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Diagnósticos de enfermagem em adolescentes com excesso de peso

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(1)

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM

MESTRADO ACADÊMICO

RAPHAELA SANTOS DO NASCIMENTO.

DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM EM ADOLESCENTES COM

EXCESSO DE PESO.

RECIFE

(2)

RAPHAELA SANTOS DO NASCIMENTO

DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM EM ADOLESCENTES COM

EXCESSO DE PESO.

Dissertação apresentada ao Colegiado do

Programa

de

Pós-Graduação

em

Enfermagem do Centro de Ciências da

Saúde

da

Universidade

Federal

de

Pernambuco, para a obtenção do título de

Mestre em Enfermagem

Linha de Pesquisa: Saúde da Família nos

cenários do cuidado de Enfermagem.

Grupo de Pesquisa: Saúde Mental e

Qualidade de vida no ciclo vital.

Orientadora: Profª. Dra. Ana Márcia

Tenório de Souza Cavalcanti.

Co-orientadora: Profª Drª Telma Marques

da Silva.

RECIFE

2012

(3)

Catalogação na fonte

Bibliotecária Gláucia Cândida da Silva, CRB4-1662

N244d Nascimento, Raphaela Santos do.

Diagnósticos de enfermagem em adolescentes com excesso de peso / Raphaela Santos do Nascimento. – Recife: O autor, 2012.

95 folhas : il. ; 30 cm.

Orientador: Ana Márcia Tenório de Souza.

Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Pernambuco, CCS. Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, 2012.

Inclui bibliografia e anexos.

1. Obesidade. 2. Adolescente. 3. Educação em Saúde. 4. Enfermagem. I. Souza, Ana Márcia Tenório de (Orientador). II. Título.

610.73 CDD (23.ed.) UFPE (CCS2012-193)

(4)

DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM DE ADOLESCENTES COM

EXCESSO DE PESO.

Dissertação aprovada em: 28 de fevereiro de 2012.

___________________________________________________________

Profa. Dra. Ilma Kruze Grande de Arruda - UFPE

___________________________________________________________

Profa. Dra. Luciana Pereira Leal - UFPE

___________________________________________________________

Profa. Dra. Francisca Márcia Pereira Linhares - UFPE

RECIFE

2012

(5)

À minha família, que sempre me deu amor,

apoio e incentivo, pacientemente tolerando

minha ausência.

(6)

Primeiramente agradeço à Deus por ter me dado paciência, coragem, força, saúde e determinação para concluir mais esta etapa da minha vida.

À minha família, em especial ao meu marido, que me apoiou incondicionalmente em todos os momentos de desenvolvimento desta pós-graduação.

Às amigas de turma, que vivenciaram comigo todas as angústias, medos, dúvidas e alegrias deste período, sempre com união, companheirismo, carinho e afeto, compartilhando saberes e experiências.

Ao corpo docente do Programa de Pós-Graduação de Enfermagem, que desenvolve um trabalho de qualidade que nos impulsiona para a construção e re-construção do saber.

À minha orientadora Ana Márcia pela disponibilização, esclarecimentos e sugestões que esclareceram e ampliaram minhas idéias, me guiando pacientemente não só na construção deste trabalho, mas também contribuindo para o meu crescimento pessoal.

À diretoria do Distrito Sanitário IV da prefeitura do Recife, por ter me liberado para cursar esta pós-graduação.

Aos meus colegas de trabalho, que deram continuidade às minha atividades nos momentos em que estive ausente.

(7)

" Se na verdade, não estou no mundo, para

simplesmente a ele me adaptar, mas para

transformá-lo; se não é possível mudá-lo

sem um certo sonho ou projeto de mundo,

devo usar toda possibilidade que tenha

para não apenas falar de minha utopia,

mas participar de práticas com ela

coerentes"

(8)

Pós- Graduação em Enfermagem, Universidade Federal de Pernambuco, Recife-PE, 2012.

RESUMO

A obesidade é um problema de saúde pública crescente em adolescentes, decorrente de hábitos de vida e alimentares pouco saudáveis, que podem levar ao surgimento de doenças crônicas precocemente. Esta dissertação buscou identificar diagnósticos de enfermagem de adolescentes com excesso de peso. O artigo de revisão integrativa caracterizou as ações de educação em saúde utilizadas para a prevenção e tratamento da obesidade entre adolescentes, a partir de 29 publicações das bases de dados MEDLINE e LILACS, encontradas através da Biblioteca Virtual de Saúde. Caracterizou-se: metodologia; abordagem; ensino-aprendizagem; focos; locais; resultados. As ações educacionais abordaram educação nutricional, aumento de atividades físicas/redução de atividades sedentárias, apoio psicológico e mudanças ambientais, com destaque para as escolas como cenário de realização. Em sua maioria, promoveram modificações nos hábitos de vida que resultaram em comportamentos mais saudáveis para prevenção ou tratamento da obesidade. O artigo original identificou os diagnósticos de enfermagem de acordo com a Classificação Internacional da Práticas de Enfermagem (CIPE) Versão 2, em adolescentes de 10 a 14 anos de escolas públicas de Recife com excesso de peso, a partir da identificação dos fatores associados ao excesso de peso nesta população. Foi utilizado um banco de dados de um estudo de base populacional, com amostra de 1074 adolescentes. Foram indentificados 12 diagnósticos de enfermagem: “Risco para Obesidade”; “Risco de desenvolvimento do humano comprometido”; “Risco de insegurança no desempenho do papel parental”; “Risco para adaptação à parentalidade comprometida”; “Risco para capacidade da família para gerir o regime dietético comprometida”; “Risco para capacidade para gerir o regime dietético comprometida”; “Risco para déficit de conhecimento sobre o regime dietético”; “Risco de ingestão de alimentos excessiva”; “Auto-imagem negativa”; “Risco para baixa auto-estima”; “Risco de bem-estar social comprometido”; e “Padrão de exercício comprometido”. Os diagnósticos encontrados refletem o caráter multifatorial da obesidade, apontando a necessidade de articulação interdisciplinar e intersetorial para o cuidado integral destes adolescentes.

Palavras-chave: Obesidade, Adolescente, Educação em Saúde, Enfermagem, Diagnósticos

(9)

Obesity is a growing public health problem in adolescents, due to lifestyle and unhealthy eating, which can lead to early onset of chronic diseases. This work aimed to identify nursing diagnoses of overweight adolescents. The integrative review article characterized the actions of health education used for prevention and treatment of obesity among adolescents from 29 publications in MEDLINE and LILACS, found through the Virtual Health Library. Was featured: methodology; approach, teaching and learning; outbreaks; sites; results. The educational activities addressed nutrition education, increased physical activity / reduce sedentary activities, psychological and environmental changes, especially in schools as a setting of achievement. Mostly promoted changes in lifestyle that resulted in healthier behaviors for prevention or treatment of obesity. The original article identified the nursing diagnoses according to International Classification of Nursing Practice (ICNP) Version 2, in adolescents aged 10 to 14 years in public schools in Recife overweight, based on the identification of factors associated with excess weight in this population. We used a database from a study of population-based sample of 1074 adolescents. Twelve were unidentified nursing diagnosis: "Risk of Obesity", "Risk of committed human development", "Risk of insecurity in the performance of the parental role," "Risk for impaired adaptation to parenthood," "Risk for the family's ability to manage the diet compromised", " Risk for the ability to manage the diet compromised", " Risk for lack of knowledge about the diet", " Risk of excessive food intake "," negative self-image "," Risk for Low self-esteem "," Risk of compromised welfare " and " Standard of performance compromised. " The diagnoses found reflects the multifactorial nature of obesity, highlighting the need for interdisciplinary and intersectoral coordination for comprehensive care of adolescents.

