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Anais do Conic-Semesp. Volume 1, 2013 - Faculdade Anhanguera de Campinas - Unidade 3. ISSN 2357-8904

TÍTULO: ADEQUAÇÃO DO DIREITO À EVOLUÇÃO DA SOCIEDADE - ASPECTOS POSITIVOS E/OU NEGATIVOS

TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS ÁREA:

SUBÁREA: DIREITO SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: FACULDADE ANHANGUERA DE JACAREÍ INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): RAQUEL OLIVEIRA DOS REIS AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): SANDRO LUIZ DE OLIVEIRA ROSA ORIENTADOR(ES):

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ADEQUAÇÃO DO DIREITO À EVOLUÇÃO DA SOCIEDADE – ASPECTOS POSITIVOS E / OU NEGATIVOS

Resumo

A sociedade vive em constante mutação deparando-se diuturnamente com uma série de normas jurídicas que até então parecem arcaicas e desatualizadas frente à inconstância social. O presente trabalho tem a intenção de ponderar acerca da verdadeira função do Direito como instrumento balizador de toda uma sociedade. Busca analisar a evolução humana através dos tempos e a repercussão desta evolução na esfera do Direito, visando sua aplicabilidade diante das ações humanas. Faz-se necessário estudar a evolução da vida em sociedade, os caminhos que o homem tem percorrido em busca de seus desejos e paralelamente a repercussão desta evolução na esfera do Direito, visando sua aplicabilidade diante das ações humanas. Pensar a “Função Social do Direito” sem conhecer a sua gênese é tarefa inútil, visto que a gênese nos leva a compreender a razão do Direito, bem como a função que este desempenha na sociedade. Paralelamente, ao lermos a evolução do que vem a ser justiça, em uma perspectiva temporal, vê-se nitidamente o quanto este termo sofreu alteração conceitual. Percebe-se uma flexibilização, uma “elasticidade”, podemos até falar em abrandamento do referido termo.

Introdução

A sociedade brasileira tem vivido, nas últimas décadas, desafiando seus próprios limites e, consequentemente, todos os setores da vida. Seja na genética, na relação familiar, na esfera ambiental, nas relações civis, enfim, entre seus pares, o homem, egoisticamente, tem buscado de forma frenética acomodar-se em seus desejos, aniquilando sua própria espécie em busca da sua única e exclusiva “felicidade”.

Na outra vertente, o Direito, ciência esta que foi criada na intenção de organizar a sociedade e disciplinar a conduta humana na convivência social, por sua vez, encontra-se continuamente, adaptando as leis e adequando-as a fim garantir à espécie humana a sua dignidade prevista na Constituição Federal.

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Percebe-se que o Direito Consuetudinário, ou seja, o Direito estabelecido com base nos costumes, na prática reiterada de uma determinada conduta, tem se estabelecido com muita frequência. Basta atentarmos, se um dos princípios para implantação do Direito Consuetudinário tem sido atendido: O da Moralidade, pois é sabido que o costume não pode contrariar a moral ou os bons hábitos.

Vivemos em tempos descartáveis e de ilimitada mutação. As decisões jurídicas, por intermédio de infinitos julgados, têm buscado garantir a felicidade do indivíduo ou da sua coletividade. A “disciplina”, intenção “sine qua non” do Direito, parece estabelecer-se em segundo plano. Devemos estar atentos no fato de até onde uma decisão a favor de um dado indivíduo, na intenção de fazê-lo mais feliz não tem respingado de forma indelével em todo um agrupamento e quiçá na sociedade.

O ordenamento jurídico brasileiro, especificamente por intermédio de suas leis, após a promulgação da Constituição Federal de 1988, vem sendo submetido a diversas revisões e alterações, visando a “Dignidade da Pessoa Humana”.

Inúmeras alterações foram e estão sendo realizadas e, neste contexto, encontramos decisões positivamente significativas e necessárias ao eficaz desenvolvimento humano, como também nos deparamos com alterações que merecem uma apreciação mais cautelosa, tendo em vista os reflexos que estas vêm ocasionando no cenário social.

Tomemos como exemplo, “O Fim da Censura”, datada após a promulgação da Constituição de 1988.

