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Era Emo: uma publicação sobre a terceira onda do emocore

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ CAMPUS CURITIBA – SEDE CENTRAL

DEPARTAMENTO ACADÊMICO DE DESENHO INDUSTRIAL CURSO DE TECNOLOGIA EM DESIGN GRÁFICO

PRISCILA OLIVEIRA DA COSTA

ERA EMO: Uma publicação sobre a terceira onda do emocore

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

CURITIBA 2018

(2)

PRISCILA OLIVEIRA DA COSTA

ERA EMO: Uma publicação sobre a terceira onda do emocore

Trabalho de Conclusão de Curso de graduação, apresentado à disciplina de Trabalho Conclusão de Curso 2 do curso de Tecnologia em Design Gráfico do Departamento Acadêmico de Desenho Industrial – DADIN – da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR, como requisito parcial para obtenção do título de Tecnólogo. Orientador: Prof°MSc. Kleiton Semensatto da Costa

CURITIBA 2018

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TERMO DE APROVAÇÃO

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO 075

ERA EMO: UMA PUBLICAÇÃO SOBRE A TERCEIRA ONDA DO EMOCORE por

Priscila Oliveira Da Costa – 1722301

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado no dia 22 de junho de 2018 como requisito parcial para a obtenção do título de TECNÓLOGO EM DESIGN GRÁFICO, do Curso Superior de Tecnologia em Design Gráfico, do Departamento Acadêmico de Desenho Industrial, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. A aluna foi arguida pela Banca Examinadora composta pelos professores abaixo, que após deliberação, consideraram o trabalho aprovado.

Banca Examinadora: Prof. Manoel Alexandre Schroeder (MSc.) Avaliador

DADIN – UTFPR

Profa. Priscila Daienny Zimermann Nardon (Esp.) Convidada

DADIN – UTFPR

Kleiton Semensatto da Costa (MSc.) Orientador

DADIN – UTFPR

Prof. André de Souza Lucca (Dr.) Professor Responsável pelo TCC DADIN – UTFPR

“A Folha de Aprovação assinada encontra-se na Coordenação do Curso”.

UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ

PR

Ministério da Educação

Universidade Tecnológica Federal do Paraná Câmpus Curitiba

Diretoria de Graduação e Educação Profissional Departamento Acadêmico de Desenho Industrial

(4)

AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus por me fazer chegar até aqui e por me dar forças durante as dificuldades que encontrei durante a criação do projeto.

Agradeço a todos que me apoiaram, encorajaram, motivaram e valorizaram de alguma forma o desenvolvimento deste projeto me fazendo acreditar no meu potencial e na minha capacidade.

A minha família por me apoiar na decisão de seguir a carreira de designer gráfico e me dar toda a assistência para desenvolver esse projeto.

Ao professor Kleiton Semensatto da Costa que acreditou no meu projeto desde o início, por ter doado o seu tempo e atenção para me ajudar, por ter compreendido minhas dificuldades, por ter acompanhado meu desenvolvimento de perto durante esses doze meses e pela qualidade da orientação nesse projeto.

Aos professores Manoel A. Schroeder e Priscila Zimermann que trouxeram grandes contribuições para que o projeto ficasse ainda melhor.

E à todas as pessoas próximas de mim que perdoaram as minhas ausências, me apoiaram nos momentos difíceis e viveram comigo de perto cada passo dado até a conclusão deste projeto.

(5)

RESUMO

COSTA, Priscila O.

ERA EMO: Uma publicação sobre a terceira onda

do emocore

. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso – Curso Superior de Tecnologia em Design Gráfico, da Universidade Federal do Paraná, Curitiba.

Este trabalho apresenta todas as fases de desenvolvimento do projeto da revista Era Emo: Uma publicação sobre a terceira onda do emocore. Este projeto tem o propósito de definir e afirmar a identidade do emocore, traduzindo elementos do estilo em um projeto editorial, relembrando as bandas e álbuns mais influentes da terceira onda do movimento e resgatando a cultura de revistas impressas que eram adquiridas e colecionadas pelos jovens da época. Utilizam-se os dos preceitos do design editorial, mais precisamente o design de revistas, essas que eram um dos principais meios de comunicação, além da televisão, utilizados para divulgação das bandas no período escolhido.

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ABSTRACT

COSTA, Priscila O.

ERA EMO: A publication about the third wave of

emocore.

2018. Trabalho de Conclusão de Curso – Curso Superior de Tecnologia em Design Gráfico, da Universidade Federal do Paraná, Curitiba.

This work presents all phases of development of the magazine project Era Emo: A publication about the third wave of emocore. This project aims to define and affirm the identity of emocore, translating elements of the style into an editorial project, remembering the bands and the most influential albums of the third wave of the movement and recovering the culture of printed magazines that were acquired and collected by the youth of that time. Are used the precepts of editorial design, more precisely the magazine design, which were one of the main media, other than television, used to promote the bands in the chosen period.

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Resultado da Pesquisa: Sobre o conhecimento do estilo abordado. ...16 Figura 2: Resultado da pesquisa: Sobre quem ouvia o estilo emocore...17 Figura 3: Resultados da Pesquisa: Sobre as diferenças entre o Emocore e o Pop Punk; ...17 Figura 4: Resultado da Pesquisa: Sobre os meios de comunicação utilizados...18 Figura 5: Resultado da Pesquisa: Revistas impressas como fonte de informação sobre bandas...18 Figura 6: Resultado da Pesquisa: Sobre adquirir revistas por artistas e/ou estilos musicais. ...19 Figura 7: Resultado da Pesquisa: Sobre adquirir revistas que relembrasse os estilos mais ouvidos entre os anos de 2002 à 2012. ...19 Figura 8: Metodologia de Design FRASCARA (2000)...21 Figura 9: Metodologia de Design PEÓN (2003) ...21 Figura 10: Adaptação de metodologias, com base em FRASCARA (2000) e PEÓN (2003)...22 Figura 11: Cronograma de produção do projeto... ...22 Figura 12: Página 75 da edição de janeiro de 1986 da revista Trasher, com o trecho onde é nomeado pela primeira vez o estilo emocore. ² ...26 Figura 13: Albúns de bandas de emocore. Da esquerda para a direita: Paramore – RIOT! (2007), All Time Low – So Wrong, It’s So Right (2007) e My Chemical

Romance - Three Cheers For Sweet Revenge (2004) ...28 Figura 14: Lista de videoclipes mais pedidos no programa TOP 10 MTV em 2008. .29 Figura 15: Continuação da lista de videoclipes número 1 do programa TOP 10 MTV em 2008. ...30 Figura 16: Visual dos integrantes da tribo. ...32 Figura 17: Resultado da Pesquisa: Sobre a sexualidade. ...32 Figura 18: Capas de revistas de música alternativa. Da esquerda para a direita: KERRANG! Edição 1129 – 0ut/2006, RockSound, edição 109 – Mai/2008 e

Alternative Press, Edição 223 – fev/2007...33 Figura 19: My Chemical Romance e Fresno na capa das revistas Rolling Stones e Capricho. ...34

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Figura 20: Exemplos de Grid Retangular, de Coluna, Modular e hierárquico. ...41

Figura 21: Revista Alternative Press. Aug 2006 ...44

Figura 22: Revista Alternative Press. Aug 2006 ...45

Figura 23: Revista Rock Sound – Abr 2008 ...45

Figura 24: Revista Love Rock – 2008 ...46

Figura 25: Tabela de publicações similares. ...46

Figura 26: Mapa mental de nomes para a publicação...49

Figura 27: Eventos sobre cultura emo: E eu que era emo? e Também fui emo de 2017. ...50

Figura 28: Marcas de publicações similares...52

Figura 29: Alternative Press, Edições 287.2 (Maio de 2012) e 355 (Fevereiro de 2018) respectivamente. ...53

Figura 30: Capa das Publicações Alternative Press, edição 282 (Janeiro de 2012); RockSound, Edição 155 (Janeiro de 2012); Kerrang!, edição 1532 (Agosto de 2014) e NME Edição Outubro de 2009...53

Figura 31: Análise imagética com capas de álbuns e cartazes de turnê das bandas de emocore. ...54

