THÉSE
APRESENTADA
A
FACULDADE
DE MEDICINA
DA
BAHIA
E
PERANTE
A MESMA
SUSTENTADA
EM
NOVEMBRO
DE
1865.
POR
MILITÃO
BARBOSA
LISBOA
NATURAL DA
BAHIAFilho legitimo
de
António Francisco Eisboa
e D.Maria
Nogueira
Barbosa
Lisboa,AFIM DE OBTER OGRAU DE DOUTOR EMMEDICINA.
La plus haut mission de1'hômne
aprcs cellcdu serviçodei autels,est
d'étre prètrcdu feu sacré de I;1 - vie,
dispensateur dcs plus beaux donsd*'
Dieu, et maitre des forces occultcs
de la nature, c'est
—
à—
dire, d'élre medecin.(Hnffdand.)
BAHIA:
TYPOGRAPHIA
DA
«CONSTITUIÇÃO»,
DEF.
A.DE
FREITAS
Rua
das Campellas n. 40.FACULDADE
DE MEDICINA
DA
BAHIA.
O
lixin. Sr. Cons.Dr. João Baptista dos Anjos.VICE-DIRECTOR
©
Ex.ni. Sr.ConselHero Vicente Ferreira de
illagalliães.UNTES
PROPRIETÁRIOS./.«
ANN®.
0^ SENHORES DOUTORES. MATÉRIAS QUE LECCIONÃO.
Cuus. Vicente Ferreirade Magalhães . Phy-siea em geral, e particularmente cm via-.
applicaçõesa Medicina.
Francisco Rodriguesda Silva
....
Chimica i: Mineralosria,Adriano Alves de LimaGordilho. . . Anatomia descriptiva.
2.o
ANNO.
António MaiianodoBomGiB
....
lie tanica e ZoologiaAntónio de Cerqueira Tinto Chimiéa orgânica.
Physiologia.
AdrianoAlvesde Cima Gordilho. . . Anatomiadescriptiva, sendo osalumnos
obri-gados 11 dissecçõesanatómicas.
3.°
ANNO.
1 i - José Prdroza Anatomiageral c pathologica.
.José de(iões Siqueira Palhologia geral. Fhysiologia. 4."
ANNO.
,Manoel Ladisláo Aranha Dantas . Pathologia externa.
A *andre,José<lèQueirós
...
Pathologia interna.Maiuia* Moreira Sampaio Partos, moléstias de mulheres pejadas ede
ró.nino rfcem-nascidos. 5.«
ANNO.
inrlre José de Queiroz
....
Pathologia interna.António de Freitas Anatomia topogiaphica, Medicina operatória e
apparelhos.
dim António d'OliveiraBotelho. . Matériamedica-e therapeutica. G."
ANNO.
Domingos RodriguesSeixas.
....
Hygiene, e Historiada Medicina,Salusliano Ferreira Souto
...
Medicina legal.António .Tose Ozorio Pharmacia.
iio JoséAires Clinicaexternado3. e*
nioJanuarjodeFaria Clinicainternado5. e 6.
XSÍtfTSS OPPOSITORES.
.T>>éAfTonso Paraizo de Moura. . . •)
Augusto Gonsalves Martins ./
Domingos Carlos da Silva
....
SerrãoCirúrgica. Ignacio José da Cunha \I L-dro llibeiro de Araújo I
Hozendo Aprigio PereiraGuimarães. .í Secção Accessoria. Ignaciode Carros Pimentel. . .1
\írgilioClimaco Dainazio
Dciif.trio Cyiiaco Toarinho . . . .1
iós ' Secção Medica.
Altares dosSantos.
o da Cunha Valle.
Sodrc Pereira.
SECRETARIO INTERINO—
O
Sr.Or.XIioimu/.d
Aquino
Gaspar.
FICIAL
DA
SEGRETAUfA—OSr.
Dr.José
Tlieotoniu Martins.AOS
MEUS PRESADOS
IRMÃOS
OS SENHORES
Pregador
ImperialFr.João da
Natividade.Padre
Metro
Fr.Adriano
do
Espirito Santo.Rcvmr.
Padre
António
Joaquim
Lisboa. ProfessorJosé Francisco
Esteves Lisboa.Bernardino
Barbosa
Lisboa.Joaquim
Barbosa
Lisboa.E
A MINHA QUERIDA IRMÃ
A
EXCELLENTISSIMA
SENHORA
D. MARIA FRANCISCA BARBOSA LISBOA.
Signal de amorfraterna].
A'
MEMORIA
DEMEU
PAIO
SENHOR
ANTÓNIO
FRANCISCO
LISBOA.
A'
MEMORIA DE MEUS
AVOS,
CAPITÃO
JOSÉ MARTINS BARBOSAE
D.UABEL
NOGUEIRA BARBOSAE SILVARecordação.
Uma
lagrima sobre
ostúmulos
de
meus
irmão»,ACADÉMICO
Lourenço
Justiniano
Lisboa, eMB.Se—horinha
Ma-ria
Barbosa
Lisboa.Saudade immorredôara.
A'NEMORIA BE
MEUS
PARENTES.A
ILUSTRADA
CONGREGAÇÃO
E AOS OPPOSITORESDA
FACULDADE
DE
MEDICINA
DA
BAHIA
n
Gratidão c respeito.%
c^ 4. ?e7&
A
TODOS
OSMEOS
AMIGOS
Reconhecimento.
AOS ACADÉMICOS DA ESCHOLA DE MEDICINA
Saudade.
AOS
EMPREGADOS DA
FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIALembrança
.
A
TODAS
AS PESSOAS
QUE ME
ESTIMÃO
SECÇÃO
CIRURGIGA.
DISSERTAÇÃO.
