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AGRADECIMENTOS
A realização deste trabalho, que é a concretização de um sonho pessoal, só foi possível com a ajuda, orientação e colaboração de vários intervenientes, e desta forma pretendo expressar os mais sinceros agradecimentos.
À minha família, por todo o apoio e incentivo prestados na longa jornada académica. À minha namorada Cecília, pelo companheirismo, apoio incondicional, incentivo, carinho e paciência demonstrados e total ajuda na superação dos obstáculos que ao longo desta caminhada foram surgindo.
Ao Agrupamento de Escolas da Lixa, todo o apoio demonstrado, principalmente, pelo grupo de Educação Física e direção, o meu muito obrigado por me receber nesta minha última etapa do meu percurso académico. Foi um privilégio estagiar nesta Escola.
Um agradecimento especial ao meu orientador na escola, Professor Pedro Reis que me acompanhou ao longo deste ano letivo, transmitindo todos os seus métodos de trabalho e presenciando todas as minhas experiências nesta etapa, e pela sua total disponibilidade. Com ele, cresci tanto a nível profissional como pessoal, tornando-se sem dúvidas, um exemplo a seguir.
Ao meu supervisor na universidade, Professor António José Silva, pela disponibilidade e apoio que sempre foram demostrados.
Aos alunos pela colaboração e disponibilidade demonstradas.
PENSAMENTOS
“Ser professor não é só uma questão de possuir um corpo de conhecimentos e capacidade de controlo da aula. Isso poderia fazer-se com um computador e um bastão. Para ser
professor é preciso, igualmente, ter capacidade de estabelecer relações humanas com as pessoas a quem se ensina. Aprender é um processo social humano e árduo, o mesmo se pode dizer de ensinar. Ensinar implica, simultaneamente, emoções e razão pura". Connel
RESUMO
O relatório de estágio pedagógico está inserido no âmbito do 2º Ciclo de estudos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, nomeadamente no Mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário.
Apresenta-se como uma das exigências para a obtenção do grau de Mestre, tendo como objetivo a descrição de todos os processos/tarefas desempenhadas ao longo do ano de estágio, e ainda, a reflexão acerca da intervenção em todas as áreas inerentes a esta prática.
Em relação ao estágio pedagógico, o mesmo foi realizado na escola Secundária da Lixa, com a supervisão pedagógica do Professor Pedro Reis e pelo Supervisor da Universidade, o Professor António José Silva.
Então, este documento está organizado num único capítulo, contendo toda a informação relevante que, como referido anteriormente, contempla todos os processos e tarefas desenvolvidos bem como uma reflexão crítica.
Assim, neste relatório aborda-se a relação com os intervenientes no meio escolar, com o grupo de Educação Física e com o meu colega de estágio. Também engloba, as tarefas de ensino aprendizagem, tais como, unidades didáticas, planos de aula, prática de ensino supervisionada e ainda, todas as atividades realizadas na escola ao longo deste ano. Para finalizar este relatório, uma análise crítica a todo este processo.
ABSTRACT
The teaching internship report is part of the 2nd cycle of studies at the University of Trás-os-Montes and Alto Douro, namely the Master in Physical Education Teaching in Basic and Secondary Education.
It is presented as one of the requirements for obtaining a Master's degree, aiming to describe all processes/tasks performed during the internship year, and also, the reflection on the intervention in all areas inherent to this practice.
The pedagogical internship was held at the Lixa Secondary School, with the pedagogical supervision of teacher Pedro Reis and the University Supervisor, teacher António José Silva.
This document is organized in a single chapter, containing all the relevant information that, as mentioned above, includes all the processes and tasks developed as well as a critical reflection.
This report deals with the relationship with the actors in the school environment, with the Physical Education group and with my internship colleague. It also encompasses teaching and learning tasks, such as teaching units, lesson plans, supervised teaching practice and even all activities performed in school throughout this year. To conclude this report, a critical analysis of this whole process.
SUMÁRIO AGRADECIMENTOS ... I PENSAMENTOS ... II RESUMO ...III ABSTRACT ... IV INTRODUÇÃO ... 9 1. CONTEXTUALIZAÇÃO ...10 2. ORGANIZAÇÃO CURRICULAR ...11 3. ENQUADRAMENTO BIOGRÁFICO ...12 3.1. Enquadramento pessoal ...12
3.2. Expetativas relativas ao estágio pedagógico ...12
3.3. Enquadramento institucional ...13
4. ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DO PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM ...14
4.1. Tarefas e atividades a desenvolver no estágio ...14
4.2. Tarefas de ensino aprendizagem ...15
4.3. Planeamento anual ...15
4.4. Unidades didáticas ...16
4.5. Planos de aula ...17
4.6. Avaliação ...18
4.7. Prática de ensino supervisionada ...19
4.7.1. Observações ...20
4.7.2. Prática pedagógica ...21
4.7.3. Técnicas de intervenção pedagógica ...23
5. TAREFAS DE RELAÇÃO ESCOLA-MEIO ...25
5.1. Estudo de Turma ...25
5.2. Atividades Escolares ...27
6. RELAÇÕES COM A COMUNIDADE ESCOLAR ...29
6.2. Auxiliares de Ação Educativa ...29
6.3. Grupo de Educação Física ...30
6.4. Núcleo de Estágio ...30 6.5. Orientador de Estágio ...30 6.6. Orientador da Faculdade ...31 6.7. Discentes ...31 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...33 BIBLIOGRAFIA ...35 ANEXOS ...38
ANEXO 1 - Plano anual de atividades ...39
ANEXO 2 - Unidade Didática ...43
ANEXO 3 - Plano anual de atividades ...49
ANEXO 4 - Avaliação Diagnóstico ...56
ANEXO 5 - Avaliação Sumativa ...58
ANEXO 6 - Folha de observação ...60
ANEXO 7 - Folha de presenças ...62
ANEXO 8 - Ficha de caracterização individual do aluno ...64
9 INTRODUÇÃO
O presente documento trata-se de um relatório de estágio, inserido no 2ª ano, do Mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, lecionado pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, e centra-se na descrição daquilo que foi o último ano deste mestrado, vivido no papel de estudante-estagiário universitário e de professor da Escola Secundária da Lixa.
O relatório de estágio teve por base um processo reflexivo assente naquele que foi o percurso pela docência durante este ano, relatando experiências vividas, aprendizagens adquiridas e resultados alcançados.
Uma das grandes preocupações na formação de professores é a passagem do conhecimento académico à prática como profissional, este é um momento fundamental que determinará a futura prática profissional e a formação de docentes.
O estágio surgiu assim, como uma componente fundamental do processo de formação, pois é a forma de fazer a transição de aluno para professor "aluno de tantos anos descobre-se no lugar de professor" (Machado, 1999). Esta etapa é o processo de mudança e moldagem em que o aluno vai passando, de forma progressiva, a docente.
Importa referir que este estágio comtemplou na sua estrutura conteúdos essenciais ao processo, como a integração do professor na escola, o seu relacionamento com os respetivos órgãos, as atividades desenvolvidas com os alunos e a escola, culminando nesta análise reflexiva.
O documento apresenta-se estruturado num capítulo único, contendo a contextualização, a organização curricular, o enquadramento biográfico, a organização e gestão do processo ensino aprendizagem, as tarefas relação escola-meio, as relações com a comunidade escolar e uma reflexão crítica a todo o processo.
