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(1)PAULO EDUARDO SILVA BEZERRA. VULNERABILIDADE À EXTINÇÃO EM LAGARTOS DO ESTADO DE PERNAMBUCO, BRASIL. SERRA TALHADA 2018.

(2) UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO UNIDADE ACADÊMICA DE SERRA TALHADA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BIODIVERSIDADE E CONSERVAÇÃO. VULNERABILIDADE À EXTINÇÃO EM LAGARTOS DO ESTADO DE PERNAMBUCO, BRASIL Paulo Eduardo Silva Bezerra. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Conservação da Universidade Federal Rural de Pernambuco como exigência para obtenção do título de Mestre. Linha de pesquisa: Ecologia, Conservação e uso da Biodiversidade de Ambientes Terrestres.. Prof. Dr. FRANCISCO MARCANTE SANTANA DA SILVA Orientador Prof. Dr. GERALDO JORGE BARBOSA DE MOURA Co-orientador. SERRA TALHADA 2018.

(3) Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Sistema Integrado de Bibliotecas da UFRPE Biblioteca da UAST, Serra Talhada - PE, Brasil. B574v Bezerra, Paulo Eduardo Silva Vulnerabilidade à extinção em lagartos do estado de Pernambuco, Brasil / Paulo Eduardo da Silva Bezerra. – Serra Talhada, 2018. 78 f.: il. Orientador: Francisco Marcante Santana da Silva Coorientador: Geraldo Jorge Barbosa de Moura Dissertação (Mestrado em Biodiversidade e Conservação) – Universidade Federal Rural de Pernambuco. Unidade Acadêmica de Serra Talhada, 2018. Inclui referências, anexo e apêndices. 1. Répteis - lagarto. 2. Ecologia. 3. Extinção - animal. I. Silva, Francisco Marcante Santana da, orient. II. Moura, Geraldo Jorge Barbosa de, coorient. III. Título. CDD 631.

(4) UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO UNIDADE ACADÊMICA DE SERRA TALHADA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BIODIVERSIDADE E CONSERVAÇÃO. VULNERABILIDADE À EXTINÇÃO EM LAGARTOS DO ESTADO DE PERNAMBUCO, BRASIL. Paulo Eduardo Silva Bezerra. Dissertação julgada adequada para obtenção do título de mestre em Biodiversidade e Conservação. Defendida e aprovada em 27/07/2018 pela seguinte Banca Examinadora.. ____________________________________________________________ Prof. Dr. FRANCISCO MARCANTE SANTANA DA SILVA - Orientador [UAST/ UFRPE]. ____________________________________________________________ Prof. Dr. AIRTON TORRES CARVALHO – Membro Interno [UAST/ UFRPE]. ____________________________________________________________ Prof. Dr. MARTINHO CARDOSO DE CARVALHO JUNIOR – Membro Externo [UAST/ UFRPE]. ____________________________________________________________ Prof. Dr. ALEXANDRE MENDES FERNANDES – Membro Interno (suplente) [UAST/ UFRPE]. ____________________________________________________________ Prof. Dr. CAUÊ GUION DE ALMEIDA – Membro Externo (suplente) [UAST/ UFRPE].

(5) Dedicatória. Dedico este trabalho especialmente a minha mãe MARIA DA PENHA, meu Irmão HUDSON MATEUS, a minha Companheira CAMILLA LIMA e aos lagartos, essas criaturas fantásticas que me fascinam, povoam meu imaginário e que fazem parte da minha existência desde a infância..

(6) Agradecimentos A DEUS, pelo dom da vida, pela coragem, força, fé e paciência a mim concedidos. Ao meu orientador, o Prof. Dr. Francisco Marcante Santana da Silva, pela orientação valorosa, pela confiança, pela paciência, por ter aceito orientar um “Lagarteiro” e por contribuir com a minha formação acadêmica. Ao meu Co-orientador, o Profº. Dr. Geraldo Jorge Barbosa de Moura por ter aceito prontamente o convite em participar dessa pesquisa. Sou grato pelos comentários valiosos, generosidade, por ter me recebido de braços abertos no LEHP e por contribuir na minha formação acadêmica. Ao Prof. Dr. Airton Torres Carvalho e ao Prof. Dr. Martinho Cardoso de Carvalho Junior por aceitarem o convite para compor a banca examinadora e pelas valiosas críticas e sugestões. A todos os professores do PGBC e da graduação que contribuíram para minha formação acadêmica, social e cultural e pelo apoio, em especial André Laurênio, José Apolinário, Leonardo Mendes, Martinho Carvalho, Caio Sotero, Airton Carvalho e Wilson Zydowicz. À minha mãe, Maria da Penha Silva Bezerra pela educação, carinho e amor, pelos valores, pelos cuidados e pela paciência. TE AMO!!! Ao meu irmão e Biólogo, Hudson Mateus Silva Bezerra, pela amizade, discussões sobre biologia e pelas muitas brigas ao longo desse mestrado...sei que irmãos são assim, TE AMO! À ´´Voinha``, Maria Luzinete da Silva, pelo amor, cuidado, carinho, conselhos e todo apoio e atenção; À minha companheira Camilla Lima, por sempre acreditar em mim, por estar presente ao meu lado em todos os momentos, por compartilhar a paixão por répteis, por alimentar meu desejo por vencer na vida como Biólogo e por fazer questão de mostrar o quanto eu sou capaz de conquistar meus objetivos, essa vitória também é sua. Obrigado por tudo, TE AMO! A todos os meus familiares, que sempre me apoiaram e se preocuparam com minha ´´vida acadêmica``, vocês moram no meu coração; Ao AMIGO e colega de graduação, Adriano Leles, pela amizade e incentivo; À minha ex-colega de graduação, Mônica Madureira (in memorian); Aos colegas do PGBC, especialmente Joelcio, Phillip “Massa” do Brasil, Jeff, Jéfferson, Paulo “a UAST não presta” Henrique, à Jayne pela proatividade na luta em angariar bolsas. À Aline, Cristiano da faxina e à nossa secretária Vanusa e Andreza, obrigado por me proporcionarem bons momentos de descontração e boas risadas; À minha namorada Laryssa Nayam, que “chegou na hora em que eu mais precisava”, que me estendeu a mão, seu colo e seus abraços mais reconfortantes, nesse momento tão complexo de minha existência. Mesmo me conhecendo a pouco tempo, entrou de corpo e alma comigo na “Saga dos Sonhadores Incansáveis”. Obrigado pelo apoio e por ser meu porto seguro, TE AMO! À Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) pelo investimento e apoio a mim concedidos durante minha formação acadêmica..

