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Análise exigencial de revestimentos exteriores de edifícios através de placas de aparas de madeira e cimento

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Academic year: 2021

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NÁLISE

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XIGENCIAL DE

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EVESTIMENTOS

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XTERIORES DE

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DIFÍCIOS

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TRAVÉS DE

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LACAS DE

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PARAS DE

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ADEIRA E

C

IMENTO

J

ORGE

R

ICARDO DOS

S

ANTOS

A

LVES

Relatório de Projecto submetido para satisfação parcial dos requisitos do grau de

MESTRE EM ENGENHARIA CIVIL —ESPECIALIZAÇÃO EM CONSTRUÇÕES CIVIS

Orientador: Professor Doutor Hipólito José Campos de Sousa

(2)

Tel. +351-22-508 1901 Fax +351-22-508 1446  [email protected]

Editado por

FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO Rua Dr. Roberto Frias

4200-465 PORTO Portugal Tel. +351-22-508 1400 Fax +351-22-508 1440  [email protected]  http://www.fe.up.pt

Reproduções parciais deste documento serão autorizadas na condição que seja mencionado o Autor e feita referência a Mestrado Integrado em Engenharia Civil -

2008/2009 - Departamento de Engenharia Civil, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, Portugal, 2009.

As opiniões e informações incluídas neste documento representam unicamente o ponto de vista do respectivo Autor, não podendo o Editor aceitar qualquer responsabilidade legal ou outra em relação a erros ou omissões que possam existir.

(3)

"O homem erudito é um descobridor de factos que já existem. Mas o homem sábio é um criador de valores que não existem e que ele faz existir."

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AGRADECIMENTOS

Ao longo deste trabalho diversas foram as pessoas que de um modo mais ou menos directo contribuíram para que este se tornasse real, quero por isso deixar aqui o meu mais sincero agradecimento, particularmente:

- Ao Professor Hipólito Sousa, pelo modo cativante com que transmitiu os seus conhecimentos, pela sua constante disponibilidade e apoio demonstrado, dando em cada reunião o entusiasmo para prosseguir. Os seus ensinamentos, conselhos e apurado sentido crítico, em muito contribuíram para a elaboração deste trabalho.

- À empresa Viroc Portugal S.A., por todo o apoio e informação disponibilizada, nomeadamente à engenheira Lara Braz e arquitecta Teresa Patrocínio.

- Aos meus pais, que me possibilitaram todas as condições físicas e psicológicas para a realização deste trabalho nunca deixando de me manter presente que tudo se pode realizar com trabalho e dedicação.

- Ao meu irmão Pedro, pelos ―tu consegues‖ nos momentos menos bons e pela companhia no dia-a-dia.

- Por último aos meus colegas, amigos, professores e família por todo o carinho e acompanhamento demonstrado desde o primeiro ao último dia.

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RESUMO

O presente trabalho tem por objectivo analisar as possibilidades de aplicação dos painéis de placas de aparas de madeira-cimento no âmbito da construção de edifícios, sendo dado maior destaque ao emprego como revestimento exterior de fachadas em que os referidos painéis têm grande potencial. Nesse contexto são apresentados os requisitos exigenciais de revestimentos exteriores descontínuos e independentes, em zonas opacas de fachadas de edifícios, vulgarmente designadas por ―fachadas ventiladas‖, privilegiando as soluções à base de placas de aparas de madeira-cimento não sendo dado especial destaque à constituição da parede de suporte e isolamento térmico respectivo.

Existem diversas soluções para este tipo de sistemas, contudo a informação existente é por vezes dispersa, comercial, e nem sempre faz referência à sua relação com os restantes elementos.

Este estudo pretende colmatar algumas dessas lacunas e contribuir para uma visão destas soluções de fachada como um sistema completo.

O trabalho aqui apresentado debruça-se sobre um revestimento exterior de fachadas específico, à base de placas de aparas de madeira-cimento, de nome comercial Viroc, pretendendo dar-se a conhecer melhor a sua constituição, processo de fabrico, campos e formas de aplicação, técnicas de transporte e armazenagem, numa perspectiva exigencial.

PALAVRAS-CHAVE: Revestimentos exteriores, Placas de aparas madeira-cimento, Viroc, Análise exigencial, Edifícios.

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ABSTRACT

The objective of the present work is to analyse Cement Bonded Particleboard application possibilities in the context of building construction, being given more distinction to the employment as exterior façade cladding panels. In this context are presented the requirements of discontinuous and independent exterior cladding, in opaque area of the façades, vulgarly assigned by ―ventilated façades‖, privileging the solutions based on Cement Bonded Particleboard and not being given special attention to the constitution of the support wall and respective thermal isolation.

There are several solutions for this type of systems, however the existing information is sometimes dispersed, commercial, and doesn’t always make reference to its relation with the remaining elements. This study intends to prevent some of these gaps and contribute for a vision of these solutions of façade as a complete system.

The work presented here leans over an exterior cladding façade in specific, of Cement Bonded Particleboard, with corporate name Viroc, intending to show a little more of its constitution, production process, fields and forms of application, techniques of transport and storage, in a exigencial perspective.

KEYWORDS: Exterior Cladding, Cement Bonded Particleboard, Viroc, Performance based selection, Buildings.

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ÍNDICE GERAL

A

NÁLISE

E

XIGENCIAL DE

R

EVESTIMENTOS

E

XTERIORES DE

E

DIFÍCIOS

A

TRAVÉS

DE

P

LACAS DE

A

PARAS DE

M

ADEIRA E

C

IMENTO

... i

AGRADECIMENTOS ... I RESUMO ... III ABSTRACT ... V

1. INTRODUÇÃO ... 1

1.1.INTRODUÇÃO ... 1

1.2.MOTIVAÇÃO PARA O TEMA EM ESTUDO ... 3

1.3.OBJECTIVO ... 3

1.4.ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO ... 4

2. CLASSIFICAÇÃO DE REVESTIMENTOS DE PAREDES

EXTERIORES ... 5

2.1.EVOLUÇÃO DAS FACHADAS EM PORTUGAL ... 5

2.2.CLASSIFICAÇÃO DE REVESTIMENTOS PARA PARAMENTOS EXTERIORES DE PAREDES ... 6

2.2.1. REVESTIMENTOS DE ESTANQUIDADE ... 8

2.2.2. REVESTIMENTOS DE ISOLAMENTO TÉRMICO (PELO EXTERIOR) ... 10

2.2.3. REVESTIMENTOS DE ACABAMENTO OU DECORATIVOS... 11

3. EXIGÊNCIAS ESSENCIAIS E FUNCIONAIS DE REVESTIMENTOS

DE PAREDES EXTERIORES ... 13

3.1.OCONCEITO EXIGENCIAL ... 13

3.2.DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA ... 14

3.3.EXIGÊNCIAS ESSENCIAIS E MARCAÇÃO “CE” ... 15

3.3.1. EE1 – RESISTÊNCIA MECÂNICA E ESTABILIDADE ... 16

3.3.2. EE2 – SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIOS ... 16

3.3.3. EE3 – HIGIENE, SAÚDE E PROTECÇÃO DO AMBIENTE ... 16

3.3.4. EE4 – SEGURANÇA NA UTILIZAÇÃO ... 16

3.3.5. EE5 – PROTECÇÃO CONTRA O RUÍDO ... 17

3.3.6. EE6 – ECONOMIA DE ENERGIA E RETENÇÃO DE CALOR ... 17

3.3.7 ASPECTOS RELATIVOS À DURABILIDADE E APTIDÃO À UTILIZAÇÃO ... 17

3.4.EXIGÊNCIAS FUNCIONAIS ... 19

3.4.1. EXIGÊNCIAS DE SEGURANÇA ... 23

3.4.1.1. Exigências de estabilidade ... 23

(12)

