PROVA TIPO FRASE:
A bondade deve estar ligada ao saber - CONCURSO PGE - AL
QUESTÕES 27 e 28, 31 a 34 - Direito Coletivo do Trabalho e Individual do Trabalho
Prof. Maria Rafaela
QUESTÃO NÚMERO: 27 GABARITO PRELIMINAR: E
COMENTÁRIO: A estabilidade da CIPA é inerente ao seu cargo, não representando uma vantagem pessoal do trabalhador. Por isso, se o estabelecimento para o qual o empregado foi eleito se extinguir, ele automaticamente perderá o direito à estabilidade, podendo ser demitido sem justa causa (súmula 339, II do TST). A alternativa A está incorreta, pois a estabilidade alcançla titulares e suplentes. A altermativa B está incorreta, haja vista que a estabilidade ou garantia provisória no emprego não é inerente à pessoa, mas sim ao cargo desempenhado. A alternativa C está incorreta, na medida em que a estabilidade é conferida ao suplente de forma imediata, independentemente de tomar posse ou não no cargo. A alternativa D está incorreta, pois a questão do cipeiro não confere uma garantia provisória absoluta, tendo em vista que a própria CLT estipula que observou que o fechamento da unidade para a qual o empregado fora contratado e eleito para a Cipa inviabiliza a sua ação fiscalizadora e educativa e é motivo hábil para fundamentar sua dispensa sem que isso configure afronta ao direito à estabilidade, nos termos da Súmula 339 do TST. Esse, inclusive, é o entendimento recente do TST.
QUESTÃO NÚMERO: 28 GABARITO PRELIMINAR: C
COMENTÁRIO: A questão invoca a aplicação de súmula do TST: SÚMULA Nº 354 GORJETAS. NATUREZA JURÍDICA. REPERCUSSÕES As gorjetas, cobradas pelo empregador na nota de serviço ou oferecidas espontaneamente pelos clientes, integram a remuneração do empregado, não servindo de base de cálculo para as parcelas de aviso-prévio, adicional noturno, horas extras e repouso semanal remunerado. Com o teor dessa súmula, a alternativa A está errada. No mesmo sentido, torna a alternativa E incorreta, razão pela qual já se eliminam duas alternativas. Invoca-se outra súmula do TST:
SÚMULA Nº 367 UTILIDADES "IN NATURA". HABITAÇÃO. ENERGIA ELÉTRICA. VEÍCULO. CIGARRO. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO I - A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. II - O cigarro não se considera salário utilidade em face de sua nocividade à saúde. No caso da súmula acima, já torna
incorreta a alternativa B e D. Logo, somente a alternativa C se encaixa no teor da súmula.
QUESTÃO NÚMERO: 31 GABARITO PRELIMINAR: B
COMENTÁRIO: Trata-se de situação de justa causa, na medida em que houve alerta reiterado do empregador, bem como se tratava de instrumento essencial para o trabalhador exercer a função pela qual foi contratado. A inércia caracteriza a desídia. Sendo assim, a alternativa B é a que mais se aproxima da resposta correta. A alternativa A está errada, na medida em que o comportamento do trabalhador já teve a advertência por quatro vezes, não se admitindo uma quinta alerta. Logo, não prospera. A altemativa C não foi correta também, pois não há obrigação do empregador em desviar a função, até mesmo porque é obrigação do empregado ter a habilitação para a função pela qual foi contratado. A alternativa D não prospera, pois existe sim a possibilidade de justa causa por desídia. No caso da alternativa E também está incorreta, pois afronta a súmula do TST sobre as verbas na dispensa por justa causa, qual seja, de acordo com a Súmula 171 do TST, as férias proporcionais não são devidas no caso de dispensa por justa causa.
QUESTÃO NÚMERO: 32 GABARITO PRELIMINAR: D
COMENTÁRIO: Ha entendimento no TST afirmando que, muito embora, seja possível garantia provisória no emprego seja na iniciativa pública ou privada, afasta-se tal direito quando o caso é de cargo comissionado ou de confiança pela sua natureza precária e pelo teor do disposto no artigo 37, II da CF/88 que exige concurso público para cargos efetivos. Logo, a alternativa A já se encontra incorreta. É a mesma sorte das demais alternativas, salvo da D, diante do entendimento explanado pelo TST. Então, tem-se que o TST decidiu caso parecido da questão de prova narrada conforme notícia a seguir, concluindo que não existe direito à reintegração ou estabilidade quando se trata de cargo comissionado.
