (NEE) é crucial. Algumas vezes, é difícil para os pais aceitarem os problemas dos seus filhos ou compreen-der a situação para serem capazes de lidarem com elas.

Outro problema muito comum é a falta de comunicação entre pais e professores, sendo este problema devido à falta de instrução por parte dos pais, tendo eles vergonha de se comunicarem, achando os professores um grupo superior. Assim sendo, em vez de ter pais e professores unidos para atingir um objetivo comum, eles criam uma situação ainda mais difícil para o jovem.

É muito importante também que o professor esteja bem informado e treinado para lidar ao mesmo tempo com as crianças e com os pais, deve estar consciente dos problemas que se geram na família para ajudar a criar um bom ambiente para o jovem e uma boa relação de trabalho entre a Família e a Escola.

Na observação realizada durante a formação em contexto de trabalho pôde observar que há pouco envolvimento dos pais no processo educativo dos seus educandos

não comparecendo às reuniões ou estando ausentes noutras situações consideradas relevantes no contexto escolar dos mesmos.

Perante esta realidade e procurando envolver os pais neste contexto a aluna propõe que a instituição lhes dê formação com vista a consciencializá-los que as limitações decorrentes da defici-ência não são barreiras intransponíveis ao desenvolvimento pessoal e profissional dos filhos; a for-mação pode prever uma componente de cuidados básicos como a higiene e a alimentação com vista a melhorar as condições de habitabilidade; por último, a formação pode prever uma componente que vise a alteração dos hábitos familiares pretendendo-se assim uma melhor compreensão de esta-tutos e papéis consequentemente das normas sociais.

1.6. O Impacto da Deficiência na Família

O objetivo deste ponto, é descrever quais os fatores que influenciam o impacto que a deficiência de um filho tem na família e quais os níveis da vida familiar mais implicados. Pretende-se, através da pesquisa bibliográfica realizada, fazer uma síntese dos estudos elaborados sobre este tema, con-duzindo ao estabelecimento dos objetivos desta investigação bem como ao estabelecimento das hi-póteses colocadas.

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ü Fatores que influenciam o impacto

O impacto ou o efeito que uma criança com deficiência tem no sistema familiar, e a sua necessi-dade de apoio, não são uma situação provisória já que, durante todos os ciclos da vida familiar, se vão enfrentar situações recorrentes e inesperadas, que colocam desafios e necessidade de adaptação na família e na sociedade Carpenter (2000).

Gallimore, Coots, Weisner, Garnier, e Guthrie, (1996)7 referem que a adaptação dos pais à defi-ciência de um filho passa por três fases distintas:

• Fase do choque em que as expectativas de ter uma criança normal desaparecem nascendo sentimentos de culpa e ansiedade;

• Fase de reação em que os pais tentam compreender a situação, aparecendo sentimentos de ambivalência como a proteção e a negação e principalmente a busca de diferentes opiniões; • Fase da realidade em que se produz uma adaptação ao problema.

Os mesmos autores referem ainda que à medida que a criança com deficiência grave cresce, as exigências diárias aumentam e consequentemente o stress. À medida que a deficiência da criança se torna mais evidente socialmente e cresce a sua dependência, a busca de serviços de apoio aumenta também e estende-se por todos os ciclos vitais da família, assim como toda a coordenação instituci-onal que rodeia o indivíduo.

Turnbull e Turnbull (2001)8 identificam quatro fatores que influenciam o impacto da defici-ência na família: características da deficidefici-ência, características da família, características individuais e outras situações condicionantes.

7 Gallimore, R., Coots, J., Weisner, T., Garnier, H. & Guthrie, D. (1996). Family responses to children with early

devel-opmental delays II: Accommodation intensity and activity in early and middle childhood. American Journal on Mental Retardation, 101, 215-232.

8 Turnbull, A. P., Turnbull, H.R. (2001). Families, professionals and exceptionality: Collaboration for empowerment

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Características da Deficiência

O impacto da deficiência na família pode depender da gravidade da deficiência e da sua vi-sibilidade, do nível de funcionalidade da criança, de comportamentos inadequados e fraca compe-tência adaptativa, bem como das situações clínicas que estas crianças colocam.

Estudos mostram a existência de elevados níveis de stress e a existência de um maior núme-ro de depressões nas mães de filhos com deficiências graves, assim sendo, o stress dos pais influên-cia o desenvolvimento da criança, que à medida que os níveis de stress aumenta, diminui a qualida-de das interações com os filhos.

Ainda outros estudos, com o objetivo de analisar a adaptação familiar em famílias com cri-anças com doenças físicas crónicas, concluem que a tensão e o impacto no funcionamento familiar afecta a criança no seu desenvolvimento cognitivo, comportamental e social. Este aspecto revela-se extremamente importante se tomarmos em linha de conta que os pais das crianças com deficiência severa são particularmente vulneráveis ao stress, como afirmam Slopper e Turner (1993)9, que en-contraram elevados níveis de tensão nos Pais de crianças com deficiência grave do seu estudo – 70% das mães e 40% dos pais.

