• Nenhum resultado encontrado

DIÊGO AFONSO CARDOSO MACÊDO DE SOUSA

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "DIÊGO AFONSO CARDOSO MACÊDO DE SOUSA"

Copied!
76
0
0

Texto

(1)

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA CURSO DE MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO EM SAÚDE

DIÊGO AFONSO CARDOSO MACÊDO DE SOUSA

CARACTERÍSTICAS DO ABSENTEÍSMO-DOENÇA DOS TRABALHADORES DE ENFERMAGEM DE UM HOSPITAL PÚBLICO DE REFERÊNCIA DO CEARÁ:

CONSTRUÇÃO DE ARTES DIGITAIS

FORTALEZA - CEARÁ 2017

(2)

DIÊGO AFONSO CARDOSO MACÊDO DE SOUSA

CARACTERÍSTICAS DO ABSENTEÍSMO-DOENÇA DOS TRABALHADORES DE ENFERMAGEM DE UM HOSPITAL PÚBLICO DE REFERÊNCIA DO CEARÁ:

CONSTRUÇÃO DE ARTES DIGITAIS

Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado Profissional em Gestão em Saúde do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual do Ceará, como requisito parcial à obtenção do título de mestre em Gestão em Saúde. Área de Concentração: Gestão em Saúde Coletiva.

Orientador: Prof. Dr. Francisco José Maia Pinto.

FORTALEZA - CEARÁ 2017

(3)
(4)
(5)

À minha esposa Lorena e minha filha Maria Clara pela presença inseparável nessa longa jornada.

(6)

AGRADECIMENTOS

A Deus, por sempre me guiar aos melhores caminhos.

À minha mãe, Ducarmo, e meu pai, Cici (in memorian) por todas as abdicações em prol de uma melhor educação para os filhos.

Aos meus irmãos pelo companheirismo de sempre.

Ao Prof. Dr. Francisco José Maia Pinto pela confiança, paciência e ensinamentos.

Aos discentes do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual Vale do Acaraú pela coleta desgastante dos dados, viabilizando a execução do trabalho.

Aos enfermeiros e técnicos de enfermagem do Hospital Regional Norte pela confiança e respeito durante os quatro anos de muito serviço à população.

Ao Hospital Regional Norte, não apenas por ser o local de execução da pesquisa, mas por ser ter aberto as portas para esse jovem gestor e por buscar sempre a qualidade e segurança no atendimento aos pacientes.

Aos amigos de turma do Mestrado Profissional em Gestão em Saúde por compartilhar tantos conhecimentos e lutas em prol do Sistema Único de Saúde.

Aos professores e coordenação do mestrado por viabilizarem momentos de muito aprendizado.

(7)

RESUMO

O termo absenteísmo-doença refere-se a toda ausência do empregado relacionada às doenças com atestado/licença médico. O objetivo principal deste estudo foi construir artes digitais a partir das características do absenteísmo-doença dos trabalhadores de enfermagem, além de identificar os dados sociodemográficos e econômicos dos trabalhadores; descrever os dados relativos ao trabalho e à doença dos trabalhadores; e testar a existência de associação entre o absenteísmo-doença e os fatores sociodemográficos e econômicos, trabalho e doença. Tratou-se de um estudo transversal, metodológico, descritivo e analítico. Que foi desenvolvido em um hospital público de referência no Norte do Estado do Ceará, com os colaboradores que apresentaram atestado/licença médico no período de 1 de maio a 30 de setembro de 2017. A população do estudo foi composta por 824 trabalhadores de enfermagem, sendo 623 técnicos de enfermagem e 201 enfermeiros, com uma amostra de 280 trabalhadores. Foram consideradas as variáveis: desfecho, referentes ao absenteísmo-doença (horas perdidas – abaixo da mediana; acima da mediana) e explicativas (sociodemográficas e econômicas, relacionadas ao trabalho e à doença). A coleta das informações das variáveis relacionadas ao trabalho e à doença deu-se a partir das planilhas com dados semiestruturados alimentados pelo SESMT da instituição, já os dados sociodemográficos e econômicos foram coletados a partir da aplicação do formulário semiestruturado individual. Utilizou-se o programa EXCEL para o armazenamento dos dados e a elaboração gráfica e o processamento dos foi realizado por meio do programa estatístico PASW. Como produto foram criadas as artes digitais para prevenção dos três agravos mais prevalentes, sendo eles: algumas doenças infecciosas e parasitárias, doenças do aparelho respiratório e doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo. Prevaleceram como os mais faltosos, os técnicos de enfermagem, do sexo feminino, solteiros, jovens, sem filhos, de cor parda que residem na zona urbana de Sobral-CE. Quanto à análise multivariada, somente foi encontrada relação com o desfecho de 6 horas ausentes, nas variáveis: sexo, com maior chance dos homens faltarem; estado civil, sendo os com cônjuges os mais faltosos; e o número de filhos/dependentes, onde quem tinha de 2 a 4 filhos/dependentes faltou mais ao trabalho. Também houve predomínio de atestados de curta duração, inferiores a 1 dia de duração. Os achados reforçam a necessidade de estimular os trabalhadores de enfermagem a adotarem medidas preventivas, de modo a controlar os riscos a que estão expostos. Por fim, observou-se que o absenteísmo-doença tem um caráter multifatorial, que contribui para aumentar sua complexidade e ainda representa um desafio a ser superado.

Palavras-chave: Recursos humanos de enfermagem no hospital. Equipe de enfermagem.

(8)

ABSTRACT

The term absenteeism-disease refers to any absence of the employee related to diseases with medical certificate. The main objective of this study was to construct digital arts based on the characteristics of absenteeism-illness of nursing workers, as well as to identify the socio-demographic and economic data of the workers; describe the work and sickness of workers; and to test the existence of an association between absenteeism-disease and sociodemographic and economic factors, work and disease. It was a cross-sectional, methodological, descriptive and analytical study. It was developed in a reference public hospital in the north of the State of Ceará, with employees who presented a medical certificate / license from May 1 to September 30, 2017. The study population consisted of 824 nursing workers, being 623 nursing technicians and 201 nurses, with a sample of 280 workers. The following variables were considered: outcome, related to absenteeism-illness (hours lost - below the median, above the median) and explanatory variables (socio-demographic and economic, work-related and illness). Data collection from the variables related to work and illness was obtained from the spreadsheets with semistructured data fed by the institution's SESMT. Socio-demographic and economic data were collected from the application of the individual semi-structured form. The EXCEL program was used to store the data and the graphical elaboration and processing of the data was performed using the statistical software PASW. As a product, digital arts were created to prevent the three most prevalent diseases: some infectious and parasitic diseases, diseases of the respiratory system and diseases of the musculoskeletal system and connective tissue. Nurses, female, single, young, childless, brown-colored nurses residing in the urban area of Sobral-CE were among the most absent. Regarding the multivariate analysis, only the relationship with the outcome of 6 hours absent was found, in the variables: sex, with a greater chance of men missing; marital status, with spouses being the most in need; and the number of children / dependents, where those who had 2 to 4 children / dependents were out of work. There was also predominance of attestations of short duration, less than 1 day in duration. The findings reinforce the need to encourage nursing workers to adopt preventive measures to control the risks they are exposed to. Finally, it was observed that absenteeism-disease has a multifactorial character, which contributes to increase its complexity and still represents a challenge to be overcome.