í nr
Lc Chirurgien doil loujourscbenh
1'organe ou la region mafade. Uneétudè
pronfondiede 1'anatomie saioeluifait
décou-vrirla moindre aiteration desforra
Los changemenls de coloration n<
moins nécessaires à bien constater. Lacouleurseuled'uneplaie peul lement éclairerle chirurgien sjur l'éial I
mais encoro lui indiquor les dispositioi
|'ensemble de l'organisme.
Yidal de Cassis, Diagnostic Chirurgi
s
I nm
instrumento compressor actuar sobre qualquer parte maisou
menos
extensa do corpo, dando logar ao esmagamento daspar-les molles, ao despedaçamento dos capillares,
sem
comprometti-mento
da continuidade da pcllc, o cffeilo produzido seráuma
con-tusão.
Às
definições dos celebres pathologistas Yidal de Cassis,Ncla-lon e Dupuylrcn, authorisam a comprehender deste
modo
acontu-são, que justamente difíerc daferida confusa, porque n'esla
aceres-cc o elemento
—
solução de continuidade cutânea—
que falta nopri-meiro caso.
Qualquer que seja a contusão, presuppõe
uma
violênciaexte-rior, que pode obrar de diííerentes modos,
com
quanto semprecom
Contusões
<» feridas confusas.E' assim que,
umas
vezes, a causa produz desordensem
maiorou
menor
extensão no logarem
que ella obrou, dandoem
resultadouma
contusão directa; outras vezes, a parte offendida peloinstru-mento
contundente, apresentando grande resistência,communica
aquantidade de
movimento
recebido á outros órgãos, que, maisac-cessiveis, soíírem
uma
alteração mais oumenos
profundaem
suatextura, constituindo assim o, que se
chama
—
contusão indirecla. D'est'arte,uma
pancada violentasobreoabdomcm
podedetermi-nar
uma
contusão do fígado, sobre o craneo a contusão do cérebro,sobre o thorax a das visceras n'elle contidas.
Convém
não prescindirda existência de duas condições essen-ciaes,quando se trata da contusão: condições queos authores, á re-velia de Nelaton,quc admitte trez, teem convencionadoem
chamar potencia e resistência.Si a potencia obra só, o orgam pode escapar cá acção violenta exterior, si, porém, oorgam acha
um
ponto de apoio solido, écon-tundido entre este ponto c a potencia, o que ordinariamente se dá,
aUentas as
más
condições de compressibilidade dos tecidos, peloque muitas vezes
chegam
aser despedaçados e reduzidos á polpa,conformea maior ou
menor
distancia, velocidade e força,com
que aclúao corpo que contunde.As causas que produzem
uma
contusão são muitas;porém
namaioria dos casos são: a queda de
um
corpo contundente sobrequal-quer parte do corpo
humano,
deuma
maior oumenor
altura.Em
um
e outro caso, o corpo, sempre animado deuma
certaquantidade de movimento, encontra
em
sua passagem ou naocca-sião de tocar osolo, partes mais ou
menos
resistentes e solidas, e então obra violentamente sobre ellas, determinando a pressão, de que resulta o esmagamento ou despedaçamento dos tecidos-, outras vezes a contusão é produzida porum
corpo exterior que temrece-bido
uma
certa quantidade de movimento pela impulsão que lhe é Iransmittida, quer pelas leissós da gravitação, querpela força im-pulsora do systema muscular, quer ainda pela deflagração da pól-vora.Assim:uma pedraque cahe do alto;
uma
paulada descarregadasobre o corpo;
um
socco,uma
bala,um
estilhaço impcllido poruma
espingarda ou peça,,são causas de contusão.
Ainda a contusão pode ser occasionada por excessiva pressão de
Contusões
e feridas contusas.aconteceserem quebradas as partes do corpo, sobre que passar a
roda de
um
carro bastante carregado.Uma
cordaem
forma de laço, apertada uniformemente,também
produz a compressão, c portanto a contusão.
Outras muitas causas existem que fora supérfluomencionar.
Phenomenosda Contusão.
—
Varias são asdesordensquepode acar-retar a contusão, conforme a violência, força, peso e velocidade do corpo contundente.Ligando
com
razão alguma importância a essasmesmas
desor-dens, os cirurgiões, a exemplo de Dupuytren, as consideram
como
tantas bases para sua classificaçãoem
diversos graus, decon-formidade
coma
extensão e aprofundidade da parte lesada.(ieralmenteadmilte-se quatrograus, tendo
cadahum
um
modo
deser,ouimplicando
uma
alteraçãodecertaordem,da maneiraseguinte:O
primeiro grau é caraclerisado pelo despedaçamento dospe-quenos vasos e das laminas orgânicas ténues.
O
segundo grau é caracterisado pelo despedaçamento dos vasosmaisconsideráveis,
com
infiltração e derrame desangue.O
terceiro grau é caracterisado pelo despedaçamento do tecido ccllular subcutâneo c intermuseular; do tecido cellular dos órgãos e de suas próprias fibras; esmagamento do tecido adipozo; ruptu-ra dos vasos e dos nervos; infiltração e derramamento de sangue,de que pode mais tarde resultar a gangrena dostecidos.
O
quarto grau ê caracterisado pelo esmagamento de todas aspartes á tal ponto que a vidaésubitamente exlincta.
Muitos authores incluem este no terceiro grau; cVesse pensar é
o illustrc Professor de Pathologia Externa d'esta faculdade.
Symplomas de Contusão.
