Os desafios da gestão das IPSS face aos serviços prestados: uma proposta de inovação
Ângela Clara Andrade Fernandes
Dissertação apresentada ao Instituto Politécnico do Cávado e do Ave para obtenção do Grau de Mestre em Gestão das Organizações, Ramo de Gestão de Empresas
Orientada por: Mestre Teresa Dieguez e Profª. Doutora Oscarina Conceição
Esta dissertação não inclui as críticas e sugestões feitas pelo Júri.
Barcelos, Janeiro, 2016
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Os desafios da gestão das IPSS face aos serviços prestados: uma proposta de inovação
Ângela Clara Andrade Fernandes
Orientada por: Mestre Teresa Dieguez e Profª. Doutora Oscarina Conceição
Barcelos, Janeiro, 2016
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Declaração
Nome: Ângela Clara Andrade Fernandes Endereço eletrónico: [email protected] Telf./Telem: 935559125
Número de cartão de cidadão: 13799624 1ZZ0 Título da dissertação:
Os desafios da gestão das IPSS face aos serviços prestados: uma proposta de inovação.
Orientadores:
Teresa Dieguez Oscarina Conceição Ano de conclusão: 2016
Designação do curso de mestrado:
Mestrado em Gestão das Organizações
Nos exemplares das Dissertações de mestrado ou de trabalhos entregues para prestação de Provas Públicas, e dos quais é obrigatoriamente enviado exemplares para depósito legal, deve constar uma das seguintes declarações:
1. DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO EM VIGOR, NÃO É PERMITIDA A REPRODUÇÃO DE QUALQUER PARTE DESTA DISSERTAÇÃO.
Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, 7/01/2016
Assinatura:_____________________________________________
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RESUMO
As IPSS são instituições particulares de solidariedade social. São instituições sem fins lucrativos que, embora não sendo instituições constituídas pelo Estado ou por outro organismo público, podem usufruir do seu apoio. Os seus objetivos visam responder às necessidades da sociedade de uma forma transversal, oferecendo apoio social às famílias, crianças, jovens e idosos e visando a integração e bem-estar da sociedade (Instituto da Segurança Social, 2013).
O presente estudo focou-se no âmbito das respostas oferecidas à terceira idade, mais concretamente através do serviço prestado nos centros de convívio. Procurou-se analisar as práticas existentes, identificar as eventuais boas práticas e perceber qual a sua frequência. Em complemento, procurou-se ainda compreender se existe abertura para a mudança e para a inovação na gestão deste tipo de centros.
Como metodologia de investigação recorreu-se à elaboração e tratamento de inquéritos feitos aos utentes e técnicos dos centros de convívio do concelho de Barcelos, presentes na Carta Social de Barcelos. Para identificar as boas práticas fez-se um exercício do Benchmarking, ferramenta de gestão que, enquanto instrumento de comparação das Boas Práticas, surge como recurso para comparar e procurar no seio destas instituições as boas práticas (Costa, 2009).
O estudo permitiu concluir que existe comunicação entre as diferentes instituições, havendo entre algumas delas um efetivo trabalho em rede com vista a melhorar o desempenho e as respostas que podem ser oferecidas. A satisfação dos utentes dos centros permitiu ainda concluir que existem efetivamente boas práticas e que essas boas práticas são também reconhecidas no seio de outros centros, sendo adaptadas à realidade dos mesmos.
PALAVRAS-CHAVE: Instituições Particulares de Solidariedade Social; Boas-Práticas;
Benchmarking; Comunicação; Inovação
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ABSTRACT
The Private Institutions of Social Solidarity (IPSS) are constituted as not-for-profit, by private initiative, with the purpose of giving organized expression to the moral duty of solidarity and justice among individuals. IPSS helps children, young people and families, support social and community integration, assist the elderly and disabled, promote and safeguard health, education and vocational training, and resolve housing problems (Instituto Nacional de Estatística, 2013).
This study focused on the answers offered to the elderly people, specifically through the service offered on the Social Centers. We tried to analyze existing practices, identify good practices and understand their frequency. In addition, we tried to understand if there is open-mindedness to change and innovation in the management of such centers.
As research methodology we resorted to the qualitative research methodology and we have prepared and conducted surveys among users and technicians of Barcelos city Social Centers presented in the Social Charter of Barcelos. To identify good practices we made an benchmarking exercise, management tool that, while comparison tool of Good Practice, comes as a feature to compare and look for within these institutions best practices (Costa, 2009).
The study concluded that there is communication between the different institutions. In some case there is an effective networking to improve the performance and responses that can be offered.
The satisfaction of the Social Centers users still allowed to conclude that there are actually good practices and that these good practices are also recognized within other centers, being adapted to their own reality.
KEYWORDS: Private Institutions of Social Solidarity; Good practices; benchmarking;
Communication; Innovation
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LISTA ABREVIATURAS E SIGLAS
BES – Bem-estar subjetivo
CATL – Centro de atividades de tempos livres DGSS – Direção Geral da Segurança Social D.L – Decreto-lei
IAPMEI – Instituto de Apoio a Pequenas e Médias Empresas IBC – International Benchmarking Clearinghouse
INE - Instituto Nacional de Estatística IPSS – Instituições de Solidariedade Social OMS – Organização Mundial de Saúde ONU - Organização das Nações Unidas SAD – Serviço de Apoio Domiciliário SPI – Strategic Plennign Institute
UNESCO – United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization
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INDICE
INDICE DE FIGURAS ... xi
INDICE DE TABELAS ... xiii
INDICE DE GRÁFICOS ... xv
1. INTRODUÇÃO ... 1
2. INSTITUIÇÕES PARTICULARES DE SOLIDARIEDADE SOCIAL - IPSS ... 3
2.1 RESENHA HISTORICA DAS IPSS ... 3
2.2. ENQUADRAMENTO LEGAL E JURIDICO ... 6
2.3. RESPOSTAS SOCIAIS OFERECIDAS PELAS IPSS ... 9
2.4. IPSS – CENTROS DE CONVIVIO PARA IDOSOS ... 11
3. BENCHMARKING ... 13
3.1. RESENHA HISTÓRICA DA FERRAMENTA DE GESTÃO BENCHMARKING ... 13
3.2. CONCEITO E DINÂMICA ... 14
3.3. TIPOS ... 16
3.4. PROCESSO E PRINCIPIOS ... 18
3.5. VANTAGENS E LIMITAÇÕES ... 22
4. QUALIDADE DE VIDA NA TERCEIRA IDADE ... 23
4.1. ENVELHECIMENTO ... 23
4.2. SATISFAÇÃO E QUALIDADE DE VIDA ... 24
5. ENQUADRAMENTO METODOLOGICO E EMPIRICO ... 27
5.1.METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO ... 27
5.3. CARACTERIZAÇÃO DAS IPSS – CENTROS DE CONVIVIO DO CONCELHO DE BARCELOS ... 31
5.4 SERVIÇOS DOS CENTROS DE CONVIVIO ... 36
6. ANALISE DOS DADOS RECOLHIDOS COM OS INQUERITOS ... 37
7. CONCLUSÕES ... 61
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS ... 64 ANEXO I ... I ANEXO II ... II ANEXO III ... III ANEXO IV ... IV
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INDICE DE FIGURAS
