• Nenhum resultado encontrado

LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL: Abril 2007

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL: Abril 2007"

Copied!
33
0
0

Texto

(1)

Abril 2007

(2)

LRF: SINAIS DA MUDANÇA DE CULTURA

A mudança estrutural: antes e depois da LRF - resultados fiscais, receitas, despesas, principalmente despesas com pessoal, dívida - as estatísticas mudaram.

Em 10 anos, a LRF do Brasil passou por vários testes importantes:

1. sobrevivência no ciclo econômico (período de baixo crescimento)

exemplo para vários países

- Brasil foi um dos menos atingidos pela crise de 2009 e o que mais rápido se recuperou: a explicação está nos fundamentos macroeconômicos

- um bom desenho de regras: 3 níveis – gerais, mais duras em fim de mandato (ciclo político) e mais flexíveis em situações especiais (ciclo econômico)

- a LRF de outros países é criticada por ser dura demais ou flexível demais (calibragem das regras)

(3)

FLEXIBILIDADE

Em caso de crescimento econômico negativo ou inferior a 1% nos quatro

últimos trimestres

:

Fica duplicado o prazo para ajuste aos limites:

de gastos com pessoal

de dívida

Exemplo: Descumprimento do limite de gasto com

pessoal no 2º quadrimestre de 2009 (PIB: -1%)

(4)

Em caso de calamidade pública, estado de defesa ou de sítio:

Ficam suspensos os prazos para ajuste aos limites:

De gastos com pessoal

De dívida

Se

dispensa

o

cumprimento

das

metas

fiscais

e

o

contingenciamento

Em caso de mudanças drásticas nas políticas monetária ou cambial,

reconhecidas pelo Senado Federal:

Fica ampliado o prazo para ajuste aos limites de dívida em até

quatro quadrimestres.

(5)

LRF: SINAIS DA MUDANÇA DE CULTURA

2. Reconhecimento internacional: Brasil considerado referência para vários países (Argentina, Equador, Peru, Índia, Paraguai, ...)  investment

grade

- um bom desenho de regras: intertemporal

- abrangência na federação (base constitucional) : convivência do federalismo com o equilíbrio fiscal  exemplo para vários países

(6)

Como estabelecer regras fiscais que se aplicassem a um contexto

institucional complexo ... mas que respeitassem o princípio federativo?

26 Estados, um Distrito Federal e mais de 5.500 Municípios são política,

administrativa e financeiramente autônomos, de acordo com a Constituição

uma das federações mais descentralizadas do mundo:

sistema político democrático (Executivos e Legislativos eleitos

diretamente em todos os níveis) e poderes independentes

tendência a

apresentar gastos elevados com pessoal em todos os níveis;

transferências constitucionais

+ competências para tributar próprias;

planejamento, orçamento e administração próprios;

Tribunais de Contas autônomos: mais de 34.

(7)

Constituição Federal

Lei Complementar de

Finanças Públicas LRF

PPA LDO LOA

A solução foi criar limites para todos os níveis e poderes mas que

mantivessem o processo orçamentário autônomo...

DESAFIO NA ELABORAÇÃO:

UMA LEI DE FINANÇAS PÚBLICAS PARA A FEDERAÇÃO

... e onde houvesse questões locais a serem

arbitradas,

remeter

para

a

LDO

(10

remissões).

(8)

LRF: SINAIS DA MUDANÇA DE CULTURA

3. sobrevivência na alternância política

- pesquisa realizada pelo IBEP, em jan./abr. de 2001, com 211 formadores de opinião (cientistas sociais, jornalistas, políticos), 86% tiveram com opinião positiva sobre a LRF e 81% acreditaram que a LRF seria uma idéia importante para qualquer candidato presidencial, independentemente de partido.

- temor inicial de flexibilização da LRF não se confirmou

sobrevivência no Congresso Nacional

- votação original na Câmara: 386 votos a 86 (quórum de EC) e sem alterações de mérito no Senado

- várias tentativas de alteração: 250 projetos para mudar;

- mas forte resistência à flexibilização: uma única alteração aprovada, aumentando a transparência  LC 131/2009;

(9)

Se garantirá a transparência também por:

Liberação ao pleno conhecimento e controle da sociedade, em tempo real,

de informações detalhadas sobre a execução orçamentária e financeira em

meios eletrônicos de acesso público;

adoção de sistema integrado de administração financeira e controle, que

cumpra o padrão mínimo de qualidade estabelecido pelo Poder Executivo do

Governo Federal e o art. 48-A.

