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Desempenho e Complexidade da Economia Brasileira

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Academic year: 2021

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Desempenho e Complexidade

da Economia Brasileira

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Convite ao diálogo

A competitividade da economia brasileira está em debate em toda sociedade. É indiscutível o fato de que a indústria do Brasil vem so-frendo cada vez mais pressão nos mercados internacionais e, inclusive, no mercado doméstico. A construção de uma agenda efetiva de com-petitividade para o País depende tanto da compreensão do desafi o que enfrentamos – a partir de fatos, dados e análises comparativas sistemáticas com outros países, como de processos de discussão qualifi cados, que envolvam diferentes segmentos da sociedade. Análise e diálogo precisam andar em conjunto. Foi com esse espírito que a ABDI, o MBC, o IPEA e o OIC/USP promoveram a série Diálogos de Competitividade, com encontros realizados entre abril e agosto de 2014.

Os Diálogos de Competitividade tiveram cinco edições, das quais participaram ministros e diretores de agências do Governo Brasileiro, presidentes executivos e diretores de diferentes empresas, pesquisado-res, empreendedores e representantes da sociedade civil. Os Diálogos foram organizados conforme as dimensões do Competitiveness Deco-derTM.da Federação Global dos Conselhos de competitividade (GFCC):

desempenho econômico, sofi sticação da economia, infraestrutura, capital, talento, inovação, qualidade de vida e crescimento futuro. As quatro primeiras edições cobriram, cada uma, duas das dimensões indicadas; a edição fi nal encerrou uma síntese dos debates realizados. O DecoderTM foi desenvolvido no âmbito da GFCC, em uma iniciativa liderada pela ABDI e o US Council on Competitiveness (CoC). Trata-se de uma ferramenta disponível na internet e que reúne, na sua versão alfa, dados de 139 indicadores, cobrindo 65 países, ao longo de doze anos. O DecoderTM inclui funcionalidades estatísticas e de visualização de dados que permitem conhecer o estado atual de cada país, identifi ca similaridades e fazer comparações entre países e analisar a dinâmica da evolução dos indicadores. Pode ser acessado em http://decoder. thegfcc.org.

O presente documento sintetiza as discussões e ideias surgidas no 1º Diálogo de Competitividade, realizado em 24 de abril de 2014, no Instituto de Estudos Avançados da USP. Naquela ocasião, discutiu-se o desempenho e a sofi sticação da economia brasileira.

Desempenho e sofisticação: uma breve análise da realidade brasileira

A economia brasileira é uma das maiores do mundo e vem

apre-sentando uma dinâmica de crescimento destacada na última década, chegando a ocupar o posto de 7ª maior economia mundial, com um Produto Interno Bruto (PIB) acima de U$S 2,2 trilhões. Entre 2001 e 2012, a economia brasileira cresceu 48%, apresentando uma taxa de crescimento somente superada pela China dentre as maiores econo-mias globais.

No entanto, o tamanho e o crescimento da economia brasileira ana-lisados de forma isolada não ajudam a compreender a nossa situação atual da nossa situação competitiva. É necessário comparar o Brasil com outras economias similares e buscar compreender a dinâmica do seu crescimento.

Ao observar o desempenho da economia brasileira por meio de uma análise de agrupamentos defi nidos estatisticamente a partir de 21 indicadores de desempenho econômico, confi rma-se nossa posição de economia média. Compartilhamos características com países em desenvolvimento como Rússia, México e Índia, incluídos no mesmo cluster do Brasil. O PIB per capita do Brasil foi de US$ 11.340 em 2012, em média três a quatro vezes menor do que o dos países considerados desenvolvidos, como é o caso do Japão, cujo PIB per capta foi de

US$ 46.720 no mesmo ano. Essa observação traz óbvias implica-ções para a análise da competitividade brasileira, sendo necessário reconhecer limites econômicos em comparação a países mais avan-çados, como a baixa capacidade para investimentos e a persistência de problemas sociais associados à baixa renda, que concorrem nas prioridades nacionais com os elementos restritos à competitividade, dentre outras questões.

Também é preciso considerar que o País possui questões relacionadas à competitividade que não se vinculam somente às condicionantes ma-croeconômicas, mas ao desempenho de sua economia como um todo. É importante destacar a produtividade do trabalho no Brasil que ainda está aquém daquela apresentada por economias desenvolvidas e mesmo por economias em desenvolvimento. Segundo estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), entre 2000 e 2009, a produtividade do trabalho cresceu em uma trajetória estável, porém reduzida, da ordem de 1% ao ano, uma dinâmica inferior à maioria dos países analisados pelo DecoderTM, incluindo-se vários de nossos vizinhos na América Latina.