(10)

Quadro 1 – Estratégias de busca utilizadas na base de dados (BVS) ... 27 Quadro 2 – Número e motivo de exclusão dos artigos em cada estratégia de busca .... 28 Quadro 3 - Descrição dos estudos incluídos na revisão integrativa, segundo

autor(es), título, base de dados, periódicos, país e ano de publicação ... 30

(11)

1 INTRODUÇÃO... ... 10

2 CAPÍTULO 1 – REVISÃO DE LITERATURA ... 12

2.1 Obesidade e adolescência ... 12

2.2 Educação em Saúde e Obesidade ... 15

2.3 Diagnósticos de enfermagem ... 18

3 CAPÍTULO 2 – MÉTODO ... 21

3.1 Primeiro artigo: Educação em saúde na prevenção e tratamento da obesidade em adolescentes: Revisão integrativa... 21 3.2 Segundo artigo: Diagnósticos de Enfermagem em adolescentes com excesso de peso ... 31 4 CAPÍTULO 3 – ARTIGO DE REVISÃO ... 37

5 CAPÍTULO 4 – ARTIGO ORIGINAL ... 52

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 70

REFERÊNCIAS ... 71

ANEXOS ... ANEXO A - Questionário utilizado na construção do banco de dados ... 78

ANEXO B – Registro de aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa ... 86

ANEXO C - Carta de anuência para utilização para do banco de dados ... 87

ANEXO D – Normas de publicação da Revista Eletrônica de Enfermagem .. 88

ANEXO E – Normas de publidação da REME – Revista Mineira de

Enfermagem ...

92

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1 INTRODUÇÃO

O aumento na prevalência da obesidade no Brasil é evidente e preocupante. Dados do ano de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o peso dos brasileiros vêm aumentando no decorrer dos anos e revelam que 49% da população adulta (acima dos 20 anos) está acima do peso.1

Ao se verificar este aumento na prevalência da obesidade em todas as regiões do país e nos diferentes estratos socioeconômicos da população, percebe-se que é proporcionalmente mais elevado entre as famílias de baixa renda.2

Em crianças e adolescentes este aumento é particularmente preocupante, visto que é fator de risco para manutenção da obesidade na vida adulta.2 Avaliação nutricional dos adolescentes que frequentavam o 9º ano de escolas públicas e privadas nas regiões metropolitanas brasileiras realizada em 2009, evidenciou que o principal problema nutricional deste grupo é o excesso de peso.4 A parcela de adolescentes de 10 a 19 anos com excesso de peso no Brasil subiu de 3,7% (1974-1975) para 21,7% (2008-2009) no sexo masculino e de 7,6% para 19,4% no sexo feminino.4

Trata-se de um problema multifatorial complexo, cujos fatores determinantes envolvem aspectos biológicos, sociais, econômicos e culturais. Suas consequências podem ser observadas com o aumento substancial do risco para hipertensão, diabetes mellitus tipo II, complicações respiratórias e músculo-esqueléticas, além de importantes repercussões psicossociais.5,6

A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza que medidas efetivas para o controle da obesidade devem incluir uma abordagem preventiva e de promoção da saúde na infância e adolescência.7

Entretanto, o tratamento e a prevenção da obesidade são tarefas difíceis, visto que requerem mudanças de comportamento e de hábitos alimentares. Os programas de educação em saúde parecem ser a estratégia mais eficaz para reduzir problemas de saúde pública relacionados com estilo de vida sedentário e padrão alimentar inadequado.8

Para tanto, os profissionais de saúde devem estar aptos a desenvolver atividades de educação em saúde de forma eficaz.A(o) enfermeira(o) é um profissional que traz na sua formação uma íntima relação com a educação em saúde, apresentando competências para o planejamento e implementação de ações educativas de saúde.

Neste sentido, acredita-se que a atuação da(o) enfermeira(o) no planejamento e implementação de ações educativas em saúde para prevenção e controle do excesso de peso em adolescentes, pode contribuir para prevenção da obesidade na população em geral,

(13)

especialmente nas classes econômicas mais baixas, nas quais o excesso de peso apresenta aumento mais significativo de prevalência.

Para guiar o planejamento e avaliação destas ações, os diagnósticos de enfermagem podem ser utilizados como um método eficiente para a organização dos processos de pensamento e tomada de decisão para a resolução de problemas de saúde.9

Assim, este trabalho baseou-se na seguinte pergunta condutora: “Quais diagnósticos de enfermagem podem ser identificados em adolescentes com excesso de peso da rede pública de ensino?”

O objetivo geral foi identificar os diagnósticos de enfermagem em adolescentes com excesso de peso da rede pública de ensino da cidade do Recife. Os objetivos específicos buscaram: identificar a prevalência do excesso de peso; caracterizar seu perfil epidemiológico; identificar os fatores associados ao excesso de peso nesta população; caracterizar as ações de educação em saúde para prevenção e tratamento do excesso de peso em adolescentes.

Em atenção ao formato preconizado pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Pernambuco, esta dissertação foi estruturada em quatro capítulos, com apresentação de dois artigos encaminhados para publicação.

O primeiro capítulo apresenta a revisão de literatura utilizada para o desenvolvimento da pesquisa, buscando subsídios e bases teóricas consistentes ao entendimento da obesidade na adolescência, assim como da relação da enfemagem com a educação em saúde e obesidade, e da utilização dos diagnósticos de enfermagem.

O segundo capítulo descreve minuciosamente o método utilizado na construção dos dois artigos científicos apresentados.

O terceiro capítulo refere-se ao artigo de revisão: “Educação em saúde na prevenção ou tratamento da obesidade em adolescentes: Revisão integrativa”, que foi submetido à avaliação para publicação na Revista Eletrônica de Enfermagem, e objetivou caracterizar as ações de educação em saúde utilizadas para a prevenção da obesidade entre adolescentes descritas na literatura científica.

O quarto capítulo refere-se ao artigo original: “Diagnósticos de enfermagem em adolescentes com excesso de peso”. Seu objetivo foi identificar os diagnósticos de enfermagem relacionados ao excesso de peso entre escolares da rede pública de ensino da cidade do Recife, por meio da caracterização do seu perfil epidemiológico e da análise dos fatores associados ao excesso de peso nesta população.

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2 CAPÍTULO 1 – REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Obesidade e adolescência

A obesidade compreende a morbidade não transmissível com maior crescimento em todo o mundo, adquirindo proporções epidêmicas e tornando-se um dos principais problemas de saúde pública da sociedade moderna.7

Esta morbidade está relacionada a um elevado custo financeiro pelo aumento da demanda pelos serviços de saúde devido ao número crescente de atendimentos e internações por co-morbidades associadas a este distúrbio.10

O desenvolvimento da obesidade na infância e adolescência tem se tornado preocupante pela possibilidade de sua manutenção na vida adulta. Nos adolescentes, a concomitância com fatores de risco como a dislipidemia, a hipertensão e a resistência insulínica é frequente, e sua persistência na vida adulta pode levar ao aumento da morbimortalidade pela associação com a doença aterosclerótica, hipertensão e alterações metabólicas.11-13

No cenário mundial, comparando-se inquéritos populacionais realizados nos Estados Unidos da América (EUA), entre 1971 a 1994, observou-se um aumento de 15,4% para 25,6% na ocorrência de obesidade, na faixa etária entre 6 e 18 anos, com um crescimento relativo de 66,2% na sua prevalência.14 Na China, entre 1991 a 1997, esse aumento foi da ordem de 20,3% em crianças e adolescentes, enquanto que, na Inglaterra, o acréscimo de sobrepeso foi de 44,2%, entre crianças de 4 a 11 anos, no período de 1974 a 1994.15

No Brasil, quando se comparam os resultados do Estudo Nacional de Despesas Familiares (ENDEF), realizado em 1974-75, e da Pesquisa sobre Padrões de Vida (PPV) realizada em 1996-97, compreendendo apenas as regiões Sudeste e Nordeste, constatou-se um aumento de 4,1% para 13,9% na prevalência de obesidade, correspondendo a um incremento relativo deste distúrbio de 239,0%.10 Dados do Ministério da Saúde apontam que a soma dos índices de sobrepeso e obesidade da população brasileira avançou expressivamente de 2006 a 2009: de 42,7% para 46,6%.16

