UFBA-ESCOLA POLITÉCNICA-DCTM
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DOS MATERIAIS
SETOR DE MATERIAISMateriais de Construção II
ROTEIRO DE AULAS
AGREGADO
Unidade I
MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO II
INTRODUÇÃO
:
QUALIDADE, CONTROLE E GARANTIACONTROLE DE QUALIDADE ANOS
UM LUXO 50 -60
UMA DESPESA 60 - 70
UM ARGUMENTO DE VENDA 70 - 80 UMA FONTE DE LUCRO 80 - 90 UMA QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA 90
QUALIDADE
- Conceitos Básicos“ADEQUAÇÃO AO USO” - J. M. JURAM
“CONFORMIDADE AOS REQUISITOS” - EDWARD DEMING “CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO OU SERVIÇO QUE SATISFAZEM ÀS NECESSIDADES DO USUÁRIO E GERAM SATISFAÇÃO” - KAORU ISHIKAWA
QUALIDADE
- é o produto, o processo, ou o serviço estar adequado a uma finalidade. DEVE SATISFAZER AO USUÁRIOCONTROLE
- é o conjunto de atividades técnicas e planejadas, para alcançar uma meta e assegurar um nível predeterminado de qualidade.GARANTIA
é o conjunto de atividades planejadas, que levando em conta os fatores técnicos e humanos, se implementam através de sistemáticas de treinamento, motivação e controle de todas as etapas do processo.CONTROLE TOTAL DA QUALIDADE
QUALIDADE TOTAL -
Em um local de trabalho de 3a categoria, o pessoal deixa lixo no chão e ninguém apanha.Em um local de trabalho de 2a categoria, o pessoal deixa lixo no chão, mas existem alguém que apanha.
Em um local de trabalho de 1a categoria, ninguém joga lixo no chão, mas se acontecer todos apanham..
Para que se tenha qualidade total é necessário que haja a satisfação de:
CLIENTES – usuário que busca satisfazer suas necessidades através de um produto ou serviço que consome;
EMPREGADOS: são todos aqueles que executam tarefas e possuem qualificação específica para executarem um conjunto de operações que resulta num produto ou serviço prestado.
ACIONISTAS – pessoas que investem recursos financeiros para que um produto ou serviço possa ser realizado e disponibilizado no mercado, visando obter lucro;
COMUNIDADE: conjunto de pessoas formado por clientes, não clientes, empregados e acionistas, além do meio ambiente, que sofrem a influência dos efeitos trazidos por um produto ou serviço
PADRÃO OU NÍVEL -
está associado a definição de qualidade.O PRODUTO, PROCESSO OU SERVIÇO PODE ATENDER À MESMA FUNÇÃO ATRAVÉS DE PADRÕES DISTINTOS.
“ADEQUAÇÃO AO USO” NA CONSTRUÇÃO CIVIL, PODE SER
ENTENDIDA COMO:
Ter resistência estrutural adequada Ser funcional
Possuir as condições ideais de habitalidade Ter vida útil elevada (ser durável)
Possuir baixo custo de operação e manutenção Ter preço acessível
• PLANEJAMENTO atender as normas gerais de desempenho, código de obras e regulamento
CONTROLE • PROJETO atender as normas específicas de desempenho, as normas e documentos prescritos.
DA • MATERIAIS produzir e receber de acordo o especificado. QUALIDADE • EXECUÇÃO atender ao projeto e ao especificado
• USO assegurar a adequada utilização e manutenção do produto
GARANTIA DA QUALIDADE DAS ESTRUTURAS DE CONCRETO
Itens contemplados na disciplina “Materiais de Construção II” Qualificação dos materiais destinados a concreto
Recebimento e armazenamento de materiais destinados a concreto Produção do material concreto
Obs.: o conteúdo desta disciplina estará contido nas NORMAS, nacionais ou estrangeiras, e na
bibliografia apresentada.
NORMALIZAÇÃO
NORMALIZAR - estabelecer códigos técnicos para permitir melhor entendimento entre comunidade
cientifica, produtora, vendedora e cliente.