Figura 1 Entidades da Economia Social por tipo de atividade ... 6
Figura 2 Tipos de Benchmarking... 17
Figura 3 Fases do Benchmarking ... 18
Figura 4 Índice de envelhecimento no Município de Barcelos ... 27
Figura 5 Índice de envelhecimento Barcelos e Municípios Vizinhos ... 28
Figura 6 Quadro com respostas sociais de centro de convívio em Barcelos ... 31
Figura 7 Logotipo Associação Humanitária Rio Covo Santa Eugénia ... 32
Figura 8 Quadro informativo sobre a Associação Humanitária de Rio Covo Stº Eugénia ... 32
Figura 9 Quadro informativo sobre o Centro de Convívio de Carreira... 33
Figura 10 Quadro informativo sobre Associação Perelhal Solidário - IPSS ... 34
Figura 11 Quadro informativo Associação Humanitária Bombeiros Voluntários de Viatodos ... 35
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INDICE DE TABELAS
Tabela 1Tipos de apoios sociais ... 10
Tabela 2 Serviços dos Centros de Convívio de Barcelos ... 36
Tabela 3 Atividades dos Centros de Convívio de Barcelos ... 37
Tabela 4 Quadro com as questões colocadas aos utentes ... 38
Tabela 5 Quadro com questões colocadas aos técnicos ... 49
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INDICE DE GRÁFICOS
Gráfico 1 Dados recolhidos Inquérito Utentes ... 39
Gráfico 2 Dados recolhidos Inquérito Utentes ... 39
Gráfico 3 Dados recolhidos Inquérito Utentes ... 40
Gráfico 4 Dados recolhidos Inquérito Utentes ... 40
Gráfico 5 Dados recolhidos Inquérito Utentes ... 41
Gráfico 6 Dados recolhidos Inquérito Utentes ... 42
Gráfico 7 Dados recolhidos Inquérito Utentes ... 42
Gráfico 8 Dados recolhidos Inquérito Utentes ... 43
Gráfico 9 Dados recolhidos Inquérito Utentes ... 44
Gráfico 10 Dados recolhidos Inquérito Utentes ... 44
Gráfico 11 Dados recolhidos Inquérito Utentes ... 45
Gráfico 12 Dados recolhidos Inquérito Utentes ... 46
Gráfico 13 Dados recolhidos Inquérito Utentes ... 46
Gráfico 14 Dados recolhidos Inquérito Técnicos ... 50
Gráfico 15 Dados recolhidos Inquérito Técnicos ... 50
Gráfico 16 Dados recolhidos Inquérito Técnicos ... 51
Gráfico 17 Dados recolhidos Inquérito Técnicos ... 51
Gráfico 18 Dados recolhidos Inquérito Técnicos ... 52
Gráfico 19 Dados recolhidos Inquérito Técnicos ... 52
Gráfico 20 Dados recolhidos Inquérito Técnicos ... 53
Gráfico 21 Dados recolhidos Inquérito Técnicos ... 53
Gráfico 22 Dados recolhidos Inquérito Técnicos ... 54
Gráfico 23 Dados recolhidos Inquérito Técnicos ... 54
Gráfico 24 Dados recolhidos Inquérito Técnicos ... 55
Gráfico 25 Dados recolhidos Inquérito Técnicos ... 56
Gráfico 26 Dados recolhidos Inquérito Técnicos ... 56
Gráfico 27 Dados recolhidos Inquérito Técnicos ... 57
Gráfico 28 Dados recolhidos Inquérito Técnicos ... 57
Gráfico 29 Dados recolhidos Inquérito Técnicos ... 58
Gráfico 30 Dados recolhidos Inquérito Técnicos ... 58
Gráfico 31 Dados recolhidos Inquérito Técnicos ... 59
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1. INTRODUÇÃO
A presente dissertação tem como temática os desafios da gestão ao nível das práticas dos centros de convívio, bem como a abertura dos mesmos face à inovação e à mudança.
A gestão de uma instituição particular de solidariedade social para além do alcance dos objetivos propostos e garantia de sustentabilidade, tem pela frente outros desafios. Na área com que se cruza o social, outros valores urgem lado a lado destas questões. A satisfação do utente e a resposta às suas necessidades, levanta questões importantes tais como a personalização dos serviços, a resposta a vários gostos e as limitações dos próprios utentes, entre outros. Em consequência, a forma e a elaboração das atividades torna-se um desafio constante e diário. O plano anual de atividades constitui um começo, uma base para o trabalho dos técnicos, mas está sujeito a melhorias contínuas. Muitas das melhorias podem resultar da comunicação com outras instituições similares, podendo ajudar a construir pontes para novas possibilidades, novos conhecimentos, novas atividades ou até mesmo pequenos ajustes que acrescentem valor.
Neste sentido, a comunicação é a chave principal para a proliferação das boas-práticas. A gestão das instituições surge como outra peça fundamental, na medida em que permite o fluxo e o tipo de comunicação da instituição e a abertura à inovação com a adoção de novas práticas.
Na primeira parte da dissertação será apresentada uma revisão bibliográfica sobre a história e evolução das Instituições de Solidariedade Social, bem como o tipo de respostas sociais que estas oferecem. Será ainda abordado o conceito de Benchmarking, uma vez que se recorrerá a esta ferramenta da gestão para a realização do estudo. Ainda numa vertente empírica far-se-á uma breve análise sobre a qualidade de vida na terceira idade e sobre o próprio conceito de envelhecimento.
Na segunda parte do estudo será apresentada a metodologia de investigação e em seguida a apresentação de dados recolhidos através de inquéritos feitos aos utentes e técnicos dos centros de convívio de Barcelos, presentes na Carta Social de Barcelos.
Por fim, serão apresentadas as conclusões do estudo, onde são referidas algumas das limitações que foram surgindo ao longo do estudo e algumas sugestões para possíveis estudos a realizar.
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2. INSTITUIÇÕES PARTICULARES DE SOLIDARIEDADE SOCIAL - IPSS
As Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) surgiram na sociedade portuguesa alguns séculos e difundiram-se por todo o país.
Constituíram-se durante séculos como parte primordial na proteção social, sendo que o seu papel neste âmbito tem vindo a evoluir ao longo do tempo, destacando-se a época a partir do séc. XX. A história da previdência em Portugal, mais tarde a segurança social, tomou contornos uma vez que o Estado assumiu a responsabilidade política pela proteção social. Esta responsabilidade traduziu-se na criação de direitos e na prestação de vários serviços.
No que diz respeito, à prestação de serviços o Estado apoiou-se das IPSS, estabelecendo uma ação conjunta, sendo que a atividade destas instituições era regulada pelo Estado e por sua vez, este assegurava-lhes uma parte significativa do financiamento. Neste sentido, as IPSS surgiram na visão do Estado como forma de responder aos serviços que este deveria providenciar, no âmbito da proteção social (Sousa et al. 2012).
2.1 RESENHA HISTORICA DAS IPSS
As IPSS são Instituições de Solidariedade Social de cariz privado, que surgem da vontade dos cidadãos, com o intuito de alcançar justiça social. Surgem das necessidades que emergem da sociedade e atuam através da doação de bens e da prestação de serviços (Silva P. M., 2013) Estas organizações sociais têm como objetivos de ação i) o apoio a crianças, jovens e famílias;
ii) a proteção dos idosos na velhice, invalidez e na diminuição dos seus recursos de subsistência; iii) a integração social e comunitária de pessoas; iv) a promoção de comportamentos para uma vida saudável e v) a promoção da educação e formação (Ferreira S.
M., 2000).
A história deste tipo de instituições remonta ao século XII e representava-se pelo ato de prestar auxílio através de serviços de assistencialismo (Ferreira M. A., 2011).
Existiram várias fases que caracterizaram o aparecimento da prática da assistência do próximo.
