UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS
PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA MESTRADO EM GENÉTICA
IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO CITOGENÉTICO CONVENCIONAL COMO FATOR PROGNÓSTICO NA SINDROME MIELODISPLÁSICA
CRISTIANO LUIZ RIBEIRO
Goiânia-Goiás Março de 2009
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS
PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA MESTRADO EM GENÉTICA
IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO CITOGENÉTICO CONVENCIONAL COMO FATOR PROGNÓSTICO NA SINDROME MIELODISPLÁSICA
CRISTIANO LUIZ RIBEIRO
Orientador: Dr. Aparecido D. da Cruz, Ph.D
Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Genética da Universidade Católica de Goiás, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Genética.
Goiânia-Goiás Março de 2009
R484i Ribeiro, Cristiano Luiz.
Importância do diagnóstico citogenético convencional como fator prognóstico na síndrome mielodisplásica / Cristiano Luiz Ribeiro. – 2009. 51. f.
Dissertação (mestrado) – Universidade Católica de Goiás, Mestrado em Genética, 2009.
“Orientador: Dr. Aparecido D. da Cruz”.
1. Síndrome mielodisplásica (SMD) – diagnóstico citogenético – importância. 2. Alterações citogenéticas. 3. Genética. I. Título.
Dedico os resultados deste estudo aos Dedico os resultados deste estudo aos Dedico os resultados deste estudo aos Dedico os resultados deste estudo aos meus pais, meu irmão, à minha meus pais, meu irmão, à minha meus pais, meu irmão, à minha meus pais, meu irmão, à minha namorada, meus professores e a namorada, meus professores e a namorada, meus professores e a namorada, meus professores e a todos os meus amigos pelo apoio todos os meus amigos pelo apoio todos os meus amigos pelo apoio todos os meus amigos pelo apoio constante para que eu pudesse constante para que eu pudesse constante para que eu pudesse constante para que eu pudesse concluir esta longa, difícil, mas concluir esta longa, difícil, mas concluir esta longa, difícil, mas concluir esta longa, difícil, mas imp
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AGRADECIMENTOS AGRADECIMENTOS AGRADECIMENTOS AGRADECIMENTOS
Quero agradecer, em primeiro lugar, a Deus por ter me concedido e à toda minha família perseverança e saúde para que pudéssemos aproveitar mais esta oportunidade de estudo e, conseqüentemente, ter cursado e concluído com muita felicidade e sucesso o curso de mestrado em genética pela Universidade Católica de Goiás.
Aos meus pais, Antônio Luiz Ribeiro (
IN MEMORIAN
) e Maria José Ribeiro, e ao meu irmão Luciano Antônio Ribeiro pelo incentivo e ajuda prestados durante toda a minha vida e, especialmente, para o sucesso da conclusão de mais esta etapa de meus estudos.À minha namorada, Juliana Fernandes dos Santos, pelo carinho, amor, amizade, colaboração e tudo que ela faz na minha vida, sempre do meu lado para me ajudar e proporcionar momentos maravilhosos. Existem pessoas que chegam e fazem parte de nossa vida que jamais serão esquecidas, e você Juliana, é uma delas. Aos meus professores e principalmente, meus grandes amigos, Aparecido Divino da Cruz (Peixoto) e Cláudio Carlos da Silva, pela orientação, paciência, amizade, carinho, oportunidades
profissionais oferecidas e crescimento pessoal que, com certeza vão me ajudar por toda a minha vida.
Aos meus amigos Jonas Garcia de Almeida, Gustavo Silva Pinto e amiga Lysa Bernardes Minasi pelo companheirismo, que desde o início me ajudaram e acompanharam nesta jornada, juntos superamos dificuldades e conquistamos alegrias.