(7) Resumo Várias espécies de lagartos estão desaparecendo ao redor do mundo. Suas populações estão declinando em escala global e para que ações conservacionistas possam ser executadas é preciso identificar quais são os riscos reais de extinção e as ameaças que afetam as espécies. O objetivo do presente estudo foi testar a eficácia do método de “Sustentabilidade de Stobutzki” em avaliar o grau de vulnerabilidade à extinção dos lagartos com ocorrência registrada para Pernambuco, Brasil. Foram avaliadas 42 espécies por meio do método de sustentabilidade de Stobutzki baseado em pontuação e ranqueamento. A análise foi feita a partir de uma representação gráfica dos fatores de “Ameaças” e “Vulnerabilidades” dos lagartos. A grande maioria das espécies (n=32) não demonstrou estar vulnerável. Apenas 10 lagartos não foram considerados sustentáveis. Os lagartos Nothobachia ablephara, Cercosaura ocellata, Procellosaurinus erythrocercus demonstraram um grau muito elevado de vulnerabilidade à extinção. Foram detectadas 16 ameaças de origem antrópica que causam risco às populações de lagartos em Pernambuco. A maioria das espécies não é acobertada por nenhuma política pública de conservação voltada especificamente para espécie, entretanto, a maioria dos lagartos possuem ocorrência registrada em Unidades de Conservação. A classificação do Ranking de Vulnerabilidade é composta por seis lagartos que se encontram na lista de espécies ameaçadas de extinção em Pernambuco entre os 10 primeiros colocados. A análise de componentes principais para o eixo “Ameaças” ordenou-se pela fecundidade das espécies e em sua distribuição e preferência por determinados habitats e para o eixo “Vulnerabilidades”. Adicionalmente, para o eixo “Ameaças” a estruturação foi baseada na situação em que se encontram os habitats dessas espécies e em suas distribuições em áreas protegidas. O método de “Sustentabilidade” Stobutzki é uma importante ferramenta que pode auxiliar nos estudos de avaliação de vulnerabilidade à extinção em espécies de lagartos, bem como os critérios utilizados podem ser estendidos para pesquisas em outras taxocenoses. Palavras-chave: avaliação, espécies ameaçadas, conservação da biodiversidade, répteis.

(8) Abstract Several species of lizards are disappearing around the world. Their populations are declining on a global scale and for conservation actions to be carried out, it is necessary to identify the real risks of extinction and the threats that affect species. The aim of this study was to test the effectiveness of the “Stobutzki sustainability” method in assessing the degree of vulnerability to extinction of lizards with occurrence registered for Pernambuco, Brazil. We evaluated 42 species using the “Stobutzki sustainability” method based on scoring and ranking. The analysis was made from a graphical representation of the factors of "Threats" and "Vulnerabilities" of lizards. The great majority of the species (n = 32) did not show to be vulnerable. Only 10 lizards were not considered sustainable. The lizards Nothobachia ablephara, Cercosaura ocellata, and Procellosaurinus erythrocercus demonstrated a very high degree of vulnerability to extinction. Sixteen threats of anthropogenic origin were detected that threaten the populations of lizards in Pernambuco. Most species are not covered by any public policy of conservation geared specifically to species, however, most of the lizards have occurrence registered in Conservation Units. Half of the species of lizards (n = 21) have a low number of embryos per litter (<3), were considered partially generalist, having a diet composed mainly of a main category of prey and other secondary ones, which measure 40,000 m² and measure between 100 and 300 mm in total length. The classification of the Vulnerability Ranking is composed of six lizards that are in the list of endangered species in Pernambuco among the top 10. The analysis of principal components for the "Threats" axis was ordered by the fecundity of the species and their distribution and preference for certain habitats and for the "vulnerabilities" axis. Additionally, for the "Threats" axis, structuring was based on the situation of the habitats of these species and their distribution in protected areas. The Stobutzki "Sustainability" method is an important tool that can assist in the evaluation of vulnerability to extinction in lizard species, as well as the criteria used for research on other lizard assemblage.. Keywords: assessment, endangered species, biodiversity conservation, reptiles.

(9) Lista de figuras. Página Figura 1 – Gráfico de sustentabilidade das espécies de lagartos encontradas em. 35. Pernambuco. Os pontos mais próximos de 1 em ambos dos eixos indicam os lagartos que apresentaram grau mais elevado de vulnerabilidade à extinção. As abreviaturas dos nomes das espécies simbolizam a inicial do nome genérico, seguidas de duas letras do epíteto específico. Figura 2 – Gráfico de sustentabilidade das espécies de lagartos encontradas em. 37. Pernambuco com as espécies categorizadas como ameaçadas ou não na Lista Vermelha do Estado de Pernambuco. Os pontos mais próximos de 1 em ambos dos eixos indicam os lagartos que apresentaram grau mais elevado de vulnerabilidade à extinção. LC- Least concern (menos preocupante), VU- Vulnerável, DD- Data deficiente (Dados insuficientes) e EN- Endangered (Em perigo). Figura 3 – Distribuição das 42 espécies de lagartos com ocorrência em Pernambuco. 40. em relação aos componentes 1 e 2 resultantes da análise de componentes principais para os critérios do eixo “Ameaças”. Figura 4 – Distribuição das 42 espécies de lagartos com ocorrência em Pernambuco em relação aos componentes 1 e 2 resultantes da análise de componentes principais para os critérios do eixo “Vulnerabilidades”.. 43.

(10) Lista de tabelas. Página. Tabela 1 – Tabela 1. Subcritérios para os parâmetros quantitativos utilizados pela 14 IUCN para avaliar se determinada espécie está correndo risco de extinção e as categorias de ameaça. Tabela 2 – Lista das espécies de lagartos com ocorrência registrada para o estado 27 de Pernambuco, Brasil e suas respectivas categorias de ameaça em âmbito estadual. Tabela 3 – Planilha com os critérios (Eixo 1 - Ameaças, Eixo 2 – Vulnerabilidades),. 33. pesos e rank dos fatores que supostamente tornam as espécies de lagartos mais vulneráveis no estado de Pernambuco, Brasil. Tabela 4 – Classificação do “Ranking de Vulnerabilidade” para as espécies de 37 lagartos do estado Pernambuco, Brasil. Tabela 5 – Contribuição de cada critério para variância representada em cada 41 componente da Análise de Componentes Principais para o Eixo “Ameaças”. Tabela 6 – Contribuição de cada critério para variância representada em cada 42 componente da Análise de Componentes Principais para o Eixo “Vulnerabilidades”..

(11) Sumário Página Dedicatória Agradecimento Resumo Abstract Lista de Figuras Lista de Tabelas 1 – INTRODUÇÃO GERAL................................................................................12 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................16 2- ARTIGO CIENTÍFICO...................................................................................22 2.1 – VULNERABILIDADE À EXTINÇÃO EM LAGARTOS DO ESTADO DE PERNAMBUCO, BRASIL....................................................................................22 INTRODUÇÃO.....................................................................................................23 MATERIAL E MÉTODOS..................................................................................27 ÁREA DE ESTUDO..............................................................................................28 OBTENÇÃO DE DADOS.....................................................................................29 AVALIAÇÃO DO GRAU DE VULNERABILIDADE......................................29 ANÁLISE DOS DADOS........................................................................................33 RESULTADOS E DISCUSSÃO...........................................................................34 CONCLUSÕES......................................................................................................50 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................50 APÊNDICE A.........................................................................................................58 APÊNDICE B.........................................................................................................61 APÊNDICE C.........................................................................................................62 ANEXO I.................................................................................................................64 ANEXO II...............................................................................................................65.

