UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE FACULDADE DE MEDICINA
DEPARTAMENTO DE MEDICINA CLÍNICA
Conceitos Básicos de
Aterosclerose e Angina
Pectoris Estável
Prof. Wolney de Andrade Martins Niterói (RJ)
2011
Síndromes Coronarianas
Aforismos de Hipócrates 460-377 a.C.
“Os que têm frequentes e graves desfalecimentos, sem causa justificável, morrem repentinamente””
“As pessoas naturalmente gordas estão mais sujeitas à morte súbita do que as pessoas magras”
William Heberden
1772
Síndromes Coronarianas
Royal College of Physicians
Medical Transactions of the College 1772
Doença Coronariana Crônica
O que é isso?
Insuficiência Coronariana
é síndrome clínica
caracterizada por deficiência de suprimento sanguíneo através
das artérias coronarianas epicárdicas, resultando em isquemia
miocárdica.
Apresenta formas clínicas
crônicas
Doença Coronariana Crônica
Recordar é viver ...
VE
VD
AD
ns navCircunflexa
Descendente
Anterior
Coronária
Direita
Recordar é viver ...
O Fluxo Coronariano Normal
Reserva Coronariana
é a capacidade fisiológica do
Fluxo Sanguíneo Coronariano aumentar acima dos níveis
basais,
ajustando-se
a
qualquer
aumento
do
consumo
miocárdico de O
2Dependente:
• Área transversa da coronária
• Resistência na microcirculação
• Freqüência cardíaca
Oxido nítrico
Fator Hiperpolarizante Endotélio Prostaciclinas
-0
1
2
3
4
-
-
-
-20 40 60 80 100
Diâmetro da Lesão (%)
REPOUSO
FLUXO
MÁXIMO
Epidemiologia
Mortalidade por Doença Cardiovascular
Em transição epidemiológica
Epidemiologia
Mortalidade Doença Coronariana no Mundo – OMS
7,2 milhões
óbitos/ano
11,1 milhões
óbitos/ano
Epidemiologia
Dças. do Aparelho Circulatório= 26,5% óbitos
Doenças Cerebrovasculares
Doença Coronariana
Quais são as causas?
ATEROSCLEROSE
Arterites:Dça. Takayasu
Poliarterite Nodosa
Lupus Eritematosos Sistêmico
S. Kawasaki (Linfonodo mucocutâneo) Sífilis
Endocardite, Salmonela, outras infecções Dça. Células Gigantes
Anomalias congênitas: Origem na aorta Origem na pulmonar Fístulas Pontes Miocárdicas Embólicas:
Trombos, tumores, cálcio, vegetações Cirurgia cardíaca, cateterismo, próteses Paradoxal
Dissecção Aórtica Espasmo
Estria
gordurosa
Lesão intermediária Placa fibrosa ComplicaçõesConsiste de tecido conjuntivo denso, cápsula fibrosa, músculo liso no interior e células inflamatórias
Macrófagos formam fatores de
crescimento, colagenases e citocinas degradam o tecido conjuntivo
Aterosclerose:
Patogênese
Processo inflamatório crônico, com formação de tecido conjuntivo,
colágeno, proteoglicans, fibras elásticas, além dos macrófagos e linfócitos T.
Evolução da Aterosclerose ao longo do Tempo
Disfunção Endotelial
Desde a 1ª década Desde a 3ª década Desde a 4ª década
Principal crescimento devido a acumulação de lípides Músculo lisoe colágeno hematomaTrombose
Células espumosas Est ria de gordura Lesão inte rm ediária Aterom a Placa fibrosa Lesão complicada/ruptura
Ada pta do de Stary HC et al. Circulation. 1 995,:1355-1 374
ATEROSCLEROSE
LUZ
PLACA
Aorta com
calcificações
“Mostre-me suas artérias e direi a sua verdadeira idade”
Placa Fibrocálcica Complicações Trombose RUPTURA DA PLACA
Aterosclerose:
“Pois muitos são chamados,
mas poucos escolhidos ....”
Mt. 22:14Aterosclerose: Fatores de Risco
Estudo de Framingham: [1950- ...]
PRIMÁRIOS:
- TABAGISMO
- HIPERCOLESTEROLEMIA, HIPERTRIGLICERIDEMIA - HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA
- DIABETES MELLITUS - OBESIDADE
- IDADE*
- SEXO MASCULINO E FEMININO PÓS-MENOPAUSA
*
- HISTÓRIA FAMILIAR DE CORONARIOPATIA *SECUNDÁRIOS:
-
SEDENTARISMO - PERSONALIDADE - CONDIÇÃO SOCIAL* Não Removíveis
- EXERCÍCIO FÍSICO - EMOÇÃO - FRIO - DROGA SIMPATICOMIMÉTICA TAQUICARDIA CONSUMO DE O2
OBSTRUÇÃO
FIXA
X
DESEQUILÍBRIO ENTRE
OFERTA X CONSUMO DE O
2ISQUEMIA
Angina Pectoris Estável
Angina típica= 80% Dça. Coronariana!!!
