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A GEOGRAFIA DA PERCEPÇÃO E A PERCEPÇÃO DA GEOGRAFIA NA ESCOLA

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GEOGRAFIA, Rio Claro, Vol. 23(1): 75-89, abril 1998.

NATANAEL REIS BOMFIM*

Resumo

Este trabalho teve como objetivos elaborar e executar uma proposta metodológica que permitisse aos alunos do ensino fundamental ( 5ª à 8ª séries) à percepção, interpretação e construção dos conceitos de lugar e espaço, nas suas dimensões intercomplementares e interdiferenciadas de espaço bio – psico – cultu- ral, como forma de propiciar ao aluno uma concepção analítica e crítica do mesmo, analisando os resultados das ações experimentais da proposta metodológica “Por uma Geografia Viva”. O propósito desta análise é fornecer subsídios que contribu- am para o desenvolvimento do conhecimento sobre conceito de Espaço Geográfi- co, através das representações dos alunos do ensino fundamental, tanto quanto possível mantendo a aproximação entre o Saber Geográfico ( saber cultural ou o saber do senso comum trazido pêlos sujeitos), e o Conhecimento Geográfico ( co- nhecimento científico), trabalhado pela escola. O estudo desenvolveu-se em 1996, na rede municipal de ensino no município de Ilhéus/BA, com uma classe experimen- tal de 5ª série. Ao longo do trabalho utilizamos como fundamentos teóricos, as contribuições de PIAGET (1996), TUAN (1983) e VYGOTSKY (1993), objetivando aplicar, embora timidamente, os postulados destes autores, confrontando teoria e prática, tomando o sentimento e o pensamento como aportes para a mediação sim- bólica no processo ensino – aprendizagem da Geografia. Concluímos que antes da intervenção a maioria dos sujeitos não conseguiam entender a linguagem geográfi- ca por não entenderem os conceitos básico da geografia escolar, e também não conseguiam fazer relação entre o espaço real e o espaço simbólico por não entende- rem e utilizarem adequadamente a linguagem cartográfica. Após a intervenção com a proposta metodológica, a maioria dos alunos sentiram-se mais motivados expres- sando através das representações um entendimento dos conceitos de Espaço Geográfico nas suas variadas concepções.

Palavas-Chave: Percepção, representação, conceito, Geografia e ensino.

* Mestre em Educação e Professor Auxiliar do DCAA da Universidade Estadual de Santa Cruz.

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Abstract

The geography of the perception is the perception of the geography in the school.

This work had as objectives to elaborate and to execute a methodological proposal that allowed to the students of the fundamental teaching (5th to 8th series) to the perception, interpretation and construction of the place concepts and space, in its dimensions intercomplementary and interdiferentiated of space bio–psico–

cultural, as form of propitiating the student an analytic and critical conception of the same, analyzing the results of the experimental actions of the methodological proposal

“For an Alive Geography.” The purpose of this analysis is to supply subsidies that contribute to the development of the knowledge on concept of Geographical Space, through the students’ of the fundamental teaching representations, so much as possible maintaining the approach among the Geographical Knowledge (to know cultural or the knowledge of the sense common brought subject hair), and the Geographical Knowledge (scientific knowledge), worked by the school. The study was developed in 1996, in the municipal net of teaching in the municipal district of Ilhéus/BA, with an experimental class of 5th series. Along the work we used as theoretical foundations, the contributions of PIAGET (1996), TUAN (1983) and VYGOTSKY (1993), objectifying to apply, although timidly, the these authors’

postulates, confronting theory and practice, taking the feeling and the thought as contributions for the symbolic mediation in the process teaching–learning of the Geography. We concluded that before the intervention most of the subjects didn’t get to understand the geographical language for they understand not the basic of the school geography concepts, and they didn’t also get to do relationship between the real space and the symbolic space for they understand not and they use the cartographic language appropriately. After the intervention with the methodological proposal, most of the students felt motivated expressing through the representations an understanding of the concepts of Geographical Space in its varied conceptions.

Words–Key: Perception, representation, concept, Geography and teaching.

