Arquitetura e a matemática
>> [Entrevistador]: A relação entre a Matemática e a Arquitetura existe desde a Antiguidade. Basta observar as obras milenares que perduram até hoje, como as Muralhas da China, o Coliseu de Roma e as pirâmides do Egito.
Conversamos com o arquiteto David Moreno Sperling sobre a presença da Matemática no dia a dia dos arquitetos e os instrumentos de medição usados por esses profissionais. Vamos ouvi-lo?
>> [Entrevistador]: Olá! Você pode se apresentar e contar um pouco sobre a sua trajetória profissional na arquitetura?
>> [Entrevistado]: Meu é David Moreno Sperling, eu sou arquiteto de formação. Também tenho mestrado e doutorado na área, e a minha trajetória na arquitetura se inicia antes mesmo do curso de graduação, num curso técnico de edificações e depois essa trajetória, ela avança e se prolonga com estágios em empresas, em aulas, seja [sic] particulares ou escolas, também em escritórios de arquitetura em São Paulo, no meu próprio escritório e também já desde de 2002, eu sigo uma carreira acadêmica que se iniciou em universidades privadas e agora desde então [sic] na Universidade de São Paulo, tendo realizado meu mestrado, meu doutorado e tenho orientado alunos, desde alunos de graduação até o seu pós-doutorado.
>> [Entrevistador]: Como foi sua relação com a matemática?
>> [Entrevistado]: A minha relação com a matemática, ela se deu desde o princípio numa disciplina chamada matemática para arquitetura e eu tive o privilégio de ter um professor encantador nessa disciplina, porque ele não só ensinava tópicos de geometria e de cálculo, mas também trazia para nós discussões sobre relações entre matemática e filosofia o que, então, dá para imaginar que é encantador pensar as conexões da matemática com a nossa própria vida. E essa relação, ela foi tão bacana, que mais tarde ela veio influenciar a minha pesquisa de mestrado, como arquiteto orientado por um matematico. Então essa relação entre arquitetura e matemática ela é tão estreita
que ela está não só na base do curso, lá no seu princípio, mas em tópicos avançados ela pode orientar pesquisas de ponta.
>> [Entrevistador]: Quais são os instrumentos da matemática e da geometria que você usa no dia a dia? E qual a função de cada um deles?
>> [Entrevistado]: Essa posição da matemática, não só na base da arquitetura, no desempenho da arquitetura, mas também na pesquisa de ponta, ela depende de alguns instrumentos. E hoje diante das transformações tecnológicas pelas quais o mundo vive, elas estão na base também, elas intereferem na arquitetura, no próprio projeto da arquitetura. E esses instrumentos diante dessas transformações tecnológicas também estão mudando muito. É possível a gente imaginar a nossa vida toda está sendo mediada por vários tipos de software, a arquitetura também, com softwares de computação gráfica para facilitar o projeto, a visualização e a simulação daquilo que é projetado em direção daquilo que vai ser construído. E esses instrumentos, computadorizados, esses softwares, eles de certa maneira reproduzem alguns instrumentos ou o papel que alguns instrumentos analógicos realizavam para o universo de projeto, como, por exemplo, a régua, os esquadros, os tranferidores. De que modo? Basicamente, permitindo o domínio das geometrias e como esses instrumentos que auxiliam no entendimento da matemática e na geometria, mesmo na formulação geométrica, na arquitetura, diante das transformações tecnológicas que o mundo vive hoje, a arquitetura também está sendo influenciada por elas. Então, começam a aparecer uma série de softwares que ajudam o projeto, a visualização num campo que nós chamamos de computação gráfica. Esses softwares, eles na verdade têm uma base de entendimento da geometria mas também de cálculo que nós chamamos algébrico, das formas. E eles, vamos chamar assim, reproduzem um comportamento de instrumentos que são analógicos para a relação e para a operação e mesmo para a construção dessas formas. Os mais conhecidos como a régua, o esquadro, o transferidor e tudo mais que permitem que a gente trace paralelas, perpendiculares, realize um desenho preciso de polígonos, de poliedros, de perspectivas dentre outras formas da geometria projetiva. Então, assim, ao mesmo tempo que esses instrumentos analógicos, eles continuam sendo utilizados no ensino de arquitetura, eles vão sendo complementados ou mesmo substituídos por instrumentos mais complexos que também permitem o controle e o projeto e a visualização de projetos também mais complexos,
articulando não só a visualização com o controle dessas formas, mas também, inclusive, a previsão de problemas que podem existir com a escolha de formas não tão adequadas de problemas que enfrentamos no projeto.
