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UNIVERSIDADE FEDERAL DE.sANTA CATARINAfUENmRo DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
~DEPAR@AMgNTo DE CLÍNICA MÉDICA
CURSO DE GRADUAÇÃO Em MEDICINA
AIDS E os PROFISSIONAIS DA ÁREA DA sAÚDE - 1. ..
`
DA FLORIANOPOLIS
\.
Autores:
Mauricio Vaz Franco Yuri Figueiredo
Doutorandos da 12ë Fase do Curso de
~
Agradecemos ao Dr. Antonio Miranda as orientações recebidas durante a
~ ÍNDICE EESUMQ --- --01 INTRODUÇÃO --- --02 OBJETIVO --- --04 I . MATERIAL E METoDos --- --› --- --os RESULTADOS --- --oõ ~ ~ DIcUssAo --- --os coNcLUsõEs --- _; --- --11 SUMMARY --- -¬+ --- --12 REFERÊNCIAS EIBLIoGRÃEIcAs --- -4 --- --13 ANExos --- --15 Í
J
RESUMO
O objetivo deste }estudo~ transversal e descritivo e avg
liar o nivel de conhecimento dos profissionais da area da saude dos hospitais gerais da Grande Florianopolis frente a Sindrome «da
Imunodeficiência Adquirida (SIDA);-Foi elaborado um questionário '
apresentado ã 100 profissionais da área da saude entre dezembro de
1992 e janeiro de 1993. Os autores visitaram 4 hospitais gerais da
Grande Florianopolis - Hospital Universitario (HU), Hospital Flo-
rianópolis (HF), Hospital Regional de são José (zHR`sJ) e Hospital
Governador Celso Ramos (HGCR) - sendo entrevistados 25 profissioàfi
nais de cada hospital, escolhidos aleatoriamente. Constatou-se que
82% dos profissionais entrevistados ja lidaram,pelo menos uma vez,
com sangue ou secreção de paciente sabidamente portador do Virus
da Imunodeficiência Adquirida Humana (HIV+). A maioria destes pro- fissionais não utilizam rotineiramente meios corretos de proteção
ao lidar com sangue ou secreção, mesmo quando o paciente É sabida-
mente HIV+. Todos os profissionais acreditam que deveriam receber mais orientação sobre o manejo de paciente HIV+. Em 24% das entre- vistas os profissionais afirmaram sentir-se mal ao lidar com paci-
ente HIV+, e 24% dos entrevistados não se consideram " grupo de
riscoP.Discute-se a necessidade de orientar adequadamente estes
profissionais para que possam trabalhar em melhores condições e
à
INTRODUQÃO
A SIDA_é uma doença causada por um vírus - o Virus -da
Imunodeficiência Adquirida Humana (HIV). Em 1981 foram descritos '
os primeiros casos de uma patologia que acometia pacientes, até
tv I I
nim; '
entao saudaveis, que desenvolviam infecçoes oportunistas, demons-I
trando uma intensa deficiencia imune. Como caracteristica comum estes pacientes apresentavam comportamento homossexual. (7,8,lO)
Em l983 o agente causal desta sindrome foi identificado
(5,l3) e em 1986 passou a denominar-se Virus da Imunodeficiência '
Adquirida Humana (HIV). (l)
ø I Ã ~
Sabe-se hoje que o HIV e transmitido atraves de relaçoes
sexuais (homossexuais/Jheterossexuais), atraves de transfusão de
sangue e/ ou componentes contaminados com o HIV, atraves de agu~
lhas ou outros instrumentos pérfuro-cortantes contaminados com o
HIV e atraves da mãe para o filho. (14) t
~ I
_ A infecçao pelo HIV pode-se distinguir
em cinco estagios diferentes. A Fase Aguda que ocorre logo apos o contato inicial '
com o HIV, ocorrendo uma replicação deste, sendo encontrado nesta
fase em grande quantidade no sangue, medula Óssea e liquor, e que
se apresenta clinicamente por febre, adenomegalia e astenia - Com-
plexo Primário de AIDS. (6) Em seguida o HIV pode ficar_zzzlatente
A ' I
meses ou anos - Fase de Latencia - porem um estudo realizado » em
Frankfurt demonstrou que 50% de todos os portadores de HIV desen-/
volverão AIDS Patente em até 5 anos e 75% em ate 7 anos. (9) Uma
terceira etapa denominada Linfadenopatia Persistente Generalizada'
É caracterizada por presença de nódulos linfaticos com mais de lcm de diâmetro em duas ou mais cadeias linfaticas, por um periodo de
paciente apresenta`deficit da imunidade podendo apresentar perda '
de peso, indisposicão, letargia, anorexia, diarréia, febre, sudorg
"
.