Destaco a notícia referente ao processo n. Processo: RR-10488-43.2016.5.03.0002: A Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho excluiu da condenação imposta à Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) o pagamento de indenização substitutiva ao período de estabilidade provisória acidentária a um assistente executivo. Segundo a decisão, o cargo em comissão exercido por ele tinha natureza precária, o que afasta o direito à estabilidade provisória ou ao pagamento de indenização substitutiva. Acidente O assistente disse que, ao trafegar em motocicleta durante o horário de trabalho, foi atingido por um veículo e sofreu lesões nas mãos. Após longo período de recuperação e com a capacidade de trabalho reduzida em 80% em umas das mãos, foi reintegrado ao trabalho e permaneceu na CBTU até ser dispensado. Na reclamação trabalhista, ele sustentou que a dispensa havia ocorrido dentro do período de 12 meses de garantia do emprego assegurados pelo artigo 118 da Lei 8.213/1991. Pedia, assim, a condenação da empresa ao pagamento de indenização substitutiva referente ao período de estabilidade. Cargo de confiança A CBTU sustentou, em sua defesa, que o assistente executivo ocupava cargo de confiança e, por isso, poderia ser dispensado a qualquer tempo. O caráter transitório e passageiro da investidura seria, segundo a empresa, incompatível com a garantia provisória assegurada pela lei da Previdência Social, que pressupõe um contrato de trabalho válido. Indenização O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG) manteve a sentença em que fora deferida a indenização pretendida. Na decisão, o TRT destaca que, entre os requisitos exigidos em lei para o reconhecimento do direito à estabilidade, estão a condição de segurado, o afastamento superior a 15 dias e a percepção
de auxílio-doença acidentário, sem qualquer ressalva em relação ao modo de contratação. Natureza precária No exame do recurso de revista da CBTU, a relatora, ministra Dora Maria da Costa, explicou que o cargo exercido pelo assistente era de livre nomeação e exoneração, nos moldes do artigo 37, inciso II, da Constituição da República. “Ocorre que o cargo em comissão possui natureza precária, característica que marca a ausência de estabilidade e a possibilidade de haver dispensa sem motivação. Logo, não há falar em estabilidade provisória ou em indenização substitutiva”, concluiu. A decisão foi unânime.
QUESTÃO NÚMERO: 33 GABARITO PRELIMINAR: C
COMENTÁRIO: aqui temos entendimento recente do TST sobre a matéria acerca da garantia provisória no emprego do temporário. Nesse sentido, a Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou a reintegração no emprego de uma auxiliar administrativa da microempresa Ação RH Ltda., com sede em Joinville (SC), por ter sido despedida enquanto estava grávida. Segundo os ministros, o contrato de trabalho temporário, com prazo certo para ser encerrado, foi cumprido integralmente, e a estabilidade da gestante só ocorre quando há dispensa arbitrária ou sem justa causa. Logo, esse é o inteiro teor da alternativa C, pois não há qualquer previsão de reintegração ou de recebimento de indenização substitutiva. Destaque-se que o Pleno do TST, no julgamento do IAC-5639-31.2013.5.12.0051, fixou a tese jurídica de que a garantia de estabilidade provisória à empregada gestante é inaplicável ao regime de trabalho temporário, disciplinado pela Lei 6.019/1974. O dispositivo do ADCT se refere somente às dispensas arbitrárias ou sem justa causa, que não ocorrem quando o contrato por prazo determinado se encerra por decurso do tempo. “O contrato por prazo determinado e a estabilidade são institutos incompatíveis entre si, que visam situações totalmente opostas `` .O primeiro estabelece um termo final ao contrato, e o segundo, a seu turno, objetiva manter o contrato de trabalho vigente”. Nao há, portanto, direito ao recebimento de valoes ou de permanecer no local de trabalho. Não há qualquer garantia provisória quando se refere ao tipo de contrato do enunciado da questão de prova.
QUESTÃO NÚMERO:34 GABARITO PRELIMINAR: D
COMENTÁRIO: No caso da alternativa A, está incorreta nos termos da CLT: artigo 2, § 3o Não caracteriza grupo econômico a mera identidade de sócios, sendo necessárias, para a configuração do grupo, a demonstração do interesse integrado, a efetiva comunhão de interesses e a atuação conjunta das empresas dele integrantes. Sobre a alternativa B, está errada, conforme a regulamentação do teletrabalho trazida pela reforma trabalhista, qual seja, nos termos do artigo: Art. 75-B. Considera-se teletrabalho a prestação de serviços preponderantemente fora das dependências do empregador, com a utilização de tecnologias de informação e de comunicação que, por sua natureza, não se constituam como trabalho externo. Parágrafo único. O comparecimento às dependências do empregador para a realização de atividades específicas que exijam a presença do empregado no estabelecimento não descaracteriza o regime de teletrabalho. Quanto à alternativa C, verifica-se o teor da CLT, especialmente, no artigo 477- A da CLT: Art. 477-A. As dispensas imotivadas individuais, plúrimas ou coletivas equiparam-se para todos os fins, não havendo necessidade de autorização prévia de entidade sindical ou de celebração de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho para sua efetivação. Ou seja, é o contrário do previsto na alternativa. A alternativa E está incorreta, na medida em que já se aplica a prescrição intercorrente no processo do trabalho conforme o artigo 11- A da CLT.
Maria Rafaela
Juíza do Trabalho Substituta da 7a Região. Doutoranda em Direito na Universidade do Porto/Portugal. Mestrado em Ciências Jurídicas na Universidade do Porto /Portugal.
Professora de Cursos de Pós Graduação na Universidade de Fortaleza - Unifor. Palestrante. Professora convidada da Escola Judicial do TRT 7a Região. Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho. Professora de cursos preparatórios para concursos públicos. Palestrante. Autora do Livro A Greve dos Juízes. Professora de Cursos de Pós Graduação na
Universidade de Fortaleza - Unifor. Palestrante. Professora convidada da Escola Judicial do TRT 7a Região. Formadora da Escola de Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará. Cargos desempenhados: Foi Juíza do Trabalho Substituta no TRT 14a Região, Promotora de Justiça Titular do MPRO, Analista Judiciária do TJCE; Professora Concursada do quadro permanente na Universidade Federal de Rondônia. Foi professora concursada temporária na Universidade Federal do Ceará. Aprovada em outros concursos públicos. Autora de artigos científicos publicados.
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