As normas técnicas formam a base sobre a qual se estruturam e se operacionalizam os programas de controle da qualidade, certificação de conformidade e garantia da qualidade.
ESPECIFICAÇÕES - Fixam condições que os materiais devem satisfazer. MÉTODOS - Fixam os procedimentos na execução de ensaios.
PROCEDIMENTOS - Fixam os procedimentos na execução de serviços ou obras. PADRONIZAÇÕES - Estabelecem as dimensões para os materiais ou produtos. TERMINOLOGIA - Regularizam a nomenclatura técnica.
PRINCIPAIS ENTIDADES COPANT - Comissão Penamericana de Normas Técnicas CEB - Comité Européen du Beton
ISO - Internacional Standartization Organization
RILEM - Reunion Internationale des Laboratoires d’Essais et des recherches sur les Materiaux et
les structures
NORMAS MAIS CONHECIDAS
ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas
AASHO - American Society of State Highway Officials Materials AFNOR - Association Française de Normalization
ASTM - American Society for Testing Materials BS - British Standard
I - AGREGADOS
Materiais granulosos, de preferência inertes, com dimensões e propriedades variáveis, que podem ser selecionados adequadamente à obra de engenharia que se pretende executar.
1. USO
LASTRO DE VIAS FÉRREAS BASES DE CALÇAMENTO
RODOVIAS (Adicionamento ao Solo., Revestimento Betuminoso) ARGAMASSAS E CONCRETOS
Como cerca de 75% do volume de concreto é ocupado pelos agregados, areia e pedra, é evidente que suas propriedades e características refletem no comportamento do concreto no estado fresco e no estado endurecido. Deste modo, o controle destes materiais é fundamental para a obtenção de concretos com as características desejadas.
2. FUNÇÃO DOS AGREGADOS
2.1 Econômica - material de menor custos que o cimento 2.2 Técnica - maior estabilidade dimensional
- maior durabilidade
2.3 Estética - com beleza e menor custo
3. CLASSIFICAÇÃO
3.1 QUANTO À ORIGEM
3.1.1 Naturais - já são encontrados na natureza sob forma de agregado
(areia natural, pedregulho, pedra pome, etc.)
3.1.2 Artificiais - necessitam de um trabalho de beneficiamento.(areia
artificial, brita, escória de alto forno, argila expandida, etc.)
3.2 QUANTO ÀS DIMENSÕES 3.2.1 Miúdos
materiais que passam na peneira 4,8 mm e ficam retidos na peneira 0.075 mm (areia natural, pedrisco, etc.)
3.2.2 Graúdos
materiais que passam na peneira 76 mm e ficam retidos na peneira 4,8 mm (brita, pedregulho, etc.)
3.3 QUANTO À MASSA ESPECÍFICA
3.3.1 Leves ( < 2,0 Mg/m3) (kg/dm3) 3.3.2 Normais ( 2,0 a 3,0 Mg/m3)
3.3.3 Pesados ( > 3,0 Mg/m3)
4 . OBTENÇÃO
Informações a serem obtidas quando da realização do trabalho prático de concreto.
5. AGREGADO PARA CONCRETO
Na escolha dos agregados deve-se analisar as seguintes características:
5.1. Granulometria
5.2. Resistência mecânica dos grãos 5.3. Forma dos grãos
5.4. Textura dos grãos
5.5. Impurezas minerais e orgânicas 5.6. Inatividade química (durabilidade)
5.7. Reatividade potencial (reação alcali-agregado) 5.8. Porosidade dos grãos
5.1 GRANULOMETRIA
DEFINIÇÃO
É um método de análise que visa a classificar as partículas de uma amostra de agregado pelos respectivos tamanhos e a medir, em massa, as frações correspondentes a uma dada faixa de dimensões. PENEIRAS Série Normal – 75 mm / 37,5 mm / 19 mm / 9,5 mm / 4,75 mm / 2,36 mm / 1,18 mm 600 µm / 300 µm / 150 µm Série Intermediária – 63 mm / 50 mm / 31.5 mm / 25 mm / 12,5 mm / 6,3 mm COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA
Proporção relativa das massas dos diferentes tamanhos dos grãos que constituem o agregado expressa em percentagem.
