LAURA PAES BARRETTO PARDO
ESPAÇOS COMUNITÁRIOS EM TERRITÓRIOS VULNERÁVEIS:
UMA ANÁLISE SOBRE PROCESSOS E REALIZAÇÕES
São Paulo
2018
ESPAÇOS COMUNITÁRIOS EM TERRITÓRIOS VULNERÁVEIS:
UMA ANÁLISE SOBRE PROCESSOS E REALIZAÇÕES
Dissertação de Mestrado apresentada ao Curso de Pós- Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo.
ORIENTADORA: Profa. Dra. Ana Gabriela Godinho Lima
São Paulo
2018
P226c Pardo, Laura Paes Barretto.
Espaços comunitários em territórios vulneráveis: uma análise sobre processos e realizações. / Laura Paes Barretto Pardo.
231 f. : il. ; 21 cm
Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2019.
Orientadora: Ana Gabriela Godinho Lima.
Bibliografia: f. 201-215.
1. Centros comunitários. 2. Territórios vulneráveis. 3. Projeto de arquitetura. I. Lima, Ana Gabriela Godinho, orientadora. II. Título.
CDD 720
Bibliotecária responsável: Paola Damato CRB-8/6271
A minha eterna professora Nadia Cahen, por seu constante apoio e incentivo, sem os quais eu não teria iniciado esse projeto.
A minha querida orientadora Ana Gabriela Godinho Lima pela dedicação e apoio, transmitindo o conhecimento de forma generosa e também por ter acreditado nesse trabalho desde o início, me ensinando a confiar no processo.
A minha mãe Angela por toda a sua ajuda e carinho, e principalmente por ter cuidado, junto com meu marido, dos meus filhos na minha ausência.
Ao meu marido Thiago por estar sempre ao meu lado dando todo o suporte necessário para que fosse possível a realização desde trabalho
A minha sócia Marina Canton, não somente pela amizade e ajuda na diagramação deste trabalho, mas também, pôr na minha ausência, ter dado seguimento aos nos nossos trabalhos do estúdio.
Ao Daniel Corsi, por todo o seu apoio, desde o meu primeiro projeto de pesquisa, e por todas as conversas e contribuições ao longo de toda a pesquisa.
Ao professor Fernando Guillermo Vázquez Ramos pelas importantes contribuições na qualificação que me auxiliaram no direcionamento deste trabalho.
Ao professor Júlio Luiz Vieira pelos aportes na qualificação, interesse pelo trabalho e conversas ao longo do processo, colaborando para o desenvolvimento dessa pesquisa.
A Carolina Anseoli pela amizade e companheirismo durante o mestrado.
A Aline Nassaralla pelas conversas e ajuda com a revisão do texto e das normas técnicas.
Aos professores da pós graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie pelos ensinamentos que recebi nos últimos dois anos e todos que contribuiram para a realização deste trabalho.
A universidade Presbiteriana Mackenzie e a CAPES pela bolsa de estudo concedida.
to be on this earth, you wouldn’t be here in the first place.
And never forget, no matter how overwhelming life’s challen- ges and problems seem to be, that one person can make a difference in the world. In fact, it is always because of one person that all the changes that matter in the world come about.
So be that one person.”
― R. Buckminster Fuller
O tema da presente pesquisa são os centros comunitários de uso e apropriação coletiva, construídos sem apoio governamental, nos últimos dez anos, em territórios vulneráveis de países em desenvolvimento. O intuito do trabalho foi entender o que caracteriza o território vulnerável e verificar, a partir da seleção de dezessete obras construídas nestas condições, as soluções empregadas em relação a sua viabilidade, a construção do edifício e a sobrevivência do mesmo, para que, por meio de uma análise seja possível avaliar e identificar as soluções empregadas capazes de embasar futuros projetos a serem realizados nestas condições.
Palavras-chave: centros comunitários, territórios vulneráveis e projeto de arquitetura.
Abstract
The theme of this research is the community centers of collective use and appropriation, built without government support over the last ten years in vulnerable territories of developing countries.
The work proposal was to understand what characterizes the vulnerable territory and to verify, from the selection of seventeen works built in these conditions, the solutions employed in relation to its viability, the construction of the building and the survival of the same, so that, through it is possible to evaluate and identify the solutions employed to support future projects to be accomplished out under these conditions.
Keywords: comunity centers, vulnerable territories and architectural design.
Capítulo 2
Fig. 2.1: Gráfico com a porcentagem de projetos por continente levantados no levantamento inicial.
Fig. 2.2: Gráfico com a porcentagem de projetos por continente analisados nesse trabalho.
Fig. 2.3: Gráfico com a porcentagem de projetos por país e continente selecionados no levantamento inicial.
Fig. 2.4: Gráfico com a porcentagem de projetos por país e continente analisados nesse trabalho.
Fig. 2.5: Mapa com a localização de todos os projetos selecionados no levantamento preliminar e numerados de acordo com a tabela do apêndice 2 e fotos a seguir.
Fig. 2.6: Proj. 1. Vista Greenschool.
Fig. 2.7: Proj. 2. Vista Escola para o Corporito.
Fig. 2.8: Proj. 3. Vista Centro de atividade e educação ecológica.
Fig. 2.9: Proj. 4. Vista Escola feita a mão.
Fig. 2.10: Proj. 5. Vista Escola primária em Gando.
Fig. 2.11: Proj. 6. Vista biblioteca Safe Haven.
Fig. 2.12: Proj. 7. Vista edifício educacional em Moçambique.
Fig. 2.13: Proj. 8. Vista Escola Nueva Esperanza.
Fig. 2.14: Proj. 9. Vista Centro para a Homeless World Cup.
Fig. 2.15: Proj. 10. Vista Centro Comunitário Suoi Re Village.
Fig. 2.16: Proj. 11. Vista Escola primaria Umubano.
Fig. 2.17: Proj. 12. Vista Pavilhão comunitário em Jintao Village.
Fig. 2.18: Proj. 13. Vista Centro de reabilitação infantil Teletón.
Fig. 2.21: Proj. 16. Vista Esperanza Dos.
Fig. 2.22: Proj. 17. Vista Comite dos residentes da rua Victory.
Fig. 2.23: Proj. 18. Vista Centro de conhecimento Rural e canto das crianças.
Fig. 2.24: Proj. 19. Vista Centro de estudo em Tacloban.
Fig. 2.25: Proj. 20. Vista Sala de aula Tragaluz.
Fig. 2.26: Proj. 21. Vista Centro de arquitetura da terra.
Fig. 2.27: Proj. 22. Vista Centro para jovens em Niafourang.
Fig. 2.28: Proj. 23. Vista Edifício educacional archdaily.
Fig. 2.29: Proj. 24. Vista Centro formativo Sara Pou.
Fig. 2.30: Proj. 25. Vista Centro Comunitário Ta Phin.
Fig. 2.31: Proj. 26. Vista Centro de integração educacional, profissional e esportiva.
Fig. 2.32: Proj. 27. Vista Escolas móveis.
Fig. 2.33: Proj. 28. Vista Escola primária em Balaguina.
Fig. 2.34: Proj. 29. Vista Escola em Nebaj.
Fig. 2.35: Proj. 30. Vista Bersário El Pinal.
Fig. 2.36: Proj. 31. Vista Projeto Mutende II.
Fig. 2.37: Proj. 32. Vista Biblioteca de Muyinga.
Fig. 2.38: Proj. 33. Vista Hut-To-Hut.
Fig. 2.39: Proj. 34. Vista Escola em Chuquibambilla.
Fig. 2.40: Proj. 35. Vista Arco-irís no deserto.
Fig. 2.41: Proj. 36. Vista Escola Flutuante para orfãos.
Fig. 2.42: Proj. 37. Vista Bes Pavillion.
Fig. 2.45: Proj. 40. Vista Edifício educacional makoko Nigeria.
Fig. 2.46: Proj. 41. Vista Escola Sasle.
Fig. 2.47: Proj. 42. Vista Escola primaria.
Fig. 2.40: Proj. 43. Vista Centro cultural do Japão.
Fig. 2.48: Proj. 44. Vista Centro comunitário Las Margaritas.
