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Mestranda em Educação em Ciências e Matemática do Instituto Federal do Espírito Santo 2

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Academic year: 2021

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UMA SEQUÊNCIA DIDÁTICA PARA DISCUTIR GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA,

MÉTODOS CONTRACEPTIVOS E INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS

NO ENSINO MÉDIO DE UMA ESCOLA PÚBLICA

A TEACHING SEQUENCE TO DISCUSS PREGNANCY IN ADOLESCENCE, CONTRACEPTIVE METHODS AND SEXUALLY TRANSMITTED INFECTIONS IN THE HIGH SCHOOL OF A PUBLIC SCHOOL

Grupo Temático 1. Ensino e aprendizagem por meio de/para o uso de TDIC

Subgrupo 1.1. Aprender por meio das diferentes tecnologias – da educação básica à pós-graduação

TONON1, Camila B; MERLO2, Solange Aparecida Bolsanelo; OLIVEIRA3, Luzinete de Souza; RESSTEL4, Renata; TERRA5, Vilma dos Reis; AMADO 6, Manuela Villlar

Resumo:

O trabalho é referente a uma prática pedagógica desenvolvida em uma turma de segunda série do ensino médio de uma escola pública no Estado do Espírito Santo/Brasil. A Sequência Didática proposta foi estruturada no método dos Três Momentos Pedagógicos propostos por Delizoicov; Angotti e Pernambuco (2011). O planejamento dessa prática de ensino levou em consideração a reflexão acerca das temáticas relacionadas com à gravidez na adolescência e a prevenção das IST. Tratou-se de uma investigação qualitativa participante e a coleta de dados se deu durante o desenvolvimento da SD através das observações, das fotografias, das entrevistas por meio google forms, da construção dos diagramas, além das atividades realizadas pelos alunos. Os resultados desta intervenção apontam para a necessidade de no ensino de Ciências e Biologia discutir as inter-relações entre as explicações científicas e a tomada de decisão sobre temas práticos de importância social. Percebeu-se ao longo das atividades a importância de práticas pedagógicas que despertem o interesse dos alunos para a construção de conhecimentos que sejam relevantes para a vida pessoal e coletiva e que essa construção se dê por meio do diálogo e da investigação, onde o professor exerça a função de mediador e orientador da aprendizagem e que faça uso de recursos necessários para estimular a participação de todos, tornando a aprendizagem mais significativa.

1Mestranda em Educação em Ciências e Matemática do Instituto Federal do Espírito Santo [email protected]

2 Mestranda em Educação em Ciências e Matemática do Instituto Federal do Espírito Santo [email protected]

3 Mestranda em Educação em Ciências e Matemática do Instituto Federal do Espírito Santo [email protected]

4 Mestranda em Educação em Ciências e Matemática do Instituto Federal do Espírito Santo [email protected]

5 Doutora em Química Inorgânica, docente do Programa de Pós Graduação em Educação Em Ciências Matemática - Instituto Federal do Espírito Santo - [email protected] -

6 Doutora em Biotecnologia, docente do Programa de Pós Graduação em Educação Em Ciências e Matemática - Instituto Federal do Espírito Santo - [email protected]

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2 Palavras-chave: Sequência didática, Gravidez, Infecções Sexualmente Transmissíveis,

Métodos contraceptivos, Adolescência.

Abstract:

The work refers to a pedagogical practice developed in a class of second grade of high school in a public school in the State of Espírito Santo / Brazil. The proposed Didactic Sequence was structured in the method of the Three Pedagogical Moments proposed by Delizoicov; Angotti and Pernambuco (2011). The planning of this teaching practice took into consideration the reflection on the themes related to teenage pregnancy and the prevention of STIs. It was a participative qualitative investigation and data collection took place during the development of SD through observations, photographs, interviews using google forms, the construction of diagrams, in addition to the activities carried out by students. The results of this intervention point to the need for science and biology teaching to discuss the interrelationships between scientific explanations and decision-making on

practical topics of social importance.

It was noticed throughout the activities the importance of pedagogical practices that arouse the students' interest for the construction of knowledge that is relevant to personal and collective life and that this construction takes place through dialogue and investigation, where the teacher exercises the role of mediator and advisor of learning and that makes use of necessary resources to stimulate the participation of all, making learning more meaningful.

Keywords: Didactic sequence, Pregnancy, Sexually Transmitted Infections, Contraceptive methods, Adolescence.

