DIREITO PENAL DIREITO
PENAL
PONTO 1: Crimes Contra a Administração Pública
1. CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Crimes contra a Administração Pública impedem a progressão de regime sem a reparação do dano. A reparação é imprescritível.
1.1 CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
Sujeito ativo: funcionário público. CP definiu funcionário público como sendo quem exerce cargo ou função pública. Cargo ingresso pela forma não contratual, uma das formas é por eleição (agentes políticos), por concurso público e cargo em comissão.
Art. 37, IX – contrato temporário, CF não deixa claro se é cargo ou emprego. O STF, na Reclamação 7109, entendeu que contrato temporário é emprego.
EC nº 51 – Agente comunitário de combate a endemias: CF não diz qual o regime deste agente público. Preferência dos Estados e Municípios é de que seja empregado público. Conflitos são sanados na justiça do trabalho, pois é emprego e não cargo.
Exemplo de Função: estagiário da administração, jurado, mesário nas eleições, tabelião, registrador, juiz de paz.
Quem exerce o munus público e não função pública: munus público, por exemplo, é o curador do incapaz, pessoas que estão colaborando com a função pública.
§ 1º - amplia o conceito de funcionário público na medida em que fala de entidade paraestatal.
Empregado de concessionária e permissionária não são funcionários públicos equiparados.
Para ser equiparado a empresa deve ser prestadora de serviço público, contratada ou conveniada que presta serviço em nome da Administração.
§ 2º - Aumento de pena para quem tem cargo de confiança (função de direção, chefia ou assessoramento) e para servidor público que exercer funções comissionadas.
Classificação dos crimes praticados por funcionários públicos: a) Próprios: somente para funcionário público. Ex: abandono de cargo.
Obs.: Crime militar próprio não gera reincidência, mas o crime do funcionário público gera reincidência.
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Particular não pode ser autor de crime próprio de funcionário público, mas como regra geral ele pode ser partícipe.
Efeito da condenação:
Pena maior de 4 anos: demitido.
Pena de um ano, mas é crime funcional: demitido. Competência:
Justiça Federal: quando funcionário público é vítima ou autor. Súmula 147 do STJ.
Defesa Preliminar: art. 514 do CPP. STF, HC 89.686 (mesmo que tenha inquérito, há direito a manifestação preliminar).
PECULATO – Art. 312 do CP
Peculato Próprio: caput do art. 312, funcionário está na posse da coisa móvel da Administração ou de particular que lhe foi confiada na função pública.
Peculato Apropriação: pessoa tem a posse e a inverte, passa a ser com animus de dono.
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA: Não cabe o princípio da insignificância nos crimes contra a Administração Pública, tutela a moralidade administrativa. Salvo algumas exceções. Precedente: STJ, HC 50.836.
Peculato Desvio: não se apropria, passa a usar o bem em proveito próprio. Utiliza o bem da administração em proveito próprio. Não há entendimento consolidado se o peculato de uso é típico ou não. Peculato desvio tem que ser em proveito próprio ou alheio.
Peculato Furto: é o peculato impróprio, servidor não tem a posse da coisa, ele a furta.
Peculato Culposo: funcionário concorre culposamente para a apropriação, único que admite extinção da punibilidade pela reparação do dano.
Peculato mediante meio de outrem: art. 313 do CP.
Diferença entre o Art. 313-A e o B – “Peculato Eletrônico”: além da pena, no B a modificação é do próprio sistema, no A é a alteração da base de dados.
CORRUPÇÃO ATIVA – Art. 317 do CP
Oferecer ou prometer vantagem. Entendimento preponderante de que a corrupção ativa depende da iniciativa do particular.
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Existe a possibilidade da forma indireta, por terceiro.
Concussão seria um crime mais grave que a corrupção, embora com a reforma, esta última tenha uma pena mais grave.
Quando há o recebimento da vantagem, ocorre o mero exaurimento. Excesso de exação: para fins tributários.
Corrupção Passiva: também é crime formal, basta a solicitação. Se funcionário deixar de praticar ato é causada de aumento de pena.
Facilitação de Contrabando ou Descaminho: se o agente está obrigado a coibir o contrabando ou descaminho (polícia federal), art. 144 da CF. Há entendimento de que há absorção da concussão.
1.2 CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ESTRANGEIRA Art. 337-B e ss. Convenção de Paris.
PREVARICAÇÃO
Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público, de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo:
Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.
ADVOCACIA ADMINISTRATIVA
Funcionário público que patrocina interesse do particular perante a Administração. Advocacia no sentido de defesa de uma causa, sem que precise de uma procuração para isto.
Crimes praticados pelo particular contra a administração: não requerem a qualidade de funcionário.
Resistência: Se dois funcionários executarem a ordem legal, há concurso? Não, ela é uma punição ao ato ilegal, não à pessoa.
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Desobediência: Jurisprudência entende que não cabe crime de desobediência praticado por funcionário público tendo em vista o capítulo em que o crime se encontra, mas este entendimento não é unânime.
Tráfico de Influência: Causa de aumento se beneficiar o funcionário público.
Exploração de prestígio: art. 357 do CP. Ex: advogado com magistrado. Contrabando ou descaminho: Duas figuras:
Contrabando: importar ou exportar coisa proibida. Ex: cigarro. Descaminho: é crime contra a ordem tributária.
INSIGNIFICÂNCIA: Atualmente o valor para abarcar a insignificância é de R$ 10.000,00. A Lei 10.522, fala que tetos até R$ 10.000,00 a Fazenda Pública não precisa executar. STF entendia que não importava a habitualidade, mas jurisprudência recente tem entendido que deve ser analisado caso a caso, possibilitando assim a análise da habitualidade. O STJ possui entendimentos mandando aplicar R$ 100,00 como insignificante.
Lançamento definitivo: esgotamento da via administrativa, como requisito. Prescrição começa a correr quando o lançamento se torna definitivo.
Quando a mercadoria é aprendida, não há auto de infração que gere execução fiscal, há perda da mercadoria. Pessoa é notificada para se defender do perdimento.
Art. 337–A – Crime de sonegação, dois elementos: a fraude e a supressão de tributos. Mesma pena do art. 168-A, mas Prof. entende que a pena deveria ser maior. Extingue a punibilidade pela simples declaração retificadora.
§ 2º ao § 4º - Não se aplicam.
O parcelamento suspende a ação penal e a execução e, o pagamento extingue ambas.
O crime do art. 337-A está na relação de custeio.
Atualmente, o entendimento jurisprudencial é de que o estelionato de rendas é instantâneo.
Estelionato contra a Administração aumenta em 1/3. § 3º aplica-se à CEF.
1.3 CRIMES CONTRA ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA Falso testemunho ou falsa perícia: admite retratação até a sentença.
Informante: pode ser processado por falso testemunho. Prof. discorda, porque senão o compromisso não tem utilidade.
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Participação em falso testemunho: é um crime próprio, mas prepondera o entendimento da possibilidade de participação.
Depoimento: deve ter relevância, senão não há persecução penal.
Competência: depoimento na Justiça do Trabalho, a competência é da Justiça Federal; crimes praticados contra a administração da justiça eleitoral são da competência da Justiça Federal.
Coação no curso do processo: previsto na Convenção de Palermo, determina que o Brasil legisle sobre esse assunto.
Favorecimento Pessoal: pode ser real ou pessoal. O real é em relação ao proveito do crime para a coisa; o pessoal diz respeito ao próprio autor do crime.