Como era: Uma série de leis e dispositivos diversos era usada para estabelecer os critérios da censura prévia a programas de TV, jornais, e produtos culturais como filmes, livros, músicas e espetáculos de teatro. A Lei nº 5.536, de 21 de novembro de 1968, criou o Conselho Nacional de Censura, que deveria determinar a censura dos programas por faixas etárias.

Como ficou: O artigo 5º Inciso IX da Constituição tornou a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação um direito individual fundamental, independentemente de licença ou censura. Mais adiante, o artigo 220 era ainda mais

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explícito em seu parágrafo 2º: "É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística".1

É evidente que a censura na década de 68 tinha caráter intencional de cercear uma série de direitos, porém evidencia-se que com sua quebra, a sociedade se viu sem freios e subordinada a uma série de informações subversivas que insistem invadir os lares de forma despudorada e desenfreada, pois há pouquíssimas formas de fugir desta realidade.

Neste sentido, o STF, por intermédio de um julgado, emitiu seu parecer acerca da exacerbação do exercício da liberdade de imprensa, violando a honra e a imagem do autor da ação. É o que se observa no voto condutor do acórdão recorrido e destacado na decisão agravada:

EMENTA: CONSTITUCIONAL. AGRAVO REGIMENTAL EM

RECURSO EXTRAORDINÁRIO. LIBERDADE DE

INFORMAÇÃO. ART. 220 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ABUSO DO DIREITO. INVIOLABILIDADE DO PATRIMÔNIO MORAL. ART. 5º, X, CF/88. INDENIZAÇÃO. SÚMULA STF 279.

Enquanto o art. 5º, X, da Constituição Federal garante a inviolabilidade da vida privada, da honra e imagem das pessoas, o artigo 220 veda qualquer restrição à manifestação de pensamento, à criação, à expressão e à informação, sob qualquer forma. Regra completada pelo artigo 1º da Lei nº 5.250/67, que diz ser “livre a manifestação do pensamento e a procura, o recebimento e a difusão de informações ou idéias, por qualquer meio, e sem dependência de censura, respondendo, cada um, nos termos da lei, pelos abusos que cometem.

Para saber onde começa o direito de um e termina o do outro, buscando o equilíbrio, impõe-se a análise dos fatos e das provas, que permitirá concluir-se pela existência ou não do abuso a que se refere o legislador, tendo-se presente os efeitos deletérios de uma notícia equivocada, sobretudo se publicada em jornal ou revista de grande circulação. 2

1 BRASIL. Constituição (1988). Constituição da Republica Federativa do Brasil. Brasília, DF:

Senado Federal.

2 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Agravo Regimental em Recurso Extraordinário.

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Esta pesquisa busca analisar a eficácia do Direito como instrumento de alicerce para a evolução humana e até que instante o Direito deve atender as necessidades humanas sem ferir a dignidade dos demais.

Objetivos

É neste contexto, que se faz necessária a presente pesquisa. Torna-se imperioso conhecer algumas alterações legais que ocorreram no decorrer dos tempos, como a legislação vem se comportando em relação a estas alterações sociais e se realmente podemos falar em “saldo” positivo do poder jurisdicional frente a esta nova sociedade que se estabelece.

Por fim, devemos verificar se a sociedade encontra-se madura o suficiente para receber a chancela do Direito em seus atos, também chamados de costumes e se no final das contas este indivíduo, beneficiado pela jurisdição, tem dado conta de seus atos, respondendo por eles com maturidade.

Metodologia

Esta pesquisa foi desenvolvida em apenas uma fase:

1. Pesquisa exploratória e bibliográfica;

A fase exploratória e bibliográfica consiste na consulta a livros, revistas, periódicos e outras fontes que ajudaram a sustentar e esclarecer os aspectos teóricos do tema em questão.

Os estudos exploratórios são acompanhados de uma pesquisa bibliográfica, que tem por finalidade fundamentar teoricamente o estudo que será realizado, por meio da apresentação de argumentos e dados arrolados por outros estudiosos que avaliaram questões similares.

O método de pesquisa bibliográfica será utilizado para explicar o problema que será abordado a partir de referências teóricas e/ou revisão de literatura de obras e documentos que se relacionam com o tema.

