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Guarda Compartilhada: meio eficaz para acabar com a alienação parental

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Academic year: 2020

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GUARDA COMPARTILHADA:

MEIO EFICAZ PARA ACABAR

COM A ALIENAÇÃO

PARENTAL*

CAMILA MAIARA DA SILVA**, ÉLIDA CRISTINY

CARDOSO MENDANHA***

Resumo: o presente estudo pretende examinar como o convívio familiar pode inibir a alienação parental no âmbito do Estatuto da Criança e Adolescente, de modo a demonstrar que tal Estatuto de maneira explícita já tem meios para inibir alguns efeitos da alienação parental, contudo o melhor meio para que não haja a alienação parental ocorre com a guarda compartilhada.

Palavras-chave: Criança. Adolescente. Alienação Parental. Guarda compartilhada.

* Recebido em: 08.11.2014. Aprovado em: 28.11.2014.

** Estudante do 10º período de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Goiás. E-mail: camilamaiara22@ hotmail.com.

*** Estudante do 9º período de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Goiás. E-mail: elidacristiny19@ hotmail.com.

O

objeto desse trabalho é a guarda compartilhada como um caminho para evitar a alienação parental, tendo como referência o Estatuto da Criança e do Adoles-cente (ECA).

Objetivo. Analisar as questões dos direitos da criança e do adolescente, no que se refere à alienação parental, com base no ECA, do Código Civil, bem como na nossa carta maior, a Constituição Federal.

A função social é a principal motivação para a pesquisa realizada, no sentido de alertar sobre importantes prejuízos sofridos por crianças e jovens que vivenciam a alienação parental.

A extensão compreende que a aprendizagem, em nível superior, deve qualificar pessoas a agir em condições de multiplicar os direitos sociais, por meio do conhecimento, em seu alcance social mais amplo (UCG, 2006).

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ALIENAÇÃO PARENTAL

Com a implantação da Lei nº 6.515/77 (Lei do Divórcio), começou a ocorrer con-flitos que até então não existiam, no que diz respeito ao melhor interesse para as crianças e adolescentes. Assim, suscitou algumas dúvidas como: com qual dos genitores estariam mais bem assistidos e qual seria o melhor meio para que houvesse a preservação da união e do afeto tendo em vista que a convivência deixaria de ser diária.

Começou, então, a confundir a dissolução da união com a responsabilidade da criação dos filhos, onde estes passaram a ser objeto de ressentimento dos pais, principalmente quando o divórcio não se dava de maneira amigável, surgindo a Alienação Parental (FIGUEI-REDO; ALEXANDRIDIS, 2011, p. 39).

Dias (2010, p. 15) explana: “com a dissolução da união, os filhos ficam fragilizados, com sentimento de orfandade psicológica. Este é um terreno fértil para plantar a ideia de abandonada pelo genitor. Acaba o guardião convencendo o filho de que o outro genitor não lhe ama”.

Jordão (2008, p. 2-3), acerca do assunto elucida:

a alienação parental consiste em programar uma criança para que, depois da separação, odeie um dos pais. Geralmente é praticada por quem possui a guarda do filho. Para isso, a pessoa lança mão de artifícios baixos, como dificultar o contato da criança com o ex-parceiro, falar mal e contar mentiras. Em casos extremos, mas não tão raros, a criança é estimulada pelo guardião a creditar que apanhou ou sofreu abuso sexual.

A alienação parental ocorre, quando um dos genitores, na maioria das vezes o des-contente com o fim do relacionamento, passa a alienar o filho para que tenha uma visão dis-torcida do seu outro, fazendo com que haja a desmoralização e o descrédito deste (JORDÃO, 2008. p. 2-3).

GUARDA COMPARTILHADA

A guarda compartilhada surgiu para melhor atender o interesse da criança e do ado-lescente, a lei nº 11.698 de 13 de junho de 2008, alterou os artigos 1583 e 1584 do Código Civil para instituir acerca da guarda compartilhada. Os pais dividem a responsabilidade de criação e educação dos filhos, mesmo que não vivam na mesma casa, artigo 1.583, §1º do Código Civil.

