RANGEL OSELLAME
CM
406
PERFIL
SÓCIO-ECONÔMICO
DO
PACIENTE
AMBULATORIAL
Trabalho apresentado à Universidade
Federal de Santa Catarina, para a conclusão no Curso de Graduação
em
Medicina.FLORIANÓPOLIS
RANGEL
OSELLAME
PERFIL
sócio-ECONÔMICO
no
PACIENTE
AMBULATORIAL
Trabalho apresentado à Universidade
Federal de Santa Catarina, para a conclusão no Curso de Graduação
em
Medicina.Coordenador do Curso: Edson J. Cardoso Orientador:
Ana
Maria Nunes de FariaStamm
FLORLANÓPOLIS
TÍTULO
PERFIL
SÓCIO-ECONÔMICO
DO
PACIENTE
AMBULATORIAL
“Não
abandoneiso
ideal deum
humanismo
individualista, aindaque não
esteja de acordocom
as condições reinantes.Não
desespereis, aindaque
as teorias oportunistasqueiram
ter odomínio
espiritual rigorosamente condicionado ao material.Permanecei
sendohomem
dealma
individual.Não
vosconveitais nesses autômatos
que
sedeixam
implantar dealma
dirigida pela vontade das massas e vibrando a
um
só compasso.”Albert
Schweitzer
(1875-1965),médico
missionárioalemão
ePrêmio
Nobel
da Paz.v
AGRADECIMENTOS
Agradeço
aomeu
irmão Rafael e aoamigo
Paulo pelo auxílio na digitação; ao doutorando Fabrício Duarte por abrir as portas que facilitaramminha
tarefa.Obrigado
aoMestre
Antônio
Carlos Marasciulo pela orientações fornecidas, e às acadêmicasFemada
Cecato e Larissa AlessandraMedeiros
pela valiosíssima contribuição na coleta dos dados.E
minha
imensa
gratidão à grandeMestra
Ana
Maria
Nunes
de FariaStamm,
por seu academicismo, por sua paciência e pelo grandioso
empenho
dispensado à confecção deste trabalho cientifico.ÍNDICE
LISTA
DE ABREVIATURAS
... .. VII 1INTRODUÇÃO
... .. 01 2OBJETIVOS
... _. 03 3MÉTODO
... ..04
4RESULTADOS
... ..os
5DISCUSSÃO
... .. 12 óCONCLUSÕES
... .. IS 7REFERENCIAS
... .. 19 . . . . . . . . . . . . . ..SU1\/[MARY
... ..22
LISTA
DE
ABREVIATURAS
UFSC
-
Universidade Federal de Santa CatarinaHU
-
Hospital UniversitárioSM
-
Saláriomínimo
sus
-
sistemaÚnico
desaúde
HC
-
Hospital das ClínicasFMUSP
-
Faculdade deMedicina da
Universidade deSão
Paulo1
INTRoDUÇÃo
A
relação entre classe social e condições de saúde já foi observada na Françae
na
Inglaterra desde o iníciodo
séculoXIX.
Nesta época, adoença
coronarianaera considerada
uma
patologia da classe altada
sociedade, enquantocamadas
mais baixas
possuíam
menor
expectativa de vida e alto índice de mortalidade,elevadas taxas de mortalidade infantil e perinatal, e
um
grandenúmero
dedesordens mentais gravesl.
Segundo
Lenin, citado por Barrosz, “as classes sociais são grandes grupos depessoas
que
diferemumas
das outras pelo lugarocupado
por elasnum
sistemahistoricamente determinado de produção social, por sua relação (na maioria dos
casos fixada e formulada
em
lei)com
os meios de produção, por seu papelna
organização social
do
trabalho e, por conseqüência, pelasdimensões
emétodo
de adquirir a parcela da riqueza social de que disponham.
As
classes são grupos de pessoasonde
uma
pode
se apropriardo
trabalho de outra, devido a lugares diferentes queocupam
num
sistema definido deeconomia
social”. Portanto, as diferentes instânciasque
compõem
o todo social (econômica, jurídico-política e ideológica), estão envolvidasno
conceito de classe social3.Várias investigações epidemiológicas evidenciaram a importância
do
emprego
do
conceito de classe social e de sua operacionalização, para reforçar oinstrumental metodológico, articulando o processo saúde-doença
com
asrelações sociais
de
produção através da inserção de classe dos individuosinvestigados4.
