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TÍTULO: INTERNACIONALIZAÇÃO DO COMÉRCIO DE CACAU: INCENTIVO AOS MICRO E MÉDIOS EMPREENDEDORES EM SÃO FÉLIX DO XINGU (PA)
TÍTULO:
CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:
ÁREA: CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS ÁREA:
SUBÁREA: ADMINISTRAÇÃO SUBÁREA:
INSTITUIÇÃO: FACULDADE DE TECNOLOGIA ZONA LESTE INSTITUIÇÃO:
AUTOR(ES): LUIS GUILHERME DA SILV PEREIRA, YASMIN ALI YASSINE AUTOR(ES):
ORIENTADOR(ES): JOSÉ ABEL DE ANDRADE BAPTISTA ORIENTADOR(ES):
1 RESUMO
O comércio de cacau tem sido uma boa estratégia para os pequenos e médios produtores em regiões tropicais e solos ricos, tais como é observado no município de São Felix do Xingu, no estado do Pará, onde é predominantemente dominado pela atividade pecuarista e também uma das principais vítimas do processo de desmatamento na floresta amazônica. Dessa forma, para que estes empreendedores consigam executar o cultivo de cacau neste local, possuírem incentivo direto e supervisão de órgãos como a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), que faz a apuração do produto e impulsiona programas de desenvolvimento do estado nas transações com as principais indústrias processadoras. O artigo, tem como finalidade buscar estes resultados através das análises pesquisadas referente a situação internacional do país na comercialização cacaueira, contextualizar os problemas vigentes do município em questão e esclarecer as razões para os microempresários investirem neste ramo há pouco tempo presente na região.
Palavras-chave: Exportação de Cacau, São Félix do Xingu, microempreendedores.
ABSTRACT
The cocoa trade has been a good strategy for the small and medium-sized producers around the tropical climate and nutrient-rich soils areas, as it can be observed in São Felix do Xingu, in the State of Pará, a county mainly dominated by livestock activities and also a victim of the deforestation process in Amazon jungle. Therefore, for these entrepreneurs to be able to practice the cocoa cultivation, they’ve got some direct incentives and supervisory bodies as the Executive Commission for the Cocoa Farming Plan (Ceplac), for example, which establishes the product and stimulates state's development programs on financial transactions with cocoa's main processing companies. The present article, in order to get results through the analysis of the international situation of the country on the cocoa market, contextualizes the current issues faced by the county in question and clarifies reasons for the micro-entrepreneurs to invest in this recently existing business at the region.
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1. INTRODUÇÃO
O município de São Felix do Xingu, situado no estado do Pará é um potencial na atividade pecuarista, assim como outras cidades paraenses. Porém, de acordo com o programa Good News (2016), há problemas incidentes para o habitante micro e médio empreendedor em investir neste ramo, uma vez que o investimento em hectares e cabeças de gado para o mesmo não possui retorno rentável, além de gerar custos elevados, o que muitas vezes impossibilita iniciar o investimento.
A proposta de incentivar a produção do cacau é traçar o comércio da commodity para diversificação de produtos na exportação, o qual possa ser apresentada alternativas econômicas, lógicas e viáveis para o investimento deste microempreendedor, uma vez que também será necessário estabelecer análises comparativas em relação ao histórico da produção no Brasil, fatores ambientais e a qualidade do cultivo na região.
2. OBJETIVOS
Quais os entraves existentes que impedem o município de executar a exportação do cacau?
Em resposta a essa questão, o presente artigo analisará os problemas incidentes na região que influenciam na exportação do cacau produzidos pelos pequenos e médios empreendedores que habitam São Felix do Xingu. Será necessário verificar e estabelecer esclarecimento em relação aos aspectos globais que envolvem o comércio internacional do cacau.
Dada essas circunstâncias, será exposta de maneira objetiva a compreensão de quais foram as soluções mais assertivas para que se instaure uma medida técnica de produção e exportação com maior eficácia para os produtores e indústrias localizadas na região.
3. METODOLOGIA
A fundamentação teórica e o estudo de caso serão realizados com base na natureza quantitativa dos dados colhidos em projetos de fortalecimento da exportação do cacau produzido em São Félix do Xingu. Este projeto científico foi escolhido para desenvolvimento de divulgação e conhecimento da região.
3 A partir dos dados obtidos nas pesquisas, é possível analisar com precisão de como está a situação cacaueira no comércio internacional, objetivando os indivíduos citados através de gráficos ilustrativos para sintetizar os resultados adquiridos.