(12) 12. 1 – Introdução Geral. Os lagartos compõem um grupo extremamente diversificado e abundante, o maior entre os répteis viventes (MCCAIN, 2010). São parte integrante das comunidades biológicas e desempenham papéis importantes (i.e., predadores, presas, competidores, agentes reguladores de populações de artrópodes) na dinâmica dos ecossistemas, atuando como espécies chave para seu funcionamento, participando ativamente das redes tróficas (PIANKA, 1973, 2017). Atualmente são reconhecidas 10.793 espécies de répteis ao redor do mundo, das quais são registradas para Subordem Sauria (Lacertilia), 6.512 espécies de lagartos (UETZ et al., 2018), essa subordem está inserida na ordem Squamata (i.e., lagartos, anfisbênias e serpentes) e por sua vez, juntamente com o grupo das tuataras (i.e., Ordem Rynchocephalia) forma a Superordem Lepidosauria (ZHENG e WIENS, 2016). O Brasil ocupa a terceira posição entre os países que detém as maiores riquezas em répteis do mundo, no território brasileiro ocorrem 795 espécies, dentre as quais 276 são lagartos (COSTA e BERNÍLS, 2018)). Os lagartos estão distribuídos por diversas regiões do globo, com exceção do Ártico e da Antártica e a grande maioria habita os trópicos (PIANKA e VITT, 2003; POUGH et al., 2003). A crise que assola a biodiversidade mundial, também inflige sérios danos aos lagartos e várias são as ameaças que afetam as espécies ao redor do mundo (CEBALLOS et al., 2015). Segundo Primack (2006), uma espécie é considerada extinta quando o número de indivíduos declina a tal ponto que as suas populações não podem ser recuperadas. As extinções podem ocorrer de maneira local, regional ou global (GASTON, 2000). Com o intuito de acautelar sobre os possíveis riscos de extinção das populações de lagartos, Gibbon et al. (2000), promoveram o primeiro grande estudo feito em escala global a respeito do status de conservação do grupo, apontando seis grandes causas como responsáveis pela vulnerabilidade desse grupo. Os declínios populacionais e as extinções de lagartos são ocasionadas principalmente pela perda e fragmentação de habitat (BELL e DONNELY, 2006), doenças (SALKELD e LANE, 2010); aquecimento global (URBAN, 2015), introdução de espécies exóticas (CASE e BOLGER, 1991), poluição ambiental (AL-HASHEM et al., 2007) e uso insustentável (MAGNINO et al., 2009). Todavia, em determinadas situações existem outras perturbações que atuam de maneira local em determinadas populações, ou seja, em menor escala, de acordo com.

(13) 13. os cenários ambientais nos quais essas espécies estão inseridas (i. e., queimadas, predação por animais domésticos, secas intensas) (LUNNEY et al., 1991; PÉREZ‐ MELLADO et al., 1997). Com o intuito de evitar as extinções de espécies, as agências ambientais, organizações não-governamentais e sociedades de proteção da biodiversidade utilizam listas que apontam quais espécies estão sofrendo risco de extinção (i. e., listas vermelhas). As listas por sua vez, tem por objetivo guiar as ações e focar as estratégias conservacionistas nos organismos mais afetados, bem como na utilização de recursos a serem investidos na solução desses problemas (RANDS et al, 2010). A principal metodologia empregada por pesquisadores e demais entidades ambientais na construção das listas de espécies segue os critérios adotados pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) (IUCN, 2015). Os critérios utilizados pela IUCN para classificar as espécies, dependendo do seu grau de vulnerabilidade à extinção, são baseados sobretudo em parâmetros populacionais como tamanho das populações, idade e crescimento, número de indivíduos maduros e distribuição geográfica (IUCN, 2001). Tomando por base, a metodologia empregada pela IUCN, para que os avaliadores possam identificar se uma determinada espécie está ameaçada e em qual categoria de risco de extinção a mesma se encontra, a IUCN sugere a utilização de cinco parâmetros quantitativos. São eles: A. Redução da população (passada, presente e/ou projetada); B. Distribuição geográfica restrita e apresentando fragmentação, declínio ou flutuações; C. População pequena e com fragmentação, declínio ou flutuações; D. População muito pequena ou distribuição muito restrita; E. Análise quantitativa de risco de extinção (por exemplo, PVA - Population Viability Analysis). A maioria dos parâmetros supracitados apresenta subcritérios (Tabela 1) que são usados para justificar mais especificamente a classificação de uma espécie em determinada categoria (MMA, 2014)..

(14) 14 Tabela 1. Subcritérios para os parâmetros quantitativos utilizados pela IUCN para avaliar se determinada espécie está correndo risco de extinção e as categorias de ameaça..

(15) 15. É importante frisar que a metodologia empregada pela IUCN esbarra no problema de que as informações sobre demografia não estão disponíveis para a grande maioria das espécies dos mais diversos grupos (MACE et al., 2008). Essa problemática em relação à disponibilidade de dados sobre a dinâmica populacional, acarreta no fato, de que na ausência desses parâmetros, a maioria das espécies que constam nas listas são avaliadas unicamente com base no critério B da IUCN, o qual é embasado majoritariamente na distribuição geográfica das espécies (IUCN, 2001; MACHADO et al., 2005). Em contrapartida aos critérios que utilizam parâmetros demográficos, metodologias alternativas são adotadas para avaliar a vulnerabilidade à extinção das espécies (PURVIS et al., 2000). Essas análises são baseadas nos fatores intrínsecos (i. e., suscetibilidade) – características biológicas, ecológicas e componentes da história de vida (i. e., fecundidade, tamanho do corpo) e fatores extrínsecos (i. e., ameaças) são fatores externos de ameaça oriundos de ações antrópicas, que podem influenciar positiva ou negativamente as espécies, tais como supressão de habitats, poluição, caça, entre outros distúrbios de provenientes da ação humana (PURVIS et al., 2005). Uma das metodologias alternativas utilizadas para avaliar o risco de extinção das espécies, consiste na elaboração de índices de vulnerabilidade baseados em um método de pontuação e ranqueamento no qual se atribui um valor de importância ou pesos a diferentes fatores intrínsecos e extrínsecos que exercem influência sobre a vulnerabilidade das espécies (FOUFOPOULOS e IVES, 1999). Um dos métodos alternativos aos utilizados pela IUCN é o método de “Sustentabilidade Stobutzki”) que consiste em conjunto de técnicas semiquantitativas baseadas em índices de pontuação e ranqueamento, baseado em critérios de ameaças e sustentabilidade (STOBUTZKI et al., 2001). O método de “Sustentabilidade de Stobutzki” tem como principal argumento, a capacidade das espécies em reagir por meio de suas características biológicas e de história de vida a determinadas ameaças. O método é amplamente empregado (e.g., citado por mais de 280 artigos) para avaliar à sustentabilidade de espécies de peixes pelágicos e demersais à sobreexplotação ocasionada pela indústria pesqueira desde os anos 2000, grande parte dos estudos foram realizados nos mares australianos (STOBUTZKI et al., 2000). É sabido, que o método é usado apenas para organismos aquáticos e o presente estudo configura-se na primeira tentativa de utilizar o escopo dessa metodologia com determinadas adaptações para avaliar o grau de vulnerabilidade à extinção em organismos terrestres, no caso, lagartos num macro transecto no Nordeste do Brasil..