Porém,
uma
dificuldade apresentada é a operacionalização desteconceito, a
fim
de classificar os indivíduosou
famílias através de questionários2
A
análise da populaçãoque
freqüenta determinado serviço médico, seja anível emergencial, ambulatorial
ou
atravésda
rede primária de atenção à saúde,é de valiosa importância para
o
processo de conhecimento genérico dessespacientes, objetivando
um
programa
de atendimentoadequado
ao tipo deindivíduo que procura
o
setors.Sendo
esteum
dos objetivosdo
Serviço deMedicina Intema do
HospitalUniversitário
da
UFSC,
desenvolvemos
esta pesquisacom
a finalidade principal de conhecer o perfil sócio-econômico dos pacientes atendidosno
ambulatório,utilizando
como
instrumental metodológico a proposta de classificação social deLombardi
et al3. Este estudo representatambém
a continuidade deum
projeto depesquisa iniciado por
Stamm
et aló,que
identificaram o perfil sócio-econômico dos pacientes internadosna
Enfermaria de Clínica Médica,em
1996.2
oBJET1vos
2.1
-
Identificar o perfil sócio-econômico dos pacientes atendidosno
ambulatório
do
Serviço deMedicina Intema do
Hospital Universitárioda
Universidade Federal de Santa Catarina.
2.2
- Comparar
os resultadoscom
a população intemada na Enfermaria de(QO
3
MÉToDo
Estudo exploratório, observacional e transversal, realizado
no
ambulatóriodo
Serviço deMedicina
Intema do
Hospital Universitário da UniversidadeFederal de Santa Catarina, localizado
em
Florianópolis-
SC.O
HU
existe desde 1980, efomece
atenção terciária à saúde, deforma
universal e gratuita.
É
o órgão suplementarda
Universidade Federal de SantaCatarina que mais fornece assistência à população, e realiza
também
ensino epesquisa.
O
ambulatóriodo
Serviço deMedicina Intema
funciona diariamente'30
no
5 turno, atendendoem
tomo
de 1250 pacientes por mês, e mais de15200
por ano.
Os
alunosdo Curso
dePós-Graduação
em
ClínicaMédica
(latu sensu),a nível de residência médica, são os responsáveis pelo atendimento direto, sob a supervisão e orientação de professores experientes
na
área.Com
baseem uma
população de 1250 pacientes/mês, realizou-seum
trabalho de
campo
durante osmeses
denovembro
edezembro
de 1998, efevereiro e
março
de 1999, perfazendouma
população total de3500
usuários. Note-seque
osmeses
de fevereiro emarço
são considerados “atípicos”,em
funçãoda
estação de verão e das férias letivas.Definiu-se
uma
amostra de 261pacientes, assumindo-se
um
erro amostral de5%,
com
intervalo deconfiança
de90%.
Os
pacientes foram submetidos aum
questionário padrão,com
perguntasfechadas, após consentimento dos
mesmos.
Pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas
(Lombardi
et al, 19883),adaptaram
uma
classificação social, deorigem
mexicana'(Bronfrnan e Tuirán,fundamentalmente, a relação
com
osmeios
de produção, sendo asdemais
variáveis utilizadas a partir deste ponto3.
A
situação de classe da família foi definida através da posiçãoque o
chefe da família(componente
que recebia amaior
renda3ou
responsável pela unidade domiciliarg)ocupava
junto aosmeios
de produção3. Para os aposentados edesempregados
considerou-se a atividadeeconômica
anterior.Caso
possuíssemoutro trabalho, o de
maior
rendimento foi considerado o principais.Os
pacientescujos chefes da família
eram
pensionistas, estudantesou
donas de casa,não
foram
classificados3.Os
pacientesforam
classificadoscomo
pertencentes auma
das seguintesclasses sociais: 1) sub-proletariado (agentes sociais que
desempenham
uma
atividade
predominantemente não
assalariada, geralmente instável,com