Ao meu amigo e amiga representando o NPR (Núcleo de Pesquisa Replicon) – da Universidade Católica de Goiás, Eduardo Rocha Pedrosa e Damiana Miriam da Cruz e Cunha e aos meus amigos da LaGene (Laboratório de Citogenética Humana e Genética Molecular – Suleide – Superintendência Leide das Neves Ferreira / SES – Secretaria de Estado da Saúde de Goiás), pelo companheirismo e profissionalismo compartilhados durante todo este tempo de nossa convivência.
A todas as pessoas envolvidas que cederam os materiais biológicos para que este estudo pudesse ter sido realizado e também a todos os profissionais médicos e não médicos envolvidos nesta pesquisa. Obrigado pela partilha.
SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS... X LISTA DE TEBELAS... XI LISTA DE ABREVIATURAS... XIII RESUMO... XV ABSTRACT... XVII 1. INTRODUÇÃO... 1 1.1 SINDROME MIELODISPLÁSICA... 1 1.1.1 Aspectos Gerais... 1 1.1.2 Epidemiologia... 13 2. Justificativa... 15 3. Objetivos... 16 3.1. Geral... 16 3.2. Específicos... 16 4. Materiais e Métodos... 17 4.1. Delineamento do estudo... 17 4.2. Grupo amostral... 17 4.2.1 Critérios de Inclusão... 18 4.2.2 Critérios de exclusão... 18
4.3 - Aprovações pelos comitês de ética em pesquisa... 18
4.4. Coleta das Amostras... 18
4.5. Citogenética Convencional... 19
4.5.1 Bloqueio da Cultura... 21
4.5.3 Bandeamento... 22
4.5.4 Análise Citogenética... 23
4.6 Preparo das Soluções... 23
4.6.1 Preparo de solução hipotônica... 23
4.6.2 Preparo de solução fixadora álcool-ácida de Carnoy... 23
4.6.3 Preparo da solução de Giemsa a 4%... 23
5. RESULTADOS... 24
6. DISCUSSÃO... 30
7. CONCLUSÔES... 38
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 40
8. ANEXOS... 46
8.1 – Anexo I. Termo de consentimento livre e esclarecido... 46
LISTA DE FIGURAS Pg.
LISTA DE TABELAS Pg.
Tabela I. Classificação FAB que compreende os cinco grupos da SMD... 5
Tabela II. Classificação proposta pela OMS apresentando os subtipos da SMD... 6
Tabela. III. Anormalidades citogenéticas mais frequentes relacionadas à SMD... 7
Tabela IV. Dados descritivos dos pacientes estudados com diagnóstico de SMD... 24
Tabela V. Alterações genéticas identificados nos pacientes estudados com SMD... 25
Tabela VI. Resultados do hemograma e mielograma dos pacientes com SMD... 26
Tabela VII. Classificação IPSS... 27
Tabela VIII. Grupos de risco de acordo com o IPSS... 27
Tabela IX. Alterações citogenéticas e suas respectivas percentagens encontradas por paciente com diagnóstico para SMD... 28
Tabela X. Classificação IPSS dos pacientes estudados de acordo com o grupo de risco dos quinze pacientes com diagnostico para SMD...