A realização deste relatório, permitiu perceber como foi ultrapassado todo o processo de transição de aluno para docente, durante este ano de estágio, ultrapassando um conjunto de desafios e dificuldades, que foram fundamentais para uma evolução enquanto profissional.
10 1. CONTEXTUALIZAÇÃO
Este documento surge na sequência do estágio pedagógico, que se incorpora no 2º ano do mestrado de Ensino da Educação Física no Ensino Básico e Secundário.
Para a concretização do mesmo, tornou-se necessário a presença de alguns elementos, tais como um protocolo entre a Universidade e a escola de acolhimento, neste caso, a Escola Secundária da Lixa, um professor orientador da escola destinatária, e um professor supervisor pertencente à Universidade.
Com este relatório pretendeu-se relatar todos os acontecimentos ocorridos ao longo de todo este ano letivo, bem como todas as dificuldades e estratégias utilizadas.
11 2. ORGANIZAÇÃO CURRICULAR
Aquando do início do estágio pedagógico, foi atribuído a cada professor estagiário uma turma de 11º ano, bem como a sua carga horária.
Assim, cada estagiário ficou com uma turma, com uma carga horária de noventa minutos, duas vezes por semana, sendo que a turma que me foi atribuída tinha aulas às quartas-feiras das 15h30min às 17h e sextas-feiras das 12h às 13h30min.
Desta forma, os alunos estagiários, com a supervisão do professor orientador, ficaram responsáveis pela elaboração de algumas tarefas, tais como unidades didáticas, planos de aula, grelhas de avaliação/fichas de registo, observações da prática de ensino, balanços dos planos de aula e das unidades didáticas, documentos de apoio e organização e colaboração em atividades escolares.
12 3. ENQUADRAMENTO BIOGRÁFICO
3.1. Enquadramento pessoal
A minha ligação com o desporto evidenciou-se desde muito cedo, estando presente já na minha infância, quase que “inconscientemente”, uma prática desportiva, inicialmente ligada à prática de natação e logo de seguida ao futebol, desporto que ainda me acompanha até aos dias de hoje.
O sonho de ser jogador de futebol alimentou muita da minha dedicação ao desporto, sendo a disciplina de Educação Física a minha preferida e na qual se evidenciava a melhor nota. Pelos doze anos, e fruto do empenho e sucessos alcançados na modalidade de futebol, surge a oportunidade de ingressar num clube profissional, no entanto, a decisão ponderada dos meus pais de não permitir seguir este caminho, em detrimento da construção de uma carreira estável, levou-me à aquisição do curso superior na área do Desporto, com o intuito de ser professor de Educação Física.
Como esta era uma profissão que me possibilitaria manter o contato com o Desporto, acedendo a novos conhecimentos e, simultaneamente, ter a possibilidade de transmitir esses conhecimentos, surge a decisão de ingressar no mestrado em Ensino de Educação Física nos Ensino Básico e Secundário, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
No início desta nova etapa, o receio era evidente, pois questionava se estaria à altura deste desafio, mas durante o mestrado percebi que a aprendizagem da docência não se inicia apenas com o ingresso na profissão, sendo um processo construído ao longo da vida, que tem início logo na escolarização inicial, momento em que se constituem crenças e conceções que serão submetidas à reflexão e questionamento nos cursos de formação inicial (Queirós, 2014). Trata-se de um construto de uma identidade profissional, cujo processo é bastante complexo e onde cada um se apropria do sentido da sua história pessoal e profissional.
3.2. Expetativas relativas ao estágio pedagógico
O Estágio Pedagógico surge no seguimento da formação académica, com o objetivo de desenvolvimento pessoal e profissional do aluno enquanto professor. Neste momento, o estagiário contacta pela primeira vez com a realidade escolar, sendo fulcral a existência de uma Supervisão Pedagógica para um acompanhamento e integração efetiva na escola.
Então, antes de iniciar, esta etapa já era vista como o findar de uma formação, onde imperava a motivação e as expetativas eram extremamente elevadas, dado ser o momento
13 em que poderia observar, pensar e adquirir, distintas formas de trabalho, novos conhecimentos e competências, e principalmente vivenciar a experiência de ser professor. No entanto, a par desta grande expetativa, também o medo e ansiedade persistiam sabendo que surgiriam adversidades e dificuldades que teriam de ser ultrapassadas com base na experiência e conhecimento já acumulados ao longo do percurso académico.
Note-se que neste ano letivo foram vários os intervenientes que acompanharam e enriqueceram todo este processo de aprendizagem, destacando-se o colega de estágio, a comunidade educativa, o professor orientador e todo o núcleo de educação física.
Concluindo, esta etapa revela-se fundamental na formação enquanto professor, esperando-se, que no final seja um profissional de excelência, transmitindo da melhor forma os conhecimentos adquiridos ao longo de todo o processo.
3.3. Enquadramento institucional
A escola Secundária da Lixa está situada no concelho de Felgueiras, que pertence, desde 2012, ao agrupamento de escolas da Lixa que é constituído pela Escola Secundária da Lixa, Escola Básica de Vila Cova da Lixa, Escola Básica Dr. Leonardo Coimbra, Escola Básica de Caramos, Escola Básica de Macieira da Lixa, Escola Básica de Pinheiro, Escola Básica de Santão e pelo Jardim de Infância da Lixa.
No que diz respeito às instalações desportivas, esta escola, conta com um pavilhão gimnodesportivo, um campo exterior equipado com balizas, tabelas de basquetebol, pista de atletismo, caixa de areia e ainda uma sala multiusos onde é possível lecionar as aulas de dança.
Sendo esta escola composta por um grande número de alunos e turmas, requer uma boa gestão dos espaços e horários da mesma, e neste sentido é de louvar todo o grupo de Educação Física pelo facto de nos deixarem sempre escolher o espaço, bem como, todo o material necessário para o bom funcionamento da aula. No entanto, o espaço encontra-se sempre reduzido a um terço do pavilhão, pelo facto de serem muitas turmas em aula ao mesmo tempo. Note-se a preocupação do corpo docente, no sentido de não lecionarem a mesma modalidade em simultâneo.
Finalizando, verifica-se que a Escola Secundária da Lixa é uma das escolas no concelho de Felgueiras com as melhores condições para acolher educandos.
14 4. ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DO PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM
O processo ensino aprendizagem comtempla diferentes momentos, sendo eles a conceção, o planeamento, a realização e a avaliação.
Para Bento (2003, p.7) “todo o projeto de planeamento deve encontrar o seu ponto de partida na conceção de conteúdos dos programas ou normas programáticas de ensino”. De acordo com Graça (2001, p.110), “as conceções que os professores possuem acerca dos conteúdos de ensino e acerca dos alunos com quem trabalham refletem-se no modo como pensam e desenvolvem as suas práticas de ensino. O conhecimento que o professor tem da disciplina que leciona interage com conhecimentos, convicções e crenças acerca da educação, do ensino e da aprendizagem, acerca dos alunos e acerca dos contextos educativos”, ou seja, o professor não depende só de si mas também de todos os fatores que o rodeiam, tornando assim este processo numa interação dinâmica, onde os objetivos previamente definidos, só se conseguem atingir com a utilização de regras previamente estipuladas entre todos os elementos que constituem esta ação.
Servindo de exemplo e justificação a estas conclusões, as estratégias utilizadas na minha turma, foram muito diferentes das que o meu colega de núcleo utilizou na dele, e pelo facto, de podermos observar as aulas uns dos outros fomos aprendendo formas diferentes de lidar com as situações, tornando-nos mais completos. Uma simples repreensão a um aluno pode desencadear situações diversas em diferentes turmas, tendo o professor de saber lidar, da melhor forma, com as várias situações. Desta forma, esta aprendizagem foi recíproca para os vários intervenientes.