a qualobtém
baixos rendimentos, ex.: artesãos, vendedores ambulantes, engraxates,empregadas
domésticas, serventes de construção, camelôs); 2) proletariado (trabalhadores submetidos auma
relação de exploração,sem
exercerem
funçãode exploração); distinguidos
em
dois subconjuntos: 2.1) típico(desempenham
atividades diretamente vinculadas
com
a produção,como
pedreiros, motoristas, operários); 2.2)não
típico (assalariados quetêm
relação indiretacom
aprodução
como
bancários, ftmcionários públicos, trabalhadores de escritório); 3)pequena
burguesia tradicional (agentes sociais
sem
formação universitária, independentespor possuírem seus próprio
meios
de produção, ex.: agentes da indústria artesanal,pequenos
comerciantes); 4)nova pequena
burguesia(ocupam
postosde
mais
alto nivel técnico e detomada
de decisõescomo
engenheiros,agrônomos,
professores, médicos, advogados, dentistas, gerentes,administradores, alta oficialidade
do
exército eda
polícia, legisladores); 5) burguesia (proprietários demeios
de produçãoque
empregam
5ou mais
pessoas,
com
formação
universitária e renda individual superior a 15 salários mínimos)3.Ó
A
procedência dos pacientes foi divididaem
três níveis: a) provindosdo
interior
do
estadode
Santa Catarina; b) oriundosda Grande
Florianópolis (SantoAmaro
da
Imperatriz, Palhoça, Garopaba,São
José, Biguaçu,Govemador
CelsoRamos
eAntônio
Carlos); c) residentesno
município de Florianópolis9.A
respeito dos seguros de saúde privados, quatro modalidadesforam
consideradas: a) planos de auto gestão (empresas
que
administram,ou delegam
aoutra, a administração dos seus programas de saúde, a partir de sistema de pós~
pagamento); b) cooperativas médicas (médicos são sócios e prestadores de serviçourecebendo de acordo
com
onúmero
de atendimentos); c) instituições demedie1i_n;a_,de .gnipío-(empresas que administram planos de saúde para pessoas
, 1
fisicas* ou"-jürí~dica's,`” mediante
um
sistema de pré-pagamento); d) planos deseguro saúde (consultas,
exames
e hospitalizações são cobertos e reembolsados4_p.eÍlÍa segura_do'r-a, re_spei`tados os tetos dos contratos de seguro)l°.
Considerou-se
como
renda mensal familiarper
capita, asoma
dos rendimentos mensais doscomponentes da
família, dividido pelonúmero
totaldesse contingentes.
A
forma
de expressão de renda foi o salário mínimo7.VA¡. análise.. das ..yariáveis_ __.-.e de suas categorias foi realizada através
da
, , ~_. fp. \ ‹-:_
ç.. -3' «I ^ '
“elaboração de
um
banco
de dados relacional, utilizando-se oprograma
,estatístico Epi
Info®
versão 6.04, desenvolvido inicialmente para o trabalho de~~-;-( :. . À ~, * . _ _ ._ .., , . à \- 5' ' . V _. 3;
Stamm
et alô. ` _, '›' .ç tv J z«_ f'~ ' *'_¡` sw ',,- r.. _ ¡Ressalta-se
que
este 'trabalhofaz partede
uma
linha de pesquisa, e amaior
parte dos
documentos
utilizados foram provenientes deste estudoó.Além
disso, realizou-se revisão bibliográfica dos últimos 5 anosem
banco
de dadosdo
MÃEDLINE
edo
LILACS,
pormeio
deCD-ROM.
A
comparação
entre os dados levantados e os expostos porStamm
et alz, foifeita através
do
teste de hipótese para proporções (teste de X2),sendo
O
projeto de pesquisa foi apresentado aoCoordenador
de Pesquisado
Departamento
de Clínica Médica,do
Centro de Ciênciasda
Saúde, daUFSC,
e4
RESULTADOS
A
partir deuma
amostra aleatória simples para pesquisa populacional,foram
estudados 261 pacientes,
com
idade entre 15 e87
anos, emédia
de 45,9 anos; amaioria pertencia ao sexo feminino
(63.6%
(166/261)) eeram
casados(64.0%
(167/261)).