LISTA DE ABREVIATURAS
SMD - Síndrome Mielodisplásica LMA - Leucemia Mielóide Aguda DNA - Ácido Desoxirribonucléico
HIV - Vírus da Imunodeficiência Humana
FAB - Grupo Cooperativo Franco-Americano-Britânico AR - Anemia Refratária
ARSA - Anemia Refratária com Sideroblastos em Anel AREB - Anemia Refratária com Excesso de Blastos
AREB-t - Anemia Refratária com Excesso de Blastos em Transformação LMMC - Leucemia Mielomonocítica Crônica
OMS - Organização Mundial de Saúde del – Deleção
IPSS - Internacional Prognostic Scoring System FISH - Hibridização Fluorescente in situ
ISCN - International System for Chromossome Nomenclature LMC - Leucemia Mielóide Crônica
GST - Genes Supressores Tumorais TNFά - Fator de Necrose tumoral CG - Citosina e Guanina
LLA - Leucemia Linfocítica Aguda AA - Anemia Aplástica
LaGene - Laboratório de Citogenética Humana e Genética Molecular SES/GO– Secretaria de Estado da Saúde de Goiás
HC/UFG – Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás UCG – Universidade Católica de Goiás
NPR - Núcleo de Pesquisas Replicon HAJ - Hospitais Araújo Jorge
ACCG – Associação de Combate ao Câncer de Goiás SCMG - Santa Casa de Misericórdia de Goiânia TCLE – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido SFB – Soro Fetal Bovino
ºC – Graus Celsius h – Horas
µL – Microlitros
RPM – Rotações Por Minutos mL – Mililitros
PBS – Tampão Salino Fosfato q.s.p – Quantidade Suficiente Para
RESUMO
Tratou-se de um estudo sobre uma doença de baixa incidência na população que é a síndrome mielodisplásica (SMD). Esta doença compreende um grupo de desordens hematopoiéticas heterogêneas de natureza clonal que tem em comum, graus variados de insuficiência medular e níveis distintos de citopenias no sangue periférico e displasias na diferenciação celular podendo apresentar várias formas de alterações citogenéticas, evoluindo algumas vezes para leucemia. Para SMD, pode-se através das alterações identificadas com auxílio do cariótipo, determinar o prognóstico e classificá-las em grupos de risco, cujo, cada paciente será submetido a um tratamento mais individualizado. O objetivo deste estudo foi avaliar as alterações citogenéticas nas síndromes mielodisplásicas, utilizando a citogenética convencional, correlacionando os achados citogenéticos encontrados com os dados clínicos dos pacientes, na tentativa de incrementar informações de valor prognóstico para os casos de SMD. O presente estudo foi conduzido no NPR – Núcleo de Pesquisa Replicon da Universidade Católica de Goiás e no LaGene – Laboratório de Citogenética Humana e Genética Molecular / SuLeide – Superintendência Leide das Neves Ferreira, SES-GO em parceria com o Hospital das Clínicas, da Universidade Federal de Goiás e com Hospital Araújo Jorge. Foram avaliadas amostras de sangue periférico e medula óssea com auxílio da citogenética convencional de 25 pacientes com indicação clínica de SMD, sendo que somente os 15 casos confirmados com SMD foram incluídos neste estudo. Os resultados dos testes citogenéticos demonstraram uma grande diversidade de alterações cromossômicas, entre elas trissomias nos cromossomos 21 e 22, monossomias dos cromossomos 17 e Y, translocações entre o os cromossomos 3q;10q e 8q;16q e uma duplicação no cromossomo 1. As deleções apareceram com mais freqüência, entre elas citamos deleções nos cromossomos 7p, 5q 10q, 11q e 12p. Foi observado também um isocromossomo de 17, um cromossomo em anel e um cromossomo marcador de origem indeterminada além dos cariótipos normais. Esta diversidade de achados está relacionada com uma instabilidade gênomica, sendo que as monossomias e as deleções podem estar relacionadas com inativação de genes supressores tumorais (GST) e as translocações podem ativar os oncogenes, logo estas alterações estão relacionadas com a hematopoiese ineficaz em SMD. Também apresenta relação com o prognóstico, o curso clínico e a evolução da doença, oferecendo ainda informações para auxiliar o diagnóstico, a classificação, o acompanhamento, a escolha terapêutica e um
entendimento mais adequado em função da grande diversidade biológica da doença. Esta pesquisa será importante para estimular novos estudos nesta área podendo estabelecer novas parcerias entre centros de pesquisas e de tratamento, principalmente para oferecer uma melhor qualidade de vida para os pacientes com SMD e seus familiares.
Palavras-chave: Síndrome Mielodisplásica; Citogenética Convencional; Prognóstico; Tratamento.
