Protoparasitoses I
Introdução - Protozoários
Reino Protista: “primeiro de todos”, inclui
protozoários e algas
Protozoário: “primeiro animal”; termo foi
usado quando estes organismos eram
classificados como animais “unicelulares”.
Hoje Protozoário não tem valor taxonômico,
mas pode ser usado para agrupar diversos
organismos de origem diferentes.
1. Protozoários
1.1. Características gerais:
a) organismos unicelulares com grande
importância médica.
b) 60.000 espécies
c) 10.000 espécies interagem com
invertebrados e vertebrados
1.2. Características biológicas
a) Organismos unicelulares eucariotos
(constituídos por uma única célula)
b) DNA está contido no núcleo e há
reprodução por mitose.
c) Célula única desempenha todas as funções
vitais: Alimentação, respiração, reprodução,
excreção e locomoção.
d) Podem existir organelas especializadas
para o desempenho de determinadas
funções
d) Tamanho: 1 a 150 µm.
e) CICLO BIOLÓGICO: Curto mas com alto índice de reprodução
f) Induzem boa resposta imune, mas
apresentam mecanismos de ESCAPE, o que garante infecções de longa duração
1.3 Esquema geral de um
protozoário
-Membrana -Citoplasma -Microtúbulos -Organelas internasEsquema geral de um
protozoário
Esquema geral de um
protozoário
Esquema geral de um
protozoário
1.4 Organelas relacionadas à
nutrição
Citóstoma: Permite a ingestão de partículas
alimentares
Pseudópodes: envolvem partículas sólidas
ou líquidas (fagocitose ou pinocitose)
Citóstoma e formação do vacúolo
digestivo
1.5 Organelas relacionadas à
proteção
Membrana citoplasmática
Parede cística: Estrutura desenvolvida como forma de resistência por longos períodos.
Possui dupla parede ( externa protéica e a interna glicídica). A parede cística rompida desencadeia a infecção (E. histolytica)
Casca, Teca e Lórica: outros tipos de camadas protetoras. Ausentes em protozoários parasitas
1.6 Reprodução
Há dois processos básicos: Assexuado e sexuado a)Reprodução assexuada
- Divisão binária - brotamento
1.6 Reprodução
Endodiogenia e Endopoligenia : células-filhas permanecem no interior da célula-mãe
aguardando o momento certo de rompê-la.
Esquizogonia: A célula se fragmenta internamente e cada fragmento nuclear com citoplasma é
1.6 Reprodução
b) Reprodução sexuada - Conjugação
- Singamia: Penetração do microgameta no Macrogameta formando o ovo ou zigoto.
-É comum haver a combinação de reprodução sexuada e assexuada.
1.7 Nutrição
Tipos de nutrição:
a)Autotróficos: captação da luz solar por cromatóforos.
b)Heterotróficos: Ingerem partículas orgânicas por fagocitose ou pinocitose.
c) Saprozóicos: Absorvem substâncias já decompostas ou secretam hidrolases.
d)Mixotróficos: Combinação de diferentes tipos de nutrição.
1.8 Sistemática*
1.8 Sistemática
Protozoa de importância médica - Flagelados
Ex: Trypanosoma; Leishmania; - Pseudópodes: Ex: Entamoeba.
-Apicomplexa: Presença de complexo apical. Ex: Toxoplasma, Plasmodium
-Ciliophora: presença de cílios; Ex: Balantidium coli
2. Amebas
Amebas que ocorrem em Humanos:
- Comensais ou simbióticas: Entamoeba coli,
- Patogênicas: Entamoeba histolytica e
E.gengivalis.
-Patogênicas facultativas ou de vida livre:
Acanthomoeba sp.
AMEBÍASE
Infecção instestinal e extra-intestinal humana
provocada por Entamoeba hystolitica.
Distribuição mundial com manifestações
variáveis.
Infecções assintomáticas em até 90% dos
casos.