A
maior
parte dos pacientes residiaem
Florianópolis(62.8%
(164/261)),29.5%
(77/261) provinhada
região daGrande
Florianópolis e7.7%
(20/261)eram
oriundosdo
interiordo
estado de SC.Em
59%
(154/261) dos casos o próprio paciente era o chefe da familia, eem
28.7%
(75/261) era o cônjugequem
ocupava
esta posição.(tabela I)I -
TABELA
-.Posição que o pacienteocupa
em
relação ao chefe da famíliaPosição Freqüência
%
O
próprio 154 59.0 Cônjuge 75 28.7 Filho(a) 15 5 .7 Outros 1 5 5.7 Sobrinho 01 0.4 Cunhado 01 0.4 Total 261 100.0 HU-UFSC 1998/99Quanto
à escolarização,58.6%
dos pacientespossuíam
o
1° grauincompleto, e apenas
1.l%
tinha curso superior completo. (tabela II)II -
TABELA
-
Grau de escolarização do pacienteatendido no ambulatório do Serviço de Medicina Intema
Grau
de escolarização Frequencia%
1° grau incompleto 153 58.6 2° grau completo 39 14.9f 1° grau completo 29 11.1 ' Lê/ escreve 13 5.0 2° grau incompleto 12 4.6 - Analfabeto 1 1 4.2
Grau superior completo 03 l.l
Grau superior incompleto 01 0.4 `
Total 261 100.0
l-IU-UFSC 1998/99
Em
relação adoença
atualque motivou
os pacientes abuscarem
auxílio,28.4%
(74/261)haviam
procurado outros estabelecimentos de saúde antesdo
HU;
desses, apenas9.5%
(7/74)pagaram
pelo atendimento.Os
postos de saúdeforam
responsáveis por328%
(22/67) dos serviços prestados àquelesque
receberam atendimento gratuito, o Hospital Regional
Homero
deMiranda
Gomes
em
São
José porl7.9%
(12/67), e o Hospital Florianópolis por13,4%
(9/67).10
O
ambulatório hospitalar foi a principal fonte de atendimentomédico
utilizada pelos pacientes
(55.9%
(146/261)),9
seguido pelos serviços de
emergência
(21.8%
(57/261)) e postos de saúde(153%
(40/261)). (tabela III)III -
TABELA
- Principal fonte de atendimentomédico dos pacientes atendidos no ambulatório do
Serviço de Medicina Interna
Atendimento médico Freqüência
%
Ambulatório hospitalar 146 55.9 Serviços de emergência 57 21.8 Postos de saúde 40 15.3 Farmácia 09 3.4 Particular 05 1.9 Ambulatório conveniado 04 1.5 Total 261 100.0 HU-UFSC 1998/99
A
maioria dos pacientes(92.7%
(92/261)) possuía exclusivamente oSUS,
esomente
73%
(19/261) apresentava outro sistema de saúde. Desses,73.7%
(14/19)
eram
planos de auto gestão e263%
(5/ 19) cooperativas médicas.Não
foram mencionados
as instituições de medicina de grupo e os planos de segurosaúde. (tabela IV)
IV -
TABELA
- Utilização dos sistemas de saúdeSistema de Saúde Freqüência
%
sistema Úzúzo de saúde 242 92.7 Planos de auto gestão
u 14 5.4 Cooperativas médicas 5 1.9 " Total 261 100.0 HU-UFSC l998/99
A
classe social mais presente foi o proletariadonão
típico(394%
(103/261)), seguido pelo sub-proletariado
(23.4%
(61/274)),pequena
burguesiatradicional
(l8.0%
(47/261)) e proletariado típico(16.5%
(43/261)),com
número
inexpressivo paranova
pequena
burguesia e burguesia(2.7%
(7/261)). (tabelaV)
V
-TABELA
-
Classe social do paciente ambulatorialClasse social Freqüência
%
Proletariado não típico 103 39.4 Sub-proletariado 61 23.4
Pequena burguesia tradicional 1
47 18.0 Proletariado típico 43 16.5
Nova
pequena burguesia 05 1.9Burguesia 02 0.8
Total 261 100.0
HU-UFSC 1998/99
A
renda mensal familiarper
capita variou entremenos
de 1 a 10SM,
com
média
de 1,6SM.
A
freqüência de pacientescom
renda de 1 a 2SM,
e inferior a1
SM
foi praticamente igual(37.9%
(99/261) e37.2%
(97/261),respectivamente). (tabela VI)
VI -
TABELA
-
Renda mensal familiar per capitados pacientes atendidos no ambulatório do Serviço
de Medicina Interna
Renda
mensal familiar' Freqüência%
per capita (SM*) 1 1- 2 99 37.9 Menor 1 97 37.2 2 1- 3 35 13.4 3 1- 4 14 5.4 4 1- 6 10 3.8 6 1- 8 03 1.1 1 8 1- 10 02 0.8
Não quis responder 01 7' 0.4
Total 261 100.0
HU-UFSC 1998/99
5
DISCUSSÃO
A
finalidade principalde
se determinar o perñl sócio-econômico eprofissional da 'população a qual se prestam os serviços de saúde, é a
de
colaborar para a identificação de sua privação, carência, discriminação e
exclusão“.