ABSTRACT
This was a study of a low incidenced disease in the population that is myelodysplastic syndrome (MDS). This disease comprises a group of heterogeneous hematopoietic disorders of clonal nature that have in common, varying degrees of bone marrow failure and distinct levels of peripheral blood cytopenias and dysplasia in cell differentiation and may provide various forms of cytogenetic changes, sometimes progressing to leukemia. For MDS, can be identified through the changes with the aid of the karyotype, determine prognosis and to classify them into risk groups, which each patient will be subjected to a more individualized treatment.The objective of this study was to evaluate the cytogenetic and correlated the cytogenetic findings found with the clinical data of patientes in an attempt to improve prognostic information in cases of MDS. This study was conducted at NPR – Núcleo de Pesquisas Replicon of Universidade Católica de Goiás e LaGene - de Citogenética Humana e Genética Molecular / SuLeide – Superintendência Leide das Neves Ferreira, SES-GO in partnership with the Hospital of the Universidade Federal de Goiás and Hospital Araújo Jorge. We evaluated samples of peripheral blood and bone marrow with the aid of conventional cytogenetics, of 25 patients with clinical indication of MDS, with only 15 confirmed cases with MDS were included in this study. The results of cytogenetic tests showed a wide range of chromosomal abnormalities, including trisomy of chromosomes 21 and 22, monosomy of chromosomes 17 and Y translocation between chromosomes 3q, 8q and 10q, 16q and a duplication on chromosome 1. The deletions appeared more frequently, including deletions on chromosomes 7p, 5q 10q, 11q and 12p. We also observed an isochromosome 17, a ring chromosome and a marker chromosome of unknown origin in addition to the normal karyotypes. This diversity of findings is related to genomic instability, and the monosomy and deletions may be related to
inactivation of tumor suppressor genes (TSG) and translocations can activate oncogenes, so these changes are related to the ineffective hematopoiesis in MDS. Also associated with prognosis, the clinical course and progression of the disease, and providing information to assist the diagnosis, classification, monitoring, treatment choice and a more adequate understanding to the broad diversity of the disease. This research will be important to stimulate new research in this area and may establish new partnerships between research centers and treatment, primarily to provide a better quality of life for patients with MDS and their families.
Keywords: myelodysplastic syndrome; Conventional Cytogenetics, Prognosis, Treatment.
1. INTRODUÇÃO
1.1 SINDROME MIELODISPLÁSICA 1.1.1 Aspectos Gerais
A síndrome mielodisplásica (SMD) compreende um grupo de alterações hematopoiéticas heterogêneas de natureza clonal, que têm em comum graus variados de insuficiência medular e conseqüentemente diferentes níveis de citopenias no sangue periférico e manifestações clínicas. No entanto, observa-se hipercelularidade na medula óssea e displasia na diferenciação celular o que pode evoluir para uma leucemia aguda, principalmente a Leucemia Mielóide Aguda (LMA). Apesar de todo o conhecimento acumulado em relação à clínica, ao diagnóstico morfológico e às características biológicas da SMD seu tratamento ainda é precário e desafiador (Apa et al., 2006).
Alterações no genoma de forma acumulativa podem resultar em proliferação de células hematopoiéticas com alterações morfológicas e funcionais, conseqüentemente a hematopoese pode ser alterada e ineficaz, podendo o paciente apresentar anemia e citopenia persistentes e refratárias (Wells, 2003; Hofmann et al., 2002).
Existem etapas diversas para explicar a patogênese da SMD, sendo que a exposição de indivíduos geneticamente predispostos a agentes genotóxicos ocupacionais ou ambientais pode determinar o aparecimento de uma fase da doença, considerada pré-SMD. Na fase denominada SMD precoce observa-se uma quantidade inferior a 10% de blastos na medula óssea e apoptose aumentada. Na fase tardia, os blastos estão aumentados na medula óssea, ocorre instabilidade cromossômica e aumento de fatores epigenéticos como a metilação do Ácido Desoxirribonucléico (DNA) silenciando os genes envolvidos no controle do ciclo celular. Quando a doença se encontra em um estágio avançado ou de progressão ocorre perda ou inativação de genes supressores e aumenta a instabilidade gênomica com potencial evolução para
leucemia aguda. O processo de angiogênese encontra-se aumentado em todos os estágios da doença (Ribeiro et al., 2004, Rosenfeld et al., 2000).