ü Características da Família

Relativamente às características da família, tanto a nível da sua estrutura como do nível só-cio – económico, pode haver aspetos que condisó-cionam o impacto da deficiência.

Algumas tentativas para provar a causa – efeito entre a depressão das mães e alguns

fatores como os aspetos sócio – económicos, idade da mãe, ou tamanho do agregado familiar, foram inconclusivos, deduzindo-se que a vulnerabilidade ao stress é o resultado de um dado conjunto de fatores que escapam à possibilidade de se apontarem com rigor (revisão de Dale, 1996)10.

9 Sloper, P. & Turner, S. (1993). Risk and resistance factors in the adaptation of parents of children with several

physi-cal disability. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 34(2), 167-188.

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Características individuais

Os aspetos individuais de cada elemento do sistema familiar são importantes quando se fala do impacto da deficiência na família e se a referirmos como um sistema em que todos influenciam tu-do, e o conjunto influência cada um individualmente, fatores como a personalidade, experiências prévias, a saúde física e mental, os comportamentos, o sentido das competências, a auto – estima e outros eventuais fatores condicionam a forma como cada um vê a deficiência e se adapta a ela. Se-gundo Santos (1994), as características pessoais dos pais, como perturbações psicológicas, repercu-tem-se negativamente no comportamento dos filhos.

1.7. O Conceito de Integração

O último período do século XX foi muito fértil no que concerne ao apoio e consolidação dos direitos das crianças.

O termo integração, há muito que era afamado pelos estudiosos, reclamado pelos pais, e desejado pelos deficientes, no entanto, foi através da publicação PL 94-142 que este conceito se materializou numa peça legal de grande importância. Esta lei orienta licitamente a integração das crianças com necessidades educativas especiais no ensino regular. Segundo Carvalho e Peixoto (2000)11 com esta lei “…dá-se uma grande viragem a vários níveis: passa a valorizar-se a

educação como forma de mudança e a integração como forma de normalização” (pág. 41).

Desta forma, a normalização passa a ser um objectivo e a integração no meio para o alcançar. Esta lei chama a atenção para a necessidade de uma melhoria no sistema educativo, relativamente aos seus serviços de educação especial, pressupondo um plano individualizado para todas as crianças deficientes. De seguida, aparecem as principais ideias da publicação citada acima, (Correia, 1999, p.21)12:

ü Educação pública e gratuita para todas as crianças com necessidades educativas es-peciais;

ü Garantia de um processo adequado em todas as fases (identificação, colocação e ava-liação);

ü Avaliação exaustiva e práticas de teste adequadas à condição da criança e não dis-criminatórias quer racial quer culturalmente;

11 Carvalho, O.; Peixoto, L. (2000) – “A Escola Inclusiva, da Utopia à Realidade”. Braga: Edições APPACDM

Distri-tal de Braga.

12 Correia, Luís M. (1997) – “Alunos com Necessidades Educativas Especiais nas Classes Regulares”. Porto: Porto

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ü Colocação da criança no meio menos restrito possível que satisfaça as suas necessi-dades educativas;

ü Elaboração dos planos educativos individualizados (PEI), revistos anualmente por professores, pais e órgãos de gestão da escola;

ü Formação de professores e outros técnicos especializados; ü Desenvolvimentos de materiais adequados;

ü Envolvimento parental no processo educativo da criança;

No entanto, o ensino regular nem sempre apresenta todas as condições favoráveis à integração deste grupo alvo, sendo necessário, um “Mundo Pedagógico” para que estas crianças se sintam num meio mais familiar possível, sem que sejam excluídas. À luz da nossa lei fundamental podemos verificar que a qualidade jurídica relativa às crianças com NEE é elucidativa e tem a propriedade ética e moral que daí decorre na justa medida em que prevê a proteção e valorização da criança com tais diferenças físicas e psicológicas. Neste sentido, aponta para o artigo seguinte para caucionar a relevância da peça constitucional:

Artigo 26º:13

“1 – A todos são reconhecidos os direitos à identidade pessoal, ao desenvolvimento da

personalidade, à capacidade civil, à cidadania, ao bom nome e reputação, à imagem, à palavra, à reserva da intimidade da vida privada e familiar e à protecção legal contra quaisquer formas de discriminação.

2 – A lei estabelecerá garantias efectivas contra a utilização abusiva, ou contrária à dignidade humana, de informações relativas às pessoas e famílias.

3 – A lei garantirá a dignidade pessoal e a identidade genética do ser humano, nomeadamente na criação, desenvolvimento e utilização das tecnologias e na experimentação científica.

4 – A privação da cidadania e as restrições à capacidade civil só podem efectuar-se nos casos e termos previstos na lei, não podendo ter como fundamento motivos políticos.”