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Enfim, os dados obtidos pelo método descritivo serão avaliados por meio de um delineamento qualitativo. A importância deste método, na pesquisa científica, será sintetizada na afirmação de Teixeira (2002, p. 124) que diz:

“Na pesquisa qualitativa o pesquisador procura reduzir a distância entre a teoria e os dados, entre o contexto e a ação, usando a lógica da análise fenomenológica, isto é, da compreensão dos fenômenos pela sua descrição e interpretação. As experiências pessoais do pesquisador são elementos importantes na análise e compreensão dos fenômenos estudados. (...) Assim, a pesquisa qualitativa tem as seguintes características:

- O pesquisador observa os fatos sob a óptica de alguém interno à organização;

- A pesquisa busca uma profunda compreensão do contexto da situação;

- A pesquisa enfatiza o processo dos acontecimentos, isto é, a seqüência dos fatos ao longo do tempo;

- O enfoque da pesquisa é mais desestruturado, não há hipóteses fortes no início da pesquisa. Isso confere à pesquisa bastante flexibilidade;

- A pesquisa geralmente emprega mais de uma fonte de dados.”

Portanto, no decorrer da pesquisa será realizada uma coleta de dados referente à temática. Em seguida realizar-se-á uma análise descritiva/qualitativa das informações obtidas.

A técnica de coleta que será utilizada será: a) Documentação indireta

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a.1) Pesquisa documental: leis, sentenças, acórdãos e legislação educacional a.2) Pesquisa bibliográfica: livros , artigos, periódicos (revistas, boletins e jornais)

Desenvolvimento

Conforme metodologia apresentada, os trabalhos foram realizados com pesquisas exploratória e bibliográfica, com consulta a livros, revistas, periódicos e outras fontes que ajudaram a sustentar e esclarecer os aspectos teóricos do tema em questão.

O presente trabalho compõe de cinco capítulos. O 1º capítulo versa sobre “A Função Social do Direito”. Este capítulo “passeia” pelas Escolas Filosóficas do Direito, desde a Escola Jusnaturalista até a Escola Positivista. A Escola Sociológica do Direito é o objeto principal deste trabalho, tendo em vista que é a mais próxima da visão contemporânea do Direito, colocando a sociedade e as suas relações no centro do universo e desta forma, o homem como ente principal.

Em seguida, temos o 2º capítulo, trazendo o tema: “Justiça e Paz Social na Perspectiva da Sociedade Contemporânea”. “Aqui, far-se-á um estudo acerca da evolução conceitual dos termos “Justiça” e “Paz Social”, passando pelo conceito de “Livre Arbítrio” e todas as suas implicações religiosas, morais, psicológicas, filosóficas e científicas.

O 3º Capítulo pondera acerca da “Democracia” e seu exercício no decorrer dos tempos.

No 4º Capítulo, há uma ilustração sobre a “Sociedade Contemporânea”. Aqui se demonstra quanto a sociedade sofreu modificação drástica quanto ao modo de pensar e de viver das pessoas, devido ao rápido crescimento urbano, o desenvolvimento dos sistemas de comunicação de massa, a explosão demográfica e uma vida acelerada, calcada no imediatismo, no lucro máximo e na busca pelo prazer imediato.

O “Direito Natural e Positivo na Atualidade” é objeto do 5º Capítulo da referida pesquisa. Aqui, discute-se, aprofundadamente, o Direito Natural e o Direito Positivo na perspectiva de Thomas Hobbes e de John Locke.

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Resultados

Diante de todo o material lido, vídeos assistidos e conversas informais com educadores das áreas pertinentes ao tema em tela, como resultado parcial, alguns entendimentos vieram à tona em relação à matéria.

A sociedade tem vivido em constante busca da felicidade. Felicidade esta que parece não ser fácil de encontrar, visto que estamos diante de acelerado desenvolvimento em variadas áreas, como: tecnológica, comportamental, social, cultural... Tudo tem evoluído de forma muito rápida e desta maneira, adequar-se aos novos conceitos sociais, acompanhando a evolução imposta pelo mundo nada mais é que uma tentativa quase que utópica de ser verdadeiramente feliz.