' ~
\
se noturna..Numa fase mais grave da infecçao, a AIDS Patente, ini-
OUA ã
ciam-se as manifestaçoes de infecçoes oportunistas e tumores decor
rentes da imunodeficiência. (ll).
-^
r ' ~
Ate o presente momento nao existe nenhuma droga antivi-
ral que possa livrar o organismo, permanentemente, dos efeitos do
` I
HIV. Ate que uma vacina ou medicamento eficaz seja desenvolvido ~e
esteja amplamenteidisponivel, nossa principal proteção e a educa-
çao. As pessoas precisam estar informadas sobre a SIDA e sobre co-
mo o virus e disseminado,_de forma a poderem proteger-se contra
tal. Nesse aspecto cabe aos profissionais da area da saude servi-/
~
rem de elementos educadores da populaçao, necessitando para isso
OBJETIVO
Este estudo tem por objetivo avaliar o nivel de oonheci-/
mento dos profissionais da área da saúde dos hospitais gerais da
Grande Florianopolis frente a SIDA.
-v
MATERIAL E MÉToD.os
Este ê um estudo transversal e descritivo.
Foi elaborado um questionário (Anexo I) visando colher '
informações dos profissionais da área da saude acerca do conheci-
\ .-~ f ~
mento destes frente a SIDA. Questoes como meios de transmissao, nor
mas tecnicas para prevenção da transmissão do HIV, entre outras, fg ram apresentadas a 100 profissionais da area da saude entre medicos
(6%), estudantes (estagiários) de medicina (l2%), enfermeiros e
atendentes de enfermagem (80%) e tecnicos de laboratorio €2%). Os
autores visitaram 4 hospitais gerais da Grande Florianopolis - -HU,
HF, HRSJ, HGCR - entre dezembro de 1992 e janeiro de 1993 sendo
entrevistados 25 profissionais em cada hospital. Os profissionais '
foram escolhidos aleatoriamente. Apos a coleta de dados os mesmos'
RESULTADOS
Nosso estudo demonstra que 82% dos profissionais entrevis
I uv `
tados ja lidaram, pelo menos uma vez, com sangue ou secreçao ou rea lizaram procedimento invasivo em paciente sabidamente HIV+.
^
Segundo demonstra a tabela I apenas 10% dos profissionais ~
interrogados utilizam rotineiramente meios corretos de protecao ao
~ I
lidar com sangue ou secreçao, ou ao realizar procedimento invasivo em um determinado paciente. Este numero se eleva para 17% quando o
paciente em questão e sabidamente HIV+.
Tabela I - Meios de proteção utilizados por profissionais ~
da saude ao lidar com sangue ou secreçao rotineiramente e em paci-
entes HIV+.
rotineiramente em paciente HIV+
nâ % n9 % usa luvas 98 98 100 100 lava as mãos 72 72 74 74 usa avental 43 43 60 60 usa mascara 30 30 53 53 usa oculos 24 24 27 27 todos os anteriores 10 10 17 17 `
Apenas 8% dos entrevistados acreditam que os profissionais
da area da saude encontram-se devidamente esclarecidos acerca do
manejo do paciente HIV+, porem todos responderam que deveriam rece- ber mais orientação a este respeito. .
O7
Na tabela II pode-se observar os meios de transmissão '
do HIV mais.frequentemente assinalados: sangue (99%), semem (89%) ,Í
secreção vaginal (88%), liquido aminiÔtico_(57%) e liquor (41%).
