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Academic year: 2021

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Universidade

Estadual de Londrina

CENTRO DE EDUCAÇÃO FÍSICA E ESPORTE

CURSO DE BACHARELADO EM EDUCAÇÃO FÍSICA

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

EFEITO DA PRÁTICA SOBRE A PREFERÊNCIA

LATERAL E TRANSFERÊNCIA INTERLATERAL EM

TAREFA DE EQUILÍBRIO DINÂMICO

Kelyn Rosinholi Mathias

LONDRINA – PARANÁ

2011

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KELYN ROSINHOLI MATHIAS

EFEITO DA PRÁTICA SOBRE A PREFERÊNCIA

LATERAL E TRANSFERÊNCIA INTERLATERAL EM

TAREFA DE EQUILÍBRIO DINÂMICO

Trabalho apresentado como requisito parcial para a Conclusão do Curso de Bacharelado em Educação Física do Centro de Educação Física e Esporte da Universidade Estadual de Londrina.

Professor: Victor Hugo Alves Okazaki

Londrina 2011

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DEDICATÓRIA

A Deus, que é a razão do meu viver, ao meu orientador, meus pais, meus irmãos, meu namorado, minha avó, meus amigos e os professores que ajudaram para a realização deste trabalho.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus que me deu forças para vencer mais está etapa da vida e me iluminou nas horas mais difíceis, sendo paciente e piedoso comigo. Mesmo nas horas em que meu corpo não aguentava mais, em que eu ficava lutando contra o sono, Ele estava presente me dando forças nessa caminhada.

Agradeço ao meu orientador Victor Hugo Alves Okazaki, que teve muita paciência para me ensinar e me ajudou seguir no caminho certo me incentivando sempre. Muito obrigada!!!

Agradeço à minha família, meus pais Edvaldo e Ilda, que são à base desta casa, e por me incentivar a sempre lutar na vida....sem eles não conseguiria chegar até aqui, meus irmãos Marcielly e João Victor pela paciência e por aturar toda minha bagunça de livros, cadernos e papéis por falta de tempo para arrumar, minha avó Maria que fazia almoço pra mim enquanto eu estudava, muito obrigada por estarem sempre comigo... Amo vocês!!

Agradeço meu namorado Hugo pelo incentivo, carinho, amor, dedicação e compreensão que deu neste período da minha vida, nas horas em que precisava estudar e não podia ficar com você... obrigada por estar sempre comigo quando preciso... Amo você!!

Agradeço aos meus amigos: Érica, Hiviny, Daniele, Élida, Larissa que mesmo distantes quando precisar sei que posso contar com elas, Tatiane que me aguentou todos os anos da faculdade, Bruno e a Cristiane que foram como irmãos pra mim e me deram força quando mais precisei, e outros que não foram mencionados aqui, muito obrigada.

Agradeço a todos meus familiares, que sempre me apoiaram em tudo que precisei.

Agradeço a todos do laboratório GEPEDAM que me acolheram, ensinaram e ajudaram para conclusão deste trabalho.

Agradeço a todos os professores da graduação que auxiliaram para minha formação no curso com muita dedicação e sabedoria, meus agradecimentos.

Agradeço a todos que ajudaram para a elaboração e finalização deste trabalho. Agradeço ao CNPq que forneceu bolsa no período de realização deste

trabalho e ao PET de Educação Física pela colaboração e participação neste estudo.

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EPÍGRAFE

“Entregue teu caminho ao Senhor, confia Nele, e Ele tudo fará”. Salmos 37: 5.

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MATHIAS, Kelyn Rosinholi. Efeito da Prática Sobre a Preferência Lateral e

Transferência Interlateral em Tarefa de Equilíbrio Dinâmico. Trabalho de

Conclusão de Curso. Curso de Bacharelado em Educação Física. Centro de Educação Física e Esporte. Universidade Estadual de Londrina, 2011.

RESUMO

A prática unilateral pode transferir a aprendizagem do lado que praticou uma determinada tarefa para o lado contralateral. Esta prática unilateral também tem demonstrado influenciar a formação da preferência lateral. Todavia, ainda não é conhecido em que sentido ocorre melhor transferência de aprendizagem, ou seja, do lado preferido para o não preferido, ou vice-versa. Com isso, este estudo analisou o efeito da prática sobre a preferência lateral e transferência interlateral em tarefa de equilíbrio dinâmico. Participaram do estudo 30 universitários da UEL, com idade entre 18 – 33 anos, os quais responderam o inventário IPLAG-C (OKAZAKI; MARIM; LAFASSE, 2010) para caracterização da amostra. Foram divididos aleatoriamente em dois grupos, a saber: Grupo com prática com o pé direito (GD) e grupo com prática com o pé esquerdo (GE). O equilíbrio dinâmico foi analisado por uma Plataforma de Equilíbrio Dinâmico de Okazaki (2010), o software Dynamic Balance

Task (v.1.0; Okazaki, 2010) forneceu o tempo de equilíbrio sobre a plataforma e o

número de erros (desequilíbrios). Os participantes realizaram o pré-teste, o pós-teste e a retenção (3 tentativas de 10s) nas posições com o pé direito, pé esquerdo e pés paralelos (condições aleatorizadas entre os participantes). A prática foi realizada em 10 blocos de 6 tentativas de 10s com apenas um pé. Os resultados mostraram que a preferência lateral foi modificada de destro moderado para indiferente para o GE e conservou a preferência lateral do GD. Além disso, foi observada a transferência interlateral de aprendizagem entre os grupos (GD e GE) de forma simétrica. A transferência de aprendizado foi explicada pelos mecanismos compensatórios que previnem um desenvolvimento motor unilateral durante a prática das habilidades motoras.

Palavras-chave: Lateralidade; Preferência lateral; Transferência interlateral de

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MATHIAS, Kelyn Rosinholi. Effect of the practice on the lateral preference and

interlateral transfer in dynamic balance task. Work of Completition Course.

Course of baccalaureate in Physical Education. Center of Physical Education and Sport. Universidade Estadual de Londrina, 2011.

ABSTRACT

The unilateral practice can transfer the learning from the side which had been practiced a certain task to the contralateral side. This unilateral practice has also shown to influence the formation of lateral preference. However, it is not known in which way the transfer of learning is better, if it happens from preferred side to non-preferred, or vice versa. Therefore, this study analyzed the effect of practice on the lateral preference and interlateral transference on dynamic balance task. 30 university students from UEL, aged between 18 and 33 years, participated in the study. They responded the Inventory IPLAG-C (OKAZAKI; MARIM; LAFASSE, 2010) to characterize the sample. They were divided randomly into two groups, namely: Group with practice with right foot (GD) and group with practice with left foot (GE). The dynamic balance was examinated by a Dynamic Equilibrium Platform from Okazaki (2010), the Dynamic Balance Task software (v.1.0; Okazaki, 2010) provided the balance time on the platform and the number of errors (imbalances). The participants realized the pretest, the posttest and retention (3 attempts of 10 seconds) on the right foot, left foot and parallel feet (randomized conditions among participants) positions. The practice was held in 10 blocks of 6 attempts of 10 seconds with only one foot. The results showed that the lateral preference was modified form right hand moderate to indifferent in the GE group, and in GD group the lateral preference was conserved. Furthermore, it was observed interlateral transfer of learning between groups (GD and GE) in a symmetrical manner. Transfer of learning was explained by the compensatory mechanisms that prevent the unilateral motor development during motor skill practice.

Key words: laterality, lateral preference, interlateral transfer of learning, dynamic

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LISTA DE FIGURAS Figura 1 Figura 2 Figura 3 Figura 4 Figura 5 Figura 6 Figura 7 Figura 8 Figura 9 Figura 10 Figura 11 Figura 12 - - - - - - - - - - - -

Plataforma de Equilíbrio Dinâmico de Okazaki (2010)... Plataforma de Equilíbrio Dinâmico de Okazaki (2010)... Participante na Plataforma com os dois pés... Participante na Plataforma com o pé direito... Participante na Plataforma com o pé esquerdo... Gráfico da preferência lateral... Gráfico do tempo absoluto em equilíbrio... Gráfico do tempo absoluto em equilíbrio... Gráfico do tempo absoluto em equilíbrio... Gráfico do número total de toques no solo... Gráfico do número total de toques no solo... Gráfico do número total de toques no solo...