Fernando Silva Correia (1999), no seu livro “Origens e formas de misericórdia portuguesa”
relata que foram seis as fases de evolução da assistência, afirmando que esta ação teve a sua origem antes de Cristo e que ganhou maiores contornos com o aparecimento, crescimento e expansão do cristianismo. Numa fase final foi quando se desenvolveram os serviços sociais de assistência que foram evoluindo até aos nossos dias (Ferreira M. A., 2011).
Inicialmente as associações de solidariedade social foram surgindo através de grupos de pessoas que se juntavam para lutar contra um problema presente na sociedade, como
4 epidemias emergentes, miséria e fome. Relacionado com a religião surgem as Confrarias1, uma forma de associativismo pelo qual as pessoas se juntavam por um interesse comum: o de promover a religião e a solidariedade social (Ferreira M. A., 2011).
A ação assistencialista foi ganhando contornos mais definidos com o surgir de associações de cariz religioso, mas que perante o governo existente teriam de prestar contas. Em Portugal a história das organizações assistencialistas, ganha contornos com o surgir das Misericórdias2, casas fundadas para a assistência daqueles que precisavam de ajuda em diferentes setores das suas vidas (Ferreira M. A., 2011). Estas casas de assistências aos mais carenciados regiam-se pelos seguintes objetivos/“compromissos”:
“As 7 obras Espirituais são:
- Dar bom conselho a quem pede;
- Ensinar os ignorantes;
- Corrigir os que erram;
- Consolar os que estão tristes;
- Perdoar as injúrias;
- Suportar com paciência as fraquezas do nosso próximo;
- Rogar a Deus pelos vivos e pelos defuntos As 7 obras Corporais são:
- Dar de comer a quem tem fome;
- Dar de beber a quem tem sede;
- Vestir os nus;
- Acolher os errantes;
- Visitar os doentes;
- Remir os cativos;
- Sepultar os mortos” (Ferreira M. A., 2011, p. 17).
Após o aparecimento das Misericórdias em Portugal, o passo seguinte na ação de assistencialismo foi dado com a fundação da Casa Pia em Lisboa, em 1780, por altura do reinado de D. Maria I e através do senhor D. Diogo Inácio de Pina Manique3. Esta iniciativa surge da necessidade de encontrar uma solução, para ajudar crianças abandonadas e órfãs e outras pessoas, numa situação de sem-abrigo decorrente do terramoto que ocorreu em 1755.
Passados treze anos esta casa de apoio já era uma IPSS de grande dimensão (Sobreiro, 2009).
1Uma Confraria segundo o Artigo 1 dos Estatutos da Confraria “é uma pessoa jurídica pública colegial e perpétua da Igreja Católica, sujeito de direitos e obrigações consentâneos com a sua índole”. É constituído por um conjunto de pessoas, fiéis da igreja católica que em nome desta desempenham a sua missão com o objetivo de promover o bem público eclesial (Diocese do Porto, 2011). As Confrarias surgiram não só para o fortalecimento dos laços entre os fiéis e a Igreja Católica, fazendo-os crescer na fé com a doutrina, com ações de solidariedade e outras atividades de devoção e piedade. Ao mesmo tempo que construíam os laços entre os fiéis a igreja e fortaleciam a fé dos mesmos, permitiam também que se fosse percebendo as diferenças sociais existentes. Mais do que evidenciar a existência de diferentes grupos sociais, permitiam através da religião a integração e a coesão comunitária (Penteado, 1995).
2 A primeira Santa Casa da Misericórdia foi fundada em Lisboa, em 1498, pela Rainha D. Leonor e o Frei Miguel Contreiras.
3 Fundador da Casa Pia, Diogo Inácio de Pina Manique, nasceu em 1733, em Lisboa e faleceu a 1805. Ocupou diversos cargos públicos, aquando dos reinados de D. José e D. Maria I, mas foi como Intendente – Geral da Policia, em 1780 que fundou a Casa Pia. A sua ação estendeu-se desde às áreas da construção, ordenamento de território, segurança pública, até a iniciativas de apoio aos mais desfavorecidos e promoção da cultura, promovendo o teatro (Marques, 2013).
5 No século XIX, começam a surgir associações mutualistas para colmatar as necessidades decorrentes da assistência médica e só mais tarde é que foi respondida a necessidade resultante dos problemas inerentes à velhice. A resposta foi dada através criação da caixa de aposentações e posteriormente a criação de um sistema de seguros para os trabalhadores por conta de outrem (Ferreira M. A., 2011). Foi ainda durante o século XIX, que surgiram outros tipos de instituições, como os sindicatos, as associações humanitárias, as associações empresariais e os círculos de operários católicos (Ferreira M. J., 2012).
No século XX, mais concretamente nas últimas décadas de vigência do Estado Novo, a responsabilidade da proteção social era da sociedade civil em si, uma vez que o Estado se desresponsabilizava da sua ação na providência. Em consequência, as ações particulares de solidariedade social eram valorizadas e recebiam por parte do Estado incentivo. De referir que é nesta fase que se fala em “Estado de providência”4, embora não chegue ainda a ser efetivamente instaurado ainda em Portugal (Sobreiro, 2009).
Com esta revolução do 25 de Abril, Portugal viu nas áreas sociais a reestruturação das políticas sociais, tendo o Estado assumido um papel mais ativo na responsabilidade de proteção social. Criaram-se então protocolos entre o Estado e as IPSS, sendo o centro regional da segurança social o meio pelo qual se estabelecia esta comunicação (Sobreiro, 2009).
Em1976 o governo implementou o estado social com a regulação da ação social e em 1979 as IPSS vêm nascer e a ser aprovado o seu primeiro estatuto (Ferreira M. J., 2012).
Fazendo uma retrospetiva histórica, as Misericórdias são o tipo de IPSS mais antigas, sendo que em seguida na sua linha temporal, mas ainda com cariz religioso, lhes sucedem os centros sociais e paroquiais. Neste percurso surgiram ainda outras entidades, de que são exemplo as associações mutualistas que tiveram um papel importante na assistência social, mas que foram perdendo o seu propósito de apoio, deslocando os seus objetivos para outras metas (Ferreira M. A., 2011).
4Estados-Providência são governos que adotaram como sua responsabilidade a redução das desigualdades sociais na sua população, atuando através de sistemas de provisão, como a conceção de subsídios que podem ser de bens e ou serviços. A previdência permite proteger as pessoas em situações de maior fragilidade, como no caso e doença, incapacidade, desemprego e velhice. O Estado de Providência de um país pode ser diferente do de outro país, ou seja, os serviços disponibilizados num país podem ser diferentes dos de outro país. No entanto, geralmente os serviços de um estado-providência englobam a educação, a saúde, a habitação, rendimento, desemprego e apoio na velhice (Giddens, 2005).
6 2.2. ENQUADRAMENTO LEGAL E JURIDICO
As IPSS são instituições de cariz social e que não buscam como objetivo principal a obtenção do lucro, mas sim a produção de bem-estar. Apesar do seu objetivo não procurar a obtenção do lucro, estas instituições podem produzir bens e serviços, dando uma resposta social, resposta que as outras empresas não apresentam. As IPSS inserem-se num tipo de Economia Social e enquadram-se no terceiro setor5 (Ferreira M. A., 2011).
A Economia Social portuguesa é constituída por diferentes tipos de instituições/organizações, que se podem distinguir quanto à sua atividade. A figura seguinte representa a percentagem dos diferentes tipos de instituições/organizações sociais existentes em Portugal (fig. 1).
Os dados recolhidos referem que no ano de 2010 existiam 55.383 entidades, sendo que cerca de 48% delas eram associações de cariz cultural e desportivo, seguindo-se as associações ligadas à ação social e à religião, ambos os setores com cerca de 14% e 15% respetivamente, do número de entidades deste setor económico.
