ISA SANT'ANNA ALVES
Resistência à monotonia numa prova de atenção auditiva ideali-zada pelo prof. Symcha J. Schwartzstein.
I - INTRODUÇÃO:
I - Antes de descrever nossa pesquisa devemos dizer algo sôbre a atenção.
Considera - se, atualmente, a atenção como uma atitude afetiva, de caráter global, percepto-reacio-nal, objetiva ou subjetiva, de in-tensidade variável, ativa ou passi-va, limitada em seu campo e cau-sadora de fadiga.
Atitude - faltam à atenção os característicos necessários para ser considerada uma aptidão; é uma forma de comportamento diante de determinada circunstân-cia.
Afetiva - a atenção pressupõe a existência do interêsse que é o seu incitante e que influi na sua
modalidade e intensidade.
Percepto-reGtCional - a atenção é um processo perceptivo manifes-tado pela observação ou reflexij.o, traduzindo-se num ato ou atitude de forma objetiva ou subjetiva.
Intensidade variável - a per-cepção atenta, psico-fisiolôgica-mente, varia entre cada 8 ou 10 segundos, conforme as diferenças individuais.
Limitada em seu campo - há um limite fixado mais ou menos em 6 ou 8 elementos.
Causadora de fadiga - mesmo que o interêsse seja apaixonante, há diminuição sensível da percep-ção, acompanhada de sensação de mal estar desde que a atitude aten-ta seja soliciaten-tada durante um lon-go tempo.
Caráter global - a atenção ma-nifesta-se de modo unitivo, con-soante o grau absoluto de cons-ciência de que se utiliza. E' pos-sível coexistir, num dado momen-to, graus. consciente e subcons-ciente, ou subconsciente e incons-ciente de atenção, embora não pos-sa existir nunca mais de uma ati-tude atenta num único grau de consciência.
II - DESCRIÇÃO DA PROVA: No 3.0 trimestre do Curso de Formação de Psicotécnicos, na cadeira de Seleção Profissional, a equipe n.o 5, baseada nos conceitos acima emitidos, recebeu a tarefa de fazer um teste numérico de atenção com o objetivo de medir, pela audição, a atenção sustentada, dissociadas as demais
modalida-42 ARQUIVOS BRASILEIROS DE PSICOTÉCNICA
des em que pudesse ainda apresen-tar-se.
Construído o teste, foi êle gra-vado no Sound-mirror B K 401 com as seguintes características:
a) 160 séries numéricas de 7 algarismos cada série;
b) distribuição dos algarismos na série em pares e ímpares;
c) número de algarismos pa-res por série - 1 a 5;
d) distribuição de números pa-res na prova - 35 em cada 70, correspondendo a 50
%
do total;e) duração da prova - mais ou menos 25 minutos;
f) andamento - MM 92; g) ritmo - uma batida de me-trônomo entre cada númeiro e 3
batidas entre cada duas séries; h) locutor - voz feminina por parecer mais clara.
Obtido assim o teste coube a nós aplicá-lo e verificar sua precisão e validade. Foi objeto da nossa pesquisa um grupo constituído de 100 alunos dos 2.°, 3.° e 4.° anos da Escola Industrial "Henrique Lage" da Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Rio de Janeiro e sediada em Niterói.
A aplicação foi feita pela ma-nhã, em boas condições, estando os alunos confortàvelmente sentados em cadeiras individuais, bem se-paradas entre si e colocados no au-ditório da escola que é bastante amplo. Houve muito boa vontade e colaboração por parte dos alu-nos, pois disto cuidamos em visi-tas de preparação que fizemos à
escola e nas quais tivemos opor-tunidade de fazer com que êles compreendessem nosso objetivo e tomassem uma atitude positiva frente à prova.
As instruções dadas foram as seguintes:
"Cada um de vocês recebeu uma fôlha numerada de 1 a 160.
Vão ouvir 160 séries de 7 al-garismos cada uma.
Cada série é composta de alga-rismos pares e ímpares.
Vocês deverão ficar bem aten-tos, para contarem, mentalmente, a quantidade de algarismos pares de cada série, indicando tal quan-tidade no espaço em branco ao lado de cada número da fôlha que lhes foi distribuída.