27 27 28 29 29 31 32 33 34 35 35 36

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SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO... 10 1.1 Apresentação ... 10 1.2 Problema ... 13 1.3 Justificativa ... 13 1.4 Objetivos ... 13 1.4.1 Objetivo geral ... 13 1.4.2 Objetivos específicos ... 13 1.5 Hipóteses ... 14 2 REVISÃO DE LITERATURA ... 15 2.1 Lateralidade ... 15

2.2 Preferência Lateral x desempenho ... 16

2.3 Transferência de Aprendizagem ... 17 2.4 Controle postural ... 20 2.5 Equilíbrio Postural ... 22 3 MÉTODOS ... 25 3.1 Caracterização do Estudo ... 25 3.2 Amostra ... 25 3.3 Local ... 25 3.4 Instrumentos/equipamentos e tarefa ... 26 3.5 Procedimento experimental ... 27 3.6 Variáveis de estudo ... 29 3.7 Análise estatística ... 30 4 RESULTADOS ... 31 5 DISCUSSÃO ... 37 5.1 Preferência lateral ... 37

5.2 Transferência interlateral de aprendizagem ... 38

6 CONCLUSÃO ... 42

7 REFERÊNCIAS ... 43

ANEXO 01 ... 49

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1 INTRODUÇÃO

1.1 Apresentação

A lateralidade está relacionada ao uso do lado direito ou esquerdo do corpo (TEIXEIRA, 2006, 2001). O uso com maior freqüência de um dos lados do corpo pode ser entendido como a preferência lateral (TEIXEIRA, 2006, 2007; TEIXEIRA; PAROLI, 2000). A preferência lateral também tende a ser relacionada à melhor proficiência de um dos lados do corpo que, geralmente, é o lado preferido. Esta assimetria pode ser observável na maioria da população, pois, aproximadamente 90% dela utiliza o lado direito do corpo (TEIXEIRA, 2006, 2007). Tem sido sugerido que esta preferência por um dos lados do corpo poderia estar relacionada a fatores genéticos e ambientais.

Os fatores genéticos mostram que a lateralidade já estaria definida ao nascer, exceto em casos de patologias neurais (LEVY 1976). Contrapondo a estes fatores genéticos, um estudo com 1800 famílias havaianas, pais, filhos e seus ancestrais, apresentaram participação genética de 10-20%, enquanto para os fatores ambientais responderam por 80-90% da preferência manual (ASHTON, 1982). O fato da preferência lateral estar relacionada aos fatores ambientais pode ser explicada pelo fato do ambiente oferecer mais restrições orientadas ao lado direito (RODRIGUES; VASCONCELOS; BARREIROS, 2010), pois a maioria dos objetos é desenvolvida para pessoas destras, o que proporciona experiências motoras unilaterais.

A prática unilateral tende fortalecer a preferência lateral e melhorar o desempenho com o membro que realizou a prática (MACHADO; TEIXEIRA, 2008). Por exemplo, Teixeira e Okazaki (2007) mostraram que destros modificaram a preferência lateral (de fortemente destro para indiferente) após prática com a mão não-preferida em tarefa de sequenciamento de toques de dedos. Estes autores também demonstraram uma melhora no desempenho com a mão não preferida, a qual proporcionou um desempenho simétrico entre os lados. Araújo e colaboradores (2008) também demonstraram que a prática com a mão não preferida foi capaz de aproximar o nível de desempenho entre os lados na tarefa de destreza manual, em que o participante tinha que preencher 25 orifícios com pinos no menor tempo possível. Tais resultados sugeriram que o desempenho e a preferência seriam

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fatores independentes. Ademais, a prática unilateral parece possuir papel fundamental na formação da preferência lateral.

A prática unilateral também possui a capacidade de transferir o conhecimento aprendido para o outro lado do corpo que não realizou a prática (MAGILL, 2000; TEIXEIRA, 2001). Esta capacidade é chamada de transferência bilateral ou interlateral de aprendizagem (MAGILL, 2000, TEIXEIRA, 2001). Pois, ao se adquirir um desempenho em uma tarefa motora específica com um membro do corpo, o desempenho do membro contralateral homólogo também pode melhorar. Desta forma, ao mesmo tempo em que os seres humanos são caracterizados por uma assimetria lateral de preferência bem definida, existem alguns mecanismos que previnem um desenvolvimento motor unilateral, conforme as habilidades motoras são praticadas (TEIXEIRA; GASPARETTO, 2002). Estes mecanismos de transferência interlateral podem ser explicados de três formas, a saber: transferência de elementos cognitivos, compartilhamento de redes neurais e pelo compartilhamento do programa motor generalizado (MAGILL, 2000).

Durante a prática unilateral, pode haver uma transferência dos elementos cognitivos que fazem parte da tarefa aprendida. Esses elementos cognitivos são relacionados às metas („como fazer‟) e aos objetivos („o que fazer‟) da tarefa (THORNDIKE, 1914 apud TEIXEIRA, 2001). O compartilhamento de redes neurais também ocorre entre os hemisférios cerebrais, por meio do corpo caloso, além de outras conexões em níveis inferiores do sistema nervoso central (TAYLOR; HEILMAN, 1980 apud TEIXEIRA, 2001). Esta ativação contra-lateral (diagonal e ipsilateral) também ocorre em menor intensidade do que a ativação verificada no lado que realiza a prática. Todavia, esta ativação contra-lateral também auxiliaria na transferência de aprendizagem (TEIXEIRA, 2006). A prática também permitiria o desenvolvimento do programa motor generalizado, que seria utilizado igualmente pelos dois hemisférios corporais (SCHMIDT, 1975 apud MAGILL, 2000). Por conseguinte, apenas os esquemas motores teriam que se adequar às especificidades do hemisfério corporal que não realizou a prática específica durante a tarefa. Estas três explicações têm auxiliado no entendimento destes mecanismos compensatórios de desempenho entre os hemisférios corporais.

Mesmo com estes mecanismos compensatórios, ainda não é sabido em que sentido há maior transferência interlateral, do lado preferido para não preferido, ou vice-versa. Wang e Sainburg (2004) mostraram que a prática com o membro

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preferido, na tarefa de sair de um círculo em direção ao alvo em uma linha reta o mais rápido possível, apresentou melhora na transferência para o lado não preferido. Todavia, a prática com o lado não preferido não apresentou transferência de aprendizado para o lado preferido (WANG; SAINBURG, 2004). Por outro lado, Kumar e Mandal (2005) apresentaram melhor transferência interlateral do lado não preferido para o preferido, em tarefa de contornar uma figura de estrela com seis pontas por meio de um aparelho que utiliza a imagem invertida com um espelho. Pinho e colaboradores (2007) realizaram dois experimentos, o primeiro consistiu em uma tarefa de digitar uma sequência de teclas pré-determinadas em que houve uma melhora na transferência da mão não-preferida para a mão preferida. O segundo experimento consistiu em uma tarefa de soltar uma chave pressionada e transportar duas bolas de tênis em uma sequência pré-determinada entre quatro recipientes em que houve melhora na transferência da mão preferida para a não preferida. Esta falta de congruência entre os estudos acima citados reforçam a necessidade de se investigar em que sentido ocorre maior magnitude de transferência interlateral.

Como a preferência tende a atribuir maior experiência motora para um dos lados do corpo, magnitudes diferenciadas de transferência interlateral ocorreriam com a prática unilateral. Assim, uma habilidade desempenhada inicialmente com o membro não preferido teria maior transferência interlateral, pois, o lado preferido possui maior experiência motora, sendo necessária apenas transferência de alguns elementos cognitivo-motores para auxiliar no aprendizado. Enquanto, a prática com o membro preferido apresentaria menor transferência interlateral, pois o lado não preferido tem menos experiência para aproveitar os elementos com a prática realizada com o membro contralateral.

