FATORES DE
Risco
PARA
MIQCÁRDIO
EM
INFARTO
AGUDO
DO
MULHERES
Trabalho apresentado à Universidade
Federal de Santa Catarina, para a
conclusão do Curso de
Gr
Medicina.
FLORIANÓPOLIS
_
SANTA CATARINA
2001
EATQRES
DE
Risco
PARA
INEARTO
AGUDQ
Do
M1ocÁRD1o
EM
MULHERES
Trabalho apresentado à Universidade
Federal de Santa Catarina, para a conclusão do
Medicina.
Coordenador
do
Curso:
Prof. Dr.Edson
JoséCardoso
Orientador:
Prof. Dr.Roberto
Henrique
HeinischCurso de Graduação
em
FLORIANÓPOLIS
-
SANTA CATARINA
Ao
término deste trabalho, gostaria sinceramente de agradecer:Aos meus
pais,PEDRO DE
ALCÂNTARA
FREITAS
eMARIA
BERNARDETE
DA
SILVA
FREITAS,
que sempre
estiveram aomeu
lado,dando-me
amor, apoio, orientação, e todo o restante necessário paraque
eupudesse
chegaraonde
estou hoje.Ao
meu
querido orientador, Prof.ROBERTO HENRIQUE
HEINISCH,
que
apesar
de
tão atarefado, realmenteme
orientou neste trabalho,merecendo
omeu
respeito pela sua dedicação à profissão e ao ensino, e a
minha
gratidão pelo seu apoio constante e produtivo.Ao
Dr.ILNEI
PEREIRA
FILHO,
médico
cardiologistada
Unidade
Coronariana
do
Instituto de Cardiologiado
Estado de Santa Catarina epesquisador responsável pela aplicação
do
protocolodo
estudoAFIRMAR
no
local,
que
gentilmente cedeu os protocolos para a realização deste estudo,além
de
referências para análise dos dados.Ao
atualmédico
residenteem
cardiologia Dr.GUILHERME
LOUREIRO
FIALHO,
cujo trabalho de conclusão de curso apresentado a esta universidadeno ano
de1999
serviu demodelo
para a realização emontagem
deste trabalho.Aos meus
amigos
JANAINA
RAQUEL
ZIZEMER,
F
RANCIELE
NORMA
MINOTTO
eLEONARDO SALVADOR
GASPAR,
pelaamizade
ecompanheirismo
constantes.Meu
dia-a-dia se tornamuito mais
alegrecom
vocês por perto.
A
todos os pacientes, ilustres desconhecidos,que
permitiram a intromissãoem
suas vidas,respondendo
a inúmeras perguntas,mesmo
em
momentos
difíceisde suas vidas.
1 - Introdução -~--
2
- Objetivo --- -- 3 -Método
--- --4
- Resultados --- --~ 5 - Discussao --- -- 6 -Conclusão
--- -- 7 - Referências --- --Normas
Adotadas
Resumo
--- --Summary
--- --Apêndice
--- --Evidências atuais indicam que,
em
regiões tecnologicamente maisdesenvolvidas, a
doença
arterial coronariana(DAC)
é a principal causa demorbidade
e mortalidade nas mulheres.Nos
países desenvolvidos,mais
de50%
das mulheres
morrem
em
conseqüência dedoença
cardiovascular, e amorte
súbita ê responsável por
aproximadamente
35%
da mortalidade I.Em
1997 nosEstados
Unidos
daAmérica (EUA),
todas as doenças cardiovascularescombinadas
tiraram a vida de mais de 500.000 mulheres, sendo a coronariopatiaresponsável por cerca de 230.000 dessas mortes, superando a mortalidade por
todas as formas de câncer juntos 2. Estima-se
que
para cada 2.000 mulheresacima
de50
anos,20
desenvolvem
e 12morrem
devido àDAC
a cada ano. Paraessa
mesma
amostragem,
11 mulheres apresentam fraturas decorrentes daosteoporose, seis
desenvolvem
câncer demama
e três apresentam câncer uterinoou
endometrial 3.No
Brasil, adoença
cerebrovascular(em
primeiro lugar) e adoença
isquêmica
do
coração(em segundo
lugar), são as principais causas demorbimortalidade nas mulheres, seguida das neoplasias malignas e das doenças
respiratórias 3.
Dados
do
SistemaÚnico
deSaúde (SUS)
indicamque
o infartoagudo do
miocárdio(IAM)
foi responsável por 23.392 mortesno
sexo femininono ano
de1998
4.._-f
Nas
últimas décadas, os avanços tecnológicos e terapêuticostêm
afetadosubstancialmente a história natural da
DAC,
sendoem
grande parte responsáveispela diminuição
da
sua morbimortalidade 5. Outros fatores associados a essaqueda
incluem modificaçõesno
estilo de vida e nos fatores de risco,que
sua incidência
em
alguns locais 6.A
redução na mortalidade entre mulherescom
DAC,
no
entanto,tem
sidomenor
que entre oshomens
5.A
doença
coronariana nas mulheres apresentaalgumas
particularidadescom
relação ao sexo.
Em
primeiro lugar, elacostuma
se manifestar cerca de dez anosmais tarde
em
relação ao sexo masculino, fato esteque
parece ser devido àproteção estrogênica nas mulheres na
pré-menopausa
7.De
fato, a incidência decoronariopatia
aumenta
significativamente na pós-menopausa,mas
é baixa napré-menopausa
e nas mulheres napós-menopausa
querecebem
terapia dereposição
hormonal
(TRH)
'.O
aumento
da freqüência ocorre progressivamentecom
o avançar da idade, tornando-se semelhante ado
sexo masculino por voltados 75 anos de idade 7.
A
mortalidade é duas a três vezesmaior
nas mulherescom
IAM,
principalmente nas mulheres negras.Do mesmo
modo,
é pior oprognóstico nas mulheres submetidas à angioplastia e à cirurgia de
revascularização coronária 1.
Dados
daAmerican Heart
Association(AHA)
mostram
que
42%
das mulheres que sofremum
infartomorrem
dentro deum
ano,
comparado
com
24%
dehomens.
Durante os primeiros seis anos depois deum
IAM,
a taxa de reinfarto é de35%
para o sexo feminino e18%
para o masculino 2.A
causa demaior
mortalidade nas mulheres é desconhecida,mas
pode
ser devida auma
série de fatores que incluem desde o escassoconhecimento
da fisiopatologia dadoença
coronarianano
sexo feminino até otratamento inadequado
ou
mesmo
tardio l.A
ênfase ao controle dos fatores de riscotem
recebidomaior
atençãoem
resposta ao montante de evidências
demonstrando que
estratégias de prevençãoreduzem
o risco de primeiros eventos coronarianos, assimcomo
o risco deeventos coronarianos subseqüentes e o de mortalidade 8.
Os
principais fatores derisco para
DAC
em
mulheres são o tabagismo, a hipertensão arterial sistêmicaEmbora
muitos fatores de risco sejam similaresem
homens
e mulheres, hádiferenças quantitativas entre os sexos,
com
relação ao efeito desses fatores. Porexemplo, o
DM
é associadocom
uma
elevaçãodo
risco dedoença
coronarianaem
três a seis vezesem
mulheres,comparada
com
uma
elevação de duas a três vezes noshomens.