>> [Entrevistador]: Existe geometria por trás do desenho arquitetônico? É a mesma geometria que estudamos na escola?
>> [Entrevistado]: Dentro da matemática nós podemos dizer que a geometria é um dos campos de maior conexão com o projeto e o desenho arquitetônico. Não só para o desenho, mas também para a compreensão dessas formas. E também para o cálculo dessas fórmulas. Por exemplo, é importante seber como desenhar um quadrado, um retângulo, por exemplo, mas também saber como fazer o cálculo dessa área. Ou então de um poliedro específico e o cálculo de seu volume. Essa compreensão que é por um lado geométrica e por outro lado também algébrica ela é chave para que a gente também consiga é ter o domínio efetivo daquilo que está sendo projetado. E tambem é importante compreender operações geométricas, como rotação, reflexão e translação dessas formas. Muitas vezes, uma obra ela [sic] é composta de poliedros e operações geométricas feitas com esses poliedros. Então, elas não são feitas só de um poliedro simples, mas podemos chamar assim de uma composição um pouco mais complexa de poliedros e a relação entre eles ou mesmo a interferência de uns nos outros, ela é decisiva para que a gente consiga, por exemplo, fazer o desenho de um telhado, não é? O desenho de um telhado, ele é muitas vezes o encontro de superfícies um pouco mais complexas do que aquelas que comumente a gente vê, como, por exemplo, um cubo. Então a geometria que a gente aprende na escola, ela é a base, com certeza, ela é a base para outros conceitos e operações um pouquinho mais complexos e que, inclusive hoje como eu estava comentando anteriormente, elas podem ser realizadas com o
software, mas é fundametnal que o operador desse software, o técnico, o arquiteto, ele
tenha a compreensão desses conceitos porque um software sozinho nao realiza um projeto. Ele é extensão da compreensão e do conhecimento do arquiteto que está ali operando aquele instrumento, um software como instrumento.
[♪ vinheta ♪]
Apresentação: Jader Cardoso Entrevistado: David Moreno Sperling
Estúdio: Núcleo de Criação
CRÉDITOS
EDITORA MODERNA Organizadora
Ivonete Darci Lucírio Gonzaga
Bacharela em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pelo Instituto Metodista de Ensino Superior (São Bernardo do Campo – SP). Mestra em História da Ciência pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Atuei como jornalista. Editora.
Elaboradoras
Luciana Saito
Bacharela em Comunicação Social, com habilitação em Editoração, pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (São Paulo – SP). Editora. Marcela Rosa Mastrocola
Bacharela em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Faculdade Cásper Líbero (São Paulo – SP) e em Letras, com habilitação em português e francês, pela
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (São Paulo – SP). Editora.
Edição de conteúdo
Felipe Jordani
Revisão técnica
Willian Raphael Silva
Revisão de texto
Ramiro Morais Torres
Assistência editorial
Cinthia Santos Galarza, Elizangela Gomes Marques
Coordenação de arte
Eduardo Reche Bertolini
Edição de arte
Diogo de Assis Macedo
Assistência de arte
Ana Maria Totaro Delgado
Iconografia
Fabiana Manna da Silva, Renate Hartfiel
Coordenação de produção
Leonardo Miranda Ribeiro
Programação
Assistência de programação
Cauê Guimarães, Rodrigo Vieira Benfica Amancio
Assistência de produção e checagem
Fabiana Aparecida Martins, Caia Amoroso, Natália Lamucio Andrade, Paula Pelisson Petri, Renata Campos Michelin
Locução
Jader Cardoso da Silva
Produção
Núcleo de Criação EDITORA MODERNA
Rua Padre Adelino, 758 – Belenzinho São Paulo, SP – Brasil – CEP 03303-904 www.moderna.com.br
Produzido no Brasil