Em 2009 foi realizada a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), que avaliou o estado nutricional dos escolares que estavam freqüentando o 9º ano do ensino fundamental nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal. O principal problema nutricional verificado por esta pesquisa foi o excesso de peso, que compreende o sobrepeso e a obesidade,

(15)

apresentando uma média percentual de 7,2% de obesos, com maiores freqüências em Porto Alegre (10,5%), Rio de Janeiro (8,9%) e Campo Grande (8,9%).4

A obesidade é uma desordem heterogênea, uma vez que sua etiologia envolve a interação de fatores genéticos, fisiológicos, psicológicos e principalmente ambientais, destacando-se o estilo de vida.17 Na criança e no adolescente, a literatura aponta alguns fatores que estariam potencialmente associados às alterações de peso corporal, destacando-se variáveis socioeconômicas, incluindo a escolaridade e classe socioeconômica dos pais, além da percepção do estado nutricional dos pais.18-20 Estas podem atuar direta ou indiretamente no indivíduo, na medida em que determinam, por sua vez, as variáveis comportamentais que predizem o estilo de vida, as quais envolvem os hábitos alimentares e a atividade física, que associam-se diretamente ao peso corporal.17,21

Na adolescência, a presença de obesidade associa-se a aumentos na pressão arterial e dislipidemias, a ocorrência de diabetes e a distúrbios psicológicos, emocionais e de relacionamento, além de determinar maior ocorrência de doenças cardiovasculares na idade adulta.11-13 A ocorrência de obesidade na adolescência, por si só, está implicada em maior morbi-mortalidade na idade adulta.6

O nível socioeconômico é um dos fatores que podem interferir na prevalência de sobrepeso e obesidade, visto que apresenta relação com a disponibilidade de alimentos e ao acesso à informação. Em países em desenvolvimento, a obesidade parece estar associada com maior nível socioeconômico, estando relacionado à maior disponibilidade de alimentos com maior densidade energética e pela menor atividade física nesses estratos sociais. Já nos países desenvolvidos, a grande maioria das crianças e adolescentes com sobrepeso ou obesas pertence a famílias de classe economicamente baixa.17,19,22

No Brasil, as prevalências mais elevadas de excesso de peso e obesidade entre adolescentes encontram-se entre as classes sócio-econômicas mais elevadas e nas regiões Sul e Sudeste do país.4 Entretanto, é provável que nas próximas décadas, as categorias de nível socioeconômico superiores mudem sua tendência, utilizando estratégias individuais para prevenir e controlar o ganho de peso, enquanto o grupo de status socioeconômico inferior passe a apresentar prevalências ainda maiores de excesso de peso e obesidade.10

Outor fator associado à elevação da prevalência do sobrepeso e obesidade é o aumento progressivo das atividades sedentárias desde a década de 90, devido ao maior acesso para aquisição de computadores, videogames e televisores. O sedentarismo, avaliado pelo número de horas gastas em atividades, como assistir à televisão e jogos eletrônicos, tem sido positivamente associado com a elevação da adiposidade em crianças e adolescentes.24

(16)

O estado nutricional dos pais é outro fator também associado ao excesso de peso corporal nos adolescentes, tanto pela influência genética quanto pelos fatores ambientais que interferem nos hábitos alimentares, no estilo de vida e na prática habitual de atividade física. Assim, o risco da criança ser obesa pode estar diretamente relacionado à obesidade dos pais, sendo maior quando ambos os pais são obesos.21, 23, 24

Em relação à estrutura familiar, parece haver maior probabilidade de ocorrer sobrepeso e obesidade em crianças que são filhos únicos do que naquelas que possuem irmãos21, 22, 24, possivelmente pela menor interação com outras crianças e a maior suscetibilidade para uso de computadores e jogos eletrônicos, reduzindo a realização de atividade física.24

O sono também vem sendo apontado como um potencial modificador do fator de risco para a obesidade e que tem uma importante implicação clínica na prevenção e tratamento deste distúrbio nutricional, evidenciando-se uma relação inversa entre duração do sono e risco para sobrepeso e obesidade em adolescentes, já que este atua na regulação do metabolismo e na modulação dos hormônios que participam da regulação do apetite.25

Considerando o caráter multifatorial da obesidade e sua estreita relação com os hábitos de vida do indivíduo, é importante ressaltar a influência da família neste contexto. Uma revisão dos programas de prevenção da obesidade para crianças mostrou que as intervenções que produzem maiores efeitos são aquelas que incluem a participação dos pais.26

A relação entre a dinâmica familiar e uma problemática de saúde é bastante complexa, sendo impossível identificar claramente os efeitos diretos de uma sobre a outra. Observa-se uma co-evolução, na qual a dinâmica familiar influencia a evolução da doença e esta, por sua vez, influencia a dinâmica da família que será transformada e irá também interferir na evolução da doença, num processo contínuo ao longo do tempo.27

Promover a saúde familiar depende da compreensão das percepções de cada membro quanto ao funcionamento da família, pois são elas que influenciarão os comportamentos de cada um e o funcionamento de todo o sistema familiar.26,28

O ambiente familiar compartilhado e a influência dos pais nos padrões de estilo de vida dos filhos, incluindo a escolha dos alimentos e o estímulo à realização de atividades físicas, relacionam-se com a importância do papel da família no ganho de peso infantil, assim como o consumo é influenciado pelas condições sócio-econômicas da família.28, 29 Daí a necessidade de ressaltar o enfoque familiar, estimular a inclusão e participação da família ao planejar ações de saúde, seja na esfera preventiva ou curativa da assistência.28,29

(17)

Neste sentido, deve-se priorizar a abordagem da criança e do adolescente em sua totalidade, além da dimensão biológica do processo saúde-doença, resgatando os aspectos emocionais e afetivos envolvidos no processo de desenvolvimento do excesso de peso, na busca da superação da fragmentação do indivíduo.27

Programas educacionais de saúde para o tratamento e prevenção da obesidade avaliados por algumas revisões de literatura relatam que os estudos ainda são de pequeno número, não se podendo estabelecer conclusões efetivas, mas que estratégias que visam à (re)educação alimentar, a redução do sedentarismo e aumento de atividades físicas são úteis, porém é necessário maior consenso nas conclusões sobre efetividade, visto que as intervenções são bastante variadas. 8,28,29,30

Os programas de educação em saúde realizados nas escolas parecem ser a estratégia mais eficaz para reduzir problemas de saúde pública crônica relacionados com estilo de vida sedentário e padrão alimentar errôneo, embora mais estudos sejam necessários. 8,28

2.2 Educação em Saúde e Obesidade

A educação em saúde representa a disseminação de um conjunto de saberes e práticas orientados para a prevenção de doenças e promoção da saúde da população.31 Através deste recurso, o conhecimento cientificamente produzido no campo da saúde, intermediado pelos profissionais de saúde, alcança a vida cotidiana das pessoas, oferecendo subsídios para a adoção de novos hábitos e condutas de saúde a partir da compreensão dos condicionantes do processo saúde-doença.32

Trata-se de um dos mais importantes elos de ligação entre os desejos e expectativas da população por uma vida melhor e as projeções e estimativas dos governantes ao oferecer programas de saúde mais eficientes, visto que busca desenvolver nas pessoas o senso de responsabilidade pela sua própria saúde e pela saúde da comunidade a qual pertençam, e a capacidade de participar da vida comunitária de uma maneira construtiva. Assim, deve promover, por um lado, o senso de identidade individual, a dignidade e a responsabilidade e, por outro, a solidariedade e a responsabilidade comunitária.32,33

No Brasil, a história dos modelos de educação aplicados à saúde pública está relacionada diretamente à evolução político-social e econômica da sociedade brasileira, sempre obedecendo à ótica do avanço do capitalismo, quando endemias ou epidemias se apresentavam como importantes em termos de repercussão econômica ou social.34

