Comunicação à Comissão de Michel BARNIER, de acordo com Michaele SCHREYER, Anna DIAMANTOPOULOU e Franz FISCHLER:
Aplicação da regra “n+2” ao abrigo do n° 2 do artigo 31° do Regulamento 1260/1999 I. O n° 2 do artigo 31° do Regulamento 1260/1999 tem a seguinte redacção:
“Será automaticamente anulada pela Comissão a parte de uma autorização que não tiver sido liquidada com um adiantamento ou em relação à qual não tiver sido apresentado à Comissão nenhum pedido de pagamento admissível, nos termos do n° 3 do artigo 32°, no final do segundo ano subsequente ao ano da autorização ou, se for caso disso e para os montantes em questão,
- subsequente à data de uma decisão posterior da Comissão necessária para autorizar uma medida ou uma operação, ou
- no termo do prazo de envio do relatório final referido no n° 1 do artigo 37°. A participação dos Fundos nessa intervenção será reduzida na mesma proporção.
O prazo de anulação automática referido no segundo parágrafo deixa de correr para a parte da autorização correspondente às operações que, na data de anulação, sejam objecto de um processo judicial ou de um recurso administrativo com efeitos suspensivos, sob reserva da recepção pela Comissão de uma informação prévia e fundamentada do Estado-Membro em questão e da sua divulgação pela Comissão.
De qualquer forma, a Comissão informará atempadamente o Estado-Membro e a autoridade de pagamento sempre que surja o perigo de aplicação da anulação automática prevista no segundo parágrafo."
Esta regra aplicar-se-á pela primeira vez em 31.12.2002. É, pois, necessário publicar instruções e precisões sobre o modo como devem proceder os serviços da Comissão. Tal é o objecto da presente comunicação. Prevê-se igualmente uma informação atempada do seu conteúdo aos Estados-Membros através dos canais adequados, por exemplo os quatro comités referidos no artigo 47° do Regulamento 1260/1999.
II. Comentários e precisões 1. Data de aplicação da regra n+2
O termo do segundo ano após a autorização significa 31 de Dezembro do segundo ano subsequente à data de aceitação da autorização nas contas da Comissão. Em relação aos programas plurifundos, há uma autorização específica para cada fundo. Após o termo de cada ano orçamental, a Comissão informará os Estados-Membros das datas das autorizações efectuadas a título de cada fundo durante esse ano orçamental.
Se, no caso de programas plurifundos, as datas de autorização a título de cada fundo forem diferentes para a mesma decisão, será adoptada a data da última autorização para estabelecer a data da anulação automática. No anexo 2 são indicadas as autorizações efectuadas em 2000 que são afectadas por esta disposição.
Os pedidos de pagamento enviados pelos Estados-Membros à Comissão até 31 de Outubro de cada ano serão, em princípio, pagos até 31 de Dezembro do mesmo ano. Quaisquer pedidos
de pagamento admissíveis1 recebidos em ou antes de 31 de Dezembro, e ainda não pagos, serão tidos em conta no cálculo do montante a anular. Os Estados-Membros podem apresentar pedidos relativos a despesas efectivamente pagas até à última data no ano que permita a sua certificação pela autoridade de pagamento e a sua recepção pela Comissão até 31 de Dezembro.
Na prática, para atender aos fins-de-semana e aos feriados do fim do ano, a Comissão tratará como recebidos atempadamente os pedidos cujos documentos originais tenham sido enviados até 31 de Dezembro, fazendo fé o carimbo dos correios, ou apresentados electronicamente à Comissão até 31 de Dezembro.
2. Decisões posteriores da Comissão
Se for necessária uma nova decisão da Comissão para autorizar uma determinada medida ou operação (por exemplo, um regime de ajuda ou um grande projecto), a autorização incidirá na totalidade da fracção anual do programa, incluindo os montantes que não podem ser reembolsados e que se referem à operação ou medida que requer ainda uma nova aprovação. A parte da autorização correspondente a tais medidas ou operações é tratada separadamente de acordo com a regra ‘n+2’: o montante em causa é deixado em aberto e não é sujeito a anulação até ao termo do segundo ano subsequente àquele em que é tomada a decisão posterior. O Estado-Membro deve fornecer as informações sobre o custo total e o período de execução previsto para o efeito.
3. Transferências entre fundos ou entre programas i) Autorizações efectuadas em anos anteriores
Em relação a cada programa, há uma autorização anual por cada fundo. Isto significa que, após o termo do ano de autorização, não pode haver transferências entre autorizações para diferentes fundos dentro de um programa nem entre autorizações para diferentes programas. Não existe, no entanto, qualquer obstáculo jurídico a que os pagamentos efectuados a título de um eixo prioritário imputado a uma autorização excedam os montantes atribuídos a esse eixo prioritário no quadro da correspondente fracção anual de um fundo, contanto que não seja excedido o montante atribuído a cada eixo prioritário para a duração total do programa.