CÁLCULO
PENEIRA MASSA RETIDA % RETIDA % ACUMULADA
4,75 mm 17 1,7 2 2,36 mm 175 17,5 19 1,18 mm 348 34,8 54 600 µm 215 21,5 76 300 µm 92 9,2 85 150 µm 85 8,5 93 75 µm 42 X X total 1000 X X
Percentagem retida - percentagem em massa, em relação à amostra total do agregado, que fica retida numa determinada peneira, tendo passado pela peneira da série normal ou intermediária imediatamente superior.Percentagem retida acumulada - soma das percentagens retidas nas peneiras de abertura de malha maior e igual a uma determinada peneira.
Curva granulométrica - representação gráfica das percentagens retidas acumuladas em cada peneira em relação à dimensão da abertura de sua malha. A percentagem retida acumulada é representada em escala natural (ordenada) e a abertura da peneira em escala logarítmica (abscissa).
Dimensão máxima característica - grandeza correspondente à abertura nominal, em milímetro, da malha da peneira da série normal ou intermediária, na qual o agregado apresenta uma percentagem retida acumulada, em massa, igual ou imediatamente inferior a 5%.Módulo de finura - soma das percentagens retidas acumuladas em massa de agregado, em todas as peneiras da série normal, dividida por 100.
5.2.RESISTÊNCIA MECÂNICA DOS GRÃOS
Os grãos devem ser mais resistentes que a pasta. Verificação da resistência à compressão:
5.2.1 Agregados artificiais
Faz-se o ensaio de resistência à compressão em corpos de prova cúbicos da rocha original (Europa). No Brasil extraímos os corpos de prova cilíndricos.
5.2.2 Agregados naturais
Faz-se um ensaio de qualidade (ensaio comparativo de resistência)
Comparação de resistência de corpos de prova de argamassa ou de concreto de duas séries, uma feita com o agregado em questão e outra com agregado de qualidade reconhecida. As duas séries são feitas com o mesmo cimento, mesmo traço e ensaiadas aos 3, 7 e 28 dias de idade.
5.3 Forma dos grãos - Índice de Forma
Influi na consistência dos concretos. Pode influir na resistência do concreto.
Grãos angulosos (agregados britados) Grãos arredondados (agregados naturais)
Coeficiente volumétrico Cv = Vg :Ve
Vg - Volume do grão
Ve - Volume da esfera que circunscreve o grão
Índice de forma
c - comprimento de um grão -Maior dimensão possível de ser medida e define a direção do
comprimento
e - espessura de um grão -Menor distância possível entre paralelos entre si e à direção do
IF = c / e
Limite da NBR 7211 é IF não superior a 3
5.4 Textura dos Grãos
Influi na consistência e na resistência dos concretos. Problemas de aderência da pasta.
Grãos lisos Grãos rugosos
5.5 Impurezas minerais
Podem prejudicar a aderência da pasta aos grãos com diminuição da resistência.
5.5.1 Materiais pulverulentos:
Devido a elevada superfície específica afetam a consistência, influindo na resistência do concreto.
Partículas com diâmetro < 75 µm
Método de ensaio: NBR 7219 Especificações : NBR 7211
Limites
Agregados miúdos
concretos estruturais < 5%
concretos pavimentações < 3% (desgaste) Agregados graúdos: < 1%
5.5.2 Argila em torrões:
Podem prejudicar a consistência e a aderência da pasta aos grãos com diminuição da resistência.