Em função do acima discutido, o presente estudo analisará o efeito da prática sobre a preferência lateral e transferência interlateral em tarefa de equilíbrio dinâmico unipodal. A tarefa de equilíbrio dinâmico foi escolhida, pois poucos estudos analisaram o efeito da prática unipodal sobre a preferência lateral. O presente estudo tem potencial para auxiliar o profissional de Educação Física a decidir com qual membro o aprendiz terá maior benefício realizando sua prática primeiro.

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1.2 Problema

Ainda há discordância na literatura para afirmar em qual sentido (preferido para não preferido, ou o contrário) ocorre maior magnitude de transferência interlateral de aprendizagem. Ademais, a maioria dos estudos tem realizado análises do efeito da prática sobre tarefas manuais. Assim, poucos estudos têm analisado o efeito da prática sobre preferência lateral podal em tarefa de equilíbrio dinâmico.

1.3 Justificativa

O presente estudo tem o potencial para auxiliar profissionais de Educação Física, Esporte e Reabilitação, a decidir com qual membro o aprendiz terá maior benefício realizando sua prática primeiro. Uma vez que, serão fornecidos indícios para demonstrar em que sentido ocorre maior magnitude de transferência interlateral, ou seja, do lado preferido para o não preferido, ou vice-versa. Além da análise relacionada à transferência interlateral, o presente estudo também poderá demonstrar o benefício que a prática unipodal possuirá sobre a melhora no equilíbrio dinâmico. Como a maioria dos estudos de equilíbrio tem focado em análises de postura quieta (ortostática), o presente estudo pode contribuir no entendimento dos benefícios que a prática em situações dinâmicas possui sobre o equilíbrio postural.

1.4 Objetivos

1.4.1 Objetivo geral

O presente estudo analisou o efeito da prática sobre a preferência lateral e a transferência interlateral em tarefa de equilíbrio dinâmico.

1.4.2 Objetivos específicos

a) Analisar o efeito da prática unipodal sobre a preferência lateral específica para a tarefa de equilíbrio.

b) Identificar qual sentido proporcionará maior magnitude de transferência interlateral de aprendizagem. Ou seja, verificar se a prática com o membro não

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preferido proporciona melhor transferência de aprendizado para o membro preferido ou vice-versa.

1.5 Hipóteses

H1: Haverá maior magnitude de transferência interlateral do lado não preferido

para o lado preferido.

H2: A prática com o membro não preferido mudará a preferência lateral para a

tarefa de equilíbrio.

H3: A prática com o membro preferido irá manter a preferência lateral para a

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2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Lateralidade

A lateralidade vem do latim e quer dizer “lado” (GONÇALVES, 2009; PACHER, 2006;). A lateralidade pode estar relacionada ao uso do lado direito ou esquerdo do corpo (TEIXEIRA, 2001, 2006). Assim, pode ser entendido como preferência lateral, quando uma pessoa usa um dos lados do corpo com maior frequência (TEIXEIRA, 2006, 2007; TEIXEIRA; PAROLI, 2000). Existem várias dimensões que podem identificar a lateralidade humana, a saber: manualidade, podalidade, ocularidade, auricularidade e de tronco, que correspondem, respectivamente, ao uso de uma das mãos, um dos pés, um dos olhos, um dos ouvidos e um dos lados do tronco (TEIXEIRA, 2007, 2006, 2001; MARIM; OKAZAKI, 2010).

Muitas vezes esta lateralidade é definida apenas pela dimensão da manualidade, pois é feita levando em consideração somente a escrita, visto que, alguns indivíduos usam sempre a mesma mão para tarefas específicas. No entanto, o uso de uma das mãos para uma tarefa específica, como escrever, e o uso da outra mão para várias outras tarefas motoras de natureza distintas é denominado como ambidestria, o que leva a entender que a magnitude e direção da preferência lateral em uma determinada dimensão não é constante entre tarefas motoras diferentes que se pode realizar (TEIXEIRA, 2006). Assim, como para a manualidade existe diferença na preferência lateral para diferentes tarefas, em todas as dimensões pode haver uma preferência lateral podendo ser ipsilateral ou cruzada.

A preferência lateral pode ser definida para o lado direito em uma determinada dimensão e para o lado esquerdo em outra dimensão, ocorrendo uma preferência cruzada. Assim, um indivíduo que nasce com potencial a ser sinistro passa a usar a mão direita pela pressão da sociedade, porém para as outras dimensões usa o lado esquerdo do corpo (PACHER, 2006, SILVA; LIMA, 2008). Nos hemisférios cerebrais cerca de 75% a 90% dos motoneurônios terminam em músculos do lado contrário do corpo (controle contralateral), enquanto os 10%-25% restante inervam músculos do mesmo lado (controle ipsilateral). Algo semelhante acontece com os sinais aferentes, os neurônios originários de receptores sensoriais cruzam para o lado contrário no seu trajeto para o córtex cerebral e para o controle

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ipsilateral, o cerebelo assume este papel, um dos mais importantes no controle da coordenação, locomoção e ações automatizadas (TEIXEIRA, 2006). Assim, tem-se uma interação entre o controle ipsilateral e contralateral em todos os movimentos globais imagináveis. Para explicar como o sistema sensoriomotor controla os dois lados do corpo Teixeira (2001, 2006) sugere que um dos modelos mais apropriado para esta interação seria a interação cooperativa, pois neste modelo ambos os hemisférios são capazes de desempenhar a mesma função, apesar de um deles ser levemente superior.

2.2 Preferência Lateral x desempenho

As assimetrias laterais presentes no comportamento humano estão relacionadas tanto com a preferência lateral quanto com o desempenho apresentado por segmentos corporais de ambos os lados (TEIXEIRA; PAROLI, 2000). Mesmo que um indivíduo tenha uma preferência lateral marcante para uma das dimensões em uma determinada tarefa, isto não quer dizer que o desempenho dele seja melhor com seu membro preferido (VASCONCELOS, 2006). No entanto, a preferência lateral tende a ser relacionada à melhor proficiência de um dos lados do corpo que, geralmente, é o lado preferido (TEIXEIRA, 2006, 2007). Esta assimetria pode ser observável na maioria da população, pois aproximadamente 90% dela utilizam o lado direito do corpo (TEIXEIRA, 2006, 2007). A preferência começa a se acentuar por volta dos três anos de idade (GONÇALVES, 2009) e se fortalece ainda mais ao longo da vida (TEIXEIRA, 2001). Esta assimetria pode ser explicada por meio de fatores genéticos e ambientais.

Os fatores genéticos podem demonstrar que a lateralidade de um indivíduo estaria definida ao nascer, exceto em casos de patologias neurais (LEVY 1976). Contestando estes fatores genéticos, no estudo de Ashton (1982) realizado com 1800 famílias havaianas, ele analisou a preferência lateral manual de pais, filhos e seus ancestrais, em que apresentaram uma participação genética de 10-20%; enquanto, para os fatores ambientais responderam por 80-90%. Os resultados deste estudo, pode ser considerado pelo fato da preferência lateral estar relacionada à pressão social (PACHER, 2006) e pelo ambiente oferecer maior restrições orientadas para o lado direito (RODRIGUES; VASCONCELOS; BARREIROS, 2010; SILVA, 2007), pois a maioria dos objetos é desenvolvida para pessoas destras, o

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que proporciona mais experiências motoras unilaterais. Esta restrição ambiental possui um papel importante no estabelecimento de preferências laterais e das assimetrias de desempenho, de forma que, com o avanço da idade, os indivíduos aumentam a magnitude de assimetria (MACHADO; TEIXEIRA, 2008; SILVA; LIMA, 2008).