(10)

LRF: SINAIS DA MUDANÇA DE CULTURA

4. sobrevivência no Judiciário:

-várias ADINS no STF: após análise preliminar dos 31 dispositivos questionados, o STF suspendeu apenas 5, de menor importância.

- jurisprudência de tribunais de contas

5. a luta da padronização na federação

- sem CGF, mas com cooperação e criação de grupos técnicos na STN:

Grupo Técnico de Padronização de Relatórios: RREO, RGF, Anexos de Metas Fiscais e de Riscos Fiscais;

Grupo Técnico de Padronização de Procedimentos Contábeis: Manuais de Procedimentos Patrimoniais e Orçamentários (Receita, Despesa, Dívida Ativa, PPP), Plano de Contas e Demonstrações Contábeis.

- PROMOEXharmonização de conceitos da LRF pelos tribunais de contas.

(11)

Entrada

(PCASP)

Processamento

Saída

Sistema

Informatizado

NORMAS PARA EL PAÍS

RREO

RGF

DCASP

PCASP

Padrão

mínimo

(12)

LRF: SINAIS DA MUDANÇA DE CULTURA

6. a mudança de pensamento:

- na academia, o ensino foi fortemente impactado pela LRF em, pelo menos, cinco áreas de conhecimento: economia, direito, contabilidade, administração e ciência política.

- diversos livros foram editados e várias teses defendidas, com abordagens específicas e multi-disciplinares.

- o espaço na imprensa: nunca se falou tanto de finanças públicas

- equilíbrio fiscal deixou de ser um tema da “direita” – não é uma lei de governo, mas de Estado.

(13)

COMO EXPLICAR O SUCESSO DA LRF ?

reformas institucionais realizadas antes da sua aprovação (pré-condições)

um bom desenho das regras

processo de negociação intenso que permitiu não apenas a aprovação, mas a construção de um consenso nacional sobre a matéria

forte trabalho de implementação realizado depois da aprovação (divulgação, treinamento, regulação, adaptação institucional com sistemas e processos, mecanismos de cooperação nacional).

(14)

60’s: Reforma do sistema de contabilidade pública (Lei 4320/64)

80’s:

Sistema integrado de administração orçamentária, financeira e contábil

para o Governo Federal (SIAFI);

Plano de Contas Único Federal;

Criação do Tesouro Nacional;

Conta Única do Tesouro Nacional;

(15)

80’s: Nova Constituição (1988):

Separação da política fiscal e monetária (Tesouro Nacional e Banco

Central)

proibido o financiamento monetário;

Mudanças no relacionamento na Federação (competências tributárias +

transferências de ingressos);

Ingresso dos funcionários no serviço público por concurso público;

Reforma orçamentária:

PPA - Plano Plurianual

LDO - Lei de Diretrizes Orçamentárias

LOA - Lei Orçamentária Anual

(16)

90’s:

Reforma do Estado

Reforma da Administração Pública, Reforma da

Previdência, privatização;

Controle da inflação (Plano Real);

Novas mudanças nas relações na Federação (competências de gasto –

mínimos de saúde e educação);

Último refinanciamento da dívida dos estados (30 anos, máximo de 13% de

receitas, IGP-DI + 6% de juros, metas de resultado primário, bancos

estaduais saneados, fechados ou privatizados);

Medidas fiscais no Governo Federal em 1997 e 1998.

Desde1999: Política econômica = regime de cambio flutuante + metas de

inflação + metas de resultado primário.

(17)

déficits imoderados e reiterados, dívida pública elevada em todos os

níveis de governo

histórico de refinanciamentos recorrentes de

estados/municípios pelo Governo Federal

Em 1996, uma crise fiscal e monetária

fechamento de bancos

estaduais

gastos com pessoal elevados em todos os níveis de governo

carga tributária elevada (34% do PIB) e guerra fiscal entre Estados

privatização em fase avançada

DIAGNÓSTICO DA SITUAÇÃO FISCAL PRÉ-LRF

(18)

LÓGICA DA GESTÃO FISCAL RESPONSÁVEL

+

+

Planejamento no processo

orçamentário

(PPA, LDO, LOA)

Regras e limites na LRF

(pessoal, dívida, etc.)

mecanismos de compensação e correção de desvios

(19)

Metas fiscais, para ampliar o horizonte da LDO, sinalizando para os resultados fiscais e a dívida dos três exercícios seguintes;

                 

Corte automáticoSe previsto o não cumprimento das metas de

resultado primário ou nominal, a cada 2 meses, será obrigatória a limitação de empenho e movimentação financeira, por Poder