Do ponto de vista estatístico, tamanho da economia e inserção no comércio internacional são variáveis que fazem a diferença para o agru-pamento dos países.

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Uma questão a ser destacada em relação à economia brasileira é sua baixa participação no comércio mundial. Países como México, Itália, Canádá e Espanha têm parcelas maiores do que é transacio-nado internacionalmente, mesmo possuindo economias menores que a do Brasil. A nossa participação no comércio mundial está aquém do tamanho da nossa economia.

Esses números revelam limitações no desempenho da economia brasileira e trazem à tona a necessidade de sua maior inserção interna-cional da economia brasileira.

A competitividade está relacionada ao processo de desenvolvimento econômico dos países. E se vincula à sua capacidade de atração de investimentos externos e à manutenção de uma balança comercial positiva. Esses fatores se atribuem à sofi sticação de sua economia.

Por sofi sticação, entende-se a existência de estruturas, conexões e competências produtivas e tecnológicas para a produção e a comer-cialização no mercado internacional de diferentes bens e serviços. A sofi sticação também está relacionada à capacidade de uma economia de se adaptar a mudanças nos mercados globais e ser capaz de oferecer às empresas instaladas no país diferentes possibilidades estratégicas para inserção nos mercados globais. A existência de um tecido industrial mais sofi sticado possibilita à economia dos países um melhor ajustamento às condições impostas pelo mercado, desenvolvendo novos produtos e/ ou mercados sem grandes restrições de conhecimento, competências e infraestrutura industrial ao processo de desenvolvimento econômico. Analisando-se o agrupamento dos países sob a ótica da sofi sticação econômica, nota-se que o Brasil participa de um grupo que reúne alguns países europeus considerados desenvolvidos, diferentemente do que ocorre quando a mesma análise é feita para a dimensão desempenho econômico. Depreende-se daí que a economia brasileira é mais sofi s-ticada que a média dos países emergentes. Este é um fator estrutural

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que coloca o Brasil em melhor posição competitiva que a maioria dos países em similar estágio de desenvolvimento econômico.

A análise do desempenho e da sofi sticação da economia brasileira sugere uma pergunta do seguinte tipo: como podemos avançar, aprovei-tando a relativa sofi sticação de nossa economia, e enfrentar os desafi os da produtividade e da inserção internacional? O Diálogo realizado em 24 de abril procurou captar ideias e propostas que sugiram respostas para essa questão.

Síntese para uma agenda

da competitividade

A grande questão do Brasil é institucional. Essa foi a principal conclusão dos participantes do 1º Diálogo de Competitividade. Se, por um lado, o Brasil avançou substancialmente nos indicadores sociais e econômicos nas últimas décadas, por outro lado é fato que ainda há um longo caminho a ser percorrido.

David Kupfer, assessor da Presidência do BNDES e professor do Instituto de Economia da UFRJ, foi um dos que destacou que o maior desafi o para garantir a elevação do patamar da competitividade é de cunho institucional. Kupfer enfatizou que as instituições (regras do jogo e organizações) que permitiram os avanços conquistados pela sociedade brasileira no passado, hoje não respondem adequadamente às pressões por mudanças e aos novos desafi os econômicos.

“As desigualdades sociais representam custos e são uma expressão do potencial não aproveitado de crescimento e de dinamismo”

Mariano Laplane, Presidente do CGEE Mariano Laplane, presidente do Centro de Gestão e Estudos Es-tratégicos (CGEE) e professor do Instituto de Economia da Unicamp, reforçou que são gargalos para a competitividade brasileira os proble-mas de infraestrutura, educação, inovação e logística, proble-mas ressaltou que o enfrentamento dessas questões passa pela continuidade da redução das desigualdades sociais. Para o professor, a redução das desigualdades cria condições para as transformações que permitirão o Brasil avançar rumo a uma sociedade mais competitiva. Além disso gera oportunidades.