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INTRODUÇÃO

“No homem adulto são extremamente complexos os sentimentos e idéias relacionados com o espaço e lugar, originam-se das experi6encias sin- gulares e comuns . No entanto cada pessoa começa como criança. Com o tempo e confuso e pequeno mundo infantil, surge a visão do mundo adulto, sublinarmente também confusa, mas sustentada pelas estruturas da experiência e do conhecimento conceitual.”

( Yi – Fu – Tuan , 1983)

Após idealizar e desenvolver o trabalho de pesquisa do mestrado, “A busca do espaço perdido: Percepção, representação e conceito de Espaço Geográfi- co”, percebemos que experimentar uma proposta metodológica no ensino funda- mental, com base nos resultados da pesquisa, seria uma contribuição significativa para o Ensino da Geografia, tanto no aspecto de relacionar símbolo e conceito, quanto à ampliação do conhecimento produzido e socializado a que mostrasse possível, tanto por sermos professor de uma destas escolas, quanto por estarmos desenvolvendo e sedimentando o conceito de espaço que jamais se aproximava do ideal perseguido, bem como, estratégias de torná-lo possível de construção pêlos alunos do 1º grau.

Admitindo e respeitando os estádios de desenvolvimento da criança, bus- camos propiciar uma relação interativa dela com o meio (Piaget, 1969), considerando a experiência (Tuan, 1983) como mediadora na contribuição dos significados (Vygotsky, 1993) de “espaço” e “lugar” que freqüentemente se fundem.

Segundo os autores citados, ao longo do processo de desenvolvimento da criança, ela constrói o seu modelo de mundo através da percepção e da vivência, num processo contínuo de uma realidade exterior interpretada pela consciência reflexiva em função da idade. Como existe uma relação entre o desenvolvimento biológico e o desenvolvimento cultura, todas as experiências e vivências são importantes durante as fases da “ação elementar” que são “ações reflexivas no processo estímulo e resposta” para a “ação superior” ou “capacidade do indiví- duo em pensar objetos ausentes” (Vigotsky, 1993, p. 35). Significa imaginar eventos nunca vividos, planejar ações a serem realizadas em momentos posteriores através da internalização. Assim, o sujeito deixa de necessitar de marcas externas e passa utilizar “signos internos” , isto é, representações mentais que substituem os obje- tos do mundo real.

Aqui o real existe por pressuposições, são as coisas, sem atribuições de valores. É segundo CUNHA ( 1993: ) o limite da consciência, este é estranho quando

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comparado com novos valores. Enquanto a realidade é o significado que atribuímos as coisas do mundo, logo concluímos que o espaço físico é o real enquanto que o espaço social é a realidade.

Na história da Geografia, aconteceram várias modificações nos seus paradigmas teórico-metodológicos, fruto de acaloradas discussões acadêmicas, evidenciando, por um lado, a evolução do pensamento geográfico, percepção e conceito do seu objeto de estudo.

Por outro lado, analisando pela prática da maioria dos professores de Geo- grafia, percebemos que tais discussões chegam tardiamente (quando chegam) e de maneira aligeirada nos cursos de capacitação e, estes, muitas vezes não conseguem responder em poucas horas questionamentos que se desenvolveram em décadas.

Por estas razões a insegurança, ampliada por estas discussões distante, faz com que o professor muitas vezes se apegue ainda mais ao livro didático, compli- cando mais ainda as possíveis opções teórica-metodológicas por parte do profes- sor, permitindo assim um ensino de Geografia, acrítico, despolitizado, enciclopédico e desmotivado.

Diante do exposto buscamos, à luz destes autores e da aplicação da propos- ta metodológica “Por uma Geografia Viva”, a percepção, representação e cons- trução de conceitos básicos da Ciência geográfica pêlos alunos de 5ª série do Instituto Municipal de Ensino – Princesa Isabel, no município de Ilhéus/BA, mas que pode ser ampliada para as outras séries deste nível.