O Regulamento Financeiro só a título excepcional prevê, no n° 6 do seu artigo 7°, a reconstituição de montantes anulados e relativos a autorizações de anos anteriores1. Ao examinar os pedidos de reconstituição de montantes anulados, a Comissão aplicará estritamente os critérios mencionados na sua declaração ao Conselho a este respeito2. Este artigo será substituído no Regulamento Financeiro reformulado segundo a proposta apresentada ao Conselho, mas a reconstituição de autorizações anuladas continuará a ser
1 Tal como definido no n° 3 do artigo 32° do Regulamento 1260/1999.
2 Declaração nº 172/99 da Comissão anexa às actas do Conselho por ocasião da adopção do Regulamento 1260/1999: «A Comissão declara que, quando aplicar o nº 6, segundo parágrafo, do artigo 7º do Regulamento Financeiro, tenciona reconstituir as dotações de autorização correspondentes a uma anulação efectuada com base no nº 2, segundo parágrafo, do artigo 31º, em caso de erro manifesto, inclusive de carácter técnico, imputável exclusivamente à Comissão e em caso de força maior entendida como catástrofe natural importante com repercussões graves na implementação das intervenções apoiadas pelos Fundos Estruturais.».
possível para os Fundos estruturais de acordo com critérios semelhantes. Logo que o novo Regulamento Financeiro entre em vigor, a Comissão aplicá-los-á em conformidade3.
ii) Autorizações efectuadas nos exercícios orçamentais corrente e futuros
As fracções anuais corrente e futuras de cada fundo podem ser alteradas durante qualquer exercício orçamental, nas condições fixadas no n° 2 do artigo 14° do Regulamento 1260/1999. Qualquer aumento na fracção correspondente a um dado ano tem que ser compensada por uma redução da fracção de outro programa correspondente ao mesmo ano, uma vez que o limite anual de despesa não pode ser excedido4.
Qualquer pedido de alteração de uma decisão que implique uma alteração da autorização do ano corrente tem que dar entrada na Comissão antes de 30 de Setembro desse ano, pois de outro modo não haverá tempo suficiente para proceder à alteração antes do termo do exercício orçamental, especialmente se tal alteração exigir uma transferência de dotações entre capítulos do orçamento geral da União Europeia.
4. Informações aos Estados-Membros
A Comissão informará os Estados-Membros, quer no quadro dos comités consultivos quer por ocasião da análise anual prevista no n° 2 do artigo 34° do Regulamento 1260/1999, do risco de aplicação da regra n + 2 após recepção de uma previsão de pagamentos actualizada a título do n° 7 do artigo 32° do mesmo regulamento (a partir de 2002, e contanto que sejam recebidas previsões para cada programa), e de novo a partir de 31 de Outubro de cada ano. Na mesma ocasião, a Comissão informará igualmente o Estado-Membro dos seus critérios e dos procedimentos de aplicação do n° 2 do artigo 31° e prestará todos os esclarecimentos necessários.
5. Processos judiciais e recursos administrativos
A anulação automática não será aplicada à parte da autorização aceite como correspondendo a operações objecto de um processo judicial ou de um recurso administrativo com efeitos suspensivos (a seguir denominados «processo»).
Antes de cada data de anulação «n + 2», o Estado-Membro deve apresentar, para cada projecto em causa, uma avaliação do montante dos pagamentos em atraso, que deveriam ter sido pagos até 31 de Dezembro, e informações e documentos de apoio suficientes sobre o processo. Os documentos de apoio devem conter, designadamente, informações sobre o efeito suspensivo e sua duração prevista.
Os casos normalmente aceites incluem processos que: i) Atrasam a execução de projectos
Tais pedidos serão, em princípio, aceites se o processo revestir a forma de uma decisão judicial ou administrativa formal, emitida antes de 31 de Dezembro do ano n + 2, que tivesse (e/ou tenha) por efeito retardar ou suspender os trabalhos.
3
Nº 2 do artigo 158º, documento COM(2001)691.
ii) Atrasam pagamentos relativos a projectos
Os atrasos nos pagamentos resultam, normalmente, de litígios contratuais. Os pagamentos contestados devem dizer respeito a trabalhos executados ou facturados antes da data da anulação automática. O processo tem que ter efeito suspensivo nos pagamentos.
iii) Atrasam o reconhecimento de pagamentos como elegíveis para co-financiamento comunitário
Tais atrasos podem ser causados por litígios entre as autoridades do Estado-Membro e o beneficiário final, que impedem que as despesas realizadas por este último sejam reconhecidas como elegíveis pelos primeiros. Os pagamentos contestados devem dizer respeito a trabalhos executados ou facturados antes da data da anulação automática.