Se por qualquer razão não pu-derem contar a quantidade de al-garismos pares de alguma das sé-ries, diante do número a ela cor-respondente coloquem um traço e prossigam, prestando atenção nas
que se seguem.
Para esclarecer melhor, dare-mos um exemplo: - Vamos supor que se iniciasse agora a enunciação das séries. Vocês ou viriam: -Atenção! ... 1-2-5-3-4-1-8.
Colocariam ao lado do número 1, que indica a primeira série, a quantidade 3, correspondente aos números pares da série.
Imaginemos que a enunciação prosseguisse e que lá na que está indicada pelo número 129, um de vocês se distraísse e não pudesse contá-la. Colocaria ao lado do nú-mero 129 um traço.
Todos compreenderam? Alguma dúvida? Todos prontos?
Silêncio! Vamos começar. .. (li-gar o Sound-mirror)."
III - RESULTADOS OBTIDOS: De posse das 100 provas, cujos resultados transcrevemos no Ane-xo n.o I, passamos a fazer a ava-liação de sua precisão pelo pro-cesso de seccionamento (split-half method), verificando qual o
coe-ficiente de correlação entre os sco-res obtidos nos itens pasco-res e Ím-pares (precisão de meio teste). Obtivemos uma correlação signi-ficativa de
+
0.906, e a estimati-va de precisão do teste total pela fórmula de profecia de Spear-man-Brown nos deu o resultado de+
0,950 (Vide Anexo n.o IH). Passamos então a calcular se~paradamente as médias e os des-vios-padrão dos resultados obtidos
nos 80 itens iniciais e nos 80 itens finais da prova (Vide Anexo n.o 11). A média dos acertos na série final foi significativamente menor do que a média dos acertos na sé-rie inicial, revelando, portanto, um resultado mais fraco na segunda metade. Podemos, pois, concluir que a partir de um determinado momento a fadiga aumentou o nú-mero de erros.
Complementando nosso traba· lho, construímos uma curva
re-presentativa do número total de erros do grupo de 100 alunos sub. metido à prova.
IV - CRíTICA:
o
fato de ser o teste de aten-ção realizado durante um espaço de tempo relativamente longo, no caso, 25 minutos; não implica que se procure dissociar dentre as di-versas modalidades de atenção as formas expectante, concentrada e latente. No espaço de 25 minutos, o examinando pode apresentar as diversas modalidades, sem que se possa estabelecer quais os resulta-dos indicadores de cada uma de-las. Convém ainda notar que o au-mento de fadiga revelado pela pro-va não está em função imicamen-te de sua duração, mas sim emestreita ligação com o grau mani-festado de interêsse, e com o can-saço decorrente da atividade per-cepto-reacional e da atitude pos-tural mantida. Além do mais, não há fundamento para afirmar-se" a priori" que o examinando apresen-tará em duas ocasiões diferentes a mesma forma de oscilação da aten-ção, e daí decorre o pouco valor do teste para selecionar ou dissociar as referidas modalidades.
