• Nenhum resultado encontrado

Milene Cristina dos Santos Ba¸c˜ao Lisboa 2011

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2019

Share "Milene Cristina dos Santos Ba¸c˜ao Lisboa 2011"

Copied!
107
0
0

Texto

(1)

Universidade de Nova de Lisboa Faculdade de Ciˆencias e Tecnologia

Departamento de F´ısica

Instituto Tecnol´ogico Nuclear

Avalia¸c˜

ao de um biodos´ımetro de radia¸c˜

ao

ionizante - Compara¸c˜

ao Dosim´etrica

Milene Cristina dos Santos Ba¸c˜ao

(2)
(3)

Avalia¸c˜

ao de um biodos´ımetro de radia¸c˜

ao ionizante

-Compara¸c˜

ao Dosim´etrica

Orientador: Dra. Sandra Cabo Verde

Co-Orientador: Prof. Dr. Jo˜ao Cruz

Disserta¸c˜ao apresentada na Faculdade de Ciˆencias e Tecnologia da

Universidade de Nova de Lisboa para complementar os requerimentos

para a obten¸c˜ao do grau de Mestre em Engenharia Biom´edica.

Departamento de F´ısica

Faculdade de Ciˆencias e Tecnologia,

Universidade Nova de Lisboa

(4)
(5)

Avalia¸c˜

ao de um biodos´ımetro de radia¸c˜

ao ionizante

-Compara¸c˜

ao Dosim´etrica

Copyright© 2011 - Todos os direitos reservados.Milene Cristina dos Santos Ba¸c˜ao. Faculdade de Ciˆencias e Tecnologia. Universidade Nova de Lisboa.

(6)
(7)
(8)

Agradecimentos

A tese ´e um trabalho individual e de extrema importˆancia pela finalidade acad´emica. No entanto, a chegada a este momento deve-se pela presen¸ca ou passagem de im-portantes pessoas que fazem parte da nossa hist´oria, `as quais n˜ao poderia deixar de expressar o meu sincero agradecimento.

`

A Dra. Sandra Cabo Verde, minha orientadora, pelos ensinamentos, disponibili-dade e generosidisponibili-dade demonstradas, cr´ıticas, sugest˜oes e sobretudo pela amizade.

Ao meu co-orientador, Dr. Jo˜ao Cruz, pelo conhecimento ao longo do curso, disponi-bilidade, cr´ıticas e exigˆencia.

`

A Dra. Luisa Botelho, que me deu a grande oportunidade de desenvolver o meu trabalho no ITN e que me recebeu de bra¸cos abertos no grupo.

`

As minhas babes pelo apoio incondicional, gargalhadas, confidˆencias e pelo exce-lente ambiente que contribu´ıram para realizar este trabalho ainda com mais prazer :Joana Madureira, Inˆes Nunes, Rita Melo, Helena Marcos, Telma Silva, Marina, Vˆania Dores. ´E uma honra ser uma ITN babe.

Ao Pedro e ao Amilcar que tamb´em fazem parte deste grande grupo.

Aos meus amigos, que estiveram sempre presentes ao longo destes anos e que muitas vezes acreditaram em mim, mais do que eu pr´opria.

Ao Rui, pelo amor, amizade, confian¸ca e inesgot´avel apoio.

(9)
(10)

Resumo

O correcto processamento por irradia¸c˜ao, nas suas diversas aplica¸c˜oes, depende da pre-cis˜ao e reprodutibilidade da avalia¸c˜ao da quantidade de radia¸c˜ao ionizante. O objectivo desta disserta¸c˜ao consistiu na avalia¸c˜ao de um biodos´ımetro bacteriano na monito-riza¸c˜ao de doses de radia¸c˜ao ionizante, por compara¸c˜ao com dosimetrias de referˆencia Fricke, de rotina PMMA, e simula¸c˜ao.

Um biodos´ımetro permite determinar a dose absorvida mediante uma resposta biol´ogica. Esta resposta nos microrganismos pode expressar-se numa rela¸c˜ao dose/efeito, que ´e representada atrav´es de curvas de sobrevivˆencia. Na avalia¸c˜ao da resposta mi-crobiol´ogica `a radia¸c˜ao gama, recorreu-se `a quantifica¸c˜ao da viabilidade celular de suspens˜oes aquosas de esporos de Bacillus pumilus e de duas estirpes ambientais de

Pseudomonas fluorescens e Stenotrophomonas maltophilia.

No desenvolvimento das metodologias foi utilizada a unidade de irradia¸c˜ao experi-mental de60Co, Precisa 22. O estudo de simula¸c˜ao dosim´etrica foi efectuado atrav´es da

constru¸c˜ao e implementa¸c˜ao de um modelo computacional no software PENELOPE, permitindo estimar a dose absorvida numa suspens˜ao aquosa celular. A irradia¸c˜ao das suspens˜oes celulares foi efectuada a doses sub-letais (≤10 kGy) a dois d´ebitos de dose. A suspens˜ao de B. pumilus demostrou para as condi¸c˜oes estudadas, uma curva de in-activa¸c˜ao exponencial. Contudo, para as suspens˜oes de P. fluorescens e S. maltophilia

n˜ao foi obtida qualquer curva de sobrevivˆencia, sugerindo que as estirpes utilizadas n˜ao possuem as caracter´ısticas adequadas para um biodos´ımetro.

(11)

bacte-rianas, dada a sua pigmenta¸c˜ao. Para a suspens˜ao de S. maltophilia verificou-se uma correla¸c˜ao exponencial entre o pico de absor¸c˜ao e a dose absorvida. A utiliza¸c˜ao de dos´ımetros biol´ogicos ´e uma ´area pouco desenvolvida mas com potencial aplica¸c˜ao em processos de esteriliza¸c˜ao e preserva¸c˜ao.

Palavras-chave: Inactiva¸c˜ao bacteriana, Biodos´ımetro, Fricke, radia¸c˜ao gama, PENE-LOPE

(12)

Abstract

The correct procedure for irradiation processing, in different applications, depends on the accuracy and reproducibility in the evaluation of the amount of absorbed ioni-zing radiation. The main goal of this dissertation was the evaluation of a bacterial biodosimeter for monitoring ionizing radiation doses, by comparison with reference dosimetry (Fricke), routine dosimetry (PMMA) and simulation.

A biodosimeter allows to evaluate the absorbed dose based on a biological response. Microorganisms response can be expressed by a dose/response relationship, represented by survival curves. To evaluate the microbiological response to gamma irradiation it was used an aqueous suspension of Bacillus pumilus spores, as well as environmen-tal strains of Pseudomonas fluorescens and Stenotrophomonas maltophilia, in order to quantify the cellular viability.

The experimental methodologies were developed using a 60Co experimental source,

Precisa 22. A dosimetric simulation study was made by constructing and implementing a computational model on PENELOPE software, allowing the absorbed dose estima-tion on an aqueous cell suspension. The aqueous bacterial suspensions irradiaestima-tion were exposed to sub lethal doses (≤ 10 kGy) at two dose rates.

(13)

mal-tophilia suspension an exponential correlation between absorption peak and absorbed dose was verified.

The use of biological dosimeters is an undeveloped research field with potential appli-cation on sterilization and preservation processes.

Keywords: Bacterial inactivation, Biodosimeter, Fricke, Gamma irradiation, PENE-LOPE

(14)

Conte´

udo

iii

Agradecimentos vi

Resumo viii

Abstract x

Lista de Figuras xx

Lista de Tabelas xxii

Acr´onimos e Defini¸c˜oes xxiv

1 Introdu¸c˜ao 1

1.1 Motiva¸c˜ao . . . 1

1.2 Objectivos . . . 2

1.3 Tese-Vis˜ao Global . . . 3

2 Radia¸c˜ao 5 2.1 Radia¸c˜ao Ionizante . . . 6

2.2 Interac¸c˜ao da Radia¸c˜ao Electromagn´etica com a Mat´eria . . . 7

2.2.1 Efeito Fotoel´ectrico . . . 8

2.2.2 Efeito de Compton . . . 9

2.2.3 Produ¸c˜ao de Pares . . . 10

2.2.4 Dispers˜ao de Rayleigh . . . 11

2.3 Coeficientes de Atenua¸c˜ao . . . 12

(15)

3 Dosimetria - Conceitos Gerais 14

3.1 Grandezas F´ısicas . . . 14

3.1.1 Fluˆencia . . . 15

3.1.2 Kerma . . . 15

3.1.3 Dose Absorvida . . . 15

3.2 Actividade . . . 16

3.3 Dos´ımetros de Referˆencia . . . 16

3.3.1 Solu¸c˜ao de Fricke . . . 16

3.4 Dosimetria de Rotina . . . 19

3.4.1 Dos´ımetros de Polimetilmetacrilato . . . 20

4 Biodosimetria 21 4.1 Biodos´ımetro - Defini¸c˜ao . . . 21

4.2 Interac¸c˜ao da Radia¸c˜ao com a Mat´eria Viva . . . 22

4.3 Resposta dos Microorganismos `a Radia¸c˜ao Ionizante . . . 24

4.4 Bact´erias como Biodos´ımetros . . . 25

5 Simula¸c˜ao de um Dispositivo Experimental 27 5.1 Fonte de60Co . . . . 27

5.2 A Unidade de Irradia¸c˜ao PRECISA 22 . . . 28

5.3 PENELOPE . . . 29

5.3.1 T´ecnicas de Monte Carlo . . . 30

5.3.2 Probabilidades de Interac¸c˜ao . . . 31

5.3.3 Gera¸c˜ao de N´umeros Aleat´orios . . . 33

5.4 Parˆametros de simula¸c˜ao . . . 36

5.4.1 Geometria do Sistema . . . 36

5.4.2 Descri¸c˜ao da Fonte e Energia . . . 37

6 Materiais e M´etodos 39 6.1 Biodos´ımetros . . . 39

6.1.1 Identifica¸c˜ao e Caracteriza¸c˜ao de Estirpes . . . 39

6.1.2 Obten¸c˜ao das Suspens˜oes Bacterianas . . . 40

6.1.3 Determina¸c˜ao da Concentra¸c˜ao de C´elulas . . . 41

(16)