(9)

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Quadro 1 - Resumo dos 10 artigos contendo: título do estudo, identificação dos autores, ano de publicação, conteúdo da evidência científica, principais conclusões, observações relevantes... 19 Gráfico 1 - Percentual dos trabalhadores de enfermagem que compuseram a

amostra da pesquisa... 38

Figura 1 - Arte digital sobre algumas doenças infecciosas e parasitárias... 58 Figura 2 - Arte digital sobre doenças do aparelho respiratório... 59 Figura 3 - Arte digital sobre doenças do sistema osteomuscular e do tecido

(10)

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Percentual e frequências absoluta e relativa das variáveis sociodemográficas e econômicas com seus conjuntos de valores... 40 Tabela 2 - Percentual e frequência absoluta das variáveis sociodemográficas e

econômicas com seus conjuntos de valores... 41 Tabela 3 - Percentual e frequência absoluta das variáveis relacionadas ao

trabalho... 42 Tabela 4 - Quantidade, dias e horas de trabalho dos atestados/licenças médicos

registrados entregues no SESMT por mês... 43 Tabela 5 - Percentual e frequência absoluta das CIDs, com seu capítulo,

descrição e grupo... 43 Tabela 6 - Associação entre as variáveis dicotomizadas e o desfecho de seis horas

de ausência por doença, com número e percentual de trabalhadores, razão de prevalência, intervalo de confiança de 95% e valor p... 45

(11)

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

BVS Biblioteca Virtual em Saúde

CAR Católico Apostólico Romano

CID Classificação Internacional de Doenças

CEP Comitê de Ética em Pesquisa

CLT Consolidação das Leis do Trabalho COFEN Conselho Federal de Enfermagem DeCs Descritores em Ciências da Saúde FIOCRUZ Fundação Oswaldo Cruz

IA Índice de Absenteísmo

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

IND Indeterminada

LER Lesões por Esforço Repetitivo

M/T Manhã e Tarde

NTI Núcleo de Tecnologia da Informação

OMS Organização Mundial de Saúde

PASW Predictive Analytics Software For Windows PIB Produto Interno Bruto

PNAD Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios

RH Recursos Humanos

SESMT Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

UECE Universidade Estadual do Ceará UFC Universidade Federal do Ceará UTI Unidade de Terapia Intensiva

(12)

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO... 13

2 REVISÃO INTEGRATIVA... 15

2.1 DADOS SOCIODEMOGRÁFICOS E ECONÔMICOS... 16

2.2 DADOS RELACIONADOS AO TRABALHO... 17

2.3 DADOS RELACIONADOS À DOENÇA... 18

3 OBJETIVOS... 27

3.1 GERAL... 27

3.2 ESPECÍFICOS... 27

4 MÉTODOS... 28

4.1 TIPO DE ESTUDO... 28

4.2 LOCAL E PERÍODO DO ESTUDO... 28

4.3 POPULAÇÃO E AMOSTRA... 29 4.4 VARIÁVEIS... 30 4.4.1 Desfecho... 30 4.4.2 Explicativas... 30 4.4.2.1 Sociodemográficas e econômicas... 30 4.4.2.2 Relacionadas ao trabalho... 32 4.4.2.3 Relacionadas à doença... 33

4.5 TÉCNICAS E INSTRUMENTOS PARA COLETA DE DADOS... 34

4.6 TÉCNICAS DE ANÁLISE DOS DADOS... 35

4.7 ARTES DIGITAIS COMO PRODUTO... 36

4.8 ASPECTOS ÉTICOS... 37 5 RESULTADOS... 38 6 DISCUSSÃO... 46 7 CONCLUSÃO... 61 REFERÊNCIAS... 63 APÊNDICES...

APÊNDICE A – INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS DO SESMT... APÊNDICE B – INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS DO COLABORADOR ... APÊNDICE C – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

68 69

70 71

(13)

ANEXO...

ANEXO A – APROVAÇÃO DO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA DO ISGH...

73

(14)

1 INTRODUÇÃO

Os termos “absenteísmo”, “absentismo” ou “ausentismo” são utilizados, desde o período industrial, para designar a falta do empregado ao trabalho. Corresponde às ausências quando se esperava que estivessem presentes ao trabalho e constitui a soma dos períodos em que os funcionários se encontram ausentes do trabalho, seja por falta, atraso ou outro motivo interveniente. Existem cinco tipos de absenteísmo: absenteísmo-doença (ausência justificada por licença de saúde); absenteísmo por patologia profissional (acidentes de trabalho e/ou doença profissional); absenteísmo legal (amparado por leis, como gestação, nojo, gala, doação de sangue e serviço militar); absenteísmo compulsório (suspensão imposta pelo patrão, por prisão ou por outro impedimento de comparecer ao trabalho); e absenteísmo voluntário (razões particulares não justificadas) (JUNKES; PESSOA, 2010; FURLAN; STANCATO, 2013; CHIAVENATO, 2014). Nesta pesquisa será utilizado como conceito de absenteísmo apenas o absenteísmo-doença, ou seja, toda ausência do empregado relacionada às doenças com atestado/licença médico.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a riqueza de uma empresa depende da saúde dos trabalhadores. No Brasil, pesquisa realizada pela Universidade australiana de Victoria em 2015 sobre “O Impacto da Saúde na Frequência e Produtividade da Força de Trabalho em 12 Países”, mostrou que a incidência das doenças não transmissíveis vem causando um impacto negativo no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A estimativa é que em 2030 as perdas alcancem 8,7% do PIB, o que equivalerá a US$ 184 bilhões a menos para os gastos públicos. Neste levantamento são consideradas as mortes precoces; o absenteísmo e o presenteísmo, que é quando o profissional está fisicamente na empresa, mas com baixo engajamento e/ou baixa produtividade, tanto por motivos pessoais quanto organizacionais (FIESC, 2016).

Pode-se observar no estudo de Teles, Aires, Alencar (2013) com servidores públicos da Universidade Federal do Ceará (UFC), que a maioria dos afastamentos deveu-se às doenças respiratórias, doenças osteomusculares e transtornos psiquiátricos. O grupo F (transtornos mentais) da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) foi responsável por 32% dos dias de ausência ao trabalho entre os servidores estudados, seguidos pelas neoplasias e doenças osteomusculares, ambas com taxas de 13% em número de dias por grupo da CID-10.

(15)

Atualmente, o valor de uma hora de trabalho do enfermeiro na instituição estudada é de R$ 21,78, já a de técnico de enfermagem é de R$ 6,18. Entre janeiro e outro de 2016, de acordo com informações da coordenação geral de enfermagem, foram perdidas 51.882 horas devido o absenteísmo-doença dos trabalhadores de enfermagem do nosocômio, o que levou ao gasto extra de R$ 715.145,57 com a cobertura dos trabalhadores faltosos.

Em virtude de várias mudanças que vêm ocorrendo no mundo e no Brasil, nas diversas esferas da vida humana, inclusive no campo do trabalho, tem-se ampliado a discussão sobre as competências trabalhadores e sua gestão dentro e fora das organizações (PAIVA; SANTOS, 2012).

Em estudo quanti-qualitativo realizado por Kurcgant et al.. (2015), os autores observaram que, em três instituições estudadas, as principais causas do absenteísmo estavam relacionadas ao adoecimento do trabalhador, à insatisfação com as condições institucionais e ao relacionamento interpessoal inadequado. Deste modo, o presente estudo tem como relevância, formar uma fonte bibliográfica que oriente trabalhos futuros sobre o assunto, assim como subsidiar produtos para gestão de pessoas em enfermagem.

A escolha destes sujeitos (enfermeiros e técnicos de enfermagem) justifica-se pelo alto índice de afastamentos dos mesmos na referida unidade hospitalar, segundo informações do setor de Recursos Humanos (RH) da unidade, aproximadamente, 80% dos afastamentos estão relacionados às doenças. De acordo com Pinheiro (2012), a enfermagem é a maior categoria da saúde, que está em contato contínuo com o paciente, sendo responsável por 60% das ações relacionadas ao atendimento destes e diretamente exposta aos riscos e danos causadores potenciais dos afastamentos do seu local de trabalho.

Além disso, este trabalho justifica-se pela afinidade do pesquisador com a temática e a experiência profissional à frente da gestão de pessoas em enfermagem, onde tem observado altos índices de absenteísmo em um hospital público de referência, localizado numa cidade do interior do Estado do Ceará, o que leva a altos gastos financeiros, à sobrecarga de trabalho da equipe que deverá atender aos pacientes e à diminuição da segurança a assistência de saúde prestada.

Diante do exposto, tem-se a seguinte hipótese: o absenteísmo-doença não está relacionado com as variáveis sociodemográficas e econômicas, relativas ao trabalho e à doença.

(16)

2 REVISÃO INTEGRATIVA

A enfermagem baseada em evidências não dá ênfase à experiência clínica não sistemática, opiniões infundadas ou tradição como base para a prática, mas acentua a utilização de resultados de pesquisas e, na ausência destes dados obtidos de forma sistemática, utiliza programas de avaliação e de melhoria de qualidade e/ou consenso de especialistas reconhecidos ou com confirmada experiência para comprovar a prática (OKUNO; BELASCO; BARBOSA, 2014).