Mediante a carga constitucional presente no artigo podemos afirmar que as crianças com NEE são um tesouro a preservar pela sua identidade própria, bem como a dignidade em que assenta a sua pessoa. Esta perspetiva personalista decorre necessariamente da Declaração Universal dos Direitos Humanos, documento segundo o qual as crianças com NEE e as demais passaram a ser vistas de uma forma mais humana na tentativa de integrá-las e proporcionar-lhes o desenvolvimento necessário à criação de oportunidades iguais. A natureza genética detida por determinada criança

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não deve ser entrave à sua afirmação personalista e sua dignidade nunca deve ser instrumentalizada para fins científicos, tecnológicos e médicos. A debilidade que decorre da sua natureza não deve ser razão de desigualdade sob nenhuma forma, porque senão estar-se-á a discriminar a pessoa que não escolheu o estado em que se encontra nem as suas condições naturais (pode nascer-se com problemas). Da mesma forma que os não portadores de deficiência não podem ser alvo de discriminação política também esta não pode imiscuir-se em questões de cidadania, dado que a cidadania ativa é um exercício que deve estar ao alcance de todos.

1.8. Formas de Integração

Soder (citado por Jarque, 1984) definiu quatro graus diferentes de integração da seguinte forma:

a) Integração Física14

Neste ponto, a escolarização faz-se em centros de Educação Especial instalados juntos das escolas regulares, mas organizam-se de forma diferente, assim partilham espaços comuns como o recreio, o pátio e os corredores, interagindo nesse mesmo espaço.

Mas, no entanto, nem sempre este tipo de integração resulta, pois os espaços de lazer são compartilhados por outras crianças ditas “normais”, o que facilita a exclusão destes membros e não a sua integração.

b) Integração Funcional

Este tipo de integração articula-se em três níveis de menor a maior integração funcional:

• Partilham-se os mesmos espaços em tempos diferentes, mas havendo sempre o fenómeno da exclusão, havendo a necessidade de reforçar o papel da Cerci, uma vez que esta só possui membros com necessidades educativas especiais, permitindo assim uma maior reintegração destas crianças e jovens;

14

Coordenação: Rafael Bautista. “Necessidades Educativas Especiais”. Capítulo I. Pág. 30 e 31. 1997. 2ª ed. Ana Escoval.

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• Existem momentos em que há a utilização simultânea dos recursos por parte dos grupos de educandos (dois grupos: portadores de deficiência intelectual e jovens ditos “normais”), re-forçando assim a ideia que tem vindo a ser referida ao longo dos itens, a exclusão.

• Compartilham-se algumas instalações, simultaneamente e com objectivos educativos co-muns, mas no entanto, devido a este fenómeno de exclusão, poder-se-á obter apenas uma confusão pedagógica ao agregar os dois grupos.

c) Integração Social

Este tipo de integração supõe a inclusão individual de um aluno com necessidades

educativas especiais num grupo ou numa classe regular. Segundo alguns autores esta seria a única forma verdadeira de integração, mas no entanto, já se verificou ao longo de todo este trabalho que tal não pode ser realizado com sucesso devido ao fenómeno da exclusão.

d) Integração na Comunidade

É a continuação, durante a juventude e a vida adulta, da integração escolar.

Pensa-se que esta classificação atualmente não tem muita razão de ser. A integração escolar é só uma e acontece quando a criança com NEE participa de um modelo educativo único e geral que contempla as diferentes e se adapta às características de cada aluno, independentemente da partilha de espaços comuns que, embora fundamental, não é suficiente. Mas no entanto, pode verificar-se que tal não é possível devido ao fenómeno exclusão, assim sendo é necessário o “Mundo Pedagógico” na integração de crianças com NEE.

Põe-se de lado outro tipo de classificações como a integração total, parcial ou combinada. Entende-se que o que existe é um amplo leque de formas de integração que contempla diferentes colocações e situações, tudo com carácter relativo e flexível e dentro de um sistema educativo geral e comum para todos.

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CAPÍTULO 2 – A EXPRESSÃO DRAMÁTICA E CORPORAL

2.1. Expressão

A expressão é inerente a todos, acaba por ser uma necessidade que as pessoas sentem ao se exprimir. “ A palavra «expressão» (deriva do latim «expressione») significa extrair o suco, fazer sair, brotar, que está estreitamente ligada à manifestação das emoções (expressão de dor, de alegria).” In SOU-SA, Alberto B. , Educação pela Arte e Artes na Educação, 2ºVol. Drama e Dança. Segundo Alberto B. Sousa, expressões é “uma saída, purga, catarse, das pulsões, instintos, emoções e sentimentos de uma pessoa, no sentido de fazer aliviar as sobrecargas destas formas de energia psíquica.”