A redução das desigualdades passa pela garantia de acesso aos serviços públicos (educação, saúde, transporte, etc.), pela melhoria na qualidade e na e distribuição desses bens no território. “Isso gera, não apenas ganhos evidentes de bem-estar, mas ganhos de merca-do e oportunidades de negócios, além de criar maiores aspirações

de avanço na sociedade”, completou. Para avançar na redução das desigualdades, o Brasil precisa enfrentar seu défi cit institucional. O País necessita organizar os negócios públicos e privados de maneira mais efi ciente e, em certa medida, fazê-los convergir e cooperar. São necessárias regras e estruturas contemporâneas para que isso ocorra.

A economia brasileira cresceu e a sua competitividade futura será cada vez mais determinada pela sua capacidade tecnológica. Nesse quesito, o Brasil apresenta como ponto forte a diversidade da sua base industrial. Mas, como fraqueza, há o fato de que a sua economia é pouco inovadora e sua baixa inserção na economia mundial está baseada em bens de baixo valor agregado.

Ao longo do século XX o Brasil se industrializou e diversifi cou sua matriz produtiva de forma mais intensa quando comparado a outros países da América Latina, destacou Fernanda de Negri, diretora de Estudos Setoriais do IPEA. Esse movimento, no entanto, perdeu ânimo nas últimas décadas em razão da especialização do País em segmentos mais tradicionais de produtos (commodities minerais e agrícolas), em parte por força da conjuntura internacional. Isso teve impacto sobre a pauta de exportações e, consequentemente, sobre a estrutura produtiva brasileira.

Fernanda De Negri do IPEA

Ao elencar temas que o País precisa destinar atenção e políticas para suprir gargalos à competitividade, Fernanda elegeu: (1) a infraestrutura – transportes, telecomunicações, etc., que não acompanhou o crescimento econômico da população e do consumo; (2) a produção de conhecimento e tecnologias, que apesar dos avanços obtidos ainda está aquém dos níveis internacionais; e (3) a educação e a qualificação de mão de obra – a situação encontrada nesse domínio oferece uma das principais explicações para os baixos níveis de crescimento da produtividade observados nas últimas décadas.

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a construção do futuro da economia brasileira e estão intimamente relacionados. São focos a reforçar nas políticas e programas públicos e estratégias das empresas. Contudo, ainda há desafios importantes a superar em temas mais tradicionais, que precisam ser enfrentados com celeridade.

Muitas das transformações capazes de alavancar a competitividade do País dependem, necessariamente, de consensos ou de acordos que envolvam diferentes entes da Federação, grupos políticos, áreas da sociedade, partidos, áreas do governo, etc. Num cenário internacional de mudanças rápidas, o Brasil tem se apresentado em desvantagem, em razão da disfuncionalidade da sua estrutura político-institucional. O fato é que não tem se revelado fácil avançar na velocidade desejada. Esther Dweck, chefe da Assessoria de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), sustentou que há certo consenso sobre quais são os entraves para a competitividade do País. De acordo com ela, “o que falta para transformar esse consenso em mudança não é ausência de vontade política, mas as capacidades técnica e político-institucional para acelerar o ritmo das mudanças”.

Jorge Gerdau e Mariano Laplane debatem a competitividade nacional

A percepção de que há consenso em torno de quais temas devem ser enfrentadas para que tornemos a economia brasileira mais competitiva (qualidade da educação, reformas tributária e previdenciária, produtividade da mão de obra, incremento e melhoria da infraestrutura etc.) mas de que não há propostas claras e consensuais sobre como fazer isso teve eco nos comen-tários de Aod Cunha, chefe para Assuntos Públicos do Banco JP Morgan Brasil. Para avançar, devemos enfrentar os déficits de capacidade técnica, governança e inteligência coletiva na gestão

Aod Cunha e David Kupfer

A reforma tributária é um exemplo de uma agenda crítica que não tem avançado. O sistema tributário brasileiro é altamente complexo e onera o funcionamento das empresas em comparação a outros países, minando a competitividade brasileira. Para reformá -lo, será necessário construir consenso e capital político. É preciso um processo de governança capaz de estimular e possibilitar que as mudanças sejam realizadas.