Figura 32: Alternativa de marca e suas variações...55

Figura 33: Aplicação da versão 1 da alternativa...56

Figura 34: Aplicação da versão 2 da alternativa...57

Figura 35: Aplicação da versão 3 da alternativa...57

Figura 36: Alternativa de Marca 2 e sua variação. ...58

Figura 37: Aplicação alternativa de Marca 4. ...59

Figura 38: Aplicação alternativa de Marca 5. ...59

Figura 39: Alternativa final definida. ...60

Figura 40: Ilustrações emocore. ...60

Figura 41: Capas de revistas que retratavam o emocore Alternative Press e Kerrang!. ...61

Figura 42: Capas dos álbuns das bandas de emoocore My Chemical Romance, Fall Out Boy, Paramore, Fresno, All Time Low, Simple Plan, Pierce The Veil e Mayday Parade...61

Figura 43: Cores principais da publicação. ...62

Figura 44: Cores secundárias da publicação. ...62

(9)

Figura 46: Teste com grid de 3 colunas. ...65

Figura 47: Teste com grid de 6 colunas. ...65

Figura 48: Margem interna da publicação. ...67

Figura 49: Margem da capa da publicação. ...68

Figura 50: Fonte Lato. ...69

Figura 51: Fonte Roboto. ...69

Figura 52: Teste com a Fonte Roboto. ...70

Figura 53: Teste com a fonte Lato...71

Figura 54: Família tipográfica Roboto de Light à Medium. Fonte: A Autora. ...73

Figura 55: Família tipográfica Roboto de Medium Italic à Black Italic. ...74

Figura 56: Capturas do Miolo da Revista Alternative Press. Edição 352 - The Ultimate Guide To Emo - Nov. 2017...75

Figura 57: Fonte Intruding Cat...75

Figura 58: Fonte Emobot...75

Figura 59: Fonte Baroness Kuffner. ...76

Figura 60: Teste com alinhamento à esquerda. ...76

Figura 61: Teste com alinhamento justificado. ...77

Figura 62: Abertura de Seção com Alinhamento à direita. ...78

Figura 63: Abertura de Seção com alinhamento à esquerda. ...78

Figura 64: Teste com a fonte Roboto corpo 10pt entrelinha 12pt...80

Figura 65: Teste com a fonte Roboto com Corpo 9pt e Entrelinha 11pt...81

Figura 66: Teste com a fonte Roboto corpo 9pt com 12pt de entrelinha. ...82

Figura 67: Alternative Press The Devil Wears Prada, Breathe Caroline. Edição 277 de Julho de 2011...84

Figura 68: Alternative Press Destroy Rebuild Until God Shows e Black Veil Brides. Edição 273, Março de 2011...84

Figura 69: Alternative Press, Title Fight, Four Year Strong e Gallows. Edição 280, Novembro de 2011.. ...84

Figura 70: My Chemical Romance na capa da Revista Alternative Press nos anos de 2004, 2005, 2010 e 2011 respectivamente. ...86

Figura 71: Paramore na capa da revista Rock Sound nos anos de 2007, 2008, 2009 e 2010 respectivamente. ...86

Figura 73: Versões de Capa da Edição...88

(10)

Figura 74: Simulação dos anúncios da publicação. ...89

Figura 75: Projeto Editorial: Página do sumário. ...90

Figura 76: Projeto Editorial: abertura de seção. ...91

Figura 77: Projeto editorial: Matérias...92

Figura 78: Espelho da publicação. ...93

Figura 79: Primeira Capa. ...94

Figura 80: : Primeira Capa 2° versão. ...94

Figura 81: Primeira capa 3° versão. ...95

Figura 82: Anúncio, Nota da Editora e Expediente...95

Figura 83: Sumário e Abertura de Seção: O movimento. ...96

Figura 84: O movimento. ...96

Figura 85: O movimento e Abertura de Seção: Linha do Tempo ...97

Figura 86: Linha do Tempo. ...97

Figura 87: Linha do Tempo. ...98

Figura 88: Linha do Tempo. ...98

Figura 89: Matéria Capa 1° Versão. ...99

Figura 90: Matéria Capa 2° Versão. ...99

Figura 91: Matéria Capa 3° Versão. ...100

Figura 92: Pôster 1° Versão. ...100

Figura 93: Pôster 2° Versão. ...101

Figura 94: Pôster 3° Versão. ...101

Figura 95: Matéria Capa 1° Versão e Abertura de Seção: Por onde andam? ...102

Figura 96: Matéria Capa 2° Versão e Abertura de Seção: Por onde andam? ...102

Figura 97: Matéria Capa 3° Versão e Abertura de Seção: Por onde andam? ...103

Figura 98: Por onde andam?...103

Figura 99: Por onde Andam? ...104

Figura 100: Por onde Andam? ...104

Figura 101: Por onde Andam? ...105

Figura 102: Por onde Andam? ...105

Figura 103: Abertura de Seção: Ouça! e Ouça!. ...106

Figura 104: Ouça! e Contra-capa. ...106

Figura 105: Quarta capa. ...107

Figura 106: Relação dobra/gramatura...109

(11)

Figura 108: Aproveitamento de papel no Formato 1. ...111 Figura 109: Especificações técnicas do protótipo. ...112

(12)

SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...14 1.1 OBJETIVO GERAL ...15 1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ...15 1.3 JUSTIFICATIVA ...16 1.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS...20 1.5 CRONOGRAMA...22 1.6 ESTRUTURA DO TRABALHO...23 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA...24

2.1 O DESIGN EDITORIAL NO EMOCORE ...33

2.2 DESIGN EDITORIAL...35 2.3 DESIGN DE REVISTAS...36 2.3.1 Cor:...38 2.3.2 Imagem:...38 2.3.3 Grid:...39 2.3.4 Formato: ...41 2.3.5 Tipografia:...42 2.3.6 Layout:...43 3 ANÁLISE DE SIMILARES ...44 4 PUBLICAÇÃO ...49 4.1 NOME DA PUBLICAÇÃO ...49 4.2 SEÇÕES DA PUBLICAÇÃO ...50 4.3 IDENTIDADE ...51 4.4 ALTERNATIVAS ...55 4.5 CORES ...60 4.6 DEFINIÇÃO DO FORMATO ...63 4.7 DEFINIÇÃO DE GRID...63 4.8 TESTE DE GRID...64

4.8.1 GRID DE DUAS COLUNAS ...64

4.8.2 GRID DE TRÊS COLUNAS ...65

4.8.3 GRID DE SEIS COLUNAS ...65

4.9 MARGENS ...66

4.10 FAMÍLIAS TIPOGRÁFICAS ...68

4.10.1 Alinhamento. ...76

(13)

4.11 CAPA ...83

4.11.1 Composição das Capas. ...87

4.12 MIOLO DA PUBLICAÇÃO ...89 4.13 ESPELHO DA PUBLICAÇÃO ...92 5 FINALIZAÇÃO E IMPRESSÃO ...108 5.1 PAPEL E ENCADERNAÇÃO ...108 5.2 ENCADERNAÇÃO ...110 5.3 APROVEITAMENTO DE PAPEL ...111 5.4 ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS...112 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...113 7 REFERÊNCIAS...114

APÊNDICE A - Resultado da Pesquisa: Artistas procurados em revistas impressas. ...121

(14)

1

INTRODUÇÃO

O emocore surgiu na metade da década 80 dentro da cena do punk rock e do harcore nos Estados Unidos. Mas foi só a partir dos anos 2000 foi que o emocore ganhou força e espaço na mídia se consolidando com o surgimento de novas bandas do gênero que conquistaram a fama e os jovens da época, esses que passaram a fazer parte da tribo urbana conhecida como emo. Grande parte destes jovens dos anos 2000 até início dos anos 2010 conheceram artistas, grupos e bandas não só através da televisão (em canais de música como a MTV) mas também em revistas periódicas dedicadas à música e cultura jovem que podiam ser adquiridas nas bancas.