Para Stern, “A expressão tem uma função precisa: formular o que não pode ser dito verbalmente.” (s/d:14)( Cit in, ALMEIDA 2012) “ O termo Expressão designa o conjunto dos fenómenos que se produzem no corpo como resposta a estímulos externos e internos. A expressão é também uma ati-tude de comunicação, designando vários meios de que o ser humano se serve para comunicar.” (Reis, 2005:7-8) ( Cit in, ALMEIDA, 2012). Pode-se constatar que, desde o início da vida do ser humano, este comunica, e, tendo a necessidade de se expressar, é porque precisa transmitir

algo, seja básico ou complexo. Assim, a expressão acaba por ser quase como um veículo extrema-mente necessário à sua sobrevivência, caso contrário, seria um ser humano “morto”, sem meio de expressão algum, sem movimento, sem ação, sem voz. Pode-se, então, concluir que “Expressão” não está limitada ao simples facto de o ser humano passar informação, comunicar, mas está também relacionada com a necessidade de expressar sentimentos, independentemente da sua natureza. É a partir daí que surge a necessidade de se completar esta “Expressão” com mais alguma coisa: a Ex-pressão Dramática e a ExEx-pressão Corporal.

2.1.1. Expressão Dramática

Considera-se que expressão dramática é uma dupla necessidade: comunicação e acima de tudo ex-pressão, uma vez que sempre que alguém se exprime pela palavra ou pelo gesto existe uma neces-sidade de recorrer à expressão dramática. Pode, então, ser designada por jogo dramático ou arte dramática. Depois de alguma investigação sobre o tema, concluo que é uma area artística que põe em ação o desenvolvimento da criança na totalidade, favorecendo o desenvolvimento de uma aprendizagem global (cognitiva, afetiva, sensorial, motora e estética). Assim, faz com que a criança se torne capaz de, com autonomia, se expressar, desenvolvendo a expressividade através de jogos dramáticos, de expressão corporal e de uma forma divertida e lúdica.

Através das atividades de caráter dramático: - Incentiva-se a criação e observação;

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- Incentiva-se a utilizar e a coordenar a atividade motora; - Desenvolve-se a capacidade de imaginação e expressividade; - Libertam-se sentimentos;

- Desenvolvem-se habilidades;

- Aprende-se a improvisar e a representar corporalmente.

Ou seja, com a aquisição das competências acima referidas com a prática da expressão dramática vai-se desenvolvendo um conjunto de competências de personalidade e de natureza social. Para desenvolvimento da expressão dramática é extremamente necessário todo o trabalho de imaginação, entreajuda, criatividade coletiva, cooperação, entreajuda no grupo de crianças, desenvolvendo, as-sim, não só individualmente mas também coletivamente, capacidades psicossomáticas e também a interação social e a própria personalidade do indivíduo. A expressão dramática pode ser trabalhada através do Jogo Dramático, Jogo Simbólico e Dramatização.

2.1.2. Expressão Corporal

Falar de expressão corporal é a mesma coisa que falar de linguagem corporal que, como o próprio nome indica, é uma forma diferente mas que completa a nossa expressão, ou seja, refere-se às nos-sas expressões através de movimentos, posturas ou gestos que se fazem com as diferentes partes do corpo. Defende-se, então, que a linguagem corporal completa a linguagem verbal, ajudando na transmissão de ideias e de expressões que não se fazem transparecer com palavras, mas, sim, atra-vés de um comportamento físico. Conclui-se, assim, que a nossa postura, ao nos exprimirmos, tem mais significado do que nós pensamos, fazendo com que facilite a nossa expressão e sejamos enten-didos facilmente. A expressão corporal e dramática contribui para a superação pessoal, a aceitação da diferença, o cumprimento de regras, a gestão dos conflitos, o sentido de grupo, a cooperação e a lealdade. Notam-se melhorias também no libertar e controlar as emoções, no gerir o “stress” e os sentimentos e prepararnos para, com facilidade, darmos respostas adequadas às variadas situações que surgem no nosso quotidiano. Também inova e aperfeiçoa a comunicação, explora a comuni-cação não verbal e, não utilizando a voz, faz-nos reconhecer a importância do aparelho percetivo.

2.3. Teatro

“Davis e Evans (1987) argumentam que o Teatro, como forma de expressão, procura meios novos de refletir, comentar, questionar e quebrar a ligação a convenções e tradições que restringem ou inibem a comunicação” (cit in. TERRA, 2009). Já Aristóteles admitia que os homens têm inscrito, na sua natureza, desde a infância, o desejo de representar e o prazer de assistir. Desta forma, o Teatro é simultaneamente desejo e prazer. Assim, teatro é uma das formas de arte em que é repre-sentada, por um grupo de atores, uma história e é inerente a todos os seres humanos pela

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neces-sidade de expressão. Também para “Grotowski (1975: 16), o que releva no Teatro passa pelo en-contro, pela “comunhão” direta e viva entre ator/espectador. Todo o resto é supérfluo: o cenário, os figurinos, a maquilhagem, os efeitos de luz e som, o palco.” (cit in. TERRA, 2009) É possível, então, dizer que o teatro é a tentativa de comunicação de ser para ser, entre o inconsciente do públi-co e o do artista. “Aguilar (1985: 9) esclarece-nos que ‘Teatro’ é uma “realização artística portadora duma proposta estética”. Expressão dramática caracteriza-se pela “comunicação livre das crianças através do jogo de personagens e situações do quotidiano”, aquilo a que Courtney (2003) designa de educação dramática.”(cit in TERRA,2009).