—
Uma
vezadmittida a classificação deDupuytren, cuja
norma
os authores tem seguido,convém
que nósapresentemos
também
os dois symptomas que ordinariamente apre-senta a contusão; assim o primeirosymptoma
que se manifesta no individuo, que soffreo deuma
contusão directa ou indirecta, éuma
dor pouco viva e passageira,
um
pequeno empastamento da parte contundida e amudança
dacor naturalem uma
cor amarellada,que poucos dias depois desapparcce, não deixando vestígio algum;
Contusões
e feridas confusas.a contusão è mais forle, e, portanto as dores mais intensas e muilu
mais extensas; jà não se nota simples empastamento da parle c sim
nm
inchamento considerável, infiltrações sanguíneas, que seco-nhecem
com
onomo
de ecchymose, ou derramamentossanguíneos,constituindo focos e depósitos da
mesma
natureza.Observados estes dous symptomas, tractemos de distinguir e estudar estas differentds alterações dos tecidos, tanto na contusão
fraca,
como
na contusão forte, e principiemos pelo primeiro cffeito,sem faltarmos da dor, isto é, da ecchymose, e vejamos o que quer
dizer ecchymose,
como
ella se' dá, qual o seomechanismo
etc, parapodermos fazer
um
juizo exacto do modo, porqueobram
os corpos contundentes.Ecchymose é
uma
mancha
deuma
còr violácea (mais oumenos
azulada)que sé manifestaem
qualquerparte do corpo no pontocon-tundido; esta cor
nem
sempre é amesma;
porque, quando cila éproduzida
em
certas regiões do corpo,cm
que a pelle éextrema-mente fina e delicada,
como
nas pálpebras, nas bolsas escrolaes etc, cila apresentauma
còr extremamente pronunciada; quasine-gra no centro, e
em
sua circumferencia manifesta a còr violácea.A
evolução da ecchymose não soffre sempre amesma
derrota;assim vê-seque quando a contusão se limita cápelle,ao tecido
sub-cutâneo emuscular, immediatamente depois de obrar o corpo, ella
apparecc, ao principio no ponto contundido, depois irradia-se, e
apresenta
uma
superfície maior do que a do corpo contundente; osangue extravasado dos pequenos vasosinfiltra-se, não
uniforme-mente
em
todos os sentidos,mas
seguindo geralmente a direcção dascammadas
cellulosas, attingindo as aponevrozes, que retardam emuitas vezes
impedem
queelle se extenda ás partes visinhas.Esta ecchymose desapparece afinal,
em
espaço de tempoin-determinado, epassapor differentes modificações na cor; á
princi-pio è violácea,depois passa a ser esverdinhada, depois amarellada,
e por fim desapparece.
Estas modificações porque passam os tecidos, constituem a
con-tusão do primeiro grau.
Vimos
quea contusão no segundograu tinha porcaracteressen-cial o despedaçamento do trama do tecido orgânico
eo
derrama-mento
deuma
certa quantidade de sague.Este derramamento é formado, muitas vezes,
em
seguida d'essascontusões por collecções sanguíneas, que
podem
apresentar estadosContusões
oferidascontuzas.5
transformações suecessivas; assim
vemos
muitas vezes que osan-gue derramado que forma o foco pelasua accumulação
em
um
pon-to, oceupa
uma
pequena extensão, outras vezes o derrame ê tãoconsiderável,que o foco formado oceupa
uma
vasta extensão, o que não é raro ver-se na coxa,em
que focos sanguineos,contendomuitos
grammas
desangue, passam pelasmesmas
phases dedecom-posição
como
si fosseuma
simples ecchymose; d'est'arte os princí-pios, que constituem osangue, são dessasociados e n'esteestado in-liltram-se estes pelos tecidos visinhosformando ecchymose,como
aque se manifesta na contusão do primeiro grau; ainda mais: esta
quantidadede sangue,que se achavaformando o foco, desapparecc;
porque as paredes da cavidade cellulosa, naqual o sangue está
con-tido, pouco tempo depois organisa-so, e
uma
membrana
de nova espécie se desenvolve ao redor da collecção sanguínea,como
aoredor de lodocorpo estranho que se introdusa por qualquer causa
nos tecidos.
Ao
mesmo
tempo o sangue sedecompõe
dividindo-seem
duaspartes,serum c coagulo; a parte serosa poucotempodepois é absor-vida,
em
seguidaá absorpçãodo serum, a parlefibrinosadesappare-ce,
mas
nãocom
amesma
regularidade.Outras vezes, e não raras, o sangue conserva sua fluidez,
sem
dividir-se; ora a parte fibrinosa desapparece, ficando no foco a par-te serosa, que pode demorar-se indefinidamente encerrada
em
um
kysto, que por sua vez segrega,
em
certos casos,um
fluido muiloabundante, de
modo
que a collecção do liquido augmentagra-dualmente; outras vezeséa parte fibrinosa que persiste, e que,
se-gundo
Velpeau, experimentadiversas transformações, dandoem
re-sultado kystos, cancros, e lobinhos,em
summa
o sangue encerrado nos tecidos pôde alterar-se, inflammar as partes visinhas e deter-minar a formação deum
abcesso;vemos
portanto, que estas colle-cçõessanguíneas, quasi semprese apresentam debaixo da forma deum
tumor pouco indolente, ílaccido, fluetuante, trazendouma
sim-ples
mudança
de cor na pelle, deum
amarello pouco pronunciado;taes são os
symptomas
observados nos primeiros instantes dacon-tusão, antes que o sangue se coagule.
Estes derramamentos apresentam muitas vezes
uma
disposição particular, que se notaquando a contusão se exerceem uma
regia.)sustentada por
um
osso resistente; assim por exemplo no craneo,ouna face interna do tibia, observa-se que o centro do tumor é sempre
molle elluctuante, algumas vezes pulsátil, entretanto que a sua
cir-eumferenciaolYerece
um
bordo duro, salliente, desigual, simulandoContusões
c feridascontusas.A' vista(Testa disposição, e das consequências praticas a queo engano pôde dar logar,
—
Ituysch e I. J. Petit teera indicado perfei-tamente o meio de obviar esseengano,quando dizem quebastacom-primir fortemente, por alguns minutos, o rebordo que apresenta o
tumor, para ver-moslogo desapparecer o sangue infiltrado nos
te-cidos subcutâneos queconstituía o tumor, pela compressibilidade
que lheé peculiar, e sentirmos pelaapalpaçãoqueo craneoou otibia
se
acham
em
estado perfeito, isto é: que não apresentam deformacão no ponto comprimido; e, continuando a apalpação, vê-semuitas
vezes, que,além d'esse rebordo, o tumor não apresenta por toda a parte a
mesma
densidade, e sima sensação deum
liquido, tendoem
suspensão parte solida: o que nosleva á crer queum
principiode coagulação já se está operando no foco sanguíneo.