5O terceiro setor é um novo setor de atividade que surgiu com as atividades ligadas à prática da solidariedade social, não se integrando nos outros setores de atividade devido à sua diferente estrutura e funcionamento. É um setor que fica entre dois setores distintos o privado com finalidade lucrativa e o público. Desta forma o terceiro setor, também designado por Economia Social ou setor não-lucrativo, insere-se entre os dois outros setores de atividade sendo portanto público-privado. Pois o privado e o público encontram-se e estabelecem acordos de cooperação (Sobreiro, 2009).
Fonte: INE, 2013 Figura 1 Entidades da Economia Social por tipo de atividade
7 Segundo o Artigo 4º do Decreto nº130/XII da Lei de Bases da Economia Social, de 2013, a Economia Social portuguesa é constituída, pelas seguintes entidades:
“Cooperativas;
Associações Mutualistas;
Misericórdias;
Fundações;
Instituições Particulares de Solidariedade Social não abrangidas pelas alíneas anteriores;
As associações com fins altruísticos que atuem no âmbito cultural, recreativo, do desporto e do desenvolvimento local;
As entidades abrangidas pelos subsetores comunitário e autogestionário, integrados nos termos da Constituição no setor cooperativo e social;
Outras entidades dotadas de personalidade jurídica, que respeitem os princípios orientadores da Economia Social” (Instituto Nacional de Estatística, 2013, p. 19).
As IPSS enquadram-se no setor da Economia Social, uma vez que surgem da iniciativa de privados, estão reguladas juridicamente e são autónomas na tomada de decisões; os lucros, quando existem, são redirecionados para a ação da instituição (investidos na sua atividade) e a sua atividade visa como objetivo a satisfação das necessidades emergentes da sociedade (Instituto Nacional de Estatística, 2013).
As IPSS foram integradas na Constituição da Republica Portuguesa em 1976, associadas à segurança social do país, ao abrigo da Lei e sujeitas à fiscalização por parte do Estado;
surgiram como complemento da segurança social (Teixeira, 1996), na intervenção e proteção das pessoas, e “associada ao Estado como o organismo incumbido de organizar, coordenar e subsidiar um sistema de segurança social unificado e descentralizado” (Ferreira M. A., 2011, p.
36).
A regulamentação das IPSS foi feita em 1979, com a aprovação dos Estatutos nos termos constitucionalmente previstos pelo Decreto-Lei n° 519 -G2/79, de 29 de Dezembro, sendo caracterizadas como instituições sem finalidade lucrativa, instituições particulares e com objetivos relacionados ao dever moral de solidariedade e de justiça social, bem como à prestação de serviços de apoio social aos cidadãos.
No artigo 5º do mesmo D.L. são determinados os deveres das IPSS, deveres que passam por:
i) liberdade e autonomia na tomada de decisões, nomeadamente no tipo de atividade que irão desenvolver de acordo com os regulamentos da segurança social; ii) responsabilidade social e jurídica perante o Estado, a sociedade e os utentes; iii) prevalência dos interesses e direitos
8 dos cidadãos que usufruem dos serviços sobre os interesses da instituição/associados/fundadores; iv) respeito pelos direitos humanos dos beneficiários, nomeadamente pelo direito à sua privacidade e dignidade; v) investimento dos apoios obtidos do Estado para melhoria da instituição ao nível dos recursos físicos e humanos, no sentido de melhorar a sua atividade; vi) autonomia para resolução de conflitos que surjam dentro da instituição; vii) liberdade para a organização da estrutura da instituição respeitando os estatutos e legislação aplicável (Teixeira, 1996).
As IPSS podem assumir uma diversidade de formas jurídicas, podendo ser de associativa ou funcional:
Associativa:
Associações de solidariedade social;
Associações de voluntários de ação social;
Associações mutualistas;6
Misericórdias;
Fundacional:
Fundações de solidariedade social;
Centros sociais paroquiais e outros institutos criados pela Igreja Católica ou por outras organizações religiosas (Ferreira M. A., 2011).
Podem ainda surgir em forma de Uniões, Federações e Confederações. Existem diversos casos de instituições que, pelo tipo de atividade exercida, podem ser equiparadas a IPSS, no entanto não são consideradas como tal; um exemplo é o caso de Cooperativas e Casas do Povo que, em 2010 já representavam 226 instituições (117 Cooperativas e 109 Casas do Povo) com equiparação a IPSS (Instituto Nacional de Estatística, 2013).
As Associações constituem-se e adquirem personalidade jurídica através de uma escritura pública. Já as Fundações possuem duas formas de se constituírem: ou através de escritura pública ou por testamento. No entanto, só adquirem personalidade jurídica através do reconhecimento por parte de um ministro da tutela. As associações e fundações de cariz religioso são constituídas e reconhecidas como instituições pelo bispo da diocese à qual pertencem (Instituto da Segurança Social, 2013).
6“As associações mutualistas dispõem de um regime autónomo – Decreto-Lei n.º 72/90, de 3 de março, que aprovou o Código das Associações Mutualistas e Regulamento de Registo aprovado pela Portaria n.º 135/2007, de 26 de janeiro ” (Instituto da Segurança Social, 2013, p. 4).
9 As IPSS para obterem o estatuto de pessoa coletiva com utilidade pública têm de efetuar um registo nos serviços competentes do ministério da tutela. O registo, para além de conferir o estatuto de pessoa coletiva, confere pela Lei outros benefícios, nomeadamente:
“Comprovar o tipo de natureza e a finalidade das instituições;
Comprovar os factos jurídicos respeitantes às instituições especificados no Regulamento do Registo;
Reconhecer a utilidade pública das instituições;
Garantir o acesso às formas de apoio e cooperação previstas na Lei.” (Ferreira M. A., 2011, p. 40).
O registo das IPSS é efetuado através da Direção Geral da Segurança Social (DGSS) e ajustado pelo Regulamento de Registo aprovado pela Portaria n.º 139/2007, de 29 de Janeiro.
À DGSS compete analisar os registos e verificar a sua viabilidade. Para se efetuar o registo é necessário cumprir determinados requisitos, na medida em que os estatutos das instituições têm de respeitar “as disposições do Estatuto das IPSS, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 119/83, de 25 de fevereiro, contendo obrigatoriamente as matérias referidas no n.º 2 do art.º 10.º:”
(Instituto da Segurança Social, 2013, p. 7).
Nos estatutos das IPSS devem constar os seguintes elementos identificativos: i) denominação da instituição; ii) sede e campo de ação; iii) objetivos e atividades exercidas; iv) denominação, estrutura e organização da equipa de trabalho, nomeadamente da gerência; v) designações dos postos de trabalho e; vi) regime financeiro. No caso das associações devem ainda constar os direitos e os deveres dos associados, bem como as sanções em caso de incumprimento dos deveres e as condições de entrada e saída ( (Instituto da Segurança Social, 2013).
2.3. RESPOSTAS SOCIAIS OFERECIDAS PELAS IPSS
As respostas sociais oferecidas pelas IPSS dependem das necessidades detetadas na sociedade e escolhidas pelas instituições para dar resposta. Existem diferentes âmbitos de atividade, nomeadamente o apoio a crianças e jovens, o apoio a famílias, o apoio à integração social e comunitária, o apoio aos idosos, a promoção e proteção na saúde, a educação e formação, a resolução de problemas habitacionais (Instituto Nacional de Estatística, 2013).
Dentro de cada âmbito, pode ainda ser mais especificada a ação que a instituição pode exercer.