O fundador do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e Presi-dente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau, argumentou que é preciso reconhecer que os desafios à competitividade do Brasil estão relacionados a fatores externos (“extra-muros”) e internos (“intra-muros”) às empresas. Os fatores internos envolvem temas como a capacitação da mão de obra e os proporcionalmente reduzidos investimentos empresariais em pesquisa e desenvolvimento no Brasil, que são elementos-chave para o País alcançar níveis internacionais de produtividade. Os fatores externos envolvem os custos associados ao estabele-cimento de negócios no Brasil. Esses custos estão fortemente associados à logística (transportes, telecomunicações, etc.), às regras trabalhistas e ao sistema tributário. Com relação a esse último tópico, o que precisa ser enfrentado não é necessariamente a carga, mas sim a cumulatividade e a complexidade do sistema em si. Em função da complexidade, os custos de compliance com a regulação tributária são elevados para as empresas. “Somente a Petrobrás tem 900 pessoas trabalhando para poder dar conta da complexidade das regras tributárias... é difícil ser competitivo assim”, relatou Jorge Gerdau

política, institucional e partidária. Para o executivo os processos de governança carecem de modernização e urge que se adotem mecanismos de gestão eficiente em todos os níveis da Federação

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A solução para os problemas apontados, segundo Gerdau, passa por tornar o regramento jurídico mais racional e a administração pública mais efi ciente, para isso é preciso enfrentar o gargalo institucional.

Os avanços em infraestrutura e no fi nanciamento do crescimento também dependerão de novos modelos jurídico-institucionais, a exemplo das concessões para os serviços de infraestrutura. Muitas das iniciativas capazes de aprimorar a competitividade do Brasil requerem mudanças nas instituições, em seus dois sentidos: nas regras do jogo (isto é, no marco jurídico/regulatório) e nas estruturas, papéis e regras de funcio-namento das organizações governamentais.

Ester Dweck ponderou que os fundos estatais hoje utilizados para fi nan-ciar projetos de infraestrutura têm um potencial de crescimento insufi ciente para responder às necessidades do País. É necessário, portanto, sofi sticar as fontes de fi nanciamento e mobilizar outros recursos via a ampliação da participação do capital privado, com a criação de mecanismos para atração de capital de longo prazo (debêntures, certifi cados de recebíveis, etc.) e a atenuação dos riscos envolvidos nesses investimentos (garantias, seguros, resseguros, etc.). David Kupfer ainda argumentou que o défi cit do Brasil em investimentos em infraestrutura - que deveriam ter sido feitos no passado para que o País pudesse ser mais competitivo hoje - se deve não a uma relativa falta de dinheiro, mas sim, à alocação inapropriada dos recursos e a fatores macroeconômicos do passado.

Visão geral do diálogo de competitividade

O custo logísti co no Brasil

Os custos logísti cos representaram 11,5% do PIB do Brasil, em 2012, segundo uma pesquisa do Insti tuto de Logísti ca e Supply Chain (Ilos). O transporte foi o que mais pesou no aumento, che-gando a 7,1% (R$ 312,4 bilhões) da composição do custo logísti co em proporção ao PIB. O custo com transporte é composto por itens como o preço do diesel, pedágio e seguro. Na conta dos cus-tos logísti cos totais do país entram também gascus-tos com estoque (3,2%), armazenagem (0,8%) e administrati vos (0,4%). Os custos de logísti ca nos Estados Unidos representam 8% do PIB.

Os custos logísticos representaram 11,5% do PIB do Brasil, em 2012, segundo uma pesquisa do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos). O transporte foi o que mais pesou no aumento, chegando a 7,1% (R$ 312,4 bilhões) da composição do custo logístico em proporção ao PIB. O custo com transporte é composto por itens como o preço do diesel, pedágio e seguro. Na conta dos custos logísticos totais do país entram também gastos com estoque (3,2%), armazenagem (0,8%) e administrativos (0,4%). Os custos de logística nos Estados Unidos representam 8% do PIB.

Uma questão que se põe no debate sobre o desempenho da economia brasileira é como vamos fi nanciar o crescimento? Aod Cunha ressaltou que, se o País quiser crescer de forma sustentada no longo prazo, deve criar mecanismo para ampliar a poupança doméstica. Isso poderia ser feito via reforma tributária, ajustes no sistema previdenciário ou novos mecanismos institucionais de fundos de pensão; possivelmente, por uma combinação de todas essas alternativas. Para o economista, “é preciso gerar mais capital, pois o volume total de crédito gerado no País é escasso frente ao tamanho dos investimentos que precisam ser feitos”. No que se refere à atração de capitais do exterior, Aod lembrou que o go-verno brasileiro avançou na capacidade de apresentar o País de forma atrativa para os investidores internacionais, reforçando sua imagem e solidez. Porém, no longo prazo, a sustentabilidade das oportunidades apresentadas pelo Brasil pode ser questionada se não equacionarmos os problemas associados à infraestrutura, à capacidade de fi nanciamento local, à educação etc.

