TÓPICO 14 - COMBATER ROTINAS, EQUALIZAR AUTO-CONFIANÇA & MANTER PROCOLOS.
A falta de iniciativa e o simples aceite da rotina levam o homem a ser um escravo de si, como já dizia o filósofo, pensador e cientista Leonardo Da Vinci, que defendia a liberdade de pensamento sempre pela busca de idéias. Assim, se a rotina mata a criatividade, tornando uma atividade em uma ação “robotizada”, na segurança a rotina “mata” a atenção, prejudicando a vigilância.
Muito bem, comecemos com o elemento Rotina, que vem a ser toda a gama de constantes fatos e acontecimentos que nos cercam em todos os cotidianos. Um veículo de entrega chega pontualmente todos os dias para o abastecimento da cozinha, e, por ser tão rotineiro, não mais desperta qualquer suspeita dos vigilantes, que automaticamente já abrem os portões à sua entrada. Nada mais lógico. Lógico?
Pois se alguém pretender entrar furtivamente na empresa (pelo cavalo de tróia), terá aí uma excelente oportunidade. Isto, sim, é lógico.
Já o Protocolo é o conjunto de medidas estabelecidas para serem fielmente cumpridas, mesmo que possa sugerir um natural ou inofensivo desrespeito, sem qualquer tipo ou forma de exceção, pois antes serem adotadas e colocadas em prática, deve ter no seu teor todas as hipóteses alternativas.
Um experiente profissional de segurança (que sempre me socorre ao encontro de soluções e novidades em GR) fez um estágio como observador militar em Israel, inclusive participando de ações militares. Certo domingo estava em um posto com mais dois soldados, onde havia a regra de um breve descanso a cada hora de jornada, e cada um podia sair da torre para “esticar as pernas” e etc. Um desses agentes então saiu e ao voltar minutos após, o meu amigo, ao vê-lo, pretendeu acionar o duplo botão de abertura da porta, sendo impedido pelo outro agente, que desferiu uma coronhada na sua mão.
Tal fato que causou, além de uma pequena lesão, um profundo mal estar, e ao se insurgir contra aquela atitude, foi severamente repreendido pelos soldados, pois sob nenhuma hipótese a porta deveria ser aberta sem o cumprimento de um Protocolo de Segurança, (senha e contra-senha), afinal, mesmo sendo reconhecido, o soldado poderia estar refém ou envolto em uma bomba.
E foi por razões de Protocolo que recomendamos a uma transportadora que após as 22h determinasse que o portão da entrada não mais fosse aberto, medida tomada para evitar novos assaltos, tão constantes que os melhores clientes já evitavam destinar cargas. Certa madrugada o sobrinho do dono da empresa parou na porta e ordenou que o portão fosse aberto para guardar o seu veículo, com problemas mecânicos. O vigilante responsável da portaria recusou, dizendo pelo interfone que não poderia, mesmo sob os mais diversos xingamentos e ameaça que aquela noite seria a sua última na empresa como vigilante. A empresa de segurança entrou em pânico com aquilo, afinal, barrar um parente do dono seria inaceitável.
Fomos chamados para participar de uma reunião urgência com o proprietário, onde, por óbvio, de um lado, a gerência da empresa de vigilância dizia que o atendimento daquele protocolo era inaceitável, e, da nossa parte, defendíamos a conduta do zeloso vigilante.
Na reunião, o dono escutou pacientemente as duas versões, inclusive já sendo atorrado pela sua irmã, que não aceitava o fato do filho ter sido impedido de guardar o veículo.
Porém, ao contrário do que se imaginava, o dono concordou com a postura do vigilante, elogiando-o e sugerindo a sua promoção, pois soube ele muito bem cumprir o seu trabalho, afinal, após essa medida, juntamente com outras, já era reconhecido que os assaltos já não mais ocorriam freqüência.
EQUALIZAR O FATOR DA AUTOCONFIANÇA
Pior que estar inseguro, é se imaginar seguro, quando em verdade não se está. Para tanto, lembro o caso de um dos maiores supermercados do país, que em 2006 teve dois CDs tomados por assalto.
Ouvindo as análises de pessoas envolvidas, chegou-se pela conclusão que ambos os locais eram inseguros, pois havia uma preliminar e idiota tese que ninguém seria louco de fazer qualquer ação contra a empresa.