I
Segundo
Ribeiro et al”,na
contribuiçãodo
Ministério daSaúde
à IConferência de Ciência e Tecnologia
em
Saúde
(outubro/94), olevantamentodo
perfil sócio-econômico
do
usuáriodo
SistemaÚnico
deSaúde
éum
dos estudos preliminares e fundamentais para se orientar o processo detomada
de decisõessetoriais e para se traçar as diretrizes da ação regulatória
do
Estado.O
presente estudo mostrouque
a idadeda
população pesquisada variou entre15 e 87 anos,
com
média
de 45.9 anos,sendo
esses dados semelhantes aosencontrados na literaturam I.
_
De uma
maneira
geral, amulher
aparenta adoecer mais _que ohomem.
Conforme
um
estudo intemacional de morbidade, as mulheres utilizamaproximadamente
20%
mais os serviçosde
saúdedo que
os homens7.Neste
trabalho,
63.6%
dos pacientes pertencia ao sexo feminino,mas
Stamm
et alôobservaram
em
pacientes internadosna
enfermaria de ClínicaMédica
destemesmo
hospital, predomíniodo
sexo masculino (66.8%).Porém,
nesta situação,sabe-se
que há
menor número
de leitos parao
sexo feminino.A
saúde das pessoas está associada ao estado civil. Pesquisas e estatisticasrealizadas fora
do
Brasilmostram
que, igualados quanto à idade e sexo, os casados apresentam melhores niveis de saúdeque
os solteiros, viúvos edivorciados7.
A
maioria dos pacientes queprocuraram
o ambulatório era casadapessoas atendidas foi de
uma
população adulta. Sieferu,em
1998,com
um
trabalho realizado
com
pacientes intemadosno
Institutodo Coração
(HC-
FMUSP,
São
Paulo-SP), apresentou resultados semelhantes (idade variando entre 14 e 89 anos,com
71.4%
casados).Pequeno
número
de pacientes (7.7%) provinhado
interiordo
estado,porém
esta percentagem é 3 vezesmaior
(22,5%)quando compararmos
com
aprocedência dos pacientes internados
na
enfermariaó.O
próprio paciente era o chefe da familiaem 59%
dos casos, e estudoscom
pacientes intemados
em
hospitais públicos6”“demonstraram
que a maioria dosentrevistados
(68.6%
e850%
respectivamente)também
ocupavam
esta posição.Isto ocorreu pois a
morbidade aumenta
progressivamente de idade adulta até avelhice7, e a
maior
parte dos pacientes encontra-se nesta faixa etária.O
grau de instruçãotem
estreita relaçãocom
o nível de saúde das pessoas,com
a renda e a hierarquia das profissões, variáveiseconômicas que
têm
reflexos positivos sobre a saúde7.
A
maior
parte dos pacientes atendidos tinhasomente
o 1° grau incompleto (58.6%), quesomados
aos analfabetos (4.2%),aos
que
sabiam ler e escrever (5.0%), e aosque
possuíam o 1° graucompleto
(1 l.1%), totalizaram 78.9%.
Apenas
1.5%
apresentavam curso superiorcompleto
ou
incompleto.Em
um
trabalho realizadono
ambulatório de Pediatriado
HUB
observou-se quemais de
50%
das famílias tinha o 1° grau incompleto.Quando
se analisa apenas a taxa' de analfabetismoda
população geral, osresultados são melhores.
Buss”,
em
1995, afirma que este índice atinge20%
dosbrasileiros, e cerca de
12%
dos habitantesda
região Sul.Para
55.9%
dos pacientes o ambulatório hospitalar foi a principal fonte de atendimento médico, para2l.8%
os serviços de emergência e para153%
ospostos de saúde.
A
Pesquisa Nacional porAmostra
de Domicílios(PNAD),
s
realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE)
em
1986
,14
mais
procurado.Somente
nas regiões mais desenvolvidasdo
país (aí inclui-se aregião Sul), as clínicas, policlínicas e consultórios são mais procurados que os
estabelecimentos hospitalaresg. Percebe-se, desta forma,
uma
inversãona
procura pelos estabelecimentos de saúde.
A
rede primária, constituída peloscentros
ou
postos de saúde, deveria ser a mais requisitada pela população.Provavelmente
este processo tenha se iniciado nos países desenvolvidos, aindana década de 50,
quando
as modificações tecnológicasna
área de apoiodiagnóstico e terapêutico introduziram a indústria de equipamentos e
medicamentos. Isto modificou significativamente a prática médica, que passou a
se utilizar de recursos tecnológicos sofisticados, separando
o médico
de seusinstrumentos de trabalho, e concentrando as atividades cada vez mais nos
hospitais”.