Com a guarda compartilhada, não há exclusividade na guarda, permitindo o conví-vio familiar para que os pais simultaneamente sejam responsáveis pelo filho, assim sendo, são assegurados os vínculos de afeto entre pais e filhos, já que ambos participarão da formação destes, visando atender as suas necessidades e o seu bem-estar (NICK, 1997, p. 135).

Ana Carolina Silveira Akel, advogada, professora de graduação e pós-graduação, em seu artigo Guarda Compartilhada: um avanço para a família moderna opina que:

a guarda compartilhada de forma admirável favorece o desenvolvimento das crianças com menos traumas e ônus, propiciando a continuidade da relação dos filhos com seus dois genitores, retirando, assim, da guarda a ideia de posse. Nesse novo modelo de

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responsabilidade parental, os cuidados sobre a criação, educação, bem estar, bem como outras decisões importantes são tomadas e decididas conjuntamente por ambos os pais que compartilharão de forma igualitária a total responsabilidade sobre a prole. Assim, um dos genitores terá a guarda física do menor, mas ambos deterão a guarda jurídica da prole (AKEL, s.d. )

Contudo, a guarda compartilhada, o convívio, explicita a ideia de vínculo de afeto entre pais e filhos, estando os pais mais presentes na vida dos filhos, devendo ser imposta, sempre que possível, caso não haja consenso entre os genitores, segundo artigo 1.584, §2º do Código Civil.

A família é a base para a boa formação da criança e do adolescente, o afeto e o amor fazem parte da natureza do ser humano e é por isso que a norma jurídica atua para evitar que no futuro, essas crianças e adolescentes se tornem adultos frustrados, ou até mesmo pessoas frias com a sociedade. As desavenças conjugais não devem causar danos aos filhos (NADER, 2011, p. 253).

O artigo 1.584 em seu § 2º, do Código Civil, deixa expressa a aplicação da guarda compartilhada sempre que possível, quando não houver acordo entre os pais quanto à guarda do filho, determinando a sua preferência obrigatória, pois este é um meio que de certa forma, faz com que os pais estejam presentes de forma mais intensa na vida dos filhos.

O próprio artigo 21, da lei nº 8.069/90, Estatuto da Criança e do Adolescente nos ensina que: “o poder familiar será exercido, em igualdade de condições, pelo pai e pela mãe, na forma que dispuser a legislação civil, assegurado a qualquer deles o direito de, em caso de discordância, recorrer à autoridade judiciária competente para solução da divergência”.

Contudo, sabemos que tal artigo é colocado em prática apenas quando da parti-cipação dos pais na vida dos filhos, e o melhor meio para que isso aconteça é com a guarda compartilhada, pois sabemos que para que esta funcione conforme a lei determina, de manei-ra eficaz, é preciso que haja um ambiente de respeito e supemanei-ração por parte dos pais. Ou seja, embora não sejam casados, devem levar em consideração que a criança não tem nada haver com a discórdia, bem como com o divórcio dos mesmos, mostrando para o filho o quanto é amado pelos dois, salvaguardando a proteção da criança ou adolescente e suas fragilidades (DIAS, 2009, p. 402).

A alienação parental é considerada por alguns doutrinadores uma infração admi-nistrativa, em conformidade com o artigo 249 do ECA, quanto ao descumprimento do dever imposto ao poder familiar, sendo regido inclusive pelo disposto nos artigos 22, 24, 38, 129, X e parágrafo único, 155 a 164 do mesmo Estatuto. Assim sendo, quando se aplica multa no âmbito civil, esta pode ser cumulada à sanção administrativa do ECA. Quando da multa civil, será esta revertida ao Fundo Municipal de Crianças e Adolescentes.