1. Introdução

Observa-se que grande é a curiosidade dos jovens acerca da temática voltada às questões sexuais. Porém, essa curiosidade os leva a uma vida sexual ativa de forma precoce e muitas vezes de forma irresponsável o que acarreta consequências como gravidez não planejada e Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), comprometendo a continuidade da vida escolar e a inserção social desses jovens.

De acordo com o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem 68,4 bebês nascidos de mães adolescentes a cada mil meninas de 15 a 19 anos, o índice brasileiro está acima da média latino-americana, estimada em 65,5. Segundo Dias (2018), de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2016, no Espírito Santo, a taxa para cada mil garotas entre 15 e 19 anos é de 52,2 grávidas. Dos 108 mil capixabas que nasceram em 2016 e 2017, 15% são filhos de adolescentes. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informa que 16.637 adolescentes tiveram filhos nesse período. Desse total, 779 foram meninas de 10 a 14 anos. As outras 15.858 grávidas tinham entre 15 e 19 anos. Essa divisão de idade é uma orientação da OMS que divide a gestação de adolescentes em dois grupos. Isso traz consequências para o desenvolvimento psicossocial e maior risco de morte materna além de não concluir o ensino fundamental e médio.

Com relação às IST, um dado alarmante segundo o Boletim Epidemiológico de Sífilis de 2018, publicado em novembro pelo Ministério da Saúde, apontam aumento no número de casos de sífilis no Brasil. Em comparação ao ano de 2016, observou-se aumento de 28,5% na taxa de detecção em gestantes, 16,4% na incidência de sífilis congênita e 31,8% na incidência

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3 de sífilis adquirida. Segundo o Boletim, a taxa de detecção da sífilis adquirida no Brasil passou

de 44,1/100 mil habitantes em 2016 para 58,1 casos para cada 100 mil habitantes em 2017. Entre gestantes, cresceu de 10,8 casos por 1 mil nascidos vivos em 2016 para 17,2 casos a cada 1 mil nascidos vivos em 2017. Já a sífilis congênita passou de 21.183 casos em 2016, para 24.666 em 2017. No Brasil, a população mais afetada pela sífilis são as mulheres, principalmente as negras e jovens, na faixa etária de 20 a 29 anos. Com relação ao HIV, dados indicam que aproximadamente cerca de 112 mil brasileiros têm o vírus e não sabem. Isso requer maior atenção e reflexão no cotidiano escolar trazendo essa reflexão de forma contextualizada, uma vez que, nesta comunidade escolar, é alto o número de casos de gravidez e consequentemente o risco de contaminação das IST.

Uma possibilidade de trabalhar essa temática é a utilização de práticas pedagógicas diversificadas com o uso de recursos digitais, permitindo assim, mais envolvimento, motivação, maior interação entre a turma e um aprendizado mais significativo do conteúdo de métodos contraceptivos e preventivos das IST.

Nesse sentido, com o objetivo de promover uma reflexão sobre as problemáticas da gravidez na adolescência, discutir sobre os métodos contraceptivos e a prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis elaborou-se uma Sequência Didática (SD) estruturada nos Três Momentos Pedagógicos propostos por Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2011), onde utilizou-se de vários recursos como aula expositiva e dialogada, a disponibilização de vídeos, textos, imagens, dinâmicas e a construção de diagramas, de maneira a despertar o interesse e a motivação em aprender, desenvolver as habilidades e competências além de estimular o espírito crítico e ético dos alunos, buscando assim, potencializar a aprendizagem e possibilitar que os alunos se sintam mais preparados para tomar decisões responsáveis frente aos conflitos que vierem a se deparar no contexto social em que vivem.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A instituição escolar constitui-se como um espaço de construção do conhecimento nas diversas disciplinas que compõe o currículo, o que torna primordial trabalhar os temas transversais que compõem os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) que é a referência curricular para todo o ensino básico, e orienta que desde as séries iniciais, a educação pode atuar, decisivamente, no processo de construção da cidadania, (BRASIL, 1998), fazendo com que a escola se transforme em um espaço social de construção dos significados éticos necessários e constitutivos para vida em sociedade.

