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padre José Antônio romano

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Academic year: 2021

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1 Via della Pisana, 1111 – Roma

Caríssimos Irmãos,

com grande dor, mas ao mesmo tempo com serenidade plena de esperança, vos anuncio a morte improvisa do nosso caro Inspetor de São Paulo (Brasil).

padre José Antônio romano

Na tarde de 21 de abril, quarta-feira da semana da Páscoa, um trágico acidente automobilístico lhe tirava num instante a vida: tinha 54 anos de idade, 33 de profissão religiosa e 26 de sacerdócio.

Juntamente com o Conselheiro Regional e o Ecônomo Inspetorial foi a Petrópolis, cidade próxima do Rio de Janeiro, onde o grupo dos nossos estudantes de teologia transcorria um dia de distensão por ocasião das férias pascais. O desastre aconteceu na viagem de retorno perto da cidade de Queluz a poucos quilômetros do nosso Aspirantado de Lavrinhas. Eram 21.30. O padre Romano esta no volante e guiava com a costumeira prudência sob chuva torrencial. Improvisamente, por causas ainda não

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2 bem esclarecidas, as rodas começaram a deslizar sobre a estrada molhada e o carro ainda percorreu, sem controle, uma centena de metros até que capotou. O padre Romano foi lançado fora tendo uma fratura mortal na base do crânio.

Deixo para os senhores imaginarem a consternação de todos: Salesianos, Filhas de Maria Auxiliadora, Cooperadores, Ex-alunos, amigos e conhecidos, na medida em que a notícia era transmitida de São Paulo para todo o Brasil, e à Direção Geral de Roma. Na medida em que se difundia a notícia da trágica morte do padre Romano, também a sua figura religiosa vinha se delineando com mais evidente clareza através dos comentários afetuosos de quantos o haviam conhecido.

Depois de uma longa e extenuante espera, devido à burocracia das formalidades da lei para a liberação do corpo, no dia seguinte à tarde puderam celebrar as exéquias no nosso santuário do Sagrado Coração de Jesus. A presença dos membros da Família Salesiana e dos amigos da obra fez com que a igreja ficasse lotada de fiéis. A concelebração com mais de cem sacerdotes salesianos, religiosos e diocesanos, constituiu uma manifestação de estima com relação ao padre Romano, e de solidariedade à dor da Inspetoria. Presidiu a concelebração, na ausência do Cardeal, Dom José Thurler, Bispo Auxiliar e Vigário Geral da Arquidiocese. A bênção final de despedida foi data pelo salesiano Dom Bonifácio Piccinini, Administrador Apostólico de Cuiabá (MT).

É de tanto conforto, caríssimos irmãos, poder dizer com toda verdade que o nosso padre Romano estava preparado para o improviso encontro com o Senhor. Parecia até que pressentisse. Na semana anterior à Páscoa, com um gesto característico do seu estilo simples e atencioso, quis visitar todas as casas da Inspetoria, para levar a cada uma das comunidades o tradicional “ovo de Páscoa”, e, sobretudo, para dar a cada irmão o seu fraterno abraço com augúrios de boa Páscoa. Logo depois da Páscoa fez ainda uma visita aos estudantes de filosofia que passavam alguns dias de descanso na praia. No mesmo dia do trágico acidente, passando pelo Noviciado, aproveitou a presença do seu confessor para purificar-se. Partiu deste modo em direção à casa do Pai, realizando a sua Páscoa na luz da Páscoa de Cristo.

Sob os dados de um currículo, uma resposta a Deus.

O padre José Antonio Romano nasceu em São Paulo no dia 15 de maio de 1912, de pais portugueses, Igino da Trindade Romano e Guilhermina Augusta. Eles souberam educar seus filhos num cristianismo sólido, radicado numa fé simples e profunda, traduzida em prática religiosa constante. Desta raiz e destas suas primeiras experiências infantis “de igreja” vividas como coroinha da paróquia Santa Cecília,

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3 nasceu no padre Romano o germe da vocação sacerdotal. Mons. Pavésio, seu pároco, ainda vivo e que esteve presente nos seus funerais, o levou para o Seminário Arquidiocesano, onde fez os estudos de ensino médio e recebeu a veste talar no final do quinto ano. De lá passou para a filosofia no Seminário Maior. Foi durante o terceiro ano de filosofia que se decidiu por Dom Bosco. Escolheu como confessor o pároco do Santuário do Sagrado Coração de Jesus, o ex-inspetor, padre André Dell’Occa. Assim, com vinte anos, o clérigo Romano entrava como aspirante em Lavrinhas.