Anexo I - Resultados obtidos na prova de atenção auditiva:
1) Scores obtidos nos itens pa-res da prova de atenção auditiva: Alunos Sc.ores Alunos Scores
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 2 ,1 5 10 6 16 18 21 18 14 16 23 21 20 17 20 20 25 22 20 25 22 21 28 24-27 23 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 43 54 55 56 19 25 27 28 24 24 25 26 33 28 26 2-1 30 31 32 28 31 25 35 29 24 25 31 29 33 35 30 28
44 ARQUIVOS BRASILEIROS DE PSICOTÉCNICA 57 31 79 38 39 28 70 33 58 32 80 29 40 30 71 36 59 25 81 41 41 24 72 38 60 35 82 32 42 25 73 40 61 26 83 29 43 23 74 38 62 30 84 37 44 28 75 38 63 33 85 39 45 26 76 36 64 33 86 40 46 32 77 36 65 30 87 37 47 22 78 39 66 32 88 43 48 29 79 35 67 36 89 L15 49 34 80 46 68 36 90 12 50 33 81 34 69 32 91 18 51 28 82 43 70 37 92 46 52 30 83 46 71 34 93 53 53 26 84 ,10 72 33 9,1 57 54 24 85 39 73 32 95 53 55 31 86 38 74 34 96 57 56 31 87 46 75 34 97 62 57 30 88 44 76 36 98 69 58 29 89 43 77 36 99 66 59 37 90 47 78 34 100 68 60 28 91 41 61 34 92 46
2) Scores obtidos nos itens ím- 62 35 93 48
pares da prova de atenção audi- 63 33 94 48
tiva: 64 33 95 53
65 37 96 57
Alunos Scpres Alunos Scores 66 35 97 61
1 2 20 24 67 68 33 34 98 99 62 69
2 4 21 19 69 37 100 70
3 7 22 23
4 7 23 24 3) Scores obtidos nos
80 itens
5 12 24 19
6 20 25 22 iniciais :
7 18 26 21 Alunos Scpres Alunos Scores
8 16 27 25 9 19 28 20 1 4 12 19 10 24 29 30 2 ~ 13 l i 11 23 30 24 3 O 14 24 12 16 31 23 4 17 15 25 13 19 32 22 5 11 16 25 14 20 33 26 6 17 17 20 15 24 34 26 7 12 18 21 16 21 35 25 8 26 19 22 17 23 36 26 9 20 20 24 18 18 37 21 10 38 21 2& 19 21 38 26 11 21 22 32
23 23 62 50 7 24 54 19 24
2R
63 49 8 11 55 22 25 20 64 :")0 9 17 56 2.5 26 26 65 43 10 O 57 21 27 19 66 52 11 18 58 31 28 31 67 45 12 20 59 23 29 33 68 49 13 23 60 20 :~O 33 69 50 H 16 61 18 31 30 70 38 15 16 62 15 32 32 71 ,18 16 16 63 17 33 ')-- ; ) 72 48 17 23 M 16 34 32 73 49 18 22 65 24 35 36 74 46 19 22 66 15 36 24 75 51 20 20 67 24 37 32 76 41 21 18 68 21 38 .t2 77 - 9 n ... 22 13 69 19 39 32 78 41 23 22 70 32 40 28 79 50 24 19 71 22 41 26 80 53 25 27 72 23 42 27 81 -ti 26 22 73 23 43 2·1: 82 54 27 29 74 26 44 32 83 55 28 17 75 21 45 31 84 51' 29 16 76 30 46 31 85 52 30 15 77 20 47 32 86 48 31 20 78 32 48 9 -vi 87 40 32 18 79 24 49 3í 88 3~) 33 25 80 22 50 39 89 31 34 18 81 28 51 37 90 60 35 24 82 21 52 29 91 fál 36 28 83 20 53 30 92 ;)2 37 21 84 20 54 41 93 39 38 12 85 26 55 39 94 56 39 22 86 30 56 36 95 49 40 26 87 43 57 40 96 t:i;~ 41 28 88 48 58 31 97 67 42 29 89 38 59 39 98 64 43 31 90 28 60 43 99 ()9 44 2·1: 91 39 61 45 100 67 45 26 92 40 46 23 93 624) Scores obtidos nos 80 itens 47 25 94 49
finais: 48 21 95 56
Alunos Sc,ores Alunos Scores 49 21 96 51
50 19 97 55
"""f
O 4 O 51 22 98 672 O 5 7 52 30 99 66
46 ARQUIVOS BRASILEIROS DE PSICOTÉCNICA
Anexo II - Quadro das Médias e Desvios-Padrão dos resultados:
Itens Pares Itens impares Itens Iniciais Itens Finais Medias . . . . 30.6
D. Padrão 12.34
Anexo III - Cálculo do coefi-ciente de correlação entre os itens pares e ímpares:
r
=
+
0.906r seg. fórmula de Spearman-Bro,Vll =
+
0.950~rro-Padrão de r
=
+
0.0179 Anexo IV - Cálculo da diferen-ça significativa entre as médias dos 80 itens iniciais e finais:~rro-Padrão da Média dos itens iniciais: 1.46. 30.9 12.85 36.6 14.58 24.9 13.41
~rro-Padrão da Média dos itens
finais: 1.34.