Fig. 2.49: Proj. 45. Vista Casa de lluvia.
Fig. 2.50: Proj. 46. Vista Cubos comunitários em Shanghai.
Fig. 2.51: Proj. 47. Vista Clínica de vacinação.
Fig. 2.52: Proj. 48. Vista Centro Comunitário Pumanque.
Fig. 2.53: Proj. 49. Vista Centro de desenvolvimento comunitário.
Fig. 2.54: Proj. 50. Vista Escola e Creche Laafi.
Fig. 2.55: Proj. 51. Vista Biblioteca Katio.
Fig. 2.56: Proj. 52. Vista Ginásio Municipal de Boxe.
Fig. 2.57: Proj. 53. Vista Museu XIHE.
Fig. 2.58: Proj. 54. Vista Classe Multifuncional Mazaronkiari.
Fig. 2.59: Proj. 55. Vista Escola Kwel Ka Baung.
Fig. 2.60: Proj. 56. Vista Bottle Sail.
Fig. 2.61: Proj. 57. Vista Toigetation.
Fig. 2.62: Proj.58. Vista Escola Thazin.
Fig. 2.63: Proj. 59. Vista Pré-escola Aknaibich.
Fig. 2.64: Proj. 60. Vista Centro comunitário e escola Legson Kayira.
Fig. 2.65: Proj. 61. Vista Escola Embera Atrato.
Fig. 2.68: Proj. 64. Vista Khmeresque.
Fig. 2.69: Proj. 65. Centro Comunitário Pani.
Fig. 2.70: Proj. 66. Vista Parque educaciona Vigía Del Forte.
Fig. 2.71: Proj. 67. Vista Projeto Nakuru.
Fig. 2.72: Proj. 68. Vista Escola de Bambu.
Fig. 2.73: Proj. 69. Vista Salas de leitura.
Fig. 2.74: Proj. 70. Vista The Wave: espaço público para performances.
Fig. 2.75: Proj. 71. Vista Centro Comunitário Cam Thanh.
Fig. 2.76: Proj. 72. Vista Resid. de artistas e centro cultural Thread.
Fig. 2.77: Proj. 73. Vista Re-ainbow. Fonte: Ver tabela apêndice Fig. 2.78: Proj. 74. Vista Projeto de desenvolvimento social.
Fig. 2.79: Proj. 75. Vista Centro comunitário Nam Dam.
Fig. 2.80: Proj. 76. Vista Centro de alegria do Butão.
Fig. 2.81: Proj. 77. Vista Parque Educacional Raíces.
Fig. 2.82: Proj. 78. Vista Escola Chipakata.
Fig. 2.83: Proj. 79. Vista Espaço Alana.
Fig. 2.84: Proj. 80. Vista Parque Educativo de Remedios.
Fig. 2.85: Proj. 81. Vista Salas de Leitura.
Fig. 2.86: Proj. 82. Vista Pavilhão de Bambu.
Fig. 2.87: Proj. 83. Vista Biblioteca Avant-Garde Ruralation.
Fig. 2.88: Proj. 84. Vista Escola rural Chaparral.
Fig. 2.89: Proj. 85. Vista Escola secundária Santa Elena.
Fig. 2.92: Proj. 88. Vista Centro comunitário Renascer Chamanga.
Fig. 2.93: Proj. 89. Vista Potocine-sala de cinema auto gestionada.
Fig. 2.94: Proj. 90. Vista Escola Jungle Flower.
Fig. 2.95: Proj. 91. Vista Toigetation 2.
Fig. 2.96: Proj. 92. Vista Sala Multifuncional: estação de controle de incêndios florestais.
Fig. 2.97: Proj. 93. Vista M.A.C. of Tiruvannamalai.
Fig. 2.98: Proj. 94. Vista Cinco Jardins de infância.
Fig. 2.99: Proj. 95. Vista Espaço Be Friendly.
Fig. 2.100: Proj. 96. Vista Galeria Multifuncional em Tehran.
Fig. 2.101: Proj. 97. Vista Pavilhões para Okana.
Fig. 2.102: Proj. 98. Vista Centro para mulheres no Vilarejo Massai.
Fig. 2.103: Proj. 99. Vista Centro de educação e saúde.
Fig. 2.104: Proj. 100. Centro educacional Eco Moyo.
Fig. 2.105: Proj. 101. Vista Igreja da comunidade rural Malaui.
Fig. 2.106: Proj. 102. Vista Escola Alfa Omega.
Projeto 1
Fig. P.1.1: Vista lateral do Centro da Homeless Wordcup.
Fig. P.1.2: Foto aérea com locação da obra.
Fig. P.1.3: Foto aérea aproximada com locação da obra.
Fig. P.1.4: Implantação.
Fig. P.1.7: Planta de cobertura.
Fig. P.1.8: Corte Longitudinal.
Fig. P.1.9: Corte Transversal.
Fig. P.1.10: Vista lateral da obra no final da construção.
Fig. P.1.11: Vista da quadra.
Fig. P.1.12: Vista lateral da entrada.
Fig. P.1.13: Vista da chegada na obra no final da construção.
Fig. P.1.14: Vista da estrutura da cobertura e entrada.
Fig. P.1.15: Vista da fachada de entrada.
Projeto 2
Fig. P.2.1: Vista da entrada do Centro comunitário Suoi Re Village.
Fig. P.2.2: Foto aérea com locação da obra segundo SUOI, 2011, n.p.
Fig. P.2.3: Foto aérea aproximada com locação da obra segundo SUOI, 2011, n.p.
Fig. P.2.4: Implantação.
Fig. P.2.5: Planta térreo nível superior.
Fig. P.2.6: Planta térreo nível inferior.
Fig. P.2.7: Corte Transversal.
Fig. P.2.8: Corte Longitudinal.
Fig. P.2.9: Corte esquematico.
Fig. P.2.10: Vista fachada dos fundos.
Fig. P.2.11: Vista pavimento inferior.
Fig. P.2.14: Vista pavimento superior.
Fig. P.2.15: Vista escada do pav. superior.
Projeto 3
Fig. P.3.1: Vista da entrada do Centro comunitário Ta Phin.
Fig. P.3.2: Foto aérea com locação da obra.
Fig. P.3.3: Foto aérea aproximada com locação da obra.
Fig. P.3.4: Implantação.
Fig. P.3.5: Planta térreo.
Fig. P.3.6: Corte esquemático perspectivado.
Fig. P.3.7: Corte Transversal.
Fig. P.3.8: Vista terraço da fachada lateral.
Fig. P.3.9: Vista elemento vazado da entrada.
Fig. P.3.10: Vista interior da obra.
Fig. P.3.11: Vista da entrada.
Fig. P.3.12: Vista da escada do mezanino..
Fig. P.3.13: Vista de cima do mezanino.
Projeto 4
Fig. P.4.1: Vista a partir da rua da Casa de Lluvia.
Fig. P.4.2: Foto aérea com locação da obra.
Fig. P.4.3: Foto aérea aproximada com locação da obra.
Fig. P.4.6: Maquete eletrônica.
Fig. P.4.7: Maquete da estrutura 02.
Fig. P.4.8: Vista da entrada.
Fig. P.4.9: Vista lateral com playground.
Fig. P.4.10: Vista da porta de entrada e interior.
Fig. P.4.11: Vista da fachada da rua.
Fig. P.4.12: Vista do interior em direção a porta.
Fig. P.4.13: Vista do interior .
Projeto 5
Fig. P.5.1: Vista da entrada do centro comunitário Las Margaritas.
Fig. P.5.2: Foto aérea com locação da obra.
Fig. P.5.3: Foto aérea aproximada com locação da obra.
Fig. P.5.4: Planta térreo.
Fig. P.5.5: Corte longitudinal.
Fig. P.5.6: Corte transversal.
Fig. P.5.7: Elevação Leste.
Fig. P.5.8: Elevação Sul.
Fig. P.5.9: Vista da obra e seu entorno.
Fig. P.5.10: Vista da obra a partir da rua de acesso.
Fig. P.5.11: Vista aérea das edificações.
Fig. P.5.12: Vista do anfiteatro.