10 Tabela 1Tipos de apoios sociais
Âmbito de ação Respostas
Apoio a Crianças e jovens - Creche e creche familiar;
- Centro de atividades de tempos livres (CATL);
- Centro de apoio familiar e de aconselhamento parental;
- Intervenção precoce;
- Lares de acolhimento;
- Centros de acolhimento temporário de crianças e jovens
- Equipas de rua de apoio a crianças e jovens;
- Apartamento de autonomização.
Apoio a famílias - Atendimento e aconselhamento psicossocial;
- Casa abrigo;
- Serviço de apoio domiciliário (SAD);
- Centro de férias e lazer.
Apoio à terceira idade - Cuidados continuados;
- Centros de atividade ocupacionais;
- Centro de convívio;
- Centro de dia;
- Centro de noite;
- Lar de idoso;
- Lar residencial;
- Apoio na alimentação;
- Equipa de rua para apoiar pessoas em situação de sem-abrigo;
- Equipa de intervenção direta.
Integração social e comunitária - Acompanhamento social;
- Centro comunitário;
- Cantina social;
- Comunidade de reinserção;
- Ajuda alimentar;
- Equipa de rua;
- Equipa de intervenção direta;
- Apoio no alojamento.
(Instituto da Segurança Social, 2013)
11 2.4. IPSS – CENTROS DE CONVIVIO PARA IDOSOS
Os centros de convívio são centros que, através da realização de atividades sócio recreativas, têm como objetivos: i) prevenir a solidão na terceira idade; ii) incentivar e motivar os idosos a participar ativamente na vida comunitária em que estão inseridos; iii) promover as relações pessoais e prevenir o isolamento de forma a evitar/adiar o internamento em instituições (Instituto da Segurança Social, 2014).
Diferenciam-se dos centros de dia e dos lares de idosos pelo seu foco: resposta às necessidades das relações interpessoais dos idosos - evitando o isolamento social bem como a solidão na velhice e a promoção de atividades lúdicas, mantendo o idoso ocupado - promovendo o sentimento de se sentirem úteis e importantes na sociedade.
Podem estar inseridos em instituições com valências de centro de dia e lar de idosos, mas diferenciam-se pelo facto do idoso não estar internado na instituição mas frequentar autonomamente as atividades que se realizam no centro. Como é referenciado no regulamento do centro de convívio Cerejeira “O Centro de Convívio é a resposta social que se destina a pessoas idosas, de ambos os sexos, autónomas e que se deslocam à Instituição pelos seus próprios meios para participarem em actividades de lazer” (Fundação Cardeal Cerejeira, 2010, p. 3).
De acordo com uma pesquisa em regulamentos e web sites de uma amostra de cerca de 20 centros de convívio, percebe-se que os serviços prestados pelos centros de convívio, na generalidade, passam por oferecer serviço de lanche e atividades lúdicas e recreativas. Alguns diferenciam-se com a oferta de outros serviços como apoio psicossocial, assistência religiosa, entre outros.
O horário de funcionamento é também restringido, na maioria dos casos, ao período da tarde;
um exemplo é o centro de convívio, inserido na Misericórdia do Porto (Santa Casa da Misericórdia do Porto, 2012). No entanto, existem centros de convívio com horários diversos podendo, funcionar durante todo o dia.
12
13
3. BENCHMARKING
Benchmarking é um “processo contínuo e sistemático para avaliar produtos, serviços e processos de trabalho de organizações que são reconhecidas como representantes das melhores práticas, com a finalidade de melhoria organizacional” (Spendolini M. , 1992, p. 9).
Deve ser encarado como uma ferramenta para a melhoria organizacional, mas dentro de um escopo mais amplo de atividades de melhoria focada no cliente. Deve ser conduzido pelo cliente e deve estar de acordo com as necessidades internas da organização (Kelessidis, 2000).
3.1. RESENHA HISTÓRICA DA FERRAMENTA DE GESTÃO BENCHMARKING
A palavra “Benchmarking” é de origem anglo-saxónica e o conceito foi utilizado por vários especialistas na sua terminologia original, o que contribuiu para que o termo não se alterasse/traduzisse nas diferentes línguas. No caso português a palavra também não possui tradução literal (Ribeiro L. M., 2004).
Apesar do termo não ser utilizado pelos japoneses (embora esteja completamente integrado na sua atual cultura empresarial),tudo indica que foram os japoneses os pioneiros na sua aplicação prática. Conhecidos, antes da Segunda Guerra Mundial, por produzirem “lixo oriental barato”, aprenderam a melhorar os seus produtos através da comparação de produtos semelhantes de origem americana. Nesse período, o conceito significava o mesmo que engenharia inversa, ou seja, os estudos de Benchmarking consistiam na comparação de características, funcionalidades e desempenhos de produtos da concorrência (Ahmed & Rafiq, 1998).
Foi com a companhia americana Xerox Corporation que o Benchmarking evoluiu para a segunda geração, normalmente designada por Benchmarking competitivo7(Coelho, 2014). A Xerox Corporation, no final da década de 70, estava atravessar uma fase crítica e os seus concorrentes japoneses estavam a conquistar quota de mercado (Machado, 2003). Perante o facto, a empresa iniciou um estudo sobre os materiais, os processos e as práticas de gestão utilizados que permitiam às empresas concorrentes japonesas vender fotocopiadoras de qualidade superior a preço inferior ao custo de produção da Xerox.
O sucesso da utilização desta ferramenta por parte da companhia Xerox, permitiu que esta ferramenta da gestão se expandisse pelo mundo, sendo adaptada por muitas outras instituições e empresas quer do setor privado, quer do setor público (Farias, 2006).
7A ferramenta de gestão para melhoria e aperfeiçoamento das operações industriais associadas à empresa americana Xerox, ficou conhecida como Benchmarking, mais concretamente como o modelo “Xerox’s ten-step aproach” (Farias, 2006).
14 O Benchmarking tornou-se, assim, das ferramentas da gestão a mais popular durante a década de 90, estando a sua notoriedade ligada não só ao estudo da técnica em si, mas também à sua praticabilidade no seio empresarial (Coelho, 2014). Esta evolução e notoriedade, de acordo com Madeira (1999), deve-se essencialmente a três fatores a saber: a concorrência global, os prémios de qualidade e as melhorias significativas. Segundo dados recolhidos pela empresa americana de consultoria Bain e Company, em 2007 existiam 6323 empresas em 10 países que utilizavam o Benchmarking como ferramenta de gestão (Coelho, 2014).
3.2. CONCEITO E DINÂMICA
Existem diversas definições8 para este conceito, no entanto, e de acordo com Farias, 2006, os responsáveis pela primeira definição de Benchmarking foram Bogan e English. Segundo estes autores esta ferramenta da gestão surge como um processo sistemático de observação das rotinas e processos da empresa, bem como da comparação com outras empresas com melhores resultados.
Shahin e Zairi (2011) citados por Coelho, (2014 p.8) referem que o “Benchmarking é um processo sistemático e contínuo que envolve a comparação de caraterísticas dos melhores produtos, serviços e processos, a fim de melhorar o desempenho do negócio”.
O Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI) defende, nos seus documentos publicados na plataforma institucional, que a definição mais comumente utilizada é a do autor Spendolini (1992) que nos diz que o “Benchmarking é um processo contínuo e sistemático para avaliar produtos e processos de trabalho de organizações que são reconhecidas como representantes das melhores práticas, com a finalidade de melhoria organizacional” (IAPMEI, s.d)
.
A definição mais consensual é a estabelecida pela IBC (International Benchmarking Clearinghouse), que defende que o Benchmarking consiste num processo contínuo e sistemático de medida, uma vez que estuda os processos e produtos de uma empresa, tendo por base de comparação as empresas líderes do setor (Madeira, 1999).