(18)

Desta maneira, o discurso desenvolvido em torno da questão saúde no século XVIII foi essencialmente normalizador e regulador, higienista e moralista, sendo função do Estado civilizar e moralizar a população a fim de assegurar o desenvolvimento das forças produtivas, de acordo com os interesses das classes dirigentes do Estado e com objetivo de controle social sobre as classes subalternas.34

A primeira reforma sanitária brasileira ocorreu em 1923, coordenada por Carlos Chagas fazendo com que a educação sanitária e a propaganda fossem introduzidas na técnica rotineira das ações em saúde, substituindo os métodos repressivos das campanhas sanitárias pela persuasão e conscientização dos métodos educativos e preventivos junto a indivíduos e coletividades.34

A partir do movimento sanitário, as práticas de educação voltadas para a saúde passaram a denominar-se de educação em saúde e suas equipes passaram a ser constituídas por diversos profissionais de saúde e por educadores, preconizando a construção de soluções técnicas baseadas na associação do saber popular com o saber científico, utilizando-se do método dialógico de Paulo Freire. 35,36

Após a VIII Conferência Nacional de Saúde, com a implantação do SUS, diferentes movimentos articularam-se simultaneamente, tanto na educação tradicional, centrando o poder nas mãos do profissional de saúde; quanto na educação popular, que deixa de ser considerada como método apenas alternativo de prática educativa, sai da margem da sociedade e incorpora outras práticas e espaços educativos, promovendo o empoderamento da comunidade, no sentido de encorajar e apoiar as pessoas e grupos sociais para que assumam maior controle sobre sua saúde e suas vidas.35

O paciente passa a ser reconhecido como sujeito portador de um saber sobre o processo saúde-doença-cuidado, capaz de estabelecer uma interlocução dialógica com o serviço de saúde e de desenvolver uma análise crítica sobre a sua realidade e o aperfeiçoamento das estratégias de luta e enfrentamento. Ocorre ampliação da compreensão sobre o processo saúde-doença, que, saindo da concepção restrita do biologicismo, passa a ser concebido como resultante da inter-relação causal entre fatores sociais, econômicos e culturais.36

Este modelo pode ser referido como modelo dialógico por ser o diálogo seu instrumento essencial. Seu objetivo não é o de informar para saúde, mas de transformar saberes existentes, visando ao desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade dos indivíduos no cuidado com a saúde, não pela imposição de um saber técnico-científico detido pelo profissional de saúde, mas sim pela compreensão do indivíduo da situação de saúde. A

(19)

construção do saber sobre o processo saúde-doença-cuidado capacita os indivíduos a decidirem quais as estratégias mais apropriadas para promover, manter e recuperar sua saúde, promovendo sua emancipação.37

A educação em saúde passa a ser percebida como processo político pedagógico que requer o desenvolvimento de um pensar crítico e reflexivo de todos os envolvidos, permitindo desvelar a realidade a fim de propor ações transformadoras que levem o indivíduo a sua autonomia e emancipação enquanto sujeito histórico e social capaz de propor e opinar nas decisões de saúde para o cuidar de si, de sua família e da coletividade.37,38

As ações de educação em saúde para a prevenção e tratamento do sobrepeso e obesidade em adolescentes visam a redução da ingestão calórica e o aumento do gasto energético através de educação nutricional, estímulo à realização de atividades físicas regulares, redução do sedentarismo e desenvolvimento de ambientes saudáveis.8,29,38

Diversas metodologias têm sido utilizadas no desenvolvimento destas ações, incluindo abordagens individuais ou em grupo39, seja com utilização de pedagogias tradicionais com aulas expositivas e material educativo impresso40,41, ou problematizadoras42, com grupos focais43, entrevistas motivacionais44, atividades lúdicas45, além de programas educativos virtuais46.

O apoio psicológico e o envolvimento da família, da comunidade e das escolas são apontados como importantes estratégias para tornar mais eficazes os resultados das ações educativas em saúde no sentido de promover efetivamente e de forma sustentada, as mudanças de comportamento necessárias para a prevenção e tratamento da obesidade em adolescentes.24,41,47

A ação educativa em saúde como prática essencialmente transformadora da realidade necessita de profissionais de saúde que se reconheçam como agentes de transformação dessa realidade. Para a enfermagem é um desafio a necessidade de redefinir sua prática assistencial, desenvolvendo competências essenciais para uma prática de educação em saúde realmente transformadora.48

Dentre estas competências, destacam-se: a promoção da integralidade do cuidado à saúde; a articulação entre teoria e prática, a promoção do acolhimento e da construção de vínculos com os sujeitos assistidos; reconhecer-se e atuar como agente transformador; reconhecer e respeitar a autonomia dos sujeitos; reconhecer e respeitar o saber de senso comum; utilização do diálogo como estratégia educativa para a construção do saber; operacionalização de técnicas pedagógicas que viabilizem o diálogo com os sujeitos;

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instrumentalização dos sujeitos com informação adequada; valorização e exercício da intersetorialidade no cuidado à saúde.48

Tais competências permitem à(ao) enfermeira(o) desenvolver a educação em saúde de forma dialógica, inclusiva e problematizadora, com a construção da consciência crítica conjunta sobre o ser e o estar dos indivíduos no mundo. Desta forma, a educação em saúde deixa de ser vista apenas como repasse de informações, como uma prática rotineira sem reflexão, acomodativa, sem criticidade e sem interferência do indivíduo.48,49

Em especial no trabalho com adolescentes, o cuidado deve ser pensado no seio da educação popular em saúde, o que implica na abordagem interdisciplinar que associa os campos das ciências humanas, sociais e da saúde, valorizando o saber popular, a partir das suas experiências concretas de vida, entendendo-se que para melhor cuidar do outro, é preciso melhor conhecê-lo, acessar os seus saberes e formas de pensar, aproximando-se da sua realidade.50

Neste sentido, os diagnósticos de enfermagem - etapa do processo de enfermagem - podem auxiliar no planejamento das ações educativas. Os diagnósticos de enfermagem permitem a identificação dos riscos e necessidades de saúde através de uma visão holística do adolescente, permitindo o planejamento de intervenções por intermédio do julgamento clínico, formulação de critérios de resultado e estratégias, planejamento, implementação e avaliação dos resultados estabelecidos, a nível individual, familiar ou comunitário.9

2.3 Diagnósticos de enfermagem

O processo de enfermagem é um método sistemático de um serviço humanizado que proporciona a qualificação da assistência, assim como o reconhecimento profissional, sendo constituído de várias etapas, denominadas de formas diferentes, conforme seus autores e suas teorias. Em geral, o processo de enfermagem é composto de cinco fases sequenciais e inter-relacionadas: histórico (coleta de dados), diagnóstico de enfermagem, planejamento, implementação e avaliação.51, 52

Neste processo, o Diagnóstico de Enfermagem significa a identificação das necessidades básicas potenciais ou reais afetadas através do raciocínio diagnóstico para a identificação de situações ou condições que necessitem da assistência de enfermagem. Não representa apenas uma etapa isolada de descrição de problemas, mas sim a integração da coleta de dados ao planejamento das ações, envolvendo julgamento, avaliação crítica e tomada de decisão.52

(21)

É o julgamento clínico das respostas do indivíduo, da família ou da comunidade aos processos vitais ou aos processos de saúde atuais ou potenciais, os quais fornecem a base para a seleção de intervenções de enfermagem, para atingir resultados pelos quais o enfermeiro é responsável, além de ser um meio eficiente de comunicação dos problemas do cliente.51, 52

Essas habilidades e capacidades de julgamento permitem determinar o que deve ser feito, porque deve ser feito, por quem deve ser feito; como deve ser feito, com que deve ser feito e que resultados são esperados com a execução da ação/intervenção de enfermagem.52