Para eficiência e eficácia da proposta faz-se necessário o domínio das lingua- gens geográfica e cartográfica, representadas respectivamente e simultaneamente conceitos e símbolos, pelo professor de Geografia do ensino fundamental, e que ele participe interativamente do processo ensino-aprendizagem de forma significativa.

Para que isto ocorra, é preciso dinamizar o processo com atividades media- doras (instrumentos), tais como: excursões, análise de pré-mapas e mapas, música, textos motivadores, filmes, etc. Estas ações devem ser planejadas e os instrumentos devem ser utilizados adequadamente e de forma compatíveis aos níveis de desen- volvimento dos sujeitos, evitando por sua vez a desmotivação e o fracasso na Geografia escolar.

METODOLOGIA

O trabalho foi desenvolvido sobre forma modular, através da proposta metodológica “Geografia Viva”, nos meses de maio a novembro, substituindo as unidades do ano letivo de 1996 no Instituo Municipal de Ensino – IME/Princesa

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Isabel em Ilhéus/BA, com o objetivo de auxiliar o aluno do ensino fundamental na construção de um raciocínio geográfico, permitindo-o pensar o espaço geográfico do concreto para o abstrato , estabelecendo relações entre sociedade, cultura e natureza, utilizando-se de uma linguagem geográfica e de uma linguagem cartográfica apropriadas.

Trabalhamos com o núcleo temático que concerne à organização espacial e com as palavras-chave – espaço-sociedade-natureza- como conceitos imbricados e que são fios condutores das séries iniciais do ensino fundamental. Desta forma, os conteúdos foram selecionados e distribuídos em 04 (quatro) módulos de acordo com temas da proposta e norteados pêlos objetivos geral e específicos.

Consideramos alguns termos, necessários à construção do conceito de es- paço geográfico, tais como: dimensão, localização, função, relação e transforma- ção. Estes termos foram abordados a medida que os módulos foram sendo desen- volvidos, no intuito de permitir a eficácia e eficiência no processo de construção do raciocínio geográfico.

Não consideramos, aqui, a Cartografia como conteúdo específico, mas como um recurso que auxilia o aluno a desenvolver o saber geográfico em todos os módulos, já que entendemos a Ciência cartográfico como instrumento mediador da percepção e interpretação do Espaço Geográfico pela relação entre o espaço real e o espaço simbólico.

Logo, para a percepção e interpretação do espaço, considerando o real e o simbólico, utilizamos como instrumentos mediadores, no processo ensino-aprendi- zagem da Geografia, pré-mapas ( postais/fotografia da cidade de Ilhéus e desenhos dos alunos) e mapas ( planta da cidade, carta topográfica do município e mapas da região e do estado da Bahia).

Para viabilizar a dinâmica do ensino, utilizamos ainda como estratégia as aulas teóricas ( expositivas e dialogadas), as aulas práticas e de outros instrumen- tos mediadores (maquetes e textos). Recorremos , também, ao auxílio das excursões na área urbana do município de Ilhéus e aos recursos audiovisuais de acordo com os temas e objetivos aqui propostos:

Temas

1. O aluno e as relações tempo-espaço na percepção, construção e interpre- tação do espaço.

2. A industrialização como processo motivador para a percepção e caracte- rização da organização espacial.

3. Realidade populacional : relação entre sociedade e espaço.

4. O quadro natural e a organização espacial.

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Objetivos.

1.1.Observar o espaço geográfico e desenvolver atividades que permitam ao aluno construir noções de relações topológicas.

1.2.Desenvolver a capacidade de percepção, interpretação e abstração en- tre o espaço real e o espaço simbólico.

2.1.Identificar as impregnações sociais no espaço geográfico, entendendo na organização espacial o processo de produção e reprodução das di- versas naturezas.

3.1.Explicar o processo de construção do espaço geográfico a partir das desigualdades sociais.

4.Perceber as diversas dimensões da natureza e como ela responde às modi- ficações antrópicas.