Na mesma linha, podemos discutir pelas opções de residir em uma casa ou em um apartamento, indagando qual deles seria o local mais seguro?
Genericamente, o apartamento sugere mais segurança, porém, muitas vezes vemos notícias de milionários assaltos. Conflitante, não? A resposta reside na razão que o habitante de um apartamento se sente mais seguro, relegando normas simples e básicas, onde nem sequer dão atenção ao sair do apartamento.
Ao oposto, já quem mora em uma casa, como bem consciente da exposição de um maior grau de risco, passa adotar cautelas, estando sempre atento.
Citamos outro exemplo, quando uma pessoa munida com um caríssimo relógio no pulso dirige um carro blindado, coisa que o faz se sentir tão seguro ao ponto de não ter nenhuma preocupação com o tal acessório.
Diferentemente deste cenário, temos aquela que, por não possuir um veículo protegido, sabiamente usa o adorno de forma mais discreta.
Aliás, ao primeiro exemplo, já é comum a existência de casos onde o meliante não aborda a vítima ao curso do trânsito, pois já sabe da blindagem do auto, preferindo roubá-lo quando for sair do veículo (!).
Assim, toda rotina deve ser combatida, sugerindo, p.e., alterações de caminhos, horários e hábitos. Já os protocolos devem ser fielmente mantidos, mesmo que se possa imaginar uma perfeita normalidade.
TÓPICO 15 CRITÉRIOS E REFERÊNCIAS DE FORNECEDORES
Como iremos abordar futuramente, o Gerenciamento de Risco se faz com o suporte de itens técnicos e agentes humanos, e, desta feita, sempre será possível alterar tais elementos, como a troca da empresa de segurança, aquisição de novos equipamentos e etc.
É importante que, por mais simples que seja a mudança, haja uma preocupação de opção, seleção e escolha, e, principalmente, tomar cautela contra ”armadilhas” de certas empresas, não se permitindo ser levado pelos empenhos dos seus vendedores. Afinal, eles não estão ao seu lado, mas, sim, de frente e na rente tentativa de só expor os seus produtos, independente destes serem ou não os mais adequados.
Se uma empresa de equipamento de câmera for chamada para tratativa de alguma aquisição, irá tentar explorar a sua marca, e não aquela que efetivamente atenda aos seus interesses e necessidades, afinal, por conhecer o mercado, irá valorizar só o seu produto.
É fato que somente depois de celebrar o negócio, no surgimento de um problema e/ou descoberto da sua inferioridade em comparação de outra marca e tipo mais adequado, já será tarde.
Afora a decepção, sabe-se que tudo aquilo que é relacionado ao tema segurança tem uma forte condição de custo, onde qualquer deslize será prejudicial ao conceito de OTIMIZAÇÃO, traduzido pela fórmula “MP x MP” (melhor produto versus melhor preço).
Existem ainda outras críticas circunstâncias, pois no caso de aquisição de um equipamento errado ou inadequado, a simples substituição por outro pode resolver o entrave, restando apenas a perda do dinheiro e pronto. Porém, quando se trata de uma prestação de serviço, como uma empresa de vigilância, os problemas serão maiores, afinal, na maioria das vezes, além dos dissabores e multas rescisórias, tem-se uma situação mais perigosa ainda, quando a empresa contratante ficou absolutamente vulnerável ao ter toda a sua intimidade exposta, inclusive toda a sua segurança.
Mas, afinal, como é possível adotar as melhores e mais seguras medidas seletivas e otimizadas de prestadores, produtos, fornecedores?
Primeiro, em se tratando de segurança, o quesito referência é fundamental, principalmente quando é possível adotar a chamada opinião por Fonte Reversa.
Se de um lado a parte vendedora irá explorar suas virtudes e qualidades, por outro, bem fará uma natural omissão das suas falhas e insucessos.
Assim, as referências apresentadas de outros clientes pelo pretenso prestador e/ou fornecedor podem ser consideradas, mesmo até sob o temor de ser fruto de ajustes e “acertos” entre eles, porém, de maior valia, será a busca de informes no mercado, de forma isolada e autônoma, principalmente junto aos clientes que não tiveram um bom histórico em parceiras passadas. Por outra importante linha, pesquisas junto aos órgãos administrativos, associações e sindicatos será um excelente complemento.