Diferença observada entre as duas médias: 11.7.
~rro-Padrão da diferença entre
as duas médias: 1.98.
Razão crítica
=
11.7/1. 98 por-tanto maior do que 3, sendo signi-ficativa a diferença.20 15 10 5
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150 l~Ô"-m-I I""
I'IÚME,\O DE E,\I\0948 ARQUIVOS BRASILEIROS DE PSICOTÉCNICA SUMMARY
Attention is nowadays defined as an emotional attitude of global character, either objective or sub-jective, active or passive, of varia-ble intensity, limited in its scope and producing fatigue.
Based upon the above descript-ion, the author was given the task of constructing a numerical at-tention test with the purpose of measuring sustained attention, as dissociated from all other types of attention. This test, recorded on the "Sound-Mirror", had 160 nu-merical series of 7 digits, both even and odd, with 1 to 5 even digits in each series and a total number of even digits of 50
0/0.
Applied to a group of 100 pu-pils of the "Escola Industrial Hen-rique Lage", the test lasted 25 mi-nutes. The pupils were instructed to count mentally the amount of even digits of each series heard, and then to write this number on a sheet of paper already numbered from 1 to 160.
Having thus obtained 100 tests, the author proceeded to make an estima tive of their reliability, using the "split-half" method, and obtained a significant correlation coefficient of
+
0.906 among even and odd itens.Calculating separatedly t h e means and standard deviations of the 80 first and 80 last items, the author found a significative dif-ference between the means of the correct answers to the first and last series; concluding, therefore, that, as a result from fatigue, the number of errors became greater in the second half of the testo
This increase of fatigue as re-vealed by the test is not only de-rived from its length, but also
connected with the amount of in-terest displayed by the subjects and the weariness following the postural attitude maintained dur-ing the whole examination.
There is no reason to afirm "a priori" that the same subjects, on different occasions, will reveal the same pattern of oscillation, which shows that the test has little or no discriminating ability among attention types.
RÉSUMÉ
Aujourd'hui on considere l'at-tention comme une attitude affe-ctive de caractere global, objeaffe-ctive ou subjective, d'intensité variable, active ou passive, limitée dans son champ et cause de la fatigue.
En s'appuyant sur cettes con-ceptions, l'auteur a essayé de cons-truire une épreuve destinée à me-surer l'attention sustenue disso-ciée de toutes ses autres modali-tés. Cette épreuve, gravée dans le "Sound-Mirror", avait les suivan-tes caracteristiques: Elle com-prennait 160 séries numériques, de 7 algarismes, pairs et impairs, chaque série ayant un nombre va-riable d'algarismes pairs (1 a 5), ave c un total de 50% d'algaris-mes pairs dans toute l'épreuve.
Ce test, donné a un groupe de 100 éleves de l'école industrielle "Henrique Lage", avait la dura-tion de 25 minutes. Les éleves fu-rent instruits à compter
mentale-ment la quantité de numéros pairs dans chaque série qu'ils écoutaient, et à écrire ensuite le numéro cor-respondant sur une feuille de pa-pier déjà numeroté de 1 a 160.
Les 100 épreuves finies, l'auteur avalia sa précision par la méthode "split-half", et a obtenu une cor-rélation significative de
+
0.906.Le calcul indépendant des moyen-nes et écart types des 80 séries initiales et finales nous a donné une difference significative entre les moyennes des réponses cor-rectes de chaque série initiale et finale, d'ou on peut conclure que dês un certain moment, la fatigue augmente le nombre d'erreurs. II faut aussi dire que cette croissan-ce de la fatigue n'est pas seule-ment fonction de la duration de l'épreuve, mais est aussi
étroite-ment lié au degré d'interêt mon-tré par les éleves et à l'attitude posturale demandée par l'épreuve. On ne peut pas, évidemment, afirmer "a priori" que les mêmes personnes auront, en deux occa-sions différentes, la même oscil-lation d'attention, ce qui nous mene à la conclusion que le test n'a pas de valeur pour dissocier les modalités d'attention déjà