A partir da seguinte pergunta norteadora “de acordo com a literatura atual, como as variáveis sociodemográficas, socioeconômicas, relativas ao trabalho e à doença influenciam o absenteísmo-doença dos trabalhadores de enfermagem de instituições hospitalares?” elaborou-se uma revisão integrativa de literatura, escolhida por ser um método de pesquisa de abordagem ampla considerando os diferentes tipos de revisão, pois permite a inclusão de trabalhos experimentais e não experimentais. Desta forma promove a síntese de múltiplos estudos publicados e possibilita conclusões gerais a respeito de um tema (SOUZA; SILVA; CARVALHO, 2010).

Seguiram-se as seguintes etapas: identificação do tema e seleção da hipótese ou questão de pesquisa para a elaboração da revisão integrativa; definição de critérios de inclusão e exclusão (seleção da amostra de artigos); definição das informações a serem extraídas dos artigos selecionados; análise dos resultados e discussão e apresentação dos mesmos (MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008).

Para responder a pergunta norteadora da revisão, a busca ocorreu no mês de agosto de 2016, por acesso online das principais bibliotecas referências em evidências científicas de alto impacto: via Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e LILACS e BDENF via Biblioteca Virtual em Saúde, utilizando-se os seguintes descritores: "recursos humanos de enfermagem no hospital"; “equipe de enfermagem” e “absenteísmo”. Estes foram cruzados da seguinte forma: “absenteísmo and recursos humanos de enfermagem no hospital”; “absenteísmo and equipe de enfermagem” e “recursos humanos de enfermagem no hospital and equipe de enfermagem. Os termos utilizados nessa estratégia de busca foram selecionados no DeCs (Descritores em Ciências da Saúde). Os critérios de seleção adotados foram: publicados nos idiomas português ou espanhol, ter relação com o absenteísmo-doença de trabalhadores de enfermagem em hospitais e publicações no período de 2013 a 2016. Excluíram-se estudos repetidos, que não tinham relação com a temática a ser pesquisada.

(17)

Foram selecionados 10 (dez) trabalhos, pois correspondiam à pergunta norteadora da revisão e seguiam os critérios de inclusão e exclusão. Para coleta dos dados, foram selecionadas e classificadas as seguintes informações: título do estudo, identificação dos autores, ano de publicação, conteúdo da evidência científica, principais conclusões, observações relevantes, conforme Galvão (2006).

Os dados foram lidos, sintetizados e a discussão foi realizada de maneira descritiva, relacionando com os principais livros e manuais da área e utilizados como fontes acadêmicas. Para facilitar a visualização, além da adequação à pergunta norteadora, a discussão foi dividida nos sub-tópicos descritos abaixo, assim como na Tabela 1 ao fim desse tópico.

2.1 DADOS SOCIODEMOGRÁFICOS E ECONÔMICOS

Quanto aos aspectos relacionados aos dados sociodemográficos (como grau de escolaridade e renda familiar) e econômicos (como idade e sexo), dos 10 (dez) trabalhos encontrados, 8 (oito) elencaram características sobre estes dados. Furlan e Stancato (2013), Abreu, Gonçalves e Simões (2014), González (2014), Oliveira (2014), Marques et al.. (2015) e Montovani et al.. (2015) observaram, por exemplo, que o índice de absenteísmo foi maior em mulheres do que em homens, todavia, ressalta-se que a maioria dos trabalhadores em seus estudos eram mulheres, com necessidade de complementar a renda familiar e a sobrecarga de atividades no dia-a-dia.

Quanto à faixa etária, Marques et al.. (2015) observou, na caracterização da equipe de enfermagem do seu estudo, um maior número de trabalhadores entre 41 a 50 anos, já no estudo de Calil, Jericó e Perroca (2015), com 652 colaboradores de um hospital de ensino do interior do Estado de São Paulo, os autores observaram uma amostra mais jovem, na faixa etária de 31 a 40 anos, que evidenciou 14.645 (36,0%) dias perdidos.

Tal dado contraria o encontrado na pesquisa de Bargas e Monteiro (2014), estudo com 994 trabalhadores de enfermagem de um hospital universitário que objetivou avaliar a associação do absenteísmo por doença com o perfil sociodemográfico e relacioná-lo ao trabalho dos trabalhadores de Enfermagem, que a média de dias ausentes no grupo etário de 20 a 29 anos foi menor e a maior média foi no grupo de 50 a 59 anos, além disso, eles concluíram que os fatores associados ao absenteísmo por doença foram faixa etária e escolaridade.

(18)

2.2 DADOS RELACIONADOS AO TRABALHO

Quanto aos aspectos relacionados ao trabalho, 9 (nove) dos 10 (dez) estudos encontrados descreveram o turno, o setor de trabalho, a categoria (técnico de enfermagem ou enfermeiro) e o tempo de serviço na instituição como algumas das características consideradas.

No estudo de González (2014), que investigou as possíveis causas de absenteísmo na equipe de enfermagem, concluiu que a taxa de absenteísmo total foi 1,43%, sendo que a maioria dos ausentes trabalhava no turno da manhã, seguidos dos da noite e, por fim, os da tarde, além disso, boa parte destes trabalhadores estava lotada nos setores ambulatoriais da instituição e tinham mais de 25 anos de vínculo empregatício com a empresa.

Na pesquisa de Marques et al.. (2015), o setor que mais teve absenteísmo também foi o ambulatório, já para Kurcgant et al.. (2015), que fizeram uma pesquisa descritiva-exploratória com a finalidade de mensurar o absenteísmo de trabalhadores de enfermagem em três instituições hospitalares e conhecer possíveis decisões de impacto positivo frente a este evento, observaram que os setores com maiores taxas foram as clínicas médica e cirúrgica.

Quanto à categoria profissional, Bargas e Monteiro (2014) notaram que os auxiliares de enfermagem apresentaram maior média de ausências por licença médica que os técnicos de enfermagem e, estes, mais do que os enfermeiros e, quanto ao setor, o maior registro de ausência foi no centro de material, no qual 91,6% dos trabalhadores apresentaram pelo menos um afastamento por doença, seguido do centro cirúrgico.

Mantovani et al.., (2015) acharam resultados parecidos, ou seja, dos 220 afastamentos por doença, 50 (22,7%) ocorreram entre os enfermeiros, 79 (36%) entre os técnicos e 91 (41,3%) entre os auxiliares de enfermagem, além disso, observou-se que as unidades com maior número de leitos e trabalhadores apresentaram mais atestados e dias de afastamentos.

Já no estudo de Oliveira (2014), os resultados foram diferentes, mostraram que, dos 1.056 funcionários ativos, 846 apresentaram licenças médicas (80%). O Índice de Absenteísmo (IA) encontrado para auxiliares/técnicos foi de 4,91% e para enfermeiros, 5,68% e os setores que mais apresentaram afastamentos: clínica médica (267 licenças e 1.402 dias perdidos), sala de emergência (231 licenças e 1.804 dias perdidos) e cuidado intermediário neonatal (215 licenças e 2.196 dias perdidos).

(19)

Para Abreu, Gonçalves e Simões (2014), a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) também foi citada como setor de exposição ao desgaste físico e emocional, decorrente da convivência com a angústia e o sofrimento dos clientes e familiares, sendo percebida como fator contribuinte ao absenteísmo para os trabalhadores de enfermagem, ademais destaca-se que tal pesquisa foi realizada em um hospital público federal, com 29 trabalhadores da Unidade de Terapia Intensiva e objetivou identificar os motivos atribuídos pelos trabalhadores de enfermagem para as faltas no trabalho.

Tais informações evidenciam que o absenteísmo tem caráter multifatorial, pois índices elevados desorganizam o serviço, geram insatisfação, sobrecarga dos trabalhadores presentes, reduzem a produção e aumentam o custo operacional, podendo comprometer, inclusive, a qualidade da assistência prestada ao paciente (FURLAN; STANCATO, 2013; CALIL; JERICÓ; PERROCA, 2015). Abreu, Gonçalves e Simões (2014) e Kurcgant et al.. (2015) complementam que o próprio adoecimento do trabalhador, a insatisfação com as condições institucionais, a falta de suporte psicossocial, o duplo vínculo de trabalho, a falta de apoio para aprimoramento profissional e o relacionamento interpessoal inadequado são as principais causas do absenteísmo, ou seja, as causas e conseqüências se assemelham e se inter-relacionam.