Os PCN trazem diversos temas, entre eles Ética, Orientação Sexual e Saúde. Estes temas, na maioria das vezes, são trabalhados de forma descontextualizada, não despertando assim o interesse dos alunos. E ainda, o que se percebe na prática é que temas como Saúde, que abordam o autocuidado e a vida coletiva e Orientação Sexual que destaca Corpo: Matriz da sexualidade, relações de gênero, prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis, continuam sendo trabalhados apenas nas disciplinas de Ciências e Biologia, muitas vezes, de forma fragmentada. Krasilchik (1987) destaca a ausência de vínculo entre os conteúdos escolares e a realidade dos alunos. Aponta que essa limitação faz com que a disciplina se torne

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4 irrelevante e sem significado, à medida que não se baseia no conhecimento dos alunos e não

parte de seu universo de interesses, do seu contexto social.

Chassot (2000, p. 34) considera Alfabetização Científica como "conjunto de conhecimentos que facilitariam aos homens e mulheres fazer uma leitura do mundo onde vivem". Nessa mesma perspectiva, Freire (1996) aponta que a educação é um instrumento de formação política e de reflexão sobre os problemas que nos rodeiam, sendo capaz de gerar novas posturas diante deles. Assim, Chassot (2000), destaca que deve-se priorizar a formação de cidadãos cientificamente cultos e capazes de participar de forma ativa e responsável nas sociedades e salienta ainda que, “Hoje não se pode mais conceber propostas para um ensino de ciências sem incluir nos currículos componentes que estejam orientados na busca de aspectos sociais e pessoais dos estudantes” (CHASSOT, 2003, p. 90).

Desta forma, para termos uma educação de qualidade as práticas pedagógicas precisam contribuir para o desenvolvimento da autonomia sendo capaz de gerar mudanças de posturas nos sujeitos envolvidos, preparando-os para a vida social e individual (TEIXEIRA, 2003), nesse sentido, preparados para preservar a saúde individual e coletiva. Essa concepção concorre com a perspectiva do letramento científico que prevê uma integração dos conteúdos e não sua fragmentação (SANTOS, 2007). Nesse sentido, o ensino de Ciências e Biologia pode potencializar uma educação mais comprometida se for trabalhado componentes que envolvam tanto, aspectos sociais quanto pessoais dos estudantes.

Assim, é preciso repensar as práticas pedagógicas e buscar novas alternativas que despertem o interesse dos alunos na busca e construção do conhecimento, com o diálogo, a investigação, onde o professor tenha a função de problematizador e orientador da aprendizagem, faça a adaptações de recursos necessários, conduza e estimule a criatividade e a participação de todos, tornando a aprendizagem mais próxima da realidade do aluno.

Moran (2004), aponta que estamos deslocando o foco no ensinar para o aprender onde o aluno é o centro do processo. Destaca que “Temos hoje muitos projetos, propostas, experiências sobre novas formas de aprender. Com as tecnologias podemos flexibilizar esse currículo e ampliar os espaços de aprendizagem e as formas de fazê-lo” (MORAN, 2004, p. 349). Nessa perspectiva, Moran (2000, p. 143), aborda que, “ensinar com as novas mídias será uma revolução, mudarmos simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino, que mantêm distantes professores e alunos”.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.1 Sujeitos da pesquisa

Os sujeitos da pesquisa foram alunos da turma da 2a série do ensino médio regular de

uma escola no Estado do Espírito Santo. Compõem essa turma dez alunos matriculados na faixa etária entre 17 e 18 anos.Como tratou-se de uma ação investigativa, a direção da escola, membros do corpo pedagógico e os alunos foram comunicados sobre a realização da SD, tomando ciência e autorizando o uso dos dados e de imagem por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

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5 Tratou-se de uma pesquisa qualitativa participante que se configura como uma

estratégia investigativa que permite a interação entre pesquisador e os sujeitos da pesquisa, de forma colaborativa, agrupando a observação, participação, intervenção e as reflexões. A coleta de dados se deu durante o desenvolvimento da SD através das observações, das fotografias, das entrevistas por meio Google forms, dos diagramas utilizando o software Cmap

tools, além das atividades realizadas pelos alunos.

A SD foi estruturada nos Três Momentos Pedagógicos propostos por Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2011), sendo a Problematização (P), a Organização do Conhecimento (OC) e a Aplicação do Conhecimento (AC). O planejamento dessa prática de ensino levou em consideração a reflexão acerca das temáticas relacionadas com à gravidez na adolescência.