No estudo realizado por Teixeira, Silva e Carvalho (2003) com tarefas de chute e condução de bola, não foi verificada diminuição nas assimetrias de desempenho após a prática unilateral com a perna preferida. No entanto, a prática na tarefa de condução de bola, com a perna não-preferida, foi capaz de reduzir ou até mesmo eliminar as assimetrias de desempenho entre os lados preferido e não preferido. A prática unilateral com o membro não-preferido, em tarefa de sequenciamento de toques de dedos, também foi capaz de modificar a preferência lateral, o que caracteriza a lateralidade como um componente dinâmico do comportamento motor humano (TEIXEIRA; OKAZAKI, 2007; FAQUIN; OKAZAKI, 2009; TEIXEIRA; TEIXEIRA, 2007).

A preferência lateral pode ser analisada pela frequência do uso de um dos lados do corpo. Este método é mais comum em crianças. O participante tem que desempenhar uma tarefa motora mais de uma vez para conferir a consistência na escolha de um lado para realizar a tarefa. Além desse método, a preferência lateral também pode ser analisada por meio de inventários, mais comumente utilizado em adultos, pois possui melhor conhecimento sobre sua lateralidade (TEIXEIRA, 2006). O inventário mais utilizado é Inventário de Dominância Lateral de Edimburgo (OLDIFIELD, 1971). No entanto, esse inventário somente indica a preferência manual. Por conseguinte, outros inventários para diagnosticar a preferência lateral têm sido propostos. Por exemplo, Okazaki e colaboradores (2011) propuseram o Inventário de Preferência Lateral Global (IPLAG), que pode ser aplicado como auto-avaliação, contemplando tarefas representativas do cotidiano, além de contemplar diferentes dimensões da lateralidade, tais como: manuais, podais, de tronco, auditivas e visuais.

2.3 Transferência de Aprendizagem

A aprendizagem motora pode ser definida como as mudanças associadas à prática ou experiências vivenciadas por um indivíduo em que irá alterar a capacidade

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para realizar uma habilidade motora (MAGILL, 2000; SCHMIDT; WRISBERG, 2010). Uma das características mais importantes na aprendizagem é a sua capacidade de transferência. Esta transferência de aprendizagem caracteriza-se pela influência da experiência anterior no desempenho de uma habilidade num novo contexto ou na aprendizagem de uma nova habilidade (MAGILL, 2000). Na maioria das vezes se utiliza apenas um lado do corpo para realizar uma habilidade motora, o que passa a ser chamado de prática unilateral.

A prática unilateral parece possuir um papel importante para a preferência lateral e está relacionada com a capacidade de transferir o movimento aprendido para o lado do corpo que não realizou a prática (MAGILL, 2000; TEIXEIRA, 2001). Esta capacidade pode ser chamada de transferência interlateral ou bilateral de aprendizagem, em que está relacionado à aprendizagem da mesma tarefa com membros diferentes (MAGILL, 2000; TEIXEIRA, 2001). Isto ocorre de forma que o ganho de desempenho de um dos lados conduz à melhoria de desempenho com o lado contrário, que foi mantido em repouso durante experiências práticas em uma determinada tarefa (TEIXEIRA, 2001).

A transferência interlateral de aprendizagem pode ocorrer de forma positiva, negativa e neutra (MAGILL, 2000). A transferência positiva ocorre quando uma experiência com uma habilidade pode ajudar ou facilitar o desempenho em uma habilidade nova ou em um novo contexto. A transferência negativa ocorre quando a experiência com uma habilidade impede ou dificulta o desempenho de uma habilidade nova ou em um novo contexto. Transferência neutra ocorre quando a experiência com uma habilidade não interfere no desempenho de uma nova habilidade ou em um novo contexto.

Em um estudo realizado por Teixeira e Gasparetto (2002) mostraram que ao mesmo tempo em que os seres humanos são caracterizados por uma assimetria lateral de preferência bem definida, existem alguns mecanismos que previnem um desenvolvimento motor unilateral conforme as habilidades motoras, pois, essas habilidades são praticadas apenas com o lado preferido. Estes autores demonstraram que, quando se adquire desempenho em uma tarefa motora com um dos lados do corpo, o lado contralateral homólogo também melhora. Os mecanismos que explicam a transferência interlateral são os elementos cognitivos, o compartilhamento de redes neurais e o compartilhamento do programa motor generalizado.

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Os elementos cognitivos dizem respeito às informações mais importantes, relacionadas com o que se pretende atingir, que influenciam no desempenho de uma habilidade motora. Assim, quando um membro realiza a prática, as informações cognitivas importantes relacionadas às metas “como fazer” e aos objetivos “o que fazer” são disponibilizadas para o membro contralateral para determinada tarefa (THORNDIKE, 1914 apud MAGILL, 2000). No estudo de Teixeira (1993) que contribui para esta explicação, realizaram uma tarefa de impulsionar um implemento de baixo peso com o dedo indicador, através de uma superfície plana, procurando fazer com que este estacionasse sobre um alvo desenhado sobre a superfície de deslocamento. O experimento foi dividido em dois grupos: um grupo praticava com a mão preferida e era avaliado com a mão não preferida e o outro grupo era feito o tratamento inverso. Não foi verificado efeito de transferência interlateral de aprendizagem, o que pode ser explicado pelo fato da tarefa ser simples e não envolver aspectos cognitivos. No entanto, se não há aspectos cognitivos a serem aprendidos na tarefa, seria esperado uma aprendizagem apenas do membro que realizou a prática.

As explicações baseadas no compartilhamento de redes neurais são fundamentadas na transmissão de informações que ocorrem entre os hemisférios cerebrais por meio do corpo caloso, além de outras conexões em níveis inferiores do sistema nervoso central. O corpo caloso conecta-se entre os dois hemisférios, ele promove a integração de funcionamento neural entre os dois lados. Através desta conexão, é possível que o produto processado em um dos hemisférios cerebrais seja transmitido para o hemisfério contalateral (TAYLOR; HEILMAN, 1980 apud TEIXEIRA, 2001). Desta forma, ainda que uma tarefa assimétrica fosse praticada por apenas um determinado lado do corpo, poderia haver estimulação das áreas motoras contra-laterais responsáveis pelo movimento. Assim, o outro lado também poderia se beneficiar da prática do membro contra-lateral, ainda que não realize a prática motora efetivamente.

Outra forma de explicar a transferência interlateral pode ser realizada por meio do fato de que o programa motor utilizado em uma habilidade é compartilhado pelos dois lados do corpo (SCHMIDT, 1975 apud MAGILL, 2000). Assim, apenas os esquemas motores teriam que se adequar às especificidades do hemisfério corporal que não realizou a prática específica durante a tarefa. Esta abordagem tenta explicar a capacidade de uma pessoa em escrever seu nome segurando a caneta com a

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mão preferida ou com outro membro e obter o mesmo padrão de movimento para os dois membros (MAGILL, 2000). Estas três explicações têm auxiliado no entendimento destes mecanismos compensatórios de desempenho entre os hemisférios corporais.

Mesmo com estes mecanismos compensatórios, ainda não é conhecido em qual sentido ocorre maior transferência interlateral, do lado preferido para o não preferido ou do lado não preferido para o lado preferido. Por exemplo, no estudo de Wang e Sainburg (2004), estes autores demonstraram que a prática com o membro preferido, apresentou melhor transferência do lado preferido para o lado não preferido em uma tarefa de sair de um círculo em direção ao alvo em uma linha reta o mais rápido possível. Pinho e colaboradores (2007) também demonstraram que, na tarefa de soltar uma chave pressionada e transportar duas bolas de tênis em sequência pré-determinada entre quatro recipientes, houve melhor transferência no sentido preferido para não preferido. No entanto, Kumar e Mandal (2004), em tarefa de contornar uma figura de estrela em um aparelho de desenho-espelho, apresentaram melhor transferência no sentido não-preferido para preferido. Pinho e colaboradores (2007) também demonstraram que a prática em tarefa de digitação de uma sequência de teclas pré-determinadas apresentou melhor transferência do lado não preferido para o preferido. Por conseguinte, ainda não é possível concluir em que direção ocorre melhor transferência de aprendizado. Assim, mais estudos são necessários para investigar qual o melhor sentido de transferência de aprendizado.