3.4.2. EXIGÊNCIAS DE ESTANQUIDADE ... 27

3.4.2.1. Exigências de estanquidade à água ... 27

3.4.3. EXIGÊNCIAS DE CONFORTO VISUAL ... 28

3.4.3.1. Exigências de planeza ... 28

3.4.3.2. Exigências de verticalidade ... 29

3.4.3.3. Exigências de rectidão das arestas ... 29

3.4.3.4. Exigências de regularidade e perfeição da superfície... 29

3.4.3.5. Exigências de homogeneidade de cor e de brilho ... 29

3.4.4. EXIGÊNCIAS DE HIGIENE ... 29

3.4.5. EXIGÊNCIAS DE ADAPTAÇÃO À UTILIZAÇÃO NORMAL ... 30

3.4.5.1. Exigências de resistência a acções de choque e atrito ... 30

3.4.5.2. Exigências de resistência à acção da água ... 30

3.4.5.3. Exigências de resistência por enodoamento pela poeira ... 31

3.4.6. EXIGÊNCIAS DE DURABILIDADE ... 31

3.4.6.1. Exigências de resistência aos agentes climáticos ... 31

3.4.6.2. Exigências de resistência aos produtos químicos do ar ... 32

3.4.6.3. Exigências de resistência à fixação e ao desenvolvimento de bolores ... 32

3.4.7. EXIGÊNCIAS DE FACILIDADE DE LIMPEZA ... 32

3.4.8. EXIGÊNCIAS DE APTIDÃO PARA ARMAZENAMENTO ... 32

3.4.9. EXIGÊNCIAS DE ECONOMIA ... 33

4. PLACAS DE APARAS DE MADEIRA-CIMENTO “VIROC”E

EXIGÊNCIAS NORMATIVAS ... 35

4.1.OVIROC ... 35

4.1.1. APRESENTAÇÃO DO PRODUTO ... 35

4.1.2. PROCESSO DE FABRICO E CONTROLO DE QUALIDADE ... 36

4.1.3. GARANTIA DE QUALIDADE ... 47

4.1.4. DIMENSÕES, ACABAMENTOS E TIPOS DE REVESTIMENTO DO VIROC ... 47

4.1.5. ARMAZENAGEM, TRANSPORTE E MANUSEAMENTO ... 49

4.1.6. HIGIENE E SEGURANÇA ... 53

4.1.6.1. Manuseamento ... 53

4.1.6.2. Maquinação ... 53

4.1.6.3. Controlo de riscos ... 54

4.1.7. SISTEMA DE FIXAÇÃO E ELEMENTOS DE FIXAÇÃO ... 54

4.1.7.1. Pregos ... 55

4.1.7.2. Agrafos ... 55

4.1.7.3. Adesivos e Colas ... 55

4.1.7.4. Parafusos ... 55

(13)

4.1.9. PRODUTOS SIMILARES E PRODUTOS CONCORRENTES ... 59

4.1.10. VIROC E O AMBIENTE ... 59

4.2.EXIGÊNCIAS NORMATIVAS E VALORES DE ENSAIOS REALIZADOS AO PRODUTO ... 59

4.3.CLASSIFICAÇÃO “REVETIR” ... 63 4.3.1. FACILIDADE DE REPARAÇÃO ... 64 4.3.2. FREQUÊNCIA DE MANUTENÇÃO ... 64 4.3.3. RESISTÊNCIA AO VENTO ... 65 4.3.4. ESTANQUIDADE À ÁGUA ... 65 4.3.5. RESISTÊNCIA AO CHOQUE ... 65 4.3.6. REACÇÃO AO FOGO ... 66 4.3.7. RESISTÊNCIA TÉRMICA ... 66

4.3.8. CLASSIFICAÇÃO REVETIR DO VIROC ... 66

5. APLICAÇÕES E TECNOLOGIAS CONSTRUTIVAS DAS PLACAS

“VIROC” ... 67

5.1.APLICAÇÕES ... 67 5.1.1. TECTOS FALSOS ... 67 5.1.2. PAREDES DIVISÓRIAS ... 68 5.1.3. PAVIMENTOS ... 70 5.1.4. COBERTURAS ... 74 5.1.5. FACHADAS ... 75

5.2.TECNOLOGIAS CONSTRUTIVAS DE APLICAÇÃO DO VIROC EM FACHADAS ... 81

5.2.1. SOLUÇÕES EXISTENTES ... 81

5.2.2. OUTRAS HIPÓTESES DE SOLUÇÕES ... 87

5.2.3. QUADRO SÍNTESE DAS SOLUÇÕES ... 95

5.3.EXEMPLOS DE APLICAÇÕES EM OBRAS ... 97

6. CONCLUSÕES ... 101

6.1.CONCLUSÕES GERAIS ... 101

6.2.PERSPECTIVAS DE DESENVOLVIMENTO FUTURO ... 103

(14)
(15)

ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1.1 – Representação esquemática de uma fachada ventilada [1] ... 2

Figura 2.1 – Evolução das fachadas em Portugal [3] ... 6

Figura 2.2 – Classificação de revestimentos para paramentos exteriores de paredes [4] ... 8

Figura 2.3 – Exemplo solução de revestimento de estanquidade ... 9

Figura 2.4 – Exemplo de solução de revestimento decorativo ... 12

Figura 3.1 – Lista de exigências funcionais de revestimentos de paredes [11] ... 23

Figura 4.1 – Parque de madeiras – Descascadora ... 37

Figura 4.2 – Parque de madeiras - Destroçadora ... 37

Figura 4.3 – Parque de madeiras – Afinador ... 38

Figura 4.4 – Balanças e misturador ... 38

Figura 4.5 – Conformação – transporte de mistura ... 39

Figura 4.6 – Conformação – Formação do colchão ... 39

Figura 4.7 – Prensa ... 40

Figura 4.8 – Túnel de endurecimento ... 41

Figura 4.9 – Conjuntos de placas saídas dos grampos em processo de maturação ... 41

Figura 4.10 – Túnel de Secagem ... 42

Figura 4.11 – Esquema de corte de provetes ... 43

Figura 4.12 – Máquina de corte 1 ... 43

Figura 4.13 – Máquina de corte 2 (robot) ... 44

Figura 4.14 – Máquina de corte 2 (mesa de entrada) ... 44

Figura 4.15 – Máquina de corte 2 (mesa de saída) ... 45

Figura 4.16 – Embalagem e Expedição – Embalamento ... 45

Figura 4.17 – Armazenamento dos volumes ... 46

Figura 4.18 – Colocação incorrecta das placas ... 49

Figura 4.19 – Armazenamento correcto dos painéis ... 49

Figura 4.20 – Armazenamento incorrecto dos painéis ... 50

Figura 4.21 – Armazenamento correcto das paletes ... 50

Figura 4.22 – Armazenamento incorrecto das paletes ... 51

Figura 4.23 – Armazenamento das paletes em zona coberta e piso indeformável ... 51

Figura 4.24 – Transporte e descarregamento das paletes com cintas apropriadas [28]... 52

Figura 4.25 – Armazenamento das paletes em zona coberta e piso indeformável [28] ... 52

(16)

Figura 4.27 – Parafusos auto-perfurantes e auto-escareantes para subestrutura portante metálica [27]

... 56

Figura 4.28 – Esquema de junta topo-a-topo [27] ... 58

Figura 5.1 – Formas de fixação dos painéis em tectos falsos [27] ... 68

Figura 5.2 – Exemplo de uma parede divisória à base de Viroc ... 68

Figura 5.3 – Forma de fixação dos painéis em paredes divisórias interiores [27] ... 69

Figura 5.4 – Esquema da forma de fixação dos painéis em paredes divisórias interiores ... 70

Figura 5.5 – Forma de aplicação do Virodal (1200mmx600mm) ... 71

Figura 5.6 – Pormenor da junta na aplicação do Virodal (1200mmx600mm) ... 71

Figura 5.7 – Esquemas da forma de aplicação do Virodal para diferentes dimensões [27] ... 73

Figura 5.8 – Forma de colocação do Virocfloor ... 74

Figura 5.9 – Forma de fixação dos painéis em coberturas [27] ... 75

Figura 5.10 – Elementos constituintes do sistema Viroclin [27] ... 76

Figura 5.11 – Fachada com sistema Viroclin (fixação mecânica com estrutura em madeira) ... 76

Figura 5.12 – Espaçamento entre juntas verticais do sistema Viroclin ... 77

Figura 5.13 – Início da montagem ... 77

Figura 5.14 – Distância de recobrimento dos painéis ... 78

Figura 5.15 – Solução de estanquidade no topo da fachada ... 79

Figura 5.16 – Solução construtiva na zona de padieira de uma janela ... 80

Figura 5.17 – Solução construtiva na zona do peitoril de uma janela ... 80

Figura 5.18 – Solução construtiva de fachada com estrutura de madeira e parafuso de cabeça externa ... 81

Figura 5.19 – Solução construtiva de fachada com estrutura metálica de parede nivelada (corte vertical) ... 83