Entre os diversos modelos de classificação para a prática de enfermagem, a Classificação Internacional da Prática de Enfermagem (CIPE) Versão 2 é considerada pela Associação Brasileira de Enfermagem como um marco unificador dos diversos sistemas de classificação em Enfermagem. Permite a configuração cruzada dos termos das classificações existentes e de outras que forem desenvolvidas. Pode ser utilizada para descrever a prática de enfermagem e fornecer dados para os sistemas de informação em saúde, permitindo a comparação de dados de enfermagem em populações clínicas, serviços de saúde, zonas geográficas e momentos diferentes.53

A CIPE percorreu uma trajetória de seis publicações, perpassando por vários processos de revisões e avaliações até a versão atual, os quais promoveram melhorias e tornaram mais fácil o manuseio, a utilização e a preservação dos conceitos, minimizando a complexidade sem perda de consistência, assim viabilizando sua efetiva utilização pelos enfermeiros. Outras evoluções constatadas são: a inserção de tecnologia computacional; a publicação limitada à via eletrônica; e a inclusão de diagnósticos, intervenções e resultados de enfermagem na estrutura hierárquica.54

De acordo com o Conselho Internacional de Enfermeiros, são objetivos da CIPE: estabelecer uma linguagem comum para descrever a prática de enfermagem, facilitando a comunicação dos enfermeiros entre si e com outros profissionais de saúde; representar conceitos usados na prática local, em diferentes linguagens e áreas de especialidade; descrever mundialmente a prestação dos cuidados de enfermagem (indivíduos, famílias e comunidades); estimular a pesquisa de enfermagem através de ligações entre os dados disponíveis e os sistemas de informação em saúde; fornecer dados sobre a prática de enfermagem para influenciar o ensino de enfermagem e a política de saúde; projetar tendências nas necessidades dos pacientes, fornecimento de tratamentos de enfermagem, recursos utilizados e obtidos do cuidado de enfermagem.55

(22)

Seus componentes constituem-se em: Fenômenos de Enfermagem, Ações de Enfermagem e Resultados de Enfermagem, todos com modelo multiaxial. O Fenômeno de enfermagem é representado pelos fatores que influenciam o estado de saúde com características específicas: fenômenos que os enfermeiros diagnosticam. Para compor um Diagnóstico de Enfermagem, entendido como “designação atribuída por um enfermeiro a uma decisão sobre um fenômeno que é o foco da intervenção de enfermagem”, são utilizados termos presentes nos eixos da Classificação dos Fenômenos de Enfermagem.54

As ações de enfermagem são as ações realizadas em resposta a um diagnóstico de enfermagem com a finalidade de produzir um resultado, planejadas partindo-se dos eixos de classificação: foco - a área de atenção que é relevante para a Enfermagem; julgamento - opinião clínica ou determinação relacionada ao foco da prática de enfermagem; cliente - sujeito ao qual o diagnóstico se refere e que é o recipiente de uma intervenção; ação - um processo intencional aplicado a um cliente; meio - uma maneira ou um método de desempenhar uma intervenção de enfermagem; localização - orientação anatômica e espacial de um diagnóstico ou intervenções; tempo - o momento, período, instante ou intervalo de uma ocorrência. Os Resultados de Enfermagem representam a medida ou condição de um diagnóstico em um intervalo de tempo após uma intervenção.55

Assim, os diagnósticos de enfermagem servem como um guia para o planejamento das intervenções de enfermagem e avaliação dos seus resultados, seja no âmbito individual através da consulta de enfermagem, ou coletivo através de ações de promoção à saúde.53 As ações de educação em saúde podem fazer parte destas intervenções e neste sentido, os diagnósticos de enfermagem podem auxiliar o planejamento das ações educativas, visto que apontam as nescessidades ou riscos de saúde específicas de determinado indivíduo ou população.

No tocante aos adolescentes com excesso de peso, os diagnósticos de enfermagem servirão para o planejamento das intervenções de enfermagem para esta população através do método científico, estabelecendo quais são os resultados esperados, assim como os meios para atingí-los.

(23)

3 CAPÍTULO 2 – MÉTODO

Neste capítulo será descrito o método utilizado para a construção dos dois artigos: “Educação em saúde na prevenção e tratamento da obesidade em adolescentes: Revisão integrativa” e “Diagnósticos de enfermagem em adolescentes com excesso de peso”.

3.1 Primeiro artigo: Educação em saúde na prevenção e tratamento da obesidade em adolescentes: Revisão integrativa.

3.1.1 TIPO DE ESTUDO

A revisão integrativa foi o método escolhido, por tratar-se de uma revisão de literatura que proporciona a síntese de conhecimento e a incorporação da aplicabilidade de resultados de estudos significativos na prática, constituindo-se um instrumento da Prática Baseada em Evidências (PBE).56

A utilização deste método permite a busca, a síntese e a avaliação crítica das evidências disponíveis do tema investigado, sendo o seu produto final o estado atual do conhecimento existente, proporcionando o planejamento e a implementação de intervenções efetivas na assistência à saúde e a redução de custos, bem como a identificação de lacunas do conhecimento, as quais necessitam ser exploradas através do desenvolvimento de novas pesquisas.57

3.1.2 QUESTÃO NORTEADORA

Quais as características das ações de educação em saúde voltadas para prevenção e tratamento da obesidade entre adolescentes, identificadas na produção científica da literatura?

3.1.3 COLETA DE DADOS

3.1.3.1 Fontes de Busca de Dados

O levantamento dos estudos foi realizado no período de junho a setembro de 2011, através da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), a qual promove o acesso on-line eficiente e universal à informação tecno-científica relevante para o desenvolvimento da saúde, proposto e desenvolvido pelo Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme), da Organização Pan-americana de Saúde (OPAS).

A utilização da BVS na realização da pesquisa permite a busca das publicações relevantes nas principais bases de dados científicos no âmbito nacional e internacional, a

(24)

partir dos mesmos descritores, garantindo a abrangência da pesquisa e facilitando a operacionalização dos resultados.

3.1.3.2 Critérios de Inclusão e Exclusão

Os critérios de inclusão utilizados para orientar a busca e seleção dos artigos foram: o Artigos que descreviam o desenvolvimento e as características de ações de

educação em saúde visando à prevenção da obesidade em adolescentes e seus resultados.

o Disponibilização do texto completo on-line, através do autor ou via Comut. o Artigos publicados no período de janeiro de 2005 a setembro de 2011.

o Amostra envolvendo adolescentes segundo os critérios da Organização Mundial de Saúde (faixa etária de 10 a 19 anos).

o Estudos de caráter qualitativo, quantitativo ou quali-quantitativo. o Estudos divulgados em língua portuguesa, inglesa ou espanhola.

Os critérios de exclusão utilizados foram:

o Publicações referentes a resumos de congressos, anais, editoriais, comentários e opiniões, além de artigos de reflexão (texto que expresse ponto de vista acerca de assuntos polêmicos e/ou relevantes em determinada área).

o Revisões de literatura: sistemáticas, integrativas ou metanálise.

3.1.3.3 Estratégias de Busca nas Bases de Dados A) Seleção dos descritores

A fim de abranger os sujeitos e o tema de interesse deste estudo, foram selecionados na BVS os descritores que melhor traduzissem o objeto de estudo a partir de seus conceitos, a fim de permitir uma busca ampla, porém direcionada. A opção de realizar a busca a partir dos descritores possibilita a inclusão de todas as bases de dados integrantes da BVS simultaneamente, não sendo necessário restringir quais bases seriam pesquisadas. As bases de dados que surgiram nos resultados de busca foram MEDLINE, LILACS e IBECS. Foram utilizados os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), edição de 2011.58 A busca dos descritores foi realizada de forma a captar três aspectos centrais do objeto de estudo: estado nutricional; faixa etária; e estratégias de educação em saúde. De acordo com cada aspecto, foram selecionados os seguintes descritores:

(25)

o Obesidade: Estado no qual o peso corporal está grosseiramente acima do peso aceitável ou ideal, geralmente devido a acúmulo excessivo de gorduras no corpo. Os padrões podem variar com a idade, sexo, fatores genéticos ou culturais. Em relação ao Índice de Massa Corporal, um IMC maior que 30,0 kg/m2 é considerado obeso e um IMC acima de 40,0 kg/m2 é considerado morbidamente obeso (obesidade mórbida).

o Sobrepeso: Condição na qual o peso corporal está acima do peso aceitável ou ideal. Em relação ao índice de massa corporal, o sobrepeso é definido por um IMC de 25,0 a 29,9 kg/m2. O sobrepeso pode ou não ser devido ao aumento de gordura no corpo (tecido adiposo) e, portanto, sobrepeso não equivale a "excesso de gordura".