O processo do Benchmarking permite, sobretudo, dois tipos de resultados: o da aquisição de conhecimento e o da aplicação das boas práticas. Este processo leva à aquisição de conhecimento sobre a própria empresa, nomeadamente sobre os seus pontos fortes e fracos, permitindo abrir novos horizontes, conhecer novas práticas e perceber que se pode lidar com os problemas do quotidiano da empresa de forma mais eficaz (IAPMEI, s.d).
As diferentes e diversas definições que existem sobre Benchmarking, permitem-nos compreender que a aplicabilidade desta ferramenta ultrapassa o meio empresarial industrial e
8Ver Anexo II – Tabela com o registo de diversas definições sobre o conceito, de acordo com as diferentes perspetivas de cada autor.
15 pode ser aplicada juntos de organizações de prestação de serviços e até mesmo de Instituições de Solidariedade Social. Permitem-nos, ainda, perceber a importância da aprendizagem por modelos de boas práticas, comparar o que se faz com o que é feito e perceber qual o efeito das práticas nos resultados obtidos e o que poderá ser mudado para melhorar os resultados.
O processo de criação de conhecimento é realizado de dentro para fora, ou seja, o recurso ao Benchmarking implica, e primeiro lugar, um auto conhecimento e só depois o conhecimento do exterior. Para além disso, pressupõe a continuidade do uso da ferramenta, uma vez que a empresa deve fazer este processo continuamente ao longo do seu ciclo de vida (Ribeiro L. M., 2004).
O conceito de Benchmarking traz em si associado o conceito de boas práticas, o que nos leva a questionar sobre o significado das mesmas. De acordo com Ribeiro (2004), as boas práticas, expressam-se por técnicas e métodos de trabalho que permitem melhorar o desempenho e os resultados de uma empresa. Estas técnicas e métodos para serem consideradas boas práticas têm de responder a determindados critérios. Segundo a empresa Benchmark Communication Ltd, com sede em Trinidad e Tobago, uma boa prática é avaliada pelo impacto que produz nos resultados financeiros e na satisfação dos clientes, na satisfação gerada nos colaboradores da empresa e no seu nível de envolvimento e comprometimento para com os objetivos da empresa. É também avaliada pelo seu caráter inovador e criativo na resolução de problemas, na busca de soluções e de novas oportunidades, no recurso a técnicas e metodologias já existentes, com aplicação de forma diferenciada e inovadora (Ribeiro L. M., 2004).
O Benchmarking surge associado ao uso de boas práticas, ao aumento e à produção de conhecimento e à aplicação do mesmo com vista à obtenção de melhores resultados (Ribeiro L. M., 2004).
Neste sentido, e de acordo com Camp (2003), o Benchmarking é uma forma de aprender, modificar e adaptar as melhores práticas realizadas, a fim de poder implementá-las na empresa. Por outras palavras, o Benchmarking consiste na procura das melhores práticas e na sua execução dentro da empresa podendo ou não existir a necessidade de as modificar e adaptar (Camp, 2003).
16 3.3. TIPOS
Conforme os objetivos que se pretendem alcançar com a utilização do Benchmarking, podemos classificar o Benchmarking em 4 tipos:
Benchmarking interno;
Benchmarking competitivo;
Benchmarking funcional;
Benchmarking estratégico.
O Benchmarking interno diz respeito ao processo relativo à análise da empresa a nível interno, comparando o funcionamento dos diferentes departamentos/setores de trabalho. Parte-se do princípio que existem diferentes desempenhos entre os setores e que se justifica que haja lugar a uma aprendizagem interna.
O Benchmarking competitivo compara os serviços, produtos e processos entre empresas concorrentes.
O Benchmarking funcional estuda as melhores práticas exercidas pelas organizações identificadas como as melhores.
O Benchmarking estratégico provoca uma mudança organizacional através da elaboração de uma ação estratégica, podendo ser considerado como um subtipo do Benchmarking competitivo (Madeira, 1999).
17 Figura 2 Tipos de Benchmarking
Para além destes 4 tipos, há autores que defendem outros tipos de Benchmarking. Coelho (2014) defende o tipo de Benchmarking genérico, no qual as empresas comparam processos que implicam várias funções em diferentes organizações, procurando o que de melhor se faz em diferentes setores de atividade e adaptando as melhores práticas no seio da sua empresa.
Este autor apresenta um quadro resumo com os diferentes tipos de Benchmarking que, pela sua clareza, é a seguir apresentado (fig.2)
Já o IAPMEI (s.d) argumenta que existe ainda o tipo de Benchmarking governamental - ferramenta que se aplica na comparação das diferentes políticas governamentais entre países - e o tipo de Benchmarking setorial - que corresponde à analise comparativa entre os diferentes setores de atividade.
Fonte: (Coelho, 2014, p. 11)
18 3.4. PROCESSO E PRINCIPIOS
De acordo com Madeira, (1999) o processo de Benchmarking possui quatro fases: i) planeamento do projeto, ii) recolha de dados, iii) análise de dados e iv) adaptação ao contexto da organização e melhoria. Estas fases encontram-se esquematizadas na figura seguinte (fig.
3).
Figura 3 Fases do Benchmarking
Fonte: Adaptação (Madeira, 1999) O número de fases indicadas por Madeira (1999) é o modelo mais consensual entre os diferentes autores, mas não é o único. Spendolini, por exemplo, defende que o processo tem cinco fases e Andersen & Jordan, por sua vez defende, as cinco etapas, no entanto estas dividem-se ainda em oito passos (Ribeiro & Cabral, 2006).
Spendolini (1992) defende que as cinco etapas (objeto, equipa, parceiros, dados e ação) implicam o desenvolvimento de determinados pressupostos e aponta como relevante para o processo o seguinte:
1. Identificação do objeto a estudar e melhorar;
conhecimento do cliente do estudo;
informação necessária;
delineação do âmbito/área sujeito ao estudo;
identificação dos recursos requeridos;
2. Formação de uma equipa para efetuar o processo de Benchmarking;
definição de regras para a equipa;
distribuição de tarefas/responsabilidades;
formação para os membros da equipa;
Planeamento do Projeto
•Determinar qual o objeto de estudo;
•Determinar com quem se quer comparar;
Recolha de Dados
•Estudo de informação pública;
•Estudo feito junto das empresas em estudo;
Análise dos Dados
•Identificação dos
benchmarks (diferenças de desempenho);
•Identificação dos enablers (responsáveis pelo bom desempenho);
Melhoria e Adaptação
•Aplicação das boas práticas identificadas, através de processos de adaptação de técnicas e metodologias e/ou melhoria dos seus métodos e técnicas.
19 3. Identificação de parceiros;
identificação das fontes de informação;
4. Recolha e análise de informação;
definir métodos de recolha de informação;
estabelecimento de contacto com os parceiros;
recolha de dados;
análise da informação;
recomendações para a ação;
5. Ação;
elaboração de um relatório para apresentação dos resultados;
apresentar possíveis melhorias;
acompanhar o progresso;
continuação do processo de Benchmarking.
Andersen & Jordan, (1998) defende que as cinco etapas são:
1. Planear;
determinar qual o objeto/processo do Benchmarking;
compreender e documentar o processo;
medir a performance do processo;
2. Encontrar;
identificar os parceiros;
3. Recolher;
compreender e documentar a performance e práticas dos parceiros;
4. Analisar;
identificar os pontos fracos e as causas dos mesmos;
5. Melhorar;
planificar a implementação das melhorias;
colocar em prática as melhorias e acompanhar a evolução da ação.
20 As diferentes metodologias permitem que esta ferramenta da gestão seja aplicável em diversas áreas, mas todas elas se podem enquadrar nas quatro etapas de Planear, Executar, Analisar e Corrigir (Ribeiro L. M., 2004).