Mecanismo de compensação para:

renúncia de receita, pois esta geralmente nem entra no orçamento, já que é considerada uma não-receita;

geração de despesas de caráter continuado, pois, por ser obrigatória e transcender a anualidade orçamentária, esta despesa chega dada, rígida, e não é possível cortá-la nem no orçamento nem na sua execução, mesmo que faltem recursos para pagamento;

(20)

REGRAS PARA A GERAÇÃO DE DESPESAS EM GERAL (ART. 16)

PPA LDO LOA

PROGRAMAÇÃO FINANCEIRA

DECLARAÇÃO DO ORDENADOR DE DESPESA (+ IMPACTO ORÇAMENTÁRIO E FINANCEIRO) (+ COMPENSAÇÃO, SE NECESSÁRIO - ART.17)

LICITAÇÃO EMPENHO CONTRATO LIQUIDAÇÃO PAGAMENTO

CF + LRF + Lei

4.320 + Lei 8.666

=

Ordem

Orçamentária e

Financeira

(21)

LIMITES PARA DESPESAS COM PESSOAL

Nova Lei Camata LRF

UNIÃO 50,0 50,0 Executivo 40,9 GDF e Ex-territórios 0,6 Demais 3,0 MPU 37,9 Legislativo 2,5 Judiciário 6,0 ESTADOS 60,0 60,0 Executivo 49,0 ou 48,6(*) Ministério Público 2,0 Legislativo 3,0 ou 3,4 (*) Judiciário 6,0 MUNICÍPIOS 60,0 60,0 Executivo 54,0 Legislativo 6,0

ESFERA DE GOVERNO / PODER

% Receita Corrente Líquida

(*) BA, CE, GO e PA.

Porque esses estados têm Tribunais de Contas dos

(22)

LIMITES PARA A DÍVIDA CONSOLIDADA

(RESOLUÇÃO Nº 40 DO SENADO FEDERAL)

Limite (/ RCL) Trajetória de 15 anos

UNIÃO 3,5

---ESTADOS 2,0 Reduz 1/15 do excedente inicial a cada ano.

MUNICÍPIOS 1,2 Reduz 1/15 do excedente inicial a cada ano.

ESFERA DE GOVERNO 2002 DCL/RCL Limite 2016 b

Recondução aos Limites

Recondução aos Limites

RSF 40/01 Art. 4° e LRF Art. 31 t Exou Mx a a c c + c

(23)

Condiciona a análise dos pleitos de operações de crédito

em % da RCL

Limites

Est., DF e Mun.

União

Operações de crédito/ano

16

60

Serviço da dívida

11,5

---ARO's

7

---Garantias

22 ou 32

60

em % da RCL

Limites

Est., DF e Mun.

União

Operações de crédito/ano

16

60

Serviço da dívida

11,5

---ARO's

7

---Garantias

22 ou 32

60

LIMITES PARA A DÍVIDA CONSOLIDADA

(24)

RESTOS A PAGAR

Art.42: É vedado ao titular de Poder , nos dois últimos quadrimestres do último ano de mandato, contrair obrigação de despesa que não possa ser paga no mesmo exercício, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de caixa“deixar a casa arrumada para o sucessor”

A regra é de final de mandato mas recomenda-se que seja adotada em todos os exercícios !

O importante é a prudência ao contrair obrigações; a regra não veda inscrição em restos a pagar, mas contrair obrigação de despesa que não possa ser paga.

(25)

PERSPECTIVAS 1:

(26)

ASPECTOS QUE EXIGEM MAIS ATENÇÃO

Planejamento:

Receitas

permanentes

x

temporárias

e

Despesas

permanentes (royalties financiando aumentos de pessoal,

ainda que indiretamente)

Riscos Fiscais (estratégia, não só Anexo de Riscos Fiscais)

Orçamento: não deve ser cheque em branco para Executivo

Falta profissionalização

Receitas:

Art.11: instituir, prever e arrecadar

Renúncia de receita

Dívida ativa

Despesas:

Despesa autorizada e DOCC

(27)

SUSTENTABILIDADE DO AJUSTE FISCAL

O ajuste na receita ou na despesa ?

- Na União e nos Estados, depende mais das receitas, que crescem, do que das despesas, que ficam estabilizadas em % do PIB

mas as receitas dependem do crescimento econômico.