2.3 DADOS RELACIONADOS À DOENÇA

Dos 10 (dez) trabalhos encontrados, 5 (cinco) citaram em seus resultados aspectos relacionados ao absenteísmo-doença. Marques et al.. (2015), em pesquisa que objetivou analisar o absenteísmo-doença da equipe de enfermagem em um hospital universitário localizado em Goiânia (GO), observou que as patologias com maior incidência foram: doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo, por exemplo, dorsalgias e Lesões por Esforço Repetitivo (LER), seguido dos transtornos mentais e comportamentais, como depressão, transtorno bipolar e estresse.

Os próprios autores discutiram que tais resultados são semelhantes a outros estudos na área e que, devido às características do trabalho desenvolvido pela equipe de enfermagem e ao grande risco de desenvolver doenças osteomusculares, é necessário adequar o ambiente de trabalho, visando amenizar os riscos para saúde destes trabalhadores. Além disso, quanto às doenças mentais, os transtornos de humor responderam por boa parte dos afastamentos. Como boa parte da equipe estudada em tal pesquisa presta serviço direto à

(20)

população, tal atuação é caracterizada por altas demandas psicológicas, baixo suporte social e controle sobre o trabalho.

Calil, Jericó e Perroca (2015), em estudo que objetivou investigar a relação entre a variável idade e a ocorrência de ausências não previstas da equipe de enfermagem, encontraram resultados bem semelhantes ao estudo citado anteriormente, pois os agravos que mais geraram afastamentos por atestados foram transtornos mentais e comportamentais, doenças do sistema osteomuscular e doenças infecciosas e parasitárias, sendo que as duas primeiras em colaboradores de idade mais avançada (41-50 anos) e estas últimas em mais jovens, de 20-30 anos.

O destaque principal deste estudo de Calil, Jericó e Perroca (2015) é que houve aumento acentuado de afastamentos à medida que o colaborador envelhecia, além disso, a depressão foi identificada como determinante de absenteísmo para trabalhadores de enfermagem. Dessa forma, tal estudo concluiu a importância de se gerenciar os fatores estressores do ambiente de trabalho, entre eles a dificuldade nas relações interpessoais, problemas emocionais e diminuição da motivação, por exemplo, a partir da formulação de políticas de gestão de pessoas voltadas para a necessidade do idoso (nível estratégico); investimento em design ergonômico e equipamentos no ambiente de trabalho e integração do colaborador nas ações de melhoria (nível tático); e adoção de práticas voltadas para a promoção da saúde e do bem-estar dos colaboradores (nível operacional).

Já no estudo de Mantovani et al.., (2015), um estudo transversal que objetivou caracterizar o absenteísmo por enfermidade em trabalhadores de enfermagem de um hospital universitário do Sul do Brasil, notou-se que os cinco motivos de afastamento por enfermidades mais prevalentes identificadas com CID foram: as doenças respiratórias entre os enfermeiros e as doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo entre os técnicos e auxiliares de enfermagem. Também foi expressivo o número de atestados com o CID “fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde” nas diferentes categorias, o que significa atestados utilizados para a realização de exames e para acompanhar familiares em situações de doença. Os atestados mais prevalentes em todas as categorias da equipe de enfermagem foram os externos sem CID, o que impossibilitou a análise dos mesmos em relação ao tipo de enfermidade.

Por fim, em estudos mais antigos, como Formenton, Mininel e Laus (2013) e Oliveira (2014), os resultados foram semelhantes aos citados anteriormente, com o predomínio e o destaque das doenças do sistema muscular e do tecido conjuntivo.

(21)

Quadro 1 – Resumo dos 10 artigos contendo: título do estudo, identificação dos autores, ano de publicação, conteúdo da evidência científica, principais conclusões, observações relevantes

(continua)

Título Autoria Ano Metodologia Principais resultados

1 As possíveis causas do absenteísmo na equipe de enfermagem do Hospital de Transito Caceres de Allende - período de 2010.

GONZÁLEZ 2014 Estudo descritivo de corte transversal, coletado através da aplicação de um instrumento a partir de uma fonte institucional de dados secundários do ano de 2010 e analisados valores absolutos e relativos.

1. O índice de absenteísmo total foi de 1,43%;

2. Foi maior em mulheres do que em homem (1,52% x 1,01%), todavia, a maioria dos profissionais eram mulheres;

3. A maioria dos ausentes trabalhavam pela manhã, seguidos dos da noite e por fim os da tarde;

4. Boa parte dos colaboradores trabalhavam em serviços ambulatoriais;

5. Tinham mais de 25 anos de empresa, seguidos dos que tiham entre 6 e 25 anos;

6. Os que tinham vínculos empregatícios mais estáveis, foram os que faltaram mais.

2 Fatores geradores do absenteísmo dos profissionais de enfermagem de um hospital público e um privado. FURLAN, STANCATO

2013 Trata-se de um estudo de natureza quantitativa, de caráter descritivo, documental; coletadas variáveis pré-definidas através de um questionário semiestruturado; amostra de 325 profissionais; os resultados foram obtidos a partir da análise estatística descritiva e analítica.

1. O absenteísmo tem um caráter multifatorial;

2. Observa-se como circunstância agravante da taxa de absenteísmo da população em estudo: a predominância do sexo feminino na profissão, a necessidade de complementar a renda familiar e a sobrecarga de atividades no dia-a-dia;

3. O índice elevado de absenteísmo desorganiza o serviço, gera insatisfação, sobrecarrega os profissionais presentes, reduz a produção e aumenta o custo operacional, podendo comprometer a qualidade da assistência prestada ao paciente.

3 Absenteísmo-doença na equipe de enfermagem de um hospital universitário.

MARQUES et al.

2015 Estudo retrospectivo, de abordagem quantitativa, desenvolvidono período de novembro de 2008 a outubro de 2012; os dados foram coletados nos dossiês da equipe de enfermagem; os dados foram apresentados em frequências absolutas e relativas; para análise, foi utilizado o programa SPSS.

1. 92,9% eram do sexo feminino, 7,1% do sexo masculino; a faixa etária em que se concentrou o maior número de trabalhadores foi de 41 a 50 anos, com 35,9%. Técnico de enfermagem foi a categoria que apresentou maior número de atestados;

2. As doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo, com 310 (19,70%) ocorrências, e os transtornos mentais e comportamentais com 284 (18,04%);

(22)

Quadro 1 – Resumo dos 10 artigos contendo: título do estudo, identificação dos autores, ano de publicação, conteúdo da evidência científica, principais conclusões, observações relevantes

(continuação)

Título Autoria Ano Metodologia Principais resultados

4 Absenteísmo do pessoal de enfermagem: decisões e ações de enfermeiros gerentes. KURCGANT et al.

2015 Recorte quanti-qualitativo, é um estudo descritivo-exploratório realizado de agosto de 2013 a julho de 2014 em dois hospitais gerais públicos, de ensino e, em um hospital universitário; mediante consulta aos documentos das instituições com resultados lançados em planilhas eletrônicas e os dados qualitativos foram resgatados junto às enfermeiras/gerentes em entrevistas semi-diretivas, individuais e orientadas por questões.

1. Os resultados qualitativos resgatados, nas três instituições estudadas, mostram o adoecimento do trabalhador, a insatisfação com as condições institucionais e o relacionamento interpessoal inadequado como principais causas do absenteísmo;

2. Evidenciou nove unidades com taxas que atendem ao padrão do COFEN. Em três unidades, todas pertencentes ao hospital, a taxa de absenteísmo mostrou-se acima do padrão esperado tanto na categoria profissional enfermeiro (duas unidades) como na de técnicos e/ou auxiliares de enfermagem (três unidades);

3. Os setores com maiores taxas foram as Clínicas Médicas e Cirúrgicas.

5 Gerenciamento de recursos humanos em enfermagem: estudo da interface idade – absenteísmo.

CALIL, JERICÓ, PERROCA

2015 Estudo de natureza descritivo-exploratória e retrospectiva(2007-2009); os serviços selecionados foram oito unidades de internação, sendo quatro clínicas médico-cirúrgicas e quatro unidades especializadas, representando 652 profissionais de enfermagem.