O processo de Benchmarking deve respeitar princípios éticos, sendo que de acordo com Madeira, (1999) esse código de conduta, estabelecido pelo International Benchmarking Clearinghouse (IBC) e pelo Strategic Planning Institute (SPI), deve ser regido por oito principios: legalidade; troca; confidencialidade; utilização; contacto; preparação; conclusão e compreensão; ação.
O principio da legalidade diz respeito à não utilização do Benchmarking para a fixação dos preços, para o estabelecimento de alianças estratégicas, para a limitação da ação da concorrência e para a divulgação de informação sobre parceiros.
O principio da troca implica que a partilha de informação seja equitativa e que exista respeito no pedido de dados sobre empresas, tendo presente que se deve respeitar a relutância no fornecimento de informação que a própria empresa não forneceria, para além de que a informação partilhada deve ser devolvida sob a forma de um relatório com as observações efetuadas.
O princípio da confidencialidade resume-se ao tratamento da informação obtida através de um parceiro. Sendo que esta informação é confidencial, não pode nunca ser divulgada a terceiros sem o consentimento do parceiro empresarial.
O princípio da utilização da informação recolhida refere-se ao facto de que a informação é apenas usada com vista à melhoria dos processos e não com outros propósitos, nomeadamente fins comerciais, publicitários e promocionais.´
O princípio do contacto pressupõe que todos os contactos devem ser feitos por pessoas credenciadas e a identidade dos contactos deve ser respeitada e apenas divulgada com a devida autorização.
O princípio da preparação implica que primeiro se faça um estudo interno e só posteriormente se contactem os parceiros de Benchmarking, devendo ser estes elucidados através de documentação que esclareça os objetivos e objeto do estudo.
O princípio de conclusão e compreensão exige que o estudo vá de encontro às necessidades dos intervenientes e os satisfaça. O tratamento dos dados recolhidos deve ser feito de forma apropriada e deve respeitar os prazos fixados.
21 O princípio da ação implica que haja um acordo, com os parceiros de Benchmarking, sob a forma como a informação obtida será tratada e como o farão para cumprir o acordo (Madeira, 1999).
22 3.5. VANTAGENS E LIMITAÇÕES
O Benchmarking permite a criação de valor (Farias, 2006) e as suas vantagens são muitas, destacando-se, entre outras, as seguintes: i) estabelecimentos de novos objetivos; ii) presença constante de mudança e inovação; iii) identificação dos pontos fracos e dos pontos fortes dos processos; iv) foco no cliente, procurando maximizar a sua maior satisfação e v) maior competitividade e eficiência.
Neste sentido, a identificação das boas práticas e a sua aplicação nas organizações permite, para além da melhoria do desempenho, a redução dos custos e a melhoria de qualidade dos serviços/produtos (Coelho, 2014).
Permite, ainda, não só o estudo das práticas da concorrência ou parceiros, mas também o continuo esforço e a “luta” para a superação e o alcance de melhores resultados (custos, lucros, qualidade ou competitividade).
O Benchmarking permite a procura da excelência e neste processo ocorrem importantes mudanças e aprendizagens.
Como principais limitações na implementação do Benchmarking de forma eficiente e eficaz, identificam-se alguns fatores-críticos, nomeadamente: i) recursos financeiros e temporais inadequados para recolha correta da informação necessária; ii) falta de envolvimento no processo dos colaboradores da organização; iii) baixo nível de confiança relativamente à empresa que fornece os dados; e iv) não acompanhamento de todo o processo de Benchmarking (Spendolini, 1992).
Outros fatores devem ser ainda acautelados, nomeadamente os relacionados com a existência de empresas que negam ou distorcem os dados (não querem que as outras atinjam os mesmos patamares, evitando assim ter mais um concorrente do mesmo nível ou superior), bem como a existência de empresas que desejam os indicadores de outras com dimensão diferente, ou que atuam num mercado diferente, comparando o que não é comparável. Esta errada atitude é, na maior parte das vezes, prejudicial para a empresa. (Penha, 2004).
23
4. QUALIDADE DE VIDA NA TERCEIRA IDADE
O envelhecimento populacional constitui um fenómeno de amplitude mundial e é um fenómeno relativamente recente, com origens, sobretudo, na primeira metade do século XX. Entre 1950 e 2011 cresceu de 2 biliões de pessoas para 6,5 biliões, prevendo a ONU que em 2050 possa rondar o número de 9,1 biliões. A percentagem de pessoas idosas cresceu notoriamente, passando de 8% em 1950 para 11% em 2009, sendo esperado que atinja os ainda mais preocupantes 22% em 2050 (ONU, 2009).
De acordo com as Estimativas da População Residente, em 31 de Dezembro de 2013, residiam em Portugal 10 427 301 pessoas, das quais 4 958 020 eram homens e 5 469 281 eram mulheres, traduzindo uma taxa de crescimento efetivo, em 2013, de -0,57%. Em 2013, o índice de envelhecimento da população era de 1369, tendo-se vindo a confirmar, nos últimos anos o duplo envelhecimento demográfico: aumento do número de idosos, diminuição do número de jovens e do número de pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos (população em idade ativa) (INE, 2014).
4.1. ENVELHECIMENTO
O envelhecimento é uma das fases da vida dos seres humanos. Sendo o ser humano um organismo multicelular, a sua vida pode-se dividir em três fases: i) a fase de crescimento e desenvolvimento; ii) a fase reprodutiva e iii) a fase de senescência. O ser humano nasce, cresce, reproduz-se e finalmente envelhece, estando o envelhecimento associado ao declínio das capacidades e funcionalidades do organismo (Cancela, 2007).
A idade que marca o início de uma nova fase da vida do ser humano, neste caso, a terceira idade, não é igual em todas as teorias sobre o envelhecimento. No entanto, para a OMS10 e UNESCO11 a terceira idade tem início aos 65 anos de idade. As organizações mundiais OMS e UNESCO dividem a terceira idade em 3 fases, nomeadamente, o período da maturidade abrangendo os indivíduos com idades entre os 50 e os 65 anos, o período da velhice compreendido entre as idades dos 65 aos 80 anos e o período da longevidade para idades superiores aos 80 anos. Apesar das diferentes opiniões do início da velhice o mais consensual é a idade de 65 anos (Sequeira, 2013).
Abordar o envelhecimento pela vertente biológica seria uma visão redutora de todos os processos e mudanças que este processo natural envolve. O envelhecimento não é apenas o declínio da vitalidade do corpo, o envelhecimento pode ter contornos sociais, sendo que esta fase da vida muitas vezes denominada por terceira idade é caracterizada consoante a cultura e a sociedade em questão por determinados hábitos e costumes. O envelhecimento envolve
9136 significa que por cada 100 jovens existiam 136 idosos, índice que em 2001 assumia o valor de 102.
10 Organização Mundial da Saúde.
11 Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
24 também fatores psicológicos na medida em que o envelhecimento influencia a capacidade cognitiva, pode levar a mudanças afetivas e de personalidade (Cancela, 2007).
No entanto, a velhice não acarreta apenas aspetos negativos; a velhice pode ser encarada de forma positiva e como uma nova etapa da vida do ser humano. Este processo pode ser mais ou menos positivo de acordo com a disposição do individuo perante o mesmo. Isto significa que aquele que compreende a velhice e o processo de envelhecimento como um processo natural da sua vida poderá usufruir melhor do mesmo. “Os idosos que vêm a velhice de uma forma natural dão mais sentido à vida, são mais felizes e temem menos a morte” (Sequeira, 2013, p.
21).