Com
effeito si praticarmosa apalpação, empregandouma
pressãoforte sobre os pontos que mostram maior resistência,
havemos
deperceber
uma
sensação particular assemelhando-se a sensação queexperimentamos quando
comprimimos
um
pouco deamido
cm
póentre os dedos.
Este
symptoma
já tinha sido indicado por Velpeau, e descriplopor Augusto Berard
em
sua thése de concurso sobre o diagnosticonas moléstias cirúrgicas.
Estasensação não pôde ser produzida sinão peio esmagamento
do coagulo sanguíneo entre osdedos do observador;
mas quando
nokysto não existe sinão serosidade, a pellerecuperaasuacor normal,
otumor continua a ser indolente e apresenta íluetuação.
Quando, porém, o sangue soffre alteração, vê-se que a pelle, que torna-se quente, ao passo que a dôr desenvolve-se no kysto é
nas partes visinhas, que se tumefazem, se adelgaça, perfura-se,
co-mo
no abcesso phlegmonoso, e deixa sahir parao exterioruma
mis-tura de pus e sangue.
Muitas vezes, porém, antes que
uma
abertura se manifestees-pontaneamente, o liquido alterado contido no foco, demora-se nos
interstícios cellulosos que confinam
com
estes focos primitivos, e dáem
resultado o descollamento ftos tecidosem
- grande extensão; osmúsculos dessecados, e
em
parte destruídos; os ossos denudados, e as articulações abertas.Em
todo o tempo que se segue á estaaber-tura espontânea, o abcesso continua a fornecer
um
pus sanioso,abundante;
uma
febre intensaacompanha
ordinariamente estasup-puração nos focos sanguíneos.
Em
uma
contusão do terceiro grauhavemos
de verque as partesContusões
e feridasecníusas.Ora a vida se reanima; o calor, a sensibilidade voltam;
umas
vezes
uma
inflammaçfio se declara na parte contusa, e trazcomo
consequência
um
phlegmão,uma
erysipela,uma
gangrena, quasisempre seguida de eliminação da parte contundida.
Quando
a pelle tem soííridouma
forte contusão, murcha,ene-grece, disseca-se e apresenta o aspecto de
uma
escara similhante a aquella que é produzida poruma
queimadura do quarto grau. Ob-serva-se sempre estephenomeno
nas regiõesem
que a pelle éforte-mente
comprimida entreum
plano ósseo resistente e o corpo con-tundente.Produzida esta escara,
havemos
de ver que os seus signaes sãoos
mesmos
que aquelles que se dão na gangrena do quarto grau.Na
contusão do quarto, o que
vemos
é que a vida é immediatamenteextmeta,
em
razão da profunda alteração, que soffrem os tecidos-,então a gangrena é a manifestação
commum.
A
marcha
da contusão varia segundo muitas e diversas causas;por isso
devemos
em
primeiro logar attender o seo grau e emse-gúida, tercm
consideração a idade do individuo, a constituição, o temperamento, as idyosyncrasias, e segundo Briend eChaudé
o estado das propriedadesvitaes.Assim si o individuo tem
um
temperamento sanguíneo euma
constituição forte, e si a contusão se limita a pelle, ou ao tecidosubcutâneo, sua marcha na manifestação da ecchymose é rápida-, si
porém
é de temperamento lymphatico, e constituiçãofraca, ellacus-taa apparecer; o
mesmo
acontece a respeito a idade: quanto mais tenra mais apressada é a sua manifestação; e si ainda o individuopossue alguma diathese, seja de que natureza for, estanão só
de-mora
a marcha da ecchymosecomo
até prolonga muito a suatermi-nação; tudo istotem logar quando a contusãoselimitaapelle ou ao
tecido subcutâneo;
mas
siella se dáprofundamente, pode levarmui-tos dias até
sem
que a ecchymose se apresente,em
rasão deencon-trar impedimento das grandes e fortes aponevroses, de
modo
que podedar o despedaçamento das partes molles,sem
que a pellein-dique alteração alguma-, então depois de muitos dias apelle
torna-se livida, marborisada, e vai passando pelas differentes phases ou
gradaçõesde côr; esta mancha, quasi sempre se apresenta
em
um
pontomais afastado d'aquelle
em
que obrou o corpo contundente,e passadoalgum tempo vè-se appareceresta
mancha
distantedopon-to contundido,
como
já dissemos, ecomo
muitas vesestem
sidoobservado por Nelaton
em
indivíduos, que, soffrendo a pressão de8
Contusões
e feridas contusas.depois de doXe ou quinze dias apresentam
uma
mancha
amarelladano joelho, indicando
uma
infiltraçãode sangue.Quando, porém,odespedaçamento ou
esmagamento
produzidospela contusão sepassam, quer na caixa thoracica, quer no
abdo-mem,
e a pellee tecidos resvalam e deixamsua acção manifestar-se nos órgãos e vísceras, então a suamarcha
torna-se inapreciável,attendidoque ordinariamente,
em
demasia rápida e instantânea, amorteéa consequência immediata.
Estudada a marcha das contusões, comprehende-se a
inutilida-de de
um
arligo especial consagrada a terminação.Entretanto, por
amor
de algumaperfectibilidade do trabalho,,façamos
uma
ligeira descripção dosphenomenos
já estudados.comapplicação, porém, a esta phase das contusões.