Figura 5.20 – Pormenor de solução construtiva na esquina da fachada (corte horizontal) ... 84

Figura 5.21 – Pormenor de solução construtiva na união entre 2 painéis (corte horizontal) ... 84

Figura 5.22 – Pormenor de solução construtiva sem isolante térmico na esquina da fachada (corte horizontal) ... 85

Figura 5.23 – Pormenor de solução construtiva sem isolante térmico na união entre 2 painéis (corte horizontal) ... 85

Figura 5.24 – Solução construtiva de fixação oculta em cunha em estrutura em madeira (corte vertical) ... 86

Figura 5.25 – Solução construtiva de fixação oculta em cunha em estrutura em madeira (corte horizontal) ... 87

(17)

Figura 5.27 – Pormenor do fixador com clips ... 89

Figura 5.28 – Pormenor da junta entre painéis ... 89

Figura 5.29 – Pormenor do fixador metálico da base da fachada ... 90

Figura 5.30 – Solução construtiva de painel fixado directamente sobre isolante térmico (vista frontal) ... 91

Figura 5.31 – Pormenor da execução da junta entre painéis ... 92

Figura 5.32 – Pormenor da ligação entre juntas horizontais e verticais ... 92

Figura 5.33 – Solução construtiva estanque com perfis metálicos e sem isolante térmico ... 93

Figura 5.34 – Pormenor dos perfis metálicos da subestrutura portante dos painéis Viroc ... 93

Figura 5.35 – Pormenor do perfil metálico proposto com sistema de fixação de parafuso e anilha .... 94

Figura 5.36 – Pormenor do perfil metálico proposto para impermeabilização das juntas horizontais . 94 Figura 5.37 - Piscinas de Esmoriz. Todo o exterior é revestido em material Viroc ... 97

Figura 5.38 – Piscinas de Esmoriz ... 97

Figura 5.39 – Centro de saúde – Massamá – Sintra (fixação mecânica em estrutura metálica) ... 98

Figura 5.40 – Centro de saúde – Massamá – Sintra (fixação mecânica em estrutura metálica) ... 98

Figura 5.41 – Centro ATL – Alverca (fixação mecânica com estrutura metálica) ... 99

Figura 5.42 – Centro ATL – Alverca (fixação mecânica com estrutura metálica) ... 99

Figura 5.43 – Quartel da GNR - Gafanha da Nazaré (fixação oculta com estrutura de madeira) ... 100

(18)
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ÍNDICE DE QUADROS

Quadro 3.1 – Reacção ao fogo de elementos de revestimento exterior criando caixa-de-ar [23] ... 25

Quadro 3.2 – Classes de resistência ao fogo de fachadas e paredes exteriores (incluindo envidraçados) [22] ... 26

Quadro 3.3 – Reacção ao fogo de produtos de construção, com excepção de revestimentos de piso [22] ... 27

Quadro 4.1 – Relação entre espessura e número de placas por grampo ... 40

Quadro 4.2 – Tolerâncias dimensionais de fabrico ... 47

Quadro 4.3 – Tolerâncias dimensionais em função das espessuras e do tipo de acabamento ... 47

Quadro 4.4 – Controlo de Riscos ... 54

Quadro 4.5 – Requisitos gerais [N3] ... 60

Quadro 4.6 – Tolerâncias dimensionais em função das espessuras e do tipo de acabamento ... 60

Quadro 4.7 – Intervalo máximo entre testes para cada linha de produção [N5] ... 60

Quadro 4.8 – Propriedades testadas em fábrica ... 61

Quadro 4.9 – Reacção ao Fogo [27] ... 61

Quadro 4.10 – Propriedades acústicas [27] ... 62

Quadro 4.11 – Outras propriedades [27] ... 62

Quadro 4.12 – Classificação de resistência ao vento do subsistema revestimento [30] ... 65

Quadro 5.1 – Distâncias a respeitar em função das dimensões do painel [27] ... 69

Quadro 5.2 – Distâncias a respeitar em função das dimensões do painel [27] ... 75

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SÍMBOLOS E ABREVIATURAS

CBPB - Cement Bonded Particle Board; Placa de aglomerado madeira-cimento CEN - Comité Europeu de Normalização

CSTB - Centre Scientifique et Technique du Bâtiment CT - Comissões Técnicas de Normalização

DTU - Document Technique Unifié EEE - Espaço Económico Europeu EN - European Standard; Norma Europeia

EOTA - European Organisation for Technical Approvals

ETA - European Technical Approval; Aprovação Técnica Europeia IPQ - Instituto Português da Qualidade

ISO - International Organization for Standardization LNEC - Laboratório Nacional de Engenharia Civil

LVL - Laminated Veneer Lumber; Placa microlamelada colada

MDF - Dry-process Fibreboard; Placa de aglomerado de fibras de madeira obtidas por via seca MS - Modified Silicone

NP - Normas Portuguesas

ONS - Organismos de Normalização Sectorial

OPC - Ordinary Portland Cement; Cimento Portland Comum

OSB - Oriented Strand Board; Placa de aglomerado de partículas de madeira longas e orientadas RCCTE - Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios

RJSCIE - Regime Jurídico de Segurança Contra Incêndio em Edifícios SPQ - Sistema Português da Qualidade

SWP - Solid Wood Panel; Placa de madeira maciça

UEAtc - Union Européene pour l’Agrément Technique dans la Constrution UT – Utilização Tipo

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(23)

1.

INTRODUÇÃO

1.1.INTRODUÇÃO

A principal função das paredes exteriores consiste em estabelecer uma barreira entre os ambientes exterior e interior, de modo a que o ambiente interior possa ser ajustado e mantido dentro de determinadas condições, consideradas ideais em função do uso e do fim a que o edifício se destina. Uma parede exterior deve reunir uma série de requisitos. Deve ser estável, durável e actuar como uma barreira para o vento, chuva, radiação solar, calor, ruído, fogo, insectos, animais e até humanos. A área das paredes exteriores – fachadas e empenas, representa a maior parte da área envolvente exterior dos edifícios, sendo portanto uma área de intervenção importante a nível da eficiência, comportamento, desempenho, estética e economia de um edifício.

A realização de fachadas tem sofrido uma grande evolução ao longo dos anos, motivada fundamentalmente pelo aparecimento de novos materiais e novos sistemas construtivos, entre os quais se pode incluir o isolamento pelo exterior dos edifícios e a criação de uma camada protectora da parede.

As soluções construtivas para paredes exteriores têm evoluído, de modo a se conseguirem soluções cada vez menos espessas e, por conseguinte, mais leves, compostas por uma série de camadas com funções cada vez mais específicas. Dentro desta tendência surgiu o conceito de fachada ventilada. Esta tecnologia construtiva está associada ao ressurgimento de soluções de paredes exteriores simples, que tinham caído em desuso a partir de meados do século XX.

Este tipo de fachada pode ser utilizado tanto na reabilitação de edifícios, por exemplo ao nível de isolamento térmico e acústico, fissuração, ou falta de estanquidade à água, como na construção de novos edifícios.

Numa fachada ventilada há uma separação entre o revestimento exterior e a estrutura de suporte. Esta independência é obtida por uma subestrutura portante (ripado ou engradado de madeira ou metálica) que se estende por toda a parede, ou por peças metálicas de dimensões reduzidas para fixação por pontos. Este tipo de fixação permite a formação de uma caixa-de-ar entre o revestimento exterior e a parede, onde pode ser inserido um isolante térmico com espessura inferior à da caixa, de modo a permitir a existência de uma lâmina de ar ventilada entre o isolante e o revestimento. Ao separar o isolante do revestimento exterior, é possível utilizar produtos de revestimento e isolamento não totalmente compatíveis do ponto de vista de variações de dimensão por influência das variações de temperatura. O espaço de ar formado entre o revestimento e o isolante, ao ser ventilado, contribui para a remoção da humidade existente nesse local, proveniente da chuva ou formada por condensação.

(24)

Esta solução contribui assim para a economia de energia e diminuição do risco de degradação precoce dos materiais, e evita pontes térmicas e condensações, dotando o edifício de uma maior qualidade e conforto [1].

As fachadas ventiladas são compostas, do exterior para o interior, pelos seguintes elementos (fig. 1.1):

 revestimento descontínuo, fixado ao elemento de suporte (CBPB, cerâmico, vidro, pedra natural, chapas metálicas, de fibrocimento sem amianto, resina fenólica, etc.);

 caixa-de-ar ventilada;

 subestrutura portante (metálica ou de madeira);

 camada de isolamento contínuo sobre o paramento exterior do elemento de suporte (espuma de poliuretano projectado, cortiça, etc.);

 elemento de suporte (geralmente parede simples de alvenaria ou betão).