6.2.1 Dosimetria de Referˆencia - Solu¸c˜ao de Fricke . . . 43

6.3 Irradia¸c˜ao . . . 44

6.3.1 Defini¸c˜ao de Doses e Tempos de Irradia¸c˜ao . . . 44

6.3.2 Dos´ımetros de Rotina . . . 45

6.4 P´os Irradia¸c˜ao . . . 46

6.4.1 Quantifica¸c˜ao da Viabilidade Celular . . . 46

6.5 Espectrofotometria . . . 47

7 Resultados e Discuss˜ao 49 7.1 Dosimetria de Referˆencia - Solu¸c˜ao de Fricke . . . 49

7.1.1 Posi¸c˜oes A, B, C e I . . . 50

7.2 Medi¸c˜ao dos Dos´ımetros de Rotina . . . 53

7.3 Avalia¸c˜ao de um Biodos´ımetro Bacteriano . . . 54

7.4 Espectrofotometria . . . 60

7.5 Simula¸c˜ao de um Dispositivo Experimental . . . 66

7.5.1 Distribui¸c˜ao da Dose em Profundidade . . . 66

7.5.2 Distribui¸c˜ao da Energia Depositada na ´Agua . . . 67

7.5.3 Distribui¸c˜ao da Dose 3D na ´agua . . . 67

8 Conclus˜oes 69 Bibliografia 75 A Anexos 77 A.1 Anexo A . . . 77

A.1.1 Prepara¸c˜ao do Dos´ımetro de Sulfato Ferroso . . . 77

A.2 Anexo B . . . 78

A.2.1 Leitura dos dos´ımetros de Polimetilmetacrilato . . . 78

A.3 Anexo C . . . 78

A.3.1 Contagem de c´elulas . . . 78

(17)
(18)

Lista de Figuras

1.1 Representa¸c˜ao esquem´atica da estrutura da tese. . . 3

2.1 Tipos de radia¸c˜ao. Adaptado de [9]. . . 6

2.2 Rela¸c˜ao entre os mecanismos de interac¸c˜ao da radia¸c˜ao com a mat´eria, de acordo com o n´umero at´omico Z do material em fun¸c˜ao da energia. Adaptado de [9]. . . 8

2.3 Efeito fotoel´ectrico. Adaptado de [11]. . . 9

2.4 Efeito de Compton [11]. . . 10

2.5 Produ¸c˜ao de pares [11]. . . 11

2.6 Dispers˜ao de Rayleigh [11]. . . 12

2.7 Coeficiente de atenua¸c˜ao m´assico e a contribui¸c˜ao dos diversos processos de interac¸c˜ao para a ´agua. Adaptado de [11]. . . 13

4.1 Efeitos da radia¸c˜ao nas c´elulas. Adaptado de [32]. . . 23

4.2 a) Percentagem de c´elulas sobreviventes em fun¸c˜ao da dose. b) Gr´afico em escala logar´ıtmica com a frac¸c˜ao de c´elulas sobreviventes em fun¸c˜ao da dose. Adaptado de [4]. . . 24

4.3 Trˆes tipos de curvas de sobrevivˆencia em bact´erias. a) Curva exponen-cial. b) Curva de sobrevivˆencia bif´asica. c) Curva de sobrevivˆencia de multi-eventos. Adaptado de [4]. . . 26

5.1 Esquema do decaimento do 60 27Co [13]. . . 28

5.2 Dimens˜oes da cˆamara de irradia¸c˜ao da unidade experimental de 60Co [37]. 29 5.3 Diagrama esquem´atico que representa a medi¸c˜ao de uma DCS [11] . . . 31

(19)

5.5 Representa¸c˜ao esquem´atica da gera¸c˜ao de uma traject´oria aleat´oria ao longo de diferentes materiais, por c´alculo dos parˆametrosrn,En, ˆdn, s, θ,

φ [11] . . . 35

5.6 Visualiza¸c˜ao da geometria da unidade de irradia¸c˜ao definida pelo ficheiro.in pelo programagviewc. . . 36

6.1 Representa¸c˜ao esquem´atica da cˆamara de Neubauer para contagem de col´onias [42]. . . 41

6.2 O interior da unidade de irradia¸c˜ao [37]. . . 42

6.3 Representa¸c˜ao do suporte met´alico e dos n´ıveis de irradia¸c˜ao. . . 43

6.4 Orienta¸c˜ao dos dos´ımetros de polimetimetacrilato. . . 45

6.5 Representa¸c˜ao esquem´atica do procedimento efectuado nas dilui¸c˜oes das amostras antes e ap´os a irradia¸c˜ao. . . 46

6.6 Esquema da t´ecnica utilizada para quantifica¸c˜ao da viabilidade celular das amostras n˜ao irradiadas e irradiadas. Adaptado de [4] . . . 47

7.1 Dose m´edia absorvida (kGy) estimada para a posi¸c˜ao de irradia¸c˜ao A1 em fun¸c˜ao do tempo de irradia¸c˜ao (h). Encontra-se representado grafi-camente o intervalo de confian¸ca para cada ponto (n=9;α=0,05). . . . 50

7.2 Dose m´edia absorvida (kGy) estimada para a posi¸c˜ao de irradia¸c˜ao A2 em fun¸c˜ao do tempo de irradia¸c˜ao (h). Encontra-se representado grafi-camente o intervalo de confian¸ca para cada ponto (n=9;α=0,05). . . 50

7.3 Dose m´edia absorvida (kGy) estimada para a posi¸c˜ao de irradia¸c˜ao A3 em fun¸c˜ao do tempo de irradia¸c˜ao (h). Encontra-se representado grafi-camente o intervalo de confian¸ca para cada ponto (n=9;α=0,05). . . . 50

7.4 Dose m´edia absorvida (kGy) estimada para a posi¸c˜ao de irradia¸c˜ao B1 em fun¸c˜ao do tempo de irradia¸c˜ao (h). Encontra-se representado grafi-camente o intervalo de confian¸ca para cada ponto (n=9;α=0,05). . . . 51

7.5 Dose m´edia absorvida (kGy) estimada para a posi¸c˜ao de irradia¸c˜ao B2 em fun¸c˜ao do tempo de irradia¸c˜ao (h). Encontra-se representado grafi-camente o intervalo de confian¸ca para cada ponto (n=9;α=0,05). . . . 51

(20)

7.6 Dose m´edia absorvida (kGy) estimada para a posi¸c˜ao de irradia¸c˜ao B3 em fun¸c˜ao do tempo de irradia¸c˜ao (h). Encontra-se representado grafi-camente o intervalo de confian¸ca para cada ponto (n=9;α=0,05). . . 51 7.7 Dose m´edia absorvida (kGy) estimada para a posi¸c˜ao de irradia¸c˜ao C1

em fun¸c˜ao do tempo de irradia¸c˜ao (h). Encontra-se representado grafi-camente o intervalo de confian¸ca para cada ponto (n=9;α=0,05). . . . 52 7.8 Dose m´edia absorvida (kGy) estimada para a posi¸c˜ao de irradia¸c˜ao C2

em fun¸c˜ao do tempo de irradia¸c˜ao (h). Encontra-se representado grafi-camente o intervalo de confian¸ca para cada ponto (n=9;α=0,05). . . . 52 7.9 Dose m´edia absorvida (kGy) estimada para a posi¸c˜ao de irradia¸c˜ao C3

em fun¸c˜ao do tempo de irradia¸c˜ao (h). Encontra-se representado grafi-camente o intervalo de confian¸ca para cada ponto (n=9;α=0,05). . . 52 7.10 Curva de inactiva¸c˜ao obtida pela irradia¸c˜ao da suspens˜ao bacteriana de

Bacillus Pumilusirradiada a doses sub-letais na posi¸c˜ao A. Encontram-se repreEncontram-sentados graficamente os intervalos de confian¸ca dos valores m´edios do n´umero de sobreviventes (n≤6,α=0,05). A tracejado encontra-se a linha de tendˆencia da regress˜ao linear. . . 57 7.11 Curva de inactiva¸c˜ao obtida pela irradia¸c˜ao da suspens˜ao bacteriana de

Bacillus Pumilusirradiada a doses sub-letais na posi¸c˜ao I. Encontram-se representados graficamente os intervalos de confian¸ca dos valores m´edios do n´umero de sobreviventes (n≤6, α=0,05). A tracejado encontra-se a linha de tendˆencia da regress˜ao linear. . . 57 7.12 Inactiva¸c˜ao de Bacillus pumilus ao longo do tempo. . . 58 7.13 Curva de inactiva¸c˜ao obtida ap´os irradia¸c˜ao da suspens˜ao bacteriana de

Stenotrophomonas maltophiliaa doses sub-letais na posi¸c˜ao A. Encontram-se repreEncontram-sentados graficamente os intervalos de confian¸ca dos valores m´edios do n´umero de sobreviventes (n≤6,α=0,05). . . 59 7.14 Curva de inactiva¸c˜ao obtida ap´os irradia¸c˜ao da suspens˜ao bacteriana de

(21)

7.15 Espectros de absor¸c˜ao obtidos para as suspens˜oes irradiadas de

Pseu-domonas fluorescens no n´ıvel 2, posi¸c˜ao A. . . 61

7.16 Espectros de absor¸c˜ao obtidos para as suspens˜oes irradiadas de Pseu-domonas fluorescens no n´ıvel 2, posi¸c˜ao I. . . 61

7.17 Espectros de absor¸c˜ao obtidos para as suspens˜oes n˜ao irradiadas de Pseudomonas fluorescens. . . 61

7.18 Picos de absor¸c˜ao da suspens˜ao de Pseudomonas fluorescens, para o comprimento de 401,5 nm, em fun¸c˜ao da dose absorvida para as posi¸c˜oes A e I, do n´ıvel 2. . . 62