Método de ensaio: NBR 7218 Especificações : NBR 7211
Limites
Agregados miúdos : < 1,5% Agregados graúdos: concreto estrutural < 3% com desgaste < 2% concreto aparente < 1%
5.5 Impurezas Orgânicas
Pode retardar a pega e diminuir a resistência
Método de ensaio : NBR 7220 Especificações NBR 7221
Solucão de Na OH a 3% NaOH - 30 g Água destilada - 970 g
Solução Padrão: Sol. ácido tânico a 2% Ácido Tânico - 2 g
Alcool a 95O - 10 ml Água destilada - 90 ml Amostra de areia: 200 g
Solução de NaOH: 100 ml
Solução ácido tânico: 3 ml Solução de NaOH: 97ml
Comparação das cores
Intensidade de cor inferior a da Solução Padrão
5.6 Inatividade Química
Os agregados devem ser inalteráveis ao ar, à água e às variações de temperatura e não devem reagir com o cimento.
Verificação da durabilidade: ASTM
Submeter-se o agregado à ação de uma solução de Na2SO4 ( cinco ciclos de 20 horas de iersão na
solução seguida de 4 horas de secagem em estufa).
Perda de peso:
[(Mi - Mf)/Mf] x 100 < 15%
5.7 Reatividade Potencial
Reação Alcalí-Agregado
A reação se inicia com o ataque dos minerais silicosos do agregado pelos hidróxidos originados dos álcalis ( K2O e Na2O) do cimento.
Fatores que influenciam na intensidade da reação são múltiplos e dependem de:
• quantidade total de álcalis do cimento
• da forma em que o álcali é liberado
• da dosagem do concreto
• da granulometria do agregado
• da reatividade do agregado
5.8 Porosidade dos grãos
p = porosidade
Vv = volume de vazios Vt = volume total
A resistência diminui com maior porosidade
O problema é mais acentuado nos calcáreos e nos arenitos. Especificações da AFNOR:
cocreto em contato com água: p < 3% concreto fora do contacto com água: p <5%
CARACTERÍSTICAS DOS AGREGADOS PARA CÁLCULOS DIVERSOS
1. MASSA ESPECÍFICA 2. MASSA UNITÁRIA 3. UMIDADE
4. INCHAMENTO
1. MASSA ESPEÇÍFICA
Na massa específica leva em consideração somente o volume e a massa dos grãos. ρ = Mg/Vg
Mg - Massa dos Grãos
Vg - Volume Real dos Grãos
A Massa Específica é empregada para:
- Cálculos de Consumo de materiais - Elememto auxiliar em diversos cálculos
2. MASSA UNITÁRIA
µ = M/Vt
M = massa do agregado
Vt = volume total do material, inclusive o dos vazios entre os grãos.
Emprego: Trasformação de medição em massa para volume e vice-versa
3. UMIDADE
h = (Ma/Ms) x100
Ma = massa de água
Ms = massa do material seco Mh = massa do material úmido
Ma = Mh - Ms Determinação: ver aluas práticas
Emprego: Correção das dosagens dos agregados e da água dos concretos
4. INCHAMENTO I = (∆V/Vs) x 100 I = [(Vh-Vs) : Vs] x 100
Vh = Vs ( 1 + I/100) Vh/Vs = 1 + I/100 ou Vh/Vs = µs/µh [( 100 + h)/100] I = Inchamento(%) V = Variação de volume Vs = Volume da areia seca Vh = Volume da areia úmida
Vh/Vs = Ci = Coeficiente de Inchamento
CORREÇÕES NAS MEDIÇÕES DOS AGREGADOS
a) Correção de Massa Ms = massa seca
h = umidade do agregado
Deseja-se: Mh = massa do agregado úmido
h = (MH2O/Ms) x 100 h = [(Mh-Ms)/ Ms] x100 Mh = Ms[( 100 + h)/100]
Mh = Ms ( 1 + h/100)
como (1 + h/100) é o coeficiente de umidade ( Ch)
Mh = Ms x Ch
b) Correção de volume
Vs = volume do agregado seco I = inchamento do agregado (%)
Deseja-se: Vh = volume úmido do agregado
I = (∆V/Vs) x 100; I = [(Vh - vs)/Vs] x100;Vh = Vs [(100 + I)/100]; Vh/Vs = 1 + I/100 como 1 + I/100 é o coeficiente de inchamento, temos: