Perdas de Grãos na
Colheita de Soja
SERVIÇO NACIONAL DE
APRENDIZAGEM RURAL
Empresa Paranaense de
Assistência Técnica e
Extensão Rural
Curso de atualização da Assistência Técnica e relação com o Cooperado, 27 a 31 de março de 2017.
José Miguel Silveira
Manejo da Cultura/Mecanização - Embrapa Soja
Introdução:
“O desconhecimento ou a não utilização de um método prático, simples e eficiente para a verificação das perdas e/ou dos desperdícios de grãos na colheita mecanizada de soja têm reduzido os ganhos do produtor rural.
A determinação das perdas pelo método do copo medidor desenvolvido pela Embrapa Soja possibilita um monitoramento rápido do processo de colheita, de modo a ajustá-las dentro do nível de tolerância de 60 kg por hectare.”
(Silveira e Conte, 2013).
“Quem não sabe quanto perde, não $abe quanto ganha.”
Cézar de Mello Mesquita
Entidades envolvidas no Programa de Perdas na Colheita de Soja
CULTURA COLHEDORA
HOMEM Embrapa Soja
EMATER-PR
SENAR
Embrapa:
divulgando a Metodologia do Copo Medidor;
aperfeiçoando e pesquisando Técnicas para a determinação das perdas e dos desperdícios de grãos na colheita de soja.
Instituto EMATER-PR:
Realizando Campanhas/Concursos de redução de perdas na colheita de soja com operadores de colhedoras;
Promovendo Diagnósticos em municípios e regiões que ainda não realizam o monitoramento da colheita.
SENAR:
Capacitando produtores e técnicos quanto a operação da colhedora, buscando o melhor desempenho no seu
funcionamento e a na sua manutenção.
Como se dá a participação de cada Instituição no Programa de Perdas na Colheita de Soja:
soja
operadores
colhedora
“Em todo processo de colheita
de espécies vegetais com a
utilização de equipamentos
mecanizados haverá uma maior
ou menor perda de produto,
devido às naturezas constitutivas
tanto da planta quanto da
máquina (Balastreire, 1987).
A soja e a colheita
A soja cultivada (Glycine max (L.) Merrill) é uma planta herbácea de desenvolvimento rápido (100 a 150 dias para o ciclo completo) (Gazzoni, 1995).
O fruto da soja é do tipo legume, comumente chamado de vagem (Miyasaka e Medina, 1981);
na maturação, seu cumprimento varia de 2 a 7 cm e sua largura de 1 a 2 cm.
O grão tem a forma esférica, às
vezes um pouco alongada ou
ovalada; a média do peso de 100
grãos situa-se entre 10 e 20 g, mas
pode chegar a 40 g.
A soja e as perdas na colheita
Plantas acamadas;
Plantas que se enroscam no molinete;
Plantas cortadas que se amontoam na barra de corte;
Plantas arrancadas ou cortadas irregularmente.
Vagens que caem na frente da barra de corte;
Vagens não trilhadas caindo do saca palhas e das peneiras.
Grãos no solo em pré colheita;
Grãos não recolhidos pela colhedora (soltos e em vagens);
Grãos quebrados em excesso;
Grãos perdidos pelas peneiras.
Histórico:
1. “Perda de soja na colheita mecânica”, 1ª Reunião Conjunta de Pesquisa de Soja, em Passo Fundo (RS). 1973. Amélio Dall’Agnol, Chien Liang Pan, Emídio Rizzo Bonato e José Alberto Velloso.
MATERIAL E MÉTODOS:
• 8 locais (Coronel Bicaco, Ijuí, Tapera, Lagoa Vermelha, Santa Bárbara do Sul, Erexim, Carazinho e Cruz Alta)
• 4 lavouras por local
• 2 variedades: 1 ciclo curto e 1 ciclo longo
• 2 épocas de plantio: novembro (normal) e dezembro (tardia)
• Área de amostragem: 1,0 m 2 .
RESULTADOS ESTIMADOS:
• Produtividade ensaios: Bragg (4.315 kg/ha) e Bossier (1.174 kg/ha)
• Produtividade média: 2.745 kg/ha = 46 scs/ha = 111 scs/alq.
• Perda média: 9% a 12%.
Safra 1972/1973:
Perda na colheita variando de 4,1 a 5,5 sacos/ha.