(16) 16. O estado de Pernambuco foi escolhido como modelo de transecto para o nordeste do Brasil, para que por meio de um recorte local, seja possível detalhar de uma melhor forma as vulnerabilidades e ameaças de um país com dimensões continentais, partindo de uma escala menor do que a utilizada pelas listas nacionais e internacionais. O fato do estado possuir uma riqueza razoável de espécies e uma saurofauna que tem sido pouco estudada em relação a estudos conservacionistas também foram motivadores dessa escolha. Futuramente, esse tipo de abordagem analítica (i. e., critérios, pontuação, ranqueamento) poderá se tornar referência em avaliações de vulnerabilidade à extinção de lagartos ao redor do mundo. Atualmente, o conhecimento sobre o real status de conservação da grande maioria dos répteis ainda é incipiente (TINGLE et al., 2016). Em um estudo que tinha por objetivo compilar e traçar estratégias eficazes para a avaliação da vulnerabilidade do grupo, BÖHM et al. (2013) constataram que apenas 45% das 10.400 espécies descritas até aquele momento tinham sido avaliadas seguindo os critérios propostos pela IUCN. Das 4.648 espécies avaliadas, 20% (945 spp.) estão ameaçados de extinção e 19% (867 spp) são deficientes de dados para categorização em algum nível de ameaça. Na busca por elucidar o verdadeiro status de conservação dos lagartos em escala global, Meiri e Chapple (2016), avaliaram um subconjunto de todas as espécies de lagartos avaliadas globalmente pelos critérios da IUCN. Suas análises revelaram correlatos significativos em relação à taxonomia, história de vida, ecologia e distribuição geográfica. De modo, que os resultados mostraram que a Austrália tem a menor porcentagem de espécies avaliadas (15%), seguida pelas zonas neotropical, oriental e afrotropical. As espécies subavaliadas também compartilhavam traços particulares, incluindo tamanhos corpóreos, tamanho de ninhada, modo de reprodução ovípara e pequenas faixas de extensão de ocorrência. Tonini et al. (2016), investigaram os fatores que direcionam o risco de extinção em lagartos com auxílio de análises filogenéticas dentro de linhagens específicas, eles encontraram que a vulnerabilidade à extinção é filogeneticamente conservativa para as famílias Gekkonidae, Iguanidae e Chamaeleonidae. Desta maneira, sugerindo que determinadas espécies pertencentes a essas famílias, ao compartilhar características ecológicas, geográficos ou biológicos em comum são mais propensos à extinção. Poucos são os estudos que focam suas avaliações de vulnerabilidade apenas em lagartos dentre o grupo dos répteis, geralmente as avaliações são conduzidas para todas as linhagens que compõe o grupo (GIBBON et al., 2000; HUEY et al., 2010; READING et al., 2010). Entretanto,.

(17) 17. Tingle et al. (2013) avaliaram o risco de extinção em lagartos da Nova Zelândia por meio de fatores extrínsecos (i.e., perda de habitat) e intrínsecos (i. e., capacidade de resposta ao um distúrbio) a fim de verificar como esses dois componentes interagem sobre a vulnerabilidade das espécies. Na China, Wang et al. (2009) utilizaram componentes da história de vida e índices de vulnerabilidade à fragmentação para investigar a propensão à extinção em cinco espécies de lagartos que ocorrem em ilhas. No Brasil, Martins e Molina (2008) com a utilização dos métodos de avaliação da IUCN, relataram por meio do “Panorama Geral dos Répteis Ameaçados do Brasil” a lista das espécies ameaçadas de extinção. Nessa análise, nove lagartos foram enquadrados em uma categoria de ameaça. Em Pernambuco, o “Livro vermelho das espécies ameaçada de extinção”, traz em sua listagem 22 espécies de répteis ameaçados de extinção no estado, dentre as quais sete são lagartos, quatro na categoria “em perigo” e três na categoria “vulnerável” (CPRH, 2014). Todavia, para que as instituições competentes possam efetivar ações de conservação sistemáticas e funcionais é preciso identificar quais são os riscos de extinção e as ameaças que afetam as espécies (ISAAC e COWLISHAW, 2004; MURRAY et al., 2014). Diante do cenário de crise pelo qual a biodiversidade global atravessa, afim de contribuir com informações sobre a conservação dos lagartos e propor um método de avaliação de risco de extinção, o objetivo do presente estudo é avaliar a sustentabilidade (vulnerabilidade e ameaças) dos lagartos, ranquear às prioritárias ao manejo, bem como avaliar a metodologia utilizada. Adicionalmente, o presente estudo se propôs a testar as seguintes hipóteses: H1 - A maioria das espécies de lagartos com um grau mais e menos elevado de vulnerabilidade à extinção são bastante próximas filogeneticamente, pertencendo a mesma família. H2 – As espécies mais vulneráveis à extinção possuem as menores áreas de ocorrência e ocorrem nas fitofisionomias com menor porção territorial e/ou com o maior histórico de degradação; Finalmente, com base nas pontuações, ranqueamentos e índices de vulnerabilidade de cada espécie e dos critérios de escolha, foi possível explorar algumas questões, tais como: 1 – Quais são os fatores que mais contribuem para a vulnerabilidade à extinção nas espécies de lagartos em Pernambuco?.

(18) 18. 2 – Quão filogeneticamente é conservativa a vulnerabilidade à extinção nas espécies de lagartos em Pernambuco? 3 – Quais são as espécies de lagartos mais e menos vulneráveis à extinção? 4 – Como os resultados obtidos com essa metodologia se comportam em relação aos resultados das listas estadual, nacional e IUCN?.

(19) 19. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CPRH. AGÊNCIA ESTADUAL DE MEIO AMBIENTE. Resolução nº 01, de 15 de maio de 2017. Disponível em: http://www.cprh.pe.gov.br. Acesso em: 30 Nov 2017. AL-HASHEM, M. A.; BRAIN, P. F.; OMAR, S. A. Effects of oil pollution at Kuwait’s greater Al-Burgan oil field on polycyclic aromatic hydrocarbon concentrations in the tissues of the desert lizard Acanthodactylus scutellatus and their ant prey. Ecotoxicology, 16(8), 551555, 2007. BELL, K. E.; DONNELLY, M. A. Influence of forest fragmentation on community structure of frogs and lizards in northeastern Costa Rica. Conservation Biology, 20(6), 1750-1760, 2006. BÖHM, M.; COLLEN, B.; BAILLIE, J. E.; BOWLES, P.; CHANSON, J.; COX, N.; RHODIN, A. G. The conservation status of the world’s reptiles. Biological Conservation, 157, 372-385, 2013. CASE, T. J.; BOLGER, D. T. The role of introduced species in shaping the distribution and abundance of island reptiles. Evolutionary Ecology, 5(3), 272-290, 1991. CEBALLOS, G.; EHRLICH, P. R.; BARNOSKY, A. D.; GARCÍA, A.; PRINGLE, R. M.; PALMER, T. M. Accelerated modern human–induced species losses: Entering the sixth mass extinction. Science advances, 1 (5), e1400253, 2015. COSTA, H. C.; BÉRNILS, R. S. Répteis do Brasil e suas Unidades Federativas: Lista de espécies. Herpetologia Brasileira, v. 7, n. 1, p. 11-57, 2018. FOUFOPOULOS, J.; IVES, A. R. Reptile extinctions on land-bridge islands: life-history attributes and vulnerability to extinction. The American Naturalist, v. 153, n. 1, p. 1-25, 1999. GASTON, K. J. Global patterns in biodiversity. Nature, v. 405, n. 6783, p. 220, 2000. GIBBON, J. W.; SCOTT, D. E.; RYAN, T. J.; BUHLMANN, K. A.; TUBERVILLE, T. D.; METTS, B. S.; WINNE, C. T. The Global Decline of Reptiles, Déjà Vu Amphibians: Reptile species are declining on a global scale. Six significant threats to reptile populations are habitat loss and degradation, introduced invasive species, environmental pollution, disease, unsustainable use, and global climate change. BioScience, 50(8), 653-666, 2000. HUEY, R. B.; LOSOS, J. B., MORITZ, C. Are lizards toast? Science.328, 832–833, 2010. INTERNATIONAL UNION FOR CONSERVATION OF NATURE. IUCN Red List categories and criteria. IUCN, 2001. INTERNATIONAL UNION FOR CONSERVATION OF NATURE. The IUCN Red List of threatened species. Version 2015-3. Disponível em: http://www.iucnredlist.org. Acesso em: 9 nov 2015..