A guarda prevista no ECA refere-se a crianças e adolescentes que tem os seus direi-tos ameaçados ou violados, em conformidade com o artigo 98. Pode ocorrer em duas situa-ções, seja para regularizar a posse de fato (Art. 33, §1º), ou mesmo como medida liminar nos procedimentos de tutela e adoção (Art. 33, §2º).

A proteção à criança e ao adolescente, no caso do divórcio, é algo que deve ser resguardado por todos, para que o cidadão de amanhã tenha condição de criar seus filhos futuramente sem traumas e ressentimentos. Embora o ECA já tenha mecanismos para inibir alguns efeitos da alienação parental, como a multa, suspensão da autoridade parental ou

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mes-mo inversão da guarda, não restam dúvidas de que o melhor meio para que não ocorra essa alienação é a guarda compartilhada, pois esta oferece vantagem em relação aos pais buscando a continuidade das relações entre cada um deles e seus filhos ocorrendo a necessidade de tra-balharem em conjunto em prol dos interesses morais e materiais da prole, o que minimiza o conflito parental e diminui consequentemente os sentimentos de culpa e frustação por não cuidar dos filhos (GRISARD FILHO, 2002, p. 175).

O afeto é o reflexo mais fiel do que se entende por família e os principais responsá-veis são os pais. Segundo a psicóloga Maria Antonieta Pisano Motta:

a guarda compartilhada muitas vezes revela o poder de conseguir que os pais sejam mais próximos e participativos da vida dos filhos do que eram antes da separação do casal, validando o papel parental de ambos com igualdade de importância e de relevância, incentivando-os ao envolvimento próximo, contínuo e estável com a vida e o bem estar dos filhos. A nosso ver a guarda compartilhada também pode ser a solução para aqueles litígios nos quais as crianças são utilizadas como armas de guerra havendo interferência contínua de um dos genitores na possibilidade de relacionamento com o não guardião. Referimos-nos aos casos em que as visitas são dificultadas ou impedidas, em que os con-tatos telefônicos são proibidos e dificultados, em que o genitor não guardião é excluído de comemorações e eventos e de informações da vida social, escolar e de informações sobre a saúde do filhos (MOTTA, s.d. ).

Para tanto, devemos por em prática o princípio da proteção integral, uma vez que tais direitos são necessários para o desenvolvimento físico e psíquico da criança e adolescente. Vejamos o artigo 3º do ECA:

a criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se lhes, por lei ou outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.

Ressalta Pinho (2005, p. 398) acerca do assunto:

a dignidade da pessoa humana é a garantia das condições mínimas de sobrevivência para que o homem possa exercer os direitos oportunizados pela garantia de ser cidadão. Ou, seja, numa perspectiva de um Estado Social, a dignidade da pessoa humana encontra expressão em um Estado ativo, atuante no sentido de proporcionar à comunidade o pleno respeito aos direitos humanos de segunda geração. Já no referente à dignidade da pessoa humana dentro de uma perspectiva do Estado de Direito, percebe-se o dever de omissão relativo aos direitos de primeira geração. A garantia da liberdade de pensar devendo respeitar tão somente, dentro dos limites da lei, a sua própria e de consciência. Eis porque a digni-dade humana garante o ser humano enquanto indivíduo livre e moralmente responsável.

Pode-se afirmar que o princípio da dignidade da pessoa humana se refere às exigên-cias básicas do ser humano, influenciando os valores e normas que buscam proteger a quem

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quer que seja, se correlacionando com o princípio da proteção integral, no qual a guarda compartilhada é considerada um avanço para família moderna. Nela, pai e mãe são igual-mente importantes para seus filhos, tendo eles qualquer idade, não devendo transformá-los em objeto de ataque a seus ex-cônjuges. Devem agir não como ex-esposo ou ex-esposa, mas sim como pai e mãe, dando total apoio e amor de forma presente, na criação dos filhos. Por esse motivo, no ordenamento jurídico brasileiro, a guarda de crianças e adolescentes é algo bastante discutido, objetivando manter os vínculos entre os genitores e filhos procurando os melhores interesses dispostos na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e Adolescente (DIAS, 2009, p. 398).