1. 85,9% dos colaboradores apresentaram algum tipo de ausência não prevista (absenteísmo);

2. As licenças médicas – 52,9% – e as faltas – 28,8% constituíram-se nos tipos de ausências mais frequentes, respondendo, conjuntamente, por 81,7%;

3. A faixa etária de 31 a 40 anos evidenciou 14.645 (36,0%) dias perdidos;

4. A licença pelo INSS representou 16.281 (39,9%) dias de ausências;

5. Os agravos que mais geraram afastamentos por atestados foram transtornos mentais e comportamentais com 45,3% dos dias, doenças do sistema osteomuscular 29,1% e doenças infecciosas e parasitárias 23,1%;

6. Diante dos resultados encontrados, foi possível evidenciar que a idade não se constitui em fator que influencia ausências não previstas entre os membros da equipe de enfermagem.

(23)

Quadro 1 – Resumo dos 10 artigos contendo: título do estudo, identificação dos autores, ano de publicação, conteúdo da evidência científica, principais conclusões, observações relevantes

(continuação)

Título Autoria Ano Metodologia Principais resultados

6 Fatores relacionados ao absenteísmo por doença entre trabalhadores de Enfermagem.

BARGAS, MONTEIRO

2014 Estudo descritivo exploratório com abordagem quantitativa, desenvolvido em um hospital universitário público de alta complexidade, com aproximadamente 400 leitos; o absenteísmo foi analisado considerando os afastamentos do trabalho por doença com duração ≤15 dias, justificados por atestados médicos, no período de 1° de janeiro a 31 de dezembro de 2011; as variáveis foram divididas em duas categorias: relacionadas ao perfil sociodemográfico e características do trabalho; foram realizadas análises descritivas para verificar a consistência dos dados e comparações envolvendo as variáveis sociodemográficas e relacionadas ao trabalho.

1. Menor média de dias ausentes no grupo etário de 20 a 29 anos e maior média no grupo de 50 a 59 anos;

2. Os auxiliares de Enfermagem apresentaram maior média de ausências por licença médica que os técnicos de Enfermagem e estes, mais que os enfermeiros, porém a relação com a idade não foi linear;

3. O maior registro de ausência no trabalho por doença foi no Centro de Material, no qual 91,6% dos trabalhadores apresentaram pelo menos um afastamento por doença, seguido do Centro Cirúrgico;

4. Os fatores associados ao absenteísmo por doença foram: faixa etária, escolaridade, função, turno, tempo na instituição e local de trabalho.

(24)

Quadro 1 – Resumo dos 10 artigos contendo: título do estudo, identificação dos autores, ano de publicação, conteúdo da evidência científica, principais conclusões, observações relevantes

(continuação)

Título Autoria Ano Metodologia Principais resultados

7 Motivos atribuídos por profissionais de uma Unidade de Terapia Intensiva para ausência ao trabalho.

ABREU, GONÇALVES, SIMÕES

2014 Estudo exploratório-descritivo, com abordagem qualitativa, caracterizado como pesquisa participante; na primeira etapa do estudo realizou-se o levantamento

das ausências no trabalho apresentadas pelos profissionais de enfermagem lotados no período de janeiro a dezembro de 2008; o resultado demonstrou que UTI-A foi a unidade que apresentou o maior número de ausências do hospital; participaram 29 profissionais que atenderam aos critérios e concordaram com a participação na pesquisa; para a coleta dos dados utilizou-se as técnicas da observação e do grupo focal. Os discursos foram analisados de acordo com a técnica de análise de conteúdo na modalidade temática.

1. O perfil demográfico dos profissionais de enfermagem lotados na UTI-A 72,41% eram do sexo feminino; quanto à faixa etária, 48,28% encontravam-se com idade entre 21 a 29 anos, seguida por 27,59% da faixa etária de 30 a 39 anos, 20,69% de 40 a 49 anos e 3,45% com 50 a 59 anos. Quanto ao turno de trabalho, 44,83% foram do turno noturno, 27,59% do período matutino e 27,59% da tarde. 79,31% eram técnicos de enfermagem, 17,24% enfermeiros e 3,45% auxiliar de enfermagem. 55,17% não possuíam outro vínculo empregatício e 44,83% possuíam mais de um vínculo empregatício;

2. No presente estudo, constata-se que trabalhar no ambiente hospitalar, principalmente na UTI, caracteriza-se pela exposição ao desgaste físico e emocional, decorrente da convivência diária com a angústia e o sofrimento dos clientes e familiares, sendo percebida como fatores contribuintes ao absenteísmo para os profissionais de enfermagem;

3. Dentre os motivos atribuídos pelos profissionais para a ocorrência do absenteísmo foram identificados: relacionamento interpessoal ineficaz, sobrecarga de trabalho, desorganização do serviço, falta de suporte psicossocial, duplo vínculo de trabalho e a falta de apoio para o aprimoramento profissional;

4. Quanto aos fatores de cunho social e individual, estes também possuem papel relevante enquanto motivo de falta no trabalho entre os profissionais de enfermagem, devido principalmente, na opinião dos profissionais de enfermagem da UTI, a dificuldade em conciliar o trabalho com os afazeres domésticos e cuidados com os filhos.

(25)

Quadro 1 – Resumo dos 10 artigos contendo: título do estudo, identificação dos autores, ano de publicação, conteúdo da evidência científica, principais conclusões, observações relevantes

(continuação)

Título Autoria Ano Metodologia Principais resultados

8 Absenteísmo-doença na equipe de enfermagem de um hospital público.

OLIVEIRA 2014 Dissertação, pesquisa descritiva e analítica, documental contemporânea, com abordagem quantitativa e de caráter transversal; os critérios de inclusão eram pertencer à equipe de enfermagem, ser trabalhador ativo na instituição, atuar em setores assistenciais (abonos de urgência/emergência tipo I, II, III ou IV) e apresentar licença médica no período de 01 de Janeiro a 31 de dezembro de 2013.

1. Os resultados mostram que, dos 1.056 funcionários ativos, 846 apresentaram licenças médicas (80%). O Índice de Absenteísmo (IA) encontrado para auxiliares/ técnicos foi de 4,91 e para enfermeiros, 5,68;

2. A maioria é do sexo feminino (86,4%); entre 31 e 40 anos (41,8%); pertencem ao grupo auxiliar/técnico de enfermagem (84,3%); tem 4 a 5 anos de trabalho no hospital (30,8%) e vínculo estatutário (67,1%);

3. Foram geradas no período 2.848 licenças médicas, totalizando 19.363 dias de trabalho perdidos;

4. Setores que mais apresentaram afastamentos: Clínica Médica (267 licenças e 1.402 dias perdidos), Sala de Emergência (231 licenças e 1.804 dias perdidos) e Cuidado Intermediário Neonatal (215 licenças e 2.196 dias perdidos);

5. Em relação aos meses do ano houve maior número de licenças em Outubro, Maio e Abril e os menores em Dezembro, Fevereiro e Novembro;

6. As principais afecções dos trabalhadores foram: Doenças do sistema muscular e do tecido conjuntivo (18,5%), Doenças do aparelho respiratório (14,4%) e Algumas doenças infecciosas e parasitárias (9,5%);

(26)

Quadro 1 – Resumo dos 10 artigos contendo: título do estudo, identificação dos autores, ano de publicação, conteúdo da evidência científica, principais conclusões, observações relevantes

(continuação)

Título Autoria Ano Metodologia Principais resultados

9 Absenteísmo por doença na equipe de enfermagem de uma operadora de plano de saúde.

FORMENTON, MININEL, LAUS

2013 Trata-se de um estudo descritivo-exploratório, retrospectivo, com análise quantitativa, realizado em duas unidades assistenciais pertencentes a uma operadora de planos de saúde do interior de São Paulo. A população foi composta pelos profissionais de enfermagem alocados nas unidades de estudo (enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem), com vínculo de trabalho formal com a referida empresa, no período de janeiro a dezembro de 2007, totalizando 202 profissionais.