4.1. Tarefas e atividades a desenvolver no estágio
Estas tarefas surgem de forma orientadora, isto é, servem de guia para o estagiário, para que este possa adaptar de forma independente e consciente às particularidades de cada Unidade Curricular. Deste modo, é de referir que as tarefas se encontram especificadas no documento orientador – “Supervisão Pedagógica em Educação Física: Parâmetros e Critérios de Avaliação do Estagiário de Educação Física” (Ágata Cristina Marques Aranha, 2008).
Deste modo, e segundo o documento orientador, as atividades e tarefas a serem desenvolvidas e avaliadas são as seguintes: Tarefas de Ensino Aprendizagem (Unidades Didáticas; Planos de Aula; Prática do Ensino Supervisionada e todos os processos que lhe são aliados); Tarefas de Relação Escola-Meio (Estudo de Turma; Desporto escolar; Atividades extracurriculares); Dossier Individual (entregue ao Supervisor da Universidade);
15 Atitude do Estagiário e Perfil Global do Estagiário, ambos avaliados pelo professor orientador.
4.2. Tarefas de ensino aprendizagem
O processo de ensino aprendizagem consiste numa interação entre o professor e os seus alunos, em que o professor tem como missão transmitir conhecimentos de forma organizada, sistematizada e estruturada de todos os conteúdos, e aos alunos compete a função de receber esses conteúdos, tendo o dever de os adaptar e apropriar de uma forma participativa e aplicada, sempre com o objetivo de alcançarem a modificação dos comportamentos.
Aranha (2005), afirma que o Ensino é um processo pelo qual se pretende atingir determinados objetivos pré-definidos, mobilizando-se para o efeito, meios, estruturas e condições, e deste modo definir estratégias de forma sequencial e combinatória. Assim, conclui-se que para o ensino é necessário examinar antecipadamente um planeamento tanto global como específico sobre o meio, para que se possa refletir com o propósito de sistematizar estratégias de forma lógica e metodológica. Importante também referir que, a aprendizagem é o processo pelo qual se alteram um ou mais comportamentos tanto a nível motor como cognitivo, sócio afetivo ou socio cultural, de forma mais ou menos duradoura ou até permanente.
“O processo de ensino aprendizagem não deve referir-se apenas à mera transmissão de conteúdos, mas sim contribuir de forma efetiva para a ação educativa, a qual deve ser organizada, participada, coerente e consciente, o que a torna intencional.” (Aranha, 2005, p. 4)
4.3. Planeamento anual
O plano anual é o primeiro nível de planeamento que segundo Bento (2003) é de perspetiva global e deve procurar concretizar os objetivos indicados nos programas para cada ano, tendo em consideração o local de ensino e os alunos envolvidos.
Este planeamento foi apresentado pelo professor orientador, nas primeiras reuniões no âmbito de estágio. As modalidades a lecionar, o período em que iriam ser lecionadas, o número de aulas por cada modalidade, bem como todas as atividades a desenvolver ao longo do ano, pelo núcleo de educação física.
No programa nacional de Educação Física, para 11º ano admite-se um regime de opções na escolha de modalidades, sendo que na turma atribuída foram selecionadas
16 Badminton e Basquetebol no 1º período, Dança e Voleibol no 2º período e Patinagem, Ginástica de Solo e Ginástica Acrobática no 3º Período.
Apesar do planeamento anual ser elaborado previamente, a distribuição do número de aulas para cada modalidade foi feita pelo professor, consoante o espaço disponível ou a necessidade dos alunos. Todas as mudanças que foram necessárias revelam que este planeamento não é estanque, mas sim flexível. No início do ano letivo foi elaborada uma base com as modalidades a serem abordadas em cada período e respetiva carga horária, estando a mesma sujeita a possíveis alterações de acordo com as necessidades dos alunos. Pois como nos diz Bento (2003, p.16) “no processo real do ensino existe o inesperado, sendo frequentemente necessário uma rápida reação situativa”.
4.4. Unidades didáticas
“As unidades temáticas ou didáticas, são partes essenciais do programa de uma disciplina. Constituem unidades fundamentais e integrais do processo pedagógico e apresentam aos professores e alunos etapas claras e bem distintas de ensino e aprendizagem” (Bento, 2003, p. 75).
Aranha (2008) mostra-nos que para elaborar uma Unidade Didática, os conteúdos e os objetivos a abordar têm de ser pertinentes, adequados ao nível de ensino e devidamente explicados e justificados. Diz ainda, que as Unidades Didáticas são aplicadas e ajustadas em função da especificidade da escola e das turmas, e também das condições que a realidade de ensino oferece, apuradas após uma avaliação diagnóstica.
Perante uma ação de ensino aprendizagem é fundamental que os professores não se limitem a debitar matéria de ensino, não levando em consideração passos importantes no planeamento, acabando por efetivar as suas aulas sempre com a mesma função didática. No processo de ensino aprendizagem deve considerar-se sempre todos os conteúdos e os objetivos gerais que constam no programa de Educação Física, em função do ano de escolaridade da população alvo. No fundo, as unidades didáticas são a ferramenta que nos permite sequenciar e estruturar as aulas de forma a construir o processo pedagógico da disciplina. O Planeamento é a liberdade concedida ao professor que, apesar de ter que cumprir os objetivos gerais definidos, determina no detalhe e na especificidade, a melhor forma de chegar aos alunos e de estimulá-los no sentido de melhorarem as suas competências desportivas e desenvolverem o hábito da prática desportiva. Do ponto de vista de qualquer unidade didática é essencial uma elaboração cuidadosa dos objetivos, e, acima de tudo, um ponto de articulação com a população que se vai trabalhar, sendo também essencial a existência de um conhecimento a nível espacial, dos recursos humanos e
17 materiais. Todas as unidades foram realizadas previamente, obedecendo a uma estrutura lógica e contínua. Após este conhecimento, elaborou-se uma ficha de avaliação diagnóstica de acordo com as linhas orientadoras, fornecidas pelo Programa Nacional de Educação Física, permitindo assim detetar as principais dificuldades dos alunos e verificar os níveis de desempenho em cada modalidade, definindo estratégias para alcançar os resultados desejados.
4.5. Planos de aula
Os Planos de Aula são um instrumento indispensável ao processo de Estágio, são o materializar de todo o processo de planeamento. “É o ponto de convergência do pensamento e da ação do professor” (Bento, 2003, p.101).
Como referido, o plano de aula deve ser o culminar de todas as fases de planeamento anteriores e deve incorporar os seus objetivos e conteúdos. Partilhando desta ideia Bento (2003, p.101) diz-nos que o plano de aula “fornece um contributo totalmente específico, apenas a ele pertencente, para a solução das tarefas de uma unidade temática, do programa anual, e do programa de toda a escolaridade. Tem que assumir sempre uma função concreta, na qual se reflitam, de forma bem proporcionada, as tarefas principais da unidade”. Na perspetiva de Rink (cit. por Silva 2015) o plano de aula funciona como um guião do processo de instrução, dirigido a uma aula específica, que deve ter como base os objetivos da unidade didática.
Assim, o plano de aula demostra um encadeamento sequencial e progressivo entre as várias fases da aula, dado que, aulas bem planeadas traduzem-se em aulas ativas, com bom empenho motor e motivantes para os alunos.