Há carência de alguns critérios mínimos para o diagnóstico, principalmente dos pacientes que se encontram em fases mais precoces da SMD. Dos critérios atuais, as alterações citogenéticas clonais, a presença de displasia em pelo menos duas linhagens celulares, o aumento no percentual de blastos e uma possível evolução para leucemia aguda podem tornar mais difícil e desafiador o diagnóstico da doença (Ramos et al.,1999; Kouides et al.,1996, Farhi, 1992).
Devemos entender que um clone celular, do ponto de vista da citogenética, consiste na presença de uma mesma alteração morfológica ou numérica em pelo menos duas células analisadas. Outra informação citogenética importante relaciona-se com a presença de mosaicismo. Assim deve ser analisado o maior número de metáfases possível, uma vez que quanto maior o número de metáfases analisadas, menor a chance de um mosaicismo passar sem que seja identificado (Barch et al., 1997).
Na SMD a presença de alterações morfológicas associada com a citopenia, somente, não podem ser tomadas como evidencia de uma doença clonal. È fundamentalmente importante realizar um diagnóstico diferencial, seguindo-se alguns critérios internacionalmente aceitos, como a analise do cariótipo (Aul et al., 1995).
É importante levar em consideração que algumas doenças não clonais, que são secundárias e reversíveis podem evoluir para uma insuficiência medular progressiva, para uma leucemia aguda, ou para outras formasfisiopatológicas de doenças de células hematopoiéticas (Greenberg et al., 1998).
Para determinar o diagnóstico e o prognóstico da SMD é importante estudar e observar a idade do paciente, dados do hemograma, a citologia, a citoquímica e histologia da medula óssea, a contagem de reticulócitos, a dosagem de eritropoetina
endógena, a demonstração do caráter clonal pela citogenética convencional ou por estudos moleculares das células neoplásicas, as dependências e carga transfusional e se a doença è de natureza primária ou secundária. É importante ressaltar que a análise em conjunto dos resultados obtidos das variáveis acima mencionadas terá maior significância para o diagnóstico e prognóstico da SMD do que quando analisados de forma independente (Malcovati et a.l, 2005; Greenberg et al., 1997; Morel et al., 1993; Lorand-Metze I et al., 1991).
Alguns critérios de exclusão considerados básicos devem ser levados em consideração. Assim, a deficiência de ácido fólico, uma exposição recente a substâncias tóxicas e ou agentes citotóxicos, sobretudo no período das últimas três semanas, a deficiência nutricional de vitamina B12 parecem compor o painel de variáveis significativas e auxiliares no diagnóstico de SMD (Norman et al., 1993).
Citopenias e alterações morfológicas nas linhagens celulares também podem ser observadas devido ao etilismo, a restrição nutricional, a má absorção de vitamina B12 secundária a pancreatite crônica e dentre outros mecanismos. A título de exemplo, a presença de sideroblastos em anel também pode ser observada em etilistas crônicos ou em conseqüência da exposição ocupacional ao chumbo ou benzeno, sendo, portanto, considerada uma variável de exclusão. (Norman et al., 1993).
O protocolo de exclusão relata que a infecção por Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) é uma variável importante. Pois, os pacientes infectados geralmente apresentam medula hipercelular e alterações displásicas. Tais alterações na hematopoese podem ser em decorrência da infecção viral de células progenitoras ou devido à duplicação celular causada por infecções oportunistas ou por citotoxidades das terapias antivirais prescritas ao paciente (Bain, 1997).