2.4. O jogo

O jogo aparece na história registada mais ou menos uns 3.000 anos antes da era cristã quando começaram a ser considerados dentro da cultura dos homens e nos dias atuais podem ser observados em todas as culturas conhecidas.

O jogo é considerado uma atividade que permite observar a criança tanto na vida motora e afetiva como social ou moral, o jogo tal como a linguagem, embora de maneira diferente, informa acerca das estruturas mentais sucessivas da criança. É uma forma de ajudar a compreender certas atividades do adulto, aquelas que podem ser consideradas como grandes criações do génio humano,

além de tudo o jogo tem imenso alcance pedagógico.

O Jogo traduz o real para o que se passa no mundo infantil. Quando brinca, a criança apura a inteligência e a sensibilidade. Uma boneca de trapos pode ser uma boa companheira, uma bola é um convite ao exercício motor, um quebra-cabeças desafia a inteligência e um colar faz a menina sentir-se bonita e importante como a mãe. Quando se fala em jogar, não é apenas com puzzles, torres de legos ou brincadeiras do faz-de-conta. Também se pode jogar com livros, livros que se desdobram em mil e uma janelas, livros que se dobram e desdobram, livros que nos permitem fazer um jogo de adivinhas e de conhecimento.

O Jogo também está associado à autonomia, deixa que a criança perceba que não depende do adulto para tudo. Por outro lado, a presença do adulto desafia a criança a querer mostrar que sabe e que é capaz de jogar com alguém maior do que ela.

Na criança, jogo é antes de tudo, prazer, é também uma atividade séria em que o fingir, as estruturas ilusórias, o geometrismo infantil e a exaltação têm uma importância considerável. A criança é um ser que joga e nada mais. (Château, 1975)

Segundo Semedo (2007) ao jogar, a criança experimenta, descobre, inventa, aprende, negoceia e, sobretudo, estimula a curiosidade, a autoconfiança e a autonomia, aprende a conviver em grupo e a lidar com frustrações quando não ganha o jogo, apura a concentração e a atenção sobre tudo o que

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se está a passar à sua volta, brincar é indispensável à saúde física, emocional e intelectual da criança.

O jogo tem um papel muito importante nas áreas de estimulação da pré-escola e é uma das formas mais naturais que a criança tem para entrar em contacto com a realidade, por isso o jogo simbólico tem um papel especial. O jogo é uma característica do comportamento infantil, porque a criança dedica uma grande parte de seu tempo a este, que por excelência é integrador, tem sempre um carácter de novidade, o que é fundamental para despertar o interesse da criança, e à medida que joga, conhece-se melhor, e constrói o seu mundo interiormente. Esta atividade é um dos meios mais favoráveis à construção do conhecimento. Para a executar a criança utiliza o equipamento sensório motor, pois o corpo é ativado e o pensamento também, e enquanto é confrontada para desenvolver habilidades operatórias que envolvam por exemplo, a identificação, observação, comparação, análise, síntese e generalização, acaba por conhecer as possibilidades e desenvolver cada vez mais a autoconfiança. (Zacharias).

O jogo desenvolve um espírito construtivo entre as pessoas e desperta a imaginação para os fins e os meios. Como características importantes que se tem de definir são o espaço e o tempo. O espaço onde o jogo vai ocorrer e o tempo, que pode ser dividido em duas vertentes. O tempo que demora o jogo e a idade que a criança ou a pessoa tem. O jogo deve ser aplicado na escola com fins pedagógicos, auxiliando o processo educacional de crianças entre cinco e treze anos, pois, permite o desenvolvimento integral dos alunos. Nesta faixa etária, os jogos cooperativos favorecem o desenvolvimento cognitivo (atenção, memória, raciocínio e criatividade) e o desenvolvimento afetivo-social (relações humanas). O professor tem os jogos como um forte aliado para desenvolver e determinar conceitos. Os objetivos têm de ser bem claros e dominados pelo professor, para que a aplicação no dia-a-dia seja eficaz. Na escolha de um jogo é importante que o professor elabore um planeamento, no qual determine as características pretendidas do jogo e do grupo. O planeamento é um registo que serve de orientação para o professor. O registo deve conter o nome do jogo, os materiais necessários para o desenvolvimento da atividade, o número de participantes, o local disponível e necessário para o bom funcionamento da atividade, a descrição das regras, as alterações do jogo se existirem, e os objetivos e observações específicas (Medeiros).

