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Capítulo 2 – A Expressão Dramática e Corporal

2.4. O Jogo

O jogo aparece na história registada mais ou menos uns 3.000 anos antes da era cristã quando começaram a ser considerados dentro da cultura dos homens e nos dias atuais podem ser observados em todas as culturas conhecidas.

O jogo é considerado uma atividade que permite observar a criança tanto na vida motora e afetiva como social ou moral, o jogo tal como a linguagem, embora de maneira diferente, informa acerca das estruturas mentais sucessivas da criança. É uma forma de ajudar a compreender certas atividades do adulto, aquelas que podem ser consideradas como grandes criações do génio humano,

além de tudo o jogo tem imenso alcance pedagógico.

O Jogo traduz o real para o que se passa no mundo infantil. Quando brinca, a criança apura a inteligência e a sensibilidade. Uma boneca de trapos pode ser uma boa companheira, uma bola é um convite ao exercício motor, um quebra-cabeças desafia a inteligência e um colar faz a menina sentir-se bonita e importante como a mãe. Quando se fala em jogar, não é apenas com puzzles, torres de legos ou brincadeiras do faz-de-conta. Também se pode jogar com livros, livros que se desdobram em mil e uma janelas, livros que se dobram e desdobram, livros que nos permitem fazer um jogo de adivinhas e de conhecimento.

O Jogo também está associado à autonomia, deixa que a criança perceba que não depende do adulto para tudo. Por outro lado, a presença do adulto desafia a criança a querer mostrar que sabe e que é capaz de jogar com alguém maior do que ela.

Na criança, jogo é antes de tudo, prazer, é também uma atividade séria em que o fingir, as estruturas ilusórias, o geometrismo infantil e a exaltação têm uma importância considerável. A criança é um ser que joga e nada mais. (Château, 1975)

Segundo Semedo (2007) ao jogar, a criança experimenta, descobre, inventa, aprende, negoceia e, sobretudo, estimula a curiosidade, a autoconfiança e a autonomia, aprende a conviver em grupo e a lidar com frustrações quando não ganha o jogo, apura a concentração e a atenção sobre tudo o que

se está a passar à sua volta, brincar é indispensável à saúde física, emocional e intelectual da criança.

O jogo tem um papel muito importante nas áreas de estimulação da pré-escola e é uma das formas mais naturais que a criança tem para entrar em contacto com a realidade, por isso o jogo simbólico tem um papel especial. O jogo é uma característica do comportamento infantil, porque a criança dedica uma grande parte de seu tempo a este, que por excelência é integrador, tem sempre um carácter de novidade, o que é fundamental para despertar o interesse da criança, e à medida que joga, conhece-se melhor, e constrói o seu mundo interiormente. Esta atividade é um dos meios mais favoráveis à construção do conhecimento. Para a executar a criança utiliza o equipamento sensório motor, pois o corpo é ativado e o pensamento também, e enquanto é confrontada para desenvolver habilidades operatórias que envolvam por exemplo, a identificação, observação, comparação, análise, síntese e generalização, acaba por conhecer as possibilidades e desenvolver cada vez mais a autoconfiança. (Zacharias).

O jogo desenvolve um espírito construtivo entre as pessoas e desperta a imaginação para os fins e os meios. Como características importantes que se tem de definir são o espaço e o tempo. O espaço onde o jogo vai ocorrer e o tempo, que pode ser dividido em duas vertentes. O tempo que demora o jogo e a idade que a criança ou a pessoa tem. O jogo deve ser aplicado na escola com fins pedagógicos, auxiliando o processo educacional de crianças entre cinco e treze anos, pois, permite o desenvolvimento integral dos alunos. Nesta faixa etária, os jogos cooperativos favorecem o desenvolvimento cognitivo (atenção, memória, raciocínio e criatividade) e o desenvolvimento afetivo-social (relações humanas). O professor tem os jogos como um forte aliado para desenvolver e determinar conceitos. Os objetivos têm de ser bem claros e dominados pelo professor, para que a aplicação no dia-a-dia seja eficaz. Na escolha de um jogo é importante que o professor elabore um planeamento, no qual determine as características pretendidas do jogo e do grupo. O planeamento é um registo que serve de orientação para o professor. O registo deve conter o nome do jogo, os materiais necessários para o desenvolvimento da atividade, o número de participantes, o local disponível e necessário para o bom funcionamento da atividade, a descrição das regras, as alterações do jogo se existirem, e os objetivos e observações específicas (Medeiros).

Os jogos infantis têm marcado boa presença, quer na reflexão, quer na prática, e os aspetos psico e sociomotores, pedagógicos, antropológicos, sociológicos, linguísticos, semióticos, epistemológicos, literários e até filósofos têm sido tratados. É preciso realçar que o jogo infantil se apresenta caracteristicamente como jogo a que se dá o nome de total ou integrado e do seu estudo depende em muito o conhecimento do desenvolvimento da criança, já que esta só se desenvolve a jogar. É um jogo total, porque tende para a expressão não apenas motora e mental, como sucede no adulto, mas ainda para a musical, a coreografia, a teatral, a poética, o que como se sabe acontece muitas vezes.

(Cabral, 2001)

O jogo ensina a criança a comunicar com os outros, isto é, favorece a sua socialização e muito importante, dá-lhe a noção exata das suas capacidades físicas e emocionais e contribui para o seu equilíbrio psíquico pelo efeito catártico. Apelando o jogo a todas as capacidades do ser participante, ele oferece a ocasião de fazer com que a criança se sinta mais segura de si em cada momento, nas situações reais que solicitem dela uma resposta rápida e correta. (M.C Sousa)

Os jogos mudaram muito desde o começo do século até aos dias de hoje nos diferentes países e contextos sociais. Mas o contentamento pelo jogo não alterou.

O jogo infantil pode ser analisado sob diferentes enfoques:

Sociológicos: a influência do contexto social no qual os diferentes grupos de crianças brincam;

Educacional: a contribuição do jogo para a educação, desenvolvimento e/ou apren- dizagem da criança;

Psicológico: o jogo como meio para compreender melhor o funcionamento da alma, das emoções e da personalidade dos indivíduos;

Antropológico: a maneira como o jogo reflete, em cada sociedade, os costumes e a história das diferentes culturas; (Friedmann, 1996)

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