Histórico:
Início dos estudos de perdas na colheita:
- BYE e JOHNSON, 1970. Reducing soybean harvest losses. Ohio, EUA.
- NAVE, 1972. Combine headers for soybean. ASAE, EUA.
- NAVE et al., 1973. Soybean harvesting. Urbana, University of Illinois, EUA.
Estudos e informes sequenciais:
- QUEIROZ et al., 1978. Recomendações técnicas para a colheita da soja.
Londrina, CNPSoja/Embrapa Soja, Brasil.
- MESQUITA et al., 1979. Influência dos mecanismos das colheitadeiras e do manejo da lavoura de soja sobre as perdas na colheita e qualidade das sementes. Campina Grande, CBEA, Brasil.
- MESQUITA e HANNA, 1979. Belt conveyor system to reduce soybean harvest gathering loses. A.S.A.E., EUA.
- COSTA, 1979. Avaliação das perdas e qualidade de sementes. Brasília, Brasil.
- FAGUNDES, 1981. Colheita: avaliação das perdas e danos na colheita mecânica. Campinas, ITAL, Brasil.
- HADLICH et al., 1982. Não perca soja na colheita. Curitiba, ACARPA, Brasil.
Trabalhos clássicos
Histórico:
Trabalho original do copo medidor
de perda na colheita
Histórico:
2. “Medidor de perdas na colheita de soja e trigo”, 1982.
Mesquita e Gaudêncio, 1982. Comunicado Técnico nº 15, setembro. 8 p.
• I - Método Tradicional: sequência de regras de três.
- área conhecida - catação de grãos
- contagem dos grãos
- conversão para nº grãos/ha
- conversão para peso grãos/ha, com determinado peso médio de 100 grãos.
EXEMPLO I:
37,5 grãos numa área de 1,0 m 2 e peso de 16 g /100 grãos.
Cálculos:
• (37,5 x 10.000 m 2 )/1,0 m 2 = 375.000 grãos/ha
• (375.000x16)/100 = 60.000 g/ha = 60 kg/ha = 1 sc/ha = 2,4 scs/alq
• Fc 1 : 37,5 x 1,6 = 60 kg/ha
• Fc 2 : 37,5 x 0,0267 = 1 sc/ha
• II - Método Simplificado: fórmula
PC = (NxP) / (Sx600)
, onde - PC é a perda total de grãos (em sacos/ha)
- N representa o número de grãos coletados no interior da armação - P significa o peso de 100 grãos (em gramas)
- S equivale à área de coleta (m 2 )
- catação de grãos
- contagem dos grãos
EXEMPLO II:
37,5 grãos numa área de 1,0 m 2 e peso de 16 g /100 grãos.
Cálculos:
• PC = ( N x P ) / (S x 600 )
• PC = (37,5 x 16) / (1,0 x 600)
• ( 600 ) / ( 600 ) = 1 saco / ha = 2,4 sacos / alqueire
Grãos
(nº) (scs/ha) (kg/ha)
1 0,01 0,8
2 0,03 1,6
3 0,04 2,4
4 0,05 3,2
5 0,07 4,0
6 0,08 4,8
7 0,09 5,6
8 0,11 6,4
9 0,12 7,2
10 0,13 8,0
Perda Grãos
(nº) (scs/ha) (kg/ha)
11 0,15 8,8
12 0,16 9,6
13 0,17 10,4
14 0,19 11,2
15 0,20 12,0
16 0,21 12,8
17 0,23 13,6
18 0,24 14,4
19 0,25 15,2
20 0,27 16,0
Perda Grãos
(nº) (scs/ha) (kg/ha)
21 0,28 16,8
22 0,29 17,6
23 0,31 18,4
24 0,32 19,2
25 0,33 20,0
26 0,35 20,7
27 0,36 21,5
28 0,37 22,3
29 0,39 23,1
30 0,40 23,9
Perda Grãos
(nº) (scs/ha) (kg/ha)
31 0,41 24,7
32 0,43 25,5
33 0,44 26,3
34 0,45 27,1
35 0,47 27,9
36 0,48 28,7
37 0,49 29,5
38 0,51 30,3
39 0,52 31,1
40 0,53 31,9
Perda
Grãos
(nº) (scs/ha) (kg/ha)
41 0,55 32,7
42 0,56 33,5
43 0,57 34,3
44 0,59 35,1
45 0,60 35,9
46 0,61 36,7
47 0,63 37,5
48 0,64 38,3
49 0,65 39,1
50 0,67 39,9
Perda Grãos
(nº) (scs/ha) (kg/ha)
51 0,68 40,7
52 0,69 41,5
53 0,70 42,3
54 0,72 43,1
55 0,73 43,9
56 0,74 44,7
57 0,76 45,5
58 0,77 46,3
59 0,78 47,1
60 0,80 47,9
Perda Grãos
(nº) (scs/ha) (kg/ha)
61 0,81 48,7
62 0,82 49,5
63 0,84 50,3
64 0,85 51,1
65 0,86 51,9
66 0,88 52,7
67 0,89 53,5
68 0,90 54,3
69 0,92 55,1
70 0,93 55,9
Perda Grãos
(nº) (scs/ha) (kg/ha)
71 0,94 56,7
72 0,96 57,5
73 0,97 58,3
74 0,98 59,1
75 1,00 59,9
76 1,01 60,6
77 1,02 61,4
78 1,04 62,2
79 1,05 63,0
80 1,06 63,8
Perda
• III - Método: tabela de perdas para armação de 2,0 m 2 .