Dor inalterada nos últimos três meses
quanto
à
duração,
à
intensidade,
à
freqüência, ao limiar, ao uso de medicação
ou
seja,
mantém
as
mesmas
Local da dor e suas irradiações
Precórdio + MSE Epigástrica / Mandíbula / Maxilar Precórdio + MSD + MSE DorsalTabagismo Exercício Frio Estresse emocional Atividade sexual OUTROS: Infecções agudas. Uso de drogas ilícitas.
Dor Torácica
Classificação
Angina Típica
(definitiva)
Desconforto ou Dor retroesternal;
Desencadeada por exercício ou estresse emocional
Aliviada com repouso ou uso de nitrato
Angina Atípica
(provável)
2 dos fatores acima
Dor Torácica não
cardíaca
I.
Atividades físicas comuns não causam angina. Dor com
ESFORÇO INTENSO, RÁPIDO ou PROLONGADO.
II.
LEVE LIMITAÇÃO das atividades habituais.
III.
GRANDE LIMITAÇÃO das atividades habituais.
IV.
INCAPACIDADE de desempenhar QUALQUER atividade
sem desconforto. ANGINA DE REPOUSO pode estar
presente.
Classificação Funcional da
• DISPNÉIA DE ESFORÇO
• FADIGA
• ERUCTAÇÕES
• DESCONFORTO APÓS REFEIÇÃO
Rabo de gato, orelha de gato, ..., é gato!
Manifestações atípicas ou Equivalente anginoso
Especialmente em
Idosos e Diabéticos!
Da Vinci une arte e ciência e traz luz à escuridão
da Idade Média
EXAME FÍSICO
ANGINA PECTORIS ESTÁVEL
EXAME FÍSICO
XANTELASMAS, XANTOMAS, ARCO CORNEO
ANEMIA, HIPERTIREOIDISMO
HIPERTENSÃO ARTERIAL
B4
B3, CONGESTÃO PULMONAR
SOPRO SISTÓLICO MITRAL
XANTELASMA
XANTELASMA
XANTOMAS
Parece mas não é ....
Diagnósticos Diferenciais
Refluxo Gastro-esofageano; Espasmo esofageano cedem com nitratos!
Cólica biliar
Costocondrite; Espondilopatias; Dças. músculo-esqueléticas Hipertensão pulmonar grave; Infarto Pulmonar
Pericardite Aguda
Prolapso Valvar Mitral Ansiedade; Psicopatias
Diagnóstico
Quadro Clínico
Fatores de Risco
ECG
Teste
Ergométrico
+
+
+
Eletrocardiograma
Normal em 50% dos casos Alterações Inespecíficas da Repolarização VentricularAlterações na vigência da dor que desaparecem
TESTE ERGOMÉTRICO
Esforço
Isquemia Miocárdica
ECG Alterado
Dor
Anginosa
Queda da
Teste Ergométrico
Avaliação hemodinâmica
Avaliação clínica
ECG
Teste Ergométrico
Teste Ergométrico
-
TESTE ERGOMÉTRICO ou
Ecocardiograma de Estresse
Cintilografia Miocárdica de esforço e repouso
-ECO BIDIMENSIONAL COM DOPPLER
Diagnósticos diferenciais: E Ao
Isquemia grave
Cardiopatia isquêmica
-ECG DINÂMICA (SISTEMA HOLTER)
Isquemia silenciosa
RELÓGIO
ELETRODOS
Investigação Diagnóstica
HOLTER (ECG contínuo de 24 H)
Utilidade Clínica: Diagnóstico da ISQUEMIA SILENCIOSA
Tem valor Prognóstico
Repouso
Esforço
Sala de Hemodinâmica
Visualização
Aquisição e gravação de imagens
Cineangiocoronariografia e Ventriculografia
(Cateterismo Cardíaco)
Quando Indicar?
• Diagnóstico ainda duvidoso após métodos não-invasivos
• Sinais de alto risco nos métodos não-invasivos
• Sintomas apesar de tratamento clínico otimizado
• Muito sintomáticos (CCS III e IV) com isquemia evidente
- ADEQUAÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA E DA ATIVIDADE SEXUAL - ABOLIR ESTIMULANTES ADRENÉRGICOS, DROGAS
VASOCONSTRICTORAS, CAFEÍNA - EVITAR DIETAS HIPERCALÓRICAS - CESSAR TABAGISMO
- CORRIGIR FATORES DE RISCO: HAS, DM, DISLIPIDEMIAS, OBESIDADE, SEDENTARISMO.