Os jogos infantis têm marcado boa presença, quer na reflexão, quer na prática, e os aspetos psico e sociomotores, pedagógicos, antropológicos, sociológicos, linguísticos, semióticos, epistemológicos, literários e até filósofos têm sido tratados. É preciso realçar que o jogo infantil se apresenta caracteristicamente como jogo a que se dá o nome de total ou integrado e do seu estudo depende em muito o conhecimento do desenvolvimento da criança, já que esta só se desenvolve a jogar. É um jogo total, porque tende para a expressão não apenas motora e mental, como sucede no adulto, mas ainda para a musical, a coreografia, a teatral, a poética, o que como se sabe acontece muitas vezes.

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(Cabral, 2001)

O jogo ensina a criança a comunicar com os outros, isto é, favorece a sua socialização e muito importante, dá-lhe a noção exata das suas capacidades físicas e emocionais e contribui para o seu equilíbrio psíquico pelo efeito catártico. Apelando o jogo a todas as capacidades do ser participante, ele oferece a ocasião de fazer com que a criança se sinta mais segura de si em cada momento, nas situações reais que solicitem dela uma resposta rápida e correta. (M.C Sousa)

Os jogos mudaram muito desde o começo do século até aos dias de hoje nos diferentes países e contextos sociais. Mas o contentamento pelo jogo não alterou.

O jogo infantil pode ser analisado sob diferentes enfoques:

Sociológicos: a influência do contexto social no qual os diferentes grupos de crianças brincam;

Educacional: a contribuição do jogo para a educação, desenvolvimento e/ou apren-dizagem da criança;

Psicológico: o jogo como meio para compreender melhor o funcionamento da alma, das emoções e da personalidade dos indivíduos;

Antropológico: a maneira como o jogo reflete, em cada sociedade, os costumes e a história das diferentes culturas; (Friedmann, 1996)

2.5. O Jogo no Desenvolvimento Integral da Criança

Para Liublinskaia (1973) “O Jogo é um dos principais tipos de atividades (…) ocupa um lugar especial na vida das crianças (…). Através do jogo, o educador integra as crianças na coletividade, amplia e precisa os seus conhecimentos e forma as mais valiosas qualidades morais e evolutivas do individuo que cresce.”

Deste modo, antes de abordarmos o desenvolvimento do Jogo, enquanto instrumento de grande relevância para o educador/ professor, e que poderá ser muito potenciado pela prática física na escola, consideramos primordial refletir o seu impacto no desenvolvimento da criança/ aluno.

2.6.

Categorização do jogo na infância

As perspetivas do jogo e a sua valorização, que desencadeiam aprendizagens nos sistemas educativos, sofreram várias alterações ao longo dos tempos.

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algumas perspetivas de categorização do jogo, referentes à sociologia e cultura.

Jean Piaget (1975), na área da psicologia, fundamentado essencialmente nas teorias de classificação do jogo de Stern, e posteriormente de Buhler, apresenta três tipos de estruturas que caracterizam o jogo no período de infância. Jean Piaget refere na sua classificação três tipos de jogos: os “jogos de exercício”, “os jogos simbólicos” e os “jogos de regras”.

Numa primeira fase do desenvolvimento da criança, Piaget caracteriza os exercícios que a criança efetua em fase pré-verbal, como sendo desprovidos de qualquer finalidade que vise a estruturação de condutas mentais. Para ele, estes comportamentos aproximam-se das condutas animais, no qual o objetivo dos movimentos é reter o puro prazer de efetuá-los. Ou seja, “ (…) a criança fá-lo por mero divertimento e não por necessidade, ou para aprender uma nova conduta” (1975).

A segunda classificação feita por Jean Piaget, caracterizada pela evolução do estádio de desenvolvimento em que a criança se encontra, é os “jogos simbólicos”. O mesmo refere que, nos jogos simbólicos, o símbolo que a criança elabora mentalmente implica a representação de um objeto ausente, “ visto ser comparação entre um elemento dado e um elemento imaginado, e uma representação fictícia” . A criança vive uma “ficção” entre o símbolo que elabora mentalmente e uma situação ou objeto real.

A construção e organização dos símbolos (por parte da criança), promovem aquilo que Piaget chama de “regras”, “jogos de regras”. Estes jogos sobrepõem-se aos símbolos e representam relações sociais e interindividuais. As regras dos jogos são geralmente definidas pelo grupo.

Jean Piaget refere que as regras surgem com as interações sociais da criança, ou seja, “ o indivíduo só se impõe regras por analogia com as que recebeu.”

Pode-se então verificar que as categorias do jogo para Jean Piaget, “Exercício, Símbolo e Regra”, caracterizam as três classes dos jogos, baseadas na evolução das estruturas da criança, na noção do símbolo e no sentido da expressão das suas ações.