Na
pesquisa deStamm
et alô, o ambulatório hospitalartambém
foi a fonte de atendimentomédico
mais citada (34.7%) porém, os postos de saúdeficaram
em
2° lugar (25.2%), e os serviços de emergênciaem
3° (20.4%).(tabela VII)
VII -
TABELA
-
Comparação entre as principais fontesde atendimento médico de pacientes ambulatoriais e internados
Atendimento médico Estudo
Stamm
et Valor deatual (%) al (%) p Ambulatório hospitalar 55.9 34.7 0.00 Serviços de emergência 21.8 20.4 0.69 Postos de saúde ` 15.3 25.2 0.00 Farmácia 3.4 5.1 0.34 Particular 1.9 8.8 0.00 Ambulatório conveniado l.5 5.8 0.00 Total 100.0 100.0 I 0 HU-ursc 1998/99
Os
dados da
tabelaacima apontam
parauma
distinção entre a populaçãoO
I-IU éum
hospital de referência para oSUS,
de nivel terciário,mas
recebepacientes que
não passaram
por outros serviços de saúde, solicitando tratamentomédico
muitas vezes existentesem
suas regiões. Esta colocação foi demonstradaneste estudo,
onde
71.6%
dos pacientesprocuraram diretamente oHU,
na
busca de avaliação e tratamentoda doença
atual.Dentre aqueles que previamente
buscaram
auxílioem
outros serviços,somente
95%
tiveram que pagar pelo atendimento.Dados
do
PNAD
de 19868mostram-se
contraditórios, já que34.6%
da
população brasileira tiveramque
pagar pelos serviços utilizados, sendo
que
na região Sul este percentualchega
aquase
40%.
O
Brasiltem
seu sistema de atenção à saúde constituído, nos anos 90, por 3segmentos
principais: osegmento
público,formado
pelos serviços vinculados aogovemo
federal, estadual e municipal; osegmento
privado, contratado epago
pelo setor público; e osegmento
privado liberalou
contratado pelos planosde
saúde pessoais
ou
de empresas”.O
seguro de saúde privado é todo e qualquermecanismo
de financiamento privado deconsumo
de serviços de saúde,contemplando
opagamento
deprestações a
uma
empresa, que se obrigará a oferecer assistênciamédica ou
reembolsar seus gastos mediante contrato firmado entre as partes.
Seu
surgimento
no
Brasil coincidecom
a instalação das montadoras de automóveisno
ABC
paulista,ganhou
importânciano
finalda
década de 50, e de lá para cáapresentou grande desenvolvimentols. Atualmente, garante o atendimento a
mais
de40
milhões de brasileiros, emovimenta
17 bilhões de reais por ano”.O
HU
da
UFSC
não
possui convêniocom
o
setor privado de saúde, apenascom
o SUS.
A
maioria dos pacientes atendidosno
ambulatóriodo
Serviço deMedicina Intema
(92.7.%) possuía apenas o SistemaÚnico
deSaúde
como
fontede atendimento médico.
Dos
7.3°/‹› (19 pacientes) que tinhamalgum
planode
lb
(basicamente o Instituto de Previdência
do
Estado deSC -
IPESC),
e26.3%
(5pacientes) das cooperativas
médicas
(principalmenteUNIMED).
Tal fato sejustifica pois o
IPESC
éo
plano de previdência dos servidores públicosestaduais, classe trabalhista
muito
presenteem
Florianópolis (capitaldo
estado) etambém
no
resto de SC.A
UNIMED
representa a quase totalidadedo mercado
de cooperativas médicas.
t
Assim
como
o' grau de instrução, a relação de classe socialcom
saúdeé muito evidente7.
Porém,
a possibilidade de analisar a distribuição de morbi-mortalidade, relacionada às classes sociais, enfrenta as dificuldades e
controvérsias sobre
o
conceito de classe socialm.Mesmo
na
sociologianão
existe
um
consenso sobre este conceitoz.Os
referenciais básicos são os trabalhos clássicos de KarlMarx
(1818 - 1883), autor que realçou o papel preponderantedas desigualdades econômicas, e de
Max
Weber
(1864-
1920),segundo
0 qual a estratificaçãoda
sociedade é resultante nãosomente
dadimensão
econômica,mas
do
prestígio edo
poder político7.Contudo, as várias classificações e estudos realizados a respeito,
demonstram
basicamenteque
as pessoas de baixo nível sócio-econômico geralmente apresentam piores condições de saúde. Estima-seque
isto ocorradevido à inadequação de renda, de instrução, de alimentação, de habitação e de assistência médico-odontológica, associado
ou não
aosubemprego
ou
desemprego.