Projeto 6
Fig. P.6.1: Vista do acesso ao terraço do centro comunitário Pumanque.
Fig. P.6.2: Foto aérea com locação da obra.
Fig. P.6.3: Foto aérea aproximada com locação da obra.
Fig. P.6.4: Planta térreo.
Fig. P.6.5: Elevação Sul.
Fig. P.6.6: Perspectiva explodida.
Fig. P.6.7: Vista Sul a partir do escorregador.
Fig. P.6.8: Detalhe de fixação das lonas.
Fig. P.6.9: Vista da escada central de acesso ao terraço.
Fig. P.6.10: Vista Sul a partir da escada.
Fig. P.6.11: Vista do terraço da cobertura.
Fig. P.6.12: Vista do escorregador.
Projeto 7
Fig. P.7.1: Vista do Centro de Desenvolvimento Comunitário.
Fig. P.7.2: Foto aérea com locação da obra.
Fig. P.7.3: Foto aérea aproximada com locação da obra.
Fig. P.7.4: Implantação com edifícios existentes e futura expansão.
Fig. P.7.5: Elevação Sudoeste.
Fig. P.7.6: Planta da edificação construída.
Fig. P.7.9: Vista do refeitório a partir da rua.
Fig. P.7.10: Vista para rua a partir do refeitório.
Fig. P.7.11: Vista da obra a partir da rua.
Fig. P.7.12: Vista da área multifuncional.
Fig. P.7.13: Vista do corredor.
Projeto 8
Fig. P.8.1: Vista do Bottle Sail.
Fig. P.8.2: Foto aérea com locação da região onde a obra está inserida.
Fig. P.8.3: Corte esquemático.
Fig. P.8.4: Vista da obra em seu entorno.
Fig. P.8.5: Vista do interior.
Fig. P.8.6: Detalhe do revestimento da fachada.
Fig. P.8.7: Vista da fachada.
Fig. P.8.8: Vista noturna.
Fig. P.8.9: Execução da estrutura.
Projeto 9
Fig. P.9.1: Vista do acesso ao Centro comunitário Legson Kayira.
Fig. P.9.2: Foto aérea com locação da obra.
Fig. P.9.3: Foto aérea aproximada com locação da obra.
Fig. P.9.4: Planta térreo. Fonte:
Fig. P.9.7: Vista fachada Sudeste.
Fig. P.9.8: Sala de aula aberta.
Fig. P.9.9: Vista interior da sala fechada.
Fig. P.9.10: Detalhe abertura da porta.
Fig. P.9.11: Vista Sala de aula aberta.
Fig. P.9.12: Vista corredor lateral.
Projeto 10
Fig. P.10.1: Vista fachada frontal Arena do Morro.
Fig. P.10.2: Foto aérea com locação da obra.
Fig. P.10.3: Foto aérea aproximada com locação da obra.
Fig. P.10.4: Planta térreo. Fonte:
Fig. P.10.5: Elevação frontal.
Fig. P.10.6: Corte longitudinal S1.
Fig. P.10.7: Corte transversal S2.
Fig. P.10.8: Corte transversal S3.
Fig. P.10.9: Vista aérea.
Fig. P.10.10: Vista do terraço.
Fig. P.10.11: Vista interna da sala Multiuso III.
Fig. P.10.12: Vista aérea do projeto e seu entorno.
Fig. P.10.13: Vista da rua de acesso ao edifício.
Fig. P.10.14: Vista interna da quadra.
Fig. P.11.2: Foto aérea com locação da obra.
Fig. P.11.3: Foto aérea aproximada com locação da obra.
Fig. P.11.4: Planta térreo.
Fig. P.11.5: Elevação fachada Sul.
Fig. P.11.6: Corte transversal pela escada.
Fig. P.11.7: Planta primeiro pavimento.
Fig. P.11.8: Elevação fachada Norte.
Fig. P.11.9: Corte transversal pela loja e salas de aula.
Fig. P.11.10: Vista fachada sul.
Fig. P.11.11: Vista pátio descoberto.
Fig. P.11.12: Vista área multiuso (área de trabalho).
Fig. P.11.13: Vista fachada Norte.
Fig. P.11.14: Vista pátio de entrada.
Fig. P.11.15: Vista sala de aula.
Projeto 12
Fig. P.12.1: Vista aérea Centro Comunitário Cam Thanh.
Fig. P.12.2: Foto aérea com locação da obra.
Fig. P.12.3: Foto aérea aproximada com locação da obra.
Fig. P.12.4: Planta térreo.
Fig. P.12.5: Corte esquemático sem escala.
Fig. P.12.6: Perspectiva explodida.
Fig. P.12.9: Vista pátio interno da biblioteca.
Fig. P.12.10: Vista pátio interno da área de exposições.
Fig. P.12.11: Vista espaço multifuncional.
Fig. P.12.12: Vista área de exposições.
Projeto 13
Fig. P.13.1: Vista entrada da Residência de artistas e centro comunitário Thread.
Fig. P.13.2: Foto aérea com locação da obra.
Fig. P.13.3: Foto aérea aproximada com locação da obra.
Fig. P.13.4: Implantação edifícios novos e existentes.
Fig. P.13.5: Planta térreo edifício comunitário.
Fig. P.13.6: Elevações Oeste e Leste.
Fig. P.13.7: Corte esquemático do telhado e calha.
Fig. P.13.8: Corte longitudinal A.
Fig. P.13.9: Corte transversal B.
Fig. P.13.10: Vista aérea da obra.
Fig. P.13.11: Vista espaço multifuncional.
Fig. P.13.12: Vista pátio descoberto.
Fig. P.13.13: Vista acesso ao pátio descoberto.
Fig. P.13.14: Vista interna do quarto para artistas.
Fig. P.13.15: Vista espaço coberto entre os dois pátios.
Fig. P.14.2: Foto aérea com locação da obra.
Fig. P.14.3: Foto aérea aproximada com locação da obra.
Fig. P.14.4: Implantação edifício novo e existentes.
Fig. P.14.5: Planta térreo.
Fig. P.14.6: Perspectiva explodida.
Fig. P.14.7: Elevação eixos X1-X12.
Fig. P.14.8: Corte transversal pelo vazio.
Fig. P.14.9: Vista lateral.
Fig. P.14.10: Vista dos fundos.
Fig. P.14.11: Vista pátio interno descoberto.
Fig. P.14.12: Vista entrada. Fonte: RE-AINBOW, 2015, n.p.
Fig. P.14.13: Detalhe da estrutura do telhado. Fonte:
Fig. P.14.14: Vista do espaço multifuncional.
Projeto 15
Fig. P.15.1: Vista entrada Nam Dam Swallow “Homestay” e Centro Comunitário.
Fig. P.15.2: Foto aérea com locação da obra.
Fig. P.15.3: Foto aérea aproximada com locação da obra.
Fig. P.15.4: Planta térreo.
Fig. P.15.5: Planta primeiro pavimento.
Fig. P.15.6: Corte longitudinal.
Fig. P.15.7: Corte transversal.
Fig. P.15.10: Vista corredor primeiro pavimento.
Fig. P.15.11: Vista pé direito duplo do espaço multifuncional.
Fig. P.15.12: Vista fachada Sudeste.
Fig. P.15.13: Vista varanda primeiro pavimento.
Fig. P.15.14: Vista espaço multifuncional.
Projeto 16
Fig. P.16.1: Vista frontal Centro comunitário Renascer Chamanga.
Fig. P.16.2: Foto aérea com locação da obra.
Fig. P.16.3: Foto aérea aproximada com locação da obra.
Fig. P.16.4: Planta da estrutura.
Fig. P.16.5: Fachada frontal da estrutura.
Fig. P.16.6: Fachada posterior da estrutura.
Fig. P.16.7: Maquete do projeto.
Fig. P.16.8: Fachada da lateral direita da estrutura.
Fig. P.16.9: Fachada da lateral esquerda da estrutura.
Fig. P.16.10: Vista do playground.
Fig. P.16.11: Vista do espaço multifuncional.
Fig. P.16.12: Vista da fachada frontal.
Fig. P.16.13: Vista do espaço comunitário com cozinha ao fundo.
Fig. P.16.14: Vista do volume da cozinha na fachada frontal.