Figura 1.1 – Representação esquemática de uma fachada ventilada [1]

Com a adopção deste sistema, prescinde-se da execução de uma parede extra e do respectivo reboco e pintura, reduzindo com isso a necessidade de futura manutenção da fachada, que a solução tradicional exige.

No presente trabalho, não se aborda a globalidade da construção, mas sim o sector dos edifícios, dando-se especial ênfase ao sector da habitação, já que este possui um elevado peso no mercado da construção nacional e consequentemente sobre o ambiente, sociedade e economia. A nível de soluções existentes para os painéis, serão abordados todos os campos e formas de aplicação, mas será dado maior destaque à sua função de revestimento exterior de fachada ventilada, visto serem as que apresentam mais semelhanças com o modo de aplicação das placas de aparas de madeira e cimento.

(25)

No que diz respeito ao revestimento exterior de nome comercial Viroc, é de referir que existe uma fábrica em Portugal, das poucas no Mundo que produz este tipo de material. A sua reduzida aplicação em Portugal, deriva de dificuldades muitas vezes sentidas na sua especificação, decorrente do desconhecimento da normalização já existente. É necessário ter em atenção que para além de uma correcta especificação dos materiais a utilizar, é igualmente crucial a sua acertada incorporação em obra e respeito por regras de manuseio e armazenamento. Para atingir tal objectivo, é feita referência à informação disponível de suporte à correcta especificação do Viroc, abrangida pela normalização europeia.

Espera-se que este trabalho possa ajudar a esclarecer alguns dos assuntos anteriormente listados e possa contribuir para um melhor conhecimento dos sistemas em causa e do seu comportamento.

1.2.MOTIVAÇÃO PARA O TEMA EM ESTUDO

A concepção de fachadas tem sofrido uma grande evolução, o que exige um conhecimento actualizado das novas tecnologias existentes no mercado. Contudo, a informação técnica disponível nem sempre é suficiente ou a mais adequada, pelo que será da maior importância que existam textos técnicos associados aos diferentes sistemas de construção.

De modo a atingir um resultado fiável, é necessário um perfeito domínio e controlo da técnica construtiva, já que cada vez mais a envolvente vertical de um edifício condiciona, não só a relação do interior com o exterior, mas também a relação do edifício com o espaço público envolvente.

―As mudanças de estilos arquitectónicos foram sempre culturais, hoje são materiais. Apenas os novos materiais permitem fazer novas arquitecturas‖ [2].

Hoje em dia, há toda uma miríade de opções de elementos aplicáveis a revestimentos exteriores descontínuos e independentes. Algumas dessas soluções serão mais dispendiosas que outras, o que faz com que o projectista deva ser capaz de optimizar as soluções construtivas, de modo a que o beneficio seja superior à diferença de custo.

Para além do interesse contemporâneo por este tipo de solução de fachada, a motivação deste tema prende-se com a necessidade de aprofundar o estudo das possibilidades de emprego do Viroc em fachadas e explorar a constituição destas soluções, de modo a garantir o nível de desempenho exigido, bem como as variadas associações de materiais que permitam atingir diferentes patamares de qualidade na construção.

1.3.OBJECTIVO

Devido a uma cada vez maior globalização e interacção entre países, recentemente têm sido introduzidos em Portugal diversos sistemas destinados à construção de edifícios, o que provocou um ―boom‖ de informação, nem sempre controlada do ponto de vista da normalização.

Apesar do trabalho se focar principalmente sobre um produto fabricado em Portugal de origem francesa, existem inúmeros produtos provenientes de diferentes países que concorrem com produtos já implantados no mercado. A informação técnica fornecida aos técnicos pelos importadores encontra-se ainda frequentemente baseada no país de origem do produto. Tal facto dificulta a decisão por parte do projectista devido à necessidade de seleccionar produtos compatíveis entre si, com o intuito de obter uma solução global, tecnicamente correcta, que satisfaça de modo eficaz as exigências de desempenho associadas.

(26)

Assim, este trabalho tem também como objectivo ajudar a perceber a ligação entre o desempenho exigido às soluções de fachadas exteriores de edifícios e as características do revestimento exterior. O estudo recai sobre os campos, possibilidades e formas de aplicação em geral dos painéis de aglomerado de aparas madeira-cimento (dando especial enfoque ao produto de marca comercial Viroc), com maior grau de aprofundamento do tema quando este desempenha a função de revestimento exterior de edifício. O estudo tem em atenção a análise exigencial genérica das soluções descritas.

1.4.ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

Com vista a alcançar o objectivo anteriormente descrito, organizou-se o presente trabalho em 6 capítulos sucedidos da bibliografia.

O primeiro capítulo faz uma apresentação ao tema do trabalho e descreve os objectivos e motivação do trabalho, bem como a sua organização.

No capítulo 2, é feita uma pequena abordagem à temática da evolução das fachadas em Portugal e apresentada uma classificação de revestimentos de paredes exteriores cuja parede de suporte seja de alvenaria ou de betão. Os revestimentos são classificados segundo as funções que estão aptos a desempenhar no quadro das exigências funcionais relativas ao conjunto tosco da parede - revestimento, presentes no capítulo 3.

O capítulo 3 faz um enquadramento a nível das principais exigências essenciais e funcionais que o sistema em estudo deve satisfazer. As principais exigências essenciais do produto são baseadas na Directiva dos Produtos de Construção (DPC) e também é feita referência à marcação ―CE‖ de produtos. Nas exigências funcionais, é adoptada a classificação do LNEC para revestimentos de paredes exteriores. A sua aplicação é direccionada para soluções que melhor se enquadrem com a forma de aplicação do produto Viroc, ou seja, soluções de fachada ventilada com isolante térmico. O capítulo 4 é dedicado às placas de aparas de madeira e cimento (também chamadas como placas de aglomerados de madeira-cimento ao longo do trabalho), nomeadamente no que diz respeito ao produto de nome comercial Viroc, onde são referidas as suas características, processo de fabrico, controlo e garantia de qualidade relativa ao produto, dimensões, acabamentos, condições de transporte, armazenagem e manuseamento, higiene e segurança, elementos de fixação, tratamento de juntas, impactes ambientais dos painéis, bem como valores de ensaios com respectivas referências e valores normativos das placas de aparas de madeira e cimento. No fim é apresentada a classificação reVETIR do revestimento.

Após todo o enquadramento acerca da classificação do Viroc, enquanto revestimento exterior e respectivas exigências essenciais, funcionais e normativas, são apresentadas no capítulo 5, várias formas e campos de aplicação do produto com exemplos reais onde o Viroc já foi aplicado. Também são sugeridas novas tecnologias construtivas que podem ser aplicadas aos referidos painéis e feita a sua análise crítica do ponto de vista exigencial.

O capítulo 6 apresenta as conclusões retiradas do trabalho efectuado, referindo algumas vantagens e desvantagens deste tipo de solução e sugerindo possíveis desenvolvimentos futuros nesta área dos revestimentos exteriores descontínuos e independentes.

(27)

2.

CLASSIFICAÇÃO DE REVESTIMENTOS DE PAREDES

EXTERIORES

2.1.EVOLUÇÃO DAS FACHADAS EM PORTUGAL

Antes de classificar os painéis de Viroc, enquanto revestimentos de paredes exteriores, é pertinente informar como evoluíram as fachadas em Portugal, de modo a perceber como é que um produto como o Viroc surge no mercado e um pouco da sua contextualização histórica.

A selecção da solução de fachadas exteriores de edifícios é um processo bastante complexo, ao qual estão subjacentes critérios que variam de acordo com o projecto, design, materiais e sistemas de transporte de materiais.

As fachadas dos edifícios têm atravessado diversos processos evolutivos nas últimas décadas, de modo a serem satisfeitas as distintas preocupações e exigências associadas a cada época. Deste modo, depois dos panos simples com elevada espessura, constituídos por alvenaria de pedra, que caracterizaram as construções até aos anos 40, começaram a surgir, nos anos 50, as primeiras paredes duplas, constituídas por panos exteriores de alvenaria de pedra com menor espessura, duplicadas por uma ―forra‖ interior em alvenaria de tijolo.