Iniciamos o trabalho no dia 06 de maio de 1996, com uma turma de 5ª série com 31 alunos do turno matutino. O primeiro encontro foi informal, e dialogamos sobre o cotidiano deles: a casa, a escola, o bairro, a cidade, a família, os amigos e o lazer, onde a maioria dos alunos demonstrou receptividade.

Deste contato, percebemos o perfil da turma: a maioria mora em bairros peri- féricos da cidade de Ilhéus, em famílias entre média e baixa rendas e com uma percepção confusa dos conceitos de espaço e lugar.

Após o contato buscamos investigar a aprendizagem em Geografia antes e depois da intervenção através da proposta metodológica. Para isto, aplicamos no primeiro momento o teste diagnóstico, no segundo momento desenvolvemos as ações da proposta e no terceiro momento aplicamos o pós-teste.

Os dois instrumentos de investigação, teste e pós-teste, constam de 25 questões, distribuídas em 14 grupos de A a N, envolvendo conteúdos abordados nas séries iniciais (1ª a 4ª séries ) do ensino fundamental. Agrupamos e classifica- mos as questões pêlos níveis de memorização, aplicação e extrapolação do sujeito, de acordo com a tab. 1.

Analisando a tabela 1, temos 03 questões de memorização sobre elementos naturais do Estado da Bahia, 22 questões de aplicação e extrapolação envolvendo conteúdos de iniciação à Geografia.

Os dados foram analisados e interpretados através da estatística descritiva, com cálculo de freqüência de grupos e percentuais, confrontados à luz dos autores considerando a metodologia e os objetivos propostos da pesquisa.

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RESULTADOS E DISCUSSÕES

A partir dos dados obtidos no teste diagnóstico, o gráfico 1. aponta os resultados em percentuais dos acertos, erros e questões em branco. Os grupos de questões A,D,E e F abordam o cotidiano: identidade, sociedade, cidadania, ambien- te, modo de vida e relação campo/cidade. Estes conteúdos revelam, na história dos homens, uma relação estreita com o espaço e o lugar, e definem o saber cultural ou o senso comum do sujeito.

Estes grupos apontam uma média de 40.3% de acertos e 59.6% de erros e questões em branco, sinalizando uma certa confusão entre o saber cultural que os alunos trazem e o saber geográfico produzido nas escolas. Isto nos leva a concluir que a maioria dos professores das séries iniciais, não sistematizam o senso comum através do conhecimento geográfico, ou seja, os alunos entendem e convivem com o saber informal mas não entendem e confundem quando é passado para o conhe- cimento formal.

Para reforçar os nossos argumentos, VYGOTSKY explica que as influências externas são mediadoras ente o processo de percepção e ação e TUAN afirma que a noção de “lugar” é conferida ao sujeito a partir das suas experiências vividas.

Por isso, verificamos que durante a intervenção, em conversa informal, os alunos expressam significados atribuídos ao espaço através das falas: “lugar feliz,

“lugar ocupado” e “lugar para viver.” Aqui a relação com o lugar está revestida de sentimentos e indica que o sujeito traz um conhecimento.

Tab. 1. Distribuição dos conteúdos por nível cognitivo.

Grupos Questões Níveis Cognitivos de Apredizagem

___________________________

Memorização Aplicação Extrapolação

A 5 0 4 1

B 2 0 1 1

C 1 0 1 0

D 1 0 1 0

E 2 0 1 1

F 2 0 1 1

G 1 0 1 0

H 4 0 4 0

I 2 0 1 1

J 1 0 0 1

K 1 1 0 0

L 1 1 0 0

M 1 1 0 0

N 1 1 0 0

TO TA L 2 5 4 1 5 6

% 1 00 1 6 6 0 2 4

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Gráfico 1. Teste Diagnóstico – Análise do Ensino da Geografia

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O grupo B, envolve duas questões sobre movimento e sociedade e apresen- ta uma média de 74.2% de acertos e 25.8% para as questões erradas e não respondi- das. Mais uma vez a maioria dos alunos revelam através dos dados a experiência e a vivência com o “lugar.” Sobre a complexidade do conceito de espaço a partir desta categoria ( “movimento do ser” ), relação causa e efeito, Tuan explica evidên- cia da experiência na amplitude direta e indireta da relação homem/meio, sendo ela portanto um instrumento simbólico desta relação.