Fig. P.16.15: Vista noturna da obra.
Fig. P.17.2: Foto aérea com locação da obra.
Fig. P.17.3: Foto aérea aproximada com locação da obra.
Fig. P.17.4: Planta do térreo.
Fig. P.17.5: Corte longitudinal.
Fig. P.17.6: Elevação Sudoeste.
Fig. P.17.7: Corte transversal pela biblioteca.
Fig. P.17.8: Perspectiva explodida.
Fig. P.17.9: Vista acesso pelo Internet café.
Fig. P.17.10: Vista interna cafeteria.
Fig. P.17.11: Vista interna espaço para costura.
Fig. P.17.12: Vista pátio central.
Fig. P.17.13: Vista interna biblioteca 01.
Fig. P.17.14: Vista interna biblioteca 02.
Capítulo 3
Fig. 3.1: San José de Chamanga após o terremoto em 2016.
Fig. 3.2: Vista Cratera aberta pela chuva no bairro Mãe Luíza, Natal, em 2014.
Fig. 3.3: Corte da cobertura do centro comunitário Las Margaritas.
Fig. 3.4: Detalhe da calha para captação de água pluvial dos Pavilhões para Okana.
Fig. 3.5: Corte esquemático do telhado.
Fig. 3.6: Moradoras de Sinthian buscando água.
Fig. 3.7: Mulheres na biblioteca.
Fig. 3.10: Vista do Centro Comunitário Pani.
Fig. 3.11: Vista pavilhões para Okana.
Fig. 3.12: Estrutura da cobertura.
Fig. 3.13: Elemento vazado instalado no piso.
Fig. 3.14: Det. da fachada com garrafas Pet.
Fig. 3.15: Estrutura de bambu.
Fig. 3.16: Mock-up da estrutura e revestimento da cobertura.
Fig. 3.17a: Detalhes do encaixe elemento vazado com a estrutura.
Fig. 3.17b: Detalhes do elemento vazado.
Fig. 3.18: Vista noturna Thread.
Fig. 3.19: Pátio ocupado com mesas.
Fig. 3.20: Comunidade participando da obra.
Fig. 3.21: Construção do Centro comunitário e escola Legson Kayira.
Fig. 3.22: Comunidade em Chamanga executando a estrutura.
Fig. 3.23: Comunidade executando o muro de taipa no Nam Dam.
Fig. 3.24: Comunidade executando o Muro de pedra no Suoi Re Village.
Fig. 3.25: Comunidade durante o processo participativo da Casa de Lluvia.
Fig. 3.26: Comunidade reunida durante o processo participativo.
Fig. 3.27: Castelo de Warkworth.
Fig. 3.28: Foto aérea do centro comunitário Pani.
Fig. 3.29: Diagramas de Implantação
Fig. 3.30: Sala de aula com mesas e cadeiras.
Fig. 3.33: Quadra Poliesportiva coberta.
Fig. 3.34: Crianças brincando no playground.
Fig. 3.35: Diagrama de estrutura e fechamentos
Fig. 3.36: Estrutura da cobertura de Bambu e edifício em alvenaria estrutural.
Fig. 3.37: Estrutura de concreto e Bambu.
Fig. 3.38: Estrutura de andaimes.
Fig. 3.39: Vista do Centro comunitário Suoi Re Village.
Fig. 3.40: Vista centro comunitário Ta Phin.
Fig. 3.41: Vista casa de Lluvia.
Fig. 3.42: Vista centro comunitário Nam Dam.
Fig. 3.43: Vista aérea Centro comunitário Cam Thanh.
Fig. 3.44: Corte esquemático DO Centro de Desenvolvimento Comunitário.
Fig. 3.45: Pátio de entrada do centro comunitário Pani.
Fig. 3.46: Vista área multifuncional.
Fig. 3.47a: Tijolo da fachada assentado de duas formas.
Fig. 3.47b: Tijolo da fachada e do refeitório assentados de forma distinta. Fig. 3.48:
Forro e escada em Bambu.
Fig. 3.49: Estrutura da escada e do telhado em bambu.
Fig. 3.50: Instalação da fachada de bambu com garrafas Pet.
Fig. 3.51: Detalhe da fachada.
Fig. 3.52: Detalhe do piso e guarda corpo da cobertura
Fig. 3.53: Maquete eletrônica do telhado.
Fig. 3.56: Corte esquemático.
Fig. 3.57: Arecas na malha de cabo de aço.
Fig. 3.58: Diagrama em corte de ventilação cruzada.
Fig. 3.58: Diagrama de captação de água pluvial.
Fig. 3.59: Diagrama de consumo de água.
Tabela 1 - As abordagens conceituais de território em três vertentes básicas. Fonte: Haesbaert; Limonad (2007, p. 45).
Tabela 2 - Definições de vulnerabilidade organizadas cronologicamente. Fonte: Cutter (1996, p.531-32), adaptada pela autora.
1. Introdução ... 31
1. Dimensões do território vulnerável ... 41
1.1 Território e a Territorialidade: o espaço socialmente compartilhado ...44
1.2 A Vulnerabilidade: da pobreza à problemática ambiental ...51
1.3 O território vulnerável: poder, apropriação e risco ...59
2.O centro comunitário: critérios de seleção e análise ... 63
2.1 Mapeamento inicial: procedimentos ...65
2.2 Seleção dos projetos ...65
2.3 Organização e apresentação do material...68
2.4 Fichas técnicas ...82
2.4.1. Centro para o Legado da Homeless World Cup ...84
2.4.2. Casa Comunitária Suoi Re Village ...88
2.4.3. Centro Comunitário Ta Phin ...92
2.3.4. Centro comunitário Casa de la lluvia [de ideas] ...96
2.3.5. Centro comunitário Las Margaritas ...100
2.3.6. Centro comunitário Pumanque ...104
2.3.7. Centro de desenvolvimento comunitário ...108
2.3.8. Bottle Sail ...112
2.3.10. Arena do Morro ...120
2.3.11. Centro comunitário Pani ...124
2.3.12. Casa comunitária Cam Thanh ...128
2.3.13. Residência de artistas e centro comunitário Thread ...132
2.3.14. Re-ainbow ...136
2.3.15. Nam Dam Swallow “Homestay” e Centro Comunitário ...140
2.3.16. Centro comunitário Renascer Chamanga ...144
2.3.17. Pavilhões para Okana ...148
3. O território vulnerável e o Centro Comunitário ... 153
3.1 Vulnerabilidade ambiental e climática: estratégias projetuais ...156
3.2 Vulnerabilidade socioeconômica: centros comunitários ...158
3.2.1 A Viabilidade ...161
3.2.2 O edifício ...169
3.2.3 A Sobrevivência ...188
Considerações finais ... 195
Referências bibliográficas ... 201
Apêndice ... 217
Apêndice 1 ...218
Apêndice 2 ...220
A presente pesquisa analisou espaços comunitários de uso e apropriação coletiva, cons- truídos sem apoio governamental, nos últimos dez anos, em territórios vulneráveis de países em desenvolvimento.1 As dimensões da vulnerabilidade aqui exploradas são associadas às condi- ções de pobreza, econômica e material. O intuito do trabalho foi verificar, a partir do levantamento das obras construídas nestas condições, as soluções empregadas em relação a sua viabilidade, a construção do edifício e a sobrevivência do mesmo, para que, por meio de uma análise seja possível avaliar e identificar as estratégias projetuais capazes de embasar futuros projetos a serem realizados em condições similares.
Os territórios vulneráveis, seja por sua vulnerabilidade socioeconômica, climática ou ambien- tal, são, atualmente, uma realidade recorrente e crescente. A baixa resiliência da população residente nestes territórios, diante dessas possíveis vulnerabilidades, agrava ainda mais a situação apresen- tada. Este cenário de situações extremas e emergenciais, que clama por transformação e reparo, precisa ser compreendido e combatido.
A Nova Agenda Urbana da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2016 se propõe, inclu- sive, a realizar políticas para redução de riscos, preparo das famílias, comunidades e instituição de serviços para responder, adaptar e recuperar-se diante dessas situações.