Tabela II - Meios de transmissao do HIV assinalados pelos profissionais da saude. n9' % sangue 99 99 sëmem 89 as secreção vaginal 88 88 líquido aminíótico 57 57 líquor 41 41 saliva O6 O6 urina O5 O5
Na opinião de 18% dos entrevistados doar sangue transmite
SIDA, 8% acreditam que tosse e espirro pode transmitir o HIV e 3%
acham que comer ou beber juntos pode transmitir a doença.
Ao perguntarmos se o HIV pode ser transmitido por pessoas
saudáveis 14% responderam que näo.
. Em 24% das entrevistas o profissional consultado afirmou
sentir-se mal ao lidar com paciente HIV+. '
Quando questionados sobre pertencerem ou não ao " grupo ' de risco " 71% responderam que sim enquanto 24% afirmaram que nao.
Apenas 18% dos profissionais avaliados já haviam realiza-
s
DISCUSSAO
J
Para os profissionais que atuam na area assistencial de
saude, o desafio da SIDA se coloca em dois aspectos principais :
prover cuidado adequado a grande demanda de doentes e adotar normas
corretas de biossegurança. Infelizmente a resposta a este desafio
~
nao I tem sido a mais adequada. (lg)
'
Segundo demonstra nosso estudo 82% dos profissionais en-/
trevistados já lidaram com sangue ou secreção de pacientes sabida-
mente HIV+. Portanto todo profissional de saude deve conhecer as
normas de biossegurança e emprega-las adequadamente.
O Center for Disease Control (CDC) dos EUA, estabelece '
H ~ ~
precauçoes universais na prevençao da infecçao pelo HIV entre os
profissionais de saude: (2,3,4)
l- Lavar as maos com agua e sabão antes e apos o atendi-
mento de cada paciente..Quando em contato com sangue ou secreção as
~ ~
maos deverao ser lavadas imediatamente.
2- Usar luvas sempre que houver possibilidade de contato
~
com sangue ou secreçao.
3- Usar oculos protetores em procedimentos que possam pro
duzir gotículas de sangue ou fluidos corporeos com possibilidade de
atingir a mucosa ocular.
4- Usar máscara para proteger as
~
mucosas oral e nasal doCOl'lͧ8.`ͧO COITI Sangue §..._- 01.1 =--_--4¬-" SeCI`eÇ8.0. **""“
5- Usar avental para a realizaçao de procedimentos com
possibilidade de contato com sangue, fluidos corporeos ou superfi-
cies contaminadas.
6- Usar instrumentos perfuro-cortantes com o maximo cuida
do. As agulhas não devem ser recapeadas, entortadas, quebradas ou
perfu-O9
ro-cortantes devem ser acondicionados em recipientes resistentes a ~
perfuraçao.
7- Embora a saliva não tenha sido implicada na transmis-
~ ~ r
sao do HIV, as manobras de ressuscitaçao respiratoria devem ser re
ou
alizadas com instrumentos que forneçam proteçao de contato.
Segundo demonstra a tabela I apenas lO% dos profissio-
nais entrevistados utilizam rotineiramente meios adequados de pre-
~ ~ r '
vençao da transmissao do HIV sendo que este numero se elevou para 17% quando lidaram com paciente sabidamente HIV+. Este fato decor-
re da falta de informação e preparo tecnico confirmada pelos pro-
prios entrevistados (apenas 8% dos entrevistados acreditam que os
profissionais da area da saude encontram-se devidamente esclareci- dos acerca do manejo do paciente HIV+ e todos foram de opiniao que
~
deveriam receber mais informaçoes a este respeito).
-~
Conforme observa-se na tabela II os meios de transmissao
mais frequentemente assinalados foram sangue (99%), sëmem (89%), '
secreção vaginal (88%), liquido aminiotico (57%) e liquor (41%). '
~
Apenas 8% assinalaram corretamente (sangue, sëmem, secreçao. vagi-
nal e liquor). (L2)
Nota-se a necessidade de informar os profissionais da
area da saude sobre esta doença, para que possam servir de exemplo para a população em geral. Não podemos continuar omissos ao fato '
~
de 18% dos profissionais questionados serem de opiniao que doar
sangue transmite SIDA e 14% não saberem que pessoas saudáveis pos-
sam transmitir o HIV.