4. DESENVOLVIMENTO
4.1 História do cacau no Brasil
Segundo a história, os Astecas, no México, e os Maias, na América Central foram os primeiros a exercer o cultivo do cacau antes mesmo da chegada das embarcações espanholas no continente americano. O fruto era considerado sagrado, o qual a população asteca acreditava que fosse de origem divina e o profeta Quatzalcaut os ensinou a cultivá-la para subsistência e decorar os arredores da cidade de Talzitapec e acompanhada por cerimônias religiosas (CEPLAC, 2010).
Há indícios que o primeiro plantio no Brasil foi feito na fazenda Cubículo próximo ao rio Pardo, onde atualmente é o município de Canavieiras-BA e expandiu-se para o município de Ilhéus (CEPLAC, 2010).
Em 2015, o Brasil esteve entre os maiores produtores de cacau do mundo atrás de Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões, com dedicação de 90% da produção destinado à exportação (MERLADETE, 2015).
O gráfico a seguir, estabelece a análise em relação à comercialização do cacau para o exterior.
Gráfico 1 - Preço comercializado do cacau.
Fonte: Adaptado do SEBRAE, 2014.
4 Analisando brevemente o gráfico anterior, o Brasil possui preço médio mais elevado do cacau e possui menor demanda de produção em relação aos países africanos, o que apresenta maior rentabilidade na exportação (DÓREA e PINTO, 2014).
4.2 A função do Drawback na importação do cacau
Há cerca de 20 anos, o contexto brasileiro na exportação de cacau na balança comercial era líquido, porém devido à doença causada pela Vassoura-de-bruxa, a produção caiu drasticamente em diversas regiões produtoras, principalmente na Bahia, e ao mesmo tempo, o consumo de cacau no mercado interno aumentou consideravelmente, conforme a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) (2014). Neste período, o houve um retrocesso na exportação, obrigando as indústrias a importar esta commodity para suprir a capacidade ociosa do parque moageiro (SEAGRI, 2015).
E atualmente, segundo o presidente da Confederação da Agricultura e da Pecuária (CNA) (2015), o drawback é um fator que necessita de revisão do regime para o cacau, pois os produtores locais estão com problemas na comercialização, gerando deságios que alcançam em até US$ 500 por tonelada, propondo também a reexportação por valor seja substituído pela equivalência do produto final e a diminuição do prazo de reexportação de 2 anos para 6 meses. (SEAGRI, 2015). O pedido foi levando em conta os principais estados produtores Bahia, Pará e Rondônia e a CNA solicitou ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) (Revista Globo Rural, 2015) uma análise de risco de pragas do cacau importado dos principais líderes da oferta da mercadoria, sendo Costa do Marfim, Gana e Camarões.
4.3 Principais estados produtores de Cacau
A produção do cacau está polarizada entre Bahia e Pará entre os principais geradores da commodity no Brasil, os nordestinos estão investindo em novas tecnologias e novas formas de manuseio para aumentar a produtividade. Já o Pará, tem apresentado números que possam elevar este número em 10 anos e tornar-se o principal produtor nacional (MENDES e NEUMANN, 2016, p. 9-13).
De acordo com Mendes e Neumann (2016) é possível destacar que Bahia e Pará concentram cerca de 95% da produção nacional. No caso do Pará, pretende-se
5 elevar a produtividade e melhorar a qualidade do produto em pequenos municípios, visando priorizar a gestão da lavoura para comercialização e dessa forma reforçar a produção cacaueira.
O secretário de Agricultura do Pará afirma que essa estratégia aumentará em 230 mil empregos no estado (MENDES e NEUMANN, 2016).
4.5 Aspectos gerais e econômicos de São Felix do Xingu – PA
São Félix do Xingu é um município brasileiro do estado do Pará, localizado a 1.100 km de Belém, por via terrestre. Possui uma área de 84.212,4 km² e uma população estimada de 116.186 habitantes (IBGE, 2016). Segundo dados publicados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), 2015, desde 1972 a menor temperatura registrada em São Félix do Xingu foi de 8,6 °C em 1975, e a maior atingiu 38,4 °C em 2011. Já se tratando de aspectos sociais, São Félix do Xingu apresenta um IDH de 0,594, número considerado baixo para o índice (PNUD, 2016).
A pecuária está presente em todos os municípios paraenses, constituindo, em 53 deles, a atividade econômica dominante. Em São Félix do Xingu não é diferente: A economia municipal é pautada pela agropecuária e pela mineração. A região desponta como o de maior rebanho bovino do Pará: 2.282.445 cabeças, correspondendo a 11,91% do rebanho estadual (IBGE, 2016). No tema produção rural, a cacauicultura, introduzida no município nos anos 90, se consolidou para a agricultura familiar como a principal alternativa produtiva à criação de gado.
O município atraiu um grande número de empreendedores que vieram se instalar na terra e utilizá-la como meio de produção. Dentre eles, os campesinos, também se sobressaem como microempreendedores, que têm, atualmente, a pecuária como forte alternativa viável para seus sistemas produtivos.