2.6.1. O jogo pedagógico

Tem-se observado ao longo do tempo, uma estreita relação entre o jogo pedagógico e o ensino. São vários os investigadores e pedagogos que apresentam inúmeras evidências e exemplos do valor educativo do jogo nas práticas pedagógicas a nível pré-escolar e escolar.

No final do século XIX e princípios do século XX, vários psicólogos e pedagogos enfatizaram a importância do jogo no desenvolvimento infantil da criança.

Pensa-se que o jogo é uma atividade orientada e/ou não orientada lúdica, determinada através de conteúdos concretos e papéis sociais determinados, ou seja, o jogo é uma atividade lúdica regida por códigos e por regras, respeitadas pelos seus intervenientes.

Para Lotman (1978), o jogo “ (…) é um dos meios mais importantes de aquisição das diferentes situações vitais, de aprendizagem de tipos de comportamento.”

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2.6.2. A importância de usar as regras no jogo

As regras são inerentes à busca do prazer e consistem em viabilizar o fim proposto da ação através de uma correta utilização de meios, estas têm valor porque são parte integrante na sociedade, obedecendo a regra, a criança procura ainda afirmar o seu Eu. (Château, 1975)

Durante os primeiros anos de vida, as regras são desconhecidas, e nenhuma criança tem, antes de agir, a mínima consciência de que sem uma conduta adequada não pode alcançar o objetivo lúdico. O que ela, porém adota, são os meios adequados, como sucede por volta dos doze meses, ao atirar para o chão um objeto para ouvir o ruído da queda e observar o movimento. A regra existe, embora implícita, para alcançar um objetivo, que o mesmo é dizer para ter o prazer de uma vitória, o bebé adota um modo de agir, ou por outras palavras, cumpre uma regra. (Cabral, 2001)

Viver em sociedade significa lidar com regras sempre e na escola não é diferente. Desde pequeno é preciso conviver com normas. Os jogos de regras, aqueles que se jogam em grupo segundo normas preestabelecidas e visando um objetivo, são importantes na Educação Infantil. Além de mostrar que as restrições podem representar desafios divertidos, eles desenvolvem questões importantes, como a adequação a limites, a cooperação e a competição. (Nova escola, 2006)

2.7. A comunicação como forma de expressão

Vários pedagogos e peritos da educação defendem que a expressão criadora é própria da criança, visto que, a expressão plástica é um dos meios que a criança encontra para comunicar.

A necessidade natural que a criança tem de se expressar e de comunicar sensações corporais, sentimentos, desejos, ideias, experiências, faz com que seja atribuído ao educador um cargo de auxílio para que esta se exprima através da pintura, do desenho, dos trabalhos manuais ou de qualquer outro tipo de expressão.

A expressão é bastante importante para as crianças, pois faz com que estas se desenvolvam e reconheçam de uma forma mais direta. No entanto, um dos objetivos das expressões é engrandecer a qualidade do Ser.

Na expressão pode-se encontrar dois grupos distintos:

1 – A expressão através do movimento específico onde se enquadra, ou seja, a fala, a escrita, o desenho, a pintura, a construção e a modelagem;

2 – A expressão através do movimento global, denominada por expressão cinética, incluindo o drama, a dança, a música (canções, ritmos, etc.).

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muito imaginativo e criativo.

Estas técnicas fazem com que a criança tenha uma maior coordenação psicomotora, fazendo com que esta faça com as mãos o que a mente imagina, possibilitando à criança a aquisição de uma perceção visual, táctil, auditiva e espacial mais nítida das formas e imagens.

Neste contexto, inserem-se todas as atividades desenvolvidas na escola do 1º ciclo uma vez que todas elas promovem a comunicação.

2.8. A expressão nas Crianças

“A criança exprime-se pelo gesto, o som, a palavra e a imagem. O que exprime a criança? Sensações corporais, sentimentos de alegria, tristeza e serenidade, desejos, ideias, curiosidades, experiências, um conjunto de factos emotivos.

Muitas vezes realiza em pintura o que a realidade social lhe nega. Se por exemplo, lhe acontece ser impedida de brincar com os seus companheiros será, muito provavelmente, esse seu desejo ou tristeza de não poder concretizar que exprime em pintura.”15

Com este pensamento de SOUSA Alberto pode-se afirmar que a criança utiliza a expressão para exprimir o seu estado psicológico, normalmente, para todos os sentimentos que tem dificuldade em revelar. Geralmente os adultos apenas olham para o trabalho da criança de um ponto de vista estético, analisando a perfeição técnica, a simetria, a perspetiva, a tonalidade, etc., deixando de lado a parte mais importante, ou seja, o conteúdo emocional, este é o critério mais importante no trabalho da criança, pois é este que transmite características próprias de cada criança, transmitindo aos outros as suas emoções, pensamentos, frustrações, sentimentos.