Já no aspecto de elementos técnicos, além do padrão citado, é oportuno procurar por empresas de assistência técnica, pois serão elas que poderão informar, sem qualquer interesse comercial, as efetivas vantagens e desvantagem sobre determinado equipamento.
TÓPICO 16 - RECURSOS TECNOLÓGICOS E HUMANOS
A ação de administrar se compõe pelo uso e suporte de elementos humanos e técnicos, condição muito bem observada nas atividades de Logística, e no seguimento de Gerenciamento de Risco vamos encontrar vários agentes disponibilizados, todos de vital importância.
Antes de definirmos os tipos, utilização, capacidades, formas e afins, em primeiro devemos ter a plena consciência que a “máquina” pode ter vantagens sobre o agente humano, e vice-e-versa, porém, qualquer bom resultado em Gerenciamento de Risco depende da união desses dois fatores , pois cada um tem um restrito e diferenciado papel.
Em segundo, no atual modelo da economia empresarial, seja de qualquer de natureza, nível ou porte, a palavra “custo” tem um peso imperativo nas decisões e opções, e, por este sentido, como já vimos anteriormente, a Gestão de Logística deve ser praticada pelo chamado custo otimizado (o melhor preço “versus” melhor produto).
Desta feita, ao se elaborar um projeto de segurança, se de um lado temos a preocupação com a qualidade da prestação e/ou equipamento, por outro, também deve haver uma forte preocupação com o fator custo.
Por tais vertentes, é oportuno expor dois casos sobre tais aspectos. Vejamos. Ao entrelaçamento do elemento humano ao tecnológico, podemos citar o exemplo de um rico condomínio, que escolheu o melhor projeto e sistema de segurança, e foi tomado de assaltado por forma bem simples. Dois marginais, articulados e bem vestidos, se dizendo proprietários de uma nova pizzaria no bairro, pediram ao zelador que distribuísse panfletos de promoção (que foi recusado), sob a promessa de semanalmente fornecer duas pizzas de brinde (então, aceito). No primeiro final de semana, um entregador veio trazer o mimo, sendo prontamente autorizado a entrar. Dentro das caixas das pizzas haviam armas, usadas para render todos os funcionários, possibilitando a entrada dos demais partícipes, onde quase todo prédio foi roubado.
Ora, no caso, apesar de todo investimento em alta tecnologia, o agente humano se deixou ludibriar, condição que poderia ser evitada pela adoção de uma criteriosa seleção e um treinamento eficaz.
Ao segundo caso, a instalação de uma empresa teve a assessoria de uma famosa gerenciadora de risco, que desenvolveu um projeto de segurança de alto padrão, restando idealizado uma rede de circuito interno com 16 pontos de captação, parte com características especiais de luminosidade, umidade, filtro solar e mobilidade.
Por quando das compras dos equipamentos, a gerencia financeira, procurando economizar, optou por alguns itens fora das recomendações e mais baratos, fato que comprometeu sobremaneira a eficácia do sistema.
Conclusão, numa ação de assalto, os meliantes entraram pelos fundos da empresa, em local escuro, onde a captação de imagens, por não atender o quesito de iluminação, não deu possibilidade de detecção, alerta e defesa dos vigilantes, sendo todos rendidos.
Os elementos e ferramentas disponibilizados ao Gerenciamento e Risco começam com os de natureza humana, que vem a ser composto por pessoas de todos os níveis, formação e gabarito, onde se requer duas características fundamentais: OBSERVAÇÃO e CRÍTICA, onde uma se identifica pela capacidade de procurar verificar a maior gama de detalhes possíveis, indo além “do simples ver”, e a outra de ser perfeccionista ao máximo, buscando imaginar todos os hipotéticos defeitos.
Assim, temos: Gerente (Diretor, Chefe e afins) de Segurança (de Patrimônio, Riscos, Controle de Perdas) é o profissional responsável pela administração setorial, habilitado aos estudos, análises, projetos e execução de programas e ações preventivas e defensivas contra perdas materiais e proteção do corpo funcional. Responde pela estruturação de todo corpo operacional, seja de direta ou indireta responsabilidade (caso de terceirização), e, bem como, de fazer a interface interna e externa do setor.