Nos anos 60, sob influência do movimento moderno que introduziu preocupações racionalistas no modo de construir, tentando direccionar a construção para a prefabricação, aligeirou-se a constituição destas paredes com a utilização de alvenaria de tijolo vazado em ambos os panos com recurso a estruturas resistentes de betão armado. Inicialmente o pano exterior era significativamente mais espesso que o interior, tendo-se assistido a uma progressiva redução dessa espessura até que, já nos anos 70, ambos os panos passaram a apresentar espessuras idênticas e por vezes muito baixas.

Com as preocupações energéticas começa-se a assistir, nos anos 80, à introdução de materiais de isolamento térmico, preenchendo total ou parcialmente a caixa-de-ar das paredes. Esta incorporação de materiais de isolamento térmico começou por se efectuar sem grande preocupação com o tratamento das pontes térmicas, o que foi alterado após a entrada em vigor, em 1991, do Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios (RCCTE), Decreto-Lei n.º 40/90, de 06 de Fevereiro [3].

Nos anos 90 surgiram em Portugal diferentes sistemas com vista a minimizar a problemática das pontes térmicas, utilizando isolamento térmico pelo exterior e pelo interior, estes últimos menos correntes entre nós e normalmente só utilizados em reabilitação. Geralmente, estes sistemas são aplicados sobre um suporte constituído por camada única, como por exemplo paredes simples em alvenaria ou em betão armado. É neste contexto que surgem as fachadas ventiladas. Por vezes, com

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vista a tentar resolver as pontes térmicas, criaram-se novos problemas no conjunto da envolvente vertical, devido ao mau comportamento mecânico associado a determinadas soluções projectadas.

Figura 2.1 – Evolução das fachadas em Portugal [3]

O sistema de fachada ventilada tem sido desde então bastante utilizado, porque elimina alguns dos problemas anteriormente referidos. Os painéis Viroc em estudo no presente trabalho vieram alargar ainda mais o leque de revestimentos que uma fachada exterior de um edifício pode ter e contribuir para o desenvolvimento deste tipo de sistema. É então fundamental entender que tipo de revestimento é o Viroc e como ele é classificado no nosso país.

Visto que o presente trabalho pretende dar especial ênfase às soluções de fachada exterior ventilada, utilizando como revestimento exterior placas de aparas de madeira e cimento, apenas se classificam os revestimentos existentes para esse tipo de solução. A classificação utilizada tem por base a classificação e descrição geral de revestimentos para paredes de alvenaria ou de betão, do LNEC [4].

2.2.CLASSIFICAÇÃO DE REVESTIMENTOS PARA PARAMENTOS EXTERIORES DE PAREDES

A classificação proposta pelo LNEC contempla 4 grandes grupos de revestimentos para paramentos exteriores de edifícios (cada um deles contem vários subgrupos que por sua vez, em alguns casos, ainda estão mais subdivididos) indicados na figura 2.2:

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Revestimentos de estanquidade

- Revestimentos por elementos descontínuos (de fixação mecânica directa ou independente)

- Revestimentos em ―escama‖ - Revestimentos de pedra natural - Revestimentos em forma de lâminas - Revestimentos em forma de placas - Revestimentos de ligantes hidráulicos

armados e independentes

- Revestimentos com base em ligantes sintéticos armados com fibra de vidro

Revestimentos de impermeabilização

- Revestimentos de ligantes hidráulicos - Revestimentos tradicionais - Revestimentos não-tradicionais - Revestimentos de ligantes sintéticos

- Revestimentos de ligantes mistos (hidráulicos e sintéticos)

Revestimentos de isolamento térmico

- Revestimentos por elementos descontínuos independentes com isolante na caixa-de-ar

- Revestimentos de ligantes hidráulicos armados e independentes com isolante na caixa-de-ar

- Revestimentos delgados sobre o isolante - Revestimentos espessos sobre o isolante

- Revestimentos de argamassas de ligantes hidráulicos com inertes de material isolante

- Revestimentos por elementos descontínuos prefabricados ―vêtures‖ - Revestimentos obtidos por projecção ―in situ‖ de isolante

Revestimentos de acabamento ou decorativos

- Camadas de acabamento dos revestimentos de impermeabilização com base em ligantes hidráulicos

- Camadas de acabamento tradicionais

- Camadas de acabamento não-tradicionais

- Revestimentos delgados de massas plásticas - Revestimentos da classe granulométrica I - Revestimentos da classe granulométrica II - Revestimentos da classe granulométrica III - Revestimentos da classe granulométrica IV

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Revestimentos de acabamento ou decorativos

- Revestimentos delgados de ligantes mistos

- Revestimentos por elementos descontínuos

- Revestimentos colados - Revestimentos fixados mecanicamente (fixação directa)

- Tintas

- Texturadas - Não-texturadas

Figura 2.2 – Classificação de revestimentos para paramentos exteriores de paredes [4]

Alguns dos subgrupos apresentados, ainda se subdividem em mais elementos, mas perante o enquadramento do trabalho, apenas se pormenorizam os grupos onde o Viroc pode estar classificado. Importa referir que, na presente classificação de revestimentos, um revestimento duma determinada classe estará em geral habilitado a desempenhar outras funções para além daquela que ditou a sua classificação, por ter sido considerada função primordial, já que por exemplo um revestimento decorativo, acaba por ter um contributo não desprezável na impermeabilização global da parede. O revestimento exterior e as respectivas soluções construtivas, em estudo, encontra-se caracterizado como pertencente aos seguintes grupos:

 Revestimentos de estanquidade:

- Revestimentos por elementos descontínuos (de fixação mecânica directa ou independente)

:

- Revestimentos em forma de lâminas (caso do subproduto da marca Viroc de nome comercial Viroclin);

- Revestimentos em forma de placas;

 Revestimentos de isolamento térmico (pelo exterior):

- Revestimentos por elementos descontínuos independentes com isolante na caixa-de-ar

 Revestimentos de acabamento ou decorativos: - Revestimentos por elementos descontínuos.

De seguida caracteriza-se cada um destes grupos de revestimentos nos quais se inclui a solução em estudo para o Viroc.

2.2.1. REVESTIMENTOS DE ESTANQUIDADE

Quando um revestimento é capaz de garantir praticamente por si só a estanquidade à água exigível ao conjunto tosco da parede – revestimento, este é chamado de revestimento de estanquidade.

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Os revestimentos de estanquidade permitem a obtenção de paredes da classe IV de estanquidade à água previstas nos documentos franceses DTU 20.1 [5] e DTU 23.1 [6]. Uma parede do tipo IV apresenta a impermeabilidade à chuva assegurada por um revestimento estanque situado na zona exterior da parede (exemplo do Viroclin).

De entre os subgrupos que constituem este grupo de revestimentos, a solução em estudo enquadra-se nos revestimentos por elementos descontínuos (―bardages rapportés‖, ―claddings‖).

Estes revestimentos são executados a partir de elementos (placas, réguas ou ladrilhos) prefabricados de cimento, betão, metal, plástico, madeira, pedra natural ou artificial (é aqui onde entra o Viroc) [4]. Estes elementos de revestimento são fixados mecanicamente à parede, ou directamente, ou por intermédio de uma estrutura (ripado, engradado) de madeira ou metálica, que se estende ao longo de toda a parede, ou então através de peças metálicas de reduzidas dimensões para fixação pontual (gatos, agrafos). Estes dois processos de fixação indirecta dão origem à formação duma caixa-de-ar entre o revestimento exterior e a parede de suporte, onde pode ser inserido um isolante térmico (ver 2.2.2), caso em que terá que existir uma lâmina de ar ventilada para o exterior entre o revestimento e o isolante (ver fig. 2.3) [4].

Figura 2.3 – Exemplo solução de revestimento de estanquidade

Segundo a documentação francesa (Cahiers do CSTB), os revestimentos de juntas estanques, quer sejam independentes ou por fixação directa, possibilitam a obtenção de paredes da classe IV de estanquidade à água. No caso de revestimentos independentes em que as juntas não sejam garantidamente estanques, resultam paredes da classe III. As paredes de classe III são paredes nas quais a parede externa em alvenaria, não protegida por um revestimento estanque, é duplicada por uma segunda parede separada da primeira por uma lâmina de ar contínua em que na sua base estão previstos dispositivos de recolha e de evacuação para o exterior, das águas eventualmente infiltradas. A caixa-de-ar existente entre o revestimento e o suporte (ou entre o revestimento e o isolante) deve dispor na sua base de dispositivos que garantam a evacuação da água nela infiltrada e ser ventilada pelo exterior para evitar condensações prolongadas [4].