“A criança revela-se através do que faz, pelo que os seus desenhos, pinturas e objetivos devem ser observados com seriedade e não com falsas apreciações ou exageradas manifestações de êxtase, deceção ou indiferença. Se, por um lado, a criança sente tristeza perante a indiferença do adulto, por outro lado, acaba por se tornar insensível ao aplauso sistemático. O que ela pede é que a tomem a sério. Para isso é preciso saber ler ou entender a pintura infantil para que não se cometam erros, quantas vezes causadores de graves perturbações. Na maioria dos casos a criança é vitima de intervenção desastrosa do adulto. Tem valores e leis particulares, características próprias, segundo as fases da sua evolução.”16

O adulto deve incentivar e permitir à criança para que esta se exprima em trabalhos e jogos de uma forma autónoma para que a criança ganhe responsabilidades, pois irá ser ela a única dirigente dos seus atos, ganhando assim confiança no seu próprio ser, criatividade e autonomia. Esta

15 SOUSA, Alberto cit. GONÇALVES, p 167, 1976 16 SOUSA, Alberto cit. GONÇALVES, p 168, 1991

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expressão faz com que a criança ganhe mais sensibilidade e imaginação, possibilitando que esta se conheça melhor a si e aos outros.

2.9. A criatividade

A criatividade é uma competência cognitiva que possibilita pensar antecipadamente, imaginar e planear o que ocorre interiormente de um modo consciente e espontâneo. A criação possui dois sentidos: o ato de realizar qualquer ação criativa e construtiva, no caso das expressões, ou seja, o movimento, pintar, etc., e o da obra em si criada por esta ação.

Para a criança poder criar, é necessário que esta tenha a criatividade desenvolvida, no entanto, ela tem que saber imaginar, prever e projetar. A criatividade significa flexibilidade de raciocínio (habilidade de alterar o pensamento e de empregar respostas variadas), fluência nas ideias (um pensamento divergente, o que leva a várias resposta para um único assunto) e originalidade.

Na escola os agentes educativos devem estimular a criatividade das crianças, porque elas fazem parte de uma sociedade exigente, e lhes será exigido a habilidade para resolver questões que requerem um tipo de pensamento criativo e flexível, capaz de responder a essas necessidades de forma imediata. A sociedade atual é assinalada pelo progresso científico e tecnológico impondo ao Homem uma maior flexibilidade de ação, raciocínio e facilidade para se moldar a novas circunstâncias. É importante recorrer à inteligência, mas também ao potencial criativo, é através deste que o Homem consegue resolver uma grande parte dos problemas de forma rápida e eficaz. O desenvolvimento da criatividade pode ser feito através de jogos, onde as crianças possam adquirir novos conceitos e novas técnicas, este método pode ser utilizado porque é uma forma de cativar e motivar a criança para a realização de determinada atividade, também deve-se dar liberdade de expressão à criança e lembrar-lhe que existem regras para o trabalho individual e/ou em grupo. A criatividade quando se encontra desenvolvida na criança, abre-lhe bastantes portas e esta contribui para melhorar a sua qualidade de vida e dos que a rodeiam. A criatividade não é usada apenas em trabalhos artísticos mas em todas as áreas, como na ciência, na arte, nas inovações tecnológicas e empresariais, nas inovações e nas mudanças políticas, éticas, culturais e ambientais, que afetam todo o mundo e são da nossa inteira responsabilidade.

É devido à criatividade e à vontade de criar que o Homem evolui, não só por ser racional, mas sim porque sonhou, projetou e realizou coisas novas.

2.10. A socialização

As crianças precisam de outras crianças por perto para aprenderem a partilhar, esperar pela sua vez e trocar ideias e pensamentos. Para além das crianças, deve estar também a presença de adultos, intervindo e auxiliando sempre que necessário, para que as crianças enfrentem com

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segurança os desafios que surgem e que engrandecem as trocas de experiências.

Para que a criança tenha uma socialização saudável é necessário que esta tenha espaço, segurança e pessoas que sejam capazes de lhe dar apoio para que estas confiem nas suas aptidões e potencialidades.

É importante que a criança se relacione naturalmente com as outras crianças, visto que desenvolve uma imagem positiva de si, sentindo-se confiante para investir em relações e trocas afetivos. Os adultos e a escola são essenciais para a socialização das crianças, cabe a estes promover encontros entre elas para que estas sintam a satisfação do convívio.

A escola não promove apenas o desenvolvimento de habilidades cognitivas e motoras das crianças, mas também relações afetivas que impulsionaram o desenvolvimento infantil.

As várias atividades de expressão corporal/dramática e plástica, fazem com que a criança aprenda o verdadeiro sentido da vida em grupo, com isto a criança conhecer-se-á melhor a si e aos outros.

O espaço escolar é então uma rampa de incalculáveis interações sociais indispensáveis, que estabelece um conjunto de experiências sociais fundamentais a todo o ser humano.

Imagem

Figura 1 -Mapa do conselho de Vila Real

Referências

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