Já vimos, que si a contusão se dá superficialmente, isto é, na
pelle e tecido subcutâneo, a sua terminação seeffectua
em
poucotempo;
mas
sia ecchymose, não se apresenta, ou antessi ella épro-fundaepor conseguinte inapreciável á inspecção, é necessário
um
tempo illimitadopara a sua terminação,que podeser pela resolução,suppuração, ou pelamortecompleta da parte, dando-se n'este caso
a gangrena.
Importa que o cirurgião
empenhe
todos os seos esforços paraconseguir, quando não a resolução, ao
menos
que a parte não seja sujeita a morte.Veremos
quaes osmodos
de obter este—
desidera-tum—
quando fatiarmos do tratamento.Em
resumo de todas as terminações dos focos sanguíneos resul-tantes deuma
contusão, a mais feliz è aquella queapresentauma
absorção lenta e graduada dosangue derramado.
O
diagnostico das contusõesnem
sempre é fácil ao cirurgião, quedeve fixartodaa attenção possível para poder diagnosticarcom
alguma certeza.
Nenhuma
difficuldade existequando a contusão se limita apelle e ao tecido subcutâneo, por quanto nota-se logo a ecchymose etumefacção mais ou
menos
considerável da parte e adorquando
seprocede aapalpação;
mas
si a contusão é profunda esi haforma-ção de foco sanguíneo,
sem
quea pelle seja interessada,como
mui-tas vezes acontece
em
rasão de sua elasticidade, furtando-se áacção do corpo contundente, convém, parapodermoschegar á
Contusões
cferidas eontusas.actuaes;
como
a dor, a tumefacçãoea
fluetuaçãodo tumor;porquan-to estes focos
podem
traduzirtumores de diíTercnlcs naturezasc que não sejam resultantesda acção de qualquer corpo contundente; eainda mais
—
sia contusão tiversidonas \isceras ounos órgãostho-racicos, ou ainda
no
cérebro.Algumas
vezes pôde sera contusão caracterisada por signaes ra-cionaes, outras vezes não se pude, attendendo o estado geral,con-cluir para o diagnostico, sinãopresumptivamente.
Em
certas regiõesem
que o tecido é muito ténue e delicado,co-mo
nas regiões palpebral e escrotal, é necessário, para termosuma
idéa exactado diagnostico, não deixar-nos enganar pela cor que estas partes apresentam; porque as ecchymoses tornam-so de
uma
côr muito escura e quasi negra, e
convém
entãocom
uma
pinçacom-primir a parte; si o individuo não aceusa dôr, sua ausência
denota-rá que esta parte está mortificada, caracterisando
uma
contusão do terceiro grau, si o inverso tem logar, hauma
simples ecchymose, eportanto
uma
contusão doprimeiro a segundogníu; quanto aocé-rebro é difíicil reconhecer os focos sanguíneos, que teem levado
muitas vezes os práticos aerros.
De
feito: sendo ordinariamente ostumores sanguineos que sedesenvolvemno cérebro- sempre molles
no
centro, durose resistentes notperipheria, e aindamaisrepousan-do sobre
um
plano ósseo, a/contecemuitasvezes quesecomprimin-do o centro, os bordos do
mesmo
tumor, que eram duros eresisten-tes, representam
um
circulo osseo, queparece a principio ser omes-mo
plano osseo que tem cedidoe constituidouma
depressãoem
uma
partede sua extensão; outras vezes sente-se
uma
pulsação no focosanguinco devido a ruptura de algumaarteriola, e então ha
simula-ção de batimentos da massa encephalica.
Temos
um
e único meio de exploração capaz de nos induzir ao conhecimento exacto de que não é o plano osseo que se tem depri-mido, e muitomenos
que é a massa encephalica que pulsa; e é o seguinte:O
cirurgião vaicom
asmãos
impcllindo gradualmente o sanguedaperipheria do tumor para otecido cellular, e, percorrendo todaa superfície ossea subjacente, vê que não existe interrupçãoem
sua continuidade.E' muito difíicil, e muitas vezes impossivel á primeira vista, co-nheceraprofundidadec extensão de
uma
contusão,ea
violênciabastante forte queactuou sobre qualquer parte do corpo;
attenden-do a estas considerações, deve o cirurgião
com
toda circumspecçãoformaro seujuizo a respeito da extensão c intensidade das
desor-dens, afim de que não caia
em
erros, sempre prejudiciaes a sicao
próximo.
IO
Contusões
e feridas eontusas.prognostico das contusões érelativoao grau da contusão;
as-simsi lia
uma
contusão no primeiro grau oprognostico é semprefa-vorável, porque é somente
acompanhada
deuma
ecchymose muito superficial,mas
si acontusãoé forte e asecchymoses profun-daseextensas, então existe gravidade, porqueum
derramamento
sanguíneo prepara muitas vezes accidentes terríveis; e si a
contu-são é do terceiro ou quartograu, a gangrena fazendo explosão,
se-gue-se aperdade substancia
em umamaior
oumenor
extensão.A
excepçãodestescasos, oprognosticodas contusõeséquasisem-pre feliz, a
menos
que não haja complicação algumaem
suamarcha,guardadasas devidas considerações à idade, o sexo, o
temperamen-to, as idiosyncrasias,e asdifferentesdiathesesqueo individuo pode soffrer.
O
tratamento das contusões varia segundo o grau.Si è
uma
cuntusão superficial, ou doprimeirograu. o cirurgiãolimitar-se-ha a empregarmeios locaesesimplices, queconsistem
em
envolver aparte lesada
em
compressasembebidasem
líquidosreso-lutivos (
como
sejam agoa de Goulard, agoa salgada, agoardentecamphorada). Si a dor, que ordinariamente
acompanha
a contusão,é viva e forte, applicar sanguesugas, ouventosas escarificadas sobre
a região contundida; siexiste foco sanguíneo maisconsiderável, de-ve o pratico não limitar-se a essesmeios que
devem
ser coadjuvadospor
uma
compressão methodica, por meio de ataduras embebidasem
qualquerliquido resolutivo, quaes os deque acimafalíamos.Os
focos sanguíneos podem, muitas vezes, desapparecer sob a influencia dostópicos resolu'ivos;mas
si por esse meio o praticonão tirar resultado algum deve por
em
pratica omethodode
Cham-pion, que consiste
em
exerceruma
compressão forte e instantâneasobre o foco oukysto, capaz de romper as paredesd'este, e de fazer
com
que osangue se derrame no tecido cellularque o cerca, aondemais tarde deveser absorvido.