No primeiro momento, o da Problematização, os alunos responderam a uma entrevista no Google Forms que foi encaminhado pelo grupo do WhatsApp da turma de forma individual e sem identificação. Em seguida, mediou-se a reflexão dos alunos às questões relacionados a temática motivando a busca dos conhecimentos científicos. Dividiu-se a turma em grupos e distribuiu as imagens que abordavam o uso da camisinha. Após a discussão os alunos fizeram a leitura de um texto referente a gravidez na adolescência levantando questionamentos e opiniões sobre o assunto, expondo suas ideias sobre a importância do sexo seguro, o uso de métodos contraceptivos para evitar a gravidez não planejada na adolescência e para a prevenção das IST. Após esse momento foi proposto aos alunos que em grupo produzissem um diagrama com os conhecimentos/ conceitos que já possuem dos temas em estudo. Os diagramas foram elaborados em folha A4, totalizando 3 grupos.

No momento da Organização do Conhecimento, por meio da aula expositiva e dialogada foi trabalhado de forma geral as diferenças entre os métodos contraceptivos e discutido as características das diferentes Infecções Sexualmente Transmissíveis, os sintomas, as complicações na saúde das pessoas que são acometidas e o tratamento, sempre relacionando o uso da camisinha como forma de prevenção às IST e a gravidez não planejada. Para este momento foram usados diferentes recursos, como vídeos educativos, slides, reportagens, e uma dinâmica para representar como os microrganismos causadores de doenças como a IST podem estar em todo lugar.

No momento da Aplicação do Conhecimento a professora regente apresentou aos alunos o recurso Cmap tools onde os mesmos construíram novos diagramas agora com os conhecimentos científicos mais elaborados, potencializando a aprendizagem dos conhecimentos e conceitos trabalhados. Durante o desenvolvimento desta atividade foi possível oportunizar a construção colaborativa e o protagonismo do aluno acerca das abordagens discutidas. Em seguida os grupos apresentaram aos demais colegas suas reflexões e produções.

4 ANÁLISE DA PESQUISA

Ao expor para a turma as ações que seriam desenvolvidas e os objetivos da pesquisa, percebeu-se expectativas e interesse na proposta, já que se tratava da abordagem de uma temática que desperta sempre muita curiosidade em discutir e o uso de metodologias que envolviam as tecnologias digitais trouxeram maior motivação.

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6 No primeiro momento, (Problematização), foi solicitado aos alunos que respondessem

ao questionário no Google Forms. Ao analisar os resultados chegamos aos seguintes dados, 55,6% são do sexo feminino e 44,4% do sexo masculino, sendo 66,7% estão na faixa etária de 17 anos, e 33,3% estão na faixa de 18 anos. Quanto a idade de iniciação sexual, observou-se que quase todos os participantes da pesquisa iniciaram entre 14 e 16 anos de idade, sendo, 22,2% com 14 anos, 11,1% com 15 anos, 44,4% com 16 e 22,2% nunca tiveram relações sexuais.

Referente ao uso de algum método preventivo durante a relação sexual, observou-se que 44,4% dos entrevistados utilizam “as vezes” algum tipo de método preventivo, e 22,2% nunca usaram (Figura 1). Isso é um dado preocupante, visto que os adolescentes se tornam susceptíveis a contrair diversas infecções e sujeitos a uma gravidez indesejada.

Figura 1: Representação gráfica das respostas obtidas a partir da pergunta 3 do questionário respondida pelos alunos.

Fonte: autoria própria.

Quando perguntado sobre os motivos para o não uso o preservativo durante a relação sexual, cerca de 44,4% responderam que o uso da camisinha diminui a sensação, 22,2% que há quebra do clima e outros 22,2% porque a parceira usa anticoncepcional (Figura 2). Esses dados são relevantes, pois demonstram que os participantes ainda não relacionam o uso da camisinha com a prevenção das IST e da gravidez.

Figura 2: Dados referentes a Pergunta 4 do questionário (Motivos para não usar preservativos).

Fonte: autoria própria.

Esses dados demonstram que os adolescentes e jovens iniciam a vida sexual cada vez mais cedo, sendo assim, toda a comunidade escolar desempenha o papel de informar e orientar os alunos os riscos da relação sexual desprotegida e a importância do uso da camisinha como forma de prevenção das IST e da gravidez. A proposta da educação sexual

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7 pelo PCN (1998) destaca que o tema sexualidade deve ser entendida pelo educador como

sendo fundamental à vida psíquica.

Dados da Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na População Brasileira realizada no ano de 2013 junto ao Ministério Da Saúde apontou uma queda no uso regular de camisinhas entre a faixa etária de 15 a 24 anos, tanto com parceiros eventuais – de 58,4% em 2004 para 56,6%, em 2013 – como com parceiros fixos – queda de 38,8%, em 2004, para 34,2%, em 2013.

Apesar do tema ser de grande importância, muitos dos alunos por não terem abertura em seus lares para discutir e dialogar sobre o assunto, buscam sana-las com amigos e professores. Pesquisa realizada por Borges, Latorre e Schor (2007) com 383 adolescentes, teve como objetivo analisar os aspectos individuais e familiares relacionados ao início da vida sexual, onde foi possível identificar que poucos dos adolescentes entrevistados apresentavam abertura com os pais para conversar sobre assuntos relacionados a sexo. No ambiente escolar, ao discutir essa temática, o docente não está incentivando a prática, mas a terem o conhecimento dos riscos de uma relação desprotegida e da prevenção das infecções.

Chassot (2003), ao discutir sobre a necessidade da alfabetização científica aponta que indivíduos alfabetizados cientificamente possuem a habilidade de ler a linguagem da natureza, e ainda destaca que é preciso ter o mínimo de conhecimento para poder conhecer os avanços científicos e tecnológicos e suas implicações para a sociedade e quem não sabe ler a linguagem do universo, é considerado analfabeto cientificamente.

Nesse sentido, trabalhar esse conteúdo e assim construir conhecimentos relacionados à temática estudada torna-se necessária e de grande importância para a formação dos alunos, dada a relevância deste conteúdo no contexto individual e social desta comunidade escolar, preparando-os para a tomada de decisões responsáveis com o conhecimento adquirido. Assim, vamos ao encontro da abordagem humanista do currículo que não mais só se preocupa com a assimilação dos conceitos, mas avança sobre a possibilidade de uma leitura crítica acerca dos conteúdos, dialogando com os aspectos políticos e sociais da educação, visando assim a transformação da ciência neutra para uma educação mais emancipatória.

Dados do Boletim Epidemiológico de HIV e Aids coletados no ano de 2016 em relação à faixa etária, a taxa de detecção quase triplicou entre os homens de 15 a 19 anos, passando de 2,4 casos por 100 mil habitantes, em 2006, para 6,7 casos em 2016. Entre os com 20 a 24 anos, passou de 16 casos de aids por 100 mil habitantes, em 2006, para 33,9 casos em 2016. Já nas mulheres, houve aumento da doença entre 15 a 19 anos – passou de 3,6 casos para 4,1. Brandão e Heilborn (2006) destacam que a gravidez na adolescência tem sido apontada como um “problema social”. Diante dos riscos em que os adolescentes e jovens estão susceptíveis, é de grande importância a informação, a orientação e o conhecimento com o objetivo de sanar dúvidas, promover o cuidado com o corpo e com a saúde, incentivando para o uso da camisinha e de outros métodos durante a relação sexual. Nesse sentido Freire (2011) afirma que o conteúdo precisa estar relacionado com conhecimentos do ambiente social e com o contexto de vida em que o aluno vive.

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8 A escolha do melhor método deve provir do próprio adolescente, de forma que o

mesmo escolha o que melhor se adapte. Segundo Schor e Alegria (1990), os adolescentes devem ser estimulados a utilizar o preservativo masculino e a pílula especialmente nos relacionamentos instáveis.

Após o questionário, formaram-se grupos onde foram entregues algumas imagens para discussão (Figura 3). Os alunos ao observarem as imagens realizaram diferentes interpretações referentes ao uso da camisinha nas relações sexuais que foram compartilhadas entre os demais grupos presentes, proporcionando uma troca de conhecimentos e dúvidas entre professor e colegas de sala, de maneira dialogada, sendo sanadas no coletivo. Freire (1996) propõe a educação problematizadora, e nessa forma de ação, uma relação de troca horizontal entre professor e aluno oportunizando a atitude de transformação da realidade conhecida. Sendo desse modo, proporciona o aprender, o argumentar ao invés de apenas receber respostas e uma visão fechada da ciência (CARVALHO, 2004).

Figura 3: Formação dos grupos, interpretação e discussão das imagens. Fonte: autoria própria.