7.19 Espectros de absor¸c˜ao obtidos para as suspens˜oes irradiadas deStenotrophomonas maltophilia, com doses de 3,5 e 7 kGy, na posi¸c˜ao 2A. . . 63

7.20 Espectros de absor¸c˜ao obtidos para as suspens˜oes irradiadas deStenotrophomonas maltophilia, com doses de 3,5 e 7 kGy, na posi¸c˜ao 2I. . . 63

7.21 Espectros de absor¸c˜ao obtidos para as suspens˜oes n˜ao irradiadas de Stenotrophomonas maltophilia `as 0, 24 e 48 horas. . . 63

7.22 Picos de absor¸c˜ao da suspens˜ao de Stenotrophomonas maltophilia, para o comprimento de 286 nm, em fun¸c˜ao da dose absorvida (0,3,5 e 7 kGy) para as posi¸c˜oes A e I, do n´ıvel 2. A tracejado encontram-se as linhas de tendˆencia. . . 64

7.23 Espectros de absor¸c˜ao obtidos para as suspens˜oes irradiadas deStenotrophomonas maltophilia, com doses de 0,5, 1 e 1,5 kGy, na posi¸c˜ao 2A. . . 64

7.24 Espectros de absor¸c˜ao obtidos para as suspens˜oes irradiadas deStenotrophomonas maltophilia, com doses de 0,5, 1 e 1,5 kGy, na posi¸c˜ao 2I. . . 65

7.25 Espectros de absor¸c˜ao obtidos para as suspens˜oes n˜ao irradiadas de Stenotrophomonas maltophilia `as 0 e 24 h. . . 65

7.26 Picos de absor¸c˜ao da suspens˜ao de Stenotrophomonas maltophilia, para o comprimento de 286 nm, em fun¸c˜ao da dose absorvida (0, 0,5, 1,1,5 kGy) para as posi¸c˜oes A e I, do n´ıvel 2. . . 65

7.27 Distribui¸c˜ao da dose em profundidade . . . 66

7.28 Distribui¸c˜ao da energia depositada na ´agua. . . 67

7.29 Distribui¸c˜ao da Dose 3D na regi˜ao 1. . . 68

(22)

7.31 Distribui¸c˜ao da Dose 3D na regi˜ao 3. . . 68 A.1 Esquema do procedimento para contagem de c´elulas. . . 79 A.2 Materiais, frac¸c˜oes m´assicas e n´umeros at´omicos utilizados no

(23)

Lista de Tabelas

5.1 Coeficientes de atenua¸c˜ao m´assicos e frac¸c˜oes m´assicas dos elementos constituintes do ´acido inoxid´avel [38]. . . 38 6.1 Tempos de irradia¸c˜ao, doses previstas para a suspens˜ao de Bacillus

pumilus calculados com base nos d´ebitos de dose m´edios (DDm) da

dosimetria qu´ımica. . . 44 6.2 Tempos de irradia¸c˜ao, doses previstas para a suspens˜ao dePseudomonas

fluorescens calculados com base nos d´ebitos de dose m´edios (DDm) da

dosimetria qu´ımica. . . 44 6.3 Tempos de irradia¸c˜ao, doses previstas para a suspens˜ao deStenotrophomonas

maltophilia calculados com base nos d´ebitos de dose m´edios (DDm) da

dosimetria qu´ımica. . . 45 6.4 Coeficientes de calibra¸c˜ao utilizados no c´alculo da dose absorvida por

dos´ımetria de rotina. . . 46 7.1 D´ebitos de dose e os respectivos erros padr˜ao associados `as diferentes

posi¸c˜oes de irradia¸c˜ao. . . 53 7.2 D´ebitos de doses da posi¸c˜ao I referente ao n´ıvel 2. . . 53 7.3 Tabela referente `a dosimetria de rotina que apresenta as doses

deter-minadas, a Dose m´edia, erros relativos e os D´ebitos de dose (D.Dose) calculados para o Bacillus pumilus com base nas absorvˆancias e espes-suras dos dos´ımetros irradiados em diferentes posi¸c˜oes. . . 54 7.4 Tabela referente `a dosimetria de rotina que apresenta as doses

deter-minadas, a Dose m´edia, erros relativos e os D´ebitos de dose (D.Dose) calculados para a Pseudomonas fluorescens com base nas absorvˆancias e espessuras dos dos´ımetros irradiados em diferentes posi¸c˜oes. . . 55

(24)
(25)
(26)

Acr´

onimos e Defini¸

oes

ADN Acido Desoxirribonucleico´

Bq Becquerel

Ci Curie

DCS Differential Cross Sections

eV Electr˜ao-Volt, unidade de medida de energia

FCUL Faculdade de Ciˆencias da Universidade de Lisboa

Gy Gray, unidade da dose absorvida

ITN Instituto Tecnol´ogico Nuclear

Kerma Kinetic Energy Released per Unit Mass

LET Linear Energy Transfer

LETAL Laborat´orio Ensaios Tecnol´ogicos em ´Areas Limpas

PDFs Probability Distribution Functions

PENELOPE Penetration and Energy Loss of Positrons and Electrons

PMMA Polimetimetacrilato

TSA Tryptic Soy Agar

ufc unidades formadoras de col´onias

(27)
(28)

Cap´ıtulo 1

Introdu¸

ao

1.1

Motiva¸

ao

O estudo das interac¸c˜oes entre a radia¸c˜ao e a mat´eria constitui uma das ´areas da F´ısica mais exploradas. O desenvolvimento das diversas aplica¸c˜oes com radia¸c˜ao ioni-zante em medicina ou a n´ıvel industrial, na esteriliza¸c˜ao e na preserva¸c˜ao de alimentos, tem obtido resultados vantajosos e a sua efic´acia tem sido amplamente reconhecida ( [1], [2]).

O correcto processamento por irradia¸c˜ao, nas suas diversas aplica¸c˜oes, depende da precis˜ao e reprodutibilidade da avalia¸c˜ao da quantidade de radia¸c˜ao ionizante, desi-gnadamente da energia absorvida por um material num dado processo e a taxa a que esta ´e depositada. A elabora¸c˜ao de testes dosim´etricos, que permitem conhecer a dis-tribui¸c˜ao de dose num volume espec´ıfico de um dado material, torna-se assim bastante ´

util.

O principal objectivo da dosimetria ´e determinar a quantidade de dose absorvida numa dada localiza¸c˜ao de um material espec´ıfico [3]. Em estudos qu´ımicos e biol´ogicos, as varia¸c˜oes na dose, mesmo que m´ınimas, podem introduzir altera¸c˜oes significativas. Essa quantifica¸c˜ao ´e assim um elemento chave na caracteriza¸c˜ao das instala¸c˜oes e na valida¸c˜ao de um processo.

(29)

CAP´ITULO 1. INTRODUC¸ ˜AO

induzir altera¸c˜oes a n´ıvel f´ısico, quimico e morfol´ogico, as quais podem variar con-soante a sensibilidade dos microorganismos. A rela¸c˜ao entre a dose e os efeitos pode ser demonstrada, quantitativamente, atrav´es de curvas de sobrevivˆencia ( [4], [7]).

O desenvolvimento de um processo de descontamina¸c˜ao de um material por ra-dia¸c˜ao pode ser efectuado por v´arias metodologias, devendo basear-se em estudos de inactiva¸c˜ao microbiana, que s˜ao usualmente limitativos e morosos. A crescente uti-liza¸c˜ao dos processos de radia¸c˜ao como uma ferramenta de higiene e seguran¸ca tem levado ao desenvolvimento de t´ecnicas r´apidas, sens´ıveis e capazes de analisar os mi-croorganismos em amostras complexas. Estes m´etodos devem permitir uma avalia¸c˜ao eficiente das caracter´ısticas de crescimento e inactiva¸c˜ao da popula¸c˜ao microbiana em estudo. Entre as metodologias correntemente utilizadas est´a a t´ecnica de contagem de unidades formadoras de col´onias, que embora garanta uma estimativa fi´avel do n´umero de microorganismos vi´aveis, acaba por ser trabalhosa, demorada e subjectiva . Desta forma, verifica-se ainda a necessidade de t´ecnicas r´apidas e eficazes que monotorizem a resposta dos microorganismos `a radia¸c˜ao ionizante.

No desenvolvimento das metodologias foi utilizada a unidade de irradia¸c˜ao experi-mental PRECISA 22, quem tem quatro fontes de 60Co, inclu´ıda no modelo

computa-cional estudado no software PENELOPE. O estudo verifica como foi depositada a energia nos locais especificados da cˆamara de irradia¸c˜ao.

1.2

Objectivos

O principal objectivo desta disserta¸c˜ao consistiu na avalia¸c˜ao de um biodos´ımetro bac-teriano na monotoriza¸c˜ao de doses de radia¸c˜ao ionizante, por compara¸c˜ao com m´etodos de dosimetria de referˆencia qu´ımica (solu¸c˜ao de Fricke), dosimetria de rotina e sim-ula¸c˜ao.

A resposta dos microorganismos `a radia¸c˜ao pode expressar-se numa rela¸c˜ao dose/efeito, que ´e representada quantitativamente atrav´es de curvas de sobrevivˆencia celular. Na avalia¸c˜ao da resposta microbiol´ogica `a radia¸c˜ao gama, recorreu-se como referˆencia a es-poros deBacillus pumiluse posteriormente a duas estirpes ambientais dePseudomonas fluorescens e Stenotrophomonas maltophilia.

Os estudos de simula¸c˜ao dosim´etrica na fonte experimental de 60Co foram

(30)

1.3. TESE-VIS ˜AO GLOBAL

dos atrav´es da constru¸c˜ao e implementa¸c˜ao de um modelo computacional no software PENELOPE.

1.3

Tese-Vis˜

ao Global

A estrutura da tese est´a esquematicamente representada na Figura 1.1.