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(23) 23. sustentabilidade de Stobutzki baseado em pontuação e ranqueamento. A análise foi feita a partir de uma representação gráfica dos fatores de “Ameaças” e “Vulnerabilidades” das espécies. A grande maioria das espécies (n=32) não demonstrou estar vulnerável. Apenas 10 não foram considerados sustentáveis. Os lagartos Nothobachia ablephara, Cercosaura ocellata, Procellosaurinus erythrocercus demonstraram um grau muito elevado de vulnerabilidade à extinção. Foram detectadas 16 ameaças de origem antrópica que causam risco às populações de lagartos em Pernambuco. A maioria das espécies não é acobertada por nenhuma política pública de conservação voltada especificamente para espécie, entretanto, a maioria dos lagartos possuem ocorrência registrada em Unidades de Conservação. A metade das espécies de lagartos (n=21) apresenta um baixo número de embriões por ninhada (<3), foram consideradas parcialmente generalistas, tendo uma dieta composta majoritariamente por uma categoria principal de presa e outras secundárias, possuem extensão de ocorrência menor do que 40.000 m² e medem entre 100 e 300 mm de comprimento total. A classificação do Ranking de Vulnerabilidade é composta por seis lagartos que se encontram na lista de espécies ameaçadas de extinção em Pernambuco entre os 10 primeiros colocados. A análise de componentes principais para o eixo “Ameaças” ordenou-se pela fecundidade das espécies e em sua distribuição e preferência por determinados habitats e para o eixo “Vulnerabilidades”. Adicionalmente, para o eixo “Ameaças” a estruturação foi baseada na situação em que se encontram os habitats dessas espécies e em suas distribuições em áreas protegidas. O método de “Sustentabilidade” Stobutzki é uma importante ferramenta que pode auxiliar nos estudos de avaliação de vulnerabilidade à extinção em espécies de lagartos, bem como os critérios utilizados podem ser estendidos para pesquisas em outras taxocenoses de lagartos. Palavras-chave: avaliação, espécies ameaçadas, conservação da biodiversidade, répteis. Introdução. A extinção de espécies é um processo natural que sempre fez parte da dinâmica dos ecossistemas. Todavia, as atividades antrópicas têm exercido forte influência na sua taxa atual de ocorrência, fazendo com que se desencadeie rapidamente e de maneira anormal (Urban, 2015; De Vos et al., 2015). A taxa de extinção ocasionada por ações de origem antrópica foi estimada por Pimm et al. (2014), sendo entre 1.000 a 10.000 vezes maior do que quando a Terra.

(24) 24. ainda não era habitada pelos humanos, superando a taxa esperada de extinção natural que é de duas espécies a cada 10.000 em 100 anos (Barnosky, 2011). Recentemente, Ceballos et al. (2015), divulgaram um estudo no qual tratam dos impactos de origem antrópica sobre a biodiversidade. Os resultados demonstraram que as taxas modernas de extinção para vertebrados são de 8 a 100 vezes mais elevadas do que as taxas até então conhecidas. Tendo como parâmetro a taxa “vigente” (2 vertebrados/10.000 a cada 100 anos), desde os anos 1900, a taxa teria saltado para nove extinções de vertebrados, aproximadamente 468 espécies. Dentre essas 1,3% das 5.000 espécies de mamíferos (Wilson & Reeder, 2017), 0,8% das 10.000 espécies de aves (Lepage, 2017) 0,2% das 10.450 espécies de répteis (Uetz et al., 2017), 1,9% das 7.776 espécies anfíbios (Amphibiaweb, 2017) e 5% das 33.600 espécies de peixes (Froese & Pauly, 2017). Dentre os répteis, os lagartos compõem o grupo mais diversificado e abundante. (Pincheira-Donoso et al., 2013). São parte integrante das comunidades biológicas e desempenham papéis importantes (i.e., predadores, presas, competidores, agentes reguladores de populações de artrópodes) na dinâmica dos ecossistemas, atuando como espécies chave para seu funcionamento, participando ativamente das redes tróficas (Pianka, 1973, 2017). Atualmente estima-se que existam 6.512 espécies ao redor do mundo (Uetz et al., 2018). O Brasil ocupa a terceira posição entre os países que detém as maiores riquezas em espécies de répteis no mundo, sendo registradas para o território brasileiro 795 espécies, dentre as quais 276 são lagartos (Costa & Berníls, 2018). Os lagartos possuem uma filogenia bem compreendida em comparação aos outros Squamata (e. g., serpentes e anfisbênias), sendo um grupo parafilético (Zheng & Wiens, 2016). Existem fatores (e.g., amplitude alimentar, especificidade microambiental, fecundidade, tamanho do corpo) que são utilizados em avaliações de vulnerabilidade e que refletem estritamente as relações filogenéticas (Pyron et al., 2013). De tal modo, é possível que a vulnerabilidade à extinção e a capacidade biológica das espécies em reagir a distúrbios apresente sinal filogenético (Conrad, 2008). Assim, tal como em outros vertebrados, (Davidson et al., 2017; Reynolds et al., 2005; Pounds et al., 2006; Siegel et al., 2014) as populações de lagartos estão sofrendo com a crise que assola a biodiversidade mundial e várias são as ameaças que afetam as espécies ao redor do mundo (Ceballos et al., 2015). Com o intuito de acautelar sobre os possíveis riscos de extinção das populações de lagartos, Gibbon et al. (2000), promoveram o primeiro grande.

(25) 25. estudo feito em escala global a respeito do status de conservação do grupo, apontando seis grandes causas como responsáveis pela vulnerabilidade desse grupo. Os declínios populacionais e as extinções de lagartos são ocasionadas principalmente pela perda e fragmentação de habitat (Bell e Donnely, 2006), doenças (Salkeld e Lane, 2010); aquecimento global (Urban, 2015), introdução de espécies exóticas (Case e Bolger, 1991), poluição ambiental (Al-Hashem et al., 2007) e uso insustentável (Magnino et al., 2009). Todavia, em determinadas situações existem outras perturbações que atuam de maneira local em determinadas populações, ou seja, em menor escala, de acordo com os cenários ambientais nos quais essas espécies estão inseridas (i. e., queimadas, predação por animais domésticos, secas intensas) (Lunney et al., 1991; Pérez‐Mellado et al., 1997). Existe uma necessidade emergencial em frear o declínio da perda da biodiversidade. Entretanto, para que as instituições competentes possam efetivar ações de conservação sistemáticas e funcionais é preciso identificar quais são os riscos de extinção e as ameaças que afetam as espécies (Isaac & Cowlishaw, 2004; Murray et al., 2014). A principal metodologia empregada por pesquisadores e demais entidades ambientais na construção das listas de espécies ameaçadas segue os critérios adotados pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) (Iucn, 2003). Os critérios utilizados pela IUCN para classificar as espécies, dependendo do seu grau de vulnerabilidade à extinção, são baseados sobretudo em parâmetros populacionais como tamanho das populações, idade e crescimento, número de indivíduos maduros e distribuição geográfica (Iucn, 2001). É importante frisar que a metodologia empregada pela IUCN esbarra no problema de que as informações sobre demografia não estão disponíveis para a grande maioria das espécies dos mais diversos grupos (Mace et al., 2008). Essa problemática em relação à disponibilidade de dados sobre a dinâmica populacional, acarreta no fato, de que na ausência desses parâmetros, a maioria das espécies que constam nas listas são avaliadas unicamente com base no critério B da IUCN, o qual é embasado majoritariamente na distribuição geográfica das espécies (Iucn, 2001, Machado et al., 2005). Em contrapartida aos critérios que utilizam parâmetros demográficos, metodologias alternativas são adotadas para avaliar a vulnerabilidade à extinção das espécies (Purvis et al., 2000). Essas análises são baseadas nos fatores intrínsecos (i. e., suscetibilidade) – características biológicas, ecológicas e componentes da história de vida (i. e., fecundidade, tamanho do corpo) e fatores extrínsecos (i. e., ameaças) são fatores externos de ameaça oriundos de ações.