2.4 Controle postural

Para manter a postura ereta é necessário o envolvimento de coordenação e controle dos segmentos corporais com os outros segmentos do corpo e com o ambiente (HORAK; MACPHERSON, 1996; BARELA, 2000). Deste modo, a postura é o alinhamento biomecânico do corpo e a orientação do corpo em relação ao ambiente (SHUMWAY-COOK; WOOLLACOT, 2003).

A capacidade de controlar a posição do corpo no espaço surge da interação entre os sistemas musculoesqueléticos e neurais, denominados sistemas de controle postural (HORAK; MACPHERSON,1996; SHUMWAY-COOK; WOOLLACOT, 2003). Sendo assim, o controle postural envolve o controle da posição do corpo no espaço com dois objetivos principais: equilíbrio postural e orientação postural, o qual varia

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de acordo com a tarefa e o ambiente (HORAK; MACPHERSON,1996; SHUMWAY-COOK; WOOLLACOT, 2003; HORAK, 2006).

Horak e Macpherson (1996) definem o equilíbrio postural como o estado em que todas as forças atuando no corpo estejam equilibradas, de modo que o corpo fique na orientação e posição final desejada (equilíbrio estático) ou possa se mover de forma controlada (equilíbrio dinâmico). De acordo com Horak (2006) a orientação postural envolve o controle ativo do alinhamento corporal em relação a gravidade, base de apoio, ambiente visual e referências internas, utilizando referências sensórias para cada uma dessas relações: sistema vestibular, sistema somatossensitivo e sistema visual. Deste modo, estas informações sensoriais são necessárias para a regulação do equilíbrio do corpo (DUARTE, 2000; BARELA, 2000). Portanto, o sucesso do controle postural depende da flexibilidade e adaptação da organização sensorial e das estratégias de manutenção do equilíbrio (CARVALHO; ALMEIDA, 2008).

O sistema sensorial visual nos informa sobre forma, tamanho, cor, posição e movimento de tudo que está em nossa volta (TEIXEIRA, 2006; MOCHIZUKI; AMADIO, 2006). Sendo assim, a visão permite antecipar movimento de objetos, como a trajetória e a velocidade de uma bola que se aproxima e auxiliar na detecção de aspectos espaciais e temporais de movimentos realizados no ambiente, como saltar uma cerca (SCHMIDT; WRISBERG, 2010). No entanto, no controle postural a informação visual é utilizada para estimar a oscilação corporal e produzir atividade antecipatória, com objetivo de diminuir a oscilação corporal (BARELA; POLASTRI; GODÓI, 2000).

O sistema somatossensorial é diferente dos outros sistemas sensoriais porque seus receptores estão pelo corpo todo e não concentrados em locais especializados do corpo humano. Além disso, responde a diferentes tipos de estímulos, como: toque, temperatura, posição do corpo e dor, denominados receptores cutâneos. Além dos receptores cutâneos temos os receptores proprioceptivos que respondem sobre onde o corpo está no espaço, à direção e intensidade do movimento, o qual os fusos musculares informam sobre intensidade de alongamento e taxa de alongamento do músculo e os órgãos tendinosos de Golgi informam sobre o nível de força gerado pelo músculo em um tendão (MOCHIZUKI; AMADIO, 2006; SCHMIDT; WRISBERG, 2010).

(23)

Estas informações somatossensoriais informam ao sistema nervoso não somente a qualidade da base de suporte (BS), como o comprimento e a largura se ela é escorregadia, mas também sobre a força que o corpo exerce contra esta BS (HORAK; MACPHERSON, 1996).

O aparelho vestibular está localizado no ouvido interno, constituídos por canais semicirculares que detecta movimentos da cabeça (aceleração e desaceleração angular ou rotatória) e órgãos otolíticos sensível à sua orientação em relação à gravidade e também respondendo à aceleração linear da cabeça e sua inclinação. Deste modo, as informações fornecidas pelo sistema vestibular é uma fonte importante para a postura e o equilíbrio (SCHMIDT; WRISBERG, 2010; TEIXEIRA, 2006; SHUMWAY-COOK; WOOLLLACOTT, 2003).

2.5 Equilíbrio Postural

A capacidade de manter o equilíbrio postural é um pré-requisito para a execução de muitas atividades da vida diária, o que se torna fundamental no relacionamento espacial do homem com o ambiente (SOUSA et al. 2010). A postura e o equilíbrio apresentam capacidades tanto de recuperar a instabilidade como a habilidade de antecipar e mover-se para não gerar a instabilidade (SHUMWAY-COOK; WOOLLACOT, 2003)

Um objeto é considerado estável quando o centro de massa (COM) é mantido sobre sua base de suporte (BS). Com isso, o COM é definido como o ponto do centro total da massa corpórea, determinado pela média do peso do COM de cada segmento do corpo, e a BS é a área do objeto que está em contato com a superfície de base. Portanto, o equilíbrio é a capacidade de manter o COM projetado dentro dos limites da BS, denominados limites de estabilidade (SHUMWAY-COOK; WOOLLACOT, 2003).

O equilíbrio por sua vez, é uma complexa interação entre o sistema sensorial e o mecanismo motor (BARELA, 2000; DUARTE, 2000; SOUSA et al. 2010; FREITAS; BARELA, 2006), o qual pode prevenir o risco de quedas. Quando ocorre uma alteração visual, somatossensorial ou vestibular surgem alterações que caracterizam o desequilíbrio (SOUSA et al. 2010; FREITAS; BARELA, 2006). As alterações especialmente nos sistemas visual, somatossensorial, vestibular e músculo-esquelético, podem alterar a capacidade da manutenção do controle

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postural, predispondo a quedas, o qual é o principal problema advindo da diminuição do controle postural (ALFIERE; MORAES, 2008; MANN et al. 2007).

A informação sensorial e o mecanismo motor são utilizados pelo sistema de controle postural, formando um ciclo de percepção-ação. Este ciclo ocorre utilizando uma estratégia de feedforward, com isso a informação sensorial é utilizada para estimar a oscilação corporal, e então, é utilizada para produzir ajustes posturais antecipatórios com o objetivo de minimizar a oscilação corporal. Deste modo, a informação sensorial e o mecanismo motor estão entrelaçados com o objetivo de atingir ou manter o equilíbrio e a orientação postural (BARELA, 2000).

O equilíbrio é alcançado quando gera momentos de força sobre as articulações do corpo para neutralizar o efeito da gravidade ou qualquer outra perturbação em um processo contínuo e dinâmico durante a permanência em determinada postura (Duarte, 2000). Portanto, um corpo está em equilíbrio quando a somatória de todas as forças (F) e momentos de força (M) agindo sobre ele é igual a zero. Sendo classificadas em força externa e interna. As forças externas que atuam sobre o corpo humano são: a força de gravidade e a força de reação do solo atuando sobre os pés. As forças internas são: perturbações fisiológicas como o batimento cardíaco e a respiração ou geradas pelos músculos responsáveis pela manutenção da postura e realização de movimentos do próprio corpo (FREITAS; DUARTE, 2006). O equilíbrio postural é alcançado por meio do acoplamento funcional de grupos de músculos (sinergia) que agem em conjunto, como unidade, o que simplifica as demandas de controle sobre o sistema nervoso central (SNC). As sinergias musculares apresentam estratégias para estabilidade ântero-posterior e médio-lateral, tais como: estratégia do tornozelo, quadril e do passo para o controle da postura (SHUMWAY-COOK; WOOLLACOT, 2003).