Supervisor de Segurança tem a função de assessorar o responsável pelo setor, prestando apóio, análises, medições, estudos de causas e controle de resultados.
Agente de Vigilância tem a incumbência de vigiar pontualmente um setor ou operação, com observações do meio e de massa operacional, podendo intervir em ações de ataque e/ou contingência, onde, para tanto, deverá ter, além de profundo treinamento, autorização dos órgãos pertinentes, principalmente se a sua atividade comportar o uso de armamento, circunstância que deverá bem regulada.
Agente de Escolta tem a mesma feição do Vigilante, porém, diferencia-se por atividade externa de transporte, movimentação e/ou distribuição, e, deste
modo, considerando que qualquer tipo de ação defensiva poderá ensejar em críticos riscos ao meio alheio da empresa (área externa e pública), requer um maior e devido preparo e constante treinamento, sendo recomendado que essa atividade seja exercida por empresas de padrão e especializadas.
Agente de Apóio e Suporte Técnico é o profissional cuja atividade é a mais estreita da área tecnológica, operando sistemas de comunicação, controles, alarmes, sensores, monitoramento, rastreamento, informática e afins.
Os Recursos Tecnológicos são compostos pelo conjunto de equipamentos e sistemas não humanos, destinados às seguintes naturezas:
Comunicação: rádio, h.t., telefonia fixa e móvel, itens fundamentais para o combate preventivo e defensivo, preservando o agente humano de envolvimento direto e letal, podendo detectar e monitorar o ato crime à distância, até que seja possível, a devida e segura ação repreensiva, e, principalmente, quando proporciona meios de chamamento e de prestação de socorro.
Travas e Bloqueios : auxilia para impor obstáculos ou reprimir ação criminosa, fazendo filtragens de entradas ou entraves de saída (catracas, portas giratórias e de retenção, travas de portas e veículos/baú). Um bom rol tecnológico pode até subjetivamente inibir o início do ato crime, e, bem como, servir de barreira durante e depois.
Alarmes e Sensores : são oportunos para manter em vigia áreas, locais e coisa sem uma direta vigilância, que somente irá ser acionada quando de uma invasão ou ação furtiva, é o caso de salas fechadas que quando violadas, terão a atenção do corpo de segurança, mesmo que a distância ou até mesmo não presencial.
Monitoramento e Rastreamento é a mais moderna e eficaz tecnologia em segurança de controle nas atividades de movimentação (transporte e distribuição), compõe-se pela possibilidade de acompanhamento, em tempo real, de um alvo móvel, veicular, coisas e pessoas, e, principalmente, para detectar situações de pânico e afins. Quase sem limites, tal tecnologia é basicamente dividida em três sistemas: (a) por rádio freqüência ou (b) r.f triangulada e (c) satelital de baixa e alta órbita, e híbrido, que reúne os dois anteriores, extraindo as respectivas vantagens. O sistema de Rádio Freqüência usa a transmissão por antena em ondas de vários níveis (freqüências), podendo, além de emitir e receber sinais, acionar dispositivos de segurança (eletro-mecânicos). Sua desvantagem é o raio de ação limitado, ficando ainda à mercê de interferências e sombreamento de áreas. O Rádio Freqüência de Sinal Triangulado (celular) faz a transmissão em tempo de real de dados e de voz (antes só por CDMA e agora no formato GSM), com o uso da comunicabilidade do sistema de telefonia móvel, triangulando o sinal pela busca das três fontes (torres ou células) de maior proximidade.
Tal tecnologia, aliada à informática e com específicos programas, permite que um monitor tenha e faça uma leitura de localização com mínima margem de erro, afora ser possível ter a latitude e longitude quando da ausência de mapeamento de vias. Sua desvantagem é que por ser dependente do sistema de telefonia, tem um raio de ação restrito, e fica aos critérios e capacidades das operadoras. O sistema Satelital já é mais amplo, podendo ser global, daí ser chamado GPS (Global Position System), que opera pelo envio de dados por reflexão de sinais usando a via de um ou mais satélites espalhados na órbita terrestre. Diferenciadas pelas áreas de alcance, existem duas modalidades, a de baixa órbita, com cobertura e trânsito regional (parte do território nacional), e a de alta órbita, de maior extensão (todo território americano). Sua desvantagem é o custo, que ainda é proibitivo para a grande massa operadora, afora que o tempo de resposta é bem superior ao sistema Celular. O formato Híbrido tenta mesclar a metodologia Celular e Satelital, agindo dentro das efetivas necessidades das operadoras, além de proporcionar um melhor tempo de ação, ainda reduz o custo do sistema.