Segundo Aranha (2008) a aula deve decorrer de acordo com o plano da aula, mas o professor deve ter a capacidade de se adaptar a situações imprevistas ao plano, tendo sempre em vista os objetivos definidos para a aula, ou seja, este instrumento não deve ser utilizado de forma inflexível e rígida, mas sim ajustável às diferentes situações, com o objetivo de melhorar o processo ensino aprendizagem.
É importante referir que a estruturação do plano de aula compreende três partes: inicial, fundamental e final.
A parte inicial incorpora a revisão da aula anterior, a apresentação de conteúdos e objetivos da aula, bem como o aquecimento gradual dos alunos, com o objetivo de os preparar para a realização da aula.
No que diz respeito à parte fundamental, esta engloba a descrição e organização dos objetivos operacionais mais específicos, de acordo com os conteúdos e objetivos da aula.
18 Já na parte final pretende-se o retorno à calma, a revisão dos conteúdos da aula através do questionamento orientado aos educandos, e a referência aos conteúdos a abordar na próxima aula.
Segundo Aranha (2004), torna-se fulcral a realização de balanços das aulas, ou seja, uma reflexão que comtempla pontos positivos e negativos acerca da mesma, identificando as causas de (in)sucesso das atividades realizadas, com o propósito de identificar estratégias a manter e as que se devem alterar, apresentando soluções de aperfeiçoamento e sugestões que permitam reajustar o processo ensino aprendizagem.
4.6. Avaliação
Segundo Gonçalves et al. (2010) a avaliação é um elemento integrante e regulador das aprendizagens realizadas e das competências desenvolvidas e assume também uma função de certificação das mesmas.
Para Aranha (2004) a avaliação diz respeito a uma recolha de informação que se torna necessária para um desempenho mais correto. É um regulador de todo o processo de ensino aprendizagem. O artigo 28º, secção III, nº129, da legislação do Diário da República (2001) confirma a ideia da autora, quando decreta que, a avaliação é um processo regulador das aprendizagens e orientador do processo escolar.
Assim, todo o processo avaliativo deve ser apresentado de forma clara ao aluno, indicando quais os seus objetivos e metas. O seu resultado deve também ser apresentado aos alunos para que estes possam e consigam evoluir, ou seja, deve ser um processo transparente (Fernandes, 2005).
Rosado e Colaço (2002) acrescentam que a tarefa da avaliação deve ser de recolher, analisar e interpretar elementos reunidos ao longo do tempo, e que deve ser vista, como o processo de verificação de objetivos previamente definidos.
Desta forma, a avaliação consiste na recolha de informações do desenvolvimento do aluno, para que o professor se situe em relação ao processo de aprendizagem. Tem como principal objetivo identificar as dificuldades e solucioná-las de acordo com as necessidades dos alunos, auxiliar na reflexão do professor acerca das estratégias a aplicar para o sucesso escolar e ainda, proceder à classificação tanto a nível periódico como final dos alunos.
Segundo Matos (2014), existem diferentes passos na avaliação que o professor deve seguir, sendo eles: definir formas e objetivos de avaliação; elaborar instrumentos de avaliação; especificar estratégias adequadas às tarefas a avaliar; tratar os dados com eficácia pedagógica e refletir sobre os resultados obtidos. Deste modo, foi indispensável planear a avaliação, processo que se iniciou aquando da preparação da unidade didática,
19 através da definição dos conteúdos, dos critérios, dos parâmetros e das ponderações de cada domínio a serem avaliados.
Com isto, em todas as unidades didáticas procedeu-se a uma avaliação teórica através do questionamento em aula, ou realização de um relatório aos alunos que não participassem na aula, e uma avaliação prática, constituída por três fases sendo elas, Avaliação Diagnóstica, Avaliação Formativa e Avaliação Sumativa. Resumindo e explicando estas três fases, Perrenoud (1999) diz-nos que “a avaliação que antecede a preparação de um Processo de Ensino Aprendizagem, de um plano de curso ou de qualquer outra atividade é a avaliação diagnóstica, sendo indispensável ao longo de todo o desenvolvimento de um projeto e não só na fase inicial de um trabalho. A avaliação formativa declara os progressos e os obstáculos que se vão expressando ao longo de todo o processo, possibilitando assim uma avaliação contínua realçando a avaliação do processo. A avaliação que ocorre no final denomina-se por avaliação sumativa e contribui para o alcance dos objetivos do processo pedagógico e não apenas para verificar se eles foram ou não atingidos”.
Concluindo, todo o processo de avaliação, principalmente na fase inicial, tornou-se num processo bastante complicado e difícil, pelo que o professor orientador teve a necessidade de se expressar, auxiliando na evolução desta aptidão. No entanto, com o decorrer do ano, esta tarefa, fruto dos conselhos do professor orientador, tornou-se mais fácil e de simples elaboração.
4.7. Prática de ensino supervisionada
Segundo Vieira (2009), a noção de supervisão, no domínio educacional, tem uma herança histórica associada às funções de inspeção e controlo. Mostrando-nos a evolução da ideia de supervisão, a autora Silva (2007) refere que esta ainda é muito recente, enquanto processo de interajuda, monitoração, acompanhamento e apoio ao qual está subjacente a imagem do supervisor. Segundo Alarcão (2001) definimos a supervisão como a teoria e prática de regulação de processos de ensino e de aprendizagem em contexto educativo formal.
Deste modo, tendo em consideração a evolução do conceito de supervisão, Alarcão e Tavares (2003) evidenciam que é um processo continuo que visa, não só́ o desenvolvimento do ser humano, como profissional, mas também a aprendizagem do pedagogo.
20 Portanto, o objetivo do Estágio Supervisionado é proporcionar ao aluno a oportunidade de aplicar os seus conhecimentos académicos em situações práticas, criando a possibilidade de exercitar as suas habilidades. Espera-se que, com isso, o aluno tenha a opção de incorporar atitudes práticas e adquirir uma visão crítica da sua área de atuação profissional (Oliveira & Cunha, 2006). Neste caso específico, a prática de ensino supervisionada, consiste na observação dos comportamentos de outros professores, do colega estagiário e do professor orientador, de uma forma contínua ao longo do ano.
Assim, pode dizer-se que a presença quer do orientador, que do meu colega, nunca foi perturbadora, no entanto, acarretava uma responsabilidade acrescida, ajudando no processo de desenvolvimento pessoal e profissional.
Com tudo isto, posso dizer que o meu percurso teve uma evolução crescente, tanto a nível metodológico como pedagógico, todavia, em todo o decorrer deste processo aconteceram alguns erros inevitáveis na organização dos exercícios, quer na distribuição dos alunos por grupos de trabalho, quer na divisão do espaço de aula pelos diferentes grupos. Inicialmente, a transmissão de feedbacks aos alunos ficou comprometida, dado que, fruto da minha inexperiência, não conseguia identificar atempadamente os erros e por consequência, corrigi-los.
Todos estes lapsos foram identificados pelo professor orientador, tendo este, um papel fundamental na melhoria continua dos mesmos, permitindo desta forma, o término do estágio sem qualquer tipo de erro relevante. Porém, vejo este trajeto como uma ferramenta futura de trabalho, enfrentando todas as situações da melhor forma possível, sempre com o objetivo do sucesso dos alunos e do êxito próprio.