(26) 26. antrópicas, que podem influenciar positiva ou negativamente as espécies, tais como supressão de habitats, poluição, caça, entre outros distúrbios de provenientes da ação humana (Purvis et al., 2005). Uma das metodologias alternativas utilizadas para avaliar o risco de extinção das espécies, consiste na elaboração de índices de vulnerabilidade baseados em um método de pontuação e ranqueamento no qual se atribui um valor de importância ou pesos a diferentes fatores intrínsecos e extrínsecos que exercem influência sobre a vulnerabilidade das espécies (Foufopoulos e Ives, 1999). Um dos métodos alternativos aos utilizados pela IUCN é o método de “Sustentabilidade Stobutzki”) que consiste em conjunto de técnicas semiquantitativas baseadas em índices de pontuação e ranqueamento, baseado em critérios de ameaças e sustentabilidade (Stobutzki et al., 2001). O método de “Sustentabilidade de Stobutzki” tem como principal argumento, a capacidade das espécies em reagir por meio de suas características biológicas e de história de vida a determinadas ameaças. O método é amplamente empregado (e.g., citado por mais de 220 artigos) para avaliar à sustentabilidade de espécies de peixes pelágicos e demersais à sobreexplotação ocasionada pela indústria pesqueira desde os anos 2000, grande parte dos estudos foram realizados nos mares australianos (Stobutzki et al., 2000). Não obstante, esse método é usado apenas para organismos aquáticos e o presente estudo configura-se na primeira tentativa de utilizar o escopo dessa metodologia com determinadas adaptações para avaliar o grau de vulnerabilidade à extinção em organismos terrestres, no caso, lagartos. O estado de Pernambuco foi escolhido como modelo de transecto para o nordeste do Brasil, tendo em vista o fato de possuir uma riqueza elevada de espécies (i.e., 42 espécies) que ocorrem na maioria dos outros estados nordestinos, de modo que esse conjunto de dados, corresponde a uma amostra significativa da saurofauna do Nordeste. Por conseguinte, por meio de um recorte local, será possível detalhar de uma melhor forma as vulnerabilidades e ameaças de um país com dimensões continentais, partindo de uma escala menor do que a utilizada pelas listas nacionais e internacionais. Futuramente, esse tipo de abordagem analítica (i. e., critérios, pontuação, ranqueamento) poderá se tornar referência em avaliações de vulnerabilidade à extinção de lagartos ao redor do mundo. Diante do cenário de crise pelo qual a biodiversidade global atravessa e afim de contribuir com informações sobre a conservação dos lagartos, o objetivo do presente estudo é testar a eficácia do método de “Sustentabilidade de Stobutzki” em avaliar o grau de vulnerabilidade dos.

(27) 27. lagartos com ocorrência para Pernambuco. Adicionalmente, o presente estudo se propôs a testar as seguintes hipóteses: H1 - A maioria das espécies de lagartos com um grau mais e menos elevado de vulnerabilidade à extinção são bastante próximas filogeneticamente, pertencendo a mesma família e H2 – As espécies mais vulneráveis à extinção possuem as menores áreas de ocorrência e ocorrem nas fitofisionomias com menor porção territorial e/ou com o maior histórico de degradação.. Material e Métodos O estudo foi desenvolvido entre abril de 2017 e junho de 2018, com a utilização de dados provenientes das 42 espécies de lagartos com ocorrência registrada para o estado de Pernambuco, Brasil. (Tabela 1). As siglas das categorias de ameaça significam: LC- Least concern (menos preocupante), VU- Vulnerável, DD- Data deficiente (Dados insuficientes) e ENEndangered (Em perigo).. Tabela 1. Lista das espécies de lagartos com ocorrência registrada para o estado de Pernambuco, Brasil e suas respectivas categorias de ameaça em âmbito estadual. Espécies. Família. Categoria de ameaça Estadual. Acratosaura mentalis (AMARAL, 1933) Norops fuscoauratus (DUMÉRIL & BIBRON, 1837) Dactyloa punctata DAUDIN, 1802 Anotosaura vanzolinia DIXON, 1974 Phyllopezus lutzae (LOVERIDGE, 1941) Coleodactylus meridionalis (BOULENGER, 1888) Diploglossus lessonae PERACCA, 1890 Dryadosaura nordestina RODRIGUES, XAVIER FREIRE, MACHADO PELLEGRINO & SITES, 2005 Enyalius erythroceneus RODRIGUES, DE FREITAS, SANTOS SILVA & VIÑA BERTOLOTTO, 2006 Enyalius catenatus (WIED-NEUWIED, 1821) Enyalius bibronii BOULENGER, 1885 Gymnodactylus darwinii (GRAY, 1845) Gymnodactylus geckoides SPIX, 1825 Hemidactylus agrius VANZOLIN, 1978 Hemidactylus brasilianus (AMARAL, 1935) Iguana iguana (LINNAEUS, 1758) Kentropyx calcarata SPIX, 1825 Lygodactylus klugei (SMITH, MARTIN & SWAIN, 1977) Psychosaura agmosticha (RODRIGUES, 2000) Copeoglossum nigropunctatum (SPIX, 1825). Gymnophthalmidae Polychrotidae Polychrotidae Gymnophthalmidae Phyllodactylidae Sphaerodactylidae Diploglossidae Gymnophthalmidae. LC LC LC LC LC LC LC LC. Leiosauridae. LC. Leiosauridae Leiosauridae Phyllodactylidae Phyllodactylidae Gekkonidae Gekkonidae Iguanidae Teiidae Gekkonidae. LC LC LC LC LC LC LC LC LC. Mabuyidae Mabuyidae. LC LC.