1. 98(48,28%) dos profissionais sofreram algum tipo de ausência do trabalho por doença no período analisado, com predominância entre as mulheres 78(79,6%);

2. No tocante a distribuição do conjunto dos trabalhadores em relação ao local de trabalho, encontrou-se na unidade hospitalar valores um pouco acima daqueles verificados na unidade de pronto atendimento;

3. Dentre as causas de afastamentos encontradas, destacam-se 23(13,4%) decorrentes de doenças do aparelho respiratório; 21(12,2%) de doenças do sistema osteomuscular e tecido conjuntivo; 19(11%) de doenças infecciosas e parasitárias; 19(11%) de sinais, sintomas e achados anormais não classificados; 16(9.3%) de doenças do aparelho geniturinário; 14(8,1%) decorrentes de gravidez, parto e puerpério; 10(5,8%) de doenças olhos e anexos; e 9(5,2%) de causas externas. Ainda, 11 (6,4%) afastamentos não apresentaram CID correspondente e 30(17,5%) revelaram causas diversas.

(27)

Quadro 1 – Resumo dos 10 artigos contendo: título do estudo, identificação dos autores, ano de publicação, conteúdo da evidência científica, principais conclusões, observações relevantes

(conclusão)

Título Autoria Ano Metodologia Principais resultados

10 Absenteísmo por enfermidade em profissionais de enfermagem

MANTOVANI

et al.

2015 Trata-se de estudo de coorte retrospectivo, realizado em um hospital universitário de grande porte do Sul do Brasil; o campo do estudo foi o serviço de enfermagem cirúrgica (SEC), composto de 222 leitos divididos em sete unidades de internação com algumas diferenças entre si em relação ao porte; o período do dados coletados foi de 1 de janeiro a 31 de dezembro de 2012.

1. Houve predomínio do sexo feminino, a média de idade foi de 43 anos e o tempo médio de trabalho na instituição foi de 10 anos; 2. Entre os 299 profissionais incluídos no estudo, 220 (73,57%) apresentaram algum tipo de afastamento, totalizando 642 atestados e 6.230 dias de afastamento;

3.Dos 220 afastamentos por doença, 50 (22,7%) ocorreram entre os enfermeiros, 79 (36%) entre os técnicos e 91 (41,3%) entre os auxiliares de enfermagem;

4.Os cinco motivos de afastamento por enfermidades mais prevalentes identificadas com CID foram as doenças respiratórias entre os enfermeiros e as doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo entre os técnicos e auxiliares de enfermagem. Também foi expressivo o número de atestados com o CID “fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde” nas diferentes categorias, o que significa atestados utilizados para a realização de exames e para acompanhar familiares em situações de doença. Os atestados mais prevalentes em todas as categorias da equipe de enfermagem foram os externos sem CID, o que impossibilitou a análise dos mesmos em relação ao tipo de enfermidade;

5.Observou-se que as unidades com maior número de leitos e profissionais apresentaram mais atestados e dias de afastamentos; 6. Entre os 642 atestados, 556 (83,6%) foram de curta duração (até 15 dias), os quais não são cobertos por contratação de profissionais temporários, sendo essas coberturas realizadas por banco de horas ou horas extras da própria equipe.

(28)

3 OBJETIVOS

3.1 GERAL

Construir artes digitais a partir das características do absenteísmo-doença dos trabalhadores de enfermagem de um hospital público de referência, localizado numa cidade do interior do Estado do Ceará.

3.2 ESPECÍFICOS

a) Identificar os dados sociodemográficos e econômicos dos trabalhadores; b) Descrever os dados relativos ao trabalho e à doença dos trabalhadores;

c) Testar a existência de associação entre o absenteísmo-doença e os fatores sociodemográficos e econômicos, trabalho e doença;

(29)

4 MÉTODOS

4.1 TIPO DE ESTUDO

Tratou-se de um estudo transversal, metodológico, descritivo e analítico.

Segundo Lima (2011), o estudo transversal ou de prevalência é aquele que examina a relação entre as doenças e outras variáveis de interesse que como elas existem em uma determinada população em um determinado momento. Já a relação entre essas pode ser examinada em termos de prevalência da doença em diferentes subgrupos da população, definidos de acordo com a presença ou ausência da doença.

E ainda de acordo com o mesmo autor, o estudo metodológico envolve investigações dos métodos de obtenção e organização de dados e condução de pesquisas rigorosas. Tratam do desenvolvimento, da validação e da avaliação de ferramentas e métodos de pesquisa.

Já a pesquisa descritiva é aquela que visa observar, registrar e descrever as características de um determinado fenômeno ocorrido em uma amostra ou população, sem, no entanto, analisar o mérito de seu conteúdo. E a pesquisa analítica envolve uma avaliação mais aprofundada das informações coletadas em um determinado estudo, observacional ou experimental, na tentativa de explicar o contexto de um fenômeno no âmbito de um grupo, grupos ou população (FONTELLES et al.., 2009).

Conforme Gil (2009), a pesquisa quantitativa considera tudo que pode ser quantificável, o que significa traduzir em números opiniões e informações para classificá-los e analisá-los. A forma descritiva tem como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno, ou então, o estabelecimento de relações entre as variáveis.

4.2 LOCAL E PERÍODO DO ESTUDO

O estudo foi desenvolvido em um hospital público de referência no Norte do Estado do Ceará, no período de 1 de maio a 30 de setembro de 2017.

Tal nosocômio é gerido por uma Organização Social de Saúde (OSS) que trata de uma instituição privada sem fins lucrativos que atua no segmento de gestão em saúde.

(30)

Fundado em 11 de julho de 2002, foi a primeira instituição no Estado do Ceará a ser qualificada como OSS, pelo Decreto nº 26.811, de 30 de outubro de 2002. Nesses quatorze anos de história e de resultados expressivos, a OSS tem conseguido cumprir com competência e efetividade as metas estabelecidas nos contratos de gestão, sem perder de vista o foco na melhoria contínua da qualidade dos serviços e em todos os desafios que lhe são conferidos, buscando proporcionar o cuidado digno em saúde, através de práticas inovadoras em gestão para a excelência da assistência (ISGH, 2016).

Em 18 de janeiro de 2013, foi iniciada a gestão do hospital, que atende a população aproximada de 1,5 milhão de habitantes de 55 municípios da região Norte do Estado do Ceará, dispensando assistência hospitalar de alta complexidade, além de tratar-se do maior hospital do interior do Nordeste, com 57.813,70 metros quadrados de área construída e 70 leitos de Terapia Intensiva (UTI) do total de 382 leitos. Com 1.641 trabalhadores de saúde, sendo, aproximadamente, 900 trabalhadores de enfermagem e equipamentos modernos, o referido hospital realiza atendimento em diferentes especialidades e exames complexos, como ressonância magnética e tomografia computadorizada (CEARÁ, 2013).

4.3 POPULAÇÃO E AMOSTRA

A população do estudo foi composta por 824 trabalhadores de enfermagem, sendo 623 técnicos de enfermagem e 201 enfermeiros, segundo dados atualizados da coordenação geral de enfermagem. Salienta-se que a unidade não dispõe de auxiliares de enfermagem em seu quadro de pessoal. Todos esses trabalhadores apresentavam vínculo celetista, firmado através da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A amostra foi contemplada apenas pelos trabalhadores de enfermagem que gozaram e tiveram os atestados/licenças médicos computados pelo Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) da instituição e aceitaram participar da pesquisa, assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), totalizando 280 trabalhadores. Foram excluídos 46 trabalhadores que não foram localizados nos seus postos de trabalho durante as tentativas de abordagem, seja por troca de plantão ou por ausência do serviço, ou não atenderam as ligações para participarem da pesquisa.

(31)

4.4 VARIÁVEIS

Foram consideradas as variáveis: desfecho, referentes ao absenteísmo-doença (horas perdidas – baseadas em 6 horas de duração) e explicativas (sociodemográficas e econômicas, relacionadas ao trabalho e à doença).

4.4.1 Desfecho

Conforme Chiavenato (2014) o índice de absenteísmo-doença pode ser calculado dividindo-se o total de horas perdidas devido às ausências por doenças pelo total de horas previstas de trabalho. Esses valores foram preconizados como de 6 horas visto que os trabalhadores da manhã e tarde cumprem essa carga horária de trabalho diariamente de segunda a sexta-feira.