Finalmente temos a tecnologia de Transmissão de Dados (Internet ou Intranet) que opera de igual modo dos monitoramentos citados, porém, são
desenvolvidos e voltados para alvos fixos, onde a vigilância ficará restrita aos movimentos dentro de um determinado ambiente.
Com efeito, reitera-se que todo o universo tecnológico exposto não terá muito valor se não houver uma interação e integração com a ação humana, onde, isoladas, ou desproporcionais de qualidade, concorrerão a resultados parciais e insatisfatórios.
Do mesmo modo, a Tecnologia, qualquer que seja, deve ser sempre desenvolvida para as suas efetivas e reais necessidades, e sempre atreladas na mais otimizada operacionalidade, de nada adiantando, por exemplo, fazer que apenas um agente de vigilância faça o monitoramento e controle em uma tela de 20” de vinte pontos de capturação de imagem, onde, evidente, não haverá nenhuma eficácia.
TÓPICO 17 - AS ETAPAS DO EVENTO DE SINISTRO
Sabemos que a subtração patrimonial dentro do exercício da Logística é basicamente composta por ações de furto e de roubo, e que este é o mais crítico dos delitos, devendo, assim, ser destinada uma melhor atenção ao elemento humano envolvido.
Vamos estudar a ação de roubo, que é dividida em quatro etapas: ABORDAGEM, RENDIÇÃO, SUBTRAÇÃO e FUGA.
Todas são distintas e representam peculiares formas de agir, reações e riscos, tanto pelo prisma do agente ativo como do passivo.
Abordagem é o momento em que o agente ativo age, seja em ação pré-selecionada ou casual, e considerando que o comportamento humano enseja diferentes reações, no geral, a vítima, de plano, responde com uma postura de atônita ao espanto. Esta passagem se dá até que possa processar o que está acontecendo.
Por seu turno, o agente ativo já estava pela expectativa do seu intento, imaginando uma séria de aspectos, tais como: a escolha da vítima ou a sua chegada, se ficará sob as condições do seu domínio, de como irá reagir, da demora de entender o ato de abordagem, da possibilidade do surgimento e interveniência de terceiros, se eventualmente já possa ter sido descoberto e a polícia já possa ter sido acionada. Tudo isto na mesma fração de tempo. A rendição ocorre quando o agente passivo já reconheceu o fato de estar sendo assaltado, bem temendo que qualquer reação sua possa concorrer a uma tragédia. Assim, mediante grave ameaça, deve atender ao roubador, pois este, depois de ultrapassados os temores da fase inicial, passa gradativamente a se sentir mais seguro, afinal, reconhece o domínio da sua ação.
A subtração é o momento que em que o bem é despojado, sendo importante o atendimento da sua entrega de modo mais incisivo e rápido.
Ao começar a ver qualquer vantagem que esperava, o meliante passa a ter certo contentamento pelo fruto do crime, passando a ver a sua fuga como única preocupação.
Como se observa, a ação de roubo é como se fosse uma “panela de pressão ao oposto”, pois se inicia em alto grau de risco, mas com a passagem de cada uma das suas etapas, esse teor vai diminuindo.
Assim, pela figura da vítima, afora a importância de ações preventivas, caso venha a ser uma vítima de roubo, deve entender e atender as determinações do criminoso, pois qualquer reação diferente do que ele espera, significa diretamente não uma diminuição, mas um agravamento e/ou manutenção do perigo.
Recomenda-se a elaboração de programas de Indução Comportamental, aplicados com dinâmica de grupo e individual ao corpo operacional diretamente envolvido em ações e/ou locais de risco, pois isto pode significar minimização de todos os perigos envoltos no crime.
Por tais circunstâncias, é sumamente importante todo funcionário envolto em situações de risco, seja em atividade de base fixa ou de movimentação, seja preparado para lidar e conviver com um evento de roubo, pois assim terá mais chances de sair ileso daquele que nunca foi orientado de como agir.