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No que diz respeito às dimensões faciais dos elementos de revestimento, existem as seguintes tipologias:

- elementos de reduzidas dimensões faciais (cuja maior dimensão não ultrapassa 1m e a relação entre as duas dimensões faciais é inferior a três); estes elementos são, em geral, de barro vermelho, madeira, fibrocimento, betão, etc.

- elementos em forma de réguas ou lâminas (a menor dimensão é inferior ou igual a 0,3m); há lâminas de madeira, aço, alumínio, plástico ou aglomerado madeira-cimento (caso do Viroclin que apresenta dimensões de fábrica de 2440mm x 300mm).

- elementos de grandes dimensões faciais (a menor dimensão facial é superior a 1m); é o caso que se aplica ao Viroc, já que este apresenta dimensões de fábrica de:

 2440mm x 1250mm (mais usado para exportação)

 2600mm × 1250mm

 3000mm × 1250mm

Apesar do Viroc poder ser considerado um revestimento de estanquidade na sua componente elemento de grande dimensão facial, tal não é muito aconselhável visto que, no sistema tradicional de aplicação dos painéis Viroc, a junta é topo-a-topo, pelo que deve ser deixada uma folga (mínimo de 5mm) entre painéis que permita as alterações de dimensão deste, devido a variações térmicas, já que aproximadamente 20% em peso do painel é constituído por madeira que apresenta pequenas variações dimensionais. Em soluções iniciais de aplicação do Viroc, foi considerada a possibilidade do preenchimento das juntas através de mástiques (ver 4.1.8), elastómero de 1ª categoria poliuretânico ou de polímero MS. No entanto, devido à dificuldade de correcta execução deste tipo de juntas e à exposição dos mástiques aos agentes atmosféricos, que leva a uma mais rápida deterioração das suas propriedades, esta solução tem sido menos adoptada, ficando à responsabilidade do projectista optar ou não por uma solução que implica uma maior manutenção. Caso a junta não seja tornada estanque obter-se-á um revestimento, que funcionalmente apenas pode ser considerado como decorativo. A durabilidade dos revestimentos descontínuos deve ser comparável à da própria parede. Nessa durabilidade estão também incluídas as fixações da parede tosco - revestimento. Estas devem ser bem tratadas contra a corrosão ou qualquer outro processo de deterioração já que, por não serem acessíveis, dificilmente são alvo de manutenção periódica. Assim sendo, os trabalhos de reparação destes revestimentos devem então assumir um carácter excepcional e limitar-se à substituição de um ou outro elemento acidentalmente deteriorado.

Caso o comportamento físico-químico dos elementos e fixações, não possa ser previsto com segurança, este deve ser avaliado por ensaios de envelhecimento natural ou acelerado, através da aplicação das acções mais agressivas para cada material (água, choques térmicos, etc.) [4].

A estabilidade mecânica dos revestimentos e das fixações deve ser verificado por cálculo ou através de ensaios, tendo em consideração o respectivo peso próprio e a acção do vento [7 e 8].

2.2.2. REVESTIMENTOS DE ISOLAMENTO TÉRMICO (PELO EXTERIOR)

As diversas técnicas de isolamento térmico pelo exterior (fig. 2.2) podem classificar-se em dois grandes grupos, conforme possuam ou não lâmina de ar ventilada entre o revestimento e o isolante.

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Esta classificação tem interesse, porque atribui funções diferentes ao isolante térmico de cada um dos grupos. Assim, um isolante dum sistema com lâmina de ar, não tem que possuir características mecânicas e de comportamento sob acção da água, que consigam servir de suporte ao revestimento. Basta que desempenhe a função de isolamento térmico.

Como o Viroc é aplicado em soluções de fachada ventilada, advêm ainda outras vantagens em relação à solução de isolamento térmico pelo exterior sem lâmina de ar:

 a existência de uma lâmina de ar permite a dessolidarização entre o revestimento e o isolamento térmico, o que torna viável a utilização de produtos não totalmente compatíveis ao nível de variações dimensionais;

 permite apenas uma fixação pontual na parede de suporte, ao invés de uma fixação plena por parte do sistema sem lâmina de ar, para que seja garantida uma melhor repartição de cargas sobre o isolante. Isso permite corrigir de uma forma mais fácil eventuais irregularidades existentes na parede de suporte;

 há uma melhor evacuação do vapor de água proveniente do interior ou por água que possa estar contida nos suportes aquando da aplicação do sistema, devido à lâmina de ar que permite ventilar o espaço entre o revestimento e a parede de suporte. Já nos sistemas sem lâmina de ar há que verificar se a quantidade de água susceptível de se condensar no seio do isolante térmico, não desvirtua o sistema.

Nos sistemas de elementos descontínuos com lâmina de ar, como o revestimento é pouco permeável e o isolante térmico muito permeável, é necessário garantir uma correcta execução e ventilação da caixa-de-ar. Foram então definidas segundo G. Fleury [7], áreas mínimas por metro horizontal de aberturas de ventilação, situadas na parte mais elevada e mais baixa da parede:

 50 cm2, para paredes até 3m de altura;

 65 cm2, para paredes até 6m de altura;

 100 cm2, para paredes até 18m de altura.

A lâmina de ar deve ter no mínimo 20-50mm e possuir na sua base dispositivos de evacuação para o exterior, de água que possa eventualmente penetrar através do revestimento. Isto é especialmente importante no caso em que o Viroc possa ser aplicado sem estanquidade das juntas.

2.2.3. REVESTIMENTOS DE ACABAMENTO OU DECORATIVOS

Como já se disse em 2.2.1, os revestimentos decorativos por elementos descontínuos diferem dos revestimentos de estanquidade de tipo semelhante, quando não é constituída uma caixa-de-ar entre o revestimento e o suporte ou quando as juntas entre elementos não são estanques.

Apesar da bibliografia consultada não fazer referência à possibilidade de existirem revestimentos por elementos descontínuos independentes do suporte (foca apenas fixação directa), esta categoria faz sentido ser criada, de modo a cobrir a gama de soluções de revestimentos descontínuos semelhantes ao Viroc.

Os elementos decorativos são, de um modo geral, de dimensões inferiores aos concebidos para revestimentos de estanquidade e podem provir de uma gama mais variada de matérias-primas. As juntas entre estes elementos são quase sempre preenchidas com argamassa ou pasta de cimento. Apesar de o Viroc poder ser considerado um revestimento de estanquidade (quando reunidas todas as condições de fixação e estanquidade das juntas), faz sentido considerar que os painéis de aglomerado

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madeira-cimento possam ser aplicados apenas para fins decorativos, já que este tipo de painéis tem óptima aplicabilidade em reabilitação de fachadas de edifícios. Deste modo a estanquidade da fachada é garantida pela parede de suporte original e os painéis são aplicados como um revestimento de carácter decorativo e estético, mantendo intactas e até optimizando as características da fachada como um todo.

Figura 2.4 – Exemplo de solução de revestimento decorativo

As vantagens deste tipo de aplicação são óbvias visto que causam menor incómodo aos moradores no caso de uma intervenção em que o edifício continue habitado. Permite também de uma forma rápida, melhorar a estética de uma fachada e com uma menor manutenção futura, quando comparada com outras soluções mais tradicionais. A substituição fácil de painéis caso sejam danificados é outra vantagem, já que restitui de uma forma rápida a estética inicial do edifício.

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3.

EXIGÊNCIAS ESSENCIAIS E FUNCIONAIS DE

REVESTIMENTOS DE PAREDES EXTERIORES

3.1.OCONCEITO EXIGENCIAL

O conceito de exigência funcional é introduzido em Portugal através de publicações do LNEC na década de 60. Os documentos de Ruy Gomes são representativos das primeiras preocupações exigenciais no país [9]. Segundo alguns desses documentos, as exigências funcionais das habitações decorrem das exigências da vida do Homem como habitante [9]. Já na altura Ruy Gomes definiu 5 agrupamentos de exigências funcionais: exigências de segurança; exigências de saúde; exigências de conforto; exigências de satisfação e exigências de economia.