• Faixa etária:

o Adolescente: Pessoa com idade entre 13-18 anos. o Criança: Pessoa de 6 a 12 anos de idade.*

• Estratégias de educação em saúde:

o Educação Alimentar e Nutricional: Educação das pessoas visando uma melhoria geral do estado nutricional através da promoção de hábitos alimentares adequados, eliminação de práticas dietéticas inadequadas, introdução de melhores práticas de higiene dos alimentos e um uso mais eficiente dos recursos alimentares.

o Educação da População: Transmissão de conhecimentos científicos e técnicos necessários para que a comunidade possa avaliar e tomar decisões sobre temas que afetam a sociedade, de forma a permitir uma participação mais equitativa e responsável do cidadão. A ciência como integrante social da cultura, deve ocupar um lugar de destaque na educação.

o Educação em Saúde: A educação em saúde objetiva desenvolver nas pessoas um sentido de responsabilidade, como indivíduo, membro de uma família e de uma comunidade, para com a saúde, tanto individual como coletivamente.

o Promoção da Saúde: Promoção da saúde é o processo de capacitação do indivíduo em melhorar e controlar sua saúde. Para alcançar o estado de

* Como a faixa etária utilizada pela BVS para designar o adolescente difere da utilizada neste estudo, que é a recomendada pela OMS (10 a 19 anos), foi necessário incluir também o descritor “criança” a fim de garantir na busca dos artigos, a inclusão dos adolescentes de 10 a 12 anos.

(26)

completo bem-estar físico, mental e social, um indivíduo ou grupo deve ser capaz de identificar aspirações, satisfazer necessidades e mudar ou lidar com seu ambiente. Saúde é vista, portanto, como um meio de vida e não um objetivo. Política de promoção de saúde envolve abordagens diversas, mas complementares, levando em conta as diferenças sociais, culturais e econômicas de cada país.

o Educação de Pacientes como Assunto: Ensino e treinamento de pacientes em relação às suas próprias necessidades de saúde.

o Conduta de Saúde: Comportamentos através dos quais os indivíduos protegem, mantém e promovem o próprio estado de saúde. Por exemplo, dieta e exercícios apropriados são vistos como atividades que influenciam o estado de saúde. O estilo de vida está intimamente relacionado com a conduta de saúde e é, por sua vez, influenciado por fatores socioeconômicos, educacionais e culturais.

o Assistência Integral à Saúde: Provisão de todo tipo assistência individualizada de saúde para diagnóstico, tratamento, acompanhamento e reabilitação de pacientes.

B) Estratégias de busca

A pesquisa na BVS foi realizada via descritores, os quais foram cruzados de todas as formas possíveis, conforme apresentado no Quadro 1, o qual aponta também o número total de publicações encontradas em cada estratégia de busca em cada base de dados.

Quadro 1 – Estratégias de busca utilizadas na base de dados (BVS).

Número de estudos encontrados Esratégia Cruzamento dos descritores

LILACS MEDLINE IBECS Total

A1 Obesidade + Adolescente +

Educação Alimentar e Nutricional 2 2 1 5

A2 Obesidade + Adolescente + Educação da População 0 0 0 0 A3 Obesidade + Adolescente + Educação em Saúde 15 16 2 33 A4 Obesidade + Adolescente + Promoção da Saúde 46 20 9 75 A5 Obesidade+Adolescente+Educação

de Pacientes como Assunto 6 4 1 11

A6 Obesidade + Adolescente +

Conduta de Saúde 43 30 3 76

A7 Obesidade + Adolescente +

Assistência Integral à Saúde 0 1 0 1

B1 Sobrepeso+ Adolescente +

Educação Alimentar e Nutricional 1 1 0 2

(27)

Educação da População B3 Sobrepeso+ Adolescente + Educação em Saúde 2 5 1 8 B4 Sobrepeso+ Adolescente + Promoção da Saúde 9 8 2 19 B5 Sobrepeso+Adolescente+Educação

de Pacientes como Assunto 0 2 0 2

B6 Sobrepeso+ Adolescente +

Conduta de Saúde 12 18 3 33

B7 Sobrepeso+ Adolescente +

Assistência Integral à Saúde 1 0 0 1

C1 Obesidade + Criança + Educação

Alimentar e Nutricional 3 2 0 5

C2 Obesidade + Criança + Educação

da População 0 0 0 0

C3 Obesidade + Criança + Educação

em Saúde 25 19 2 46

C4 Obesidade + Criança + Promoção

da Saúde 65 37 5 107

C5 Obesidade + Criança + Educação

de Pacientes como Assunto 4 8 0 12

C6 Obesidade + Criança + Conduta de

Saúde 33 29 3 65

C7 Obesidade + Criança + Assistência

Integral à Saúde 0 1 0 1

D1 Sobrepeso+ Criança + Educação

Alimentar e Nutricional 0 1 0 1

D2 Sobrepeso+ Criança + Educação

da População 0 0 0 0

D3 Sobrepeso+ Criança + Educação

em Saúde 5 3 0 8

D4 Sobrepeso+ Criança + Promoção

da Saúde 8 9 1 18

D5 Sobrepeso+ Criança + Educação

de Pacientes como Assunto 2 1 0 3

D6 Sobrepeso+ Criança + Conduta de

Saúde 8 9 2 19

D7 Sobrepeso+ Criança + Assistência

Integral à Saúde 1 0 0 1

Total 291 226 35 552

3.1.3.4 Seleção e Avaliação dos Estudos

Para seleção dos estudos realizou-se a leitura criteriosa dos títulos e resumos das publicações localizadas pelas estratégias de busca, a fim de verificar a adequação aos critérios de inclusão. A partir das estratégias de busca utilizadas, foi obtido inicialmente um total de 552 estudos. Após a leitura dos títulos e resumos dos mesmos, 523 artigos foram excluídos, pelos motivos apontados no Quadro 2. Nos casos em que a pesquisadora apresentava dúvidas quanto à adequação dos trabalhos aos critérios de inclusão, recorria à discussão com um segundo revisor a fim de selecioná-los com maior segurança.

(28)

Quadro 2 – Número e motivo de exclusão dos artigos em cada estratégia de busca. E st ra g ia N ã o d es cr ev ia m a çõ es d e ed u ca çã o e m s a ú d e. P u b li ca çõ es a n te ri o re s a j a n ei ro d e 2 0 0 5 . F a ix a e ri a n ã o co rr es p o n d ia R es u m o s d e co n g re ss o s, e d it o ri a is e o p in es R ev is õ es d e li te ra tu ra R ep et id o s S el ec io n a d o s T o ta l A1 3 - - - 2 5 A2 - - - 0 A3 20 2 2 2 2 5 33 A4 51 - 4 3 6 - 11 75 A5 6 - 1 - 1 1 2 11 A6 59 - 6 - 3 6 2 76 A7 - - - - 1 - - 1 B1 2 - - - 2 B2 - - - 0 B3 3 - - - - 4 1 8 B4 9 - 3 - 2 4 1 19 B5 - - - 2 - 2 B6 29 - - - 1 3 - 33 B7 1 - - - 1 C1 4 - - - 1 5 C2 - - - 0 C3 31 - 6 - 2 5 2 46 C4 78 5 10 - 4 9 1 107 C5 10 - - - 1 1 - 12 C6 56 1 1 - 6 1 - 65 C7 1 - - - 1 D1 1 - - - 1 D2 - - - 0 D3 5 - - - - 3 - 8 D4 6 - 1 - 5 6 - 18 D5 2 - - - 1 3 D6 13 - - - 3 3 - 19 D7 1 - - - 1 Total 391 8 32 5 37 50 29 552

A fim de garantir a qualidade metodológica dos estudos selecionados, os mesmos foram submetidos a uma análise crítica através do formulário padronizado Critical Appraisal Skills Programme (CASP), que traça diretrizes para a avaliação da qualidade de pesquisas científicas.59

O CASP é composto por 10 itens, que permitem classificar os artigos em categorias, de acordo com a estrutura metodológica. Os estudos foram classificados em categorias A e B.