Outros fatores de risco queparecem
estar associados àcoronariopatia tanto
em
homens
quantoem
mulheres incluem fatores genéticos,sócio-econômicos, psicológicos, alcoolismo, além de fatores trombóticos,
hemostáticos e marcadores inflamatórios 9.
Ainda
há os fatores de riscopresentes exclusivamente nas mulheres,
que
são a utilização de anovulatórios, ostatus estrogênico e a
TRH
lo.Estudos de controle farmacológico de
HAS
e hipercolesterolemia,que
incluiram mulheres, apresentam dados
que
comprovam
a importância dessesfatores de risco.
O
controle de hipertensão arterial sistólica isoladano
estudoSHEP
(SystolicHypeflension
in the Elderly Program),com
57%
de mulheres,através de diurético e betabloqueador, diminuiu
em
25%
a ocorrência de eventoscardiovasculares fatais e não-fatais “.
Dados
do
estudo4S
(ScandinavianSimvastatin Survival Study)
documentaram
o beneficio da terapiahipolipemiante para mulheres, que correspondiam a
19%
dos casos incluídos,em
prevenção secundáriapós-IAM
'2.No
estudoCARE
(Cholesterol and
Recurrent Events), as mulheres representavam
14%
da amostra, e a redução deeventos coronarianos
com
a terapia hipolipemiantepós-IAM
foi maisproeminente para o sexo feminino do que para o masculino I3.
O
déficit de informações sobre adoença
coronarianano
sexo femininopode
ser explicado pelo fato de que, até há alguns anos atrás, a maioria dos estudos
clínicos
eram
realizadossomente ou predominantemente no
sexo masculino. Várias razõespoderiam
explicar esse fato, incluindo a falsa idéia de que acardiovasculares
em
mulheres jovens e de condutas e tratamentos nãosemelhantes aos utilizados
em
homens
com
osmesmos
sintomas 1. Foiprincipalmente a partir das diretrizes
recomendadas
peloFood
and
Drug
Adlnínisíration
(FDA)
e pelo National Instltutes o_fHealth(NIH)
em
I993,onde
se deveria incluir as mulheres nos estudos,
que
a prática de exclusão dessegrupo
começou
a diminuir substancialmente.Como
conseqüência,tem
havidouma
explosão de interesses sexo-específicos, e os estudos agora são planejados paraincluir
números adequados
de mulheres a fim de assegurar que as diferençasentre os sexos sejam avaliadas 5.
Diante da importância da
doença
coronarianacomo
causa demorbimoitalidade
no
sexo feminino e da escassez de estudos sobre esse grupode pacientes
em
nosso país, este trabalho tevecomo
objetivo procurarestabelecer quais os principais fatores de risco associados
com
IAM
em
mulheres no nosso meio, tentando, dessa forma, obterum
perfil maisfldedigno
de nossa população, para que se possa elaborar melhores estratégias de prevenção e tratamento dessa doença.Em
uma
casuística de mulheres internadasem
hospitais daGrande
Florianópolis, este estudo teve
como
objetivo analisar o risco deIAM,
atravésda
verificação da força de associação de fatores de risco cardiovascularesem
Casuística
Estudo
realizadocom
46
mulheres internadasem
hospitaisda
Grande
Florianópolis
no
período dedezembro
de 1997 a abril de 2000.Foram
selecionados aleatoriamente dois grupos:
um
composto
pelos casos e outro peloscontroles.
Os
casos estudadosforam
pacientes portadoras deum
primeiroIAM
transmural, internadas
no
Hospital Universitário(HU)
da
Universidade Federalde Santa Catarina
(UFSC)
ou no
Instituto de Cardiologiado
Estado de SantaCatarina
(INCA),
localizadono
Hospital Regional deSão
José (HRSJ).Como
controles
foram
incluídas pacientes internadas por motivos diversosno
HU
da
UFSC
ou no
HRSJ, sem
história atualou
pregressa dedoença
coronariana ecom
eletrocardiograma normal.Critérios de seleção dos pacientes :
a)
Casos
~
Critérios
de
inclusao:Primeiro
IAM
transmural, internadacom
até24
horasdo
início dossintomas,
sem
limite de idade.~
Como
definiçao
deIAM
transmural incluiu-se pelomenos
dois dos trêsseguintes critérios:
0 Eletrocardiograma de 12 derivações
com
elevaçãodo segmento
ST
maior ou
igual a 0,1
mV
em
duasou
mais derivações periféricas,ou maoir ou
igual a 0,2mV
em
duasou mais
derivações precordiais contínuas;ou
bloqueiocompleto
deramo
esquerdo.0
Aumento
enzimáticoem
pelomenos
duas vezes o valornormal
praticadono
laboratório.Critérios
de
exclusão:0
Doença
valvar.0
Doença
crônica consumptiva.b) Controles
~
Critérios
de
inclusao:Pacientes internadas para tratamento
ou
investigação diagnóstica noshospitais citados anteriormente,
sem
antecedentes aparentes dedoença
cardiovascular,
com
eletrocardiograma normal, pareadas por idadecom
oscasos.
Critérios
de
exclusão:0 Diagnóstico prévio de doenças cardiovasculares, incluindo
doença
vascular periférica e cerebral.0
Doença
crônica consumptiva.0
Mudança
recente (trinta dias) nos hábitos alimentares.0 Eletrocardiograma de 12 derivações
com
ondasQ
patológicas, alteraçõesno
atrioventricular, taquiarritmias exceto ectopia atrial isolada,
ou
hipertrofiaventricular.
Procedimentos
Delineamento do
Estudo :Estudo
observacional,do
tipo caso-controle,onde
acomparação
inferencialenvolveu o nível de exposição dos casos
do
sexo femininoem
relação aoscontroles
do
mesmo
sexo.Validação
do
Protocolo :O
método
de estudo foi baseadono
protocolodo
Estudo “Avaliação dosFatores de Risco para Infarto
Agudo
do
Miocárdiono
Brasil”(AFIRMAR)
(Apêndice), enviado pelo Instituto de Cardiologia
Dante
Pazzanese (São Paulo)I4. Este, por sua
vez, inspirou-se
num
estudo caso-controle realizado por Pais ecolaboradores 15,
em
1996, que tinhacomo
objetivo avaliar os fatores de riscopara
IAM
em
indianos.Ficha de Coleta de
Dados
:Após
consentimento informado, as informaçõesforam
registradasem
um
formulário padrão.