Nos primeiros dois t´opicos (Figura 1.1) s˜ao expostos os detalhes b´asicos que supor-tam as pesquisas efectuadas e que fundamensupor-tam este trabalho, incluindo a motiva¸c˜ao inicial, os principais objectivos e os conceitos te´oricos que definem os processos aplica-dos.

Seguidamente s˜ao especificados os m´etodos aplicados na avalia¸c˜ao de um biodos´ımetro de radia¸c˜ao ionizante e apresentados os resultados obtidos no ˆambito do desenvolvi-mento dos trabalhos pr´atico e de simula¸c˜ao, para uma posterior valida¸c˜ao.

Figura 1.1: Representa¸c˜ao esquem´atica da estrutura da tese.

(31)
(32)

Cap´ıtulo 2

Radia¸

ao

A Radia¸c˜ao caracteriza-se pela transferˆencia de energia que prov´em de uma fonte, natural ou por um dispositivo constru´ıdo pelo Homem, que se propaga e que pode ter a capacidade de penetrar em diversos materiais [8]. Pode ser classificada em duas categorias: n˜ao ionizante eionizante.

A sua classifica¸c˜ao (Figura 2.1) depende da capacidade de ioniza¸c˜ao da mat´eria. O potencial de ioniza¸c˜ao de um ´atomo, isto ´e, a energia m´ınima necess´aria para remover um electr˜ao de um ´atomo ou mol´ecula (i˜ao), pode variar entre poucos eV para elementos alcalinos at´e 24,6 eV para o h´elio (g´as nobre) [9].

Com base no que foi referido, a radia¸c˜ao divide-se em :

• A radia¸c˜ao n˜ao ionizante n˜ao ioniza a mat´eria porque a sua energia ´e mais baixa que o potencial de ioniza¸c˜ao dos ´atomos ou mol´eculas do material absorvedor. O termo “n˜ao ionizante” refere-se a todos os tipos de radia¸c˜ao electromagn´etica que n˜ao possuem energia suficiente para ionizar ´atomos ou mol´eculas. A luz vis´ıvel, os infravermelhos, as microondas, as ondas r´adio s˜ao exemplos de radia¸c˜oes n˜ao ionizantes [9].

(33)

CAP´ITULO 2. RADIAC¸ ˜AO

excede o potencial dos ´atomos ou mol´eculas do material absorvedor [9].

Figura 2.1: Tipos de radia¸c˜ao. Adaptado de [9].

2.1

Radia¸

ao Ionizante

A radia¸c˜ao ionizante ´e classificada de acordo com a forma como ocorre a ioniza¸c˜ao e com a densidade de ioniza¸c˜ao produzida no material absorvedor [9]. A forma como ocorre a ioniza¸c˜ao, subdivide-se em :

Radia¸c˜ao ionizante directa: compreende part´ıculas carregadas (electr˜oes, prot˜oes, part´ıculas alfa, i˜oes pesados) que depositam directamente a sua energia, en-volvendo interac¸c˜oes colombianas entre part´ıculas ionizadas e as orbitais dos electr˜oes do material [9].

Radia¸c˜ao ionizante indirecta: compreende part´ıculas neutras (fot˜oes, neutr˜oes) que depositam a sua energia num processo que envolve dois passos. Em primeiro lugar a deposi¸c˜ao de energia provoca a liberta¸c˜ao de part´ıculas carregadas no material absorvedor (os fot˜oes incidentes provocam a liberta¸c˜ao de electr˜oes ou pares positr˜ao/electr˜ao e os neutr˜oes libertam prot˜oes ou i˜oes pesados). Em segundo lugar, as part´ıculas carregadas geradas depositam directamente a sua energia atrav´es de interac¸c˜oes colombianas com os electr˜oes do material [9].

(34)

2.2. INTERACC¸ ˜AO DA RADIAC¸ ˜AO ELECTROMAGN´ETICA COM A MAT´ERIA

A densidade de ioniza¸c˜ao produzida pela radia¸c˜ao ionizante est´a relacionada com a transferˆencia linear de energia (LET). O LET ´e definido como a energia m´edia perdida pela part´ıcula devido a colis˜oes por unidade de distˆancia percorrida no material. Para ´areas como a radiobiologia e a protec¸c˜ao radiol´ogica foi necess´ario uma especifica¸c˜ao da qualidade da radia¸c˜ao ionizante, conhecido como LET [9].

O LET ´e expresso em keV/µm e classifica-se em [7]: • Baixo LET : associado a raios X e raios γ.

Elevado LET : geralmente em part´ıculas carregadas.

2.2

Interac¸

ao da Radia¸

ao Electromagn´

etica com

a Mat´

eria

Contrariamente `as part´ıculas carregadas, os fot˜oes s˜ao part´ıculas electricamente neutras com grande poder de penetra¸c˜ao e em geral bastante energ´eticos. N˜ao tˆem massa e podem percorrer grandes distˆancias antes de interagirem com a mat´eria [10].

Quando o fot˜ao sofre uma interac¸c˜ao, este pode ser absorvido ou pode ser desviado da sua traject´oria, implicando em geral perda de energia [8]. Consoante a energia do fot˜ao e do n´umero at´omico do material absorvedor, os fot˜oes podem interagir com o ´atomo como um todo, apenas com o n´ucleo do ´atomo ou com o electr˜ao de uma orbital desse ´atomo [9]. A probabilidade de ocorrer uma determinada interac¸c˜ao ´e expressa em termos de sec¸c˜ao eficaz [8]. A sec¸c˜ao eficaz ´e proporcional `a probabilidade de uma part´ıcula interagir por um determinado processo [11].

Os principais mecanismos de interac¸c˜ao dos fot˜oes com a mat´eria s˜ao:

• Efeito fotoel´ectrico • Efeito de Compton • Produ¸c˜ao de Pares • Dispers˜ao de Rayleigh

(35)

CAP´ITULO 2. RADIAC¸ ˜AO

Figura 2.2: Rela¸c˜ao entre os mecanismos de interac¸c˜ao da radia¸c˜ao com a mat´eria, de acordo com o n´umero at´omico Z do material em fun¸c˜ao da energia. Adaptado de [9].

Atrav´es da an´alise da Figura 2.2 ´e poss´ıvel verificar que o efeito fotoel´ectrico ´e dominante a baixas energias, o efeito de Compton a energias m´edias e a produ¸c˜ao de pares a altas energias. Seguidamente, detalha-se o comportamento dos fot˜oes quando sofrem as interac¸c˜oes anteriormente referidas.

2.2.1

Efeito Fotoel´

ectrico

O efeito fotoel´ectrico (Figura 2.3) caracteriza-se pela absor¸c˜ao de um fot˜ao pelo ´atomo originando que um electr˜ao desse mesmo ´atomo seja ejectado, com uma determinada energia cin´etica. O electr˜ao ejectado ´e tamb´em denominado de fotoelectr˜ao [3]. A energia cin´etica desse electr˜ao (T) ´e dada pela seguinte express˜ao:

T =Ee (2.1)

Onde ´e a energia do fot˜ao incidente eEe a energia de liga¸c˜ao do electr˜ao.

Esta interac¸c˜ao deve ser visualizada entre um fot˜ao e um ´atomo (e n˜ao entre um fot˜ao e um electr˜ao) pois uma absor¸c˜ao completa n˜ao pode ocorrer entre um fot˜ao e um electr˜ao livre, sen˜ao n˜ao haveria conserva¸c˜ao do momento linear [13].

Como o efeito fotoel´ectrico ´e dominante para fot˜oes de baixas energias, a energia de liga¸c˜ao dos electr˜oes n˜ao pode ser ignorada. Em geral, devido `as energias de liga¸c˜ao serem pequenas, o electr˜ao ´e libertado deixando o ´atomo ionizado. O ´atomo em seguida regressa ao estado fundamental atrav´es da emiss˜ao de fot˜oes de fluorescˆencia e electr˜oes de Auger [11]. Devido `a dificuldade de calcular teoricamente a sec¸c˜ao eficaz associada

(36)

2.2. INTERACC¸ ˜AO DA RADIAC¸ ˜AO ELECTROMAGN´ETICA COM A MAT´ERIA

Figura 2.3: Efeito fotoel´ectrico. Adaptado de [11].

a este efeito, s˜ao conhecidas, atrav´es de medi¸c˜oes experimentais, algumas das suas propriedades mais importantes, nomeadamente [7]:

• Efeito dominante a baixas energias (≈ 100 keV). • Aumenta rapidamente com Z (∝ Z4).

• Diminui rapidamente com a subida da energia dos fot˜oes (∝ E−3).

• Apresenta descontinuidades nas energias correspondentes `as energias de liga¸c˜ao das orbitais electr´onicas.

2.2.2

Efeito de Compton

O efeito de Compton (Figura 2.4), descoberto e estudado por Arthur Compton em 1923, caracteriza-se pela colis˜ao do fot˜ao com um dos electr˜oes do ´atomo, transferindo parte da sua energia. Quando a energia adquirida pelo electr˜ao ´e suficiente, este pode ser ejectado do ´atomo ou excitado para um n´ıvel at´omico n˜ao ocupado.

Se a energia ´e muito pequena para qualquer uma destas possibilidades, ent˜ao o electr˜ao permanece na sua orbital e o ´atomo reage como um todo.

Contrariamente ao efeito fotoel´ectrico, a probabilidade de ocorrˆencia do efeito de Compton ´e independente do n´umero at´omico do material e decresce com a energia dos fot˜oes [7]. A sec¸c˜ao eficaz do material por electr˜ao ´e independente do n´umero at´omico. Ap´os a colis˜ao, o electr˜ao ´e ejectado com um determinado ˆangulo θe, com energia

cin´etica T e momento linear p. Os fot˜oes sofrem dispers˜ao segundo um determinado ˆanguloθ, com energia

e momento linear

(37)

CAP´ITULO 2. RADIAC¸ ˜AO

Figura 2.4: Efeito de Compton [11].

energia cin´etica do electr˜ao (T) seja igual `a energia inicial do fot˜ao menos a energia do fot˜ao disperso ′:

T =′ (2.2) As leis de conserva¸c˜ao, de energia e do momento linear, s˜ao necess´arias para deduzir a rela¸c˜ao entre os comprimentos de onda, do fot˜ao incidente (λ0) e do fot˜ao disperso

(λ):

λ=λ0+ h m0c

[1−cosθ], (2.3) onde m0 ´e a massa do electr˜ao em repouso e θ o ˆangulo que o fot˜ao disperso faz com

a direc¸c˜ao do fot˜ao incidente [8].