Ainda que essas transformações englobem outras disciplinas, a arquitetura detém um papel importante, seja na reconstrução ou planejamento dessas áreas, seja na habilidade de desenvolver e executar projetos pontuais capazes de acolher e unir população.
A Bienal de Arquitetura de Veneza, realizada em 2016, com o tema Reporting From The Front, sob curadoria do arquiteto chileno Alejandro Aravena, reconhecendo possíveis dificuldades e falta
1 A presente pesquisa desenvolve-se como parte do Projeto de Pesquisa: Cidade, Cultura, Infância e Gênero: Modos de Intervir em Territórios Vulneráveis. Financiado pela Fundação Holandesa Bernard Van Leer no âmbito do Termo de Coo- peração Universidade Presbiteriana Mackenzie e Instituto Brasiliana, celebrado em abril de 2017, coordenado pela Prof.
Dra. Ana Gabriela Godinho Lima e pelo Prof. Rodrigo Mindlin Loeb.
de recursos em determinados territórios, questionou o papel do arquiteto na melhora das condi- ções de vida das pessoas. Sob essa ótica, o arquiteto direciona o olhar para problemas políticos e sociais existentes em diversos locais; e, ainda, faz refletir sobre a função da arquitetura no desen- volvimento de projetos socialmente conscientes. (BARANTTO, 2016, online)
Nesse contexto, optou-se por estudar os centros comunitários, sejam eles de lazer, cultura ou esporte. Estes locais proporcionam o encontro de membros da comunidade, acolhem e ajudam na construção da cidade, do lugar. São definidos por Yi-Fu Tuan (1983, p. 4) como “centros aos quais atribuímos valor” e que, ao assumirem essa condição, adquirem definição e significado. Estes edifí- cios surgem com o intuito de abrigar diversas atividades a fim de promover e fortalecer a interação entre os membros da comunidade e, também, proporcionar oportunidades para o desenvolvimento local. Considera-se, ainda, que a interação entre os habitantes proporcionada por estes edifícios, pode ser capaz de criar vínculos e assim aumentar a resiliência dos moradores diante das situações de vulnerabilidade nos territórios onde vivem.
A escolha desse tema se deve não só a importância do mesmo mas também à falta de pu- blicações a respeito do conceito de território vulnerável e de centro comunitário. Mas também houve uma grande dificuldade de encontrar material sobre as obras seja em periódicos e livros impressos, seja nos virtuais.
Por essa razão a dissertação foi organizada a partir de três grandes questões:
1. o que é território vulnerável; 2. quais são os projetos construídos nestes territórios; e, por fim, 3.
como as soluções empregadas, em relação a viabilidade da obra, a construção do edifício e a sobre- vivência ocorrem nestas condições. A formulação dessas indagações e a organização da estrutura foi um processo longo, mas que, ao final,foi importante pois permite que cada capítulo tivesse um objetivo a ser cumprido.
O primeiro capítulo, portanto, constrói uma visão sobre o território vulnerável. Para isso,
TRODUÇÃO
divide-se em três partes: na primeira, buscou-se entender o conceito de território, por meio da pon- deração de alguns autores que discutem sobre este conceito e suas múltiplas definições. Dentre os autores merecem destaque: Claude Raffestin (1993), com o livro Por uma geografia do Poder, prin- cipal referencial teórico para a compreensão do que significa território; e, Milton Santos (2000) com o artigo intitulado O papel ativo da geografia: um manifesto, no qual o autor define o conceito de “ter- ritório usado”, perspectiva pela qual foi construída o conceito de território neste trabalho.
Além das pesquisas supracitadas, destacamos o artigo O território em tempos de globaliza- ção escrito por Rogério Haesbaert e Ester Limonad (2007), onde abordam o conceito de território a partir de três vertentes: jurídico-política, econômica e cultural(ista). Esta última considera o território como resultado da apropriação do espaço, e, portanto, foi escolhida para compreender o território neste trabalho.
O capítulo prossegue construindo uma compreensão do conceito de "Vulnerabilidade", que é amplamente discutido em diversas áreas de estudo, tais como: geografia, demografia, sociologia, assistência social. Por essa razão o seu significado pode variar dependendo da disciplina que o aborde, mas buscou-se, nessa pesquisa, entender o termo de forma com que o mesmo pudesse caracterizar um determinado tipo de território.
A geógrafa Susan Cutter (1996), no livro Vulnerability to environmental hazards, traz diversos autores para a discussão sobre o significado de vulnerabilidade; e o define, em sua essência, como potencial para a perda. Estar vulnerável, portanto, é estar em risco e, para ela, este risco está relacio- nado com a fata de resiliência à situação de risco apresentada. Devido a sua formação, ao falar so- bre vulnerabilidade a autora se refere às vulnerabilidades ambientais e climáticas, contudo podemos usar essa definição em outros campos.
Eduardo Marandola Junior e Daniel Joseph Hogan (2005) no artigo Vulnerabilidade e riscos:
entre geografia e demografia fazem uso do conceito de risco, apontado por Susan Cutter mas levam
em conta os aspectos socioeconômicos, trazendo desta forma a discussão sobre as desigualda- des sociodemográficas relacionadas a pobreza que caracterizam uma situação de vulnerabilidade um território.
Para entender os fatores que podem originar a vulnerabilidade, o artigo A interdependência entre vulnerabilidade climática e socioeconômica na região do abc paulista, de María Cleofé Valverde (2017) foi importante ao considerar a fragilidade social como um dos aspectos, onde as condições de desigualdade e fragilidade devido a fatores socioeconômicos pode acarretar em segregação social e marginalidade.
Os critérios utilizados para avaliar a vulnerabilidade social, no Atlas de vulnerabilidade social (IVS), também foram importantes por demonstrarem que a vulnerabilidade social não é somente uma questão da falta de recursos financeiros, mas também é resultado da localização de determina- dos territórios e a falta de infraestrutura e serviços que deveriam ser fornecidos pelo poder público.
Tendo em vista tudo o que foi exposto, os tipos de vulnerabilidade capazes de caracterizar um território e que serão estudados, podem ser classificados como: ambiental, climática e socioe- conômica.
O capítulo conclui-se ao conceituar o território vulnerável, tal como será discutido neste traba- lho, como: um espaço segregado de exclusão; um espaço usado, vivido, construído e apropriado pelos habitantes, onde o perigo, o risco natural e o tecnológico, e a falta de resiliência dos moradores, soma- da a restrições às atividades sociais e de acesso a recursos materiais e econômicos, caracterizam a vulnerabilidade que os Centros Comunitários visam, ainda que às vezes em pequena medida, mitigar.
O segundo capítulo, dividido em duas partes, destinou-se na primeira a demonstrar o méto-
do e critério de seleção dos projetos. Como o intuito era identificar obras contemporâneas, foram
considerados as obras que funcionam como centros comunitários por mais que não tivessem essa
TRODUÇÃO
denominação, localizadas em territórios vulneráveis de países em desenvolvimento, publicadas en- tre os anos 2007 e julho de 2017 nas revistas Arquitectura Viva (AVmonografias e AVproyectos que fazem parte da mesma editora), Architectural Record, Summa + e no periódico eletrônico Archdaily.
com, que resultaram na seleção de 102 obras. Na segunda, estas informações encontradas sobre os projetos selecionados foram organizadas por meio de fichas técnicas.
Com base nesse mapeamento inicial, como não foi utilizado a priori um conceito de centro comunitário, foram utilizados os seguintes critérios, para refinar esta seleção:
. Projetos que possuíam a denominação de centro comunitário ou centro social em sua publicação.
. Projetos possuíam um espaço livre multifuncional determinado em projeto para uso da comunidade.
Assim, foram excluídos os projetos que não se adequavam a estes critérios, os projetos localizados em países em desenvolvimento, mas que a vulnerabilidade deste território não pudesse ser comprovada no material encontrado, e edifícios reformados. Restando dezessete obras sele- cionadas: Centro para o Legado da Homeless World Cup, Casa Comunitária Suoi Re Village, Centro Comunitário Ta Phin, Centro comunitário Casa de la lluvia [de ideas], Centro comunitário Las Mar- garitas, Centro comunitário Pumanque, Centro de desenvolvimento comunitário, Bottle Sail, Centro comunitário e escola Legson Kayira, Arena do Morro, Centro comunitário Pani, Casa comunitária Cam Thanh, Residência de artistas e centro comunitário Thread, Re-ainbow, Nam Dam Swallow “Ho- mestay” e Centro Comunitário, Centro comunitário Renascer Chamanga, Pavilhões para Okana.