- TRATAR CAUSAS SECUNDÁRIAS: ANEMIA, HIPERTIREOIDISMO, INSUF. CARDÍACA
Como eu trato?
Evitar a isquemia e a dor
Deter a progressão
Evitar eventos agudos
Nitratos, Betabloqueadores, Antagonistas do cálcio Hipolipemiantes (Estatinas)
AAS
ou Ticlopidina ou ClopidogrelComo eu trato?
Tratamento Farmacológico
ANTIAGREGANTES PLAQUETÁRIOS
INIBE AGREGAÇÃO E ADESIVIDADE PLAQUETÁRIAS
PREVINE O INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO E SÍND. AGUDAS
DIFICULTA A FORMAÇÃO DE TROMBO SOBRE A PLACA
EFs. ADVERSOS: SANGRAMENTOS, GASTRITE (AAS) e DISCRASIAS SANGÜÍNEAS (TICLOPIDINA)
USO ORAL:
- ÁCIDO ACETIL SALICÍLICO: 75 a 325mg após o almoço. Usual: 100 mg/dia
-TICLOPIDINA: 250 mg 2 X dia - CLOPIDOGREL: 75 mg/dia
EVITAR DIPIRIDAMOL: TAQUICARDIA
Tratamento Farmacológico
Tratamento Farmacológico
HIPOLIPEMIANTES
- Reeducação alimentar e exercício físico
- Manter colesterol total < 160 mg/dl
- Manter LDL-colesterol < 100 mg/dl
- ESTATINAS: Sinvastatina / outras
- 10 a 80 mg/dia
- Monitoração da lesão hepática e muscular
- Evitar associação com fibratos
NITRATOS
INIBEM A ACTINA-MIOSINA VASODILATAÇÃO VENOSA RETORNO VENOSO TRABALHO CARDÍACO CONSUMO DE O2 TAMBÉM LEVAM A VASODILATAÇÃO CORONARIANA E SISTÊMICAEF. ADVERSOS: CEFALÉIA, HIPOTENSÃO POSTURAL, RUBOR FACIAL, TAQUICARDIA, TOLERÂNCIA
Tratamento Farmacológico
NITRATOS
USO ORAL:
- DINITRATO DE ISOSSORBIDA: 10-20 mg - 2-3 X dia - PROPATILNITRATO: 10-20 mg - 2-3 X dia - DINITRATO DE ISOSSORBIDA: 5 mg/vez (SL)
BETABLOQUEADORES ADRENÉRGICOS
BLOQUEIO -ADRENÉRGICO
A FREQÜÊNCIA CARDÍACA
O TRABALHO CARDÍACO
O CONSUMO DE O2
ESPECIALMENTE ÚTIL: HAS, SÍNDROMES HIPERCINÉTICAS e
TAQUIARRITMIAS ASSOCIADAS
CONTRA-INDICADO: ASMA, INSUF. ART. PERIFÉRICA GRAVE,
DIABETES MELLITUS INSULINO-DEPENDENTE
USO ORAL:
- PROPRANOLOL: 40 - 80 mg - 3 a 4 X dia - não seletivo
- ATENOLOL: 50 - 100 mg - 1 a 2 X dia - seletivo
ANTAGONISTAS DO CÁLCIO
BLOQUEIO CANAIS LENTOS DE Ca
++
INFLUXO DE Ca
++VASODILATAÇÃO PRÉ-CAPILAR
ESPECIALMENTE ÚTIL: ANGINA VASOESPÁSTICA e HAS
Efs. ADVERSOS: CEFALÉIA, HIPOT. POSTURAL, EDEMA MMII, RUBOR
FACIAL, BLOQUEIO ÁTRIOVENTRICULAR, TAQUICARDIA
USO ORAL:
- DILTIAZEN: 60 mg 3 X dia ou 120-240 mg ação prolongada
- VERAPAMIL: 80 mg 3 x dia ou 240 mg ação prolongada
- BESILATO DE ANLODIPINO: 5 mg 1 a 2 x dia.
EVITAR NIFEDIPINA de CURTA DURAÇÃO: “ROUBO CORONARIANO” e TAQUICARDIA
ANGIOPLASTIA CORONARIANA TRANSLUMINAL PERCUTÂNEA
(ACTP ou PTCA)Qual é o melhor tratamento para Doença Arterial Crônica (estável)?
Sobrevida Livre de Óbito de Qualquer Causa e IM
Estudo Courage
Anos 0 1 2 3 4 5 6 0.0 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0ATC + Clínico
Clínico
Hazard ratio: 1.05 95% CI (0.87-1.27) P = 0.62 7 N Engl J Med 2007;356: 1503-16.Complicações
E agora Doutor?E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Drummond
Capa de revestimento rica em colágeno.
Placa amolecidas com fina camada de
colágeno