• Nenhum resultado encontrado

Supremo Tribunal Federal

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Supremo Tribunal Federal"

Copied!
7
0
0

Texto

(1)

AGRAVODE INSTRUMENTO 843.765 MARANHÃO

RELATORA : MIN. CÁRMEN LÚCIA

AGTE.(S) :ESTADO DO MARANHÃO

PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO

MARANHÃO

AGDO.(A/S) :EDUARDO JORGE HILUY NICOLAU

ADV.(A/S) :SARA MARIA SAMPAIO GONÇALVES

DECISÃO

AGRAVO DE INSTRUMENTO.

PROCESSUAL CIVIL. TUTELA

ANTECIPADA. SUPERVENIÊNCIA DE SENTENÇA NO PROCESSO PRINCIPAL. RECURSO PREJUDICADO.

Relatório

1. Agravo de instrumento contra decisão que inadmitiu recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, alínea a, da Constituição da República.

O recurso inadmitido foi interposto contra o seguinte julgado do Tribunal de Justiça do Maranhão:

“AGRAVO DE INSTRUMENTO – AÇÃO DE COBRANÇA – FUNCIONÁRIO PÚBLICO – PROCURADOR DE JUSTIÇA – FÉRIAS NÃO USUFRUÍDAS EM RAZÃO DA NECESSIDADE DO SERVIÇO - DIREITO A CONVERSÃO EM PECÚNIA – VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA – ANTECIPAÇÃO DE TUTELA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA – NÃO OFENSA AO ART. 1º DA LEI Nº 9.494/97; ART. 5º DA LEI 4.348/64; ART. 1º DA LEI Nº 8.37/92/ ART. 475, INC. I DO CPC – EFEITO SUSPENSIVO – NÃO CONSTATAÇÃO DOS REQUISITOS

(2)

AI 843765 / MA

constatamos os requisitos processuais do fumus boni iuris e do

periculum in mora, necessários para a concessão do efeito

suspensivo, ao espeque do art. 558, III, do CPC. Para tanto, quanto à impossibilidade de antecipação de tutela contra a Fazenda Pública (nos termos do artigo 1º da Lei nº 9.494/97, com expressa remissão ao artigo 5º da Lei nº 4.348/64 e ao artigo 1º da Lei nº 8.37/92), cabe ser dito que, as limitações à antecipação de tutela devem ser analisadas de forma criteriosa (cautela) a fim de evitar restrições aos princípios da inafastabilidade da jurisdição e, consequentemente, ao poder dever do Estado-Juiz de dizer o Direito, sendo plenamente autorizado o deferimento de tal medida, diante da visualização de seus pressupostos legais. Pensando nisso, a legislação infraconstitucional não pode tolher a liberdade de ação do Poder Judiciário enquanto guardião da justiça, privando-a de dar a prestação jurisdicional reclamada pela parte, seja ela final ou antecipatória. Nesse sentido, apropriadas são as palavras do mestre José Eduardo Carreira Alvim, acerca do art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal que: ‘A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito’, essa norma de superdireito impede que a lei ordinária (ou medida provisória) imponha restrições ao exercício da jurisdição, quando a proibição de liminares possa comprometer a integridade dos direitos subjetivos, expondo seus titulares ao perigo de lesão grave, ou de difícil, ou incerta reparação. A garantia constitucional desdobra-se em duas espécies de tutela definitiva: a definitiva e a provisória (ou temporária), cada qual fundada em pressupostos próprios, sem o que o acesso à Justiça não seria completo. O preceito constitucional não alcança apenas a proibição de acesso à Justiça, em termos absolutos, mas toda restrição que relativa, que limite esse acesso, tornando-o insuficiente para garantir, na prática, ao jurisdicionado, a necessária proteção ao seu direito. Assim, qualquer limitação ao exercício do direito de ação, pelo particular, e ao dever de (prestar) jurisdição, pelo Estado, deve ser afastada, in concreto, sempre que importe transgressão ao sistema de defesa dos direitos, agasalhado pela Constituição’.

II – Ao lume do art. 475, inciso I, do CPC, existe nítida distinção entre tutela antecipada e sentença definitiva. A decisão

(3)

AI 843765 / MA

deferitória da tutela antecipada não se submete ao princípio do duplo grau de jurisdição, como condição de sua efetivação, posto que, está exatamente destinada a ter eficácia imediata e apta a produzir os efeitos práticos no patrimônio da parte afetada, uma vez configurada a situação de urgência. De igual modo, a tutela antecipada não é compatível (leia-se, não se submete) com a regra do precatório, porquanto, sabidamente é um expediente de cobrança demorado por natureza, submetido à satisfação da obrigação no exercício seguinte, e que pressupõe o acertamento definitivo somente obtido por sentença. Por isso, a regra constitucional disposta no art. 100, refere-se, exclusivamente aos ‘pagamentos devidos pela Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, em virtude de sentença judiciária’.