4.7.1. Observações
Segundo Reis (2011) a observação é uma excelente forma de aprender e o ensino não é uma exceção. Observar regularmente as aulas e discutir sobre o seu desempenho constituem uma componente extremamente importante no processo de desenvolvimento pessoal e profissional de qualquer professor.
Vianna (2007) afirma que a observação é um comportamento intrínseco à conjuntura humana e ocorrem com frequência na nossa vida diária. Além disso, diz-nos que atualmente o professor é uma figura que se estende multifuncionalmente pelo facto que é o que ensina conteúdos, o orientador, o que estimula aspirações e o que procura solucionar problemas.
Assim, “A observação é uma capacidade essencial a qualquer professor ou treinador. Ela é tão importante na análise e avaliação de prestação dos alunos e dos atletas, como na própria atividade de professor. Ela permite identificar prestações menos eficazes, e,
21 consequentemente, melhorar essa atividade. É nesse contexto que a observação é largamente utilizada no apoio à formação de professores.” (Aranha, 2007, p. 3).
Relativamente ao estágio pedagógico foram efetuadas observações ao professor orientador, bem como, ao colega de estágio. Estas observações, tornaram-se imprescindíveis principalmente pelo facto de dar a conhecer a turma, quer a nível do comportamento quer a nível das capacidades motoras e ainda adquirir estratégias e comportamentos a serem aplicados aquando da nossa intervenção. As principais estratégias retiradas destas observações foram ao nível da organização das aulas, bem como, ao nível da organização dos objetivos operacionais, em termos de uma melhor elaboração dos grupos de trabalho e de uma melhor ocupação dos espaços. Neste sentido, pude observar que o professor orientador dividia a turma em grupos mais reduzidos, mantendo, se possível, os grupos ao longo de toda a aula. Com isso, para além de despender menos tempo na organização dos exercícios, aumentava o tempo de empenhamento motor dos alunos, sendo possível a execução de mais repetições. Outra estratégia observada e transportada para as minhas aulas, foi a colocação dos alunos, em fila, por ordem numérica, aquando da chamada, memorizando mais facilmente o nome dos mesmos, fomentando desde logo uma relação de proximidade entre todos os intervenientes.
Deste modo, as observações foram implementadas desde início, com objetivo de analisar a nossa intervenção pedagógica, tornando-se um bom exercício auxiliar na elaboração dos balanços finais de cada aula.
Concluindo, é de referir que estas reflexões provocaram uma evolução notória no processo de ensino, dado que permitiram recolher informações sobre a quantidade de feedbacks fornecidos, sendo individuais ou coletivos, e do tempo despendido em cada exercício e em cada momento de transição, organização e instrução, possibilitando ainda retirar conclusões acerca do tempo de empenhamento motor dos alunos. Posto isto, através destes balanços, consegui melhorar a forma de intervenção, organização e instrução, sempre com o objetivo de melhorar o processo de ensino aprendizagem.
4.7.2. Prática pedagógica
A Prática Pedagógica, ou seja, a parte prática do estágio é o momento mais aguardado pelos professores estagiários. Depois de um longo percurso em que a teoria era maior do que a prática, surge então o momento onde os estagiários podem colocar em prática, toda a teoria que aprenderam ao longo de todo o percurso académico.
22 Nesse momento, na estreia como professores, vários são os sentimentos e emoções presentes, por um lado de felicidade por estar a realizar o que procuramos, por outro o pânico e ansiedade por passar para um contexto real. Segundo Albuquerque, Resende e Costa, (2013) esta mistura de emoções aliada aos conhecimentos teóricos leva a que os estagiários sofram com o “choque da realidade”. Outro dos problemas da realidade prática é que as estratégias planeadas nem sempre são bem-sucedidas, e no início do percurso poderá levar à desmotivação. Estes diferentes estados emocionais, podem revelar-se de extrema importância no processo de formação, pois ajudam o estagiário a decidir se o seu futuro passa pela educação.
No que diz respeito à minha experiência pessoal, inicialmente, aquando da minha apresentação à turma, surgiram emoções distintas, desde a ansiedade, à satisfação pessoal e profissional.
Nesta fase, emerge a ansiedade e insegurança pelo início de uma nova etapa, que acarreta o contacto com a realidade de lecionar, mas também pela expectativa da reação dos alunos à minha presença. Todas estas incertezas foram ultrapassadas com o acompanhamento e suporte prestado pelo professor orientador, principalmente, como já referido, ao nível da organização dos exercícios e dos feedbacks, o que traduz uma orientação e integração efetivas. Relativamente à receção dos alunos, esta foi facilitada pelo facto de não ser o primeiro ano de contacto com um professor estagiário.
Em contrapartida, surge também uma enorme felicidade e vontade de iniciar esta etapa, que era um sonho de criança e um objetivo a que me tinha proposto e trabalhado para conseguir.
Assim, numa primeira aula, em conjunto com o professor orientador, fui apresentado aos alunos, criando o primeiro contacto com eles. Neste momento o importante era criar uma boa impressão e laços afetivos, pelo facto de que também seríamos avaliados, sendo importante a realização de trabalho em equipa, para atingir os objetivos estipulados.
Contudo, o facto de observar aulas lideradas pelo professor orientador, serviram para adquirir um conhecimento mais profundo dos alunos, dos seus comportamentos bem como das suas capacidades motoras. Em relação ao comportamento dos alunos pude verificar que era uma turma muito agitada, com necessidade de interrupção por parte do professor, com chamadas de atenção direcionadas a alguns alunos. Posto isto, verifiquei a necessidade de adoção de uma postura mais rígida e séria para que as aulas decorressem sem grandes interrupções.Relativamente às capacidades motoras dos alunos, e sendo uma turma de Humanidades, verifiquei que na generalidade apresentaram grandes dificuldades, o que me fez optar, essencialmente, por exercícios mais simples do que os previstos inicialmente, para o seu nível de escolaridade, aumentando progressivamente o nível de
23 dificuldade, assim que possível. No que diz respeito ao método de trabalho do professor orientador, algumas das suas estratégias foram transportadas para as minhas aulas, principalmente, a forma de organização da turma em grupos de trabalho, a forma de controlar a turma através da circulação, sempre no exterior do espaço de aula com visão completa da turma, bem como a forma de intervir através de feedbacks, quer individuais quer coletivos, dependendo da necessidade dos alunos.
4.7.3. Técnicas de intervenção pedagógica
Aranha (2004) define as técnicas de intervenção pedagógica como a “sistematização de um conjunto de comportamentos referentes à intervenção do professor, que condicionam a atividade do aluno.” (p. 31). Então, para que haja um bom desenvolvimento e evolução dos alunos, o professor deve definir técnicas que o ajudem a tornar eficaz a sua intervenção pedagógica.
Segundo Aranha, 2004 estas técnicas de Intervenção Pedagógica desdobram-se em quatro dimensões: instrução, gestão, disciplina e clima, e Aranha (2005) afirma que estas se interrelacionam, não devendo ser entendidas cada uma por si, mas sim como um conjunto.
Explicando cada uma destas dimensões, pode-se dizer que a instrução refere-se aos comportamentos do professor relacionados diretamente com os objetivos de aprendizagem, visando a comunicação de informação sobre a matéria de ensino; Quanto à gestão esta refere-se aos comportamentos do professor que visam produzir elevados índices de envolvimento dos alunos com a matéria de ensino, ou seja, gestão das situações de aprendizagem, de organização, de transição e do comportamento dos alunos, com o objetivo de maximizar o tempo útil da aula; A Disciplina refere-se aos comportamentos do professor que visam a alteração de comportamentos impróprios em comportamentos úteis e produtivos; Por último o Clima refere-se aos comportamentos do professor, que se relacionam diretamente com as interações pessoais e as relações humanas, apontando a um clima de aula positivo, através da interação com os alunos.