37,5 0,5 30
- contagem dos grãos
• Método volumétrico de estimativa de perdas.
2. “Medidor de perdas na colheita de soja e trigo”, 1982.
Mesquita e Gaudêncio, 1982. Comunicado Técnico nº 15, setembro. 8 p.
- Objetivo: eliminar a contagem de grãos no processo de avaliação de perdas.
PESO X VOLUME
Peso = 0,7 x Volume
- Uma tabela, a ser impressa num recipiente medidor, indica as perdas de soja em sacos por hectare, sendo os valores estimados pela fórmula:
Perdas (em sacos / ha) = V x D / A x 6 Perdas (em sacos / ha) = V x D / A x 6 onde,
Volume = é o volume de sementes medidos no recipiente em cm 3 Densidade = é a densidade aparente da soja
Área = é a área da armação em m 2
Copo medidor de perdas de grãos na colheita de soja
Nível de tolerância
Desperdício
• Método Volumétrico de estimativa de perdas.
- área conhecida de 2,0 m 2 (armação padrão: 0,5 m x 4,0 m) - coleta (catação) de grãos
- leitura direta em escala de perdas e/ou desperdícios.
Passo a passo da determinação das perdas totais de grãos na colheita de soja com o uso do copo medidor da Embrapa:
Após a passagem da colhedora, colocar a armação de 2,0 m 2
Fixar bem a armação para evitar variação na amostragem
Coletar todos os grãos soltos e que estão dentro de vagens
Depositar no copo medidor
Fazer a leitura das perdas e/ou dos desperdícios pontuais:
Até 1,0 saco/ha = a colheita segue sem interrupção...
Acima de 1,0 saco/há = a colheita é interrompida para a identificação do (s)
problema (s), sua (s) causa (s) e possíveis) soluções.
Diagnóstico preliminar de perdas de grãos na colheita de soja em Campo Novo do Parecis (MT) na safra 2015/2016
- José Miguel Silveira, pesquisador Manejo/Mecanização / Embrapa Soja.
- Eliseu Custódio de Souza, assistente de pesquisa Manejo/Mecanização / Embrapa Soja.
- Maria Cristina Neves de Oliveira, pesquisadora Biometria / Embrapa Soja.
- Sérgio Stefanelo, produtor Fazendas / Porta do Céu e Sudoeste.
- Dilceu Jaskulski, técnico agrícola / Fazenda Sudoeste.
- Helton Gurski, operador de colhedora / Fazenda Sudoeste.
- Fábio Júnior de Souza, operador de colhedora / Fazenda Sudoeste.
- Felipe Matias, operador de colhedora / Fazenda Sudoeste.
- Valdir Sehn, operador de colhedora / Fazenda Sudoeste.
- Maurício Fungetta, operário rural / Fazenda Sudoeste.
- Rafael Ribeiro , operário rural / Fazenda Sudoeste.
- Valdocir Batista de Oliveira , operário rural / Fazenda Sudoeste.
- Edson Santos, operário rural / Fazenda Sudoeste.
- Alexandre Roberto dos Santos, gerente / Fazenda Graciosa.
- Ivan Biezus, técnico agrícola / Fazenda Graciosa.