(29)

Categoria A: Significa que têm baixo risco de viés. Atendem até, pelo menos, seis dos 10 itens propostos.

Categoria B: Atendem pelo menos cinco dos 10 itens propostos. Significa que atendem parcialmente os critérios adotados, apresentando risco de viés moderado e seriam portanto, excluídos desta revisão.

Os critérios adotados são os seguintes: 1) objetivo claro e justificado; 2) desenho metodológico é apropriado aos objetivos; 3) os procedimentos metodológicos são apresentados e discutidos; 4) seleção da amostra intencional; 5) coleta de dados descrita, instrumentos explicitados; 6) a relação entre pesquisador e pesquisado é considerada; 7) cuidados éticos; 8) análise densa e fundamentada; 9) resultados são apresentados e discutidos, apontam para o aspecto da credibilidade; 10) discorrem sobre as contribuições e implicações do conhecimento gerado pela pesquisa, bem como suas limitações. Nas pesquisas quantitativas, no ítem 4 considerou-se o cálculo amostral descrito.

Finalmente, foram selecionados 29 artigos científicos que descreviam ações de educação em saúde para prevenção e/ou tratamento de obesidade ou sobrepeso entre adolescentes.

O Quadro 3 apresenta a descrição dos estudos incluídos nesta revisão integrativa, segundo autor(es), título, base de dados, periódico, país e ano de publicação. Por questão de organização, os trabalhos foram ordenados alfabeticamente, considerando o nome do primeiro autor de cada trabalho.

Quadro 3 - Descrição dos estudos incluídos na revisão integrativa, segundo autor(es), título, base de dados, periódicos, país e ano de publicação.

Nº Autor(es) Título Base de

dados Periódico País Ano

1 Briancon S; Bonsergent E; Agrinier N; et al. + PRALIMAP Trial Group

PRALIMAP: study protocol for a high school-based, factorial cluster randomised interventional trial of three overweight and obesity prevention strategies.

MEDLINE Trials França 2010

2 Davee AM; Blum JE; Devore RL; Beaudoin CM; et al.

The vending and a la carte policy intervention in Maine public high schools.

MEDLINE Rev Chronic Dis Estados Unidos 2005 3 Davis JN; Tung A; Chak SS; et al.

Aerobic and strength training reduces adiposity in overweight Latina adolescents. MEDLINE Med Sci Sports Exerc Estados Unidos 2009

(30)

4

Epstein LH; Paluch RA; Beecher MD; et al

Increasing healthy eating vs. reducing high energy-dense foods to treat pediatric obesity. MEDLINE Obesity (Silver Spring) Estados Unidos 2008 5 Ezendam NP; Oenema A; van de Looij-Jansen PM et al

Design and evaluation

protocol of [quot

FATaintPHAT, a computer-tailored intervention to prevent excessive weight gain in adolescents. MEDLINE BMC public health Holanda 2007 6 Flattum C; Friend S; Neumark-Sztainer D; et al Motivational interviewing as a component of a school-based obesity prevention program for adolescent girls.

MEDLINE J Am Diet Assoc Estados Unidos 2009 7 Franks A; Kelder SH; Dino GA; et al School-based programs: lessons learned from CATCH, Planet Health, and Not-On-Tobacco. MEDLINE Prev Chronic Dis Estados Unidos 2007 8 Gentile DA; Welk G; Eisenmann JC; et al Evaluation of a multiple ecological level child obesity prevention program: Switch what you Do, View, and Chew.

MEDLINE BCM med Estados

Unidos 2009 9 Goh YY; Bogart LM; Sipple-Asher BK; et al Using community-based participatory research to identify potential interventions to overcome barriers to adolescents' healthy eating and physical activity. MEDLINE J Behav Med Estados Unidos 2009 10 Lubans DR; Morgan PJ; Dewar D; et al

The Nutrition and Enjoyable Activity for Teen Girls (NEAT girls) randomized controlled trial for adolescent girls from disadvantaged secondary schools: rationale, study protocol, and baseline results. MEDLINE BMC public Health Austrália 2010 11 Mathews LB; Moodie MM; Simmons AM; et al

The process evaluation of It's Your Move!, an Australian adolescent community-based obesity prevention project.

MEDLINE BMC public health Australia 2010 12 Martelo S. Efeitos da educação nutricional associada à prática de exercício físico supervisionado sobre indicadores da composição corporal e marcadores bioquímicos em adolescentes com excesso de peso.

Lilacs Nutrire: rev. Soc. Bras. Alim. Nutr Brasil 2009

(31)

13 Martinez-Gomez D; Gomez-Martinez S; Puertollano MA; et al + EVASYON Study Group

Design and evaluation of a treatment programme for Spanish adolescents with overweight and obesity. The EVASYON Study. MEDLINE BMC public health Espanha 2009 14 Martinez MI; Hernandez MD; Ojeda M; et al Development of a program of nutritional education and valuation of the change of healthful nourishing habits in a population of students of Obligatory Secondary Education MEDLINE Nutrición Hospitalaria Espanha 2009 15 Maynard MJ; Baker G; Rawlins E; et al Developing obesity prevention interventions among minority ethnic children in schools and places of worship: The DEAL (DiEt and Active Living) study. MEDLINE BMC public health Inglaterra 2009 16 Neiger BL; Thackeray R; Hanson CL; et al

A policy and environmental response to overweight in childhood: the impact of Gold Medal Schools

MEDLINE Prev Chronic Dis Estados Unidos 2008 17 Neumark-Sztainer D; Flattum CF; Story M; et al Dietary approaches to healthy weight management for adolescents: the New Moves model. MEDLINE Adolesc Med State Art Rev Estados Unidos 2008 18 Neumark-Sztainer D; Haines J; et al

'Ready. Set. ACTION!' A theater-based obesity prevention program for children: a feasibility study.

MEDLINE Health Educ Res Estados Unidos 2009 19 Rodrigues EM; Boog MCF Problematizacão como estratégia de educacão nutricional com adolescentes obesos

LILACS Cad Saude

Publica Brasil 2006 20 Saksvig BI; Catellier DJ; Pfeiffer K; et al

Travel by walking before and after school and physical activity among adolescent girls. MEDLINE Arch Pediatr Adolesc Med Estados Unidos 2007 21 Shrewsbury VA; Nguyen B; O'Connor J; Steinbeck KS; et al Short-term outcomes of community-based adolescent weight management: The Loozitge; Study. MEDLINE BMC pediatric Australia 2011 22 Silva DAS; Petroski EL; Pelegrini A. Da evidência à intervenção: programa de exercício físico para adolescentes com

LILACS

Rev. bras. ativ. fís. saúde

(32)

excesso de peso em Florianópolis, SC 23 Singh AS; Chin A; Paw MJ; et al

Design of the Dutch Obesity Intervention in Teenagers (NRG-DOiT): systematic development,

implementation and

evaluation of a school-based intervention aimed at the prevention of excessive weight gain in adolescents.

MEDLINE BMC public health Holanda 2006 24 Spruijt-Metz D; Nguyen-Michel ST; Goran MI; et al

Reducing sedentary behavior in minority girls via a theory-based, tailored classroom media intervention.