Amebíase extra-intestinal representa 5% dos
casos (hepática, pulmonar, cerebral,
AMEBÍASE
Considerada uma doenças hídrica
(relacionada à água), pois a transmissão se
da por água contaminada com cistos.
O ciclo é monoxênico pois não há hospedeiro
intermediário.
Ciclo biológico apresenta quatro estágios:
trofozoíto, pré-cisto, cisto e metacisto.
Desenvolvimento da doença
Cistos e trofozoítos ingeridos;
Desencistamento no intestino delgado liberando metacistos (amebas com quatro núcleos);
Por mitose, formam-se oito trofozoítos que se instalam no intestino grosso.
Por estímulo desconhecido formam pré-cistos (por desidratação)
A formação da parede cística e dupla divisão do núcleo marca a formação do cisto.
Amebíase
Agente: Entamoeba histolytica . Distribuição geográfica: mundial
Fonte de infecção: portadores assintomáticos
Transmissão: cistos presentes na água e alimentos contaminados.
Amebíase
Sintomas: diarréia com sangue, cólicas intensas,
náuseas, vômitos, ulcerações nos intestinos,
toxina pode atingir outros órgãos (causando, por
exemplo, necrose hepática)
Prevenção: hábitos de higiene e saneamento
básico.
Tratamento: medicação específica (amebicidas
que atuam na luz intestinal ou nos tecidos, ou em
FLAGELADOS
• Incluem todos os protozoários que possuem um ou mais flagelos, permanentes ou presentes em uma fase da vida.
• Função do flagelo: locomoção e nutrição.
• Estrutura de membrana diferenciada: Membrana celular com película, podendo ser dupla e reforçada com microtúbulos.
Flagelados
• Apresenta dois subgrupos:
- Phytomastigophorea: possuem cloroplastos, sendo, portanto, autotróficos. São de vida livre e sem importância médica.
- Zoomastigophorea: São heterotróficos (sem cloroplasto) e com reprodução predominantemente assexuada.
Inclui a familia Trypanosomatidae e nela os gêneros
Doenças por Protozoários
flagelados
1. Giardíase
• Causada por Giardia lambria
• Afeta o intestino delgado humano.
• Assintomática à severidade (diarreias e dores abdominais).
• Não há infecção extraintestinal. O parasita fica restrito a parede intestinal.
• Se reproduz assexuadamente (bipartição) e há encistamento.
• Transmissão: alimento e água contaminada. • Profilaxia: as mesmas medidas da Amebíase.
2. Tricomoníase
• Causada por Trichomonas vaginalis • Afeta o sistema urogenital humano
• Pode causar esterilidade, se não tratada.
• Se reproduzem por bipartição e são transmitidos por secreções e urina.
• Não formam cistos (permanecem vivos por 6 horas). • Transmissão por contato sexual e uso de sanitários,
banheiros e toalhas contaminadas.
• Profilaxia: Higiene ao usar banheiro e sanitários. Uso de preservativo. Não compartilhar toalhas, etc.
3. DOENÇA DE CHAGAS
INTRODUÇÃO
Carlos Chagas descobriu no inicio do sec. XX: Agente etiológico(Trypanosoma cruzi)
Biologia no hospedeiro vertebrado e invertebrado Seus reservatórios
Diversos aspectos da patogenia Sintomatologia da doença
DOENÇA DE CHAGAS
• AGENTE ETIOLÓGICO
Trypanosoma cruzi
• RESERVATÓRIOS
Além do homem, mamíferos domésticos e
silvestres (gato, cão, porco doméstico,rato
doméstico, macaco, sagui, tatu, gambá,
morcego, etc.
As
aves
e
animais
de
sangue
frio(lagarto,sapos, etc.) são refratários à
infecção
.