No caso dos alunos pesquisados, confrontando a teoria com os resultados obtidos, afirmamos que a maioria tem o conhecimento do lugar ( casa, rua, bairro e cidade), de modo interno, apenas na categoria funcional devendo ser ampliado na 5ª série a categoria conceitual, o que na maioria das vezes os professores não o fazem.

No grupo C com duas questões de aplicação – localização e limites – consideramos para conceituar o espaço as categorias forma e significado.

Os resultados foram analisados a partir da experiência e da linguagem sim- bólica como instrumentos mediadores. Verificamos que 74.2% erram ou deixaram em branco. Isto explica que o espaço tem a capacidade de mover-se, logo exige do sujeito uma abstração ou “ação superior” combinada com faculdades “ espacializantes” que enriquecem a apreensão do caráter espacial e geométrico.

Diante do exposto fez-se necessário o trabalho com pré-mapas, localizando objetos e lugares partindo do concreto até se chegar a percepção e interpretação dos mapas.

Quanto a identificação dos elementos constituítivos ( naturais e humanos) do espaço, os dados apontam 54.8% de acertos para as questões do grupo G. Aqui, mais uma vez a experiência norteia a relação entre percepção e ação, pois da identi- ficação dos elementos, pela maioria dos alunos, sinaliza para o professor o ponto de partida para a construção do conceito de espaço geográfico.

Os grupos H, I e K envolvem questões sobre orientação e representação do espaço através dos pré-mapas e mapas. Os dados indicam que 88.2% dos alunos não entendem a linguagem cartográfica, revelando uma ineficiência da prática peda- gógica e da ineficácia das relações topológicas trabalhadas nas séries iniciais.

O grupo J, expressa que 51.6%, ou seja a maioria dos alunos, acertou a questão sobre terras emersas e terras imersas, porém um percentual significativo entende este conteúdo (48.4%). Para TUAN, sentimento e pensamento são manei- ras de conhecer, tendo como registradores os estados subjetivos e o repórter da realidade objetiva. Logo, para este percentual de erro e em branco, as áreas cobertas pelas águas não são visíveis daí não são perceptíveis. Abstrair a continuidade do espaço exige atividades práticas realizadas pelo professor, a fim de que não ocorra confusão como nesta fala : “ilha é um bloco de pedra flutuante numa grande bacia de água”.

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Considerando as médias dos grupos L,M e N, 52.7% dos sujeitos responde- ram corretamente os conteúdos referente ao aspectos físicos do Estado da Bahia.

Mais uma vez indica que estes conteúdos ( rio, relevo, clima etc.) são trabalhados nas séries iniciais de forma assistemática levando o aluno a memorização.

Da percepção a ação: um olhar para o futuro.

No segundo momento, durante a intervenção através da proposta, inseri- mos as atividades mediadoras citadas em parágrafos anteriores. O desempenho ( afetivo e cognitivo) dos alunos foi sendo observado e registrado nos relatórios semanais. Percebemos através da avaliação processual um crescimento significati- vo da maioria dos alunos, o interesse pela disciplina foi elevado e o saber geográfi- co foi sendo construído e socializado pela turma.

Nos desenhos da maioria dos alunos ficam expressos alguns elementos bióticos e abióticos “árvore, “pedra”, “rio”, “montanha” ordenados em classe e categoria, representados com sentimento. Para eles, as coisas criadas por Deus, traduzem os elementos da natureza que são modificadas pelo homem. Através destas idéias pré-concebidas trabalhamos os conceitos de espaço natural, espaço humanizado e organização espacial.

Na tentativa de desenvolver a capacidade de abstração do aluno, utilizamos pré-mapas e mapas( cidade de Ilhéus, município de Ilhéus, mesorregião sul-baiana e estado da Bahia). Os resultados foram positivos, na percepção e interpretação do espaço, pois tiveram mais facilidade de identificar os lugares, associaram a localiza- ção ao aspecto natural e extrapolaram ao perceberem que “o mapa não tem tudo que a fotografia tem”.

Ao final do período da investigação aplicamos o pós-teste, e os resultados apresentados no gráfico 2, expressam um crescimento de 20.2% na média dos gru- pos, uma vez que dos 13 grupos de questões, a média percentual de acertos no primeiro momento foi de 40.1% e após a intervenção foi de 60,3%.

Dos resultados apresentados pêlos grupos A,D,E e F revelam um cresci- mento de 26.3% de acertos, sendo 40.3% para o teste diagnóstico e 66.0% no pós- teste. O grupo B, (movimento e sociedade), continua mantendo um percentual ele- vado de acertos 76.7%, com um crescimento de apenas 2.5% antes e depois da intervenção confirmando a categoria conceitual de lugar como fruto das experi6encias vividas. No entanto o grupo G, aponta um decréscimo de 15.0% de acertos revelan- do a complexidade da construção do conceito de espaço. Fica aqui registrado a necessidade de um trabalho mais intenso versando os elementos constitutivos do espaço, nas bases, a fim de que a criança internalize e desenvolva o conceito nas séries posteriores.

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Gráfico 2. Pós-teste – Análise do Ensino da Geografia.

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A dificuldade com a linguagem cartográfica, ainda, é revelada nos resulta- dos dos grupos H, I e K com 70.0% de questões erradas e em branco. E os grupos L, M e N confirmam o nível de memorização para estas questões, uma vez que não inserimos nenhum tipo de atividade específica para os conteúdos – aspectos físi- cos do Estado da Bahia- constatando um acréscimo de acertos de 17.3%.

Analisando o gráfico 3, que expressa o percentual acumulado por nível cognitivo, verificamos que antes da intervenção a maioria dos alunos erraram, com 61.3% ( aplicação e extrapolação) e 58.0% ( memorização). Após a intervenção, os percentuais de acertos foram de 63.3% (aplicação e extrapolação) e 53.3%

(memorização), totalizando uma média para as 25 questões de 56,7% de acertos e 43.3% de erros (gráfico 4).

CONCLUSÃO

Após a análise e interpretação dos dados desta pesquisa no Ensino funda- mental sob a ótica da percepção e interpretação do Espaço Geográfico. Concluímos que o objeto da Geografia – a organização espacial – é um campo cheio de significa- dos e que deve ser ampliado e bem trabalhado, enquanto construção de um saber geográfico pelo aluno, através de instrumentos que permitam a mediação entre o saber cultural, o saber geográfico e o conhecimento geográfico na Geografia esco- lar.

Estes dados confirmam mais uma vez a necessidade do desenvolvimento de conceitos geográficos no ensino fundamental, com base numa metodologia que contemple objetivos claros, norteados por atividades dinâmicas que não percam de vista o repertório trazido pelo aluno do seu cotidiano.

Para isto é necessário que nas séries iniciais do ensino fundamental a lingua- gem geográfica e a linguagem cartográfica sejam introduzidas num processo de alfabetização numa concepção teoria/prática a fim de que os alunos demonstrem intimidade com os lugares e as impregnações sociais não apenas no campo das imagens e dos sentimentos, determinado como campo funcional. Mas também internalizando estes conceitos e ampliando-os através da ação superior.

Vale ressaltar que também tudo isto só é possível com um amplo repensar sobre o currículo universitários, responsáveis pela formação dos professores de Geografia, que trazem no seu contexto uma carga de academicismo. Por outro lado, dispensado o discurso sobre o sistema político, social e econômico, sem esquecê- lo como elemento importante no descaso com a educação, solicitamos da maioria dos professores de Geografia um maior compromisso com uma disciplina responsá- vel pela organização do espaço, com os alunos agentes transformadores do espaço e da sociedade e com ele mesmo enquanto ser social e político.

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Gráfico 3. Análise do nível cognitivo.

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Gráfico 4.

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BIBLIOGRAFIA.

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Recebido em: 05/98 Aceito em: 07/98

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