Neste sentido, é importante pensar que a satisfação e a qualidade de vida é influenciada por fatores subjetivos, uma vez que cada pessoa vivencia o envelhecimento de forma individual;
contudo, cada pessoa pode ser influenciada pela visão negativa ou positiva que foi construindo, ao longo da vida, sobre a velhice.
É importante que a ausência de atividade laboral seja substituída por outras atividades, para que o idoso se mantenha ocupado no seu dia-a-dia, sendo o seu objetivo atrasar o processo de envelhecimento. Estudos12 realizados evidenciam a importância das redes sociais na vida do idoso, mostrando que o convívio com outras pessoas é uma necessidade (Silva F. C., 2011).
4.2. SATISFAÇÃO E QUALIDADE DE VIDA
A satisfação ou bem-estar é subjetivo (BES) na medida em que é medido a partir da perspetiva do individuo (Galinha & Ribeiro, 2005). Podemos, então, pensar em bem-estar subjetivo através da forma como as pessoas vêm a sua vida, ou seja, a satisfação que a pessoa sente consigo mesmo e com o ambiente que a rodeia. Neste sentido, pode-se pensar no BES como um fenómeno multidimensional, influenciado por diferentes fatores e que conduzem a diferentes análises, consoante a pessoa. O balanço é feito tendo em conta os afetos negativos e positivos da sua vida (Albuquerque, Noriega, Coelho, Neves, & Martins, 2006).
No balanço que é feito pela pessoa, o BES não significa ausência de afetos negativos. Pelo contrário, os afetos negativos estão presentes, mas os afetos positivos são dominantes e predominantes face aos outros. O BES sendo uma construção interna da pessoa, está dependente de condições como a saúde, a riqueza e o conforto (consideradas externas) que apenas o influênciam, mas não o determinam (Albuquerque & Tróccoli, 2004). Neste sentido, ao estudar-se o BES estuda-se a felicidade da pessoa, procurando perceber quais as suas causas, quais os motivos para que esta não exista e quem são as pessoas detentoras da
12São vários os autores, como por exemplo, Albuquerque (2003) e Fleck, et al., (2002), que defendem que existe uma relação direta entre as redes sociais do idoso, a sua qualidade de vida e a sua capacidade funcional e uma relação inversa com a depressão.
Por sua vez Frutuoso, (1999) refere o aumento da qualidade de vida e esperança de vida do idoso está relacionada com uma boa e intensa rede social.
25 felicidade. Associado ao conceito de bem-estar subjectivo surge o conceito de qualidade de vida (Galinha & Ribeiro, 2005).
“A Organização Mundial de Saúde (OMS) refere-se à qualidade de vida como a percepção individual da pessoa acerca da sua posição na vida, segundo o contexto cultural, o sistema de valores no qual convive, considerando os seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações, em acordo com três princípios fundamentais: capacidade funcional, nível socioeconômico e satisfação” (Jantsch, Machado, Behar, & Lima, 2012, p. 173).
A qualidade de vida relaciona-se com outros fatores diferentes da satisfação, tais como a saúde a nível físico, funcional, mental e emocial. Outros fatores são o trabalho, a família, a rede de amigos e conhecidos, os acontecimentos da vida e as atividades em que o individuo está envolvido (Albuquerque & Tróccoli, 2004).
Na terceira idade a satisfação e a qualidade de vida relacionam-se muito com a questão da dependência versus autonomia. Uma vez que com o envelhecimento a pessoa vai perdendo não só capacidades físicas como também cognitivas, a qualidade de vida na terceira idade exige a manutenção da saúde no seu todo e o contacto com as suas redes sociais. A reforma, a emancipação dos filhos, entre outros, são fatores negativos do envelhecimento que provocam a perda progressiva dos idosos com as redes sociais (Jantsch, Machado, Behar, &
Lima, 2012).
Uma vez que as redes sociais dos idosos sofrem constantemente ruturas, uma forma de contrariar esse processo é a inclusão em grupos onde possam encontrar/descobrir uma convivência saudável e enriquecedora para si. Nestes grupos os idosos encontram muitas vezes um espaço onde se sentem novamente úteis e importantes e com significado para a vida comunitária (Jantsch, Machado, Behar, & Lima, 2012).
Associado aos espaços de convívio vem o tema do lazer13 e das atividades promovidas nesses espaços. As atividades promovidas nos centros de convívio permitem não só trazer para os idosos momentos de lazer, mas também momentos onde estes podem interagir com os outros, participando de forma ativa na vida social. O lazer neste caso possui duplo significado, uma vez que, para além do seu papel de descanso e divertimento, tem a função educativa, permitindo o continuo desenvolvimento pessoal e social do idoso (Mori & Silva, 2010).
Neste sentido, é importante perceber se os centros de convívio são capazes de dar resposta às necessidades emergentes na terceira idade e vão de encontro às expectativas dos idosos, não só na promoção do convívio mas também no tipo e forma como as atividades são realizadas.
13Atividades realizadas pela pessoa por seu livre arbítrio, com vista a obtenção de satisfação. Este tipo de atividades não traz qualquer tipo de pressão para a pessoa, apenas sentimento de prazer e satisfação (Sáez Narro, Aleixandre Rico, & Meléndez Moral, 1994).
26
27 Fonte: (Pordata, 2015)
5. ENQUADRAMENTO METODOLOGICO E EMPIRICO
O quotidiano, os recursos, a cultura e as práticas das IPSS ditam a qualidade dos serviços que estas prestam aos seus clientes. É importante analisar as boas práticas que se praticam nas IPSS para que estas possam proliferar, mas também perceber se existe espaço para uma gestão inovadora destas organizações.
Neste sentido, com o presente trabalho pretende-se desenvolver no âmbito das IPSS:
Uma análise das suas práticas;
Perceber qual o tipo de comunicação entre as IPSS;
Uma identificação das Boas Práticas;
Uma proposta para eventuais melhorias.
Pretende-se, ainda, tentar perceber se a gestão nas IPSS é recetiva à introdução de novas práticas e está aberta aos desafios da inovação.
5.1.METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO
O estudo feito focar-se-á na valência da terceira idade, mais concretamente sobre os centros de convívio que constam na Carta Social de Barcelos.
Pretende-se com este estudo responder à questão apresentada na problemática, no entanto, muito mais que responder, será apresentar propostas de mudança em busca da melhoria das práticas das IPSS.
O envelhecimento é também uma questão demográfica, uma vez que ao longo dos anos este têm aumentado no nosso país, mas também se verificou esse aumento no nosso município (fig. 4) e nos municípios vizinhos (fig. 5).
Figura 4 Índice de envelhecimento no Município de Barcelos
28 Como se pode constatar pela análise do gráfico, percebe-se que no município de Barcelos a taxa de envelhecimento tem aumentado nos últimos anos, os dados revelam que entre os anos de 2001 e 2013 a taxa de envelhecimento aumentou de 53,2 para 93,9.14
Figura 5 Índice de envelhecimento Barcelos e Municípios Vizinhos
Neste sentido, surge a necessidade de perceber se a população idosa possui respostas sociais capazes de responder às suas necessidades. Perceber ao nível de atividades lúdicas e de convívio a satisfação que esta população desta faixa etária possui face ao tipo de atividades oferecidas, é importante.
A terceira idade está associada a ruturas e perdas (rutura com o mercado de trabalho, perda de capacidades físicas e cognitivas, perdas de familiares e amigos), mudança de status social, etc. (Sequeira, 2013).
14Para uma análise mais aprofundado dos dados, em anexo (anexo III) encontra-se os dados completos retirados da Pordata em 2015.
Fonte: (Pordata, 2015)