Qual é o caminho para a realização das transformações? Duas ideias-síntese foram apresentadas: (i) a comparação internacional sistemática de práticas e do desempenho do País – e a divulga-ção ampla dos resultados, e (ii) a redudivulga-ção das desigualdades. Enquanto a primeira serve para o direcionamento das mudanças, a segunda poderá, além de gerar oportunidades de crescimento econômico, criar as condições políticas para que se processem as transformações político-institucionais que o País necessita. Novos setores incluídos nos mercados de trabalho e consumo produzirão demandas de transformação social, fazendo com que o Brasil avance para o futuro.

Em 2013, a taxa de poupança doméstica no Brasil era de 16,2% do PIB, enquanto que nos países mais ricos era, em média, de 18,7%.

Em 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de poupança foi de 15,4% do PIB. Medido pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE, as famílias pouparam cerca de 25% da sua renda disponível bruta. Já a administração pública teve uma poupança negativa em torno de 12% da renda disponível bruta. A China tem uma taxa de poupança de 49,5% da renda disponível; a Coreia, de 31,4%; a Holanda, de 25,5%; e o Chile, de 21,4%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

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Ao longo deste diálogo, surgiram propostas de ações a serem tomadas pela sociedade brasileira (Governos, empresas e sociedade civil organizada) para lidar com os gargalos encontrados para a competitividade brasileira. Elencamos abaixo as propostas surgidas neste diálogo:

• Ampliar o acesso da população aos serviços públicos (saúde, educação, transporte...);

• Ampliar programas governamentais de apoio à inovação e internacionalização;

• Qualifi car a gestão pública, nos três níveis federativos;

• Aprimorar as estruturas de governança pública (fóruns, comitês conselhos...);

• Atualizar a legislação trabalhista;

• Revisar a legislação e simplifi car o sistema tributário;

• Ampliar as concessões de serviços públicos para a iniciativa privada;

• Criar novos mecanismos para atração de capital de longo prazo (debêntures, certifi cados de recebíveis, etc.) e a atenuação dos riscos (garantias, seguros, resseguros, etc.);

• Comparar sistematicamente práticas e desempenho do Brasil com outros países;

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Ficha técnica

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), através de sua Gerência de Análises e Projetos Estratégicos (GAPE), possui uma iniciativa permanente de avaliação e monitoramento da competitividade de nossa economia. Como parte desta iniciativa, foram realizados esses ciclos de diálogos em parceria ao MBC, IPEA e IEA-USP. Este projeto visa aprofundar o conhecimento e identifi car elementos chaves para a competitividade da Economia Brasileira.

Os diálogos são conduzidos a partir da estrutura conceitual e da aná-lise dos indicadores incluídos no The GFCC Competitiveness DecoderTM. O DecoderTM é um sistema de visualização de métricas desenvolvido para a GFCC pela ABDI e o US Council on Competitiveness.

A Federação Global dos Conselhos de Competitividade (GFCC) é uma organização internacional criada em 2010. Atualmente, congrega 35 organizações de 30 países. O Brasil, através da ABDI e do MBC, é um dos países fundadores da GFCC.

O Sistema de visualização de métricas está em sua versão alfa e cobre 65 países, em um conjunto de 164 métricas organizadas em 8 dimensões: desempenho econômico geral, complexidade econômica, infraestrutura, talento, capital, inovação, qualidade de vida e crescimento futuro.

O DecoderTM por ser acessado livremente através do site: http://decoder.thegfcc.org/

Participantes

Desempenho e Complexidade da Economia

Brasileira, realizado no dia 24/04/2014:

- Jorge Gerdau, fundador do Movimento Brasil Competitivo; - Fernanda de Negri, Diretora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA);

- Mariano Laplane, Presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE);

- Aod Cunha, Chefe para o Setor Público da J.P. Morgan Brasil; - Esther Dweck, Chefe da Assessoria de Assuntos econômicos do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) e professora da Instituto de Economia da UFRJ; e

- David Kupfer, Assessor da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e professor do Instituto de Economia da UFRJ.

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Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial

Mauro Borges Lemos Presidente

Maria Luisa Campos Leal Diretora

Octávio Camargo Diretor

Roberto dos Reis Alvarez

Gerente de Análises e Projetos Estratégicos Guilherme Amaral

Assessor Especial Adryelle Pedrosa Fontes

Referências

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