Na segunda parte, para organizar a informação obtida, foram realizadas fichas destas obras.
Cada uma, conta com uma breve descrição do projeto e de como ele funciona, fotos aéreas em duas
escalas, para que seja possível visualizar os territórios onde os projetos estão inseridos, desenhos
técnicos, para compreensão do funcionamento da edificação, fotos do projeto pra melhor compreen- são e uma ficha técnica.
A ficha técnica possui treze subitens: nome dos arquitetos que conceberam o projeto, locali- zação da obra, ano de execução, área construída, orçamento, patrocinadores, tempo de construção, processo de concepção e execução, programa, sistema construtivo, materiais empregados, recursos de Autossuficiência da edificação e vulnerabilidade do local.
Dentre estes itens, faz-se necessário o esclarecimento de três deles. O processo de concepção e execução se refere, neste trabalho a participação ou não da comunidade nestes dois momentos.
No sistema construtivo, verifica-se o tipo de solução não a forma com que a mesma é executada e no que diz respeito a autossuficiência das edificações, foi apurada a presença ou não de painéis solares e sistema de captação e reuso de águas pluviais.
Por meio destas fichas, obteve-se um panorama geral destas edificações selecionadas permitindo a análise sobre a viabilidade da obra, a construção do edifício e a sobrevivência do mesmo a ser realizada no capítulo seguinte.
O terceiro capítulo, primeiramente se investiga a relação entre as vulnerabilidades do territó- rio, divididas em: ambientais e climáticas e socioeconômicas, e os centros comunitários.
A Vulnerabilidade socioeconômica, além de se referir aos ocupantes destes edifícios, tam- bém está presente em todos os territórios onde estão localizados os projetos estudados e por essa razão será relacionada com os projetos.
A análise das obras levantadas foi dividida em três partes: a Viabilidade, o Edifício e a Sobre- vivência do mesmo.
Na Viabilidade, foi verificada a iniciativa e a forma de captação de recursos, o investimento
financeiro necessário, o tempo e o método de construção e o processo junto à comunidade. Estes
TRODUÇÃO
dados fornecem paramentos para quem deseje construir esse tipo de obra.
No Edifício, foi analisado o programa, a implantação, a organização espacial e os materiais e técnicas construtivas empregadas, de forma com que estes espaços sejam compreendidos desde sua geometria até a sua materialidade.
A Sobrevivência, é onde foram verificadas as estratégias projetuais utilizadas e os recursos para autossuficiência e a administração destas edificações, fatores que garantam o bom funciona- mento do edifício depois de entregue.
Ao comparar e analisar os dados obtidos nas fichas do capítulo anterior, procurou, enxergar
o centro comunitário não só como uma edificação, mas como um processo que vai além da constru-
ção em si, englobando desde a intenção da realização e participação da comunidade, até adminis-
tração do mesmo após a obra estar concluída.
1. DIMENSÕES DO TERRITÓRIO VULNERÁVEL
Atualmente, quase um bilhão de pessoas no mundo vive no chamado território informal em situações precárias e sem infraestrutura básica (UN-HABITAT, 2016). No Brasil, conforme aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no censo de 2010, 27,5% dos domicílios urba- nos não contam com os três serviços básicos de saneamento: conexão à rede de esgoto, coleta de lixo e água encanada. Em 2050, de acordo com a Nova Agenda Urbana da Organização das Nações Unidas (ONU), a população urbana mundial, provavelmente, terá dobrado, agravando ainda mais o complexo desafio de prover condições básicas, como infraestrutura, moradia, saúde e educação (UN-HABITAT, 2016).
Os territórios informais, locais esses que, em nenhum momento receberam uma nomen- clatura específica por parte do IBGE, mas somente um termo genérico - aglomerados subnormais - para defini-los, são espaços não registrados formalmente em termos legais e, consequentemente,
“são ocupados à revelia das leis e das normas urbanísticas estabelecidas para edificação e uso do solo, situação que se agrava pelos processos intensivos de verticalização e densificação” (SOUZA, 2001 p. 63).
Os projetos estudados nesta dissertação estão inseridos nesses territórios, onde “as con- dições básicas de vida digna dos cidadãos e cidadãs são negligenciadas, seja no acesso a servi- ços sociais básicos, seja no acesso aos direitos e à cidadania plena” (PIZZIO; SILVA, 2016, p. 203).
Busca-se, dessa maneira, delinear as noções de território vulnerável, por meio das reflexões de diversos autores, considerando os aspectos geográficos, socioeconômicos e geopolíticos que afetam o espaço físico, exercício fundamental para o entendimento desses tópicos no campo da arquitetura e urbanismo.
Para isso o presente capítulo é dividido em três partes: a primeira visa entender o território
por meio do pensamento geográfico; a segunda aborda os conceitos de vulnerabilidade de acordo
com distintas disciplinas; e a terceira, a partir das duas primeiras, formula um conceito de território
vulnerável a ser considerado neste trabalho.
1.1 Território e a Territorialidade: um espaço socialmente compartilhado
Território2, em seu sentido mais “restrito” como o encontrado, por exemplo, no Dicionário Bra- sileiro de Língua Portuguesa (MICHAELIS, 2018), significa a área política de um município, distrito, estado, país ou continente, sujeita a uma autoridade. Em uma análise etimológica, a palavra território provém de terra-territorium e terreo-territor (terror, aterrorizar), expressando uma “dominação (jurídi- co-política) da terra e com a inspiração do terror, do medo – especialmente para aqueles que, com essa dominação, ficam alijados da terra, ou no “territorium” são impedidos de entrar” (HAESBEAERT, 2004, p.1). A relação de domínio, poder e política se faz presente nos dois casos, entendendo-se poder, não somente no sentido político, mas também no sentido de dominação e apropriação de um espaço socialmente compartilhado.
É no pensamento geográfico, por meio da reflexão de alguns estudiosos sobre o conceito de território e suas múltiplas definições, principalmente a partir da década de 1980, que se busca conceituar o termo neste capítulo. Dentre os autores pioneiros, merecem destaque: Claude Raffestin, Robert Sack e Milton Santos que, como se observa por meio das citações encontradas, parecem ter influenciado outros pesquisadores aqui presentes. Inclui-se nesta lista, também, Manuel Correia Andrade (1995), por intermédio de seu livro intitulado: A questão do território no Brasil.
Não se pode deixar de levar em conta o trabalho de dois importantes grupos de pesquisa e debate coletivo sobre o tema: o GETERR (Grupo de Estudos Territoriais) e o GAsPERR (Grupo de Pesquisa, Produção do Espaço e Redefinições Regionais). Os dois grupos são aqui representados por Marco Aurélio Saquet (GETERR) e por Eliseu Savério Sposito (GAsPERR). Juntos, no livro intitu- lado Territórios e Territorialidades: Teorias, Processos e Conflitos (2009), convidam para o debate os autores Claude Raffestin, Rogerio Haesbaert, Marcelo Lopes de Souza (entre outros), cujas teorias
2 Buscou-se compreender o conceito de Território a partir das definições existentes em dicionários específicos para a
área de Arquitetura e Urbanismo. No entanto, nas publicações consultadas (LEMOS; CORONA, 1972; ALBERNAZ; LIMA,
2003 ), não consta a palavra território, apenas terreno.
1. DIMENSÕES DO TERRITÓRIO VULNERÁVEL
proporcionam a compreensão e definição do conceito de território.3
Milton Santos não utiliza como categoria de análise o território em sentido amplo, mas sim o território usado, termo utilizado como sinônimo de espaço geográfico. No artigo O papel ativo da geografia: um manifesto, ele afirma:
Uma perspectiva do território usado conduz à ideia de espaço banal, o espaço de todos, todo o espaço. Trata-se do espaço de todos os homens, não importa suas diferenças; o espaço de todas as instituições, não importa a sua força; o espaço de todas as empresas, não importa o seu poder. Esse é o espaço de todas as di- mensões do acontecer, de todas as determinações da totalidade social (SANTOS, 2000, p. 104).