6. Casos que envolvam irregularidades
Se um pedido de pagamento incluir montantes afectados por irregularidades, tal não terá qualquer efeito na anulação n + 2 se o Estado-Membro incluir a despesa no pedido de pagamento intermédio e assegurar que a mesma é declarada ao abrigo do artigo 3º do Regulamento 1681/94. Uma vez concluído o processo, o co-financiamento comunitário de qualquer montante considerado inelegível ou irregular deve ser recuperado e tratado conforme disposto no artigo 8º do Regulamento 438/2001. Qualquer montante não recuperado será tratado de acordo com o nº 2 do artigo 5º do Regulamento 1681/94 e quaisquer consequências financeiras decididas nos termos do artigo 32º do Regulamento 1260/1999.
7. Procedimentos instaurados pela Comissão i) Pagamentos suspensos
A Comissão pode suspender todos ou parte dos pagamentos pedidos por um Estado-Membro. Essas suspensões são efectuadas nos termos do nº 5 do artigo 38º e do nº 2 do artigo 39º do Regulamento 1260/1999 ou na sequência de uma decisão de instauração de um processo judicial nos termos do artigo 226º do Tratado5. A anulação automática não será aplicada à parte da autorização correspondente a pagamentos objecto dessa suspensão relativamente aos quais tenham sido apresentados pedidos admissíveis a outro título até 31 de Dezembro do ano n+2. O montante da autorização em causa manter-se-á em aberto até ao levantamento da suspensão, ao pagamento dos pedidos e/ou à decisão de correcção. O financiamento do programa será reduzido se for decidida qualquer correcção financeira consequente, nos termos do nº 3 do artigo 39º.
ii) Interrupção ou redução de pedidos de pagamento
Se a Comissão recusar um pedido de pagamento ou reduzir o montante pedido, o Estado-Membro deve responder às perguntas da Comissão no prazo fixado para o efeito. Na medida em que a resposta seja considerada satisfatória, o pedido inicial será, então, considerado admissível.
Se um pedido de pagamento admissível6 for reduzido por aplicação da taxa de co-financiamento fixada para medidas ou eixos prioritários, o montante da redução não será anulado. Dado que pode tratar-se de uma situação temporária, compensada por pagamentos
5
Declaração conjunta da Comissão e do Conselho nº 173/99.
posteriores a uma taxa inferior, o montante correspondente da autorização será deixado em aberto e utilizado se e assim que a taxa média de pagamentos de co-financiamento coincidir com a taxa inicialmente fixada.
8. Procedimentos contabilísticos
O adiantamento de 7% será imputado à primeira autorização. Este adiantamento não tem que ser justificado por pagamentos efectuados pelos beneficiários finais até que seja pedido o pagamento do saldo relativo à intervenção7. Se a Comissão recuperar8 a totalidade ou parte do adiantamento, o adiantamento pago será tratado como tendo sido reduzido do montante recuperado.
Cada pagamento intermédio será imputado à autorização mais antiga em aberto. Proceder-se-á assim mesmo que a autorização mais antiga se mantenha em aberto após a data-limite «n+2» devido a processos judiciais.
Em cada data de anulação «n+2», ao total imputado à autorização em causa, a Comissão adicionará os pedidos de pagamento admissíveis comunicados até à data-limite e os efeitos aceites dos processos judiciais. A Comissão bloqueará qualquer parte remanescente dessa autorização para permitir que a anulação seja efectuada e informará o Estado-Membro em conformidade. O Estado-Membro disporá de dois meses para, caso discorde, contestar a posição da Comissão e apresentar as justificações necessárias.
9. Decisão da Comissão de redução dos montantes atribuídos
A anulação implica a redução dos montantes atribuídos ao programa em causa e a perda definitiva do montante da redução, com a excepção mencionada no ponto 3.i). Consequentemente, o plano de financiamento tem que ser alterado por nova decisão da Comissão. O Estado-Membro terá que elaborar um plano de financiamento revisto em que a fracção do ano em causa seja reduzida. Na ausência desse plano revisto, a Comissão reduzirá os montantes atribuídos a cada eixo prioritário e a cada medida, proporcionalmente à fracção do ano em causa.
III. Proposta à Comissão
Propõe-se à Comissão que endosse os presentes comentários e precisões a título de instruções a todos os serviços responsáveis pela aplicação do Regulamento 1260/1999.
7 O nº 2 do artigo 23º dispõe que durante a intervenção, a autoridade de pagamento recorrerá ao pagamento
por conta para pagar a participação comunitária nas despesas relativas a essa intervenção. O nº 3 do artigo 32º dispõe que o total acumulado dos pagamentos por conta e dos pagamentos intermédios efectuados em relação a uma intervenção não pode exceder 95% da participação dos Fundos nessa intervenção.