III – Destarte, a plausibilidade jurídica do pedido (fumus boni

iuris), em volta do direito pretendido, revela-se não apenas pelo

regramento contido no artigo 100, § 3º, da Lei Orgânica do Ministério Público 013/1991, mas, também, pelos dispositivos constitucionais inseridos nos textos dos arts. 39, § 3º, c/c 7º, inciso XVII, que asseguram aos servidores ocupantes de cargo público o gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal, de onde o periculum in mora ao direito em tela era patente, compreendendo-se para tanto, o caráter alimentar da verba reclamada, em que não se pode usufruir o período de férias que era devido, sendo essa situação agravada pela possibilidade da demora no restante do processamento da ação de base, justificando-se, de sobremaneira, a necessidade de deferimento, in limine da tutela requerida pelo agravado.

IV – Desta feita, não há que se cogitar da irreversibilidade do provimento antecipado (CPC, art. 273, § 2º), na medida em que, se presente a verossimilhança, comprovada por prova inequívoca, e o risco de dano irreparável para o autor (agravado), a possibilidade de haver, se improcedente a ação, remota perspectiva de retorno ao status

quo ante, ou de recomposição por indenização, não deve constituir

sério óbice à antecipação da tutela. Logo, deve vingar o direito que pareça ao juiz o mais provável, sobretudo, no caso aqui tratado, em que o pagamento do valor da verba indenizatória pleiteada pelo agravado, não produzirá riscos aos cofres públicos, visto ser o membro

(4)

AI 843765 / MA

vitalício do Ministério Público, de onde em uma remota e/ou improvável hipótese de improcedência final do pedido original, ter-se-á como garantia de retorno dos valores então auferidos, o próprio subsídio do agravado.

V – Agravo conhecido e unanimemente improvido” (fls. 189 e

190).

2. O recurso extraordinário foi inadmitido sob o fundamento de incidência da Súmula n. 283 do Supremo Tribunal Federal (fls. 311 e 312).

3. O Agravante afirma que o Tribunal de origem teria contrariado o art. 100 da Constituição da República.

Assevera que “os dispositivos constitucionais não apontados no recurso extraordinário interposto, quais sejam, o art. 5º, XXXV e XXXVI e 39, § 3º, XVII não são suficientes, por si sós, para manter a decisão ora hostilizada (…) Referida decisão não se manteria intacta, face à patente violação ao art. 100 da CF, que trata do regramento dos precatórios contra a Fazenda Pública” (fl. 8).

Sustenta, no recurso extraordinário, que “ao manter decisão que determinara, em sede de tutela antecipada, o pagamento da vultosa quantia de R$ 81.847,62 (…) independentemente da expedição de precatório, a decisão recorrida violou frontalmente o disposto no art. 100 da CF” (fl. 227).

Examinados os elementos havidos no processo, DECIDO. 4. Razão jurídica não assiste ao Agravante.

5. O presente agravo está prejudicado por perda superveniente de objeto.

Em 20.11.2012, o Tribunal de Justiça do Maranhão julgou a Apelação Civil n. 0033822-15.2009.8.10.0000, tornando definitiva a tutela antecipada anteriormente deferida:

(5)

AI 843765 / MA

“APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE COBRANÇA - SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL - FÉRIAS VENCIDAS NÃO GOZADAS POR NECESSIDADE DO SERVIÇO - DIREITO A CONVERSÃO EM PACÚNIA - NÃO ENRIQUECIMENTO DA ADMINISTRAÇÃO - FUNDAMENTAÇÃO PRESENTE - PRELIMINAR REJEITADA - JUROS MORATÓRIOS - PERCETUAL DE 6% (seis por cento ao ano) AO ANO - PARCIAL REFORMA. I - Não merece qualquer guarida a alegação do recorrente, pois é entendimento assente de nossa jurisprudência que o juiz ou órgão judicial, para expressar a sua convicção, não precisa aduzir comentários sobre todos os argumentos levantados pelas partes, mas, sim, com o seu livre convencimento (art. 131 do CPC), utilizando-se dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso, de onde a divergência subjetiva da parte ou aquela resultante da própria interpretação pessoal (jurídica) do julgador, não pode ser considerada como sinônimo da falta de fundamentação. Ressalte-se, a Constituição (CF, art. 93, IX) não exige que a decisão seja extensamente fundamentada. O que se exige é que o juiz ou tribunal dê as razões de seu convencimento, tal com ocorreu no caso em tela, de onde a fundamentação sucinta, não pode ser confundida, na espécie, com falta de fundamentação, uma vez que, ‘concisão não é defeito, é qualidade, é arte de expressão e compreensão’. II - o direito a indenização das férias não gozadas, decorre do fato de que, em princípio, a Administração Pública não pode prejudicar o direito subjetivo do servidor em prol do interesse coletivo (público), sempre que estiver imbuída pelo princípio da manutenção do serviço público, devendo por isso, indenizar o servidor, na medida em que tal direito já se incorporado ao seu patrimônio, devendo-se ser proporcionado o seu alcance, tendo em vista que, ‘a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada’ (CF/88, art. 5º, inc. XXXVI), não podendo o ente estatal se furtar ao pagamento das mesmas, sob pena de enriquecimento ilícito da Administração Pública à custa da faina do servidor público. III - Por fim, no tocando aos critérios de aplicação dos juros moratórios, sabe-se que por se tratar de condenação imposta