2.2.3

Produ¸

ao de Pares

A produ¸c˜ao de pares (Figura 2.5) ocorre quando existe uma interac¸c˜ao coulombiana entre um fot˜ao e um n´ucleo at´omico da qual resulta a forma¸c˜ao de um par electr˜ao-positr˜ao [10]. Quando os fot˜oes s˜ao altamente energ´eticos, estes podem interagir di-rectamente com o n´ucleo do ´atomo e n˜ao com os electr˜oes. Os fot˜oes interagem com o campo el´ectrico do n´ucleo at´omico, sendo a energia convertida para a forma¸c˜ao de duas part´ıculas, uma positiva (positr˜ao) e outra negativa (electr˜ao). O positr˜ao embora seja uma part´ıcula est´avel, tem uma existˆencia muito curta devido `a grande abundˆancia de electr˜oes `a sua volta. Com a aniquila¸c˜ao do positr˜ao, a energia total do par positr˜ao-electr˜ao extinto ´e libertada do ´atomo sob a forma de fot˜oes altamente energ´eticos [14].

(38)

2.2. INTERACC¸ ˜AO DA RADIAC¸ ˜AO ELECTROMAGN´ETICA COM A MAT´ERIA

A produ¸c˜ao de pares n˜ao ocorre se a energia do fot˜ao for menor do que a massa das duas part´ıculas formadas ( 2×0,511M eV = 1,022M eV ). Se a energia do fot˜ao for superior a 1,022 MeV, esta vai ser distribu´ıda pelos electr˜oes em forma de energia cin´etica [7].

Figura 2.5: Produ¸c˜ao de pares [11].

Este processo pode ser representado pela seguinte reac¸c˜ao:

γ+X −→e+e++X(2.4)

Em que X representa o n´ucleo no estado normal e Xo n´ucleo ap´os a reac¸c˜ao, que

pode estar num estado excitado [8].

2.2.4

Dispers˜

ao de Rayleigh

A dispers˜ao de Rayleigh (Figura 2.6) caracteriza-se pela absor¸c˜ao de um fot˜ao por um electr˜ao pouco ligado que passa para uma orbital mais energ´etica. O electr˜ao regressa ao seu estado inicial emitindo um fot˜ao com a energia do fot˜ao incidente, n˜ao se tratando portanto de uma excita¸c˜ao [11]. Para a maioria dos raios X e para raios gama de baixas energias, a dispers˜ao de Rayleigh ´e um processo predominantemente el´astico, isto ´e, n˜ao ocorre transferˆencia de energia e o ´atomo movimenta-se de forma a ocorrer a conserva¸c˜ao do momento linear ( [3], [8]).

(39)

CAP´ITULO 2. RADIAC¸ ˜AO

Figura 2.6: Dispers˜ao de Rayleigh [11].

2.3

Coeficientes de Atenua¸

ao

Como j´a foi descrito anteriormente, quando um fot˜ao atravessa um determinado ma-terial, pode interagir com o mesmo de diferentes formas: efeito fotoel´ectrico, efeito de compton, produ¸c˜ao de pares, dispers˜ao de rayleigh. Existem outras interac¸c˜oes que n˜ao s˜ao mencionadas dado n˜ao serem relevantes para a detec¸c˜ao de raios gama [10].

O coeficiente linear de atenua¸c˜ao total indica a probabilidade, por unidade de com-primento, de um fot˜ao interagir quando atravessa um material com determinada es-pessura [11].

µtotal =µF o+µCo+µP P +µRa (2.5)

Onde µF o, µCo, µP P e µRa s˜ao os coeficientes de atenua¸c˜ao associados `as diversas

interac¸c˜oes e µtotal ´e a probabilidade de interac¸c˜ao por unidade de distˆancia (m−1)

( [3], [10]).

2.3.1

Coeficiente de Atenua¸

ao M´

assica

Quando um feixe de fot˜oes monoenerg´eticos ´e atenuado de uma intensidade I0 para

uma intensidade I, atravessando uma camada de material de espessura x ´e necess´ario quantificar a contribui¸c˜ao de um material na atenua¸c˜ao do feixe [15]. O coeficiente linear de atenua¸c˜ao m´assico parcial para uma das interac¸c˜oes anteriormente descritas ´e dado pela seguinte express˜ao:

µF o=ℵσF o (2.6)

(40)

2.3. COEFICIENTES DE ATENUAC¸ ˜AO

Onde ℵ= NAρ

AM ´e o n´umero de ´atomos ou mol´eculas por unidade de volume e σF o a

sec¸c˜ao eficaz at´omica ou molecular [11]. O coeficiente de atenua¸c˜ao m´assico total ´e:

µtotal

ρ =

µF o

ρ + µCo

ρ + µP P

ρ +

µRa

ρ [m

2kg−1] (2.7)

Figura 2.7: Coeficiente de atenua¸c˜ao m´assico e a contribui¸c˜ao dos diversos processos de interac¸c˜ao para a ´agua. Adaptado de [11].

Pela an´alise da figura 2.7, o coeficiente de atenua¸c˜ao m´assico ´e elevado para fot˜oes pouco energ´eticos devido `a predominˆancia do efeito fotoel´ectrico. ´E importante salien-tar que para fot˜oes de baixa energia, µF oρ ´e mais elevado devido `a dependˆencia com

E−3.

Para altas energias existe uma predominˆancia do efeito de produ¸c˜ao de pares. Para os valores das energias emitidas pelo 60Co (1,173 MeV e 1,332 MeV) o mecanismo

(41)

Cap´ıtulo 3

Dosimetria - Conceitos Gerais

O correcto processamento por irradia¸c˜ao depende da precis˜ao e reprodutibilidade da avalia¸c˜ao da quantidade de radia¸c˜ao ionizante, designadamente da energia absorvida nos produtos e ambiente circundante durante o processo e a taxa a que esta energia ´e depositada. A dosimetria quantifica a dose absorvida por um dado material, resultante da interac¸c˜ao com a radia¸c˜ao ionizante. Desta forma, para determinar quantitativa-mente a radia¸c˜ao ionizante ´e importante definir algumas grandezas dosim´etricas [3].

Hoje em dia s˜ao bem conhecidos os efeitos da radia¸c˜ao, quer ben´eficos quer preju-diciais. A exposi¸c˜ao `a radia¸c˜ao pode resultar em morte para um ser vivo, bem como pode ser utilizada beneficamente na esteriliza¸c˜ao de produtos [13]. O dano causado depende de v´arios factores como a energia ou o tipo de material [8].

Assim a dosimetria torna-se essencial na quantifica¸c˜ao da radia¸c˜ao e tem como objectivo relacionar a sua incidˆencia com os efeitos f´ısicos, qu´ımicos e biol´ogicos [13].

Este cap´ıtulo visa definir alguns desses conceitos e explicar os sistemas dosim´etricos aplicados ao longo deste trabalho.

3.1

Grandezas F´ısicas

Neste subcap´ıtulo s˜ao definidas algumas das grandezas f´ısicas ´uteis para descrever,em termos quantitativos, as interac¸c˜oes da radia¸c˜ao com a mat´eria [3]. Essas grandezas s˜ao a fluˆencia (φ), kerma (K) e dose absorvida (D).

(42)

3.1. GRANDEZAS F´ISICAS

3.1.1

Fluˆ

encia

Considere-se um feixe monoenerg´etico de part´ıculas incidente numa determinada ´area de um material. A grandeza dosim´etrica fluˆencia ´e definida, como o n´umero de part´ıculas dN incidentes na ´area dA [3]:

φ = dN

dA (m

−2) (3.1)

3.1.2

Kerma

Kerma (um acr´onimo para Kinetic Energy Released per unit Mass) ´e uma grandeza dosim´etrica aplic´avel a radia¸c˜oes ionizantes indirectas (fot˜oes e neutr˜oes) [13]. E´ definida como a energia cin´etica total de todas as part´ıculas carregadas, libertadas pelas part´ıculas neutras, por unidade de massa do material alvo [8]:

K = dEc

dm (3.2)

A unidade de medida desta grandeza ´e a mesma da dose absorvida, J/kg ou Gray [3]. Note-se que dEc ´e a soma das energias cin´eticas iniciais das part´ıculas libertadas por

part´ıculas n˜ao carregadas numa quantidade de massa dm como resultado da interac¸c˜ao com a radia¸c˜ao [8].

O kerma pode ser radiativo (Krad) ou de colis˜ao (Kcol) correspondendo `as perdas

radiativas ou colisionais, respectivamente. Assim o kerma total dever´a ser [8] :

K =Krad+Kcol (3.3)

onde o kerma de colis˜ao quantifica a energia que ´e dissipada pelos electr˜oes ao colidirem com outros electr˜oes, atrav´es de ioniza¸c˜oes e excita¸c˜oes ao longo do seu percurso. O kerma radiativo est´a relacionado com os electr˜oes libertados que perdem a sua energia por emiss˜ao de bremsstrahlung [13].

3.1.3

Dose Absorvida

(43)

CAP´ITULO 3. DOSIMETRIA - CONCEITOS GERAIS

D= ∂E

∂m (3.4)

A unidade da dose absorvida ´e o Gray (J

kg). O termo dose absorvida ´e usado para

descrever a energia depositada num determinado ponto [9].

3.2

Actividade

A taxa de decaimento de um radion´uclido ´e descrito como a sua actividade. A activi-dade designa o n´umero de ´atomos que decaem por unidade de tempo [13].