- Nos Municípios, receitas e despesas crescem, mas receitas crescem maiscrescimento econômico + MUDANCA ESTRUTURAL: municípios dependem menos de transferências

- Crescimento das despesasdescentralização dos serviços públicos de educação e saúdealterou a composição de gastos entre despesas correntes e investimentos

A geração de superávits primários alterou a composição de gastos entre despesas correntes e investimentos ?

(28)

SUSTENTABILIDADE DO AJUSTE FISCAL

A geração de superávits primários alterou a composição de gastos entre despesas correntes e investimentos ?

- Não é possível comparar o conjunto “investimentos e inversões” antes

e depois da LRF porque houve processo de privatização que reduziu inversões.

- O investimento é baixo, mas sempre foi. É preciso procurar solução estrutural de gestão para aumentar.

(29)

Receita Corrente Líquida:

Burla de exclusão de IRRF, CIDE

Criação de fundos de receita

Aporte para déficit atuarial dos fundos de previdência X

cobertura de déficit financeiro

ASPECTOS QUE EXIGEM MAIS ATENÇÃO

Despesa com Pessoal:

“Condomínio” de limites

Burla de exclusão de inativos, pensionistas, IRRF

Aumento indevido de indenizações e consultorias

Exclusão de PCS, PACS, voluntários e realização de

despesas

“fora” do serviço público, com burla ao

concurso público

Despesas de Exercícios anteriores

(30)

Dívida Consolidada Líquida:

Conceito de ativo disponível (Ex: exclusão de dívida ativa)

Não registro de precatórios

Conceito

de

operação

de

crédito,

antecipações

de

royalties, dívida ativa, etc. (FIDC, derivativos)

Restos a Pagar:

Aplicação a todos os Poderes (ao mandato, com ou sem

reeleição)

Conceito de disponibilidade de caixa (não está relacionado

ao regime de registro das receitas

– caixa ou competência)

Art. 42: contrair obrigação de despesa

(31)

Riscos para a Abrangência:

Conceitos de empresa estatal dependente

PPP

Consórcios públicos

Fundações públicas de direito privado

ASPECTOS QUE EXIGEM MAIS ATENÇÃO

Contabilidade pública:

Foco no orçamento ou no patrimônio ? LRF exige

avaliação do patrimônio público

Foco na legalidade ou nos atos e fatos ? A despesa

realizada

Critério de caixa ou de competência ? Acima da linha x

abaixo da linha

(32)

Transferências voluntárias:

Não são obrigatórias

Competências constitucionais não são delegáveis

Não é descentralização

CF, art. 169 - repasses

ASPECTOS QUE EXIGEM MAIS ATENÇÃO

Transparência:

Integrar sistemas federais (SISTN,SIOPS, SIOPE)

Colocar mais informação a disposição do público (com

séries históricas)

Fé pública (para eliminar papel)

Integrar com informações auditadas pelos TCs

Implementação da LC 131

– padrão mínimo, integração de

informações, tempo real

(33)

MITOS

1) Quanto mais resultado primário, melhor ?

Monitorar resultado nominal

O Estado cumpriu suas finalidades ?

Avaliar a qualidade do primário ( paga a dívida ?)

2) Quanto mais contingenciamento, melhor ?

A calibragem importa (art. 9º x contingenciamento preventivo)

O Estado cumpriu suas finalidades ?

Houve crescimento de restos a pagar ?

Limitação de empenho X limitação de movimentação financeira

Contingenciamento

institucional

ou

por

programas/ações,

considerando prioridades ?

Referências

Documentos relacionados

Os vários modelos analisados mostram consistência entre as diferenças de precipitação do experimento do século vinte e os experimentos com cenários futuros, no período de

Foram desenvolvidas duas formulações, uma utilizando um adoçante natural (stévia) e outra utilizando um adoçante artificial (sucralose) e foram realizadas análises

Nossos objetivos indicam a ação estratégica de sistematização do conhecimento singular – seja esse conhecimento associado ao inanciamento, à formação docente ou à

O Fator XIII, quando ativado pela trombina na presença de cálcio, reage com os polímeros de fibrina resultando em coágulo estável, insolúvel e semelhante ao coágulo fisiológico

Aronoff 1989, conjunto de procedimentos usados para armazenar e manipular dados geo-referenciados; Burrough 1986, conjunto de ferramentas para coletar, armazenar, recuperar,

Relativamente às medidas adoptadas pelos professores para reduzir o insucesso educativo, foram classificadas em quatro categorias: Estratégias Promotoras de eficácia ( como por

iii. quando a via “não preferencial” tenha amplitude, ou largura, maior do que a via em tese preferencial. Ressalte-se que de acordo com a ratio decidendi dos