(28) 28 Brasilisincus heathi (SCHMIDT & INGER, 195) Psychosaura macrorhyncha (HOGE, 1946) Micrablepharus maximiliani (REINHARDT & LÜTKEN, 1862 Nothobachia ablephara (RODRIGUES, 1984) Ophiodes striatus (SPIX, 1824) Phyllopezus periosus RODRIGUES, 1986 Phyllopezus pollicaris (SPIX, 1825) Polychrus acutirostris (SPIX, 1825) Polychrus marmoratus (LINNAEUS, 1758) Procellosaurinus erythrocercus RODRIGUES, 1991 Salvator merianae (DUMÉRIL & BIBRON 1839) Scriptosaura catimbau RODRIGUES & MARANHÃO DOS SANTOS, 2008 Stenolepis ridleyi BOULENGER 1887 Strobilurus torquatus WIEGMANN 1834 Trachylepis atlantica (SCHMIDT, 1945) Tropidurus cocorobensis RODRIGUES, 1987 Tropidurus hispidus (SPIX, 1825) Tropidurus semitaeniatus (SPIX, 1825) Vanzosaura multiscutata (AMARAL, 1933) Cercosaura ocellata WAGLER, 1830 Ameiva Ameiva (LINNAEUS, 1758) Ameivula ocellifera (SPIX, 1825). Mabuyidae Mabuyidae Gymnophthalmidae. LC LC LC. Gymnophthalmidae Diploglossidae Phyllodactylidae Phyllodactylidae Polychrotidae Polychrotidae Gymnophthalmidae Teiidae Gymnophthalmidae. EN DD LC LC LC LC EN LC EN. Gymnophthalmidae Tropiduridae Mabuyidae Tropiduridae Tropiduridae Tropiduridae Gymnophthalmidae Gymnophthalmidae Teiidae Teiidae. VU VU EN LC LC LC LC VU LC LC. Área de estudo Pernambuco está inserido na zona intertropical, entre a latitude 8° 19' 59 S e a longitude 37° 45' 0 W. Está localizado no centro-leste da Região Nordeste do Brasil e ocupa uma área territorial de 98.311,62 km². (Andrade, 2007). É estreito no sentido N/S (240 km) e alongado em direção L/W (748 km). Além da porção continental, também faz parte do território Pernambucano, o Arquipélago de Fernando de Noronha (3º 51' 13.71" S, 32º 25' 25.63" W) (Andrade, 2003). (Uma transecção do Nordeste do Brasil) De acordo com a classificação de Köppen, Pernambuco apresenta quatro tipos de clima: 1. As’ (clima tropical com chuvas de outono e inverno); 2. BSh (clima seco e quente de estepe); 3. Cs’a (clima mesotérmico com estações de verão e inverno definidas); e 4. Cw’a (clima mesotérmico com chuvas de verão-outono) (Kottek et al., 2006). Estende-se sobre Pernambuco uma vegetação diversa com diferentes fitofisionomias sendo composto principalmente pelos Domínios Morfoclimáticos da Caatinga (Caatinga Hipoxerófila, Caatinga Hiperxerófila). Mata Atlântica (Restinga, Brejos de altitude, Floresta subperenifólia, Floresta subcaducifólia, Floresta caducifólia, Formações litorâneas e Mangue) (Veloso, 1982; Ferraz & Rodal, 2006). Em menor proporção é possível encontrar enclaves de.

(29) 29. Cerrado (Cerradão) (Lato sensu) na região da Chapada do Araripe e ecótonos entre Floresta/Caatinga e Caatinga/Cerrado (Lima, 1960).. Obtenção de dados Os dados utilizados no estudo foram obtidos por meio de uma extensa revisão bibliográfica em busca de informações consolidadas das 42 espécies de lagartos (Apêndice A) com ocorrência comprovada em Pernambuco. Foram executadas buscas por artigos científicos, notas científicas e livros nas bases de dados: Web of Science, Scielo, Periódicos capes, Scirus, Bireme, Scopus, Elsevier e Science Direct. Além das buscas na internet, foram feitas visitas a coleções herpetológicas e paleoherpetológicas da UFRPE. As combinações de palavras-chave utilizadas nas buscas estão disponíveis no Apêndice B. Além das buscas na internet, foram feitas visitas à coleção herpetológica e paleoherpetológica da UFRPE-LEHP. Avaliação do grau de vulnerabilidade A avaliação do grau de vulnerabilidade foi feita em escala local, tendo por base as informações pertinentes ao estado de Pernambuco. Para tal, foi utilizado um método de pontuação e ranqueamento para sustentabilidade de espécies, modificado de Stobutzki et al. (2000). O método de Sustentabilidade de Stobutzki tem como principal argumento, a capacidade das espécies em reagir por meio de suas características biológicas e de história de vida a determinadas ameaças. Com o objetivo de organizar as informações para a posterior análise, foi elaborada uma planilha contendo dois eixos que representam as “Ameaças” e “ Vulnerabilidades” das espécies, a partir de alguns fatores que supostamente as tornam mais vulneráveis. Foram produzidos índices com amplitude entre 1 e 3 para “Ameaças” e “Vulnerabilidades”. Os fatores foram classificados em três categorias cuja pontuação é inversamente proporcional ao grau de vulnerabilidade, ou seja, 1 (o fator possui uma contribuição importante para a vulnerabilidade à extinção); 2 (o fator contribui de maneira mediana para a vulnerabilidade à extinção) e 3 (o fator contribui minimamente para vulnerabilidade à extinção)..

(30) 30. Adicionalmente, foram atribuídos pesos de 1 a 3 para cada fator de acordo com o seu grau de influência sobre a vulnerabilidade das espécies (Tabela 2). Abaixo estão descritos os eixos e os fatores escolhidos para compor a planilha de avaliação. Foram considerados muito vulneráveis à extinção as espécies que apresentarem escores finais até 1,5 para ambos os eixos e “parcialmente vulneráveis” os que apresentarem escores finais entre 1,5 e 2 para ambos os eixos. Foram considerados não vulneráveis as espécies que apresentarem escores maiores que 2 em alguns dos eixos. EIXO 1 – AMEAÇAS: Esse eixo é representado por fatores extrínsecos, que se caracterizam como ameaça e exercem influência negativa sobre as populações de lagartos em PE. Essas ameaças contribuem de maneira direta ou indireta para diminuição das populações e dos habitats, provocando distúrbios na capacidade de sobreviver, crescer e se reproduzir, afetando fortemente a “fitness” (Aptidão darwiniana) dos indivíduos. Em alguns casos podendo vir a ocasionar extinção local, regional ou global. I. Número de ameaças antrópicas: Várias ameaças de origem antrópica assolam as espécies de lagartos em Pernambuco. Logo, existem espécies que não sofrem com nenhum, um ou diferentes tipos de ameaças. Logo, um grande número de ameaças tende a contribuir mais para uma maior à vulnerabilidade da espécie. II. Vulnerabilidade das fitofisionomias: Leva em consideração o grau de vulnerabilidade de cada fitofisionomia existente em Pernambuco. Levando em consideração a história de desmatamento, assim como a área disponível hoje. Cada uma dessas fitofisionomias recobre uma dada extensão do território Pernambucano e está sujeito a diferentes taxas de desmatamento e fragmentação. Logo, fitofisionomias mais impactadas e com alto grau de desmatamento, supostamente contribuem mais para à vulnerabilidade da espécie. III. Uso humano: Determinadas espécies de lagartos são utilizadas por comunidades rurais e tradicionais para alimentação, como zooterápicos, para fins religiosos, como animal de estimação entre outros fins (Alves et al., 2012). Logo, o uso para algum fim por populações humanas, tende a contribuir mais para uma maior vulnerabilidade das espécies. IV. Área das fitofisionomias de ocorrência: Leva em consideração a porcentagem de área do estado de Pernambuco coberta por cada uma das fitofisionomias. O estado de Pernambuco é composto por áreas de Caatinga 83%, Mata Atlântica 12% e Cerrado (Lato sensu) 5% (Machado, 2016; Sosma, 2015; Loiola et al., 2012), além de várias fitofisionomias com.