A estratégia do tornozelo e sua sinergia estão entre os primeiros padrões para o controle da inclinação da postura ereta. Esta estratégia restaura a posição de equilíbrio do COM, por meio de um movimento corpóreo centralizado, principalmente nas suas articulações. Assim, a estratégia do tornozelo parece ser mais utilizada quando as situações em que a perturbação do equilíbrio é menor e a BS é firme (SHUMWAY-COOK; WOOLLACOT, 2003), atuando no controle do pêndulo invertido (WINTER, PATLA, A. E; FRANK, 1990). Esta estratégia controla o movimento do COM em relação aos movimentos realizados nas articulações do quadril, sendo estes movimentos amplos e rápidos, com rotação antifase dos tornozelos. A

(25)

atividade muscular sinérgica está associada à estratégia do quadril, a qual começa no abdome, e em seguida, pela ativação do quadríceps (SHUMWAY-COOK; WOOLLACOT, 2003). Quando as estratégias do tornozelo e do quadril são insuficientes para recuperar o equilíbrio, é usada a estratégia do passo para que alinhe novamente a BS sob o COM. Assim, as informações dos padrões de ativação de músculos e dos movimentos corpóreos podem fornecer dados das estratégias do controle motor para retornar ao equilíbrio (SHUMWAY-COOK; WOOLLACOT, 2003).

(26)

3 MÉTODOS

3.1 Caracterização do Estudo

Este estudo foi uma pesquisa de campo com caráter experimental transversal.

3.2 Amostra

A amostra foi composta por 30 estudantes da Universidade Estadual de Londrina, de ambos os sexos, com idade entre 18 – 33 anos. Eles foram divididos aleatoriamente em dois grupos com 15 participantes cada, balanceando o fator sexo. Um grupo realizou prática somente com o pé direito (GD) e o outro grupo realizou a prática somente com o pé esquerdo (GE). Foram analisados apenas participantes destros, segundo o IPLAG-C (Inventário de Preferência Lateral Global; OKAZAKI; MARIM; LAFASSE, 2010) que analisa membros inferiores. Não participaram do estudo os indivíduos que apresentaram impossibilidade de realizar as tarefas propostas ou fadiga muscular.

Os participantes foram esclarecidos sobre a proposta do estudo e procedimento experimental, aos quais, assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido para a participação no experimento. Este estudo foi submetido à aprovação no Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Londrina, de acordo com as normas da Resolução 196/96 do conselho Nacional de Saúde sobre pesquisas envolvendo seres humanos.

3.3 Local

O estudo foi realizado no laboratório do Grupo de Estudos e Pesquisa em Desenvolvimento e Aprendizagem Motora – GEPEDAM, no CEFE, na Universidade Estadual de Londrina, Londrina – Paraná.

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3.4 Instrumentos/equipamentos e tarefa

Para analisar a preferência lateral foi utilizado o IPLAG – C de Okazaki, Marim e Lafasse (2010) que analisa a preferência lateral de membros inferiores em tarefas do cotidiano nas formas teórico e prática, sendo aleatorizado para cada participante. Para o IPLAG-C teórico os participantes responderam uma vez ao software IPLAG-C de Okazaki (2010), conforme as respostas eles eram classificados como: (1) fortemente canhoto, (2) canhoto moderado, (3) indiferente, (4) destro moderado e (5) fortemente destro. Para o IPLAG-C prático, os participantes tinham que realizar 4 tentativas para cada tarefa proposta, juntamente com a tarefa específica em que o participante realizou no estudo. A partir destas tentativas realizadas, foi classificada a preferência lateral em função da utilização dos lados da seguinte forma: se as 4 tentativas fossem realizadas com o lado direito eram classificados como fortemente destro, se somente 3 tentativas fossem realizadas com o lado direito e uma com o lado esquerdo eram classificados como destro moderado, se realizassem a prática sendo 2 tentativas para o lado direito e 2 tentativas para o lado esquerdo seriam indiferente e se realizassem 3 tentativas com o lado esquerdo e uma 1 tentativa com o lado direito eram classificados como canhoto moderado e 4 tentativas com o lado esquerdo seriam fortemente canhoto. Antes de todas as fases de teste do estudo (pré-teste, pós-teste e retenção) foi questionada aos participantes sua preferência lateral específica para realizar a tarefa de equilíbrio podal (tarefa praticada). Os participantes responderam, com as mesmas possibilidades de respostas apresentadas pelo IPLAG, a saber: sempre direita (5 pontos), maioria direita (4 pontos), indiferente/neutra (3 pontos), maioria esquerda (2 pontos) e sempre esquerda (1 ponto).

Para analisar o equilíbrio dinâmico foi utilizada uma Plataforma de Equilíbrio Dinâmico de Okazaki (2010), a qual, consiste em uma prancha de madeira com 40 cm de comprimento por 40 cm de largura com altura de 1,5 cm, sustentada por uma base semi-circular colocada abaixo e centralmente na prancha de madeira, contendo 4,4 cm de altura, com 2,4 cm de largura e 2,2 cm de raio. Nas suas laterais são acoplados sensores eletrônicos para mensurar as variáveis relativas ao equilíbrio dinâmico, por meio da ligação realizada com o adaptador analógico-digital (Análog-Digital for laboratory task (v.1.5) de Okazaki (2009) com um software de Okazaki, Dynamic Balance Task (v.1.0) 2010 que coletou dados do tempo de equilíbrio sobre

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a plataforma e o número de erros, este software foi utilizado através de um computador portátil.

Figura 1. Plataforma de Equilíbrio Dinâmico de Okazaki (2010)

Figura 2. Plataforma de Equilíbrio Dinâmico de Okazaki (2010)

3.5 Procedimento experimental

Os participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido para a participação do estudo. Após, os indivíduos foram submetidos ao inventário de preferência lateral que foi proposto. Feita a análise da preferência lateral os indivíduos foram divididos aleatoriamente em dois grupos: GD e GE.

Os participantes se colocaram em frente à Plataforma de Equilíbrio Dinâmico para iniciar cada teste, todos os participantes subiram na plataforma quando a borda posterior da plataforma estava tocando o solo. Para a posição com os pés paralelos,

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todos subiram primeiro com o pé direito e após o esquerdo para padronização dos testes. Em todas as posições os participantes colocaram os braços cruzados nos ombros, estavam descalços, olhando em um ponto fixo com 2 metros de distância da plataforma e na direção ântero-posterior da plataforma. O início do teste começou quando o participante estava na plataforma e um comando de voz foi fornecido, sendo que foi contabilizado a partir do momento em que o sensor saiu do solo, e terminou quando o tempo estipulado acabou.

O estudo contou com 4 fases: pré-teste, aquisição, pós-teste, retenção após 48 horas e retenção após uma semana. Os dois grupos passaram pela familiarização de 1 tentativa com 10 segundos de duração nas três posições de teste, a saber: somente pé direito, somente pé esquerdo e pés paralelos aproximadamente na largura dos ombros, sendo aleatorizados. A fase de pré-teste contou com 3 tentativas de 10 segundos cada. A fase de aquisição contou com a prática de 10 blocos com 6 tentativas e 10 segundos com apenas um dos pés, com um intervalo de 3 minutos entre os blocos (o GD realizou a prática com o pé direito e o GE realizou a prática com o pé esquerdo). Após 10 minutos da fase de aquisição, os participantes realizaram o pós-teste de 3 tentativas com 10 segundos cada e por fim, realizaram a retenção com 3 tentativas de 10 segundos cada após 48 horas e após uma semana. Nas fases, pré-teste, pós-teste e retenção foi realizada as 3 posições que realizaram na familiarização: pé direito, pé esquerdo e pés paralelos aproximadamente na largura dos ombros, sendo estes aleatorizados para cada participante.

Figura 3. Participante realizando a tarefa de equilíbrio na Plataforma de Equilíbrio Dinâmico com os dois pés.

(30)

Figura 4. Participante realizando a tarefa de equilíbrio na Plataforma de Equilíbrio Dinâmico com o pé direito.

Figura 5. Participante realizando a tarefa de equilíbrio na Plataforma de Equilíbrio Dinâmico com o pé esquerdo.

3.6 Variáveis de estudo

As fases de teste (pré-teste, pós-teste e retenção), as condições de testes (pé direito, pé esquerdo e pés paralelos) e os grupos (prática com o pé direito e prática com o pé esquerdo) foram às variáveis independentes do estudo. Como variáveis dependentes o estudo apresentou: o tempo absoluto em equilíbrio, número total de toques no solo e a preferência lateral. Abaixo, segue a descrição da definição de cada variável dependente:

(a) Tempo absoluto em equilíbrio (TAE) – Tempo total (em segundos) em situação de equilíbrio (sem que os sensores das bordas laterais da plataforma toque o solo);

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(b) Número total de toques no solo (NT) – número total de toques das bordas, anterior e posterior;

(c) Preferência lateral – será classificada em: (1) fortemente canhoto, (2) canhoto moderado, (3) indiferente, (4) destro moderado e (5) fortemente destro.