Pode-se dizer que a divulgação de bandas por meio de revistas veio da cultura punk, onde fãs divulgavam as bandas de punk rock e também seus shows por meio de fanzines (publicações amadoras produzidas pelos próprios punks para divulgar suas ideologias como também sua música). Foi por meio destas revistas, que na época eram uma grande fonte de informações sobre o estilo e seus representantes, que as bandas tiveram ascensão com o público jovem. Mas a partir dos anos 2010, devido ao domínio da internet, este costume tem se perdido, as vendas de revistas de assuntos em geral caíram drasticamente:

De acordo com publicação no jornal americano, “The New York Times”, os números apontam para quedas de dois dígitos. Publicações de prestígio, inclusive nos Estados Unidos, como a Vanity Fair e New Yorker que caíram entre 17 e 19 por cento. Revistas de celebridades foram igualmente atingidas já que os leitores podem, facilmente, obter as mesmas informações on-line. (GAZETA DO INTERIOR, 2015)

No Brasil a realidade não foi diferente, segundo o IBGE (2017, apud. PRISCO 2017) o declínio dessa atividade (venda de revistas e jornais) vem sendo influenciada pela substituição dos produtos impressos pelos meios eletrônicos e hoje já não encontramos essas publicações à venda no país, a revista Love Rock da Editora Alto Astral saiu de circulação em 2012, já a Capricho, que não era uma revista de música mas era voltada ao público jovem saiu no ano de 2015 (MARINGÁ POST) pois hoje em dia é possível encontrar facilmente informações sobre bandas e suas músicas na web, assim como retrada o blog Gazeta do Interior. Mas estas

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informações acabam se pulverizando, espalhando-se, perdendo informações consistentes e reunidas sobre o mesmo assunto.

Devido a essa pulverização de informações, nota-se a ausência de um material, com fonte centralizada de informações sobre este movimento e estilos musicais envolvidos, principalmente no caso do Emocore, que é facilmente confundido com outros estilos dentro do Rock Alternativo, como Metalcore, Post-hardcore, entre outros.

Nota-se também que as revistas que reuniam estas informações no passado acabaram por ser mais que apenas meras publicações sobre música, mas também passaram a ter um caráter emocional para estes jovens, que gostavam de colecionar pôsteres, de adquirir todas as edições que continham capas com a foto dos ídolos, de fazer recortes de letras de músicas, saber mais sobre o ídolo, etc.

Com estas informações, percebe-se que seria viável o desenvolvimento de um projeto que pudesse reunir informações sobre o movimento Emocore, evidenciando, diferenciando e separando-o dos demais estilos semelhantes e que pudesse resgatar a cultura da compra de revistas e do caráter emocional que essas publicações traziam na época.

1.1 OBJETIVO GERAL

Desenvolver uma revista que resgate a história do Emocore, a partir da trajetória das bandas que representaram o estilo durante uma década (2002 à 2012).

1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

• Pesquisar sobre o estilo musical abordado, suas vertentes e sobre as bandas mais influentes que surgiram e tiveram ascensão durante o recorte de tempo;

• Pesquisar e análisar publicações similares;

• Traduzir em elementos gráficos a identidade do Emocore;

(16)

• Elaborar um projeto gráfico baseado no plano editorial e nos preceitos do Design Editorial discutidos na fundamentação teórica;

• Produzir protótipo da revista.

1.3 JUSTIFICATIVA

Primeiramente, o tema foi escolhido a partir do interesse pessoal da autora de aprofundar o conhecimento sobre este estilo musical e sobre as bandas que fizeram parte do movimento emo. Para verificar a viabilidade do projeto, foi realizada uma pesquisa de campo, analisando o público alvo do projeto. A pesquisa foi feita via internet, utilizando a ferramente online Formulários do Google. Para a captação de respostas a mesma foi divulgada na rede social Twitter para o público em geral e também no Facebook, para um público específico, em um grupo de fãs movimento Emocore. A pesquisa ficou no ar durante 40 dias (entre 23 de setembro de 2017 à 02 de novembro de 2017). Foram recebidas em média 164 respostas (nem todas as perguntas eram obrigatórias portanto esse número sofreu variações), 71,3% das respostas foram de mulheres, onde 80,3% tinham entre 17 à 27 anos, ou seja, eram adolescentes durante o recorte de tempo estipulado para este trabalho.

Veja abaixo o resultado final da pesquisa:

• 91,5% das pessoas que responderam a pesquisa já ouviram falar do estilo emocore. (figura 01)

Figura 1: Resultado da Pesquisa: Sobre o conhecimento do estilo abordado. Fonte: Captura da autora. (2017)

(17)

• Dentre as respostas, 73,6% das pessoas afirmaram ouvir esse estilo musical entre os anos 2000 e 2012;

Figura 2: Resultado da pesquisa: Sobre quem ouvia o estilo emocore Fonte: Captura da autora. (2017)

57% não estão certas sobre as diferenças entre o Emocore o Pop Punk;

Figura 3: Resultados da Pesquisa: Sobre as diferenças entre o Emocore e o Pop Punk; Fonte: Captura da autora. (2017)

• As revistas impressas eram o terceiro meio de comunicação mais utilizado (19,5%) entre as pessoas que responderam a pesquisa para adquirir informações sobre bandas e estilos musicais entre as pessoas que responderam a pesquisa.

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Figura 4: Resultado da Pesquisa: Sobre os meios de comunicação utilizados Fonte: Captura da autora. (2017)

• 92% disseram que revistas impressas eram uma boa fonte de informações sobre bandas e estilos musicais durante esses 10 anos;

Figura 5: Resultado da Pesquisa: Revistas impressas como fonte de informação sobre bandas Fonte: Captura da autora. (2017)

• 75,6% já compraram uma revista impressa por causa de algum artista e/ou estilo musical;

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Figura 6: Resultado da Pesquisa: Sobre adquirir revistas por artistas e/ou estilos musicais. Fonte: Captura da autora. (2017)

• Grande parte das pessoas que responderam a entrevista adiquriam revistas impressas sobre bandas de Emocore (as bandas Paramore, Green Day, Fall Out Boy, My Chemical Romance, The Used, Good Charlote, Simple Plan se enquadram no gênero musical Emocore), conforme APÊNDICE A.

• 54,3% das pessoas que responderam o questionário comprariam uma revista impressa sobre algum artista que costumava ouvir entre os anos de 2002 e 2012, e 29,9% das pessoas pensariam em comprar.

Figura 7: Resultado da Pesquisa: Sobre adquirir revistas que relembrasse os estilos mais ouvidos entre os anos de 2002 à 2012.

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Com essa pesquisa de apontamento, nota-se que seria interessante um material que pudesse afirmar e definir a identidade do Emocore, que é facilmente confundida com outras vertentes do Rock Alternativo. A denominação emo é feita não só em relação as letras das músicas mas também são voltadas para a melodia das canções, existindo assim uma confusão em relação a algumas bandas, que sempre são questionadas se são deste estilo ou não. (RAMOS; SOUZA, 2010)

Nota-se também a viabilidade de trazer o resgate da cultura de revistas da época que pode trazer o interesse do público que viveu e fez parte do movimento, pois segundo a pesquisa (figura 07), era comum os jovens adiquirirem revistas impressas por causa de artistas, incluindo os de emocore durante os anos de 2002 à 2012 e também cogitam comprar novamente para relembrar este movimento.

E, por fim, há um apontamento da necessidade de definir o ciclo mais influente do movimento fazendo um recorte de tempo entre os anos de 2002 à 2012 pelo fato de que, a partir do ano de 2002, foi que o Emocore começou a ganhar espaço e público, no Brasil e no mundo, começando pelos grandes centros. No Brasil, por exemplo, cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, a moda emo emplacou por volta 2000/2001/2002, já em Belém só foi percebida a partir de 2005. (RAMOS; SOUZA, 2010)

1.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Em um primeiro momento, é necessário o desenvolvimento de uma pesquisa para entendimento sobre o movimento Emo, tanto como tribo urbana como estilo musical desde suas origens, seu desenvolvimento, ascensão e até o seu declínio. É importante entender também os estilos similares para evidenciar as suas particularidades e sua identidade.

Também será necessário um estudo aprofundado sobre a área de design abordada, o design editorial e o design de revistas para que assim seja possível traduzir os elementos do emocore em um protótipo de publicação de qualidade, harmonioso e dentro dos preceitos do design editorial. Para isso a elaboração de um plano editorial será necessária.

A metodologia de design escolhida para a elaboração do projeto é uma adaptação das metodologias de FRASCARA (2000) e da PEÓN (2003).