Será no item de Indução Comportamental que teremos uma melhor oportunidade para explorar a postura do agente passivo dentro sinistro de roubo, porém, fica a melhor conclusão que diante do alto nervosismo do agente ativo, é de ser esperado que todas as etapas do sinistro sejam ultrapassadas, pois assim poderá haver uma diminuição do seu estado emocional, condição muito importante para a sobrevivência do agente passivo. Evidente que esta diminuição emocional poderá novamente aumentar caso houver qualquer fator interveniente.
TÓPICO 18 - PROGRAMAS PREVENTIVOS E INDUÇÃO COMPORTAMENTAL Todas as pessoas envolvidas em situações adversas tendem a reagir sob as mais diversas formas, e num caso de uma ação de roubo podemos encontrar reações letardas, histéricas, pasmas, nervosas, apáticas, desfalecedoras, etc. Muito bem, a questão básica é identificar e ter ciência que toda ação criminosa pode ensejar à vítima temores das mais várias espécies, principalmente quando relaciona um medo pela preservação da vida ou sofrimento físico. Tal assertiva é naturalmente aceita, afinal, somos humanos. Do lado meliante, temos algumas variantes, pois existe o criminoso que não quer barbarizar (“o bom ladrão”), tentando, inclusive, manter a vítima em estado de calma. Ao oposto deste, temos o que age sobre forte violência (“o mau ladrão”), que muitas vezes pratica agressões desnecessárias. Por fim temos o psicótico (“o nóia”), que nem sequer sabe o que faz, cujas atitudes são atreladas por fazer uma ação rápida para sustentar o seu vício. Sem qualquer ilusão, todos são perigosos, pois, independente do tipo, algo pode concorrer em uma desgraça.
Assim, a grande meta é ultrapassar todo o evento sem o sofrimento de qualquer lesão, e, para tanto, podemos nos servir do programa chamado INDUÇÃO COMPORTAMENTAL .
Primeiro, é necessário expor que, sem nenhuma ilusão, toda ação marginal é perigosa, pois, independente do tipo, o ato de roubo é revestido por violência ou grave ameaça, condição que pode concorrer em uma desgraça.
Desta feita, emocionalmente, o roubador e a vítima vão estar em condições diferenciadas apenas no inicio da ação, onde o agente ativo já estará com o emocional bem elevado, eivado de ansiedade e nervosismo. Já a Vítima, até se dê conta do que esta efetivamente acontecendo (no geral pode levar segundos), também elevará em muito o seu estado psicológico, onde depois desta consciência, o fator pânico agravará em mais ainda a situação.
O segredo será tentar manter ao máximo o controle da situação. Mas como isto será possível, principalmente quando se tem uma arma apontada na sua direção, com vislumbre dos laços da sua vida, família e etc.?
Evidente que não existe nenhuma fórmula “mágica”, mas apenas o mecanismo de se conscientizar e tentar absorver o impacto da ação bandida, afinal, quando se tem a faculdade de entender, será possível conviver com a ação. De plano, deve-se ter em conta que o intento marginal será o mais breve possível, pois o meliante, depois de iniciado o crime, já terá contra si o fator tempo. Assim, a vítima e o ladrão já têm algo em comum, ou seja: ambos vão desejar que o evento termine logo.
Em segundo, o que de fato o criminoso não deseja é ter o seu objetivo obstacularizado, não desejando qualquer tipo de interferência, e, por tal circunstância, sem qualquer fato impeditivo, o transcurso do sinistro será menos intranqüilo.
Agora vamos fazer um parâmetro da emoção entre a vítima e o criminoso, e, para tanto, imaginemos duas pessoas discutindo, ambas fortemente abaladas. É lógico que o resultado disto poderá ensejar até mesmo uma agressão física. De outra sorte, se uma delas não desejar discutir, a condição de ENFRENTAMENTO perderá força.
A palavra foi relevada em face da grave importância, afinal, um crime de roubo nada mais é que um embate, agravado quando uma das partes tem um “trêsoitão” na mão.
Ora, como já visto, e considerando tal “detalhe”, quanto mais a vítima não significar uma ameaça ao intento do marginal, o que vale a manutenção ou diminuição da emoção deste, estará se afastando de um final trágico.