A= −dN

dt (3.5)

A unidade ´e o becquerel (Bq) definido como uma desintegra¸c˜ao por segundo. A unidade curie (Ci) tamb´em pode ser usada : 1 Ci =3,7×1010 Bq.

3.3

Dos´ımetros de Referˆ

encia

Os dos´ımetros de referˆencia s˜ao dos´ımetros de elevada qualidade que se caracterizam pela precis˜ao, exactid˜ao e reprodutibilidade e que podem ser utilizados na calibra¸c˜ao de outros dos´ımetros [16]. Um exemplo de dos´ımetro de referˆencia ´e a solu¸c˜ao de sulfato ferroso (solu¸c˜ao de Fricke) [17]. Esta ´e frequentemente usada como dos´ımetro de referˆencia devido ao profundo conhecimento sobre as suas altera¸c˜oes qu´ımicas [18].

´

E um dos´ımetro qu´ımico, isto ´e, as altera¸c˜oes qu´ımicas que ocorrem na solu¸c˜ao devido `a radia¸c˜ao podem ser medidas com o objectivo de determinar a dose absorvida [3].

No desenvolvimento deste trabalho foi utilizado este sistema dosim´etrico pela facil-idade e relevˆancia na medi¸c˜ao de dose absorvida em tecidos ou material biol´ogico [3].

3.3.1

Solu¸

ao de Fricke

Desenvolvido por Fricke e Morse em 1972, a solu¸c˜ao de Fricke ´e baseada na oxida¸c˜ao da solu¸c˜ao de sulfato ferroso ap´os irradia¸c˜ao, tendo como objectivo determinar a dose ab-sorvida. A dose absorvida ´e proporcional `a concentra¸c˜ao do i˜ao f´errico (F e3+) formado

por oxida¸c˜ao (F e2+), ap´os a solu¸c˜ao ser irradiada [16].

(44)

3.3. DOS´IMETROS DE REFERˆENCIA

F e2+ −→F e3+ (3.6) A gama de utiliza¸c˜ao deste dos´ımetro, em termos de dose absorvida, encontra-se entre os 40 e 400 Gy [3]. Este m´etodo ´e usado para determinar a doencontra-se absorvida atrav´es da medi¸c˜ao por espectrofotometria do pico de absor¸c˜ao do i˜ao f´errico, na regi˜ao do ultravioleta a 305 nm [19].

Este sistema dosim´etrico permite determinar a dose absorvida com uma precis˜ao de±1 % [16].

Mecanismo de Reac¸c˜ao

A solu¸c˜ao de Fricke, sendo uma solu¸c˜ao aquosa, ´e considerado um sistema equivalente `a ´agua. A interac¸c˜ao da ´agua com a radia¸c˜ao ionizante desencadeira uma modifica¸c˜ao estrutural na mol´ecula de ´agua, denominada radi´olise da ´agua. Pode ocorrer a excita¸c˜ao da mol´ecula deH2Oou a sua ioniza¸c˜ao originando a forma¸c˜ao de radicais do tipoH3O+, H2O+, H2O− [20].

Estes radicais, por serem inst´aveis, podem levar a forma¸c˜ao de radicais livres do tipo •H (´atomo de hidrog´enio) e •OH (radical hidroxilo) que se caracterizam por serem muito reactivos. Assim a associa¸c˜ao dos radicais provoca a oxida¸c˜ao do i˜ao ferroso (F e2+). Cada radical hidroxilo oxida um i˜ao ferroso [20]:

F e2++OH −→F e3++OH(3.7)

Um radical hidroper´oxido (•HO2) oxida trˆes i˜oes ferroso de acordo com as seguintes

reac¸c˜oes:

H+O2 −→HO2 (3.8) F e2++HO2+H+−→F e3++H2O2 (3.9)

Por ´ultimo, cada mol´ecula de per´oxido de hidrog´enio oxida dois i˜oes ferroso:

2F e2++H2O2 −→2F e3++OH +OH− (3.10)

(45)

CAP´ITULO 3. DOSIMETRIA - CONCEITOS GERAIS

formadas, destru´ıdas ou alteradas por cada 100 eV de energia [3]. Assim o rendimento qu´ımico G(F e3+) ´e dado pela equa¸c˜ao:

G(F e3+) = GOH + 3GH + 2GH2O2 (3.11)

O rendimento qu´ımico G(F e3+) tem o valor m´edio de 15,6.

Vantagens e Limita¸c˜oes

A escolha da solu¸c˜ao de Fricke como sistema dosim´etrico teve como base as seguintes raz˜oes [21]:

• Conhecimento dos mecanismos de reac¸c˜ao da solu¸c˜ao;

• A sua equivalˆencia a tecidos biol´ogicos, nomeadamente nas propriedades de ab-sor¸c˜ao por irradia¸c˜ao com fot˜oes e electr˜oes;

• A determina¸c˜ao com precis˜ao da dose absorvida;

No entanto, este dos´ımetro possui tamb´em limita¸c˜oes [21]:

• A gama de leitura da dose absorvida encontra-se limitado entre os 40 e 400 Gy.

• A solu¸c˜ao de Fricke ´e extremamente sens´ıvel a impurezas, particularmente im-purezas orgˆanicas, podendo causar altera¸c˜oes significativas na resposta.

• ´E sens´ıvel `a luz, por isso deve ser guardado num local escuro.

• Ocorre a oxida¸c˜ao da solu¸c˜ao quando decorre muito tempo entre a sua prepara¸c˜ao e a medi¸c˜ao da absorvˆancia, alterando os resultados.

Determina¸c˜ao da Dose Absorvida

Como j´a foi mencionado anteriormente, ap´os a irradia¸c˜ao ´e medida a absorvˆancia da solu¸c˜ao de Fricke no comprimento de onda de 305 nm. O c´alculo da dose absorvida ´e dado pela seguinte express˜ao [21] :

D= N ×∆OD×100

ε×ρ×103×G(F e3+) (3.12)

(46)

3.4. DOSIMETRIA DE ROTINA

onde N ´e o n´umero de avogadro (6,02×1023 mol´eculas/mole); ∆OD a densidade

´optica a 25◦C para o comprimento de onda de 305 nm; εo coeficiente de extin¸c˜ao molar

(2197 M−1g−1 a 25C); ρ a massa vol´umica (1,024 g/cm3); G(F e3+) o rendimento

qu´ımico para 100 eV (15,6 para o dos´ımetro standard).

A densidade ´optica corresponde `a absorvˆancia e ´e determinada pela express˜ao ∆OD = logI0

I, onde I0 ´e a intensidade da luz incidente e I a intensidade da luz

transmitida. O coeficiente de extin¸c˜ao molarε, mede a absorvˆancia de uma substˆancia de concentra¸c˜ao 1 mole medida num tubo com uma espessura de 1 cm.

No entanto, a temperatura a que se encontra a solu¸c˜ao de Fricke ap´os irradia¸c˜ao pode ser diferente de 25◦C. Desta forma, para o c´alculo da dose absorvida ´e utilizado

um factor de correc¸c˜ao da temperatura [21]:

D= 279,08×∆OD

(1 + 0,007×(25−tl))×(1 + 0,0015×(25−ti))

(3.13) Em que tl ´e a temperatura de leitura e ti a temperatura de irradia¸c˜ao (em ◦C). O

rendimento qu´ımico G(F e3+), pode sofrer altera¸c˜oes significativas que podem

reflectir-se em erros superiores a 0,5% devido `a altera¸c˜ao da temperatura [22].

3.4

Dosimetria de Rotina

Um dos´ımetro de rotina ´e calibrado por um dosimetro de referˆencia com o intuito de ser utilizado para medida dosim´etricas frequentes. Estes dos´ımetros apresentam uma menor exactid˜ao comparativamente a um dos´ımetro de referˆencia, em parte devido `a complexidade decorrente da utiliza¸c˜ao de factores de correc¸c˜ao para reduzir os efeitos dos parˆametros que caracterizam o ambiente de irradia¸c˜ao [23].

Como dos´ımetros de rotina s˜ao usualmente utilizados os dos´ımetros de polimetil-metacrilato (PMMA) e os filmes radiogr´aficos que possuem gamas vari´aveis de dose absorvida:

• PMMA Harwell P erspex® para as gamas : 1 a 30 kGy (Amber Perspex) 5 a 50 kGy (Red Perspex);

(47)

CAP´ITULO 3. DOSIMETRIA - CONCEITOS GERAIS

3.4.1

Dos´ımetros de Polimetilmetacrilato

Os dos´ımetros de polimetilmetacrilato (PMMA) s˜ao frequentemente usados como dos´ımetros de altas doses, no ˆambito de aplica¸c˜oes industriais, tendo sido utilizados no decurso do presente trabalho. As vantagens destes dos´ımetros residem ao n´ıvel da robustez, estabilidade, simplicidade e baixo custo. Adicionalmente, possuem as seguintes carac-ter´ısticas ( [23], [24]):

Altera¸c˜ao da cor: Vermelho −→ Bordeaux (Red Perspex) ˆ

Ambar−→ Castanho (Amber Perspex) • Espessura nominal: 3± 0,55 mm • Tamanho: 30 × 11 mm

Comprimento de onda de leitura: 640 nm (Red Perspex) 603 nm≤ 10 kGy ; 651 nm ≥ 10 kGy (Amber Perspex) • Reprodutibilidade:≤ 2%

Dura¸c˜ao: 10 anos

Determina¸c˜ao da Dose Absorvida

A interac¸c˜ao da radia¸c˜ao ionizante produz radicais livres que afectam a densidade ´optica, em determinados comprimentos de onda. A radia¸c˜ao tamb´em induz altera¸c˜oes ao n´ıvel da colora¸c˜ao, ou seja, quanto maior a dose mais escuro ´e o dos´ımetro [24]. A sua espessura ´e utilizada como factor de correc¸c˜ao no c´alculo da dose. O c´alculo da dose ´e dado pela express˜ao 3.14:

D=A+B1x+B2x2+B3x3 +B4x4 (kGy) (3.14)

Onde A,B1,B2,B3 eB4 s˜ao coeficientes obtidos na calibra¸c˜ao dos dos´ımetros, para

os respectivos comprimentos de onda, exo quociente entre a absorvˆancia e a espessura (em cm−1).