4.4.2 Explicativas

Com o objetivo de responder as variáveis sociodemográficas e econômicas, cada trabalhador somente foi entrevistado em um único momento e as perguntas foram respondidas referentes ao período de emissão do primeiro atestado/licença médico no período da coleta de dados. As variáveis referentes ao trabalho e a doença foram coletadas de acordo com a sua emissão.

4.4.2.1Sociodemográficas e econômicas

a) Idade – conceito: tempo transcorrido desde o nascimento até a coleta dos dados. Operacionalização: coletado através da aplicação do questionário semiestruturado. Conjunto de valores: números inteiros;

b) Sexo – conceito: Diferença física ou conformação especial que distingue o macho da fêmea. Operacionalização: coletado através da aplicação do questionário. Conjunto de valores: masculino ou feminino;

c) Cor ou raça – conceito: característica declarada pelas pessoas determinada pelo conjunto de caracteres físicos hereditários. Operacionalização: coletado através

(32)

da aplicação do questionário. Conjunto de valores: branca, preta, amarela, parda ou indígena;

d) Religião – conceito: crença na existência de um poder ou princípio superior, sobrenatural, do qual depende o destino do ser humano e ao qual se deve respeito e obediência. Operacionalização: coletado através da aplicação do questionário. Conjunto de valores: católica apostólica romana (CAR), evangélica, espírita, sem religião ou outro;

e) Estado civil – conceito: é a situação de uma pessoa em relação ao matrimônio ou à sociedade conjugal, ou mesmo sem a dependência da vontade humana, como, por exemplo, no caso do nascimento. Operacionalização: coletado através da aplicação do questionário. Conjunto de valores: casado, solteiro, união estável, divorciado ou viúvo;

f) Número de filhos/dependentes – conceito: é a quantidade de filhos ou dependente legal (dependente previdenciário, com exceção do cônjuge) que o trabalhador tem. Operacionalização: coletado através da aplicação do questionário. Conjunto de valores: números inteiros;

g) Grau de escolaridade (contratado) – conceito: o cumprimento de um determinado ciclo de estudos. Se um indivíduo completou todos os anos de um ciclo e for aprovado, diz-se que este obteve o grau de escolaridade do ciclo em questão e o funcionário é contratado na empresa com esse grau de escolaridade. Operacionalização: coletado através da aplicação do questionário. Conjunto de valores: técnico ou superior;

h) Grau de escolaridade (atual) – conceito: o cumprimento de um determinado ciclo de estudos. Se um indivíduo completou todos os anos de um ciclo e for aprovado, diz-se que este obteve o grau de escolaridade do ciclo em questão. Operacionalização: coletado através da aplicação do questionário. Conjunto de valores: técnico, superior, especialista, mestre ou doutor;

i) Renda familiar – conceito: é o somatório da renda individual dos moradores do mesmo domicílio por mês. Operacionalização: coletado através da aplicação do questionário. Conjunto de valores: números inteiros;

(33)

j) Município de residência – conceito: município de residência do funcionário. Operacionalização: coletado através da aplicação do questionário. Conjunto de valores: Sobral ou outro;

k) Local de residência – conceito: local do município onde o funcionário reside. Operacionalização: coletado através da aplicação do questionário. Conjunto de valores: urbano (espaço ocupado pela sede da cidade, caracterizado pela edificação contínua e pela existência de infra-estrutura urbana), rural (é o espaço compreendido no campo; é uma região não urbanizada) ou distrito (territórios em que se subdividem os municípios; apresentam edificação contínua e infra-estrutura urbana, porém são distantes fisicamente da sede do município);

l) Carga horária de trabalho semanal em outro(s) vínculo(s) – conceito: período, em horas, que o funcionário exerce atividades laborais formais por semana em outro(s) vínculo(s) que não seja o do hospital pesquisado. Operacionalização: coletado através da aplicação do questionário. Conjunto de valores: números inteiros.

4.4.2.2Relacionadas ao trabalho

a) Setor – conceito: serviço que o funcionário estava dimensionado quando o primeiro atestado/licença médico foi entregue. Operacionalização: coletado através da planilha do SESMT. Conjunto de valores: emergência adulto (EA), emergência pediátrica (EP), emergência do centro de atenção a saúde reprodutiva e da mulher (EC), centro cirúrgico geral (CCG), centro cirúrgico obstétrico (CCO), clínica cirúrgica (CC), clínica médica (CM), unidade de cuidados especiais (UCE), clínica obstétrica (CO), clínica pediátrica (CP), mãe canguru (MC), unidade de cuidados intermediários neonatal (UCIN), unidade de cuidados intensivos neonatal (UTIN) centro de parto normal (CPN), unidade de terapia intensiva adulto (UTIA), unidade de terapia intensiva pediátrica (UTIP), ambulatório (AMB), banco de leite humano (BLH), serviço de controle de infecção hospitalar (SCIH), apoio e diagnóstico (AD), central de transportes (CT), centro de material e esterilização (CME), serviço

(34)

especializado em engenharia de segurança e medicina do trabalho (SESMT), centro de estudos (CE), agência transfusional (AT);

b) Turno de trabalho – conceito: turno em que o funcionário estava trabalhando quando o atestado/licença médico foi entregue. Operacionalização: coletado através da planilha do SESMT. Conjunto de valores: manhã (07:00 as 13:00h), tarde (13:00 as 19:00h), noite (19:00 as 07:00h) ou M/T – manhã e tarde (07:00 as 19:00h);

c) Função – conceito: trata-se da função ao qual o funcionário exercia quando emitiu o atestado/licença médico. Operacionalização: coletado através da planilha do SESMT. Conjunto de valores: enfermeiro, técnico de enfermagem ou técnico de enfermagem para transporte;

4.4.2.3Relacionadas à doença

a) Atestado médico (quantidade) – conceito: número de atestados/licenças médicos entregue pelo funcionário, independente da quantidade de dias. Operacionalização: coletado através da planilha do SESMT. Conjunto de valores: números inteiros;

b) Atestado médico (carga horária perdida) – conceito: número de horas de trabalho perdidas, previamente escaladas, devido o atestado/licença médico. Operacionalização: coletado através da planilha do SESMT. Conjunto de valores: números inteiros;

c) Atestado médico (dias de atestado) – conceito: duração em dias do atestado/licença médico. Operacionalização: coletado através da planilha do SESMT. Conjunto de valores: números inteiros;

d) Atestado médico (dias na escala) – conceito: número de dias que o funcionário estava escalado para o trabalho dentro do período do atestado/licença médico. Operacionalização: coletado através da planilha do SESMT. Conjunto de valores: números inteiros;

e) CID-10 – conceito: publicação da Organização Mundial de Saúde (OMS) que visa padronizar a codificação de doenças e outros problemas relacionados à saúde; a cada estado de saúde é atribuída uma categoria única à qual

(35)

corresponde um código CID-10, divididas em 22 capítulos. Operacionalização: coletado através da planilha do SESMT. Conjunto de valores: código composto por letras e números (quando a CID-10 não foi determinada, considerou-se indeterminada - IND).

4.5 TÉCNICAS E INSTRUMENTOS PARA COLETA DOS DADOS

A coleta das informações das variáveis relacionadas ao trabalho e à doença (Apêndice A) deu-se a partir das planilhas com dados semiestruturados alimentados pelo SESMT da instituição (após a entrega do atestado/licença médico, o SESMT cadastrou estes em uma planilha que contem: matrícula do funcionário, data do atestado/licença, período em dias, horas perdidas de trabalho, CID-10, nome do médico e nome da instituição em que foi emitido), que foram enviadas via email ao pesquisador. Os dados sociodemográficos e econômicos foram coletados a partir da aplicação do formulário semiestruturado individual (Apêndice B), em local privativo no setor, no horário de trabalho, com agendamento prévio, todavia, sem atrapalhar a rotina e as atividades do serviço. Essa ação não acarretou em custos financeiros ou assistenciais para a instituição.