DOENÇA DE CHAGAS
• MORFOLOGIA
Amastigota
Epimastigota
Morfologia em Trypanosomatidae
A- Amastigota B- Epimastigota* C- Tripomastigota* D- Coanomastigota E- Promastigota F- Paramastigota G- Opistomastigota *Nestas formas o flageloForma tripomastigota do
Forma epimastigota do
Forma amastigota do
CICLO BIOLÓGICO
• Heteroxênico:
–Hospedeiro
vertebrado:
homem
–Hospedeiro
invertebrado:
inseto
conhecido
como
barbeiro
DOENÇA DE CHAGAS
-HÁBITAT
• No hospedeiro vertebrado
• Tripomastigota
Sangue periférico
• Amastigota
Tecido
• No hospedeiro invertebrado
• Epimastigota
Intestino médio
• Tripomastigota
Luz do reto
DOENÇA DE CHAGAS
• AGENTE TRANSMISSOR
ORDEM - Hemiptera
FAMÍLIA - Reduvidae SUBFAMÍLIA - Triatominae
GÊNERO - Panstrongylus P. megistus, P. lutzi ,
P. geniculatos.
Triatoma T. infestans, T. sordida, T. braziliensis.
Rhodnius R. neglectus, R. prolixus,
Transmissão do Tripanossomo
• O barbeiro tem hábito noturno.
• Sai a noite a procura de alimento (sangue) e
pica as pessoas no rosto (comumente).
• Defeca ao picar e libera os tripanossomos.
• A irritação da picada induz a coceira que
facilitada a entrada da forma infectante do
tripanossomo
DOENÇA DE CHAGAS
• TRANSMISSÃO
Transmissão natural ou primária Vetorial
Penetração dos tripomastigotas através da pele ou mucosas
• Outros mecanismos
Transfusão sanguínea, transmissão
congênita, acidentes de laboratório,
transplante, amamentação, coito
.
Patologia e Sintomatologia
da doença de Chagas
I. FASE AGUDA
• Chagoma de inoculação ou sinal de Romanã • Miocardite (infartes, edema)
Patologia e sintomatologia
da doença de Chagas
II. FASE CRONICA ASSINTOMÁTICA (INDETERMINADA)
• Aparente cura. É positivo para diagnostico
sorológico e parasitológico, mas não apresenta sintomas. Pode apresentar miocardite discreta.
• Maioria dos indivíduos permanecem nesta fase
Patologia e sintomatologia
da doença de Chagas
II. FASE CRÔNICA SINTOMÁTICA:
o Inflamação de tecido não infectado o Hipertrofia dos órgãos
o Fibrose e perda de elasticidade da musculatura o Distensão dos órgãos ocos
Alargamento cardíaco
Cardiopatia chagásica crônica, arritmias, insuficiência cardíaca
Patogenia e sintomatologia – resumo:
1. Inoculação do parasito (chagoma de inoculação ou sinal de Romaña)
2. Reprodução intracelular (ninhos de amastigota) fase aguda febre, mal estar, as vezes alterações cardíacas e resposta imune (1 mês ou menos)
3.Fase crônica indeterminada: miocardite e início de formação de lesões cardíacas, esofagianas ou entéricas (20 a 30 anos).
4.Fase crônica determinada: com alterações muito graves ou fatais (as lesões se devem à destruição dos neurônios formadores dos estímulos cardíacos e peristálticos por um processo imunoinflamatório) cardiomegalia, megacólon e megaesôfago (infuficiência cardíaca, dificuldade de progressão do bolo alimentar ou do bolo fecal.
DOENÇA DE CHAGAS
• PROFILAXIA
Educação da população sobre a doença;
Melhoria das habitações rurais Uso de telas e mosquiteiros.
Evitar o acumulo de lenhas e entulhos. Controle em doações de sangue
Combate ao barbeiro com: organização de campanha (uso de inseticidas)
Levantamento das espécies implicadas Controle da transmissão congênita
Fases aguda e intermediária:
Benznidazole (Rochagan)
Efeito colaterais: anorexia, emagrecimento, dor de cabeça, tonturas, irritação gástrica
Fase crônica:
O tratamento medicamentoso é controverso
CÉLULAS-TRONCO