A partir dessa perspectiva, enxergando o território (espaço de todos) como território usado ou espaço banal, o objetivo aqui é construir um conceito de território, lembrando o que nos interessa neste estudo: não o território em si, mas aquele entendido como vulnerável.
Segundo Claude Raffestin (1993, p. 143) o território é construído por um “autor” a partir da realização de uma ação, que “ao se apropriar de um espaço, concreta ou abstratamente, [...] “terri- torializa” o espaço”. Portanto, “o território se apoia no espaço, mas não é o espaço. É uma produção a partir do espaço” (op. cit., p.144). Ao ser representado, geralmente por meio do sistema topográfi- co, o espaço é apropriado, sofre a ação de um ator e se torna território visto ou vivido.
Ainda de acordo com o autor supracitado, o território vivido é construído pelo poder4 e se
3 O texto apresentado neste capítulo foi estruturado a partir da leitura do artigo: de BORDO, et. al.,. 2004.
4 De acordo com Claude Raffestin (1993, p. 53): “Numa tentativa de precisar o poder, Foucault (1976), p. 123-127). fez
uma série de proposições. Elas não o definem, mas são mais importantes que uma definição uma vez que visam a natu-
reza do poder. "1. O poder não se adquire; é exercido a partir de inumeráveis pontos; 2. As relações de poder não estão em
posição de exterioridade no que diz respeito a outros tipos de relações (econômicas, sociais etc.), mas são imanentes
a elas; 3. 0 poder vem de baixo; não há uma oposição binária e global entre dominador e dominados; 4. As relações de
poder são, concomitantemente, intencionais e não subjetivas; 5. Onde há poder há resistência e no entanto, ou por isso
mesmo, esta jamais está em posição de exterioridade em relação ao poder.” (RAFFESTIN, 1993, p. 53).
constitui por malhas que delimitam os campos operatórios, nós e redes, onde indivíduos ou gru- pos, distribuídos de forma aleatória, ocupam pontos e proporcionam diferentes formas de interação:
política, econômica, social e cultural. Assim, os procedimentos e os “atores” devem ser sempre le- vados em conta, visto que o espaço termina por constituir o território, quando apropriado de forma concreta ou abstrata, por um ou mais atores que adaptam as necessidades de uma comunidade ou sociedade às condições daquele espaço (RAFFESTIN, 1993).
A relação de limite, controle e poder é intrínseca não só à rede, mas também na malha que pode vir a ser construída por meio dessa. Como visto no título do livro, Por uma geografia do Poder, para Claude Raffestin (1993) as relações de poder são o eixo central para a caracterização do ter- ritório, desde a planificação e a representação do espaço geográfico na cartografia, usada como instrumento de poder, até nos processos e vínculos estabelecidos pelos “atores” que, para o autor, precisam ser consideradas nos estudos territoriais.
Essa característica de controle e poder também está presente no pensamento de Robert Sack (1986), que acredita que tais relações sejam fundamentais para a comunicação e o convívio so- cial. O autor destaca que o território e a territorialidade podem se dar em diversas escalas, podendo variar desde um objeto ou ambiente até um Estado-Nação. Pode-se, portanto, afirmar que existem territórios dentro dos territórios e, assim, mais adiante, considerar o centro comunitário como um território dentro do território vulnerável.
Segundo Marco Aurélio Saquet e Eliseu Sposito (2009, p. 86):
A territorialidade corresponde às ações humanas, ou seja, à tentativa de um in-
divíduo ou grupo para controlar, influenciar ou afetar objetos, pessoas e relações
numa área delimitada. Esta área é o território e, para Robert Sack, pode acontecer
que ocorra o não-território, onde não há delimitação e efetivação de relações de
controle e influência por certa autoridade.
TERRITÓRIO VULNERÁVEL
Manuel Correia Andrade (1995), na sua obra intitulada A questão do território no Brasil, ao distinguir o espaço geográfico de território, segue a mesma abordagem política de Claude Raffestin e Robert Sack:
O conceito de território não deve ser confundido com o de espaço ou de lugar, estando muito ligado à idéia [sic] de domínio ou de gestão de uma determinada área. Deste modo, o território está associado à idéia [sic] de poder, de controle, quer se faça referência ao poder público, estatal, quer ao poder das grandes empresas que estendem os seus tentáculos por grandes áreas territoriais, ignorando as frontei- ras políticas (ANDRADE, 1995, p. 19 apud BORDO, 2004, p. 5).
Para Manuel Correia Andrade (1995 apud BORDO et al., 2004) as relações econômicas como a produção e o comércio, ao se fazerem presentes, também são relevantes para a distinção do espa- ço geográfico e território. Assim como para Claude Raffestin (1993) e Manuel Andrade (1995), o tra- balho e as relações de oferta e procura são significativas para a constituição do território. De acordo com Robert Saquet (2007), além das relações políticas e econômicas presentes no pensamento dos dois autores citados, encontra-se também a dimensão cultural na efetivação do território.
Forças econômicas, políticas e culturais reciprocamente relacionadas e em uni- dade, efetivam o território, o processo social no e com o espaço geográfico, cen- trado e emanado na e da territorialidade cotidiana dos indivíduos, em diferentes centralidades, temporalidades e territorialidades. Os processos sociais e naturais, e mesmo o nosso pensamento, efetivam‐se na e com a territorialidade cotidiana.
(SAQUET, 2007, p. 57).
A definição de território, como espaço onde existe uma relação de poder, e a dimensão polí-
tica que isso acarreta são aspectos indiscutíveis para Marcelo Lopes de Souza (1995), mas isso não
implica a relevância de fatores culturais e econômicos nessa questão. Assim ele define território:
[…] fundamentalmente um espaço definido e delimitado por e a partir de relações de poder. A questão primordial, aqui, não é, na realidade, quais são as caracterís- ticas geoecológicas e os recursos naturais de uma certa área, o que se produz ou quem produz em um dado espaço, ou ainda quais as ligações afetivas e de iden- tidade entre um grupo social e seu espaço. Estes aspectos podem ser de crucial importância para a compreensão da gênese de um território ou do interesse por tomá-lo ou mantê-lo […], mas o verdadeiro Leitmotiv é o seguinte: quem domina ou influência e como domina ou influência esse espaço? Este Leitmotiv traz em- butida, ao menos de um ponto de vista não interessado em escamotear conflitos e contradições sociais, a seguinte questão inseparável, uma vez que o território é essencialmente um instrumento de exercício de poder: quem domina ou influência quem nesse espaço, e como? (SOUZA, 2009, p. 59).
Rogério Haesbaert e Ester Limonad (2007) consideram o território uma composição social e histórica, baseada nas relações de poder, e onde existem duas dimensões: uma subjetiva de apro- priação e identidade e uma objetiva de dominação do espaço por meio de ferramentas de ação político-econômica. Como em Marcelo Souza (1995), para os autores supracitados identificar quem domina, a influência e as relações de identidade são importantes aspectos para a compreensão do território.
Levando-se em conta a distinção do espaço geográfico e território, Rogério Haesbaert e Ester Limonad (2007) dividem as abordagens conceituais de território, conforme tabela 1, em três verten- tes: jurídico-política, cultural(ista) e econômica.
Conforme se observa na tabela 1, as relações sociais são a base da tríade proposta, na qual a
dimensão jurídico-política está relacionada às relações de poder e controle de um espaço delimitado
às relações de apropriação e identidade, no aspecto culturalista, e às relações de capital-trabalho,
no aspecto econômico.
TERRITÓRIO VULNERÁVEL Tabela 1 - As abordagens conceituais de território em três vertentes básicas
Fonte: Haesbaert; Limonad (2007, p. 45).
Seguindo esse raciocínio, portanto, e trazendo o conceito de Milton Santos de território como território usado, tecemos o panorama inicial para uma definição mais apropriada do que é territó- rio. Considerando-se que o intuito desse capítulo é a caracterização do território vulnerável, como eixo central estão as relações sociais que, ora podem unir-se às culturais, ora às econômicas. Além desses aspectos, para nós arquitetos, é extremamente relevante a geografia física que também fará parte das ferramentas de análise para identificação desse território.