Para o diagnóstico da SMD, quando excluídas as causas não clonais, torna-se mais difícil. Nesta circunstância, é preciso considerar a ocorrência de doenças das células progenitoras hematopoiéticas, que podem apresentar achados similares e que se correlacionam. Um bom exemplo pode ser o diagnóstico diferencial entre anemia aplásica e SMD hipoplásica, que consiste um desafio (Greenberg et al., 1998).
Nos casos em que se observam citopenias inexplicadas e persistentes e que não apresentam alterações morfológicas e citogenéticas, o diagnóstico para SMD deve ser feito após um acompanhamento do paciente por um período de no mínimo seis meses (Magalhães et al., 2004; Greenberg et al., 1998).
Várias diferenças entre SMD primária e secundária podem ser relacionadas. A SMD secundária pode se desenvolver em indivíduos mais jovens, ao contrário da SMD primária que acomete geralmente indivíduos mais idosos. As displasias e as citopenias em SMD secundária são mais agressivas e pode ocorrer um maior processo de fibrose no ambiente medular. Todos estes fatores mais agressivos aumentam o risco relativo de transformação para uma leucemia aguda, então paciente com diagnóstico de SMD secundária possuem em comparação com a SMD primaria um prognóstico desfavorável (Pinheiro et al., 2006).
A grande importância dos estudos dos fatores prognósticos com relação ao paciente de forma individual consiste em que a equipe clínica possa decidir sobre a melhor estratégia terapêutica a ser adotada. Assim, o conjunto de variáveis de prognóstico permite definir se um paciente pode ficar somente em acompanhamento e ou receber medidas de suporte, ou se será submetido a estratégias terapêuticas mais agressivas, que podem ser de maiores riscos para o paciente, como transplantes de medula ou quimioterapia (Sasai et al., 1999).
Na SMD, não apenas as manifestações clínicas e laboratoriais são heterogêneas, mas a evolução dos pacientes também é muito variada. A variabilidade individual e a heterogeneidade da condição também dificulta muito a escolha da conduta terapêutica a ser seguida em cada caso. Nos últimos anos, tem-se melhorado o conhecimento das características clínicas e fisiopatológicas da SMD, decorrentes de um maior número de estudos sobre os fatores etiológicos e epidemiológicos. Assim, o diagnóstico tem se tornado mais preciso. No entanto, a complexidade da doença faz com que muito da biologia da doença ainda careça de elucidação (Koc et al., 1998).
Em 1982, o Grupo Cooperativo Franco-Americano-Britânico (FAB) baseado em características morfológicas, propôs uma classificação inicial para a SMD, que compreendia cinco grupos (Tabela I).
Tabela I. Classificação FAB que compreende os cinco grupos da SMD. Subtipo FAB Blatos no
SP Blastos na MO Sideroblastos em anel (MO) Monócitos/ mm3 (SP)
Anemia refratária (AR) <1% <5% <15%
Anemia refratária com
sideroblastos em anel (ARSA) <1% <5% >15%
Anemia refratária com excesso
de blastos (AREB) <5% 5-20%
Anemia refratária com excesso de blastos em transformação (AREB-t) >5% 21-30% Leucemia mielomonocítica crônica (LMMC) <5% 1-20% >1000/mm 3 Fonte: (Bennett et al., 1982).
Com o decorrer dos estudos, observaram que algumas formas da SMD não se enquadram muito bem nos critérios FAB. Adicionalmente, há, dentro de um mesmo subtipo, evolução e prognóstico diferentes. Assim, a Organização Mundial de Saúde (OMS) propôs uma nova classificação para SMD, como apresenta a (Tabela II).
Tabela II. Classificação proposta pela OMS apresentando os subtipos da SMD.
Tipo Sangue periférico Medula óssea
Anemia refratária Anemia, blastos< 1%
Displasia apenas na linhagem eritroblástica, <5% de blastos.