Póde-se
também
chegar aomesmo
fim, praticando-seuma
pun-cção subcutâneae
com
obisturi dividindo asparedesdokysto; sepo-rém
estes meios empregados não forem sufficientes, então o cirur-gião deve recorrer a outra operação,embora
sangrenta,que
consis-tirá
em
levarum
trocart, bisturi, até o foco e dar livre sahida aosangue, que se acha estagnado;
mas
alguns cirurgiões tocados dosaccidentes, a que estaoperaçãotem dadologar
em
certos kystossan-guíneos volumosos,
em
razão da grande suppuração,que setem
Contusões
eferida* confusas. 11Icem regcitado de
um
modo
absoluto, eVidalde Cassis, queclassi-iicadeexagerado
um
talpreceito, reflecte que sefazendo no tumorinjecçõesdetersivas, depois'deteresvasiadotodoosanguequeo kys-to encerra, se previniria provavelmente a invasão destes accidentes.
Quando
os depósitossanguineosinflammam-se;convém
em
pri-meiro logarcombateresta inflammação; edesde omomento,
em
quese reconhecer que existe pus,
convém
immediatamente abrir oióco largamente.
Quando
acontusãofôr muito forte, e que, portanto, existirem infiltração e derramamentossanguineosem
grande extensão epro-fundidade
em
qualquer região,o praticodeve terem
vista orepousoabsoluto daparte, e
acompanhar
esterepouso deum
tratamentoan-tephlogistico enérgico,afim deprevenirodesenvolvimento dos symp-tornas inflammatorios, e da gangrena, que pôde namaioria dos
ca-sos ser aconsequência immediata.
Sia contusãotem reduzidoas partes molles e
mesmo
os ossos áuma
massa, então o cirurgião não tem outro meio a lançarmão
doque o da amputação, antes quese manifestem symptomas de
FERIDAS
COSTURAS.
Une plaie qui estrouge et humide,
com-mcleslèvresaun jeune enfant, est 1'indice d'une prompta eicatrisation et du bon etát
rios viceres; sila surfaoe traumatique
couvre d'una couche grísâtre sèche, vous
pouvez vous attendre á une désunion des lévres de laplaie, et déjá, pent-étre, l'orga-nisme est—il fortementcompromis.
Ferida contusa é Ioda solução de continuidade que resulta da
acção de
um
corpocontundente, quer este obrepelo seu própriope-so, querpela forçaimpulsora do systema muscular, quer ainda pela deflagraçãoda pólvora arremcçando diíTerentes projcctis sobre
qual-quer parte do corpo.
Nas feridascontusas
devemos
distinguir duas espécies: aquellasque são produzidaspelos corposcontundentes ordinários, e aquellas
•|iie são produzidas pela acção dosprojectislançadospelapólvora
em
deflagração; isto posto,devemos
considerar somentecomo
feridaspropriamente
—
contusas—
asprimeiras; e assegundas alémde seremcontusas, tecm todavia a denominação de
—
feridas por ormas de fogo;—
destas nada diremospor não nos pertencerem, visto como,oponto que nós escolhemos não as abrange.
Devemos
notaruma
differença nasferidascontusas, e assimdar-mos
duas denominações, qualificando de—
excoriações—
simples-mente
a contusãoquese limita auma
parteda expessura da pelle; ode—
ferida—
propriamente—contusa—
a contusão que se extendealém da derme, e a
uma
profundidade maiorou menor.As excoriações são ordinariamente produzidas
—
por corposcon-tundentes que
obram
obliquamente sobre a pelle, não deixandono-tar mais doque estafalta da epiderme no togar,
cm
que o corpoobrou; o contrario sevênas
—
feridas contusas—
propriamenteditas.14
Contusões
e feridas eontusas.As causas producloras das
—
feridas eontusas—são asmesmas
queobservamos nas contusões.Os
symptomastambém
são os mesmos.A
marcha, porém, tem algumacousamais, porondepodemos
fa-zeralguma differença, visto como, havendo solução de
continuida-de, não pôdehaver formação de focosanguíneo; porquanto todo o
sangue que sabe dosvasos
queseteem
esmagados pela pressão,maistarde sane, quer só, quer
acompanhado
muitas vezes, principalmen-te depoisde algunsdias, quandoos lábiosda feridanãosereuntfporprimeira intensão, de pus maisou
menos
concreto; oque, porém,senota
em
sua marcha é que além da dòr viva quer nas excoriações,quer nas feridas
em
queocorpo contundente levou a sua acçãomaisprofundamente, o sangue que logo sabe da solução; depois, si a
fe-rida não é reunida por primeira intensão, vê-se que o sangue
com
algum pus vai-se reunindo sobre os bordos, e dias depois apresenta
uma
crostanegra eexpessa, que, cahindo, deixa veruma
epiderme de nova espécie, que conserva ainda por muitos dias a côrmaisver-melha, do que a dos tecidos visinhos; si pofrém,
como
dissemos aferida
émais
profunda, então seusbordos não sereúnem, sinão porsegunda intensão precedendo aresta reunião, e portanto a cura
/
ée-tima secreção purulenta maior ou menor, segundoa extensão da
fe-rida, ograuda contusão, e além disto o estado do individuo que
para issomuitoconcorre.