Em
síntese, pessoassem
um
mínimo
de condições de vida ede
trabalho provavelmentenão
têm
um
níveladequado
de nutrição e saúde7.Quase
40%
dos pacientes ambulatoriais foram classificadoscomo
proletariadonão
típico,
23.4%
como
sub-proletariado,18%
pequena
burguesia tradicional e16.5%
proletariado típico.Stamm
et alô,em
1996,notaram que
a maioria dospacientes internados
na
enfermaria de clinicamédica do
HU
fazia partedo
VIII -
TABELA
- Comparação de classes sociais dos pacientesambulatoriais e intemados
Classe social Estudo
Stamm
et Valor deatual
(%)
al (%) p Proletariado não típico 39.4 18.2 0.00 Sub-proletariado 23.4 8.0 0.00Pequena burguesia tradicional 18.0 22.7 0.18
Proletariado típico 16.5 43.7 0.00
Nova
pequena burguesia 1.9 6.9 0.00Burguesia 0.8 0.7 0.65
Total 100.0 100.0
HU-UFSC 1998/99
A
tabelaacima
indicaque
a população atendidano
ambulatória é diferente daquelaque
utiliza a enfermaria.Outra variável muita relacionada à saúde é a renda individual e coletiva.
Pessoas de famílias
com
menor
rendatêm
alta freqüência de desnutrição e de doenças transmissíveis pois,em
geralpossuem
baixo nível de instrução eexercem ocupações
com
riscos para a saúde7.A
Secretaria de Planejamentodo
Estado de
São
Paulo classificacomo
“pobres” aqueles que apresentam renda mensal familiarper
capita inferiorou
igual a 1.8 salários mínimos, ecomo
“não
pobres” aquelescom
renda superior a este limite".Assim
sendo,69.6%
dospacientes ambulatoriais
foram
considerados “pobres”, e30.4%
“não pobres”.No
total,
somente l1.l%
(29 pacientes)possuíam
rendamensal
familiarper
capitasuperior
ou
igual a 3SM.
.Através deste estudo identificou-se o perfil sócio-econômico de mais
uma
população usuáriado
HU.
Proporcionar continuidade a este tipo de pesquisasignifica ampliar o conhecimento a respeito desses pacientes, instrumento
6
coNcLUsÕEs
A
maior parte dos pacientes atendidosno
ambulatóriodo
Serviço deMedicina
Intemado
HU
possui baixo grau de instrução, utilizao
ambulatóriohospitalar
como
principal fonte de atendimento médico, é usuáriado
SUS,
pertence à classe social designada proletariadonão
típico, e é pobre.Observou-se
também
que
esta população é distinta daquelaque
freqüenta a7
REFERÊNCIAS
l. Liberatos P,
Link
BG,
Kelsey JL.The
measurement of
social class inepidemiology.
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A
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conceito de classe social nos estudos dos perfisepidemiológicos:
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públ l986;20(4):269-73.3.
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C,Bronfinan
M,
FacchiniLA,
VictoraCG,
Barros F-C, Béria JU, et al. Operacionalizaçãodo
conceito de classe socialem
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públ 1988;22(4):253-65.4. Solla JJSP. Diferenças nas propostas de operacionalização
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conceito de classe socialempregadas
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estudos epidemiológicos.Cad
Saúde
Públl996;l2(3):329-37.
5. Silva
CA.
Perfildo
paciente pediátricoque
freqüenta o ambulatóriode
pediatriado
Hospital Universitário-
UFSC.
[trabalho para a conclusãono Curso
de
Graduação
em
Medicina]. Florianópolis (SC): Universidade Federal de Santa Catarina, 1984.6.
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Duarte F. Aplicação prática deum
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de Janeiro: Ed.Guanabara Koogan;
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Geografia
e Estatística. Pesquisa Nacional porAmostra
ZU
9. Kleis
RL.
Perfildo
lactenteintemado
no
Hospital Universitárioda
Universidade Federal de Santa Catarina,
com
ênfase especial ao estadonutricional. [trabalho para a conclusão
no Curso
deGraduação
em
Medicina].Florianópolis (SC): Universidade Federal de Santa Catarina, 1993.
10.
Medici
AC.
A
medicina grupaldo
Brasil.Rio
de Janeiro:OPAS;
1991.11. Siefer
MW,
SilvaEFA,
Ferreira LP,Schwarz
VL.