Neste contexto, deve-se levar em consideração que a liberdade individual não pode ferir a paz coletiva e que o Direito não pode jamais perder isto de vista, pois ao perder, a sociedade entra em colapso e passa a se encontrar em um caos profundo, fazendo com que os indivíduos não mais se entendam e não mais se respeitem, uns aos outros.

No estágio atual em que se encontra a sociedade contemporânea é preciso que operador do direito reveja seus conhecimentos, suas ideias, enfim, suas convicções e avalie sua postura no ordenamento jurídico.

A teoria da função social do direito tem como uma de suas finalidades ser um instrumento hermenêutico de interpretação e de aplicação do direito e consequentemente assegurar a paz social , exclusivamente, à coletividade.

O estudo realizado em relação às escolas Filosóficas do Direito, trouxe uma larga concepção sobre a evolução do Direito. Deus, “personagem” principal nas primeiras Escolas, perde lugar para a sociedade. Tudo se justifica em razão das necessidades humanas e é o homem a razão de tudo e o senhor das decisões.

“O termo “Justiça” vem sofrendo alteração no que tange à interpretação, desde Platão, que trazia em seu pensamento que “Justiça é dar a cada um o que é seu” até a relativização deste termo com Chaim Perelman.

Passeando pelas Constituições que vigoraram no Brasil, percebe-se, também, que o conceito de “Paz Social” sofreu larga interpretação.

No decorrer da presente pesquisa, há de se compreender como se dá a relação dos Direitos Humanos Fundamentais na contramão do direito positivado pelo Estado.De todo o exposto, verifica-se que os direitos humanos fundamentais, na

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verdade, confundem-se com o Direito Natural, dada a similitude entre seus conceitos e características. E o Direito positivado confronta-se com certos comportamentos sociais que atingem a sociedade.

Considerações Finais

Diante da busca desenfreada da felicidade, vê-se cidadãos ultrapassando todas as barreiras, de forma descomedida e até mesmo desleal para atingir seus objetivos.

O Direito, ciência esta que tem o condão de disciplinar a sociedade, garantindo a ordem pública, inibindo excessos, fazendo o indivíduo respeitar o direito do outro, vem em sentido contrário aos impulsos da sociedade e tenta punir, por intermédio de seu poder coercitivo, àqueles que insistem em passar dos seus limites.

Porém, na atualidade, o que vemos é o Direito acompanhando o comportamento humano, como mero observador e posteriormente, como chancelador deste comportamento. Vê-se, diariamente, jurisprudências acerca de diversos assuntos, principalmente na esfera civil, demonstrando quão a sociedade se movimenta de forma rápida e na outra vertente, percebe-se que o ordenamento jurídico, por intermédio de suas leis, encontra-se atrasado e retrógrado em relação às decisões que a sociedade vem tomando.

O Nosso código civil é prova disso: O casamento homoafetivo não é um direito garantido em nosso Ordenamento Jurídico, porém já há jurisprudência acerca do assunto, abrindo possibilidade para que outros casamentos ocorram, que adoções sejam feitas por estes casais e já há um movimento bastante significativo para que haja uma alteração na certidão de nascimento a fim de não se discriminar mais os termos: “Pai” e “mãe”. Vê-se, então, que o as leis já não mais inibem certos comportamentos. O Direito Consuetudinário vem tomando espaço e os costumes assumindo o lugar das leis.

Não podemos nos esquecer que temos a Constituição Federal respaldando estes e outros comportamentos, quando garante ao homem a sua dignidade e esta garantia vem justificando uma série de posturas da sociedade, transformando-a ilimitadamente. Deve-se levar em consideração que a paz social deve ser a meta do

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Direito, ou seja, garantir à sociedade uma calma, uma paz, uma serenidade a fim de ver os indivíduos transitarem livremente sem ferir o direito do próximo.

Neste contexto, deve-se levar em consideração que a liberdade individual não pode ferir a paz coletiva e que o Direito não pode jamais perder isto de vista, pois ao perder, a sociedade entra em colapso e passa a se encontrar em um caos profundo, fazendo com que os indivíduos não mais se entendam e não mais se respeitem, uns aos outros.

Fontes Consultadas

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Referências

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