Tendo em vista as relações sociais, compreende-se que os habitantes desses territórios tam- bém exercem um papel central nessa equação, porque sem eles, o território – como entendemos – deixaria de existir. As distintas ações exercidas, pessoais ou de trabalho, constroem esse território, a partir do espaço geográfico, que se constitui em território ao servir de palco para essas interações e ações. Tal dinâmica cria naquele espaço a territorialidade que
Pode vir a ser encarada tanto como o que se encontra no território, estando sujeito à sua gestão, como, ao mesmo tempo, o processo subjetivo de conscientização da população de fazer parte de um território, de integrar-se em um Estado (ANDRADE, 1995, p. 19 apud BORDO et al., 2004, p. 5).
À exemplo de Edward Soja (1971), Claude Raffestin (1993, p. 159) define a territorialidade como:
[...] um fenômeno de comportamento associado à organização do espaço em esfe- ras de influência ou em territórios nitidamente diferenciados, considerados distintos e exclusivos, ao menos parcialmente, por seus ocupantes ou pelos que os definem.
O autor ainda adiciona à relação o fator tempo, ao acreditar que essas associações acon-
tecem em um sistema tridimensional sociedade-espaço-tempo. Para ele é impossível manter uma
relação que não seja marcada pelo poder e revela a territorialidade como a “face vivida” da “face
agida” desse poder, que só se torna possível pela “apreensão das relações reais recolocadas no seu
contexto sócio histórico e espaço-temporal” (RAFFESTIN, 1993, p. 162).
TERRITÓRIO VULNERÁVEL
A territorialidade efetiva-se em todas as nossas relações cotidianas, ou melhor, ela corresponde às nossas relações sociais cotidianas em tramas, no trabalho, na fa- mília, na rua, na praça, na igreja, no trem, na rodoviária, enfim, na cidade-urbano, no rural agrário e nas relações urbano-rurais de maneira múltipla e híbrida (SAQUET, 2009, p. 90).
Para Manuel Correia Andrade (1995, p. 20): “a formação de um território dá às pessoas que nele habitam a consciência de sua participação, provocando o sentido da territorialidade que, de forma subjetiva, cria uma consciência de confraternização entre elas”. Nesta perspectiva, uma região ou bairro podem ser territórios, para Marcelo Souza (2001, p. 11 apud BORDO et al., 2004, p.
4): “todo espaço definido e delimitado por e a partir de relações de poder é um território, do quartei- rão aterrorizado por uma gangue de jovens até o bloco constituído pelos países membros da OTAN”.
A partir das definições expostas acima, a manifestação das pessoas, a forma como se com- portam entre si e em relação ao espaço, cujas “espacialidades singulares são resultado das articu- lações entre a sociedade, o espaço e a natureza” (BORDO et al., 2004, p. 7), territorializam o mes- mo. Ainda, para Marco Aurélio Saquet e Eliseu Sposito (2009, p. 11), a “territorialidade, que designa a qualidade que o território ganha de acordo com a sua utilização ou apreensão pelo ser humano”.
1.2 Vulnerabilidade: da pobreza à problemática ambiental
O conceito de vulnerabilidade, principalmente desde a década de 1980, vem sendo discutido em diferentes disciplinas, como a geografia, a demografia, a sociologia, a assistência social, entre outras e, portanto, seu significado pode variar de acordo com a disciplina. Como o objetivo dessa pesquisa é usar o termo relacionado ao território, pretende-se buscar definições que possam ser aplicadas a essa modalidade e intervenções que tornam esse “território” vulnerável.
De início, utiliza-se a tabela criada pela geógrafa Susan Cutter (1996), Tabela 2, que em seu
artigo Vulnerability to Environmental Hazards, reúne de forma cronológica uma série de definições de vulnerabilidade conforme tabela 2 abaixo. Para Cutter (2011, p. 60):
A vulnerabilidade, numa definição lata, é o potencial para a perda. A vulnerabilidade in- clui quer elementos de exposição ao risco (as circunstâncias que colocam as pessoas e as localidades em risco perante um determinado perigo), quer de propensão (as circunstâncias que aumentam ou reduzem a capacidade da população, da infraestru- tura ou dos sistemas físicos para responder a se recuperar de ameaças ambientais).
Ano Autor Definição
1980 Gabor e Griffith Vulnerability is the threat (to hazardous materials) to which people are exposed (including chemical agents and the ecological situation of the communities and their level of emergen- cy preparedness). Vulnerability is the risk context.
1981 Timmerman Vulnerability is the degree to which a system acts adversely to the occurrence of a hazardous event. The degree and quality of the adverse reaction are conditioned by a system’s resilience (a measure of the system’s capacity to absorb and recover from the event).
1982 Undro Vulnerability is the degree of loss to a given element or set of elements at risk resulting from the occurrence of a natural phenomenon of a given magnitude.
1984 Susman et al. Vulnerability is the degree to which different classes of society are differentially at risk.
1985 Kates Vulnerability is the “capacity to suffer harm and react adverserly”.
1985 Pijawka e Radwan
Vulnerability is the threat or interaction between risk and preparedness. It is the degree to which hazardous materials threaten a particular population (risk) and the capacity of the community to reduce the risk or adverse consequences of hazardous materials releases.
1989 Bogard Vulnerability is operationally defined as the inability to take effective measures to insure against losses. When applied to individuals, vulnerability is a consequence of the impossibili- ty or improbability of effective mitigation and is a function of our ability to select the hazards.
1989 Mitchell Vulnerability is the potential for loss.
1990 Liverman
Distinguishes between vulnerability as a biophysical condition and vulnerability as defined by political, social and economic conditions of society. She argues for
vulnerability in geographic space (where vulnerable people and places are located) and vul-
nerability in social space (who in that place is vulnerable).
TERRITÓRIO VULNERÁVEL
Ano Autor Definição
1991 Downing Vulnerability has three connotations: it refers to a consequence (e.g., famine) rather than a cause (e.g., are vulnerable to hunger); and it is a relative term that differentiates among so- cioeconomic groups or regions, rather than an absolute measure of deprivation.
1992 Dow Vulnerability is the differential capacity of groups and individuals to deal with hazards, based on their positions with hazards, based on their positions within physical and social worlds.
1992 Smith Risk from a specific hazard varies through time and according to changes in either (or both) physical exposure or human vulnerability (the breadth of social and economic tolerance avail- able at the same site).
1993 Alexander Human vulnerability is a function of the costs and benefits of inhabiting areas at risk from natural disasters.
1993 Cutter Vulnerability is the likelihood that an individual or group will be exposed to and adversely affected by a hazard. It is the interaction of the hazards of place (risk and mitigation) with the social profile of communities.
1993 Watts e Bohle
Vulnerability is defined in terms of exposure, capacity and potentiality. Accordingly, the pre- scriptive and normative response to vulnerability is to reduce exposure, enhance coping ca- pacity, strengthen recovery potential and bolster damage control (i.e., minimize destructive consequences) via private and public means.
1994 Blaikie et al
By vulnerability we mean the characteristics of a person or group in terms of their capacity to anticipate, cope with, resist, and recover from the impact of a natural hazard. It involves a combination of factors that determine the degree to which someone’s life and livelihood is put at risk by a discrete and identifiable event in nature or in society.
1994 Bohle et al
Vulnerability is best defined as an aggregate measure of human welfare that integrates en- vironmental, social, economic and political exposure to a range of potential harmful per- turbations. Vulnerability is a multilayered and multidimensional social space defined by the determinate, political, economic and institutional capabilities of people in specific places at specific times.
1995 Dow e Downing
Vulnerability is the differential susceptibility of circumstances contributing to vulnerability.
Biophysical, demographic, economic, social and technological factors such as populations ages, economic dependency, racism and age of infrastructure are some factors which have been examined in association with natural hazards.
Tabela 2 - Definições de vulnerabilidade organizadas cronologicamente Fonte: Cutter (1996, p.531-32), adaptada pela autora.