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Figura 8: Metodologia de Design FRASCARA (2000) Fonte: A autora (2017)

Figura 9:Metodologia de Design PEÓN (2003) Fonte: A autora. (2017)

A metodologia de design que irá ser utilizada foi adaptada utilizando o melhor das duas metodologias para se adaptarem ao projeto concluindo objetivos citados anteriormente como o conhecimento do emocore, do design editorial, a criação de um plano editorial e a prototipagem.

Algumas fases foram retiradas e outras mescladas, otimizando o processo de criação do projeto gráfico. A metodologia contará com três fases principais, na primeira será feita a definição do problema, coleta, levantamento e estudo de informações sobre a temática e público alvo; a segunda consiste em definir alternativas de naming e de layout, definição da versão final para a prototipação; e por último estão as especificações técnicas projeto para impressão, produção do protótipo e validação.

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Figura 10: Adaptação de metodologias, com base em FRASCARA (2000) e PEÓN (2003) Fonte: A autora. (2017)

1.5 CRONOGRAMA

Com base nos procedimentos metodológicos de produção, foi montado também um cronograma de produção do projeto, conforme a figura 11:

Figura 11: Cronograma de produção do projeto. Fonte: A autora. (2017)

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1.6 ESTRUTURA DO TRABALHO

O primeiro capítulo embasa e expõe o problema, os objetivos e justificativas para o desenvolvimento do projeto.

O segundo irá tratar da fundamentação teórica na parte da história e surgimento do Emocore explicando a fundo o problema, explicando a origem do estilo e do surgimento das bandas que irão ser retratadas no projeto, ligando o movimento às revistas até chegar ao design editorial, mais especificamente o design de revistas.

No terceiro capítulo trata-se um pouco mais o design de revistas, fazendo a análise de publicações similares que divulgavam o estilo emocore, levantando informações de grid, estilo de fonte, de formato e outro elementos a serem seguidos no projeto.

No quarto capítulo, se inicia a definição do plano editorial do projeto, testes e escolhas para o desenvolvimento do mesmo até chegar no espelho final da publicação.

Após a finalização da revista, o quinto capítulo trará a parte de produção gráfica do projeto, desde o fechamento de arquivo, escolha do papel e seu aproveitamento até as especificações técnicas finais.

Por último, o sexto capítulo trará as considerações finais da autora e suas conclusões sobre o projeto.

(24)

2

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O Emocore é conhecido como uma das vertentes do punk, um dos movimentos musicais que mais se fragmentou ao longo do tempo. Para que seja possível entender o surgimento desse estilo, é necessário entender primeiramente as suas raízes.

O Punk nasceu em meados dos anos 70, onde os principais adeptos eram os jovens filhos de operários das periferias das grandes metrópoles como Nova York e Londres (GALLO, 2010). Clemente, vocalista da banda brasileira de Punk chamada Inocentes definia o estilo como um movimento sociocultural, a revolta dos jovens da classe menos privilegiada, transportada por meio da música(CLEMENTE, 1982) em uma carta resposta a uma matéria intitulada A Geração Abandonada, publicada também em 1982 pelo Jornal o Estado de São Paulo.

As principais bandas representantes do estilo foram a The Ramones, a The Sex Pistols criada por McLaren pela influenciava da cena de Nova York, (BLOGZINE BAQUARÁ, 2009) a The Clash e a The Damned. Essas bandas, segundo Caiafa (1985 apud. CARVALHO, 2015) apresentavam uma atitude musical e política com letras agressivas, contundentes com o visual e denuncias políticas claras com um som simples, rápido e vocais violentos.

No início dos anos 80 o punk perdia forças, segundo McCain e Mc Neil (1997, apud. RAMOS; SOUZA, 2011) a massificação do estilo e o fim da banda Sex Pistols são uma das provas do enfraquecimento dele, dando espaço para as suas vertentes, principalmente o hardcore punk, mais conhecido como apenas hardcore, que surgiu na metade dos anos 70 durante a segunda onda do punk, com as mesmas ideologias, porém com um som mais rápido, pesado e agressivo, tornando-se machista. (REDDIT, 2016)

Essa alienação e agressividade que também se via nas ruas da cidade de Washington, causaram o enfraquecimento do estilo e também uma necessidade de reconstrução do mesmo. Então na metade da década de 80, mais precisamente no verão de 1985, Ian MacKaye, que antes fazia parte da banda Minor Threat e vários outros colegas que iam contra a cultura alienada do hardcore lançaram uma idéia que mais tarde seria conhecido como o Revolution Summer (RICHMAN, 2017), que

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foi uma temporada quente de discussões, aprendizagem, ações políticas e experimentos musicais (PATTINSON, 2012).

Durante esses experimentos musicais, as primeiras mudanças notadas foram a injeção de uma dose a mais de melodia, alongando as músicas e trazendo mais dinamismo a cena hardcore. No meio de desses experimentos, as bandas que surgiram durante o Revolution Summer começaram a tratar de assuntos diferentes em suas letras:

“The rejection of traditionally masculine values in hardcore also opened up the floor for bands to talk about somewhat more traditionally feminine subjects, like heartbreak and disappointment, in a startlingly confessional and poetic manner.” (REDDIT, 2016)1

As letras mais confessionais misturadas com as batidas intensas porém melódicas originais do punk, teve um efeito de “libertação” para os jovens que até então lutavam contra as suas próprias emoções, sendo as primeiras a atrair uma quantidade significativa de mulheres para os shows, quebrando o estereótipo machista muito presente no punk e no hardcore. (REDDIT, 2016)

Segundo Jesse Richman (2017) em sua matéria na revista Alternative Press, as bandas mais importantes nesse momento,foram a Rites of Spring (1984-1986), que ficou conhecida pela emoção que eles levavam para os palcos e pela intensidade de suas letras em todas as músicas do seu álbum de estréia com o mesmo nome e a banda Embrace (1985-1986) de Ian MacKaye um dos idealizadores do Revolution Summer.

Esse movimento musical só ganhou um nome, quando a revista Trasher referiu-se à essas bandas como sendo “emo-core”, uma abreviação para harcore emotivo, o que nunca foi admitido por essas bandas. (REDDING, 2016).

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A rejeição de valores tradicionalmente masculinos no hardcore também abriu espaço para que as bandas conversassem sobre assuntos mais tradicionalmente femininos, como desgosto e desapontamento, de uma forma surpreendentemente confessional e poética. (REDDIT, 2016).

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Figura 12: Página 75 da edição de janeiro de 1986 da revista Trasher, com o trecho onde é nomeado pela primeira vez o estilo emocore. ²

Fonte: Trasher Magazine (1986)

Em um show no clube 9:30 em D.C em 1986, MacKaye fala que o hardcore sempre foi emocional:

“Eu devo dizer - "emo-core" deve ser a coisa mais estúpida que eu já ouvi em toda a minha vida. Mas, caso você esteja se perguntando - eu li na minha Thrasher outro dia - que, na verdade, o que minha banda junto com o que outras bandas da cidade estão fazendo é "emo-core"...Emocional hardcore. Como se o hardcore não fosse emocional para começar.” (MACKAYE, 1986)

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...atende pelo nome de Emo-Core ou Emotional Core. Bandas como Embrace (com Ian MacKaye), Rites of Spring, Beefeater, entre outras, estão tomando a intensidade de uma projeção emocional e adicionando totalmente em seus respectivos sets ao vivo. Dizem que as multidões são deixadas em lágrimas pela intensidade. Esse tipo de show não é um assunto frequente, já que as bandas estão completamente esgotadas após suas apresentações... (TRASHER, 1986)

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Mas foi só após esses acontecimentos que um novo estilo musical nasceu, saindo da cidade de Washington e formando bandas como Hated e o Silver Bearing dando início a primeira onda do emocore .

A definição dada pela revista Trasher era breve e superficial, mas existem outras definições, dadas por alguns autores, revistas e sites que ajuda a entender melhor o que foi e o que é o emocore.

De acordo com o site Meus Dicionários o emocore corresponde a um estilo de rock, cujas músicas possuem letras confessionais e musicalidade expressiva e melódica. Definição bem parecida com a do site Estadão (2006) que diz que o emocore é um termo aplicado à bandas que tocavam rock com letras poéticas e românticas.

Segundo Andy Greenwald (2003 apud. STAMBOROSKI, 2008) o emocore é o gênero musical mais adolescente que existe: ultra dramático, inclinado à poesia ruim, transbordando romance e auto-repulsa, acabando antes que você perceba.

Miernik também faz uma ligação do emocore ao dramas adolescentes, em seu texto para o Polish Journal:

“O hardcore estava cheio de raiva dirigida a estruturas políticas enquanto que o emocore se concentrou em assuntos intimamente relacionados com a alienação, particularmente a alienação social, angústia adolescente, bem como temas de relacionamentos românticos masculinos/femininos.” (MIERNIK, 2013 p. 177)

Após essas definições pode-se dizer que o emocore é um gênero musical dentro do rock, que fala sobre temas pessoais, uma espécie de “confissões de adolescente”, onde as bandas confessam, através das músicas poéticas e melodias com sonoridade semelhante ao hardcore, seus sentimentos, conflitos e angústias. Mas essa definição só se fez ao decorrer dos anos.

Ainda no fim dos anos 80 até meados dos anos 90 o Emo era “plástico”, se estendia e mudava de forma quando aplicado em diferentes bandas de diferentes ângulos do underground, sendo mais um adjetivo do que o nome de um gênero musical (RICHMAN, 2017). Mas mesmo assim, segundo Costa (2012) novas cenas e selos de gravadoras surgiram nos Estados Unidos junto com as bandas Green Day em 1987, o Blink 182 e o Sunny Day Real State em 1992.

Depois disso, segundo Richman (2017) o emo se espalhou para todo os EUA, as bandas começaram a interagir mais, com as cenas de cada cidade formando uma

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cena nacional no fim dos anos 90 formando o que foi conhecido como a segunda onda do emocore.

O emo “aconteceu” no Brasil apenas na segunda metade dos anos 90, em São Paulo de forma mais pop do que punk (COSTA, 2012). Segundo a autora, a banda Dance of Days, de 1997 se destacava pelo caráter extremamente poético em suas músicas.

Alguns anos depois, muitas bandas surgiram influencidas pelas percurssoras até chegar nos anos 2000, quando o movimento teve um Boom, no ano de 2002 com a banda Dashboard Confessional que teve grande sucesso entre os jovens após o aparecimento no canal MTV (MONKEY BUZZ, 2013). Outras bandas surgiram na cena e boa parte dos jovens da época conheciam e/ou ouviam, gostavam e se consideravam parte da tribo urbana Emo. Neste momento o movimento se consolidava, e o cenário jovem musical era basicamente formado por bandas de emocore com seus subgêneros, entre eles o Screamo4. As bandas mais conhecidas eram o My Chemical Romance (2001), Fall Out Boy (2001), All Time Low (2003), Paramore (2004) e Panic! At The Disco (2004). No Brasil, as bandas mais influentes eram: a Fresno (1999) e NxZero (2001), que se tornaram populares após se associaram ao produtor Rick Bonadio na gravação de seus álbuns a partir de 2004.(COSTA, 2012).

Figura 13: Albúns de bandas de emocore. Da esquerda para a direita: Paramore – RIOT! (2007), All Time Low – So Wrong, It’s So Right (2007) e My Chemical Romance - Three Cheers For Sweet Revenge (2004)

Fonte: Montagem da autora (2017).

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Screamo é um estilo mais agressivo dentro do emocore que surgiu no início dos anos 90 nos

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O Emocore era muito presente no cenário musical adolescente entre os anos de 2007 à 2010, a emissora de TV MTV (Music Television) foi um grande canal de divulgação e popularização do gênero, desde 2002. Principalmente no Brasil onde a cena Emocore dividia os primeiros lugares dos vídeoclipes mais pedidos nas paradas com o Pop Mainstream imbatível por anos, um exemplo é o ranking dos clipes mais pedidos no programa TOP 10 MTV na temporada de 2008.

Figura 14: Lista de videoclipes mais pedidos no programa TOP 10 MTV em 2008. Fonte: Wikipédia/Captura da Autora. (2017)

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Figura 15: Continuação da lista de videoclipes número 1 do programa TOP 10 MTV em 2008. Fonte: Wikipédia/Captura da Autora. (2017)

O auge do emocore estendeu-se até o ano de 2010, onde as principais bandas do gênero continuaram a lançar álbuns no mesmo estilo. A partir de ano de 2011 e 2012 notou-se mudança no estilo musical, novos nomes foram surgindo na cena e houve uma estagnada no movimento; e tanto o público da época, que envelheceu, e as bandas que continuaram na indústria, aos poucos, começaram a mudar o estilo, trabalhando em outros estilos dentro do rock alternativo, com letras e melodias que já não eram tão “emocionais”. A fala de de Gerard Way, vocalista da banda My Chemical Romance em uma entrevista para a revista Kerrang! em 2012 onde dizia que a banda esperava que a coisa do emo fosse embora, afirma esse fato.

“Essas bandas eram muito consumidas e admiradas pelo público emo na primeira década de 2000, de lá para cá já se passaram mais de dez anos e muita coisa mudou, não só o estilo das próprias bandas sofreu alteração, mas os adolescentes da tribo agora são outros, os gostos e a moda também mudaram.” (CARVALHO, 2014, p 10)

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A partir desse momento, segundo Carvalho (2014) as bandas mais ouvidas pelos membros da tribo emo, aclamavam bandas que ainda tinham letras sombrias e sentimentalistas, mas já não tinham a sonoridade do Emocore e sim algo mais parecido com outras ramificações do hardcore e não possuiam mais a mesma visibilidade na mídia.

O movimento conhecido como emocore não se resumiu apenas na música, ele refletiu na cultura da sociedade com o surgimento da tribo urbana chamada emo. A tribo surgiu num contexto que, segundo Mafessoli (1987), a humanidade vivia um período empático em que predominava a indiferenciação e se perdia o “sujeito coletivo”, surgindo assim, uma comunidade emocional que ia contra a realidade fria da época e, até, dos próprios antecessores do estilo, os punks, que tinham o individualismo e a ideologia do Do It Yourself5como pontos fortes.

O que também os diferenciava da tribo punk era a questão de gênero, enquanto no punk prevalecia um determinado machismo onde a separação de gênero era muito visível, com os emos isso era totalmente diferente:

“...no caso dos emos, isso não foi visto por mim, até porque, o tratamento deles com as garotas eram de uma maneira bastante igualitária, o que não acontece entre punks e bangers, uma vez que as garotas precisam desconstruir a sua feminilidade para poder obter determinado “respeito” dos rapazes.” (RAMOS; SOUZA, 2011)

homens e mulheres eram tratados da mesma maneira, agiam e se vestiam de forma bem parecida, onde muitas vezes era difícil fazer a diferenciação de gênero.

Os emos tinham uma forma bem específica de se vestir, seus looks eram basicamente formados por calças e blusas pretas estampando o merchandising de alguma banda de preferência, tênis, em sua maioria da marca All Star, ou coturnos pretos; os cabelos eram repicados, preto ou coloridos, na maioria das vezes com uma franja que cobria parte do rosto (figura 16).

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Do It Yourself (em português:faça você mesmo) foi o lema adotado pelos punks que assumiam independência em várias instâncias da vida, inclusive a música.

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Os membros da tribo sofriam preconceito por parte das outras tribos da época, por serem emocionais e por serem mais livres sexualmente, onde a maioria não se considerava heterossexual. (RAMOS; SOUZA, 2010)

Na pesquisa de campo feita pela autora, é possível confirmar este fator, onde mais de 50% na somatória de respostas das 164 respostas afirmam não se considerarem heterossexuais. (Figura 17)

Figura 17: Resultado da Pesquisa: Sobre a sexualidade. Fonte: Captura da Autora. (2017)

Figura 16: Visual dos integrantes da tribo. Fonte: Pinterest. (2017)

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2.1 O DESIGN EDITORIAL NO EMOCORE

A televisão e a internet foram um dos principais e maiores meios de divulgação destas bandas e da música, mas não foram os únicos. As revistas de música também foram muito importantes para as bandas e seus trabalhos. Entrevistas, pôsteres e letras de música eram uma forma de aproximar estas bandas do seu público-alvo, tanto os membros da tribo quanto outras pessoas que gostavam deste gênero musical. As publicações específicas de música alternativa foram as primeiras a destacar o Emocore em suas edições, abaixo três desses nomes:

Kerrang!: é uma revista britânica dedicada ao rock e suas vertentes, sua primeira edição foi em 1981, surgiu como um suplemento da revista Sounds, teve seu foco inicialmente ao New Wave, depois passou a falar mais sobre o Hard Rock, mas muitas publicações foram dedicadas ao emocore;

Alternative Press: Mais conhecida como Alt Press, é uma revista norte-americana fundada em 1985 (muito próximo do surgimento do Emocore), ela é focada exclusivamente para a divulgação dos estilos alternativos.