Em
todas as participantesforam
colhidos osdados
de idade,raça, escolaridade, renda familiar, reposição hormonal, detalhes
do
consumo
deálcool e cigarro, história familiar
comprovada
de insuficiência coronariana,circunferência
mínima
da
cintura emáxima
do
quadrilforam
registrados para cada pessoa.Os
exames
de laboratório de glicemia, triglicerídeos e colesteroltotal e frações
em
jejum foram
obtidos das participantes.Foram
utilizados certos critérios paramaior
precisão das informações:0
Renda
familiar: foi incluída a renda de todas as pessoasque viviam
sob omesmo
teto.Foram
classificadasnum
grupo aquelasque
apresentavam rendafamiliar
acima
deR$
600,00 mensais e,em
outro grupo, aquelascom
rendafamiliar igual
ou
inferior a esse valor.0 Escolaridade:
foram
diferenciadasna
mesma
categoria todas aquelasque não
apresentavam nível secundário (incluindo assim analfabetas, nível primário e
cursos profissionalizantes) daquelas
que
apresentavam,no mínimo, segundo
grau completo.
0
Fumante:
foi considerada fumante atual aquelaque
fumou
em
algum
momento
nos últimos seis meses.
0
Bebida
alcoólica: foi informado oconsumo
de álcool independenteda
quantidade e
do
tipo.Toda
aquelaque bebeu
duas vezesou
menos
porsemana
ou que
raramente bebia foi considerada namesma
categoria, assimcomo
aquelas
que bebiam
de três a seis vezes porsemana
ou
diariamentetambém
oforam.
ø Prática de exercícios físicos:
foram
considerados os exercícios extras,praticados de
forma
regular eque
não faziam parte das atividades rotineiras ediárias.
A
quantidademínima
foi de trinta minutos e a freqüência igualou
superior a duas vezes por semana. _
0
HAS
prévia: foi considerada hipertensa aquelacom
história pregressa deHAS
que
estava,ou
não,em
tratamento para tal enfermidade,ou
ainda aquelascom
pressão arterial sistólica
maior
ou
igual a 140mmHg
e/ou pressão arterial0
DM
prévio: foi considerada diabética aquelaque
estavaem
tratamentoou que
apresentava antecedente
comprovado
de hiperglicemia.0 Antecedentes familiares: apenas pais e irmãos
foram
considerados, pelomaior
grau de parentesco e, dessa, fonna, pelamaior
concordância genética.Foram
incluídos, por exemplo, coronariopatia
em
tratamento, passado deIAM,
stent,angioplastia e revascularização cirúrgica.
0 Resultados dos
exames
laboratoriais: para os casos, a coleta dos lipídeos foirealizada até
24
horasdo
início da dor,com
jejum
de 12 horasda
últimarefeição, e a glicose foi
medida
em
jejum
de 12 horas, entre o quinto e o oitavo dia de internação. Para os controles,foram
aceitas dosagens de lipídeos e glicosecom
12 horas de jejum, realizadas até 30 dias antesda
inclusãodo
pacienteno
estudo.
0 Foi calculado o Índice de
Massa
Corporal(IMC)
para todas as pacientes,através
da
relação entre o peso e o quadradoda
altura dasmesmas (IMC =
Peso/Altura2).
0 Para a
medida
em
centímetros da circunferênciamínima
da
cintura foi utilizadauma
fita métrica ao redor da parte mais estreita da cinturada
pacienteno
final deuma
expiração normal.Da mesma
maneira foimedida
acircunferência
máxima
do
quadril colocando-se a fita métrica ao redorda
partemais
largado
mesmo.
A
razão entre esses dois valores foi expressacomo
aMedida
Cintura/Quadril(MCQ).
0
Foram
considerados critérios para obesidade: a)IMC
maior ou
igual a30
Análise Estatística :
As
variáveis categóricas (por exemplo, escolaridade e renda familiar)foram
expressas por
número
e percentualdo
valor total, enquantoque
as variáveiscontínuas (por exemplo, idade e
IMC)
foram
representadascomo
amédia
dosvalores encontrados mais
ou
menos
um
desvio-padrão (DP).Como
métodos
decomparação
entre o grupo caso e o grupo controleforam
utilizados o Teste t
de
Student para as variáveis continuas e oQui-quadrado
(ouo Teste
Exato de
Fisher,quando
um
dos valores esperados eramenor
que
cinco), o
Odds
Ratio e o Intervalo deConfiança
de95%
para as variáveis categóricas. Considerou-se estatisticamente significanteum
valor deP
<
0,05.Para a
computação
e a análise dos dadosforam
empregados
o software Epi-Info 6.0® e o Microsoft Excell 97®.
Aspectos Éticos :
O
presente trabalho recebeu aprovaçãodo
Comitê
de Éticado
HospitalUniversitário
da
Universidade Federal de Santa Catarina,confonne
documento
emitido
em
08
dedezembro
de 1997.Recebeu
também
a aprovaçãodo Comitê
de
Éticaem
Pesquisaem
SeresHumanos
do
Instituto de Cardiologiado
Estado4.1. Características
Demográficas
eSócio-econômicas
No
período dedezembro
de 1997 a abril de 2000,foram
incluídas46
pacientes, sendo 23 destas as que sofreramum
primeiro infartoagudo do
miocárdio (grupo caso), e as 23 restantes internadas por outras doenças,
não
apresentando
doença
coronariana (grupo controle).As
característicasdemográficas e sócio-econômicas são apresentadas na Tabela I.
A
idademédia
geral foi de 55,2 anos, sendo de 56,2 anos para o grupo caso e 54,3 anos para o
grupo
controle.A
raça branca foi observadaem
100%
das mulheres nos doisgrupos.
A
renda familiartambém
não variou significativamente entre os grupos,sendo igual
ou
inferior aR$
600,00em
61,9%
(n=13) dos casos e38,1%
(n=8) dos controles.Foram
consideradoscomo
tendo nível secundárioou maior
deescolaridade
2l,7%
(n=5) dos casos e17,4%
(n=4) dos controles, ecomo
nívelmenor
que
o secundário (“inferior”)78,3%
(n=l8) e82,6%
(n=l9), respectivamente (P>
0,05).Tabela
I -Dados
demográficos e sócio-econômicos das mulherescom
infartoagudo do
miocárdio (grupo caso) e daquelassem
doença
coronariana (grupocontrole), internadas
em
hospitais daGrande
Florianópolis,no
período dedezembro
de 1997 a abril de 2000.Caso
Controle* POR*
I.C. 95%"` Total(11:23) (11:23) (n=4õ)
'1 * ‹ ' " "' ¬'‹ "W" _§
~
mu
Idade média (iDP';*) 56,2 (i13,2) 54,3 (i10,9) N.S8.§
NR"
NR
55,2(i12,0)Raça branca 100,0% 100,0% N.S.
NC¶
NC
100,0%Renda S R$600,00 61,9% 38,1% N.S. 2,4 0,6-9,7 45,7%
Escolaridade inferior 78,3% 82,6% N.S. 0,8 0,1-4,1 80,4%
odds ratio; 1 intervalo de confiança de 95%; * desvio-padrão; `
nao significativo; " não realizado;
¶ não calculável.