Perfil social,econômico
eprofissional dos pacientes internados
no
_Institutodo
Coração.Rev
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São
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NR,
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Pucu
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Ciência e Tecnologia
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PereiraSM.
Perfilda
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HU
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Buss
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Saúde
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Brasil. In:Buss
PM,
Labra
ME,
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continuidade emudanças. São
Paulo: Ed.HUCITEC;
1995p.6l-101.
15. Conill
EM.
Modelo
assistencial brasileiro: sistema únicoou
sistema múltiplode saúde? Considerações sobre a emergência e a evolução
do
seguro-saúde privadono
Brasil.[monografia
para concurso de professor adjunto,Departamento
deSaúde
Pública, Centro de Ciências da Saúde,UFSC].
Rio de
Janeiro,1993.RESUMO
OBJETIVOS:
identificaro
perfil sócio-econômico dos pacientes atendidosno
ambulatório
do
Serviço deMedicina Intema do
Hospital Universitárioda
Universidade Federal de Santa Catarina, e
comparar
os dadoscom
a populaçãointernada na Enfermaria de Clínica
Médica
deste hospital.MÉTODO:
estudo exploratório, observacional e transversal,onde
foramavaliadas idade, sexo, estado civil, procedência, posição
em
relação ao chefeda
família, grau de instrução, fonte de atendimento médico, plano de saúde e renda
mensal
familiarper
capita dos pacientes ambulatoriais. Utilizou-se omodelo de
estratificação social proposto por
Lombardi
et al3,onde
o critério declassificação é a relação
com
osmeios
de produção.RESULTADOS:
asoma
dos pacientes analfabetos, dosque
sabiam ler eescrever, e dos
que
tinham 1° grau completoou
incompleto, totalizou 78.9%.Apenas
1.5%
apresentava curso superior completoou
incompleto.Em
relação àdoença
atual, 71.6%
procuraram diretamente oHU.
O
ambulatório hospitalar foia principal fonte de atendimento
médico
(55.9%), e92.7%
utilizavamsomente o
SUS.
A
classe social predominante foi o proletariadonão
tipico .('39.4°/‹›), e69.6%
apresentavam rendamensal
familiarper
capita inferiorou
igual a 1.8salários
mínimos
CONCLUSÕES:
amaior
parte dos pacientes atendidosno
ambulatóriodo
Serviço deMedicina
Internado
HU
possui baixo grau de instrução, utiliza oambulatório hospitalar
como
principal fonte de atendimento médico, é usuáriado
SUS,
pertence ao proletariadonão
típico, e é pobre. Observou-setambém
que
esta população é distinta daquela que freqüenta a Enfermaria de Clínica
Médica
SUMMARY
OBJECTIVES:
to identify the profile socioeconomic of patients assisted in the ambulatoryof
IntemalMedicine
of the University Hospitalof
UniversidadeFederal de Santa Catarina,
and
tocompare
the data with the inpatients of theMedical
Clinic Enfermary.METHOD:
exploratory, observacional and cross sectional study, therewere
appraised age, sex, marital status, origin, headvof the family, instruction degree,
source
of
medical attendance, health insuranceand monthly
familyincome
per
capita
of
the outpatients.The
model of
social bedding usedwas
proposedby
Lombardi
et al3, inwich
the classification criteria is the relationship with theproduction means. -
RESULTS:
the illiterate patient°s sum, plus the ones thatknew
how
to readand
to write,
and
of the ones thathad
complete or incomplete 1° degree, totalized78.9%. Just
1.5% had
complete or incomplete superior course. In relation to thecurrent didease,
71.6%
sought University Hospital directly.The
hospital ambulatorywas
themain
source of medical attendance(559%),
and
92.7%
used only theSUS.
The
main
social classwas
thenon
typical proletariat(394%), and
69.6% had
monthly
familyincome per
capita inferior or equal to 1.8minimum
wage.
CONCLUSIONS:
most of
the patients assisted in the ambulatoryof
IntemalMedicine
of University Hospital haslow
instruction degree, they use the hospital ambulatory asmain
source of medical attendance, is user ofSUS,
theybelongs to the
non
typical proletariat,and
are poor. Itwas
also observed that thispopulation is different than that
who
frequents theMedical
ClinicEnfermary
inTCC
UFSC
CM
0406 Ex.l 'N-Chflflh TCC UFSCCM
0406 Autor: Osellame, Rangel_
Título: Perfil sócio~econômico do pacien
972806973 Ac. 253555