3.7 Análise estatística

A análise estatística foi realizada no programa Statistics 8.0. A estatística descritiva analisou os dados por meio de média e de desvio padrão. O teste de ANOVA com três fatores foi utilizado para as variáveis dependentes paramétricas, 4 (Fases de testes: pré-teste, pó-teste, retenção após 48 horas e retenção após uma semana) x 3 (Condições de testes: pé direito, pé esquerdo e pés paralelos) x 2 (Grupos: prática com o pé direito e prática com o pé esquerdo). As comparações posteriores foram realizadas pelo teste de Bonferroni. O teste de Friedman foi utilizado para a variável dependente de preferência lateral na tarefa de equilíbrio. As comparações posteriores foram realizadas pelo teste de Wilcoxon. O nível de significância adotado foi de P < 0,05.

(32)

4 RESULTADOS

Os resultados mostraram que o GD, que praticou com o pé direito, não mudou a preferência lateral (X2f(n=15,gl=3)= 1,41; P=0,702). Por outro lado, o GE, que praticou

com o pé esquerdo, apresentou efeito principal do fator fase (X2f(n=15,gl=3)=24,13;

P<0,001), em que a preferência lateral deste grupo mudou de “destro moderado”,

nas fases de pré-teste e pós-teste, para “indiferente”(ambidestria) nas fases de retenção após 48 horas (P<0,05) e retenção após uma semana (P<0,05).

Figura 6. Preferência lateral (mediana e amplitude) dos grupos analisados (pé que praticou) em função das fases de teste.

Legenda: diferença significativa (P<0,05), para o mesmo grupo, quando comparada à preferência com a fase de teste apré-teste, bpós-teste, cretenção após 48 hr e dretenção após uma semana.

A variável TAE não demonstrou efeito principal para o fator grupo (F1,28=1,36; P=0,254) e fator pé (F2,56=1,33; P=0,272). O fator fase demonstrou

efeito principal (F3,84=24,63; P<0,001) para a variável TAE, em que houve aumento

no tempo de equilíbrio no pós-teste, retenção após 48 horas e retenção após uma semana, em comparação com o pré-teste (P<0,05) e na retenção após uma semana, em comparação ao pós-teste (P<0,05). Por conseguinte, foi demonstrada a aprendizagem dos grupos.

(33)

A interação entre o fator pé, fase e grupo apresentou diferença (F6,168=3,09;

P<0,006). Em que, o GD analisado com o pé direito apresentou menor tempo de

equilíbrio no pré-teste, em comparação ao pós-teste, retenção após 48 horas e retenção após uma semana (P<0,05). No GE quando analisado o pé esquerdo houve aumento no tempo de equilíbrio na fase de pós-teste, retenção após 48 horas e retenção após uma semana, em comparação com o pré-teste (P<0,05), assim, este achado proporciona inferências de melhora no desempenho e da aprendizagem. Esses resultados demonstram indicativos do aperfeiçoamento do desempenho e da aprendizagem para ambos os grupos (figura 7).

Figura 7. Tempo Absoluto de Equilíbrio (média e desvio padrão) dos grupos analisados para o pé que realizou a prática em função das fases de teste.

Legenda: diferença (P<0,05) quando comparada à fase de apré-teste, bpós-teste, cretenção após 48 hr e dretenção.

No GD analisado com o pé que não praticou (esquerdo) o tempo de equilíbrio foi menor no pré-teste, em comparação à retenção após 48 horas e à retenção após uma semana (P<0,05) e no pós-teste, em comparação a retenção após uma semana (P<0,05). A análise do GE, no pé que não realizou a prática

(34)

(direito), na fase de pré-teste, apresentou menor tempo de equilíbrio, em comparação às fases de retenção após 48 horas e retenção após uma semana (P<0,05). Estes resultados em conjunto sugerem que ambos os grupos apresentaram a transferência interlateral de aprendizagem (figura 8).

Quando analisado o GD, com base utilizando ambos os pés, o tempo de equilíbrio também foi menor no pré-teste, em comparação à retenção após uma semana (P<0,05). Também foi encontrado maior tempo de equilíbrio nas fases de retenção após 48 horas e retenção após uma semana, em comparação a fase de pré-teste (P<0,05) e na fase de retenção após 48 horas, em comparação ao pós-teste (P<0,05) para o GE quando analisado na condição de base com ambos os pés. Estes resultados apontam para a transferência intertarefas para ambos os grupos (figura 9).

Figura 8. Tempo Absoluto de Equilíbrio (média e desvio padrão) dos grupos analisados do lado de transferência (pé que não realizou a prática) em função das fases de teste.

Legenda: diferença (P<0,05) quando comparada à fase de apré-teste, bpós-teste, cretenção após 48 hr e dretenção.

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Figura 9. Tempo Absoluto de Equilíbrio (média e desvio padrão) dos grupos analisados do lado de transferência (os dois pés que não realizaram a prática) em função das fases de teste.

Legenda: diferença (P<0,05) quando comparada à fase de apré-teste, bpós-teste, cretenção após 48 hr e dretenção.

A análise da variável NT não demonstrou significância para o fator grupo (F1,28=0,01; P=0,900), fator pé (F2,56=1,54; P=0,222) e interação entre o fator pé, fase

e grupo (F,6,168=2,11; P=0,054). Para o fator fase foi verificado efeito principal

(F3,84=4,53; P<0,005), no qual, foi encontrado menor número de toques nas fases de

retenção após 48 horas e retenção após uma semana, em comparação ao pré-teste (P<0,05), isto é, indicando a aprendizagem independente do grupo e do pé utilizada como base de apoio. As figuras 10, 11 e 12 apresentam respectivamente os valores de NT (média e desvios padrão) para a base com o pé de prática, o pé de transferência (que não realizou a prática) e ambos os pés (transferência intertarefas).

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Figura 10. Número total de toques da borda da plataforma no solo (média e desvio padrão) dos grupos analisados com pé de prática em função das fases de teste.

Figura 11. Número total de toques da borda da plataforma no solo (média e desvio padrão) dos grupos analisados do lado de transferência (pé que não realizou a prática) em função das fases de teste.

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Figura 12. Número total de toques no solo (média e desvio padrão) dos grupos analisados do lado de transferência (os dois pés que não realizaram a prática) em função das fases de teste.

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5 DISCUSSÃO

O presente estudo analisou a preferência lateral e a transferência interlateral em tarefa de equilíbrio dinâmico. Para facilitar a organização da discussão da presente sessão, os resultados foram analisados separadamente para a análise da preferência lateral e para a transferência interlateral de aprendizagem.

5.1 Preferência lateral

O presente estudo analisou o efeito da prática sobre a preferência lateral e transferência interlateral em tarefa de equilíbrio dinâmico. Para tanto, a preferência lateral foi analisada por meio do Inventário de Preferência Lateral Global (IPLAG-C), que analisa a preferência lateral de tarefas motoras do cotidiano para membros inferiores.

A prática com o pé não preferido modificou a preferência lateral dos participantes de destro moderado para indiferente. Tais resultados corroboram com estudos que também demonstraram mudança na preferência lateral, em função da prática específica com um determinado lado. Por exemplo, Teixeira e Teixeira (2007) demonstraram que os participantes alteraram a preferência lateral de fortemente destro para canhoto moderado na tarefa de sequenciamento de toques de dedos. Teixeira e Okazaki (2007) demonstraram alteração da preferência lateral de fortemente destro para indiferente, também em uma tarefa de sequenciamento de toques de dedos. Em outro estudo envolvendo a tarefa de toques de dedos conduzida por Faquin e Okazaki (2009) também foi demonstrado a mudança da preferência de fortemente destro para indiferente devido à prática unilateral. Candido e Okazaki (2009) demonstraram que a preferência lateral pode ser alterada após a prática de uma tarefa de rastreamento da mão preferida (direita) para indiferente (ambidestria). Outros estudos como o de Silva e Freitas (2009) com crianças destras de 3 e 4 anos, também demonstraram mudança na preferência lateral da mão direita para a mão esquerda em tarefa de alcançar e agarrar.