(48)

Cap´ıtulo 4

Biodosimetria

A dosimetria biol´ogica define-se como o m´etodo de medi¸c˜ao da quantidade de radia¸c˜ao ionizante absorvida por material biol´ogico. As doses de radia¸c˜ao a que os microorganis-mos s˜ao expostos, podem ser avaliados atrav´es da popula¸c˜ao microbiana sobrevivente e a resposta `a radia¸c˜ao representada atrav´es de curvas de sobrevivˆencia ( [4], [25]).

Microorganismos como bact´erias [25] ou mesmo estruturas celulares [26] podem ser utilizados como biodos´ımetros. Ao longo deste cap´ıtulo apenas se far´a referˆencia a bact´erias, pois foram os microorganismos de elei¸c˜ao no desenvolvimento deste trabalho. O presente cap´ıtulo tem como objectivo definir conceitos associados `a biodosimetria, detalhar os efeitos da radia¸c˜ao na mat´eria viva, explicar o conceito de curva de sobre-vivˆencia e avaliar os parˆametros de um bom biodos´ımetro.

4.1

Biodos´ımetro - Defini¸

ao

Uma das abordagens para quantificar biologicamente os efeitos da radia¸c˜ao ´e a uti-liza¸c˜ao de um dos´ımetro biol´ogico [5]. Um biodos´ımetro ´e um indicador da dose ab-sorvida, mediante uma determinada resposta biol´ogica, reflectindo a influˆencia da ra-dia¸c˜ao no ambiente circundante [27]. A vantagem no seu uso prende-se na linearidade da sua resposta quando exposto a determinada dose [28].

(49)

CAP´ITULO 4. BIODOSIMETRIA

numa suspens˜ao celular ou a resposta de bact´erias quando em contacto com a radia¸c˜ao ionizante, s˜ao exemplos de biodos´ımetros [29].

Como j´a foi documentado, ´e utilizada a radia¸c˜ao ionizante como m´etodo de esterili-za¸c˜ao e preserva¸c˜ao de alimentos [30]. Assim o uso de microorganismos como dos´ımetro pode providenciar um sistema r´apido, reprodut´ıvel, simples e de baixo custo [27]. Para a aplicabilidade de um dos´ımetro biol´ogico s˜ao definidos os seguintes crit´erios [5]:

• Reprodutibilidade • Processo standardizado • Identifica¸c˜ao da curva • Linearidade da resposta • Rela¸c˜ao dose/efeito

4.2

Interac¸

ao da Radia¸

ao com a Mat´

eria Viva

A ac¸c˜ao da radia¸c˜ao ionizante na mat´eria biol´ogica pode induzir altera¸c˜oes fisiol´ogicas, bioqu´ımicas e morfol´ogicas [4]. A sensibilidade dos microorganismos varia, entre ou-tros factores, com a energia e o tempo a que s˜ao expostos (diferentes esp´ecies exibem diferentes sensibilidades) [31]. Como j´a foi referido no Cap´ıtulo 3, a energia a que est˜ao expostos ´e quantificada atrav´es da dose absorvida. Assim, quando uma c´elula ´e exposta a radia¸c˜ao ionizante, a deposi¸c˜ao de energia pode resultar em (Figura 4.1) :

Efeitos Directos: compreendem todas as interac¸c˜oes f´ısicas entre a radia¸c˜ao e os sistemas biol´ogicos, resultando na ioniza¸c˜ao ou excita¸c˜ao dos ´atomos, o que leva `a forma¸c˜ao de electr˜oes secund´arios e consequentemente `a perda e transferˆencia de energia [9]. A radia¸c˜ao interage directamente com as mol´eculas, da qual a mais importante ´e o ADN, conduzindo a cadeia de eventos f´ısicos e qu´ımicos que eventualmente produzem danos biol´ogicos [28].

Efeitos Indirectos: ocorre a forma¸c˜ao de radicais livres produzidos pelas in-terac¸c˜oes, f´ısicas e qu´ımicas, com as estruturas biol´ogicas [9]. Os efeitos qu´ımicos s˜ao induzidos pelos radicais livres, formados pela ac¸c˜ao da radia¸c˜ao ionizante.

(50)

4.2. INTERACC¸ ˜AO DA RADIAC¸ ˜AO COM A MAT´ERIA VIVA

Em meio biol´ogico, um dos radicais livres que se forma com maior frequˆencia ´e o radical hidroxilo, •OH, uma esp´ecie muito reactiva que resulta do processo da radi´olise da ´agua. Os radicais formados pela radi´olise da ´agua s˜ao altamente re-activos, e quando entram em contacto com os sistemas biol´ogicos podem provocar danos irrevers´ıveis [28].

Figura 4.1: Efeitos da radia¸c˜ao nas c´elulas. Adaptado de [32].

(51)

CAP´ITULO 4. BIODOSIMETRIA

4.3

Resposta dos Microorganismos `

a Radia¸

ao

Io-nizante

A rela¸c˜ao dose/efeito pode ser demonstrada por diferentes respostas dos microorganis-mos `a radia¸c˜ao ionizante [31]. As curvas de sobrevivˆencia s˜ao utilizadas para descrever matematicamente a rela¸c˜ao entre a dose absorvida e o n´umero de c´elulas sobreviventes ( [4], [7]). Estas resultam da frac¸c˜ao de c´elulas sobreviventes consoante a dose a que as mesmas foram expostas. Graficamente s˜ao tra¸cadas numa escala logar´ıtmica, pois exibem maioritariamente um comportamento exponencial (Figura 4.2).

Figura 4.2: a) Percentagem de c´elulas sobreviventes em fun¸c˜ao da dose. b) Gr´afico em escala logar´ıtmica com a frac¸c˜ao de c´elulas sobreviventes em fun¸c˜ao da dose. Adaptado de [4].

No entanto, as altera¸c˜oes na forma das curvas de sobrevivˆencia s˜ao indicadores das diferen¸cas ao n´ıvel da constitui¸c˜ao gen´etica dos microorganismos (Figura 4.3) [33]. Seguidamente v˜ao ser detalhados trˆes tipos de curvas de sobrevivˆencia:

Gr´afico (a): Representa uma rela¸c˜ao exponencial simples que indica um decr´escimo exponencial do n´umero de sobreviventes em fun¸c˜ao da dose absorvida ( [31], [33]):

N =N0e

D

D10 (4.1)

OndeN0 indica o n´umero inicial de c´elulas;N o n´umero de c´elulas sobreviventes

`a dose D. O D10 ´e definido como a dose necess´aria para inactivar 90% de uma

(52)

4.4. BACT´ERIAS COMO BIODOS´IMETROS

popula¸c˜ao microbiana e pode ser estimado pelo inverso do declive da curva de inactiva¸c˜ao exponencial [4]. A determina¸c˜ao do parˆametro D10 permite avaliar

a resposta espec´ıfica dos microorganismos `a radia¸c˜ao, ou seja, a sua radiore-sistˆencia.

Gr´afico (b): Representa uma curva de sobrevivˆencia bif´asica, ou seja, resulta da resposta `a radia¸c˜ao de duas popula¸c˜oes que possuem diferentes radiosensi-bilidades. Uma curva bif´asica pode resultar no facto das c´elulas estarem em diferentes fases do ciclo celular e por essa raz˜ao, possuem sensibilidades distin-tas [4]:

A corresponde `a popula¸c˜ao radiosens´ıvel (Figura 4.3 b)).

B corresponde `a popula¸c˜ao resistente (Figura 4.3 b)). A seguinte equa¸c˜ao descreve este tipo de curva [31]:

N =aeDaD10 +be

bD

D10 (4.2)

Em que a e b s˜ao as duas popula¸c˜oes.

Gr´afico (c): Descreve uma curva cˆoncava que indica que as c´elulas tˆem mais do que um alvo para serem inactivadas ( [31], [4]):

N = 1−(1−eDnD10 ) (4.3)

Em que n representa o n´umero de alvos.

4.4

Bact´

erias como Biodos´ımetros

(53)

CAP´ITULO 4. BIODOSIMETRIA

Figura 4.3: Trˆes tipos de curvas de sobrevivˆencia em bact´erias. a) Curva exponencial. b) Curva de sobrevivˆencia bif´asica. c) Curva de sobrevivˆencia de multi-eventos. Adaptado de [4].

A aplica¸c˜ao de biodos´ımetros para a radia¸c˜ao ultravioleta foi descrita por diversos autores ( [27], [34]). No entanto, a utiliza¸c˜ao de dos´ımetros biol´ogicos para a radia¸c˜ao ionizante ainda ´e um tema pouco desenvolvido e que tem grande aplicabilidade ao n´ıvel da esteriliza¸c˜ao e preserva¸c˜ao. De uma forma generalizada recorre-se aos endosporos como biodos´ımetro por serem as formas mais resistentes das bact´erias. Os endosporos formam-se em situa¸c˜oes de stress, tˆem a capacidade de sobreviver sem nutrientes, s˜ao resistentes `a radia¸c˜ao ultravioleta e a temperaturas elevadas [34].

(54)

Cap´ıtulo 5

Simula¸

ao de um Dispositivo

Experimental

No presente cap´ıtulo ´e descrita a unidade de irradia¸c˜ao usada no desenvolvimento do trabalho experimental. Esta unidade de irradia¸c˜ao est´a inclu´ıda no modelo te´orico desenvolvido, que tem como objectivo o acompanhamento da parte experimental para posterior valida¸c˜ao. A simula¸c˜ao requer a constru¸c˜ao e implementa¸c˜ao de um modelo computacional que corresponda o mais fielmente poss´ıvel `a situa¸c˜ao real.