Para minimizar o risco de identificação profissional, associado ao possível viés no preenchimento correto do formulário, a aplicação deste foi realizada por 7 (sete) alunos do curso de graduação em enfermagem, que não tem vínculo com a instituição e foram indicados pelo Centro de Estudos do hospital, e que foram treinados sobre as especificidades da pesquisa e aplicação dos formulários de coleta. Vale ressaltar que esse treinamento teórico foi ministrado pelo pesquisador no mês de abril e agosto de 2017, visto que foi reforçado o grupo de coletadores durante o período de coleta. Tal estratégia (treinamento e certificação dos coletadores) é uma das formas de minimizar a variação aleatória e aumentar a precisão das medidas (HULLEY; MARTIN; CUMMINGS, 2003).

Aos funcionários de atestado/licença médico ou ausência do serviço no período da coleta dos dados, foi tentado contato telefônico, do aparelho de telefonia móvel particular do pesquisador, de acordo com o número telefônico disponibilizado pelo RH, para explicação sobre a pesquisa e coleta dos dados sociodemográficos e econômicos. E para assinatura do TCLE, os mesmos seriam convidados a comparecer à instituição ou os alunos iriam se

(36)

deslocar ao endereço mais conveniente e combinado previamente com o funcionário. Todavia, não foi conseguido o contato telefônico ou foi inviável a assinatura do TCLE.

Quando existia mais de um atestado emitido pelo mesmo trabalhador em um único mês, a CID-10 que foi levada em consideração foi a do atestado com maior carga horária perdida. Na persistência do empate, prevaleceu o atestado mais antigo.

Foi realizado um pré-teste durante o mês de abril de 2017, com 30 trabalhadores com atestados/licenças médicos emitidos nesse mês. Estes não participaram da amostra final.

4.6 TÉCNICAS DE ANÁLISE DOS DADOS

Utilizou-se o programa EXCEL, versão 11.0, para o armazenamento dos dados e a elaboração gráfica. O processamento dos dados gerais foi realizado por meio do programa estatístico PASW (Predictive Analytics Software for Windows), versão 17.0.

A análise estatística foi composta das seguintes etapas: descrição dos dados, análise bruta e ajustada do modelo.

Na descrição dos dados, foram aplicadas as frequências absolutas e percentuais, além das medidas estatísticas (média aritmética, mediana, desvio-padrão e coeficiente de variação).

Na análise bruta, o absenteísmo-doença foi utilizado como desfecho em função de cada uma das variáveis explicativas (sociodemográficas e econômicas, relacionadas ao trabalho e doença), tendo como medida de associação o teste do Qui-quadrado de Pearson, ao nível de significância de 5%. Na impossibilidade desse teste, foi utilizado o teste da razão de máxima verossimilhança.

Na análise ajustada, foram consideradas para entrarem no modelo, somente as variáveis explicativas, que na análise bruta apresentaram p<0,20 e para permanecerem no modelo, aquelas que apresentaram p<5%, conforme Victora et al.. (1997). Foi utilizada a regressão de Poisson, com variância robusta, pelo método stepwise (LIN; WEI; WEISSFELD, 1989).

Para a construção do modelo final, foi utilizada a análise multivariada, considerando-se todas as variáveis estatisticamente significativas (p<0,05).

(37)

4.7 ARTES DIGITAIS COMO PRODUTO

Segundo Teixeira (2013), arte digital trata-se da manifestação artística gráfica através do computador, e tem por princípio a construção da arte a partir de processos digitais com a utilização de softwares especiais de computador. Podendo ser desde o tratamento de imagens com criação de peças gráficas, como cartazes e panfletos, imagens para internet, a banners e peças para propagandas em mídias sociais (ALVES, 2015).

Para tornar o produto mais didático e de fácil acesso ao público alvo, estes foram criados no formato de “panfletos digitais” que são textos publicitários curtos, com o objetivo de atingir grandes massas.

Após a caracterização dos três mais prevalentes motivos de atestados/licenças médicos, classificados pela CID-10, foram criadas as artes digitais de cada um desses, objetivando apresentar sua epidemiologia e as principais formas de preveni-los. Apresentando-se como ferramenta importante para estimular a participação dos indivíduos nas tomadas de decisões, no que se refere a sua saúde e consequentemente na sua qualidade de vida. E ainda, ambientes favoráveis, acesso à informação, habilidades para viver melhor, bem como oportunidades para fazer escolhas mais saudáveis, estão entre os principais elementos que favorecem a capacitação dos indivíduos.

Nesse contexto, a abordagem educativa deve estar presente nas ações de promoção da saúde e prevenção de doenças na vida cotidiana da população, facilitando a incorporação de práticas corretas de forma a atender suas reais necessidades. Esta ação educativa deverá ser de comunicação, de diálogo, pois somente motivado e capacitado o indivíduo poderá incorporar novos significados e valores para melhorar sua saúde e qualidade de vida (PELICIONI; PELICIONI, 2007).

Seguido da criação do texto das artes digitais, o layout destas foi criado por uma designer gráfico contratada pelo pesquisador. Em seguida, serão divulgados como pop-up, que são janelas que abrem no navegador ao visitar uma página web ou acessar uma hiperligação específica, na intranet da instituição, no sistema de eventos dos trabalhadores e nas áreas de trabalho dos computadores do hospital. Além disso, será divulgado nas redes sociais específicas de trabalho da instituição.

(38)

4.8 ASPECTOS ÉTICOS

Esta pesquisa somente foi realizada após autorização das autoridades competentes da instituição e aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do ISGH sob o número CEP-ISGH 2.060.055 (Anexo A). Além disso, seguiu os preceitos éticos da Resolução Nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde (BRASIL, 2012). Conforme citado acima, os participantes que concordarem em participar da pesquisa, assinaram o TCLE (Apêndice C) e, como a pesquisa envolveu coleta em documentos institucionais, o pesquisador assinou o termo de fiel depositário, conforme item IV.6.b da mesma resolução.

Como possíveis riscos tiveram-se: identificação profissional, constrangimento do profissional ao responder as perguntas do formulário e/ou intervir na rotina de trabalho do setor, entretanto, para minimizar tais riscos, foram preservadas a identidade e privacidade dos trabalhadores e o horário de aplicação do instrumento foi previamente agendado e poderia ser interrompido a qualquer momento, sem trazer prejuízos financeiros e/ou assistenciais à instituição. Além dos benefícios indiretos, os resultados alcançados servirão de fonte de dados para prevenção de doenças e agravos a saúde dos trabalhadores de enfermagem da instituição.

Conforme Resolução Nº 466/2012, item III.1.b – A eticidade da pesquisa implica em (...) ponderação entre riscos e benefícios, tanto conhecidos como potenciais, individuais ou coletivos, comprometendo-se com o máximo de benefícios e o mínimo de danos e riscos e o item 2.i, que prevê procedimentos que assegurem a confidencialidade, a privacidade, a proteção, a imagem e a não estigmatização dos participantes da pesquisa (...), salienta-se que contou-se com a colaboração dos alunos na coleta dos dados, assim minimizando a exposição da influência de autoridade do pesquisador.

Referências

Documentos relacionados

Como foi visto, a primeira etapa do processo decisório de consumo é o reconhecimento da necessidade, com isso, observou-se que, nessa primeira etapa, os consumidores buscam no

Souza et al (2002) realizaram pesquisa que pretendeu estabelecer uma análise de discurso sobre acontecimentos do cotidiano veiculados por alguns jornais, o olhar

Este estudo, que tem como objetivo a investigação do imaginário de estudantes de Psicologia sobre o primeiro atendimento clínico, insere-se num

Figura A53 - Produção e consumo de resinas termoplásticas 2000 - 2009 Fonte: Perfil da Indústria de Transformação de Material Plástico - Edição de 2009.. A Figura A54 exibe

Os dados encontrados sugerem que existe condições de preservação com trechos alterados, logo faz-se necessário a reversibilidade dos impactos de maior magnitude como a

◦ Os filtros FIR implementados através de estruturas não recursivas têm menor propagação de erros. ◦ Ruído de quantificação inerente a

Mediante o impacto do paciente com o ambiente do centro cirúrgico, a equipe de enfermagem deve estar voltada para o aspecto humano do atendimento, centrando suas

Compreendendo- se que o estudo dos eventos do século XX podem ser relevantes e esclarecedores para a compreensão da história e da sociedade de hoje, e levando-se em conta o