Estes estudos demonstraram que a lateralidade é um componente dinâmico do comportamento motor (TEIXEIRA; OKAZAKI, 2007; TEIXEIRA; TEIXEIRA, 2007). Assim, a formação da preferência lateral pode estar associada a fatores como: a prática (as repetições específicas da tarefa), segurança/confiança (adquirida com a

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prática), eficiência no desempenho (não apenas na eficácia) e experiência geral (experiência adquirida ao longo do tempo com um determinado lado) (FAQUIN; OKAZAKI, 2009).

No presente estudo, para os participantes que praticaram com o pé preferido a preferência lateral não foi alterada. Corroborando com os resultados de Teixeira (2007), em uma tarefa de chute de potência do futebol com participantes destros, no qual, os participantes demonstraram consistência pela perna direita em tarefas de mobilização. Os autores concluíram que a preferência podal pode estar relacionada ao tipo de tarefa e ao efeito acumulativo da prática ao longo dos anos.

As hipóteses levantadas foram que, a prática específica com o pé não preferido mudaria a preferência lateral e que a prática específica com o pé preferido não mudaria a preferência lateral do pé preferido. Portanto, com base nos resultados obtidos, estas hipóteses foram confirmadas. Uma vez que, os participantes que praticaram com o membro preferido, conservaram sua preferência em todas as fases de teste, e os participantes que praticaram com o membro não preferido mudaram sua preferência de destro moderado para indiferente.

5.2 Transferência interlateral de aprendizagem

A prática realizada no presente estudo proporcionou a aprendizagem após a fase de aquisição para ambos os grupos, ou seja, os grupos aprenderam independentemente da prática específica com o lado preferido ou não preferido. Além disso, em ambos os grupos houve um aumento no desempenho do lado contra-lateral homólogo (membro que permaneceu em repouso durante a aquisição) no teste de transferência interlateral. Desta forma, os resultados demonstraram que ambos os grupos apresentaram transferência interlateral de aprendizagem. Tais resultados foram explicados por meio da teoria de transferência dos elementos cognitivos (THORNDIKE, 1914), citado por (MAGILL, 2000) pelo compartilhamento de redes neurais (TAYLOR; HEILMAN, 1980) citado por (TEIXEIRA, 2001) e pela utilização comum aos lados de representações do movimento por meio dos programas motores generalizados (SCHMIDT, 1975) citado por (MAGILL, 2000).

A prática unilateral pode ter levado a uma transferência dos elementos cognitivos que fizeram parte da tarefa aprendida de equilíbrio dinâmico, permitindo que os elementos cognitivos fossem relacionados às metas („como fazer‟) e aos

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objetivos („o que fazer‟) da tarefa. Deste modo, a prática com um determinado lado possibilitou ao aprendiz ter experiência procedimental que garantiu vantagem ao desempenhar a tarefa com o lado contra-lateral ou com a nova tarefa (base com ambos os pés). O compartilhamento de redes neurais foi outro fator que pode ser utilizado para explicar tais resultados, nos quais seria possível realizar a transferência de informações entre os hemisférios cerebrais, por meio do corpo caloso e por conexões em níveis inferiores do sistema nervoso central (TAYLOR; HEILMAN, 1980) citado por (TEIXEIRA, 2001). De fato, a possibilidade em aproveitar a informação transposta de um dos lados do corpo para o outro tem sido verificada por meio da ativação contra-lateral em situações de aprendizagem (TEIXEIRA, 2006). Por exemplo, Davis (1942) constatou a existência de atividade eletromiográfica nos quatro membros corporais quando um deles desempenhavam um movimento, no qual, a maior parte da atividade eletromiográfica ocorreu para o membro contra-lateral homólogo, seguida por uma redução de ativação para o membro ipsilateral e uma ativação mais reduzida ocorreu para o membro diagonal.

A transferência de aprendizado também pode ser explicada pela utilização do mesmo programa motor generalizado para realizar a ação. Considerando que a prática fortalece a representação de um determinado programa motor generalizado (GONÇALVES et al., 2007), quando é necessário realizar a tarefa com o membro contra-lateral, esse membro, por sua vez, também utilizaria a mesma representação fortalecida, necessitando apenas ajustar os parâmetros de controle no movimento como visto no trabalho de Schmidt (1975) Por conseguinte, estas três explicações podem auxiliar no entendimento destes mecanismos compensatórios de desempenho entre os hemisférios corporais que permitiram a transferência interlateral de aprendizagem para ambos os grupos.

Contrapondo os resultados do presente estudo, alguns pesquisadores não têm verificado a transferência interlateral de aprendizagem. Karni e colaboradores (1995) analisaram as modificações corticais durante a prática de toques sequenciais rápidos repetidos de dedos, por meio de ressonância magnética e de modificações comportamentais no desempenho da tarefa. Estes autores demonstraram apenas que o ganho de desempenho foi específico à mão de prática, ou seja, sem a manifestação da transferência de aprendizado. Teixeira (1993) também não encontrou efeito da transferência interlateral em tarefa de impulsionar um pequeno disco com o dedo indicador em direção a um alvo espacial horizontal. Este autor

(41)

propõe que a transferência de aprendizagem ocorreria, principalmente, em situações nas quais há maior demanda cognitivas ou perceptivas nos elementos a serem aprendidos na tarefa (TEIXEIRA, 1993). Faquin e colaboradores (2011) também não verificaram a transferência interlateral em tarefa de arremesso de dardo de salão em direção a um alvo. Estes autores sugeriram que, para que a transferência interlateral ocorresse, seria necessário haver grande melhora no desempenho e no aprendizado do lado que realizou a prática, pois apenas uma pequena parte dos elementos aprendidos seriam transferidos para o membro contra-lateral (FAQUIN et al., 2011). Apesar desta ausência no efeito da transferência interlateral nos estudos acima citados, a tarefa do presente estudo parece possuir também uma importante característica perceptivo-motora (ou percepção-ação) que demanda do aprendiz acoplar suas respostas à percepção de equilíbrio-desequilíbrio proporcionado pela perturbação imposta pela plataforma instável. Deste modo, atendendo à característica acima citada por Teixeira (1993). Também, a prática fornecida no presente estudo pareceu ter sido suficiente para garantir a melhora no desempenho e no aprendizado sugerida por Faquin e colaboradores (2011). Assim, permitindo que quantidade expressiva de transferência interlateral e intertarefa ocorresse.

A transferência de aprendizado, no presente estudo, ocorreu de forma simétrica. Isto é, a magnitude de transferência foi igual para ambos os sentidos (do lado preferido para o não preferido e do lado não preferido para o preferido). Portanto, a hipótese de que a transferência interlateral de aprendizagem teria maior magnitude na transferência do lado não preferido para o lado preferido foi refutada. Os resultados do presente estudo, também divergem dos estudos encontrados na literatura que analisaram a magnitude do sentido da transferência lateral.

Wang e Sainburg (2004) mostraram que apenas a prática com o membro preferido, na tarefa de sair de um círculo em direção ao alvo em uma linha reta o mais rápido possível, apresentou melhora na transferência para o lado não preferido. Por outro lado, Kumar e Mandal (2005) apresentaram melhor transferência interlateral do lado não preferido para o preferido, em tarefa de contornar uma figura de estrela com seis pontas por meio de um aparelho que utiliza a imagem invertida com um espelho. Pinho e colaboradores (2007) demonstraram transferência de aprendizado do lado não preferido para o preferido em tarefa de digitar uma sequência de teclas pré-determinadas; e, transferência de aprendizado do lado preferido para o não preferido em uma tarefa de soltar uma chave pressionada e

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