(6)

AI 843765 / MA

à Fazenda Pública para pagamento de parcelas remuneratórias de servidor, os juros moratórios incidentes, a partir da citação, devendo os mesmos ser fixados à taxa de 6% (seis por cento) ao ano, no entanto, até a vigência da Lei n. 11.960/2009, para só então incidirem ‘uma única vez, até o efetivo pagamento, [...] juros aplicados à caderneta de poupança’, consoante dispõe o art. 5º da Lei n. 11.960/2009, que deu nova redação ao art. 1º-F da Lei n. 9.494/97, motivo pelo qual deve ser reformado o percentual de 1% (um por cento), para a execução do julgado a quo. IV - Apelação conhecida e parcialmente provida. Unânime” (DJ 1º.7.2010).

7. O Supremo Tribunal Federal assentou que “o julgamento da ação principal prejudica o recurso extraordinário deduzido em antecipação dos efeitos da tutela de mérito” (AI 806.083-AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe 6.8.2011).

No mesmo sentido:

“AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO PRINCIPAL TRANSITADA EM JULGADO. PERDA SUPERVENIENTE DE OBJETO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PREJUDICADO. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO” (RE 626.500-AgR, de minha relatoria, Primeira

Turma, DJe 25.11.2010, grifos nossos).

“PROCESSUAL CIVIL. RE CONTRA RECLAMAÇÃO DEDUZIDA EM ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA. AÇÃO PRINCIPAL JULGADA. RECURSO PREJUDICADO. 1. O julgamento da ação principal prejudica o recurso extraordinário deduzido em antecipação dos efeitos da tutela de mérito. 2. Agravo regimental a que se nega provimento” (AI 806.083-AgR, Rel. Min.

Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe 16.8.2011, grifos nossos).

“PROCESSUAL CIVIL. SUSPENSÃO DE SEGURANÇA.

(7)

AI 843765 / MA

DE RECURSO AO TRIBUNAL. ART. 4º DA LEI 8.437/1992. SUPERVENIÊNCIA DE DECISÃO DE MÉRITO. PREJUÍZO. Com o trânsito em julgado do acórdão prolatado durante o julgamento da ação que originou a discussão sobre a suspensão ou não da antecipação da tutela, o exame sobre a competência para apreciação do respectivo pedido de suspensão perdeu seu objeto. Perda de objeto da Petição, que se julga prejudicada” (Pet 2.639-AgR, Redator para o

acórdão Ministro Joaquim Barbosa, Plenário, DJe 21.5.2010, grifos nossos).

Nada há, pois, a prover quanto às alegações do Agravante.

8. Pelo exposto, julgo prejudicado o presente agravo, por perda de objeto (art. 21, inc. IX, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal).

Publique-se.

Brasília, 18 de março de 2013.

Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora

Referências

Documentos relacionados

Este era um estágio para o qual tinha grandes expetativas, não só pelo interesse que desenvolvi ao longo do curso pelas especialidades cirúrgicas por onde

Com base nos processos de validação implementados no CIGeoE e apresentados no Capítulo 2, verifica-se que a maioria das Validações de Integridade Espacial aos dados de

A cirurgia, como etapa mais drástica do tratamento, é indicada quando medidas não invasivas como dietas restritivas e a prática regular de exercícios físicos

Desta forma, conforme Winnicott (2000), o bebê é sensível a estas projeções inicias através da linguagem não verbal expressa nas condutas de suas mães: a forma de a

No primeiro livro, o público infantojuvenil é rapidamente cativado pela história de um jovem brux- inho que teve seus pais terrivelmente executados pelo personagem antagonista,

psicológicos, sociais e ambientais. Assim podemos observar que é de extrema importância a QV e a PS andarem juntas, pois não adianta ter uma meta de promoção de saúde se

Finally,  we  can  conclude  several  findings  from  our  research.  First,  productivity  is  the  most  important  determinant  for  internationalization  that 

Essa revista é organizada pela Sociedade Brasileira de Planejamento Energético (SBPE) e por isso foram selecionados trabalhos que tinham como objetivo tratar a