RockSound: Uma revista britânica que teve sua primeira edição em 1999 e também tem foco em música alternativa, ela é considerada uma revista Underground pois abre espaço para bandas que estão começando no cenário, mas não deixa de fornecer informações sobre os artistas mais conhecidos.

Figura 18: Capas de revistas de música alternativa. Da esquerda para a direita: KERRANG! Edição 1129 – 0ut/2006, RockSound, edição 109 – Mai/2008 e Alternative Press, Edição 223 – fev/2007 Fonte: Montagem da autora. (2017)

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Outras revistas também acabaram por publicar, mesmo em pequenas matérias sobre este estilo musical, não só revistas de música como a Rolling Stone por exemplo mas também revistas dedicadas ao público jovem como a Capricho.

Figura 19: My Chemical Romance e Fresno na capa das revistas Rolling Stone e Capricho. Fonte: Montagem da Autora. (2018)

Assim como as fanzines durante anos 80 no movimento punk, nos anos 90 e 2000 estas revistas foram essenciais para o movimento. Como foi a partir da década de 90 que a internet começou a se popularizar no mundo de forma lenta, onde, poucas pessoas tinham acesso, principalmente no Brasil, onde só em meados da outra década, o número de internautas residenciais cresceu consideravelmente, segundo dados levantados por uma pesquisa do Ibope/NetRatings. (OLHA DIGITAL, 2008). Até então, as revistas eram, além da televisão, uma das principais formas de adquirir informações de artistas em geral e também das bandas de emocore que o público tinha acesso.

As revistas criaram uma espécie de cultura entre a tribo e os jovens da época, estes, adquiriam todas as edições que continham informação sobre a banda favorita (figura 06), principalmente as que continham pôsteres; estes jovens faziam recortes das letras de músicas e fotos dos artistas e colecionavam estas publicações. Mesmo depois da popularização da internet, as revistas impressas tinham seu espaço, pois ainda eram uma das fontes mais confiáveis de informações, além de oferecer conteúdos exclusivos e alcançar um maior quantidade de pessoas.

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Devido ao fato das revistas (um objeto de Design) serem tão importantes para este movimento cultural, o desenvolvimento de uma publicação em formato impresso sobre o Emocore visa atingir o público-alvo despertando o sentimento de nostalgia, que os faz voltar aos anos em que os mesmos colecionavam estas publicações sobre os artistas favoritos.

2.2 DESIGN EDITORIAL

A influência das revistas no cotidiano dos jovens dos anos de 2002 à 2012 é confirmada na pesquisa de campo mostrada na justificativa (pag. 15) e também apontada na história do emocore (pag. 29). Desta maneira para a elaboração do projeto é necessário estudar o design editorial e também o design de revistas.

Design Editorial se trata de uma especialização do Design Gráfico que é intimamente ligada ao jornalismo e é responsável por elaborar o projeto gráfico da edição que irá compor com textos e imagens uma publicação, sendo ela periódica ou não. Zappaterra (2007) define o Design Editorial como um jornalismo visual, que pode entreter, informar, instruir, comunicar, educar ou fazer uma combinação de tudo isso.

O Design Editorial também é responsável por gerar desempenho, qualidade, durabilidade e aparência ao produto, cativando o seu uso através da estética, aplicando conceitos e usabilidade a sua forma por meio de representações de idéias, conteúdos e sentimentos, que são apresentados conforme o contexto histórico no qual se manifestam as formas visuais e os repertórios de linguagens (FERLAUTO e JANH , 2001).

São elementos de Design Editorial: livros, jornais e revistas onde textos e imagens são ordenados para cumprir de maneira eficaz a comunicação utilizando recursos como hierarquia da comunicação, harmonia e ritmo da composição.

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2.3 DESIGN DE REVISTAS

O design de revistas é uma área específica do design editorial, ele se diferencia do design de livros por seu conteúdo jornalístico e do design de jornais por sua composição mais autônoma, que não segue um parâmetro único. (ROSSI, 2008)

Pode-se dizer que o design de revistas iniciou-se com o surgimento do objeto revista, cerca de 200 anos depois da bíblia de Gutenberg, finalizada na Alemanha por volta de 1397 e 1468, impressão e pelo acabamento artesanal que foi a publicação que marcou o início do design editorial, por causa da qualidade da. Com a invenção de Gutenberg, panfletos e informativos passaram a ser publicados em intervalos menores, tornando-se embriões das primeiras revistas que passaram a produzidas no mesmo país (BOSCO; SANTOS, 2013), a Alemanha, mais precisamente em 1663 quando surge então primeira revista, chamada Erbauliche Monaths-Unterredungen.

“’ALI (2009) credita à Enciclopédia Britânica a informação de que a primeira revista de que se tem conhecimento foi a Erbauliche Monaths-Unterredungen (Edificantes Discussões Mensais), na Alemanha em 1663. A primeira revista científica foi, segundo a autora, Le Jornal dês Sçavans (Jornal dos Letrados), um boletim semanal editado na frança, em 1665.[...] No mesmo ano (1665), três meses depois, Philosophical Transactions (Atas Filosóficas) surge na Inglaterra, através da sociedade real, e entre seus colaboradores estavam Charles Darwin e Isaac Newton. A primeira revista a versar sobre moda, objetos luxosos, etiqueta e contar sobre detalhes da vida da corte seria Le Mercure Galant (O Mercúrio Elegante), na França, em 1672. Sua fórmula foi imediada e largamente imitada.” (FETTER, 2011, p. 24) Para Cardoso (2009), no século XIX a série de avanços tecnológicos resultou na mecanização e no planejamento sistematizado na produção de revistas. As prensas rotativas e o preço baixo do papel fez crescer o número de tiragens, consolidando assim a indústria gráfica no fim do século XIX.

Após a consolidação da indústria gráfica, com o passar dos anos surgiram revistas de vários estilos ao redor do mundo. Pluvinage e Horie (2011) afirmam que hoje há revistas segmentadas por público (masculinas, femininas, juvenis, infantis, para pais e mães), por interesse (automobilismo, culinária e qualquer outro hobby ou atividade), por profissão ou área profissional (médicos, publicitários, profissionais de informática etc.), revistas de empresas, institucionais, de associações, entre outros. Já Ali (2009) classifica esses estilos em três grandes grupos:

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• Revistas de Consumo, criadas para o consumo popular;

• Revistas profissionais, destinadas à determinados profissionais ou a determinadas áreas de atuação profissional, como transporte, por exemplo e

• Revistas de Empresas e Organizações, para comunicação com funcionários, clientes, associados e organizações.

Também existem os suplementos de jornais e que costumam vir nas edições de fim de semana de grandes periódicos e os Zines que são as publicações de baixo custo que costumam tratar de bandas de música, quadrinhos ou outro assunto alternativo dirigido à um pequeno grupo, como os punks, por exemplo.

Com todos esses estilos identificados existentes observa-se, que é importante que quanto maior a personalização de acordo com o segmento e público, maior será a relação de aceitação e o envolvimento desde público com a publicação. O Design entra para solucionar não só os problemas de comunicação das revistas, ele também é utilizado para personalizá-la de modo a atrair o seu público alvo e principalmente no caso das revistas (que são periódicas) a mudá-la em cada edição de maneira inteligente sem que ela perca a sua identidade.