Fonte: protocolos do estudo
AFIRMAR
aplicados no HU/UFSC e no HRSJ, 1997-2000.4.2. Estilo
de
Vida
O
tabagismo foi encontradocomo
hábito atualem
47,8%
(n=11) daspacientes
do grupo
caso eem
4,3%
(n=1) daquelasdo grupo
controle,perfazendo
26,1%
(n=12)do
total de indivíduos(OR:
20,2;IC
95%:
2,1 a478,8), demonstrando-se diferença estatisticamente significativa entre os dois
grupos.
O
consumo
de bebida alcoólica foi idêntico entre os dois grupos:4,3%
(n=1) dos casos e dos controles
(OR:
1,0;IC
95%:
0,0 a 40,3)consumiam
álcoolde três a seis vezes por
semana ou
diariamente.A
prática regular de exercíciosfísicos esteve presente
em
13,0%
(n=3) dos casos e39,1%
(n=9) dos controles(OR:
4,3;IC
95%:
0,8 a 25,0),sem
haver diferença estatisticamente significante047,8 9 P
P
ig Freqüência (%) (D I 39,1 l ([¡]CasoE¡Control
. V Í 1 I V 4,343 43
‹:› , 5, ¡Tabagismo
Álcool
Exercícios E 1l
Figura 1: Freqüência dos hábitos tabagismo, consumo de bebida alcoólica e prática de exercícios fisicos em mulheres infartadas (gnipo caso) e sem doença coronariana (grupo controle), intemadas em hospitais da
Grande Florianópolis, no período de dezembro de 1997 a abril de 2000.
- Tabagismo: P < 0,05 - Álcool: P > 0,05
- Exercícios: P > 0,05
4.3.
Hipertensão
Arterial Sistêmica, Diabetes Mellitus e HistóriaFamiliar
A
Figura 2 mostraque
a história prévia deHAS
estevemais
presente entreas pacientes
do grupo
caso, manifestando-seem
69,6%
(n=16) deste grupo,contra
47,8%
(n=11) dos controles(OR:
2,5;IC
95%:
0,6 a 10,2),mas
essadiferença
não
foi estatisticamente significativa. Já a presença deDM
prévio foisignificativamente
mais
comum
entre os casos,uma
vezque
34,8%
(n=8) das mulheres destegrupo eram
sabidamente diabéticas, contra0%
do
outro grupoapresentou diferença significativa 'entre os grupos, sendo constatada
em
52,2%
(n=l2) dos casos e
34,8%
(n=8) dos controles(OR:
2,1;IC
95%:
0,5 a 8,1).80
, 69,6 r (%)Q
CJ U1 vwN
f ,47,8
i 1 ~f
34,8 8 4,8 l¡:1CfiS<> ' ` Ílg
Controle p â `HAS
DÍ,\/I IU*Freqüência
ly
-E
C
Figura 2: Freqüência de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), Diabetes Mellitus (DM) e História Familiar (HF) em mulheres infartadas (grupo caso) e sem doença coronariana (grupo controle), intemadas em hospitais da Grande Florianópolis, no período de dezembro de 1997 a abril de 2000.
- HAS: P > 0,05 - DM: P < 0,01 - HF: P > 0,05
4.4.
Dados
LaboratoriaisA
média
da
dosagem
do
colesterol total(CT)
semostrou
semelhante entre osdois grupos, sendo
um
pouco
menor
nos casos (202,4 mg/dl)em
relação aoscontroles (217,9 mg/dl).
A
dosagem
da fraçãoLDL
também
foi semelhante nosdois grupos, tendo
como
média
137,0 mg/dlno grupo
caso e l33,3'mg/dlno
grupo
controle. Já amédia
da
dosagem
da
fraçãoHDL
teve diferençaestatisticamente significativa, apresentando-se
menor
no grupo
caso (40,1mg/dl)
em
relação ao grupo controle (50,2 mg/dl).A
dosagem
média
demg/dl),
sem
haver diferençacom
significância estatística.A
glicemia teve ovalor de sua
média maior no
grupo caso (l43,l mg/dl)em
relação aogrupo
controle (103,7 mg/dl), sendo essa diferença estatisticamente significante
(Tabela II).
Tabela
II -Dados
laboratoriais(em
mg/dl) das mulherescom
infartoagudo do
miocárdio (grupo caso) e daquelas
sem
doença
coronariana (grupo controle),internadas
em
hospitais daGrande
Florianópolis,no
período dedezembro de
1997
a abril de 2000.TW
"T
*W
Í ICas‹ƒ(n=21) TIWÍÍóntfo1iéÍn;2*3)W T6ta1(n=421)"W
CT* -méd1a(¢DP*) 202,4 (¢49,o) 2i7,9(¢35,i)
Ns*
2ii,ó(i42,4)LDL"-
média (ÍDP) 137,0 (i42,o) i33,3(¢3o,3)Ns.
13ó,3(¢35,4)HDL'l mé‹1ia(¢DP) 40,1 (¢i0,3) 5o,2(ài3,ó)
<
0 oi 45,3(¬¿i3,2)TGCH
~ média (iDP) 120,0 (i66,4) 145,6(i53,6) N.S. l33,0(i61,4)Glicemia - média (iDP) 143,1 (i79,0) 103,7(i23,9)
<
0,05 1 l9,1(i56,1)-5%* _ _7__
'total de individuos (n), cujos valoreshibbratoriais foram dosados;
"L
colesšrol total; '*`
desvio-padrão;
` H **
š não
significativo; " lipoproteína de baixa densidade; ¶ lipoproteína de alta densidade; triglicerídeos.
Fonte: protocolos do estudo
AFIRMAR
aplicados no HU/UFSC e no HRSJ, 1997-2000.4.5.
Medidas
Antropométricas
A
Tabela III mostra que, classificando-se as pacientescom
relação àobesidade corporal
(IMC
2
30) eabdominal
(MCQ
>
0,8),não
se observoudiferenca estatisticamente significativa entre os grupos caso e controle.
No
grupo
caso,43,5%
(n=l0) pacientes tinham obesidade corporal el00,0%
(n=23)abdominal, contra respectivamente
43,5%
(n=l0) e91,3%
(n=21)no grupo
Tabela
Ill - Categorização dos valores antropométricos das mulherescom
infarto
agudo do
miocárdio (grupo caso) e daquelassem
doença
coronariana (grupo controle), internadasem
hospitais daGrande
Florianópolis,no
período dedezembro
de 1997 a abril de 2000.Caso Controle P
OR*
IC 95%"` Total(n:23) (n:23) (n=46) ii§21"Õ1z'3*õ“'" ` 43,5% ''''''
T
§§š%“T
i×1.'sÍͧ" ````` '"`i,o '" o,3"”ä"3›,s* ' 43,5% "Moo"
> 0,8 1oo,o% 91,3%Ns.
Nci
NC
95,7%Ã. _ __ ___. ___ ___. _. ._ ,__ _ _. _ _ ___... __ __ ..-__
‹›dzl.s' rrrtio; '
intervalo de confiança de 95%; *`
índice de massa corpórea; 'š
não significativo; rrmedida 11
cintura/quadril; “
não calculável.
Fonte: protocolos do estudo
AFIRMAR
aplicados no HU/UFSC e no HRSJ, 1997-2000.Quando
secomparou
amédia
dos valores antropométricos,não
houve
diferença estatisticamente significativa entre os grupos caso e controle
com
relação ao índice de
massa
corpórea. Já a diferença entre as médias damedida
cintura/quadril entre casos e controles foi estatisticamente significante. Estes
resultados são apresentados na Tabela IV.
Tabela
IV
- Valores antropométricos das mulherescom
infartoagudo do
miocárdio (grupo caso) e daquelas
sem
doença
coronariana (grupo controle),internadas
em
hospitais daGrande
Florianópolis,no
período dedezembro
de1997
a abril de 2000.ii 7
m**CasÓÍši*(n:`23) Tífíontréóíes (n¿2i3)* "W P iiiii"Ti¿›itiái1z(n=74i6)
T
nx/ic*Ímédià`(iDP*)"""` 2E,5(í5,‹í)“ 2i6Ç?"Í¢5,1)`"
Ns?
2ó,ó(¢5,i5)'iMCQ*
- média (ÍDP) 0,97(i0,09) (),9l(i0,09) < 0,05 0,94(i0,09) ..-?zz'z»_z _ _ _ zfzfzzz __ _ f f 7 T fzfzr À. ._.___zz: T z___`¬z L.- ' ;f_ ___ _ ízzff fff_ fz _ _ z ff _ »z____»z~ _ :zzzfffindice de massa coiporea; desvio-padrao: nao signiticativo; '
medida cintura/quadril. Fonte: protocolos do estudo AFIRMAR aplicados no HU/UFSC e no HRSJ_ 1997-2000.
A
terapia de reposiçãohormonal
esteve presenteem
4,3%
(n=l) dos casos e17,4%
(n=4) dos controles(OR:
4,6;IC
95%:
0,4 a 121,0),não
havendo
diferença significativa entre os dois grupos (Figura 3).
l 4 I l Freqüência (%) 1 ^ ,r l ¬<¿
10
' ¡4,3
7,4
TRH
ÍÍIÍEICaso
Controle
Figura 3: Freqüência de Terapia de Reposição Hormonal (TRH) em mulheres infaitadas (grupo caso) e sem doença coronariana (grupo controle), intemadas em hospitais da Grande Florianópolis, no período de
dezembro de 1997 a abril de 2000. - TRH: P > 0,05 4 ‹ 1 i 1 l
Os
dadosdo
presente estudodemonstraram que
alteraçõesem
certos fatoresde risco,
como
tabagismo, diabetes mellitus, glicemia alterada, HDL-colesterol diminuído emedida
cintura/quadril são significativamente mais freqüentesem
mulheres que
sofreramIAM
em
relação àquelas internadas por outras causas.Esses resultados encontrados
concordam
com
os de outros estudos jáamplamente
descritosna
literatura,onde
foram considerados importantes fatoresde risco para
doença
aterosclerótica coronariana '°.No
entanto, outros fatores ~pesquisados,
como
aHAS,
nao se manifestaramno
presente estudo deforma
significativamente diferente entre os grupos caso e controle.
Para
melhor
análise dos outros fatores de risco, neste estudo as pacientesforam
pareadas de acordocom
a idade,que
teveuma
média
global de 55,2 anos(Tabela I).
A
idade é,sem
dúvida,um
importante fator de risco cardiovascular.Embora
as mulheres apresentemmenor
prevalênciade,DAC
em
faixas etáriasmais
jovensquando comparadas
aoshomens,
a incidênciaaumenta
progressivamente
com
a idade, sendoque
o pico de incidênciada doença
ocorrecerca
de
cinco a dez anos após odo
sexo masculino 7.É
sabidoque
após amenopausa
a prevalência de coronariopatiaaumenta
significativamente,podendo
isto ser explicado pela proteção estrogênica nas mulheres jovens (que aindanão
atingiram a menopausa). Dentre as hipótesesque
tentam explicar estesuposto efeito cardioprotetor dos estrógenos, destacam-se a
melhora do
perfillipídico (elevação
do
HDL-colesterol e reduçãodo
LDL-colesterol), indução devasodilatação coronariana e ação sobre a cascata da coagulação, favorecendo a
O
presente estudodemonstrou
uma
incidênciada
raça brancaem
100%
das mulheres, tantoem
casos quantoem
controles (Tabela I), fato esteque
pode
serfacilmente explicado pelo
predomínio
de descendentes europeusem
nosso meio.A
renda familiar e o nível de escolaridade sãomedidas
indicativas de nívelsócio-econômico. Acredita-se
que
um
baixo nivel sócio-econômicopode
serum
fator de risco independente paradoença
coronariana '9,além
decomumente
estar associado a outros fatores de risco,
como
tabagismo, hipertensão eobesidade 2°.
Em
nosso estudo, apesar de a renda familiar ter sidomenor
no
grupo
caso,não houve
diferença significativacom
relação aogrupo
controle(Tabela I). Já o nível de escolaridade foi
maior
no
grupo caso, resultado esteque
parece ser paradoxal,
uma
vezque
se acreditaque
em
um
maior
nível cultural,as
medidas
preventivasque
levariam a redução dos eventos isquêmicosdo
coração seriam
mais
utilizadas N.O
tabagismo esteve significativamentemais
presente entre as pacientesdo
grupo
caso,com
um
risco estimado paraIAM
cerca de20
vezesmaior
em
mulheres fumantes
em
relação às não-fumantes (Figura 1). Para as mulheres, otabagismo é o
maior
fator de risco paradoença
arterial coronariana. Estudocom
11.843homens
e mulheresna
faixa etária de25
a 52 anos, residentesna
Noruega,
revelouque
as mulheresque
fumavam
mais de20
cigarros por diatinham
seis vezesmais
chance de terIAM
do que
as não-fumantes 22.É
estimado
um
aumento
de três a quatro vezesno
risco cardiovascular, tantoem
homens
quantoem
mulheres fumantes,quando comparados
a individuosque
nunca
fumaram
9.O
risco é dose-dependente, tendo-sedemonstrado que
aprobabilidade de
IAM
aumentou
de 2,4 vezes naquelasque
fumavam
15 a24
cigarros por dia para sete vezes naquelas
que
fumavam
mais
de 25 cigarrosdiariamente 23.
Os
mecanismos
pelos quais o cigarro leva à tromboaterogêneseperfil lipídico (redução
do
HDL-colesterol e elevaçãodo
LDL-colesterol),além
do aumento da
agregabilidade plaquetária 24.No
sexo feminino, acrescenta-seainda o efeito anti-estrogênico, através da estimulação da metabolização dos
estrogênios pelo fígado e
da
diminuição daprodução
destes pelos ovários, açãoesta
que
vem
sendo apontadacomo
uma
das prováveis causas dedoença
coronarianaem
mulheresna
pré-menopausa.O
cigarro, dessa forma,pode
levara
mulher
aum
estado demenopausa
precoce,aumentando
aindamais
o risco decoronariopatia naquelas pacientes de meia-idade 25.