A
terminação das—
feridas eontusas—
segue por assim dizer asphasesdas contusões, ha, porém, alguma cousa de mais a notar: e
è que muitas vezes os bordos das feridas são gangrenados, quando
sinão pode conseguir a reunião por primeira intensão, não havendo todavia derramamento nointerior dos tecidos,
em
razão de existirlivre passagem para o sangue que sane dos vasos despedaçados e
cortados; ha entretanto maior aífluxo para as visinhanças da solu-ção, que pouco á pouco, se vai coagulando, c assim coagulado para
soffrer a decomposição, e então a côr escuraque no caso de não
ha-ver solução de continuidade constituía ecchymose, ou foco
sanguí-neo, permanece, não
como
ecchymose,mas
simcomo
é sanguedesde seu principio coagulado, e pondo obstáculo, quer
em
um,
quer
em
outro caso, a que os bordos daferida sejam reunidos porprimeira intensão.
O
diagnostico das feridas eontusas, quer das excoriaçõesContusões
e feridas contusas.(não sendo quese possa dar solução de continuidade internamente];
porque
havemes
de observar a dor, apelle divididae as partesvi-sinhas apresentando
uma
cor mais onmenos
pronunciada,segun-do o grau e força
com
que o corpo contundente obrou; alem d'istoos bordos são sempre irregulares, caracter este, que basta para
diíícrenciarde outra qualquer solução de continuidade, e por isso
nada de mais fácil para conbccer-se
uma
ferida contusa quer estasoja manifestada
em
qualquer parte do corpo.O
prognostico das—
feridas contusas—
,está na razão do grau,em
suaextensão,noestadodoindividuo, na idade, no sexo,notem-peramento, na constituição, nas idyosyncrasias cnasdifferentes
dia-Ibeses a que o individuo pode estar sujeito; tendo todas estas
cou-sas
em
consideração, nada deve haver de duvidoso no seuprog-nostico.
O
tratamento das—
feridas contusas—
é muito limitado, e estásujeito ao estado ougrau dacontusão, e do tempo que esta tem
pas-sado
sem
que seja soccorrido pelo Cirurgião; ao temperamento, ida-de, sexo, constituição, etc. etc. Si éuma
excoriaçãoconvém
tra-tar a parte
com
tópicos repercusivos nasprimeiras horas, depois cm-volvcr-se a partecom
ataduras simplices,mantel-an'aimmobilida-de, afim de previnirque se desenvolvamaceidentesinílammatorios.
Quando
porém, a solução tem compromettido os tecidosem
maior escala, então o tratamento varia; porque as dentaduras que apresentam os bordos da ferida, a presença dos retalhos mais oumenos
volumosos e expessos, e, alem disto,a contusão dosmesmos
bordos da ferida, são obstáculos a reuniãoimmediata que deixam o
Cirurgião vacillante entre amaior ou
menor
intensidade dospheno-menos
intlammatorios,portanto deuma
mortificaçãoparcial ou total dos retalhos.Esta gangrena é na maioria dos casos o resultado da
desorgani-zarão immediata que os tecidos tem soffrido pela acção do corpo
contundente; algumas vezes è dependente esta gangrena da
inten-sidade dos
phenomenos
inílammatorios, outras depende da falta ou/
insuficiência da circulação, nosmesmos
retalhos.O
Cirurgião, não obstante encontrar diíficuldadcem
obter acu-ia por primeira intensão, deve, todavia,
em
todo e qualquer caso,procurar chegara esse fim; e,
embora
não consigaem
todos ospon-tos da extensão da solução, deve ao
menos
procurar meios de obterbor-16
Contusões
c feridas contusas.dos, porque n'a maioria dos casos
uma
grande porção do retalho promptamente adhere as partes subadjacentes, deixando suppuraros bordos da solução de continuidade.
Não
convém, igualmente, queo Cirurgião, aindamesmo
poden-do reunir os bordos da solução, assim proceda; deve, pelo contrario deixar na parte mais declive da soluçãouma
porção maior ou me-nor, segundo a extensão damesma
solução dos bordos,sem
reunir,afim de dar livre passagem para fora aos líquidos que se ajuntam sempre debaixo do retalho, para que a adhesão se propague por
to-dos os pontos e por fim a aquelle, por onde o liquido passou:
pro-videncia necessária para que o liquido não
ponha
obstáculo á cica-trisação, e traga muitas vezes a morte sinão completa aomenos
in-completa da parte.
O
Cirurgiãotambém
deve sempre previnir que a inflammação não seja intensa, principalmente nasmãos
e pés, procedendo áir-rigações continuas por meio de
uma
ciringa, ou outro qualquerap-parelho, que possa conservar
uma
corrente de liquido,constante-mente
sobre a parte ferida, ou outro qualquerliquido repercusivo;não apresentando a parte inflammação notável, não ha necessidade
de suspender as tiras de dyachylão, que se tem empregado para
fa-zer avisinhar os bordos, e apenas tirar as planchêtas de fios, que se costuma applicar
com
um
pouco de ceroto simples; si, poróm, a in-flammação for grande, deve-se levantar esta espécie de apparelho,appor novas tiras agglutinativas, e por cima applicar cataplasmas
emollientes, e
mesmo
laxativos, sanguesugas,etudo quanto sejade-pletivo capaz de abater
um
pouco as forças do doente; demodo,
porém,anão desrespeitar as contra-indicações quepodem
provir da constituição do individuo.Comprehende-se qual aimportância do tino eproficiência
cirúr-gica na consecução do único
—
desideratum—
a que deve mirarofa-cultativo, quando emprasado a contribuir
com
os seos esforços paraa cura completa do doente, n'o leito do qual representa o
PROPOSIÇÕES.
SECÇÀÔ
MEDICA.
ACÇÃO PPYSIOLOGICA E THERAPEUTICA DO IODO E SEUS PREPARADOS.
I.
A
excitação c a irritação que muitas vezes pode ir até a escara, que o iodoe seus preparados produzem são incontestáveis.II.
E'
lambem
incontestávelque o iodotem a propriedade anli-sep-tica, ou anti-putrida,III.