Com tudo isto, pode-se afirmar que a intervenção pedagógica se revela como um dos fatores mais importantes no desempenho de um professor. Deste modo, as primeiras aulas lecionadas, tiveram um contributo muito importante, que se revelou fundamental em relação ao conhecimento dos alunos, que naturalmente teve influência na definição da postura de intervenção adotada por parte do professor. Assim, tornou-se necessário definir estratégias de intervenção, sempre com o objetivo de melhorar o processo de ensino aprendizagem. Estas estratégias, revelaram-se, em grande parte, bem-sucedidas, o que se traduziu numa melhor e mais eficaz aprendizagem.
24 Posto isto, uma das estratégias utilizada ao longo das Unidades Didáticas foi tornar a instrução mais curta e eficaz, ou seja, sem perda de tempo e sem dispersão dos alunos, aumentando desta forma o tempo útil de aula. Outra estratégia utilizada, que resultou num aumento do tempo útil, foi a preparação de todo o material necessário para a aula antes do início da mesma. Em relação aos grupos de trabalho, houve sempre a preocupação de organizar em grupos mais pequenos, para haver um maior número de repetições por aluno, e sempre que possível manter os grupos ao longo de toda a aula, para não haver perdas de tempo na organização e transição entre exercícios. No que diz respeito à demonstração dos exercícios, sempre que possível era utilizado um aluno, com a preocupação de todos os restantes terem contacto visual, com o objetivo de facilitar posteriormente, a execução do gesto técnico, sempre com a utilização de linguagem clara e acessível facilitando-lhes a compreensão. Os exercícios apresentados foram sempre elaborados tendo em conta o princípio do processo de ensino aprendizagem, ou seja, deter de uma linha progressiva no que respeita às progressões pedagógicas e à implementação de exercícios, indo do mais simples para o mais complexo. Outra estratégia importante foi a utilização de feedbacks, onde houve a preocupação que estes fossem o mais pertinente, atempados e dirigidos possível, assim esta estratégia revelou-se bem-sucedida na evolução do aluno.
Concluindo, todos as estratégias utilizadas foram importantes na melhoria do processo ensino aprendizagem, logo pode-se dizer que foram bem-sucedidas porque era esse o seu principal objetivo.
25 5. TAREFAS DE RELAÇÃO ESCOLA-MEIO
Segundo Mourão, 2012, p. 79, “A ação do professor não se pode cingir à relação com os alunos na sala de aula, esta deve ser ampliada a toda a comunidade escolar, de forma a poder identificar-se com a escola e com o seu projeto educativo. Desta forma, a atividade do professor vai para além das funções inerentes ao processo ensino aprendizagem.”
Então, conclui-se que o papel do professor não se deve focar apenas no processo ensino aprendizagem, mas também deve ter um papel ativo e de proximidade com toda a comunidade escolar. Portanto, relativamente à turma que lhe é destinada este deverá elaborar um estudo sobre a mesma, com o objetivo de a conhecer melhor e com isso definir as estratégias mais adequadas a utilizar. Deve também organizar e participar em atividades da escola com o objetivo de dinamizar a atividade física e o desporto, proporcionando momentos de confraternização entre alunos.
Portanto, ao longo deste ano de estágio, participei com empenho em todas as atividades desenvolvidas pelo grupo de educação física, bem como, na elaboração e concretização de algumas atividades, sempre com o objetivo de promover a disciplina e de incutir e incentivar os alunos à prática da atividade física.
Em suma, todas as atividades desenvolvidas foram muito enriquecedoras permitindo adquirir experiência na organização e realização de atividades do meio escolar.
5.1. Estudo de Turma
O estudo de turma tem uma importância fundamental no que diz respeito à definição de objetivos e elaboração de estratégias de ensino, para que, o processo de ensino aprendizagem seja realizado da melhor forma, tendo em conta as particularidades de cada um.
O estudo de turma teve como população alvo o 11ºC da Escola Secundária da Lixa, pertencente ao Agrupamento de Escolas da Lixa.
Segundo Bento (1986), toda a arte pedagógica resulta de um profundo conhecimento físico e psíquico, entre outros fatores, em relação aos alunos. Este estudo deverá ser objetivo e incidir sobre dados significativos. Por um lado, deve ser informativo acerca das características dos alunos, permitindo conhecer o contexto familiar, sociofamiliar e social, identificando as suas possibilidades e dificuldades, por outro lado, deve permitir o levantamento das aprendizagens de modo a que o professor fique com a informação sobre o nível de conhecimento da turma, as dificuldades evidenciadas, a possibilidade de
26 necessidades educativas especiais, e existência de capacidades acima da média, entre outras apreciações pertinentes.
O seguinte estudo foi realizado através da aplicação de um questionário, que foi escrito de forma simples e sucinta. A amostra foi constituída por um total de 26 alunos, em que 7 são do sexo masculino e 19 são do sexo feminino, e em que a idade varia entre os 15 e 16 anos. Após a recolha dos inquéritos foi efetuado o tratamento dos dados utilizando o software Microsoft Excel 2013, dados estes que são apresentados sob a forma de gráficos que contêm o valor absoluto das respostas.
Através do estudo de turma foram retirados dados fulcrais para o conhecimento da turma, tais como problemas de saúde, relação com a disciplina, relações interpessoais, entre outros. Em relação aos problemas de saúde, pude verificar que, existiam alunos com problemas, mais propriamente com problemas de asma e de visão. Os alunos com problemas de visão não tive de ter nenhum cuidado especial, pelo facto de não condicionar a prática da atividade física. Os alunos com asma, tornou-se fulcral perceber o mecanismo da doença, bem como recolher informações acerca da sua medicação, e a necessidade de ser administrada antes das aulas. Desta forma, e no sentido de evitar incidentes, foi necessário estar atento a possíveis sintomas que possam suscitar uma crise, tais como: tosse seca persistente, respiração mais rápida que o normal, falta de ar, cansaço físico, sensação de aperto ou dor no peito, ter cuidado com as mudanças de temperatura, realizar sempre aquecimentos e alongamentos e alertar o aluno para informar sempre que não se sinta bem. No que diz respeito à relação com a disciplina, foi importante para analisar o interesse dos alunos pela disciplina de Educação Física, apurar as modalidades preferidas e as que sentem mais dificuldades, e verificou-se que mais de metade dos alunos demostra interesse nas aulas de educação física, pelo devo manter os seus índices motivacionais elevados, desenvolvendo as atividades e exercícios de forma didática, criativa e divertida, sempre que possível. Todavia, alguns dos alunos demonstram pouco envolvimento na disciplina, pelo que é necessário um acompanhamento especial da minha parte, para que, através de reforços positivos e incentivos consiga elevar a sua motivação. Com as relações interpessoais, foi possível apurar que a totalidade dos alunos prefere trabalhar em grupo. Estes dados são uma ferramenta importante para me auxiliar na formação de grupos de trabalho, sendo que, são dados mutáveis, dado que, as relações interpessoais podem alterar-se ao longo do ano letivo, pelo que devo estar atento a essas possíveis alterações.
De realçar que a disciplina de Educação Física foi escolhida, por grande parte da turma, como sendo a disciplina favorita.
27 5.2. Atividades Escolares
Numa sociedade cada vez mais sedentária, para a maioria das crianças e jovens, a escola é o único local em que praticam alguma atividade física, quer através da Educação Física, quer através das atividades desenvolvidas ou do Desporto Escolar.
Com o objetivo de promover o desenvolvimento integral, promover a aquisição de hábitos de vida saudáveis, proporcionar momentos lúdicos e competitivos, a Escola Secundária da Lixa, mais precisamente o núcleo de Educação Física, juntamente com o núcleo de estágio, propôs-se a realizar diversas atividades desportivas ao longo do ano letivo, bem como, o desenvolvimento do Desporto Escolar que era composto por várias modalidades.
No que diz respeito às atividades desportivas, foram realizadas as seguintes: torneio de ténis, street basket, corta-mato, mega atleta, torneio de voleibol, torneio de ténis de mesa e atividades de exploração da natureza.
De referir a participação e envolvimento em todas as atividades já descritas, em especial organização e participação da atividade street basket, que ficou ao encargo do núcleo de estágio.
Esta atividade contou com a participação de 252 alunos de ambos os sexos, distribuídos pelos escalões de iniciados, juvenis e juniores. Durante o evento, contamos com o auxílio de 21 elementos, entre professor do núcleo de Educação Física e alunos do curso de Desporto, que ajudaram essencialmente, na porta de chamada, na arbitragem dos jogos e também na atualização dos resultados e respetiva classificação. Como referido anteriormente, com este tipo de atividades pretendeu-se promover o desenvolvimento integral do aluno, promover a aquisição de hábitos de vida saudáveis, proporcionar momentos lúdicos e competitivos, e devido à grande adesão por parte dos alunos e ao bom funcionamento da mesma, pode-se dizer que foi um sucesso.
Outra atividade digna de referência foi o Desporto escolar, através da participação e envolvimento na modalidade de patinagem, auxiliando o professor orientador em todas as tarefas necessárias para o bom funcionamento do mesmo, contabilizando, ao longo de todo o ano, dois treinos semanais e quatro encontros regionais. Nesta atividade tinha algumas funções ao meu encargo, como por exemplo: registar as presenças aquando do inicio do treino, auxiliar o professor orientador com todo o material necessário para o funcionamento do treino e auxiliar com os alunos com maior dificuldade, enquanto o professor se dedicava aos alunos com mais experiência, os alunos que participavam nos encontros regionais. Nestes encontros regionais tinha como função controlar os alunos que não estavam em prova, responsabilizar-me pelo lanche e outras tarefas que fossem surgindo.
28 Considero que este tipo de eventos pode contribuir de uma forma saudável, para potenciar o desenvolvimento técnico e social dos alunos participantes, através de diversificados momentos de interação pessoal e de partilha de conhecimentos com jovens de outras turmas. Penso que as participações nas atividades da responsabilidade do grupo foram importantes no estágio pedagógico pois corresponderam a momentos de interação com outros professores de Educação Física em situações eminentemente práticas, em que tive a possibilidade de observar a forma como resolviam as diferentes situações que surgiam.
Ao longo de todo o ano letivo o professor orientador sempre teve a preocupação de me integrar ao máximo em todas as atividades que ocorreram na escola, o que para mim era visto de bom grado, pois queria ganhar experiência em todas as vertentes. Então, fruto destas atividades, foi possível adquirir experiência ao nível da organização de eventos desportivos, importantes para aplicação em torneios intra-turma realizados ao longo de algumas modalidades.
Estas experiências permitiram adquirir uma maior bagagem, no convívio e relação com os alunos, ultrapassando algumas dificuldades, nomeadamente no comportamento dos alunos, que serviu para resolver situações do mesmo género em situações futuras.
A um nível mais institucionalizado participei nas reuniões de direção de turma, o que foi essencial para compreender melhor o funcionamento da escola, do departamento e da avaliação.
Em suma, todo este processo de desenvolvimento e aprendizagem foi muito enriquecedor, contribuindo positivamente para o meu desenvolvimento pessoal e profissional.
29 6. RELAÇÕES COM A COMUNIDADE ESCOLAR
A relação entre escola e comunidade educativa tem vindo a assumir um papel de grande importância, ao longo das últimas décadas. Esta situação acarreta uma evolução na organização do sistema educativo. Deste modo, a relação entre escola e comunidade suporta, simultaneamente, uma área de ação educacional, bem como, uma área de investigação educativa, que atualmente têm extrema importância tanto a nível social como científico.
Assim, todas as relações desenvolvidas foram baseadas na amizade, carinho, profissionalismo, inter-relacionamento, diálogo, espírito de cooperação e interajuda, entre todos os intervenientes no processo de ensino aprendizagem.
6.1. Conselho Executivo
Os membros do Conselho Escolar são eleitos em função das condições reais da Unidade Educativa, da organização do próprio Conselho e das competências dos profissionais em exercício na Unidade Educativa.
Assim, ao assumirem esta função, ajudam decisivamente na conceção de um novo cotidiano escolar onde a comunidade se identifica, não só nos desafios imediatos, mas dos graves problemas sociais vividos na realidade. Portanto, a sua ação está ligada, prioritariamente, à essência do trabalho escolar, ou seja, ao desenvolvimento da prática educativa, em que o processo de ensino aprendizagem é o foco principal.
Assim sendo, relativamente à Direção da Instituição, todos os seus intervenientes cumprem a função estabelecida da melhor forma possível, acolhendo de braços abertos os elementos do núcleo de estágio, sempre com disponibilidade e prontidão necessária, transformando assim a escola num local acolhedor e familiar.
6.2. Auxiliares de Ação Educativa
Os auxiliares da ação educativa certificam a ligação entre os diversos elementos constituintes do meio escolar. Garantem, assim, o funcionamento da instituição, tendo ainda responsabilidades em termos de organização, higiene, limpeza, gestão dos espaços, vigilância e acompanhamento dos alunos. Assim, é imprescindível que sejam pessoas educadas, autoritárias e de fácil relação. Devem ser pessoas polivalentes e capazes de trabalhar em equipa.
Tendo como referência os pontos acima mencionados, devo referir que tive o privilégio de ter privado com grande parte dos funcionários da ação educativa da instituição,
30 sendo que, desenvolvi maior afinidade com os auxiliares do pavilhão desportivo, da portaria e do bar, pelo facto de serem os locais que mais frequentava.
Assim, posso elogiar todo o trabalho e dedicação demonstrados, que se revelou como bastante qualificado a apropriado, interferindo, deste modo, de forma positiva em todo o meu percurso ao longo deste ano.
6.3. Grupo de Educação Física
Desde o primeiro dia deste longo processo de Estágio, todos os professores do grupo de Educação Física se mostraram bastantes recetivos e agradáveis, integrando-nos da melhor forma possível. A experiência por eles já adquirida, foi-nos sendo transmitida, com o intuito de nos tornarem melhores pessoas e profissionais.
Posto isto, é de destacar o espírito de grupo e entreajuda vividos no seio deste grupo. Apesar da posição hierárquica o professor estagiário ocupa, não me restringi de dar opinião, sempre que achei pertinente, nas reuniões em que participei, sendo sempre consideradas e ponderadas por todo o grupo.
Assim, posso assegurar, que futuramente, terei argumentos cada vez melhores e mais seguros, permitindo, deste modo, alargar e melhorar as intervenções neste tipo de reuniões. No entanto, procurarei, sempre, aprender ao máximo com aqueles que reconhecemos terem mais experiência profissional e mais vivências no processo pedagógico.