A passagem da cidade e do seminário arquidiocesano de São Paulo para o nosso estudantado de filosofia, a adaptação a novo tipo de vida e de estudo, não foram fáceis nem sem sofrimentos. Devia agora conviver com centenas de aspirantes e com mais de vinte clérigos, numa pequena cidade no interior do Estado de São Paulo, em tempos de guerra e de dificuldades econômicas. Ele, porém, demonstrou garra e clareza de propósitos que deixaram traços na sua personalidade. Foi naquele ambiente sadio, alegre e austero que amadureceu a sua vocação salesiana. Vieram depois os anos de estudo, de trabalhos alegres segundo as suas capacidades (era bom esportista, cantor, barbeiro e enfermeiro), de convivência feita de franqueza, de expectativas apostólicas, coroadas pela ordenação sacerdotal no dia 08 de dezembro de 1949.

Vem sem seguia o currículo de trabalho salesiano, variado pelo que se refere aos lugares e aos cargos, e ascendentes, não tanto na hierarquia das funções quanto na expansão progressiva da sua capacidade de serviço e na estima dos irmãos. A ficha de arquivo está toda constelada de vários empenhos de 1950 a 1972: ecônomo, Conselheiro escolar, Diretor de Oratório Festivo, Pároco, Diretor do Liceu Coração de Jesus (1968-1971). Em 1971 foi nomeado Vigário Inspetorial, e desenvolveu as funções de Ecônomo quanto o titular, padre Antonio Sarto, foi nomeado Bispo Auxiliar de Porto Velho (RO). Neste período, com a ausência do Inspetor por causa do CGS XX, levou nos seus ombros todo cuidado da Inspetoria.

Quando em 1972 o padre Salvador De Bonis terminou o seu período como Inspetor de São Paulo, padre Romano foi indicado e escolhido para sucedê-lo. Aceitou não sem hesitação, porque não se julgava possuidor das qualidades necessárias para esta tarefa; mas daquele momento em diante se colocou a serviço dos outros toda a sua bondade e experiência. E com esta disponibilidade levou avante o governo da Inspetoria até sua morte.

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O estilo dominante de sua personalidade: a bondade

A personalidade do padre Romano apresenta para nós seus irmãos traços inconfundíveis e, sobretudo exemplares. O seu «curriculum vitae» que é depois o seu «livrinho de trabalho salesiano» indica já em si a fibra do homem de Deus, sempre pronto dizer “sim” ao Pai, em perfeita obediência. Para quantos o conheceram, porém, do padre Romano ficará o retrato da sua bondade simpática e fraterna. Em todo lugar e com todos, a sua delicadeza de modos e a sua afabilidade compreensiva o tornavam o “superior aceito”, e, portanto, sumamente construtivo: trabalhava por amor, e por amor fazia trabalhar para o Reino dos Céus.

O Conselheiro Regional, padre João Vecchi, na homilia de sétimo dia assim falou do padre Romano: “Não só possuía a bondade por natureza; ele acreditava na eficácia da bondade – às vezes contra o parecer de outros – para corrigir, para coordenar, para dirigir... Sobretudo para fazer crescer... Alguns consideram a bondade paterna com uma qualidade da qual se pode prescindir no governo religioso. Esta serviria, segundo eles, não tanto para resolver, mas para dar um toque agradável a outras atitudes mais diretamente aplicáveis à arte de dirigir os homens. O padre Romano acreditou na paternidade; nela integrou e concentrou as outras qualidades necessárias para governar: energia, sagacidade, conhecimentos dos homens”.

Quanto, pois, não conseguia logo, respondendo à sua afabilidade, e conseguia com a tríplice arte de saber escutar, compreender a fundo as dificuldades, e de rezar com renovado ardor.

Demonstrou sempre especial delicadeza para com os doentes. Não obstante muitas ocupações nunca deixou de fazer-lhes visitas, também com evidente sacrifício de outros empenhos. E isso especialmente para os Salesianos, para as Filhas de Maria Auxiliadora, para os Cooperadores, pelos Ex-alunos e benfeitores que a tempo sabia que estavam doentes.

A sua disponibilidade pronta em assumir qualquer tarefa que lhe fosse pedida, se estendia também a pequenos favores para os irmãos. Estes, também bem jovens não sentiam dificuldade de pedir ao Inspetor uma simples carona no seu carro, quando o viam se preparando para viajar. E com frequência a partida era determinada por um bilhete ou uma telefonada de um irmão desejoso de ter com ele uma conversa. No

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5 entanto isso lhe oferecia oportunidade de encontrar-se com todos os outros irmãos da comunidade.