Em seguida, ainda em grupo, foi entregue um texto no qual abordava a gravidez não planejada na adolescência. Os alunos realizaram a leitura e em seguida foram levantadas algumas inquietações referentes ao assunto durante as discussões, alguns questionamentos referentes a falta de diálogo com a família sobre os assuntos (sexualidade, métodos contraceptivos, conhecimento do corpo) entre outros. Para manter a identidade dos alunos ao longo da pesquisa, identificou-se os mesmo como aluno 1, aluno 2 e sucessivamente, mantendo-os em sigilo. Ao longo do trabalho foram gravadas e registradas as falas dos discentes para melhor discussão dos resultados.

Aluno 1: “ Na minha opinião o que percebo é que muitos não têm intimidade

com a mãe ou o pai para falar sobre esses assuntos. Aí acabam fazendo as coisas de forma errada e depois tem as consequências”.

Aluno 2: “ Não é por falta de conhecimento e informação que meninas

engravidam. Hoje em dia, na escola, aprendemos várias coisas sobre o assunto, tiramos dúvidas e tal. O problema é que às vezes no momento achamos que isso (gravidez) nunca vai acontecer com a gente”.

Aluno 3: “O problema também é que às vezes não tomamos os remédios da

forma correta e isso complica muito. Esquecemos e as vezes achamos que não vai dar em nada”.

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9 Após a mediação do professor nas discussões e nos diálogos em grupo, foi solicitado

que os envolvidos elaborassem um diagrama com os conceitos e conhecimentos que já possuíam dos temas abordados. Para a confecção do diagrama cada grupo recebeu uma folha A4 (Figura 4).

Figura 4: Construção dos mapas conceituais com os conhecimentos prévios dos alunos. Fonte: autoria própria.

No segundo momento (OC), foi apresentado aos alunos através de uma aula expositiva e dialogada com os diferentes tipos de IST e os métodos contraceptivos usados para prevenção das infecções e da gravidez indesejável (Figura 5). Durante a aula, a professora pesquisadora observou que muitos dos participantes não tinham conhecimentos de algumas IST e nem dos métodos de prevenção. Assim, a mediação do professor foi fundamental para a construção de novos significados (FREIRE, 1992). Carvalho (2004, p. 26) destaca que “O papel do professor é o de construir com os alunos essa passagem do saber cotidiano para o saber científico, por meio da investigação e do próprio questionamento acerca do fenômeno”. Assim, Lorenzetti e Delizoicov (2001) destacam que a alfabetização científica,

está relacionada com as necessidades humanas mais básicas como alimentação, saúde e habitação. Uma pessoa com conhecimentos mínimos sobre estes assuntos pode tomar suas decisões de forma consciente, mudando seus hábitos, preservando a sua saúde e exigindo condições dignas para a sua vida e a dos demais seres humanos (LORENZETT; DELIZOICOV, 2001, p. 48).

Apontam ainda que “[...] que os assuntos científicos sejam cuidadosamente apresentados, discutidos, compreendendo seus significados e aplicados para o entendimento do mundo” Lorenzetti e Delizoicov (2001, p. 49).

A seguir algumas dúvidas e inquietações registradas durante a aula expositiva:

Aluno 5:” Professora, durante as preliminares mesmo que não tiver a penetração pode contrair alguma IST?”

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10 Aluno 8: “Eu não sabia que existia tantos métodos para evitar uma gravidez. Eu

só conhecia a camisinha, DIAD e os anticoncepcionais.”

Figura 5: Aula expositiva. Apresentação das diferentes ISTs e métodos de prevenção. Fonte: autoria própria.

Após a aula expositiva foi realizada a dinâmica “Contágio das ISTs ” para demonstrar o contágio e transmissão do vírus HIV. Para a dinâmica foram utilizados materiais simples como água, copo, vinagre e suco do repolho roxo (Figura 6). O objetivo da dinâmica era informar e alertar os alunos sobre a importância de se prevenir, visto que o portador em sua maioria não demonstra sintomas e nem aparência, podendo estar em qualquer lugar.

Ao final da dinâmica os discentes puderam ter uma noção dos riscos que estão expostos quando realizam o ato sexual desprotegido. Apesar de ser muito fácil e simples de ser realizada, os alunos envolvidos ficaram surpresos pelas alterações das cores e a fácil compreensão.

Figura 6: Dinâmica “Contágio das IST ”. Fonte: autoria própria.

Em seguida, na Aplicação do Conhecimento (AC) foi apresentado aos alunos o recurso do software Cmap tools onde puderam, a partir da atividade de construção dos diagramas trazendo os conhecimentos prévios, usarem neste momento, as tecnologias digitais para construírem novos diagramas, agora com os conhecimentos científicos mais elaborados potencializando a aprendizagem (Figura 7).