ANEXO 1 Procedimento de anulação n+2
Sem prejuízo da proposta da Comissão de reformulação do Regulamento Financeiro, as fases do procedimento previstas são as seguintes:
Ø 30 de Abril de n+2: data-limite para apresentação das previsões de pagamento nos termos do nº 7 do artigo 32º do Regulamento 1260/1999;
Ø Maio de n+2: com base nas previsões recebidas, a Comissão informará os Estados-Membros dos programas que correm o risco de sofrer uma anulação automática; Ø 31 de Outubro de n+2: data-limite para apresentação de pedidos de pagamentos que
devam ser efectuados antes de 31 de Dezembro n+2;
Ø Início de Novembro de n+2: com base nos pedidos de pagamento recebidos, a Comissão informará os Estados-Membros dos programas que correm o risco de sofrer uma anulação automática;
Ø 31 de Dezembro de n+2: termo do prazo de que dispõem os Estados-Membros para envio de pedidos pelo correio e introdução na SFC ou, no caso de ficheiros simples (flat files), por correio electrónico, e para informar a Comissão das operações às quais a anulação automática se não aplicará, apresentando simultaneamente as razões e informações pertinentes (cf. pontos II-1 e II-5);
Ø Fim de Fevereiro de n+3: a Comissão informará os Estados-Membros interessados de todas as autorizações do ano n que não foram esgotadas pelos pagamentos efectuados ou apoiadas por pedidos admissíveis até 31 de Dezembro de n+2 ou relativamente às quais não foram aceites os argumentos invocados para uma isenção ao abrigo dos nºs 2 e 3 do artigo 31º. A Comissão concederá ao Estado-Membro dois meses para contestar os seus números e apresentar as necessárias justificações. Os pagamentos manter-se-ão suspensos e as correspondentes autorizações bloqueadas até à recepção e aprovação de um plano de financiamento revisto;
Ø Fim de Abril de n+3: data-limite para apresentação, pelos Estados-Membros, de respostas e planos de financiamento revistos;
Ø Fim de Maio de n+3: a Comissão informa o Estado-Membro do montante em causa, apresentando as suas razões para a recusa de qualquer parte da resposta do Estado-Membro; A Comissão alterará igualmente a decisão do programa para ter em conta os montantes a anular, de acordo com a proposta do Estado-Membro, ou, na ausência de tal proposta, com base na redução proporcional em todos os eixos prioritários do ano em causa e dará início à anulação correspondente.
Ø ANEXO 2
FEDER autorizado em 2000 e outros fundos autorizados em 2001 TRANSPORTES
País CCI Título FEDER 2000 FSE 2000 FEOGA 2000 IFOP 2000 TOTAL
OBJECTIVO Nº 1
França 1999FR161DO002 Nord-Pas-de-Calais 37.565.458 14.501.792 5.784.197 0 57.851.447
França 2000FR161DO002 Guyane 32.989.555 10.845.659 8.972.713 1.088.922 53.896.849
França 2000FR161DO003 Martinique 64.663.914 17.545.000 14.468.000 1.317.000 97.993.914
Alemanha 1999DE161PO001 Berlin (Ost) 74.420.000 42.348.000 1.143.000 0 117.911.000
Alemanha 1999DE161PO002 Thüringen 211.612.920 123.900.000 77.218.980 0 412.731.900
Alemanha 1999DE161PO005 Brandenburg 249.520.000 88.820.000 102.756.000 0 441.096.000
Alemanha 1999DE161PO006 Sachsen 436.784.285 156.893.722 0 0 593.678.007
Espanha 2000ES161PO003 Andalucía 864.516.354 131.016.252 106.161.337 0 1.101.693.943
Espanha 2000ES161PO008 Ceuta 8.634.600 2.229.000 0 0 10.863.600
Espanha 2000ES161PO010 Extremadura 210.358.000 51.085.171 38.172.000 0 299.615.171
Espanha 2000ES161PO012 Melilla 6.767.280 762.256 0 0 7.529.536
Espanha 2000ES161PO013 Murcia 129.789.410 15.146.858 14.871.589 0 159.807.857
Total Objectivo
nº 1 2.327.621.776 655.093.710 369.547.816 2.405.922 3.354.669.224
OBJECTIVO Nº 2
Suécia 2000SE162DO001 Öarna 3.556.406 658.594 0 0 4.215.000
Suécia 2000SE162DO002 Västra 20.771.606 1.351.894 0 0 22.123.500
Suécia 2000SE162DO003 Norra 22.794.090 3.214.415 0 0 26.008.505
Suécia 2000SE162DO004 Södra 12.726.899 1.926.096 0 0 14.652.995
Total Objectivo
nº 2 59.849.001 7.150.999 0 0 67.000.000