5. RESULTADOS
5.1 O desmatamento na região do Xingu
Segundo o IBGE, a região de São Félix do Xingu concentra o maior rebanho bovino do país com um total de 2,28 milhões de cabeças em 2014. (TOMAZELLI, 2015) E por causa da pecuária e das atividades ilegais de mineradoras e comércio de madeira existente no local ocorria de modo acelerado o desmatamento do local,
6 mesmo com a redução de 70% entre 2008 e 2013, segundo o Ministério do Meio Ambiente (MILHORANCE, 2015).
O declínio do desmatamento na região devido à implementação da segunda da fase do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia Legal (PPCDAm), focando em ações de monitoramento e focando efetivamente na redução. (DOBLAS, 2016).
O município de São Felix do Xingu, local onde foi identificada a devastação elevada da região relacionada à ocupação ilegal e atividade pecuarista, com aproximadamente 187m² de área desmatada em 2015 (DOBLAS e MENEZES, 2016).
5.2 Benefícios da produção do cacau
A cultura do cultivo cacaueiro na região presente há cerca de 20 anos foi trazida do Mato Grosso e tornou-se uma alternativa de renda e ampliando o espaço para o pequeno produtor, pois segundo o agrônomo Pierre Clavier ressaltou em reportagem ao programa Good News (2016) que “a pecuária pequena não dá muita renda, mesmo com a produção leiteira não oferece a mesma rentabilidade do que o cacau”. O agrônomo afirma que um hectare de pastagem obtém no máximo um bezerro por ano e dentro deste mesmo espaço é possível produzir 1000 kg de cacau neste hectare para plantio, o que elevaria a renda de dez vezes maior em relação a pecuária. Portanto, uma família que cuidaria com facilidade de cinco hectares de cacau conseguiria uma renda anual entre R$ 20000,00 a 30000,00 a partir da commodity, completa Clavier (GOOD NEWS, 2016).
A produção agrega valor à região com preservação e revitalização do solo sem aplicação de fertilizante e adubos que possam contaminá-lo.
OS produtores obtiveram a certificação Tipo I na colheita, que segundo a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), significa o que este cacau é o mais puro para comercialização, pois possuem índices baixos de mofos, fumaças, danificações por insetos, germinadas e achatamentos. Portanto após o processo de fermentação que dá o aroma do chocolate e a secagem o produto está apto a comercialização para as indústrias de chocolates finos (CEPLAC, 2015).
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6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente artigo teve como finalidade identificar os problemas atuais encontrados pelos pequenos produtores no cultivo de cacau na região de São Félix do Xingu para repassá-las as indústrias de grande porte e processadoras da commodity, dentro das regulamentações envolvidas.
De maneira objetiva, procurou-se responder a seguinte questão: “Quais os entraves existentes que impedem o município de executar a exportação do cacau? ”.
Em resposta, através da relevância dos dados que contextualizam o cenário de promoção da exportação na região, foram apresentados por meio de gráficos e citações.
Chegou-se à conclusão de que o município tem potencial para ser um grande exportador de cacau, mesmo não possuindo tradição no ramo, o produto alcança o mais elevado nível de pureza, ou seja, sem a necessidade de agrotóxico (SEAGRI, 2014) em comparação à outras regiões, tornando-se mais competitivo para os pequenos produtores de cacau que trabalham na região.
Este fato deve-se também aos recursos dos muros florestais com plantações de outras árvores frutíferas que naturalmente protegem as cacaueiras da praga causada pela vassoura-de-bruxa, que devastou outras regiões com potencial econômico neste ramo, como a Bahia, recorrendo às importações do produto via regime de drawback.
Foi importante salientar que o município paraense foi uma das principais vítimas do desmatamento na região amazônica devido aos pastos formados pela concorrência da atividade pecuária pertencente aos grandes latifundiários, atividades mineradoras e construção de asfaltamento sem supervisão. Com argumentação a favor da sustentabilidade, espera-se que o cultivo do cacau e outros produtos possam preservar as áreas que ainda não foram exploradas por essa atividade, diminuir os danos ambientais já causados e também esclarecer para o pequeno e médio produtor é mais eficiente e lucrativo exercer esse cultivo, pois os custos são menores e os lucros do investimento são maiores e mais rentáveis em relação a atividade pecuarista.
Pela relevância dos dados, ainda é cedo para concluir que é um problema resolvido, mas é certo de que há estratégias sólidas estabelecidas para que a produção e exportação do cacau possam beneficiar a região de São Felix do Xingu e incentivar
8 novos produtores a recorrerem ao método, pois é um produto com alto valor agregado.
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