A serviço da comunhão inspetorial

Os anos 1972-1976 foram anos de crescimento da comunidade inspetorial: não pelo aumento material das obras, mas pelo esforço de participação, de comunhão, de compreensão mútua, de animação pastoral. O padre Romano procurou trabalhar em intensa comunhão com seu Conselho Inspetorial, os diretores, todos os irmãos. Esteve sempre pronto para participar dos eventos, estar presente, colaborar e suscitar colaboração. Esta preocupação de união era nele mais forte que a necessidade de ver aspectos de ordem organizativa e administrativa.

O seu esforço de união não foi somente espontâneo ou menos ainda restrito ou seletivo: abraçava as dimensões da vocação salesiana, e brotava do sentido de pertença à Congregação. Assim com os Superiores Maiores, de modo especial com o Reitor Mor, Havia criado um relacionamento feito de confiança filial, sentido de solidariedade, de consciência da sua própria tarefa de ligação da Inspetoria com o Centro da Congregação, de amizade inspirada num profundo senso religioso.

Para o serviço da comunhão, o padre Romano empenhou o seu espírito de sacrifício silencioso e paciente, e para isso afrontou serenamente o sofrimento. Uma artrose progressiva na perna direita aumentava as dificuldades inerentes ao seu cargo; mas por causa disso não se queixava ou diminuía seus empenhos ou viagens necessárias. Lembro que passando pela Inspetoria, observando o esforço no caminhar mancando, disse aos irmãos: “O Inspetor manca, mas a Inspetoria vai bem”. E na verdade é necessário reconhecer que os progressos feitos pela Inspetoria não se explicariam sem o sacrifício do padre Romano.

Com o sofrimento físico e com o cansaço causado pelo trabalhar sem descanso, também o sofrimento moral fazia parte de sua vida. Muito sensível por natureza, não era indiferente diante das incompreensões ou da simples insatisfação, e o sentia profundamente.

Sobretudo o sentido religioso da vida

O testemunham estas suas palavras: “Faço de mim um dom a Deus, para que Deus faça de mim um dom para os Irmãos”. A dedicação aos Irmãos era um reflexo de sua fixação em Deus. Religioso, mais que pela observância das regras, pelo sentido providencial de Deus nos acontecimentos da sua vida, o padre

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6 Romano nos impressiona pela capacidade e hábito de referir-se ao Senhor os fatos e de confiar a Ele expectativas e esperanças.

A sua piedade e espírito de oração eram conhecidos por todos. A sua presença constante na oração comunitária, a sua assiduidade ao sacramento da confissão, a participação ativa à liturgia eram certamente o resultado da educação recebida na família, no seminário e no período de formação salesiana; formação que não deixou de desenvolver e reassimilar também nos anos empenhados nos encargos inspetoriais.

Nos imprevistos se revela às vezes qual é o movimento espontâneo do próprio espírito, e a dimensão que mais o preenche. No momento em que o carro desgovernado fazia pensar a todos os ocupantes a iminência do fim, se ouviu a última invocação do padre Romano e quase o único comentário à trágica situação: «Maria Auxiliadora!».

Caríssimos Irmãos... a morte repentina tornou maior e mais delineada a figura religiosa do caro padre Romano: ele é um verdadeiro filho de Dom Bosco, e assimilou o espírito da Congregação e a fez crescer. Podemos bem agradecer ao Senhor de ter dado um irmão portador e veículo de tais riquezas espirituais para as nossas comunidades. Irmãos deste tipo nos tornam melhores. Quando retornam ao Senhor ao nos deixam e não desaparecem: a sua existência terrena se prolonga os valores que semearam nas comunidades, e que por eles continuarão a crescer também depois de sua morte.

Tenham presente nas vossas orações este nosso inesquecível irmão; rezem também por esta provada inspetoria de São Paulo, para que este sacrifício seja semente multiplicador de vocações autenticamente salesianas.

E queiram também recordar-se de mim.

Roma, 01 de agosto de 1976 Pe. Luigi Ricceri Rettor Maggiore

DADOS PAARA O NECROLÓGIO: PADRE JOSÉ ANTONIO ROMANO,

* São Paulo (Brasile), 15.5.1921, †Queluz (São Paulo), 21.4.1976 com 54 anos de idade,

33 anos de profissão religiosa salesiana e 27 anos de presbiterado.

Referências

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