Observou-se ainda que 24% dos profissionais interrogados
afirmaram sentir-se mal ao lidar com pacientes sabidamente HIV+. '
~
Nao se pode esperar que _profissionais inadequadamente treinados
e informados sintam-se bem ao lidarfcom uma doença nova, contagio-
I ~
sa e grave, porem devemos empenhar-nos para mudar esta situaçao pa
ra que a população possa receber um melhor atendimento e os profis
¬ ~
sionais possam trabalhar em melhores condiçoes.
Finalmente verificou-se que apenas 18% dos profissionais
›.
10
Notou-se ainda que grande parte dos entrevistados (24%)
não se consideraram " grupo de risco " talvez como consequência de
uma imagem distorcida de que " grupo de risco " se restringe a pros
titutas, homossexuais, usuarios de drogas e excepcionalmente hemofi
licos.
~
1 ~
CONCLUSOES
- A grande maioria dos profissionais entrevistados já li-
` .
~
daram com sangue ou seoreçao de pacientes sabidamente HIV+.
- Uma pequena parcela dos profissionais avaliados (lO%) '
utilizam rotineiramente medidas de proteção adequadas ao lidar com
sangue ou secreção.
- Apenas 8% dos entrevistados acreditam que os profissio- nais da area da saude encontram-se devidamente esclarecidos acerca
do manejo do paciente HIV+.
- Todos foram de opiniao que deveriam receber mais
infor-~
çoes.acerca do manejo do paciente HIV+.
SUMMARY
The objective of this descriptive cross-sectional study '
is to evaluate the level of information of the profissionals of
health of the general hospitals in the Greater Florianópolis area concerning Acquired Immunodeficiency Syndrome (AIDS). The authors '
elaborated a questionary which was subwitted to lOO professional of
health between december 1992 and january 1993. They visited 4 gene-
ral hospitals in the Greater Florianópolis area - Hospital Universi
tário (HU), Hospital Florianópolis (HF), Hospital Regional de São
José (HRSJ),- Hospital Governador Celso Ramos (HGCR); 25 randomly '
chosen professionals were interwiewed. It was found out that 82% of the professionals interwiewed had already handled, at lesat once, '
blood or fluids from HIV+ patients. The wajority of these professig nals most often do not make use of adequate protectiwe materials ,
even when the patient is known to be HIV+. All the professionals be
lieve they should get more orientation about the best way to handle
the HIV+.patient. In about 24%,of the interwiews, the professionals
reveal that they do not feel confortable to handle the HIV+ patient
and 24% do not include themselves in any " group of risk ". The
authors;discuse the need of adequately instructing these professio- nals so that they can work in better conditions and offer a better service to the population.
- ~
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, engas n eccio-
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1991 p. 228-45.
ANEXO I
Ocupação
J - _3mü f _- uwzéw 'formar ea gârçd u¿ fi¿15 /
‹""~ z‹"'~ .‹-›. `__, \,_,. `_, .. "" '...‹ :T --J Ú '3.›'~ Í: _., ... :Í I-` .-_\ «-'›. r'¬ 'J ¬ Q div; ~ Íf:'U3':z E .-~. ...I "'i LflÚP Q U- “U Ç it __ -__ -_ 'EL -.J m ._ _\ _ ___ qu* 'T3 -f »i Ídü r_:~ -C.- ~ -€;_ Je G5 15 L_ ~~ ren;m1€5áo :L .‹-. ¢~^~ áwcrà 3 .z-"-. P .~ L. -4 * - àud _ *I -â »‹~'\ \ ._ ':: =`‹:¡':*:ÍYl.›. :' ..-R -‹. /'~ _ f mar* szzwàl _ 1m*ún:nn1‹ ~1 `
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