Profa. Monica Villaça Disciplina: Terapia Ocupacional na Saúde da Criança Curso de Graduação em Terapia Ocupacional Universidade Federal do Rio de Janeiro
Anatomia da Orelha
— O órgão responsável pela audição é a orelha
(antigamente denominado ouvido), também chamada órgão vestíbulo-coclear ou estato-acústico.
— A maior parte da orelha fica no osso temporal, que se
localiza na caixa craniana. Além da função de ouvir, o ouvido também é responsável pelo equilíbrio.
— A orelha está dividida em três partes: orelhas externa,
Anatomia da Orelha
Imagem: CÉSAR & CEZAR. Biologia. São Paulo, Ed Saraiva, 2002
Anatomia e Funcionamento da
Orelha
— Orelha externa: pavilhão da orelha, canal auditivo e
timpano. O pavilhão da orelha tem forma afunilada para coletar e transmitir ondas sonoras as quais fazem vibrar o timpano.
— Orelha Média: constituido por uma cavidade onde encontram-se a cadeia de ossiculos (martelo, bigorna e estribulo), além do m. tensor do tímpano e m. do estribo. Atua como um aplificador sonoro, aumentando as vibrações do tímpano. atraves da ligação dos ossiculos e da relação da membrana timpânica e oval.
Anatomia e Funcionamento da
Orelha
— A janela oval, membrana que separa o ouvido médio do ouvido interno, excitada pelo estribo transmite a vibração à coclea, que é uma espiral cônica formada por 3 tubos. Os tubos de baixo e de cima comunicam-se com a orelha média através da janela oval e janela redonda, respectivamente. Os dois tubos são cheios de um liquido chamado perilinfa. O tubo central (duto coclear) é cheio de outro fluido, a endolinfa. Na coclea a vibração é transmitida até o órgão de Corti, na porção basilar do duto coclear. Este órgão é formado por celulas ciliares que excitadas geram sinais elétricos que através do n. óptico são transmitidos para o cérebro que codifica e interpreta a mensagem sonora.
Desenvolvimento da Audição
— No 3o. Mês de vida intra-uterina inicia-se a diferenciaçãodas cel sensoriais, que entram em funcionamento por volta dos 4 meses e meio de gestação. A maturação coclear chega ao fim ao nascimento.
— Assim, o feto já tem capacidade de detectar som
significativo.
— A audição das crianças melhora até a adolescência. Porém os recém-nascidos ouvem quase como os adultos, sendo a diferenças nos sons agudos, que os bebês ouvem menos.
— A percepção da localização de um som é que é pouco
desenvolvida nos bebês. Aos 18 meses chegam ao desenvolvimento quase similar ao do adulto.
Desenvolvimento da Audição
— Logo ao nascer o recém-nascido consegue ouvir variedades de altura e intensidade da voz humana; localiza objetos por seus sons, discrimina algumas vozes em particular.
— Com 3 meses, começam a fazer movimentos rudmentares em
direção ao som e atendem melhor à voz da mãe do que de desconhecidos.
— Aos 5 meses percebem padrões de som - já conseguem reconhecer seus próprios nomes, musicas conhecidas mesmo que tocadas em tons diferentes
— Com 6 meses os bebês conseguem distinguir as entonações na
fala, mesmo que seja em outra lingua (positivo/negativo)
— Aos 9 meses, já preferem ouvir sua lingua materna
(Bee & Boyd, 2011; Lima e Nakamura, 2006)
Deficiência Auditiva
— Deficiência auditiva: perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz. (De acordo com o Decreto Federal no. 5.296 de 2004)
Em os níveis de limiares utilizados para caracterizar os graus de severidade da deficiência auditiva são:
— Audição Normal – Limiares entre 0 a 24 dB nível de audição.
— Deficiência Auditiva Leve – Limiares entre 25 a 40 dB nível de audição. — Deficiência Auditiva Moderna – Limiares entre 41 e 70 dB nível de
audição.
— Deficiência Auditiva Severa – Limiares entre 71 e 90 dB nível de audição.
— Deficiência Auditiva Profunda – Limiares acima de 90 dB.
Perdas auditivas
— Podem ser classificadas de acordo com o ponto onde
há falha da transmissão:
— Condutivas: duto auditivo externo, orelha média
(articulações dos ossiculos) ou tudo de eustáquio
— Neurossensoriais: orelha interno ou n.auditivo — Centrais: no sistema nervoso central
— Funcionais: não há dano orgânico detectável
(emocional)
— Mistos
Segundo o CID-10 – H90
— H90 - Perda de audição por transtorno de condução e ou neuro-sensorial
H90 Perda de audição por transtorno de condução eou neuro-sensorial H90.0 Perda de audição bilateral devida a transtorno de condução
H90.1 Perda de audição unilateral por transtorno de condução, sem restrição de audição contralateral
H90.2 Perda não especificada de audição devida a transtorno de condução H90.3 Perda de audição bilateral neuro-sensorial
H90.4 Perda de audição unilateral neuro-sensorial, sem restrição de audição contralateral
H90.5 Perda de audição neuro-sensorial não especificada
H90.6 Perda de audição bilateral mista, de condução e neuro-sensorial H90.7 Perda de audição unilateral mista, de condução e neuro-sensorial, sem
restrição de audição contralateral
Importância do Diagnóstico
Precoce
— “(…) A detecção de alterações auditivas e a intervenção iniciada antes dos 6 meses de idade garantem o desenvolvimento da compreensão e da expressão da linguagem, bem como desenvolvimento social, compatível com crianças da mesma faixa estária. (Lima e Nakamura,
2006)”
— É importante realizar avaliações e testes desde que a
criança nasce. Orientar os pais e profissionais para que percebam alteraçoes no desenvolvimento e procurem ajuda especializada.