“Cabe ao designer entender as novas técnicas e organizar a informação a partir de um conteúdo existente, elegendo dentre todas as variáveis a melhor maneira de disponibilizá-las, para que a relação entre leitor e objeto de leitura ocorra da melhor maneira, resultando em uma experiência otimizada e agradável. Esta relação, é estabelecida pelos elementos gráficos fundamentais, que formam a identidade da publicação, materializam as estratégias visuais e constroem a personalidade, voltada para um público específico.” (RAPOSO e OBREGON, 2015, p. 6)

Para que isso seja possível a edição e produção de uma revista é composta de várias etapas, desde a definição editorial prévia do conteúdo até a distribuição nos pontos de venda. Uma das principais etapas é o planejamento do projeto gráfico/editorial da revista que consiste em modo geral, na escolha dos elementos e arranjos dos mesmos em função das premissas da identidade da revista e de cada edição. (FETTER, 2011, p. 44).

Entre esses elementos estão o layout, o grid, a forma, a tipografia, as cores e as imagens.

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2.3.1 Cor:

A cor é responsável por aumentar o interesse visual em uma publicação, pois ela é capaz de transmitir, sensações, emoções e identidade. Existem convenções no mundo do design de revistas que indicam quais cores combinam entre si, quais vendem e quais não vendem, Zapaterra (2014) diz que embora haja poucas evidências que comprovem essas convenções do uso da cor em publicações, existe uma área que o uso das cores segue regras rigorosas, que é a psicologia cultural da cor.

“A alta visibilidade do vermelho pode torná-lo atraente no Ocidente, mas na África do Sul, onde é associado ao luto, seria visto em uma capa com a freqüência com que o preto é visto no Ocidente. O azul é geralmente atraente para todos nós, independentemente da cultura, devido à sua influência calmante, mas é ruim quando utilizado para a alimentação.” (ZAPPATERRA, 2014, p 78)

Mas tudo depende do contexto em que elas são utilizadas, as cores também costumam ser separadas em dois grandes grupos, quentes e frias, supondo-se assim que as elas transmitam sensações de temperatura. Segundo Raposo e Obregon (2015), as cores frias como o azul, o verde e o roxo são consideradas calmantes e transmitem tranqüilidade, enquanto as quentes como o vermelho, o amarelo e o laranja são consideradas estimulantes e ativas, por esse motivo é necessário um estudo na hora da escolha da cor, para que não seja utilizada de forma errônea.

2.3.2 Imagem:

As imagens são elementos essenciais em publicações, principalmente em revistas, ela é a representação visual de um objeto, de um ser ou de um fenômeno. Ela, assim como o texto, também tem o intuito comunicar e informar.

Segundo Fuentes (2006) o design gráfico trabalha com quatro tipos de imagem:

Esquemas, infografias e pictogramas, que são representações que exemplificam ou mostram sistemas que são dificilmente “visualizados”, eles

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possuem uma linguagem universal, portanto são reconhecidos de maneira intuitiva.

Ilustrações: São anteriores à fotografia e tem finalidade de mostrar acontecimentos, lugares, personagens e etc. Mas ela não tem um caráter apenas pragmático, ela serve também para mostrar o funcionamento interno de um equipamento, ou da anatomia de algum ser vivo e até relatar alguma atividade que não foi retratada.

Fotografias: São as mais utilizadas atualmente no design gráfico, servem para documentar objetos, situações, cenários, personagens de maneira informativa ou de maneira manipulada com caráter estético.

Digitalizações diretas: Pouco usadas, mas servem para digitalizar pessoas e/ou objetos de maneira direta de forma que não possa ser capturada pela fotografia de uma maneira mais ágil do que uma ilustração.

As imagens tem significado, mas esses podem ser mudados dependendo do ponto de vista e dos meios em que são inseridas. Por esse motivo, Raposo e Obregon (2015) afirmam que existem vários elementos externos à imagem que interferem de forma direta a sua interpretação, como o título, a legenda e até mesmo outras imagens que são utilizados para reafirmar ou alterar o conteúdo da imagem utilizada.

2.3.3 Grid:

O Grid é o elemento que estrutura a página, é a base para que se construa uma composição. Para Samara (2007) o grid é um princípio organizador no design gráfico que divide a informação em partes manuseáveis e seu pressuposto é são as relações de escala e distribuição dos elementos informativos ajudando o observador a entender o seu significado.

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“Um Grid consiste num conjunto específico de relações de alinhamento que funcionam como gias para a distribuição dos elementos num formato. Todo o grid possui as mesmas partes básicas, por mais complexo que seja. Cada parte desempenha uma função específica; as partes podem ser combinadas segundo a necessidade, ou omitidas da estrutura geral a critério do designer, conforme elas atendam ou não às exigências informativas do conteúdo”. (SAMARA, 2007, p. 24)

Não há como imaginar a organização de um jornal ou uma revista sem a utilização de um grid, além de alinhar os elementos ele organiza as hierarquias que dirigem a leitura da publicação. Ele é o esqueleto da página que adiciona estrutura e ordem nas informações.

Existem vários tipos de grid, cada um é ideal para resolver diferentes tipos de problema, cabe ao designer avaliar e utilizar o que melhor atende as necessidades do projeto. Samara (2007) cita 4, são eles:

Grid Retangular: Considerada a estrutura mais simples de grid, é uma estrutura retangular que ocupa a maior parte da página. Tem a tarefa de acomodar um longo texto corrido.

Grid de Colunas: É um grid flexível e pode ser utilizado para separar diversos tipos de informação. No caso de um texto corrido as colunas podem ser dependentes umas das outras, para pequenos blocos de texto elas podem ser usadas de forma independente ou podem ser somadas para formar colunas mais largas.

Grid Modular: São utilizadas para projetos mais complexos que exigem um grau maior de controle. O grid modular é uma espécie de grid de colunas, porém com muitas guias horizontais que subdividem as colunas criando módulos.

Grid Hierárquico: Dependem das exigências visuais e informativas de um projeto, onde a disposição dos alinhamentos é feita de forma intuitiva.

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Figura 20: Exemplos de Grid Retangular, de Coluna, Modular e hierárquico. Fonte: WITHOEFET, James R. (2013)

Em revistas, é mais comum vermos a utilização de grids de colunas e os modulares. Mas é importante saber que o grid não deve prevalecer sobre a informação e a escolha depende muito do estilo e da identidade da publicação.

2.3.4 Formato:

O formato de uma publicação é muito importante para um bom design, é depois da definição dele que é decidido o grid que será usado. Segundo Ambrose e Harris (2008) o formato fornece um ponto de contato físico com o usuário afetando a maneira que ele recebe a comunicação.

O formato de impressos costuma depender do tamanho dos papéis disponibilizados pelas empresas que os produzem, pois ele deve ter preferencialmente uma medida que seja múltipla desses tamanhos para que não haja disperdício de material. Existem normas e padrões internacionais para produção de papéis, como o DIN - Deutshes Instituit für Normung, em português Instituto Alemão de Normalização e o ISO – International Organization for Standardization, em português Organização Internacional de Normalização, elas tem o objetivo de economizar e dar utilizade e qualidade ao uso de papel nos meios impressos.

Existem diversos formatos de revistas impressas no mercado, Cavichioli (2011) cita 06 das mais comuns, são eles:

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Formato Magazine: 20,2 x 26,6 cm

Formato Americano: 17 x 26 cm

Formato Pulp ou Digest: 18 x 25,5 cm

Francês: 12 x 19 cm

Italiano: 16, 5 x 12 cm

Formatinho ou Formato pato: 13 x 21 cm

O mais comum entre os seis é o formato Magazine, que é o formato das revistas Vip, Veja, Superinteressante, Cosmopolitan e Mundo Estranho e Exame todas da Editora Abril e também o da Billboard Brasil da editora BPP Promoções e Publicações.

2.3.5 Tipografia:

A tipografia trata da criação de caracteres e também da composição dos mesmos para a transmissão de mensagens (FETTER, 2011). No Design Gráfico ela tem uma grande importância pois é quase inexistente um projeto gráfico sem a presença desse elemento.

No design, a tipografia é mais do que a escolha das fontes utilizadas nos títulos, subtítulos, capa e corpo do texto, Zapaterra (2007) afirma que há necessidade que o design editorial expresse visualmente o conteúdo e a identidade da publicação por meio da tipografia. Mas é importante considerar fatores como a legibilidade e a leiturabilidade.