Neste momento, usou-se o recurso tecnológico, nessa perspectiva, Kenski (2012, p. 44) destaca que “a presença de uma determinada tecnologia pode induzir profundas mudanças na maneira de organizar o ensino”. E nesse mesmo sentido Lévy (1999) argumenta que, a principal função do professor não pode ser somente a de difundir os conhecimentos, uma vez que hoje existem vários meios muito eficazes de fazer isso, mas deve incentivar a aprendizagem e o pensamento. Destaca que,

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11 [...] O professor torna-se um animador da inteligência coletiva dos

grupos que estão a seu encargo. Sua atividade será centrada no acompanhamento e na gestão das aprendizagens: o incitamento à troca dos saberes, a mediação relacional e simbólica, a pilotagem personalizada dos percursos de aprendizagem etc (LÉVY, 1999, p. 171).

Figura 7: figura 7: Diagrama elaborado por um dos grupos com o programa cmap tools após a

intervenção pedagógica. Fonte: autoria própria.

O uso da tecnologia foi algo que despertou a curiosidade dos alunos e o envolvimento dos mesmos, visto que o programa era novidade e após ser trabalhado os conteúdos específicos, os diagramas foram construídos com mais informações. Durante a confecção destes diagramas com o uso do recurso Cmap Tools, observou-se que os alunos apresentaram facilidade e interesse, sendo registradas algumas falas dos alunos:

Aluno 2: Achei o recurso muito fácil de mexer.

Aluno 5: Achei a ferramenta incrível e muito fácil para construir os diagramas.

5.CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados discutidos neste artigo, são oriundos de uma pesquisa realizada com os alunos da segunda série do ensino médio, buscando promover a compreensão dos métodos contraceptivos, a gravidez na adolescência e preventivos das infecções sexualmente transmissíveis. Propôs-se o desenvolvimento de práticas pedagógicas diversificadas e o uso de recursos digitais para trabalhar essa temática possibilitando maior interação da turma e um aprendizado significativo dos conteúdos de métodos contraceptivos e preventivos das IST, potencializando assim a alfabetização científica.

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12 As atividades desenvolvidas permitiram perceber que essa temática trouxe muito

interesse e envolvimento dos alunos, por estar diretamente relacionadas com questões que envolvem a vida pessoal e social dos alunos. Quanto a dinâmica os alunos puderam ter uma noção dos riscos que estão expostos quando não fazem uso da camisinha. Pois demonstraram surpresos e compreenderam a possibilidade de contaminação e a importância de se prevenção em todas as relações uma vez o portador de IST pode não demonstrar nenhum sintoma e aparência. E ainda, por envolver práticas pedagógicas com tecnologias digitais, sentiram-se mais motivados. Quanto ao uso dos diagramas, estes demonstraram ser eficientes para a aprendizagem, pois o uso da ferramenta permitiu a visualização gráfica dos conceitos, tornando mais significativa a aprendizagem e permitindo avanços na sistematização e compreensão dos conteúdos.

Assim, acredita-se que a partir da apropriação dos conhecimentos científico, o ensino de Biologia, contribuiu para a formação dos alunos em indivíduos mais críticos e com a possibilidade de se posicionar de forma mais responsáveis diante das diversas situações em que vivem tendo assim, potencializado a Alfabetização Científica.

Referências

Brandão ER, Heilborn ML. Sexualidade e gravidez na adolescência entre jovens de camadas médias do Rio de janeiro. Caderno de Saúde Pública. 2006; 22(7): 1421-30. Disponível em

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2006000700007.Acesso em: 20 jun. 2019.

BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico de Sífilis. 2019. Disponível em: http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2019/boletim-epidemiologico-sifilis-2019. Acesso em: 25 jan. 2019.

BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico de HIVAIDS: Boletim Disponível em: http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2019/boletim-epidemiologico-de-hivaids-2019. Acesso em: 25 jan. 2019.

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CARVALHO, A.M.P.(org.) Ensino de Ciências: unindo a pesquisa e a prática. São Paulo: editora Pioneira Thonson Learning. 2004.

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13 DELIZOICOV, D. ; ANGOTTI, J. A.; PERNAMBUCO, M. M. Ensino de Ciências: fundamentos e

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