Por
outro lado, observou-seque
oabandono do
tabagismo reduziu acentuadamente o risco dessa doença.Passados dois a três anos da interrupção
do
hábito de fumar, as ex-tabagistastêm
risco cardiovascular igual ao das mulheresque
nunca
fumaram
26.No
trabalhoem
questão,não
se evidenciou diferençascom
relação aoconsumo
de bebidas alcoólicas entre os grupos caso e controle (Figura 1).Estudos epidemiológicos
têm
consideradoque
a ingestão de quantidades leves amoderadas
de álcool(menos que
3 drinks por dia) apresentamuma
associaçãoinversa
com
o risco demorbidade
e mortalidade pordoença
cardiovascularuando
com
arados à ausência total deconsumo
alcoólico 27 7 efeito esseue
parece ser devido principalmente ao
aumento
das taxas de HDL-colesterol 28.Além
disso, oconsumo
de quantidadesmoderadas
de álcool tende a diminuir apressão arterial e a inibir a agregação plaquetária 29.
Em
um
estudoque
acompanhou
87.526 enfermeiras durante os anos de 1980 à 1984, demonstrou-seque
mulheresque
consumiam
quantidadesmoderadas
de álcool tinhamum
risco relativo significativamentemenor
dedoença
coronarianaquando comparadas
àquelas
que nunca beberam
3°.Por
outro lado,em
doses maiores o álcool induzhipertensão arterial e é
uma
das principais causas de hiperlipemia secundária,podendo
dessemodo
levar àdoença
arterial coronariana 27. Observou-se, nesteinformações sobre o detalhamento tanto
da
quantidade quantoda
qualidade deálcool ingerida.
A
prática regular de exercícios físicosnão mostrou
associação significativacom
doença
coronarianaem
nosso estudo (Figura 1).Em
alguns estudosdemonstrou-se
que
praticar exercícios éuma
valiosaanna
contra as doençascoronarianas.
Um
estudo 31 realizadocom
mulheresna pós-menopausa
sugeriuque
o risco deIAM
diminuiu50%
para aquelasque tinham
um
modesto
gastoenergético
em
tempo
livre, equivalente a 30 a45
minutos decaminhada
trêsvezes por semana.
A
prática regular de esportes contribui para o controle de muitos outros fatores de risco (“efeito dominó”), porexemplo
a diminuiçãodo
LDL-colesterol e dos triglicerídeos,aumento do
HDL-colesterol, reduçãoda
glicemia, auxílio
no combate
ao tabagismo, alcoolismo e uso de drogas por seusefeitos ansiolíticos e antidepressivos, ação anti-hipeitensiva e
combate
à obesidade 32.Apesar
de a hipertensão arterial sistêmica(HAS)
ter sidomais
freqüente naspacientes
que
sofreramIAM
em
relação àquelasdo
grupo controle, essadiferença
não
semostrou
estatisticamente significativa (Figura 2).Em
mulheres,a prevalência de
HAS
aumenta predominantemente
com
a idade, sendo que,acima
dos 75 anos,em
torno de80%
destas são portadoras desse distúrbio 33.A
HAS
aumenta
o risco dedoença
coronariana tantoem
mulheres quantoem
homens,
embora,em
pacientes de meia-idade, sejamais
comum em
homens
34.Estima-se
que
o riscoem
pacientes hipeitensas estáaumentado
em
quatro vezesquando comparadas
a mulheres normotensas 33.O
controle pressórico, por outrolado, diminui
em
aproximadamente
25%
onúmero
de eventos cardíacos fatais e não-fatais 9.A
história prévia de diabetes mellitus(DM)
mostrou
serum
importante fatordos controles (Figura 2).
Além
disso, amédia
dedosagem
sérica de glicose foiquase
40%
maior
entre as pacientesdo
grupo casoem
relação àquelasdo grupo
controle, sendo esta diferença
também
estatisticamente significativa (Tabela II).Estes achados estão corroborados por outros estudos,
onde
foidemonstrado que
o risco relativo para
IAM
gerado peloDM
nas mulheres ficaem
tomo
de 2,4, sendo amplificadoquando
seencontram
presentes outros fatores de riscoassociados.
O
estudo deFramingham
apontouum
risco relativo paraIAM
de 4,9para mulheres diabéticas,
quando comparadas
às não-diabéticas 35.O
DM
éum
preditor
mais
forte de coronariopatia e carregaum
pior prognósticoem
mulheresquando comparadas
aos diabéticosdo
sexo masculino, sendo maiores as taxas deinfarto recorrente e desenvolvimento de insuficiência cardíaca .
Além
disso,em
~
mulheres diabéticas os procedimentos de revascularizaçao miocárdica
costumam
ter piores resultados e o risco de mortalidade é
maior
'°.A
presença deDM
diminui a proteção vascular estrogênica ao
comprometer
o endotélio, e fazcom
que
a mortalidade pordoença
cardiovascular seja significativamentemaior
entre as diabéticasdo que
entre as não-diabéticasna pré-menopausa
36.O
DM
tipo 2também
se associa freqüentemente a alteraçõesdo
perfil lipídico, principalmentena
forma
de hipertrigliceridemia e diminuição dos níveis de HDL-colesterol 33.A
hiperglicemia assintomáticatambém
tem
sido associada amaior
risco decomplicações
da
aterosclerose coronarianaem
mulheres 37.Apesar
denão
ter havido diferença significativacom
relação à históriafamiliar de coronariopatia, esta esteve mais freqüente nas pacientes
do grupo
caso (Figura 2).A
história familiar deDAC,
principalmentequando
prematura,é
um
potente e independente fator de risco cardiovascular.Em
mulheres, essaassociação
tem
sidopouco
estudada 38.No
Nurse
's Health Study 39, verificou-seque
o risco dedoença
cardiovascular nas mulherescom
menos
de60
anos foimais
de60
anosnão
se observou diferença entre os dois grupos.Mesmo
sendo consideradaum
fator de risco não passível de modificação 2', a história familiaré
um
fator de risco de grande importância paradoença
arterial coronariana,devendo sempre
ser pesquisada nos pacientes.A
média
do
colesterol total obtidano
atual trabalho foi cerca de13%
menor
nas mulheres infartadas
quando comparadas
com
asdo grupo
controle (TabelaII), estando os valores de
ambos
os grupos classificadoscomo
“valoreslimítrofes” (200
-
239
mg/dl)segundo
oSegundo Consenso
Brasileiro sobre Dislipidemias 4°. Estes resultadosparecem
paradoxais, poisnormalmente
se
espera níveis maiores de colesterol entre os casos, fato este associado a
um
riscoaumentado
dedoença
arterial coronariana tantoem
homens
quantoem
mulheres34.
Os
níveis de LDL-colesterol estiveram discretamente (cerca de2%)
mais
aumentados
nas pacientesdo
grupo caso,sem
haver diferença significativaem
relação aos controles (Tabela II).
Em
ambos
os grupos amédia
deLDL-
colesterol
também
esteve dentro dos “valores limítrofes” (130-
139 mg/dl) 40.Diferentemente dos
homens,
o colesterol total e o LDL-colesterol estãorelacionados de
forma
menos
importante ao risco de coronariopatiaem
mulheres, sendo aquelas
com
idade inferior a 65 anos asmais
susceptíveis 33.Prosseguindo a análise
do
perfil lipídico, observou-seque
amédia
das dosagens de HDL-colesterol foi significativamentemais
baixa (cerca de25%)
no grupo
casoem
relação ao controle (Tabela Il), apesarda
média
dos valoresde
ambos
os grupos estarem entre os “valores desejáveis” (2 35 mg/dl) 4°.Baixos
níveis de HDL-colesterol encontram-se associados aum
riscocardiovascular
maior
em
mulheresdo que
em
homens,
sendo o HDL-colesterolum
fator protetor paraambos
os sexos 9' 34. Níveis de HDL-colesterol abaixo de50
mg/dl
são apontadoscomo
o principal distúrbio lipoprotêico preditor de riscoDe
maneira
semelhante às dosagens de colesterol total, amédia
dos valoresde
triglicerídeos foimenor
no grupo
caso (cerca de20%)
em
relação aogupo
controle (Tabela II).
Em
ambos
os grupos essamédia
semanteve
dentro dosvalores desejáveis (<
200
mg/dl) 4°. Esses valorestambém
parecem
controversos,
uma
vezque
alguns autores acreditamque
níveis elevados detriglicerídeos
aumentem
o risco paradoença
coronariana.A
participação diretada
hipertrigliceridemiana
aterogênese é ainda discutível.Alguns
estudosafirmam que
os triglicerídeos representamum
fator de risco cardiovascularindependente para mulheres 34.
Em
análises univariadas, níveisaumentados
detriglicerídeos estão associados a
um
aumento do
risco de coronariopatiaem
homens
e mulheres. Jáem
análises multivariadas, a introduçãode
níveis de LDL-colesterol e HDL-colesterol, assimcomo
outros fatores de risco, reduz opoder
dos triglicerídeoscom
preditor de risco coronarianoem
ambos
os sexos 42.O
Instituto nacional deSaúde (NIH)
dos Estados Unidos, a Sociedade Européiade Aterosclerose e a Sociedade Brasileira de Cardiologia
(Departamento
deAterosclerose) estabeleceram
que
valores de triglicerídeos2
200 mg/dl
sãoindicadores de risco coronariano
quando
associados a cifras de LDL-colesterol2
160mg/dl
e de HDL-colesterolS
35 mg/dl 43.O
Índice deMassa
Corpórea
(IMC)
éuma
relação entre o peso e oquadrado
da
alturado
paciente, sendoum
método
desenvolvidono
século passado paraavaliar qual seria o peso correto de
uma
pessoadada
a sua altura.No
Segundo
Consenso
Brasileiro sobre Dislipidemias (1996), a obesidade foi incluídacomo
fator de risco para
doença
arterial coronariana, desdeque
oIMC
fosse igualou
superior a
30
Kg/mz
'ó.Em
nosso estudo, utilizando essa classificação,não
houve
diferença significativa da freqüência de obesidade entre os grupos caso econtrole (Tabela III).
A
média
deIMC
também
foi semelhante entre os doisse constituindo
um
fator de risco importanteem
nossomeio
(Tabela IV).A
relação entre o grau de obesidade e a incidência de
doença
cardiovascular foiestabelecida
em
1983,quando foram
publicados os resultadosda
avaliaçãoem
5.209
homens
e mulheresque
participaramdo
estudo deFramingham
44.As
observações feitas
em
um
período de26
anos revelaramque
a obesidade éum
fator de risco paradoença
arterial coronariana, principalmenteem
mulheres.No
Nurse
's Health Study 45, observou-se que mulherescom
peso30%
acima do
considerado ideal apresentaram risco 3,3 vezes
maior
deDAC
eIAM
do que
aquelas
com
peso ideal,mesmo
apósserem
eliminados outros fatorescomo
tabagismo,
HAS,
hipercolesterolemia eDM.
A
obesidadetambém
tem
sidorelacionada a outros fatores de risco para
DAC,
como
DM
e dislipidemia 16.Outro
índice utilizado para avaliar a obesidade dos pacientes é aMedida
Cintura/Quadril
(MCQ).
Em
mulheres,MCQ
>0,8 indica obesidadedo
tipo~
central, andróide
ou
em
maça
que, para muitos autores, está associada amaior
risco cardiovascular
quando comparada
aoIMC
17.No
presente trabalho,quando
se classificaram as pacientes
em
obesas e não-obesassegundo
aMCQ,
não
seobservou diferença estatisticamente significativa entre os casos e controles (Tabela III).
No
entanto,quando
secomparou
amédia
deMCQ
entre os doisgrupos, essa diferença se tornou estatisticamente significante,
com
um
aumento
de
aproximadamente
6%
nas mulheres que sofreramIAM
em
relação àquelassem
DAC
(Tabela IV).A
MCQ
foi preditor mais forte de mortalidade pordoença
coronarianaque
oIMC
entre mulherescom
idade entre 55 e69
anosno
“Iowa
Women
's Health Study” 46.Comparada
com
oIMC,
a obesidadeabdominal
se correlacionamelhor
com
acúmulo
visceral de gorduras eanormalidades metabólicas correlacionadas à obesidade,
que
incluem resistência insulínica, intolerância à glicose, hipertrigliceridemia, hipertensão e1 n 4' 1 -
Women
s Health Study 6tambem
verificaram que, nas mulherescom
obesidade andróide, o risco dedoença
cardiovascular aproxima-se ao doshomens,
com
maior
prevalência deHAS,
intolerância à glicose e dislipidemias.A
terapia de reposiçãohormonal
(TRH)
teveuma
baixa prevalência tantonos casos quanto nos controles,
não
havendo
diferença estatisticamentesignificativa entre os dois grupos (Figura 3). Vários estudos epidemiológicos
observacionais
têm
analisado a relação entredoença
coronariana eTRH.
A
maioria deles
têm
demonstrado
uma
redução de 30 a50%
na
mortalidade tantocardiovascular quanto global
em
usuárias de estrogênios 47.Os
estrogêniosatuam
demaneira
benéfica sobre o sistema cardiovascular através de algunsmecanismos, que
incluem efeitos sobre ometabolismo
lipídico (diminuição dosniveis de colesterol total, LDL-colesterol e lipoproteína A,
além do
aumento
dosníveis de HDL-colesterol), o
metabolismo
dos carboidratos eda
insulina(diminuição dos níveis de insulina e da resistência a ela), os vasos sangüíneos
(vasodilatação) e os fatores hemostáticos (diminuição dos níveis de fibrinogênio
e inibidor
do
ativador de plasminogênio tecidual) 18.O
“Postmenopausal
Estrogen / Progestin Interventions” (PEPI) 48 foi
um
estudo duplo-cegorandomizado, placebo-controlado, designado para determinar diferenças
em
alguns fatores de risco cardiovasculares selecionados
em
mulheresna
pós-menopausa
tratadascom
placebo, estrogênioou
um
de três tipos de regimescom
estrogênios e progestogênios combinados.
Os
resultados desse estudo revelarammaiores taxas de HDL-colesterol e triglicerídeos e
menores
taxas deLDL-
colesterol e fibrinogênio nas pacientes tratadas
com
estrogênio associadoou não
a progestogênioem
relação àquelas tratadascom
placebo,sem
haver diferençassignificativas entre os níveis de insulina
ou
pressão arterial.Outro
ensaio duplo-cego
randomizado, controladocom
placebo, foi o “Heartand
Estrogen /diário de estrogênio eqüino associado ao acetato de medroxiprogesterona e a
taxa
combinada
deIAM
não-fatal e Óbito porDAC
em
mulheres pós-menopáusicas
com
coronariopatia. Esse estudo concluiuque
o tratamentohormonal não
diminuiu a taxa geral de eventos coronarianos nessas mulheres,havendo
um
aumento
paradoxalna
incidência de eventos cardiovascularesno
grupo que
recebeuTRH
no
primeiro ano, euma
diminuição de eventos nos anosquatro e cinco.
Com
base na ausência de benefício cardiovascular eno
padrão deaumento
precoceno
risco de eventos coronarianos, os autoresdo
HERS
não
recomendam
iniciar aTRH
com
o objetivo de prevenção secundária deDAC.
No
entanto, devido ao padrão favorável dos eventos deDAC
após vários anos detratamento, seria apropriado
que
as mulheresque
já estivessem recebendo essetratamento o mantivessem.
O
HERS
foi o primeiro grande ensaio a avaliar oefeito
do
tratamentocom
estrogênio e progestogêniono
risco de eventos deDAC.
Seus achados diferem dos descritos nos estudos observacionais,enfatizando a importância de basear as estratégias de tratamento nos ensaios
clínicos randomizados. Esse estudo teve
algumas
limitações, entre as quais ofato de
não
ter estudado as mulheressem
coronariopatia enão
ter avaliado oefeito de outras formas de
TRH,
como
o tratamentocom
estrogênioisoladamente,
comumente
utilizadoem
mulheres submetidas à histerectomia,ou
outra formulação de estrogênio associado a progestogênio.
É
necessárioprolongar o
acompanhamento
da
coortedo
HERS
e realizar outros ensaiosrandomizados
para esclarecer os efeitos cardiovascularesdo
tratamentohonnonal na pós-menopausa.
O
presente trabalho procurou contribuircom
o esclarecimento dos principaisfatores de risco
que
estão associados ao infartoagudo do
miocárdioem
mulheresno
nosso meio.Com
certeza o principal fator limitanteque impediu
asedentarismo, foi a
pequena
casuística. Outros dadosque poderiam
sermelhor
explorados
no
protocolo utilizado seriam mais detalhes acercado
consumo
deálcool e
da
TRH.
É
necessárionão
sóque
seaumente
futuramente a casuísticadeste trabalho,
mas
que
outros estudos sobreIAM
sejam realizadosem
mulheres, para
que
se possa aprimorar os conhecimentos sobre a fisiopatologia e as condiçõesque
propiciam o surgimento dessa doença,com
a finalidade dereduzir a incidência e as conseqüências das doenças cardiovasculares,
que
aindaNo
presente estudo, observou-seque
os fatores de risco tabagismo,diabetes mellitus, glicemia elevada, niveis diminuidos de HDL-colesterol e
medida
cintura/quadril elevadapossuem
associação estatisticamente significativacom
infartoagudo do
miocárdioem
mulheresno
nosso meio.Mansur
AP, Ramires
JAF.Doença
arterial coronária nas mulheres. ln:Sousa
AGMR,
Mansur
AJ, editores. Sociedade de cardiologiado
estado deSão
Paulo: Cardiologia.
São
Paulo: Atheneu; 1997.P448-50.
American
Heart Association.Women,
heart disease and stroke statistics. In: Impz//www.zmerrzznhezr¢.‹›rg/sciemific .Acessed on
March
11, 2001.Mansur
AP,
AldrighiJM.
Doença
coronária na mulher.Rev
BrasMed
2000;57
1440-5Datasus. Ministério
da
Saúde. Informações de Saúde. In:rmpz//www.daraSus.g‹›v.bf/cgi/aefmhrm.e×e?s¡m/óybndef.
Acessado
em
11 demarço
de 2001.Giardina
E-GV.
Coronary
artery disease inWomen:
what
all physicians needto
know.
N
Engl JMed
2000; 342:296.Ramos
RL,
SantosRFG,
Marcopito LF.Morbidade
e mortalidade pordoenças cardiovasculares
em
São
Paulo. In:Sousa
AGMR,
Mansur
AJ,editores. Sociedade de cardiologia
do
estado deSão
Paulo: Cardiologia.São
Paulo: Atheneu; 1997. P.1-7.
Lerner DJ,
Kannel
WB.
Patterns in coronary heart disease-
morbidityand
mortality in the sexes: a 26-year follow-up of the
Framingham
population.Am
Heart J 1986; 111:383-90.Smith
SC, BlairSN,
CriquiMH,
FletcherGF,
FusterV, Gersh
BJ, et al.Preventing heart attack and death in patients with coronary disease.
9.
Mosca
L,Manson
JE, Sutherland SE,Langer
RD,
Manolio
T, Barret-Connor E. Cardiovascular disease inwomen:
a statement for healthcare professionalsfrom
theAmerican
Heart Association Writing Group. Circulation 1997; 96:2468-82.
10.Wenger
NK.
Epidemiology
of coronary heart disease inWomen. Rev
Soc
Cardiol Estado de
São
Paulo 1996; 6:672-80.1l.SHEP
Cooperative Research Group. Prevention of strokeby
antihypertensive drug treatment in older persons With isolated hypertension.
Final results of the Systolic Hypertension in the Elderly
Program
(SHEP).
JAMA
1991;2653255-64.
12.Scandinavian Simvastatin Survival Group.
Randomized
trial of cholesterollowering in 4.444 patients With coronary heart disease:
The
ScandinavianSimvastatin Survival Study (4S). Lancet 1994; 344:1383-9.
l3.Sacks
FM,
PfefferMA,
Moye
LA,
Rouleau
JL, Rutherford JD,Cole
TG,
et al., for the Cholesteroland
Recurrent Events Trial Investigators.The effect ofpravastatin
on
coronary events after myocardial infarction in patients With average cholesterol levels.N
Engl JMed
1996; 33521001-9.l4.Instituto de Cardiologia
Dante
Pazzanese. “Avaliação dos Fatores de Risco para InfartoAgudo
do
Miocárdiono
Brasil”(AFIRMAR).
São
Paulo, 1997.15p.
15.Pais P,
Pogue
J, Gerstein H, et al. Risk factors for acute myocardialinfarction in indians: a case-control study. Lancet 1996; 3481358-63.
16.Porto
CC.
Obesidade
e doenças cardiovasculares. In: PortoCC,
editors.Doenças
do
coração, prevenção e tratamento.Rio
de Janeiro:Guanabara
Koogan;
1998. P.l42-5.17.Giannini