- Flávio Dalchiavon, professor Fitotecnia / Instituto Federal do Mato Grosso.
- Elda Cristina Biezus, estudante Agronomia / Instituto Federal do Mato Grosso.
- Ivan Luiz Biezus Jr., estudante Agronomia / Instituto Federal do Mato Grosso.
- Diego Machado, estudante Agronomia / Instituto Federal do Mato Grosso.
- Rosivaldo Hiolanda, estudante Agronomia / Instituto Federal do Mato Grosso.
- Victor Hugo dos Santos Oliveira, estudante Agronomia / Instituto Federal do Mato Grosso.
- Dyemydym Branco Vieira, estudante Agronomia / Instituto Federal do Mato Grosso.
- Elisandro Jaskulski, estudante Agronomia / Instituto Federal do Mato Grosso.
- Anderson Morais Kimecz, estudante Agronomia / Instituto Federal do Mato Grosso.
Reunião Nacional de Pesquisa de Soja – Londrina (PR), 5 e 6 de Julho de 2016.
Instituições contatadas para trabalhos futuros de perdas na colheita:
- Instituto Mato-grossense do Algodão - IMA (Estação experimental de Campo Novo do Parecis, MT).
- Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - SENAR/MT (regional de Campo Novo do Parecis, MT).
- Sindicato Rural do município de Campo Novo do Parecis, MT).
Reunião Nacional de Pesquisa de Soja – Londrina (PR), 5 e 6 de Julho de 2016.
IFMT
Fazenda Sudoeste Fazenda
Porta do Céu Fazenda Graciosa
Fazenda Pirâmide
Área de abrangência das atividades na safra 2015/2016:
Ampliação de diagnóstico para as próximas safras de soja:
Reunião Nacional de Pesquisa de Soja – Londrina (PR), 5 e 6 de Julho de 2016.
Figura 1: Agrupamento das 187 amostras de perdas totais de grãos de soja.
16,6%
26,7%
56,7%
0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4
1 4 7 10 13 16 19 22 25 28 31 34 37 40 43 46 49 52 55 58 61 64 67 70 73 76 79 82 85 88 91 94 97 10 0 10 3 10 6
0,1 ≤ perda ≤ 0,5 0,5 < perda ≤ 1,0
perda > 1,0
nível de tolerância Embrapa
Perdas (scs. 60 kg/ha)
Amostras
Resultados e Discussão:
Resultados e Discussão:
Reunião Nacional de Pesquisa de Soja – Londrina (PR), 5 e 6 de Julho de 2016.
Tabela 1.Valores médios de perdas na colheita de soja (em sacas de 60 kg/ha) de 187 amostras individuais coletadas de 16 colhedoras em propriedades rurais do município de Campo Novo do Parecis (MT), na safra 2015/2016.
Local (Fazenda) Colhedora Perdas
1Médias Amostras
scs/ha. kg
Porta do Céu 1
C1 2,7 b 162 1,7
5 C2 1,3 a 78 5 C3 1,2 a 72 5 Graciosa C5 1,7 b 102
1,1 5
C4 0,5 a 30 5 Porta do Céu 2
C8 1,1 b 66 0,8
5 C7 0,9 b 54 5 C6 0,4 a 24 5
Sudoeste
C12 1,2 c 72
0,5
15 C13 0,7 b 42 15 C11 0,7 b 42 10 C10 0,5 ab 30 15 C9 0,5 ab 30 7 C15 0,4 ab 24 30 C16 0,4 ab 24 35 C14 0,3 a 18 20
Médias 0,9 54 0,9 187
Conclusões:
Reunião Nacional de Pesquisa de Soja – Londrina (PR), 5 e 6 de Julho de 2016.
- o diagnóstico preliminar indica que as perdas médias em Campo Novo do Parecis (MT) na safra 2015/2016 foram elevadas, em se considerando o nível aceitável (ou de tolerância) de 0,5 saco (30 kg) de perdas de grãos por hectare na colheita de soja verificadas nas condições deste trabalho.
- as perdas poderão ser diminuídas com treinamento antecipado e específico para a colheita de soja dos operadores.
- os desperdícios poderão ser evitados pelo monitoramento do
processo de colheita e aferição pelo método do copo medidor
da Embrapa.
Reunião Nacional de Pesquisa de Soja – Londrina (PR), 5 e 6 de Julho de 2016.