Fetter (2011) define a leiturabilidade (readability) como um conjunto de qualidades ou atributos da tipografia que tornam possíveis seu reconhecimento e compreensão facilmente para o leitor, ficando a legibilidade (legibility) para designar o reconhecimento de caractere em si. Gruszynski (2008) diz também que o primeiro termo refere-se a facilidade de ler textos extensos e o segundo diz respeito ao rápido conhecimento, relacionado à textos curtos e ao design de tipos.

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“Nas capas e, mesmo em um grau menor, nas aberturas de matérias, deve-se privilegiar a comunicação, uma vez que é necessário chamar a atenção do leitor e criar interesse a partir de elementos visuais sintéticos e sua expressividade. Já no que se chama de “corpo da matéria”, quanto mais longo esta for há que privilegiar o conforto da leitura (leiturabilidade), lançando mão de um arranjo mais próximo do convencional.” (FETTER, 2011, p. 75)

A tipografia tem, portanto, diversos papéis importantes, o de traduzir e evidenciar o conteúdo, melhor a sua compreensão, e fazer com que a sua forma se acomodem no layout de forma que não canse o leitor.

2.3.6 Layout:

O layout é entendido por organizar os elementos que compõe as páginas de uma publicação misturando textos e imagens de forma a comunicar o conteúdo de maneira clara e harmoniosa para que seja agradável à vista do leitor para que não haja um cansaço visual e que o mesmo possa seguir a leitura facilmente.

“A seleção dos componentes determina em grande quantidade o aspecto semântico e o significado do design. A organização dos mesmos pode reforçar esse aspecto, mas sua essência é sintática, é de apresentar os elementos significativos em uma ordem de acordo com os requerimentos perceptivos e cognitivos do público, em função de facilitar a compreensão da mensagem.” (ROSSI, 2008, p. 48)

Para a criação de um bom layout também é necessário saber trabalhar nas proporções dos elementos das páginas e saber dar e diferenciar o peso visual à determinadas informações criando assim uma hierarquia concisa e dinâmica. Zapaterra (2014) lista alguns fatores determinantes de design que devem ser estudados e trabalhados para a conclusão desta etapa, são eles: as questões espaciais, o domínio da forma, a forma como proporção clássica, a forma por meio da cor, tensão, repetição e fluxo, experimentos com a escala, contraste, equilíbrio e profundidade.

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ANÁLISE DE SIMILARES

Para produzir uma publicação que remeta o estilo emocore e também as revistas mais consumidas da época selecionada, é interessante elaborar uma análise de similares para que seja possível observar os elementos de design citados na fundamentação teórica, entre eles o layout, o grid, formato, tipografia, cor e imagem.

Na análise serão estudados as capas e o miolo de três revistas internacionais, as mesmas citadas na fundamentação teórica e uma de circulação nacional que foram publicadas entre os anos de 2006 à 2012. As revistas internacionais são: Alternative Press, Kerrang!, Rock Sound e a nacional Love Rock da Editora Alto Astral.

Figura 21: Revista Alternative Press. Aug 2006 Fonte: Montagem da autora (2017).

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Figura 22: Revista Alternative Press. Aug 2006 Fonte: Montagem da autora (2017).

Figura 23: Revista Rock Sound – Abr 2008 Fonte: Montagem da Autora (2017).

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Figura 24: Revista Love Rock – 2008

Fonte: Captura e Montagem da Autora (2017).

Figura 25: Tabela de publicações similares. Fonte: A Autora (2018).

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Após analisar as revistas e colocá-las na tabela de comparação, observou-se que os títulos escolhidos são parecidos entre si, tanto em conteúdo como também nas escolhas de design e diagramação, mesmo em edições de anos diferentes, abrindo apenas pequenas exceções.

O conteúdo destas publicações são bem parecidos, todas possuem entrevistas com bandas do gênero, elas também divulgam novidades sobre álbuns e bandas no cenário. Três das quatro publicações possuem pôsteres de bandas, confirmando o que foi dito na introdução do trabalho, sobre o porquê do público adquirir estas revistas (pág. 11).

Para uma análise mais detalhada das escolhas de design, os layouts interno e externo das publicações foram analisados separadamente, pois notou-se que as escolhas para a capa e conteúdo interno eram bem distintas.

Na parte interna, de todas as edições analisadas todas utilizavam grid de colunas, variando entre duas ou três, variando a escolha de alinhamento de texto, onde três utilizavam o alinhamento à esquerda. Destes, três utilizam fonte sem serifa no texto corrido com estilo grotesco/neo grotesco e duas delas utilizam em títulos e subtítulos fontes fantasia. Todas utilizavam o mesmo estilo de imagem, fotografias das bandas em dois momentos distintos, ou performando em seus shows ou posando para ensaios grupais e individuais.

Na capa, o alinhamento de texto variava bastante e eram utilizado mais de um tipo de alinhamento simultâneos em todas as edições analisadas. As fontes eram todas sem serifa e em todas palavras continham palavras escritas com todas as letras maiúsculas na maioria do texto. O uso de fontes fantasia também é presente em todos os títulos. As fotografias eram todas de ensaios fotográficos com as bandas posando para a câmera.

Após a análise detalhada das escolhas de conteúdo e composição das publicações percebe-se que algumas se repetem. Sendo assim, conclui-se que para remeter o visual destas publicações no projeto é interessante utilizar essas escolhas que mais aparecem.

Para o conteúdo é interessante analisar a possibilidade de inserir alguma entrevista com uma banda do gênero, e também a inserção de pôsteres e novidades sobre o estilo, conteúdos que apareceram na maioria dos títulos analisados.

Em questões de escolhas de design, na parte interna da publicação é interessante estudar a utilização do grid de colunas, o alinhamento de texto

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justificados ou alinhado à esquerda. A escolha de fontes sem serifa grotescas e algumas fontes fantasia para títulos ajudando a reforçar a identidade. A utilização e captação de imagens de ensaios fotográficos ou de perfomances das bandas que serão retratadas. Na capa, além dos itens citados acima, a utilização de palavras escritas em letra maiúscula também deve ser testado.

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4

PUBLICAÇÃO

A partir desse capitulo se encontra a documentação de todo o desenvolvimento prático do projeto, desde brainstorms, testes, definições até a finalização do projeto gráfico.

4.1 NOME DA PUBLICAÇÃO

Para definir o nome da publicação foi feito um Brainstorm com palavras que remetessem ao Emocore e a nostalgia que faz parte dos objetivos da publicação. Também foi priorizado opções com palavras na língua portuguesa.

Figura 26: Mapa mental de nomes para a publicação. Fonte: A autora (2018).

A partir destes requisitos, surgiram nomes como “Eu Era Emo”, “Também Fui Emo” “Quando Eu Era Emo”, mas a autora notou que nomes parecidos já costumavam ser utilizados para relacionar ao estilo, como por exemplo, dois eventos voltados totalmente ao movimento emo chamados “E eu que era emo?” “Também fui emo”.

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Figura 27: Eventos sobre cultura emo: E eu que era emo? e Também fui emo de 2017. Fonte: Divulgação / Montagem da Autora (2018).

Desta forma, outros nomes como Nos Tempos Do Emo, Dias De Emo e A Era Emocore surgiram, mas por se tratar de uma publicação impressa, os nomes estavam muito extensos, o que se tornaria um problema na criação da marca da revista e também para memorização do público.

Então, nomes mais objetivos como “Fui emo” “Emocore: A era” “Era Emo” e o próprio nome do estilo musical também foi selecionado, sendo escolhido, por fim, o nome “Era Emo”, pois a palavra “era” pode ser usada como substantivo, significando um ponto fixado, período de tempo que serve de base a um sistema cronológico. (GOOGLE) Que representa o período de tempo em que o emocore aconteceu, e também é uma conjugação do verbo ser (apresentar-se em determinada condição

ou situação, GOOGLE.)em primeira pessoa no pretérito imperfeito, representado as

pessoas que fizeram parte da tribo e do movimento, trazendo assim uma dualidade no significado do nome da publicação, fazendo-a mais interessante.

4.2 SEÇÕES DA PUBLICAÇÃO

Para a definição das seções da publicação, levou-se em conta a pesquisa de similares feita anteriormente com as revistas de música alternativa que publicavam sobre bandas de emocore. Foram analisadas as revistas e na tabela de comparação as revistas possuem, em questão de conteúdo os seguintes itens:

Entrevistas

Novidades

Referências

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