6.4. Núcleo de Estágio
Estabelecer relações interpessoais é uma condição presente ao longo da nossa vida pessoal e profissional, o que se evidenciou ao longo deste ano de estágio pedagógico.
Desta forma, a composição do núcleo de estágio torna-se fulcral para que esta etapa seja finalizada com sucesso, daí as relações entre colegas serem fundamentais ao longo deste percurso.
Assim, a partilha de experiências entre colegas permitiu uma reflexão e discussão sobre as situações observadas e experienciadas, tornando assim, este processo, numa aprendizagem continua, e mais enriquecedora.
6.5. Orientador de Estágio
Alarcão (1996, p.93), diz-nos que o orientador é alguém que deve ajudar, monitorizar, criar situações de sucesso e desenvolver aptidões e capacidades ao estagiário.
31 Também é de sua função, através do processo de reflexão e ação, do diálogo e da crítica, trabalhar junto ao estagiário as suas inseguranças e as suas conceções, para que este encontre a sua própria identidade profissional (Buriolla, 1996).
Em relação ao meu orientador, o Professor Pedro reis, as palavras acima descritas relatam na perfeição todo o seu trabalho desenvolvido ao longo de todo o processo de estágio. Este, revelou-se uma peça fundamental em todo o meu processo de desenvolvimento, reconhecendo-lhe grandes virtudes, destacando principalmente a sua enorme competência e dedicação colocadas em todas as tarefas desempenhadas, como também uma capacidade de compreensão, sendo sempre pertinente em todas as suas intervenções que progressivamente, me foi ajudando a evoluir ao longo de todo este processo.
6.6. Orientador da Faculdade
Gonçalves, (2009, p.29), refere que “o supervisor deverá assumir-se como um mediador entre o aluno e o seu ambiente formativo, salientando dados potencialmente relevantes, a partir dos quais o formando poderá construir novos significados”. Gonçalves (2009, p.30), diz-nos que “o supervisor deve ser, antes de mais, um perito em relações humanas, gerando uma comunicação dialética, que passe pelo saber ouvir e pelo desejar compreender, com o intuito de promover o desenvolvimento dos formandos”.
Ao orientador da faculdade, Professor Doutor António José Silva, é de salientar toda a sua disponibilidade e prontidão no esclarecimento de dúvidas, na medida das suas possibilidades, como também, o ambiente positivo que impôs ajudando, deste modo, a que todo este processo se desenrolasse da melhor forma possível.
6.7. Discentes
No que diz respeito aos alunos, quanto maior e melhor for o nosso conhecimento melhor se desenrolará o processo de ensino aprendizagem. Através desse conhecimento, poderemos adaptar a nossa intervenção em função das necessidades e características de cada um. Mas, esta tarefa pode tornar-se muito trabalhosa, pois “a grande heterogeneidade dos níveis iniciais dos alunos, no que respeita ao conhecimento, capacidade de realização e motivação para o conteúdo das diversas modalidades desportivas ensinadas na escola, implica grandes dificuldades de preparação e condução do processo de ensino aprendizagem” (Graça, 1991, p.9).
Shigunov (1997) refere que, cada aluno constitui-se como um indivíduo distinto, com possibilidades, necessidades, interesses e aptidões únicas. Então, a caracterização da
32 turma torna-se numa estratégia inicial importantíssima, permitindo identificar as características de cada aluno.
Posto isto, o meu processo decorreu com uma turma do décimo primeiro ano de escolaridade. Sendo uma turma relativamente grande, com 26 alunos e com um comportamento ligeiramente perturbador, era uma turma muito “faladora”, necessitaram de uma postura rígida da minha parte, situação que não interferiu com o meu trabalho e na qual me revelei com uma boa capacidade de liderança.
Naturalmente, e como referido anteriormente, através da compreensão da especificidade de cada aluno e da compreensão da turma como um todo, consegui chegar mais perto das dificuldades, das vontades e das suas desmotivações e por conseguinte, encaminhá-los para a atividade física e para a prática da superação. O conhecimento que obtive de cada aluno permitiu-me, prever comportamentos e adquirir um relacionamento num clima saudável e harmonioso.
Foram os meus primeiros alunos e serão sempre recordados, como especiais, que marcaram o meu percurso de forma muito positiva.
33 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Estágio Pedagógico tem como objetivo formar profissionais que no futuro sejam promotores de um ensino de qualidade, e culmina numa experiência única de aprendizagem, fulcral na formação e no processo de evolução enquanto docente e ser humano.
A capacidade reflexiva desenvolvida durante todo este processo de estágio permitiu relacionar a teoria com a prática, questionar e absorver informações pertinentes e fundamentais.
No entanto, foi uma etapa árdua, dado que foi o primeiro contacto com a realidade escolar após alguns anos de teoria em sala de aula, acrescendo ainda o facto de ser um processo avaliativo. O facto de ser eu o responsável pelo processo de ensino aprendizagem de uma turma ao longo do ano, deixava-me com sentimentos contraditórios, se por um lado estava apreensivo, por outro lado estava cheio de expectativas, pois era o momento de colocar todos os meus conhecimentos em prática.
Em relação à escola, refiro-me a funcionários e professores, todos me receberam com simpatia e de maneira bastante acolhedora fazendo com que me sentisse facilmente integrado. De salientar que a escola me ofereceu condições excelentes para a realização do estágio, desde a impressão de documentos ao material disponibilizado.
O meu relacionamento para com os outros professores do grupo de Educação Física sempre foi bom, fui bem recebido, tive todo o apoio, ajudaram a que me adaptasse aos alunos e à arte de ensinar, assim como se mostraram sempre disponíveis quando necessário.
Um dos aspetos muito importantes em qualquer estágio pedagógico é a relação com os alunos, porque são eles a chave do sucesso do estágio pedagógico. Foi-me atribuída uma turma do 11º ano, esta turma destacava-se por ser uma turma heterogénea e sem alunos repetentes.
Com este estágio foi possível perceber que o professor deve ser um organizador do conhecimento e da aprendizagem procurando empregar intencionalidade no processo de educação, ou seja, deve ser um gestor do processo, procurando estimular o aluno, colocando-o no centro de tudo.
A minha forma de lecionar ao longo do ano foi sofrendo ajustes, com o início da prática de professor estagiário planeava, organizava e executava as aulas totalmente de acordo com o que se encontrava no plano de aula. Este facto, foi-se modificando com o passar do tempo, ficando capaz de cumprir o que estava planeado para a aula, mas sem precisar de seguir de forma minuciosa o que estava planeado. Com o passar do tempo, fui
34 melhorando alguns aspetos, principalmente a circulação pelo espaço da aula, bem como a transmissão de feedbacks.
Ao longo do ano foram inúmeras as atividades em que participei, todas elas foram enriquecedoras pois contribuíram para a experiência de funções específicas inerentes ao processo de ensino aprendizagem, principalmente, atividades organizadas pelo grupo de Educação Física.
Em suma, o processo de estágio foi um espaço de partilha entre os diversos intervenientes que contribuiu para a formação enquanto futuros docentes e membros de uma sociedade.
Por tudo isto, posso referir a satisfação e realização pessoal e profissional alcançados com o findar deste processo, não esquecendo que a busca pela excelência será a premissa a perseguir em todos objetivos que pretendo alcançar, tendo em conta todas as reflexões e aprendizagens retiradas deste estágio.
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