Assim, de modo a que todas as necessidades dos utentes sejam satisfeitas, os diversos órgãos do edifício devem realizar e cumprir todas as funções necessárias à satisfação das necessidades dos utentes. Deste modo as exigências funcionais surgem como as funções que o edifício deve satisfazer na sua globalidade.

Com a subdivisão do edifício em órgãos, em que cada órgão é entendido como uma parte do edifício que terá que assegurar uma ou mais funções, surgiu a noção de exigências funcionais associadas a cada órgão. Surgiu assim a noção de ―exigência de desempenho‖. O conceito de exigência de desempenho está intimamente relacionado com o aparecimento da designação ―performance‖, para designar propriedades específicas de produtos da construção. Essa designação começou a ser utilizada no final da década de 60 na Europa, surgindo em diversos documentos publicados em Londres e Bruxelas.

No ano de 1989 surge o conceito de exigência essencial na ―Directiva dos Produtos de Construção‖ (DPC). Esta directiva continha seis exigências essenciais, que constituíam o conjunto de requisitos mínimos que as obras de construção devem respeitar, de modo a poderem ser consideradas aptas ao uso durante o período de vida para o qual foram concebidas [10]. Consequentemente, surgem em Portugal documentos nacionais com o intuito de introduzir esta nova filosofia.

―Será cada vez menos admissível continuar a adoptar-se a estrutura que informa os antigos regulamentos de construção e cadernos de encargos, que consiste na descrição dos materiais, elementos ou sistemas de construção a utilizar em cada caso e na própria descrição dos métodos de aplicação em obra. É, então, cada vez mais imperioso que a redacção daqueles documentos passe a ser feita de modo exigencial, deles passando a constar a quantificação das exigências que devem ser satisfeitas pelos diversos órgãos (e pelos seus componentes, produtos ou obras) dos edifícios; quando o estado dos conhecimentos não permita a quantificação duma determinada exigência, ela deve mesmo assim ser enunciada, ainda que de forma apenas qualitativa.‖ [11].

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Em Portugal, os documentos de carácter regulamentar já contemplam o conceito exigencial. No entanto, a informação técnica dos produtos de construção deve deixar de ser descritiva e passar a conter as principais especificações de desempenho. Será assim possível realizar projectos com os respectivos cadernos de encargos, segundo especificações de desempenho, em detrimento das especificações prescritivas.

O facto de algumas empresas que comercializam produtos de construção ainda não fornecerem informação técnica compatível com essa metodologia torna difícil, por parte dos técnicos projectistas, uma tomada de decisão tendo por base os níveis de exigências de desempenho.

3.2.DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA

Existem diferentes tipos de documentação, com informação técnica que define as exigências de desempenho, tais como: regulamentos, normas, especificações técnicas, directivas, documentos pré-normativos, documentos de origem francesa (DTU’s e Cahiers do CSTB), relatórios técnicos UEAtc, guias EOTA, documentos de homologação, relatórios sobre soluções inovadoras e procedimentos de certificação.

No que às normas diz respeito, a maioria das normas existentes em Portugal relacionadas com a construção, resultam das ―Especificações LNEC‖, que têm por base documentos de origem estrangeira.

Para tentar criar uma harmonização técnica entre os diversos países da União Europeia, foi criado em 1961 o Comité Europeu de Normalização (CEN). Assim, a maioria das normas portuguesas mais recentes surgem da transposição das Normas Europeias (EN) do CEN, harmonizadas e aprovadas pelos representantes de cada país membro. Em Portugal, o organismo responsável pela actividade de normalização e que representa o nosso país no CEN é o Instituto Português da Qualidade (IPQ). O Instituto Português de Qualidade, criado em 1986, é o organismo nacional que gere e desenvolve o Sistema Português da Qualidade (SPQ). Cabe ao IPQ coordenar directamente ou com a colaboração de Organismos de Normalização Sectorial (ONS) por ele reconhecidos, a actividade normativa nacional. As Normas Portuguesas (NP) são, regra geral, elaboradas por Comissões Técnicas Portuguesas de Normalização (CT), nas quais participam especialistas representando todas as partes interessadas. As Normas Portuguesas podem ser elaboradas directamente pelas CT’s ou resultar da adopção de normas regionais ou internacionais, com a elaboração das respectivas versões portuguesas. Caso as Normas Europeias já tenham sido traduzidas para Português, passam a designar-se NP EN. Os trabalhos técnicos são executados, em geral, por comissões técnicas (CEN/TC), sendo a publicação de normas EN antecedida pela elaboração de Projectos de Norma Europeia (prEN).

No caso específico das placas de aparas de madeira e cimento, são aplicadas principalmente [12]: - normas de produto: normas que especificam a totalidade ou parte dos requisitos que um produto ou um grupo de produtos devem satisfazer para cumprir o seu objectivo (exemplo: normas sobre parafusos);

- normas de ensaio: normas que tratam de métodos de ensaio destinados a verificar a adequação de um produto ou de um material às características exigidas àquele; as normas podem igualmente incluir prescrições relativas ao ensaio considerado, tais como a amostragem, a utilização, os métodos estatísticos, etc. (exemplo: norma de ensaio de tracção).

Os regulamentos são publicados através de Leis, Decretos-Lei e Portarias, como tal as exigências neles referidas, são de cumprimento obrigatório. Estes documentos definem as exigências consideradas mais

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importantes, como a segurança estrutural, a segurança contra incêndio, o comportamento térmico, a higiene, o ruído, a saúde, o ambiente e a segurança na utilização.

Com vista à emissão de documentos de homologação, para processos construtivos não correntes, o LNEC utilizava frequentemente as directivas, guias ou relatórios técnicos UEAtc, que em determinados países (entre os quais Portugal) também auxilia a EOTA na produção de guias aplicáveis a produtos ou sistemas não tradicionais. Estes têm a intenção de harmonização das exigências de desempenho aplicáveis a produtos ou sistemas comercializados nos estados membros.

Os DTU’s (Documents Techniques Unifiés) e os ―Cahiers‖, são de origem Francesa e são produzidos pelo Centre Scientifique et Technique du Bâtiment (CSTB). Em Portugal são considerados como referências técnicas importantes, já que a proximidade entre os dois países e as condições climáticas são relativamente análogas. Por vezes os DTU’s são transformados em normas experimentais e numa fase posterior em normas.

Assim, será dada prioridade à documentação portuguesa em vigor, seguida pela documentação europeia também em vigor, ou que possa estar ainda a ser desenvolvida para substituição da nacional. Caso nenhuma das normas contemple a situação em causa, será seguida a documentação francesa, já que ela também serve de base à criação de documentação nacional e europeia.

3.3.EXIGÊNCIAS ESSENCIAIS E MARCAÇÃO “CE”

Provavelmente a parte mais importante de legislação técnica europeia para as indústrias de construção nos últimos anos foi a Directiva dos Produtos de Construção (DPC).

A Directiva dos Produtos de Construção, de 21 de Dezembro de 1988, relativa à aproximação das disposições legislativas, regulamentares e administrativas dos Estados membros no que respeita aos

produtos de construção (Directiva 89/106/CEE), foi criada com o objectivo de eliminar as barreiras técnicas à livre circulação dos produtos de construção que circulam no Espaço Económico Europeu (EEE) e que se destinam a ser utilizados em obras de construção e de engenharia civil.

A Directiva foi transposta para a ordem jurídica portuguesa através de dois diplomas: o Decreto-Lei nº 113/93, de 10 de Abril, e a Portaria nº 566/93, de 2 de Junho, do Ministério da Indústria e Energia, que ao longo do tempo foi sofrendo sucessivas alterações, até que em Janeiro de 2007, foi novamente alterado pelo Decreto-Lei nº 4/2007 [13], de 8 de Janeiro, o qual, pelo seu Anexo V, procedeu à republicação do Decreto-Lei nº 113/93 incorporando as diversas alterações, bem como a Portaria nº 566/93.

A DPC estabelece que, para serem colocados no mercado, os produtos de construção - definidos, de acordo com o artigo 1.º da DPC, como todos os produtos a ser incorporados ou aplicados, de forma permanente, numa obra de construção, incluindo as obras de construção civil e de engenharia civil, devem estar aptos ao uso a que se destinam, devendo por isso apresentar características tais que as obras onde venham a ser incorporados satisfaçam às seguintes Exigências Essenciais (EE):

 resistência mecânica e estabilidade (EE1);

 segurança contra incêndios (EE2);

 higiene, saúde e protecção do ambiente (EE3);

 segurança na utilização (EE4);

 protecção contra o ruído (EE5);

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A durabilidade e a adequabilidade ao uso são, por seu lado, propriedades essenciais para que as exigências referidas façam sentido.