No ˆambito deste trabalho foi desenvolvido um modelo computacional com o software PENELOPE que permite simular o transporte de fot˜oes prim´arios emitidos por cada uma das fontes de60Co, bem como das part´ıculas secund´arias emitidas (fot˜oes, electr˜oes

e positr˜oes). O principal objectivo consiste na determina¸c˜ao da taxa de dose depositada em diversos locais no interior da cˆamara de irradia¸c˜ao e posterior valida¸c˜ao atrav´es das medi¸c˜oes experimentais por m´etodos de dosimetria qu´ımica.

5.1

Fonte de

60

Co

A unidade de irradia¸c˜ao utilizada no trabalho experimental cont´em quatro fontes de

60Co. Este ´e produzido artificialmente num reactor nuclear por activa¸c˜ao de neutr˜oes

(55)

CAP´ITULO 5. SIMULAC¸ ˜AO DE UM DISPOSITIVO EXPERIMENTAL

radion´uclido excitado, o 60N i e a emiss˜ao de um electr˜ao e de um antineutrino.

60

27Co −→6028 N i+e−+ ¯νe (5.1)

Como consequˆencia do decaimento do60N is˜ao emitidos dois fot˜oes, com energias de

1,173 MeV e 1,332 MeV [11]. O esquema de decaimento de Cobalto 60 est´a representado na figura 5.1.

Figura 5.1: Esquema do decaimento do6027Co[13].

O Cobalto 60 tem diversas aplica¸c˜oes nomeadamente na calibra¸c˜ao de detectores, na esteriliza¸c˜ao de produtos ou em radioterapia [35].

5.2

A Unidade de Irradia¸

ao PRECISA 22

A PRECISA 22 ´e um equipamento experimental com quatro fontes de60Cocom cerca

de 20 toneladas. ´E formado no exterior por uma estrutura de a¸co inoxid´avel onde se insere um painel de controlo que funciona em modo autom´atico. O irradiador ´e composto pela cˆamara de irradia¸c˜ao, revestida de a¸co inoxid´avel, com as dimens˜oes de

(56)

5.3. PENELOPE

65 cm de altura, 20 cm de largura e com a profundidade de 50 cm. Lateralmente tem duas pe¸cas de alum´ınio fixas `a barreira de protec¸c˜ao e que ficam ao n´ıvel da fonte de

60Co, aquando da posi¸c˜ao de irradia¸c˜ao [36].

As quatro fontes de 60Co est˜ao colocadas em canais de a¸co inoxid´avel soldados `as

paredes laterais da cˆamara de irradia¸c˜ao [36]. Um dispositivo autom´atico opera a sua desloca¸c˜ao, numa distˆancia de 50 cm, ao longo destes canais. V´arios cent´ımetros de a¸co e chumbo separam as fontes da cˆamara de irradia¸c˜ao. Existem dois orif´ıcios entre o canal onde se deslocam as fontes e a cˆamara de irradia¸c˜ao [37]. A dose ´e m´ınima no interior da cama de irradia¸c˜ao quando ocorre o recuo m´aximo das fontes, e m´axima quando estas est˜ao avan¸cadas. Em 1971, este dispositivo possu´ıa apenas 2 fontes de

60Cocom uma actividade de 10 kCi que foram recarregadas em Novembro de 2009 [37].

Na figura 5.2 est˜ao apresentadas as dimens˜oes reais da cˆamara de irradia¸c˜ao.

Figura 5.2: Dimens˜oes da cˆamara de irradia¸c˜ao da unidade experimental de 60Co[37].

5.3

PENELOPE

(57)

CAP´ITULO 5. SIMULAC¸ ˜AO DE UM DISPOSITIVO EXPERIMENTAL

GeV. O historial do transporte de electr˜oes e positr˜oes ´e gerado tendo por base um processo aleat´orio, que combina detalhes da simula¸c˜ao dos fen´omenos mais energ´eticos juntamente com as simula¸c˜oes de interac¸c˜oes menos energ´eticas [11].

O algoritmo de simula¸c˜ao ´e baseado num modelo de dispers˜ao, que correlaciona bases de dados num´ericas com modelos anal´ıticos para sec¸c˜oes eficazes dos diferentes mecanismos de interac¸c˜ao de electr˜oes, positr˜oes e fot˜oes e energias correspondentes [11].

5.3.1

ecnicas de Monte Carlo

O m´etodo de simula¸c˜ao de Monte Carlo designa um conjunto de algoritmos computa-cionais baseados no uso de n´umeros aleat´orios, com aplica¸c˜ao na resolu¸c˜ao de proble-mas f´ısicos e matem´aticos, nomeadamente os que incluem vari´aveis cuja complexidade iria implicar a utiliza¸c˜ao de uma grande quantidade de mem´oria e tempo de proces-samento computacional caso fossem utilizados m´etodos num´ericos convencionais. As simula¸c˜oes s˜ao feitas com base numa amostragem num´erica de vari´aveis aleat´orias, com-parando a probabilidade de ocorrˆencia desse acontecimento com um n´umero aleat´orio. Na aplica¸c˜ao espec´ıfica da simula¸c˜ao do transporte de radia¸c˜ao, o percurso de uma part´ıcula ´e aproximado a uma sequˆencia de voos livres cuja direc¸c˜ao n˜ao ´e aleat´oria, contudo existem probabilidades de ocorrˆencia associadas a diversas direc¸c˜oes. Assim cada interac¸c˜ao que a part´ıcula sofre determina a interrup¸c˜ao do voo, podendo a mesma resultar na altera¸c˜ao da direc¸c˜ao do seu movimento ou na perda de parte ou da total-idade da sua energia; dependendo do tipo de part´ıcula, da sua energia e do meio onde viaja, pode ainda ocorrer a forma¸c˜ao de esp´ecies secund´arias.

As vari´aveis aleat´orias que caracterizam uma traject´oria de uma part´ıcula s˜ao o percurso livre entre duas interac¸c˜oes sucessivas, o tipo de interac¸c˜ao que ocorre e a perda de energia e deflex˜ao angular que esta sofre. As fun¸c˜oes densidade de probabi-lidade ( PDFs-probability distribution functions) s˜ao determinadas atrav´es das sec¸c˜oes eficazes diferenciais (DCS-differential cross sections) para os mecanismos de interac¸c˜ao relevantes. Quando as PDFs s˜ao conhecidas pode ent˜ao ser gerado o historial individual de cada part´ıcula, isto ´e, um modelo da traject´oria [11].

(58)

5.3. PENELOPE

5.3.2

Probabilidades de Interac¸

ao

Na simula¸c˜ao de transporte de radia¸c˜ao com Monte Carlo sup˜oe-se que o meio f´ısico onde se d´a a interac¸c˜ao entre as part´ıculas ´e homog´eneo e isotr´opico (considerando-se ga(considerando-ses, l´ıquidos e s´olidos amorfos); a densidade dos materiais que o comp˜oe, bem como a sua composi¸c˜ao qu´ımica (especificada pela sua f´ormula estequiom´etrica) de-ver˜ao tamb´em ser conhecidas. A interac¸c˜ao das part´ıculas com os ´atomos ou mol´eculas do meio ocorre atrav´es de v´arios mecanismos competitivos, estando a cada um as-sociada uma sec¸c˜ao eficaz diferencial caracter´ıstica. Esta sec¸c˜ao eficaz ´e considerada duplamente diferencial, na medida em que al´em da dependˆencia angular tamb´em se considera a dependˆencia da energia a que se d´a a interac¸c˜ao entre o proj´ectil e o alvo. Assume portanto a forma:

d2σ

dW dΩ (5.2)

d2σ representa ent˜ao a ´area da superf´ıcie plana posicionada perpendicularmente a

um feixe de part´ıculas incidentes (com energia E ) que ´e atingida pela quantidade de proj´ecteis que s˜ao dispersos na direc¸c˜ao ˆdno interior do ˆangulo s´olido dΩ e com perda de energia entre W e E-W (Figura 5.3). As DCS tˆem portanto dimens˜oes de ´Area/ ( ˆAngulo s´olido × Energia).

Figura 5.3: Diagrama esquem´atico que representa a medi¸c˜ao de uma DCS [11]

Outro conceito importante ´e o do livre percurso m´edio λ, ou seja, o valor m´edio do espa¸co percorrido por uma part´ıcula entre duas colis˜oes sucessivas, definido por:

1

Referências

Documentos relacionados

Neste diret´ orio est˜ ao, tamb´ em, localizados programas para manipula¸ c˜ ao de arquivos Postscript e L A TEX gerados pelo Scilab. • demos/ - onde est˜ ao localizados os

Para evitar isso, vocˆ e pode mover os dois comandos do preˆ ambulo para algum lugar ap´ os o comando \tableofcontents ou definitivamente n˜ ao us´ a-los, porque vocˆ e ver´ a que

10 CONTE ´ UDO Na disciplina de teoria dos conjuntos vemos como definir o conjunto dos n´ umeros naturais – bem como formalizar os conceitos conjunt´ısticos usados nas

u t Note que o resultado acima, assim como sua demonstra¸c˜ ao, se generaliza facilmente para qualquer *-homomorfismo de uma ´ algebra de Banach com involu¸c˜ ao para uma

Outra exigˆ encia em rela¸c˜ ao ` as proje¸c˜ oes ´ e que elas sejam regulares: cada cruzamento ocorre num s´ o ponto, para cada cruzamento concorrem apenas dois segmentos da curva,

Uma colora¸c˜ ao das arestas de um grafo ´e uma atribui¸c˜ ao de cores ` as suas arestas tal que arestas adjacentes recebem cores diferentes... 2 Colora¸c˜ oes m´ınimas e

Uma colora¸c˜ ao das arestas de um grafo ´e uma atribui¸c˜ ao de cores ` as suas arestas tal que arestas adjacentes recebem cores diferentes... 2 Colora¸c˜ oes m´ınimas e

Pacote do R que permite f´ acil integra¸ c˜ ao de c´ odigos escritos em C++.. N˜ ao seria mais f´ acil integrar com C ou