Vamos expor este cenário comparando as posturas psicológicas de cada lado. O do meliante, antes mesmo da ABORDAGEM, estará ansioso e cercado de vários temores, estando no seu ápice emocional e beirando um estágio de descontrole. Ato seguinte, a RENDIÇÃO, é o momento que manterá a vítima ao seu pleno domínio, e muito embora preparado para qualquer coisa, terá o desejo de não ocorrer reações impensadas. Em seguida fará a SUBTRAÇÃO, já estando mais seguro da sua atitude, e, de certa forma, vislumbrando certo contentamento por estar logrado êxito no seu crime. Logo depois cuidará da FUGA, oportunidade em que seu nervosismo ressurgirá, porém, sem a presença da vítima.
Estes são os quatro tempos de um crime de roubo que já vimos, e tivemos a oportunidade de aquilatar que a emoção do marginal poderá, paulatinamente, ir caindo ou se estabilizando até o momento da sua retirada.
Pelo lado do agente passivo, a letargia inicial da ABORDAGEM, se transformará em espanto, havendo em seguida uma inicial tomada de pânico pela efetiva consciência do que está acontecendo, coisa que será maior ou não agravada pela condução marginal.
Desta feita, o emocional da vítima estará num perigoso crescente, só se estabilizando quando o evento encerrar, ou quando o próprio meliante estiver em pleno domínio, preferindo manter toda a situação em calma.
Evidente que o agente passivo, frente a qualquer tipo de meliante, deverá adotar medidas simples, principalmente quando forem aptas pela manutenção da situação de risco.
Tal postura deve ser feita pelas ações de Reflexão, Respiração, Submissão e Colaboração.
A primeira será oportuna para o mais rápido entendimento do que está acontecendo, coisa que comportará por imediata consciência e, conseqüentemente, na adoção dos demais passos do programa. Em suma, a vítima não irá perder tempo pela busca de compreensão daquilo que já pode bem saber, ou seja, que está sendo assaltada, e pronto.
A segunda fase é manter ao máximo a respiração, mesmo que forçada, pois quanto mais o cérebro estiver oxigenado, menor será a perda de sentidos ou demora de reações, havendo um processamento de todos os atos e idéias no sentido do que fazer e não fazer, e, desta forma, absorver a ação criminosa visando administrar ao máximo toda ocorrência.
Assim, já no auge da ação delitiva, deverá a vítima se postar na maior colaboração possível, entregando o bem material pretendido, mesmo que este lhe seja caro, de estimação ou de difícil reparação, pois nada irá substituir a sua vida ou as seqüelas físicas.
Neste aspecto, a grande valia desta postura será a hipótese que o meliante não mais irá ver a vítima como um problema ou geradora de obstáculos ao seu intento.
Por último, tem-se que o atendimento de todos pedidos e acatamento de ordens do meliante será apto para melhor caracterizar o item anterior, proporcionando a proximidade do enceramento do evento e não mais havendo razões ou motivos para atos de ameaça ou violência.
Assim, quando tais regras forem tomadas e seguidas, poderá haver um menor risco de danos físicos ou de vida no curso do sinistro, e, independente de qualquer tipo de meliante, não se recomenda, em hipótese alguma, a tentativa de estabelecer diálogo com o marginal, pois, sendo ele do tipo “bom ladrão”, poderá imaginar que se está tentando atrair ou desviar a sua atenção. Se for da linha do “mau ladrão”, isto poderá despertar a sua ojeriza pela vida e da sociedade ou um veio da sua personalidade psicótica de se contentar com o sofrimento de outrem. E de idêntico modo, no caso do tipo “nóia”, isto só poderá agitá-lo mais ainda, concorrendo a atos e atitudes impensadas.
Este programa, assim como outros, poderá ser colocado em prática pelo uso de assessoria externa, ao encargo de profissionais que irão desenvolver um modelo adequado com a melhor metodologia de penetração, ou, de forma interna, ministrado por orientações e recomendações feitas em dinâmicas de simples aplicação.
Independente do tipo e atividade logística, seja de operação em base fixa, movimentação e transporte ou por operações de distribuição, o presente programa é totalmente flexibilizado, pois a natureza da criminalidade será sempre uma, e, ao lado da empresa, poderá deixar o funcionário preparado para uma situação de risco.
Desnecessário expressar o ganho da aplicação de programas preventivos, afinal, quando o corpo funcional está preparado para a adversidade, enseja que poderá entra e sair ileso de uma situação de risco.