As exigências essenciais são aplicáveis às paredes no seu conjunto, mas os revestimentos têm que dar o contributo necessário em cada caso. Assim, cada tipo de revestimento de paredes tem que verificar determinados requisitos para desempenhar as funções que lhe são atribuídas e para que a parede onde se integra possa cumprir as Exigências Essenciais. Dependendo do uso pretendido do produto, todas, algumas, uma, ou até nenhuma destas exigências podem aplicar-se.

De seguida é apresentada uma sucinta descrição de como as exigências essenciais se aplicam a painéis de aglomerado de madeira-cimento.

3.3.1. EE1 – RESISTÊNCIA MECÂNICA E ESTABILIDADE

As exigências de resistência mecânica e estabilidade dos elementos construtivos não resistentes incluem-se no requisito Segurança na utilização (EE4).

3.3.2. EE2 – SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIOS

As exigências de reacção ao fogo dos painéis de aglomerado de madeira-cimento dependem da legislação, regulamentação e disposições administrativas aplicáveis ao edifício. Serão classificados de acordo com a norma EN 13501-1 [N1].

3.3.3. EE3 – HIGIENE, SAÚDE E PROTECÇÃO DO AMBIENTE

As paredes deverão impedir que a humidade do solo, a precipitação e a neve penetrem na construção e se propaguem a outros elementos construtivos promovendo a sua degradação.

O sistema deverá conservar as suas propriedades após ter sido sujeito aos choques provocados pela circulação e utilização normal (resultantes de acidentes fortuitos ou causados deliberadamente). Deverá também permitir o apoio dos equipamentos de manutenção correntes, sem que isso provoque a sua rotura.

São avaliadas as seguintes características do sistema e/ou de alguns dos seus componentes: absorção de água, permeabilidade à água, resistência aos choques, permeabilidade ao vapor de água e características térmicas (incluídas no requisito EE6).

Os trabalhos de construção não devem ser fonte de poluição para o ambiente (ar, solo, água). A taxa de libertação de produtos poluentes para o ar exterior, solo e água, dos materiais de construção utilizados em paredes exteriores deverá respeitar a legislação, regulamentação e disposições administrativas aplicáveis ao local onde o produto é aplicado.

3.3.4. EE4 – SEGURANÇA NA UTILIZAÇÃO

Embora os painéis de aglomerado de madeira-cimento não tenham uma função estrutural, a sua resistência mecânica e a sua estabilidade são alvo de exigências. Os painéis devem ser estáveis e resistir às combinações das solicitações resultantes das cargas normais tais como: peso próprio, variações de temperatura, humidade, retracção, movimentos da estrutura do edifício e acção do vento.

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3.3.5. EE5 – PROTECÇÃO CONTRA O RUÍDO

As exigências em matéria de protecção ao ruído não são consideradas, uma vez que elas deverão ser satisfeitas pela parede no seu todo, incluindo os painéis de aglomerado de madeira-cimento, e pelas janelas e outras aberturas.

3.3.6. EE6 – ECONOMIA DE ENERGIA E RETENÇÃO DE CALOR

Esta exigência deverá ser respeitada pela parede, no seu conjunto.

Os painéis de aglomerado de madeira-cimento não têm como função melhorar o isolamento térmico e permitir reduzir as necessidades de aquecimento (no Inverno) e de arrefecimento (no Verão). Tal função é reservada ao isolante térmico colocado entre o revestimento e a parede de suporte. A condutibilidade térmica dos painéis de aglomerado de madeira-cimento é alias muito elevada, pelo que por si só, tem dificuldades em cumprir as exigências do cálculo térmico exigido pela regulamentação nacional (RCCTE).

As fixações mecânicas da estrutura de suporte podem causar diferenças localizadas de temperatura. A sua influência deverá ser desprezável para que a resistência térmica do sistema não seja afectada.

3.3.7 ASPECTOS RELATIVOS À DURABILIDADE E APTIDÃO À UTILIZAÇÃO

Os vários requisitos essenciais mencionados acima deverão ser satisfeitos durante a vida útil do sistema e para as acções a que estará sujeito. Todos os componentes devem conservar as suas propriedades durante toda a vida útil do sistema para as condições normais de utilização e de manutenção, para que a qualidade do sistema se mantenha.

É importante referir que o suporte poderá influenciar a durabilidade do sistema. Estima-se que o Viroc tenha uma durabilidade em torno dos 30 anos (informação da empresa).

As exigências essenciais são definidas em primeira instância por documentos interpretativos elaborados por comités técnicos e, seguidamente, desenvolvidos por via de especificações técnicas. Estas últimas podem consistir em [13]:

 normas europeias harmonizadas adoptadas pelos organismos europeus de normalização (CEN);

 aprovações técnicas europeias (ETA) que apreciam a aptidão de um produto para o uso a que se destina;

 especificação técnica nacional, caso não exista norma harmonizada aplicável, que a Comissão Europeia indicou beneficiar da presunção de conformidade com as exigências essenciais, notificando-a aos Estados membros, e cuja referência é publicada no Jornal Oficial da União Europeia.

Enquanto não existir uma norma europeia nem uma aprovação técnica europeia, os produtos podem continuar a ser avaliados e colocados no mercado em conformidade com as disposições nacionais existentes que respeitem as exigências essenciais [14].

A Directiva dos Produtos de Construção prevê um conjunto de instrumentos para a sua implementação, dos quais se destacam:

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 as especificações técnicas harmonizadas: Normas Europeias harmonizadas ou Aprovações Técnicas Europeias;

 os Organismos Notificados e os Organismos de Aprovação;

 os sistemas de avaliação da conformidade;

 a marcação CE nos produtos. A Directiva dos Produtos de Construção visa:

 eliminar os obstáculos técnicos ao comércio;

 permitir ao maior número possível de fabricantes aceder ao mercado;

 assegurar uma maior transparência do mercado;

 criar as condições de um sistema harmonizado com regras gerais aplicáveis à indústria da construção.

Saliente-se que a DPC não visa uma completa harmonização das regulamentações nacionais, uma vez que os Estados-membros ficam livres de regulamentar, nos seus territórios, as características técnicas das construções e o seu controlo de execução. Os Estados-membros têm ainda a possibilidade de, na sua regulamentação, determinar o nível de protecção em consonância com as exigências essenciais, desde que esses níveis não introduzam novos obstáculos ao comércio [15].

Apenas podem beneficiar da marcação "CE" os produtos de construção que cumpram as normas nacionais de transposição das normas harmonizadas, que satisfaçam uma aprovação técnica europeia ou, na ausência destas, que satisfaçam as especificações técnicas nacionais nos termos das quais as exigências essenciais são cumpridas. Portanto o produto tem que satisfazer todas as disposições da Directiva sobre os Produtos de Construção e das outras directivas aplicáveis sobre a marcação.

O fabricante produtor é inteiramente responsável pelo atestado indicando que os produtos satisfazem as exigências impostas por uma especificação técnica. O recurso a um organismo notificado, mesmo para fornecer um certificado CE de conformidade, não desresponsabiliza o produtor das suas obrigações [14].

Ao possuir a marcação CE, esta não é sinónimo de uma marca de qualidade no sentido tradicional do termo, nem deve ser ligada a outros aspectos além das exigências essenciais.

A total implementação desta marcação na Europa Comunitária, permitirá então comparar as características dos diferentes produtos de modo bastante mais simples.

Existem vários tipos de sistemas de avaliação da conformidade aprovados para as famílias de produtos, tendo em vista a marcação ―CE‖. Estes estão estabelecidos em função da importância relativa dos produtos, podendo ser:

 certificação: sistema 1+/sistema 1 (Declaração de fabricante + Certificado de conformidade CE do produto);

 inspecção: sistema 2+/ sistema 2 (Declaração de fabricante + Certificado do controlo da produção na fábrica);

 laboratório de ensaios: sistema 3 (Declaração de fabricante + Relatório de ensaios do produto);

Imagem

Figura 4.5 – Conformação – transporte de mistura
Figura 4.9 – Conjuntos de placas saídas dos grampos em processo de maturação
Figura 4.23 – Armazenamento das paletes em zona coberta e piso indeformável
Figura 4.25 – Armazenamento das paletes em zona coberta e piso indeformável [28]
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Referências

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