MEDLINE Int J Pediatr Obes Estados Unidos 2008 25 Tanas R; Marcolongo R; Pedretti S; et al A family-based education program for obesity: a three-year study.

MEDLINE BMC

Pediatr Italia 2007

26 Thompson-Reid PE

Engaging and mobilizing community members to prevent obesity among adolescents. MEDLINE Prev Chronic Dis Estados Unidos 2009 27 Vargas IC; Sichieri R; Sandre-Pereira G; et al Evaluation of an obesity prevention program in adolescents of public schools. MEDLINE Revista de saúde pública Brasil 2011 28 Wille N; Erhart M; Petersen C; et al

The impact of overweight and obesity on health-related quality of life in childhood--results from an intervention study. MEDLINE BMC Public Health. Alemanha 2008 29 Williamson DA; Champagn CM; Harsha D; et al

Louisiana (LA) Health: design and methods for a childhood obesity prevention program in rural schools.

MEDLINE Contemp Clin Trials

Estados

Unidos 2008

3.1.3 EXTRAÇÃO DOS DADOS

Para orientar a sistematização da extração dos dados foi utilizado um instrumento proposto e validado por Ursi60 destacando dados relevantes relativos à publicação:

• Identificação: Título do artigo; Título do periódico; Autores; País; Idioma; Ano de publicação.

• Características metodológicas do estudo: Tipo de publicação; Objetivo ou questão de investigação; Amostra; Tratamento dos dados; Intervenções realizadas;

(33)

Resultados; Análise; Implicações; Nível de evidência de acordo com a Oxford Centre for Evidence-Based Medicine.

• Avaliação do rigor metodológico (pontuação obtida). 3.1.4 INTERPRETAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

As ações de educação em saúde descritas nos trabalhos selecionados foram categorizadas e analisadas a partir exploração dos seguintes aspectos:

A. Metodologia de trabalho com os adolescentes

• Abordagem: Individual; Em grupo; Individual e em grupo; Indireta (através de modificações ambientais);

• Técnicas de ensino-aprendizagem utilizadas; B. Focos de intervenção;

C. Locais de realização das atividades; D. Resultados das intervenções.

Tais aspectos foram selecionados com base no “Manual para operacionalização das ações educativas no SUS” o qual descreve as etapas necessárias para o planejamento de ações educativas em saúde.61

3.2 Segundo artigo: Diagnósticos de Enfermagem em adolescentes com excesso de peso.

3.2.1 TIPO DE ESTUDO

Trata-se de um estudo quantitativo, transversal, que visou identificar os diagnósticos de enfermagem em adolescentes com excesso de peso da rede publica de ensino da cidade do Recife.

O termo transversal pretende dar a idéia de um corte no fluxo histórico da doença e o estudo das características apresentadas por ela naquele momento. Apresenta como vantagem o baixo custo, alto potencial descritivo e simplicidade analítica. No entanto, os seus resultados não são indicativos de sequência temporal e as conclusões derivadas da análise de estudos de prevalência restringem-se a relações de associação, e não de causalidade.62,63

As investigações epidemiológicas de cunho descritivo têm o objetivo de informar sobre a distribuição de um evento na população, em termos quantitativos, expressando as respectivas frequências de modo apropriado, servindo de base ao prosseguimento de pesquisas sobre o assunto.62,63

(34)

3.2.2 ÁREA DE ESTUDO

A pesquisa foi realizada partindo-se da utilização do banco de dados de estudo de base populacional que forneceu subsídios para a construção da tese de doutorado, intitulada “Transtornos do comportamento alimentar em escolares da cidade do Recife, PE”,64 composto por características antropométricas, sócio-econômico-demográficas e psicológicas dos escolares; financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)*.

3.2.3 POPULAÇÃO E AMOSTRA

A população do estudo que gerou o banco de dados incluiu alunos de 10 a 14 anos inclusive, de ambos os sexos, de escolas públicas e privadas da cidade do Recife, Estado de Pernambuco, que ofereciam de 6ª ao 9ª ano do ensino fundamental no período de outubro a dezembro de 2007. Segundo o censo escolar do ano de 2007, a cidade do Recife possuía em sua rede oficial de ensino 930 escolas que contemplavam o ensino fundamental, sendo 674 estabelecimentos da rede pública.

O tamanho amostral foi calculado a partir da fórmula [n= z2.p.(1-p)/d2], onde “z” representa o nível de confiabilidade desejada (95%), “p” a prevalência estimada de excesso de peso (19,5%)18 e “d” a margem de erro aceitável de 3%. O processo de seleção da amostra foi do tipo poli-etapas, cujas unidades amostrais foram a escola (1ºconglomerado), turno (2º conglomerado), turma (3º conglomerado) e escolar (4º conglomerado). O “n” amostral foi ajustado pelo efeito do desenho do estudo, mediante o uso de um fator de correção amostral65 da ordem de 2,1 totalizando um número mínimo de 1403 escolares. Para corrigir eventuais perdas ou recusas, esse valor foi acrescido em 5%, perfazendo uma amostra em torno de 1473 escolares. No entanto, 1507 escolares participaram do estudo, oferecendo maior consistência na representatividade da população.

A amostra foi obtida a partir da seleção dos conglomerados e escolares por meio do uso de uma tábua de números aleatórios e respeitando-se o limite mínimo de 40 unidades amostrais por escola.

A seleção de 29 escolas públicas e 11 privadas foi por amostragem aleatória estratificada, levando-se em consideração a proporcionalidade do número de escolas públicas e privadas da cidade do Recife, resultando no número de 1507 escolares, sendo 1074 da rede pública e 433 da rede privada.

*

(35)

Foram excluídos aqueles escolares que, embora matriculados, não estavam frequentando regularmente as atividades letivas; escolares com deficiência física que interferisse na avaliação antropométrica; e escolares que necessitavam fazer dieta especial por problema de saúde ou cujas famílias adotavam uma forma especial de dieta, culturalmente diversa da adotada em nossa região geográfica.

A amostra do presente estudo correspondeu a todos os escolares de 10 a 14 anos da rede pública de ensino da cidade do Recife, que participaram do estudo supracitado que originou o banco de dados, resultando em um total de 1074 adolescentes.

Considerando-se que no Brasil, o aumento da prevalência da obesidade é proporcionalmente mais elevado entre as famílias de baixa renda22,66,e que os hábitos de vida e fatores comportamentais podem apresentar-se diferentemente em estratos sócio-econômicos distintos22,66, optou-se por trabalhar com a população economicamente menos favorecida, em sua maioria pertencentes à rede pública de ensino.

3.2.4 VARIÁVEIS

As variáveis analisadas neste trabalho referem-se a aspectos sociais, comportamentais, psicológicos e antropométricos dos adolescentes, os quais podem estar associados ao desenvolvimento do excesso de peso; e que foram abordadas no questionário do estudo que originou o banco de dados (ANEXO A).

3.2.4.1 Dependente

Para análise, os indivíduos com sobrepeso foram agrupados aos obesos, sendo classificados na categoria de excesso de peso. e aqueles que não apresentavam sobrepeso nem obesidade, foram classificados como sem excesso de peso. Assim, o excesso de peso foi a variável dependente utilizada neste estudo.

O Sobrepeso foi definido quando o IMC (Índice de Massa Corpórea) esteve situado entre os percentis 85 e 95; e a obesidade quando o IMC esteve situado igual ou acima do percentil 95 segundo a classificação de Cole.67

Tal classificação de sobrepeso e obesidade, obtida a partir do cálculo do IMC, é recomendada pela International Obesity Task Force e possibilita a comparação dos resultados com outros estudos, inclusive no âmbito internacional. O IMC é calculado a partir dos dados antropométricos de peso e altura, resultante da divisão do peso em quilogramas, pelo quadrado da altura, em metros (Kg/m2).68

Esta classificação apresenta uma curva com base em estudos populacionais realizados em 6 países (Brasil, Estados Unidos, Cingapura, Holanda, Hong-Kong e Reino Unido)

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