O
iodo exerceuma
acçãomuito manifesta sobre os tecidosataca-dos do inflammação suppurativa, modificando o pus e tirando su.is
qualidades
más
quer virulentas, quer contagiosas.IV.
O
iodo absorvido por qualquer das vias do organismo, produzcffeitos geraes incontestáveis, effeitos que variam segundo muitas
eircumstancias.
V.
Estes eíTeitos são; a circulaçãomais activa, a pelle mais quente;
e depoisapparecem phenomenos, que constituem aembriaguez
iodi-ca
—
como
sejam cephalalgia super-oilútaria, perturbarão da vista,zunidos nos ouvidos, estupor,c movimentosconvulsivos.
VI.
Os
phenomenos
que denunciam, que o iodo está obrando s18
Proposições.os órgãos das secreções, sãoa^phtalmía, corysa, salivação, vómitos, diarrhéa ele.
VH.
O
iodo produz sobre a pelle erupçõesvariadas, da natureza dos exantemas.VIII.
Nos envenenamentos produzidos pelo iodo, a
amido
éum
dosmelhores antídotos.
IX.
Segundo as experiências de
Walace
vô-se que a absorção doio-do faz-sede
uma
maneira prompta e rápida.O
iodo depois de ser absorvido se encontra na urina,, na saliva,no leite, e nas lagrimas.
XI.
Às injecções iodadas são de grande proveito e utilidade no cu-rativo da hydrocele.
XII.
O
iodo causa (muitasvezes)phenomenos
emmanagogos.E
r assimque
em
algumas mulheres o fluxo é tão exagerado,que simula ver-dadeira hemorrhagia.SECÇÃO
CIRÚRGICA.
CURA RADICAL DAS HÉRNIAS INGUINAES.
I.
Acura
raadical das hérnias inguinaes, tem sido consideradaPi-oposiçòes. 1!»
II.
Para lenlar-se a cura radical das hérnias é indespensavel que
boja ausência de complicação.
III.
O
processo a empregar deve variar conforme a idade ern quese faza hérnia.
IV.
À
compressão uniforme,acompanhada
da posição podeapro-veitar, principalmente nas hérnias infantis.
O
processo do Gerdy tem sido completamente abandonado porcausa da reprodução constante da hérnia edalesãodoperitoneo.
VI.
O
processoWutzcr com
a modificação dos instrumentos deRothmund,
alem demaiornnmero
de condições precisas temem
seo favora experiência de muitospracticos.
VII.
A
reincidênciada hérniadepende muitas vezes da imprudênciado operado.
VIII.
O
receio da peritonite, após a operação de Wutzer não devesor exagerado.
IX.
O
processo de Wutzer modificado porWood
não apresentamaior vantagem, quando complica e exige maior dextreza na
ope-raçãodo queo primeiro.
X.
Também
não apresenta vantagem a modificação de Syme, sim-plificando oapparelho de Wutzer, porque não pode ser applicado•i todas as hérnias
XI.
V^ injecções feitas
com
atinctura de iodo, qualquer que seja oSO
Proposições.XII.
Sedenho, operação muito fácil e pouco perigosa, é todavia
inútil na cura radical das hérnias inguinaes.
SECÇÃO
ACCESSORIA.
TINGTURAS ALCOÓLICAS.
I.
Tinctura alcoólica ou alcoolado étodo medicamento queresulta
da soluçãode
uma
ou mais substancias no álcool.II.
Elias
podem
ser simplices ou compostas.III.
As substancias ou matérias que se tiver de empregarpara esta preparação,
devem
ser seccas e devididas.IV.
As tincturas alcoólicas ou alcoolados que são preparados
com
plantas verdes e frescas,chamam-se
alcoolaturas.V.
O
grau alcoometrico para as soluções das substancias não éiu-differente.
VI.
De
todas as relações nas porpoções dasmateriass medicamento-sas e do álcool para estas preparações, a geralmente admittida éProposições. 2
1
VII.
Quando
sitiver desubmetter muitas substancias de differentesnaturezas á acção do álcool, devemos pol-as na razão de sua
solu-bilidade, isto é, do
menos
para o mais solúvel. VIII.Muitos são os processos empregados na preparação das
tinctu-ras alcoólicas ou alcoolados.
IX
A
decocção é hoje muito pouco empregada.X.
A
lixiviação regeitada por Souberain, éentretanto admittida porGuibourt nas preparações
em
que entram certassubstancias.XI.
A
maceração êo processo de preparação maisseguido. XII.E
ftambém
empregada a solução simples, XIII.De
todos os processosempregados para a preparação das tinctu-ras alcoólicas ou alcoolados aquelle que consisteem
deitar o álcoolHYPOCRATIS
APHORISMI.
I.
Vita brevis, ars longa, occasio praeceps, experientia fallax,
ju-dicium difficile. Sect. l.a aph. 1.° II.
In
omni morbo
, menle valere, et bene ad ea quoeofferen-tur. Sect. 2.1 aph. 33.°
III.
Qua3 medicamenta
non
sanant, ea ferrum sanat. Qiue ferrumnon sanat, ea ignis sanat. Quse vero igais
non
sanat, ea insanabilia existimare opportet. Sect. 8.a aph. 6.°IV.
In morbis acutis , extremaram partium frigus ,
malum
.
Sect, 7.a aph. l.°
V.
Ad
extremos morbos extrema remedia exquisité óptima.Sect. 1." aph. 6.°
VI.
Vulneri convulsio superveniens, loetale. Sect. 5.a aph. 2.°
Remettida
à
commissão
revisora.Bahia
eFaculdade
de
Medicina
3?
deSetembro
de 1865.
Dr. €its&inti-.
Está
conforme
os Estatutos.Bahia
»9
de
Setembro
de
1865.
Vnlle tWunioÊ:
Dr. IPMoMrn.
Dr. a.Sottié.