Analisou-se nesse estudo, o princípio da proteção integral, afetado quando ocorre a alie-nação parental, pois a criança passa a ser privada da convivência com um dos genitores, passando a acreditar em algo que não ocorreu, bem como a violação ao princípio da dignidade da pessoa humana, pois este princípio é desrespeitado quando um dos genitores desmoraliza o outro.

Observou-se, também, que a guarda compartilhada retira, de certa maneira, a ir-responsabilidade provocada pela guarda individual, pois aquele que não está com a guarda na maioria das vezes se afasta do filho, pois querendo ou não a falta de convivência causa o distanciamento do vínculo afetivo o que não ocorre com a guarda compartilhada em que a criança ou adolescente terão vinculo direto com ambos genitores. Assim sendo, a guarda compartilhada deve ser imposta se não houver consenso entre os pais, sempre que possível. A guarda única acarreta maiores insatisfações, tendo em vista que na maioria das vezes o ge-nitor que possui a guarda, quando descontente com o término do relacionamento, começa a alienar a criança ou adolescente contra o seu outro genitor.

Concluímos que a melhor maneira de evitar a alienação parental é a guarda com-partilhada, por ser esta ser um meio de convívio direto com a criança e o adolescente, não dei-xando de existir afeto entre estes e um dos pais, quando apenas um detém a guarda. Ficaram evidentes, os significados de pai e mãe que nada tem em comum com ex-esposo e ex-esposa, de modo a buscar sempre o melhor interesse para o menor, para que haja um desenvolvi-mento saudável deste, propiciando inclusive a permanência dos vínculos afetivos e a ampla participação destes na formação e educação de seus filhos.

THE LIVING MAY INHIBIT A PARENTAL ALIENATION: SHARED STORAGE UNDER THE PROTECTION OF CHILD AND ADOLESCENT

Abstract: this study aims to examine how family life may inhibit parental alienation under the Statute of Children and Adolescents, in order to demonstrate that statute explicitly already has me-ans to inhibit some effects of parental alienation, but the best way for there is parental alienation occurs with shared guard.

Keywords: Child. Adolescent. Parental Alienation. Shared Guard. Referências

AKEL, Ana Carolina Silveira. Guarda compartilhada: um avanço para família moderna. 2009. IBDFAM, Belo Horizonte. Disponível em: <http://www.ibdfam.org.br/artigos/detalhe/420>. Acesso

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DIAS, Maria Berenice. Alienação parental: um crime sem punição. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010.

______. Alienação parental: uma nova lei para um velho problema! IBDFAM – Instituto de direito de Família. Disponível em: <http://www.ibdfam.org.br/?artigos&artigo=669>. Aces-so em: 17 jun. 2013.

______. Manual de direito das famílias. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. FIGUEIREDO, Fábio Vieira; ALEXANDRIDIS, Georgios. Alienação parental. São Paulo: Saraiva, 2011.

GRISARD FILHO, Waldyr. Guarda compartilhada: repertório de doutrina sobre direito de família. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1999. v. 4.

JORDÃO, Cláudia. Independente, famílias dilaceradas. Revista ISTO É. Disponível em: <http://www.istoe.com.br/reportagens/1138_FAMILIAS+DILACERADAS>. Acesso em: 17 jun. 2013.

MOTTA, Maria Antonieta Pisano. Guarda compartilhada: uma nova solução para novos tempos. Disponível em: < http://www.apase.org.br/91006-mariaantonieta.htm >. Acesso em: 17 jun. 2013.

NADER, Paulo. Curso de direito civil: direito de família. Rio de Janeiro: Forense, 2011. v. 5. NICK, Sérgio Eduardo. Guarda compartilhada: um novo enfoque no cuidado aos filhos de pais separados ou divorciados. Rio de Janeiro: Renovar, 1997.

PINHO, Judicael Sudário de. Temas de direito constitucional e o Supremo Tribunal Federal. São Paulo: Atlas, 2005.

Referências

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