— Um dos procedimentos utilizados para a detecção precoce
de deficiência uditiva é o teste da orelhinha.
Teste da Orelhinha ou exame de
emissões otoacústicas evocadas
— Esse exame consiste na colocação de um fone acoplado
a um computador na orelha do bebê que emite sons de fraca intensidade e recolhe as respostas que a orelha interna do bebê produz.
— é realizado com o bebê dormindo, em sono natural, é indolor e não tem contra-indicações
— dura em torno de 10 minutos.
— O indicado é que a avaliação seja feita ao menos 48
horas após o nascimento
Teste da Orelhinha ou exame de
emissões otoacústicas evocadas
Desde o dia 2 de agosto de 2010 o exame é obrigatório
e gratuito
A criança surda
— A audição está diretamente ligada ao desenvolvimento da linguagem. Porém, os marcos do desenvolvimento da linguagem verbal e não verbal em bebês surdos são muito parecidos com os da criança que pode ouvir (balbuciar com 5-7 meses, e usar gestos simples para apontar pouco antes de 1 ano).
— Depois de um ano que as crianças surdas começam a usar sinais referenciais que são analogos às primeiras palavras faladas das crianças que podem ouvir.
— Com 1 ano, essas crianças usam tanto a linguagem dos sinais
estruturada quanto gestos que amplificam ou comunicam informações que elas ainda não consegue expressar pela linguagem dos sinais. (Bee & Boyd, 2011)
A criança surda
— A criança surda filha de uma familia ouvinte acaba
muitas vezes não sendo estiumlada sonoramente e afetivamente – contar história, canções de ninar… A estimulação é escassa em todos os sentidos
Surdez X Deficiência Auditiva
— Surdez: aspecto da diversidade do individuo e não comouma deficiência. Identidade cultural e social.
— Deficiência auditiva: termo da visão biomédica.
Cultura Surda
— A cultura é aprendida através da interação com os outros. O
aprendizado da criança ocorre individualmente, mas interiozados por padrões contruidos por meio de aprendizagem coletiva.
— “A cultura surda favorece a estruturação de significado
enquanto pessoa surda que se comunica em uma lingua com caracteristicas especificas, que é a base da sua identidade”(Munguba, 2007)
Cultura Surda
— Na cultura surda, a linguagem própria é a linguagem
dos sinais. No Brasil: LIBRAS
— Na comunidade surda acredita-se que deve haver
espaços especificos para surdos. Ex: escola de surdos para surdos. Mesmo com a inclusão escolar e a existência de um interprete em Libras, muitos surdos acreditam que isso não respeita a comunidade surda, uma vez que o ensino e o curriculo escolar é voltado para a comunidade ouvinte.
— Implante clocear: polêmica
— É uma questão que levanta muitas discussões, com diferentes visões e muitos debates sobre o tema.
Linguagem Brasileira de Sinais
-Libras
— LIBRAS é um língua. Expressar-se em uma linguagem
é uma prática social.
— Libras hoje é obrigatória no cursos de formações de
professores (Alguns probl: carga horário, falta de prof)
— Libras é a lingua materna. O português é segunda
lingua (bilingue)
— Libras é especifico do Brasil. Cada país tem sua própria
linguagem dos sinais.
Intervenção da Terapia Ocupacional
— Estimulação através do brincar: maior estimualação
nas percepções visuais (Importante: estimular a visão do surdo não substitui a percepção auditiva)
— Desenvolver a linguagem e as habilidades de
comunicação e interação (utilizando quando possível os resíduos auditivos da criança)
— Condensar a informação/instrução através da redução
do vocabulário
— Motivar aprendizagem e refinamento das habilidades
motora, percepto-cognitivas, noção espacial e temporal, esquema corporal e equilíbrio (crianças
Intervenção da Terapia Ocupacional
— Estimular o pensamento abstrato— Trabalhar a noção de permanência do objeto — Trabalhar a melhoria no nível de atenção
— Ensino de estratégia de aprendizagem para que a
criança surda aprenda a aprender e a utilizar seus recurso de forma otimizada.
— Orientação familiar
— Orientação à escola (alterações curriculares, adaptações, posicionamento do aluno, uso de recursos visuais)
Manejo
— Posicionar-se sempre de frente para a criança surda,
mantendo o contato visual (mesma altura)
— Falar em ritmo mais lento, porém não mto lento, para
facilitar a leitura labial (evitar mascar chiclete ou realizar movimentos excessivos qdo fala)
— Usa recursos visuais e gestuais para facilitar a
comunicação
— Importante aprender a linguagem dos sinais para se
Libras
Atividades
escolares
Objetos Adaptados
Referências
— BEE, H; BOYD, D. A criança em Desenvolvimento. Porto
Alegre: Artmed, 2011
— LIMA, MCMP; NAKAMURA, HY. Desenvolvimento da
linguagem e da função auditiva em lactentes. In: MOURA-RIBEIRO, MVL; GONÇALVES,VMG. Neurologia do desenvolvimento da criança- cap 18, p.270-296. Rio de janeiro: Ed Revinter, 2006
— MUNGUBA, MC. Abordagem da Terapia Ocupacional na
Deficiência Auditiva. In: CAVALCANTI, A & GALVÃO. Terapia Ocupacional: fundamentação e prática. Cap. 41, p.385-398. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007