Anemia refratária com
sideroblastos em anel Anemia, Ausência de blastos
Displasia apenas na linhagem eritroblástica, <5% de blastos, < 15% de sideroblastos em anel Citopenia refratária com
displasia multilinhagem Bi ou pancitopênia < 1% de blastos
Displasia em >10% das células de duas ou mais linhagens, <5% de blastos.
Citopenia refratária com displasia de multilinhagens e
sideroblastos em anel
Bi ou pancitopênia < 1% de blastos
Displasia em >10% das células de duas ou mais linhagens, <5% de blastos e >15% de sideroblastos em anel Anemia refratária com excesso
de blastos -1 Bi ou pancitopênia < 5 % de blastos Displasia uni ou de multilinhagens 5%-9% de blastos
Anemia refratária com excesso de blastos -2 Bi ou pancitopenia, blastos 5%-19%Monócitos <1000/mm3. Displasia uni ou de multilinhagens 10%-19% de blastos Síndrome mielodisplásica inclassificável Neutropenia ou plaquetopenia, blastos raros ou ausentes.
Displasia, unilinhagem blastos <5%
Síndrome mielodisplásica com del (5q) isolada
Anemia, plaquetas normais ou elevadas, <5% blastos.
Megacariócitos em número normal ou elevado com núcleos unilobulados <5% blastos.
Fonte: (Jaffe et al., 2001).
Sendo suprimido o subtipo anemia refratária com excesso de blastos em transformação e englobando os pacientes com mais de 20% de blastos como leucemia aguda. No entanto, aos subtipos anemia refratária e anemia refratária com sideroblastos em anel, a classificação da OMS sugere que sejam separados os casos de displasia eritróide isoladas daqueles com displasia das três linhagens, pois estes últimos têm prognósticos mais específicos. Já, os casos de leucemia mielomonocítica crônica por apresentarem tanto características proliferativas como displásicas, passaram a ser definidos na categoria de síndrome mielodisplásica/mieloproliferativa (Jaffe et al., 2001).
A citogenética também mostra diferenças básicas entre SMD primária e secundária Tabela III. Alterações genéticas clonais podem ser detectadas de 30 a 50% dos casos primários e em mais de 80% da SMD secundária. Em geral, os achados cariotípicos incluem perda ou ganho de material genético decorrentes de deleções, monossomias ou trissomias (Pinheiro et al., 2006).
Tabela III. Anormalidades citogenéticas mais frequentes relacionadas à SMD.
Alterações Casos primários (%) Casos secundários (%) Deleção Parcial del 5q del 20q del 7q del 11q del 12p 20 3-5 1-2 2-3 1-2 20 < 1 20 < 1 3-4 Monossomias (- 7) (- 11) (- Y) 10-15 4 3 50 10 5-7 Trissomias (+ 8) (+ 11) (+ 21) (+ 22) 5 15 4 2-5 5-15 10 1 1 Translocações t(1;7) (p11 ; p11) t(5;17) ou (7;17)(p11;p11) < 1 < 1 5 2 Alterações complexas 20 50
Fonte: (Fenaux et al., 1996).
Como outras variáveis além do cariótipo também possuem valor prognóstico, Greenberg e colaboradores (1997) propuseram um escore, o Internacional Prognostic Scoring System (IPSS). Este sistema leva em consideração, além do cariótipo, o número de citopenias e a porcentagem de blastos na medula óssea. Pelos critérios deste escore os pacientes, com as suas diversas alterações, podem ser estratificados em grupos de comportamentos evolutivos diferentes. Três categorias citogenéticas foram estabelecidas pelo IPSS, a saber: (1) bom prognóstico, que inclui cariótipo normal, nulissomia do cromossomo Y, deleção 5q e deleção 20q isoladas; (2) prognóstico desfavorável, incluindo os cariótipos complexos, que apresentam mais de três
anormalidades e alterações do cromossomo 7, podendo ser deleção ou monossomia e (3) prognóstico intermediário que contempla todas as demais anomalias observadas e que não foram citadas nas categorias anteriores e, portanto seu significado, ainda não foi plenamente estabelecido (Greenberg et al., 1997).