(31) 31. diferentes fácies que estão inclusos nesses Biomas (e.g., Restinga, Brejo de Altitude, Cerradão). Espécies cuja maioria das populações ocorrem em fitofisionomias com pequena área de abrangência tendem a ser mais vulneráveis. V. Ocorrência em Unidades de Conservação (UC´s): O estado de Pernambuco possui UC´S de diversas modalidades. Logo, espécies que ocorrem em UC´S estão supostamente mais protegidas e tendem a ser menos vulneráveis. VI. Existência de políticas públicas de proteção: Refere-se a espécie estar inserida ou não em alguma política de conservação, específica a ela. Pode ser o Plano Nacional de Conservação da Biodivesidade-PAN/ICMBIO-MMA (plano nacional para conservação da Herpetofauana da Mata Atlântica nordestina (ICMBIO/Resolução 02070.001037/2012-07). EIXO 2 – VULNERABILIDADES: Esse eixo é representado por características biológicas, ecológicas e componentes da história de vida das espécies que as capacitam ou não a enfrentar os impactos causados pelas ameaças. É a capacidade intrínseca das espécies em lidar com perturbações e se sobressair perante um distúrbio. VII. Número de embriões por ninhada: É o tamanho da prole que cada fêmea produz anualmente. Admite-se que, quanto maior for a prole maior será a probabilidade de sucesso reprodutivo e de contribuir com descendentes para próxima geração. Logo, espécies com maior fecundidade anual tendem a ser menos vulneráveis (Purvis et al., 2000) VIII. Especificidade alimentar (dieta): Esse critério leva em consideração a largura do nicho alimentar das espécies (e.g., especialista e generalista), com base na porcentagem de cada item alimentar que compõe suas dietas. Tendo em vista, que espécies com uma amplitude maior de nicho (generalistas) são menos vulneráveis. IX. Tamanho máximo: É mensurado com base nos índices morfométricos (CT) de cada espécie de lagarto. Espécies de vertebrados que apresentam tamanho do corpo maior do que outras espécies do mesmo grupo, tendem a ser mais vulneráveis (Shodi & Ehrlich, 2010). Nesse critério, assumimos esse pressuposto para lagartos, pois as espécies maiores são de fácil visualização, possuem um potencial maior para utilização pelas comunidades quer seja para alimentação ou outros fins. Além do que, espécies maiores demoram mais a crescer e atingir a maturidade, correndo um risco maior de serem capturados antes de se reproduzir e deixar descendentes (Purvis et al., 2000)..

(32) 32. X. Número de fitofisionomias de ocorrência: Foi considerada a existência de cinco fitofisionomias com ocorrência para o Pernambuco. Cada espécie está distribuída em uma, duas, três ou mais fitofisionomias. Logo, espécies que se distribuem pelo maior número possível de fitofisionomias tendem a ser menos vulneráveis do que espécies que só ocorrem em uma ou de 2 a 3. XI. Especificidade microambiental: Refere-se a amplitude de uso do microhabitat ocupado. Se a espécie utiliza exclusivamente um único micro-habitat, sendo especialista (e. g., psamófila, saxícola, bromelícola). Ou se a espécie ocupa de dois a três microhabitats e por fim com mais de quatro microhabitats, sendo generalista. XII. Extensão de ocorrência: Cada espécie de lagarto está distribuída ao longo de determinadas áreas do território Pernambucano. Essa distribuição pode evidenciar sua capacidade de dispersão e seus limites de ocorrência para o estado. O cálculo foi baseado nos pontos de amostragem (Coordenadas geográficas) de cada espécie para o estado e realizado com base na fórmula do mínimo polígono convexo. Logo, espécies que apresentam menores extensões de ocorrência tendem a ser mais vulneráveis (Purvis et al., 2000)..

(33) 33. Tabela 2. Planilha com os critérios (Eixo 1 - Ameaças, Eixo 2 – Vulnerabilidades), pesos e rank dos fatores que supostamente tornam as espécies de lagartos mais vulneráveis no estado de Pernambuco, Brasil. Critérios. Peso 1. EIXO 1 - AMEAÇAS 1-Nº de ameaças antrópicas. 3. 2-Vulnerabilidade das Fitofissionomias. 3. ≥3 Mata Atlântica e Restinga. 3-Uso humano. 2. Afetado por uso direto. 4-Área das Fitofisionomias de Ocorrência. 2. 5-Ocorrência em Unidades de Conservação. 1. Cerradão e Restinga Sem ocorrência em UC´s. 6-Existência de políticas públicas de proteção EIXO 2 - VULNERABILIDADES 1-Número de embriões/ninhada. 1. Não tem. 3. <3. 2-Especificidade alimentar. 1. 3-Tamanho máximo (mm). RANK 2 1a2 Brejo de Altitude e Cerradão Afetado por uso indireto Mata Atlântica e Brejo de Altitude Ocorrência potencial em UC´s Tem como espécie beneficiada. 3 0 Caatinga Nenhum Caatinga Com ocorrência em UC´s Tem como espécie alvo. Especialista. 3 – 10 Parcialmente generalista. Amplamente generalista. 2. > 300. 100 – 300. < 100. 4-Fitofisionomia de ocorrência. 1. 1. 2-3. 4-5. 5-Especificidade microambiental. 3. 1 microhabit. 2 - 3 microhabits. mais de 4 microhabits. 6-Extensão de ocorrência. 2. 10000 - 40000. 40000 - 70000. >70000. >10. Análise dos dados Após a pontuação de cada fator dos eixos de “Ameaças” e “Vulnerabilidades”, foi gerado um índice de ranqueamento para cada eixo. A “sustentabilidade” de cada espécie foi analisada por meio da seguinte equação:.

(34) 34. Na qual Si= É o ranqueamento total para o eixo “Ameaças” ou “Vulnerabilidade, para cada espécie i; Wj= É o peso de cada critério j; Ri = é o ranqueamento da espécie i para o critério j; e n = o número de critério para cada eixo (Stobutzki et al., 2000). Posteriormente, os escores finais para “Ameaças” e “Vulnerabilidades” foram plotados no gráfico de sustentabilidade. Na representação gráfica, quanto mais próximo de 1 em ambos os eixos mais vulnerável é a espécie e quanto mais próximo de 3 em ambos os eixos, menos vulnerável à extinção é a espécie. Por conseguinte, foi construído um “Ranking” de vulnerabilidade utilizando uma equação baseada na distância Euclidiana do ponto focal v= √(p-0)² + (s -1)² (Cortés et al., 2010). Na qual V =índice de vulnerabilidade; p= escores de cada espécie para “vulnerabilidades” e s= escores de cada espécie para “Ameaças”. Com o intuito investigar como cada variável em ambos os eixos contribui para a vulnerabilidade à extinção foram executadas duas Análises de Componentes Principais (PCA), separadamente, utilizando as 42 espécies avaliadas por meio do software estatístico PAST versão 3.0. Como foi utilizado um método de pontuação e ranqueamento, tornou-se necessário proceder com a normalização dos dados afim de excluir a possibilidade de enviesamento dos resultados, diante dos diferentes pesos atribuídos a cada fator nos dois eixos. A normalização foi feita a partir da seguinte equação: “Z= escore bruto – média / desvio padrão” (Jollife, 1986).. Resultados e Discussão. Os resultados da representação gráfica indicam que as espécies de lagartos de PE apresentam diferentes graus de vulnerabilidade à extinção (Figura 1). A maioria das espécies (n=32), não demonstra estar vulnerável. Se compararmos com o método da IUCN, esses lagartos se enquadrariam na categoria LC – Least concern (menos preocupante). Há lagartos que são fortemente ameaçados e vulneráveis à extinção e espécies que por possuírem características bioecológicas favoráveis, conseguem se sobressair perante o quadro de ameaças encontrado em PE. Foram encontradas dez espécies que não são consideradas “sustentáveis” pelo método adaptado de Stobutzki (2001) (Figura 2). Os lagartos Nothobachia ablephara Rodrigues,1984; Cercosaura ocellata Wagler 1830 e Procellosaurinus erythrocercus Rodrigues, 1991, demonstraram um grau muito elevado de vulnerabilidade à extinção..

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