O IPSS ganhou um grande destaque pela sua utilidade clínica devido ao fato de permitir a previsão da evolução em séries independentes de pacientes não tratados. Em (2005) Solé e colaboradores tentaram redefinir algumas alterações citogenéticas, em especial aquelas alocadas no grupo intermediário, e identificar outras previamente não reconhecidas. Para tanto, foram propostas quatro categorias, a saber: (1) bom prognóstico, incluindo cariótipo normal, nulissomia do cromossomo Y, del(5q), del(11q) e del(20q) isoladas; (2) prognóstico intermediário: trissomia 8, rearranjos envolvendo 3q21q26, translocações 11q, del(17p), trissomia 18 e trissomia 19; (3) prognóstico desfavorável: cariótipo complexo, monossomia 7, del(7q) e i(17q) e (4) prognóstico desconhecido: as demais alterações simples ou duplas. Tal estudo reforça a noção de que o cariótipo se constitui numa ferramenta de prognóstico importante. Seu papel nesse conjunto complexo de doenças pode oferecer uma visão global da instabilidade genômica das células malignas associadas à SMD, que afeta conseqüentemente a sobre vida relativa do indivíduo acometido pela condição.
O estudo dos cromossomos pode ser conduzido de forma convencional e ou molecular. A citogenética clássica ou convencional esta relacionada com a análise dos cromossomos da célula em divisão (mitose), especificamente nos de cromossomos metáfasicos. FISH ou (Hibridização Fluorescente in situ) é uma técnica de citogenética molecular muito utilizada nos laboratórios, sendo que se utiliza sondas, ou seja, seqüências de DNA, marcados com fluorocromos complementares ao DNA alvo que se pretende estudar. O estudo por citogenética molecular possibilita a identificação tanto
em cromossomos metafásicos quanto interfásicos (Chauffaille, 2006; Botelho, 2006; Lorand-Metze I et al., 1991).
Os resultados citogenéticos convencional e molecular devem sempre ser elaborados de acordo com uma nomenclatura estabelecida, isto é, a International System for Chromossome Nomenclature (ISCN) [ISCN, 2005].
Para cada tipo da SMD pode-se identificar uma freqüência de alterações no cariótipo analisado. Em AR e ARSA, por exemplo, são observadas alterações em 18 a 30% dos casos, sendo que esta freqüência pode aumentar para 60% em LMMC. O exame citogenético convencional, em geral está anormal em 25 a 30% dos pacientes, sendo que a monossomia do cromossomo 7 e/ou a trissomia do cromossomo 8 são alterações freqüentes (Fenaux et al., 1996 ).
Alterações no cariótipo da SMD têm sido relacionadas com alguns aspectos ou síndromes clínicas. Dentre estas podemos citar a síndrome 5q-, incluída no subtipo AR sendo caracterizada por uma anemia macrocítica dependente de transfusão além do aumento de contagem de plaquetas. No exame de medula óssea observa-se o número de megacariócitos aumentado. Esta alteração esta associada com um bom prognóstico para o paciente e a baixa probabilidade de transformação leucêmica. Alterações do tipo 5q- foram observadas principalmente em indivíduos do sexo feminino com idade aproximada de 60 anos. Os pacientes com 5q- representam cerca de 4% dos casos de SMD (Balduini et al., 1999; Olney HJ & LeBeau, 2001).
Deleção 20q está associada a AR e tem bom prognóstico. Por outro lado, a deleção de 17p é detectada em 6% dos casos de SMD, estando associada com um mau prognóstico (Balduini et al., 1999).
Deleção parcial ou completa do braço curto do cromossomo 7 são achados freqüentes na SMD. Estas alterações são encontradas geralmente em pacientes adultos
que apresentam o subtipo AREB ou AREB-t, sendo que estes pacientes apresentam uma sobrevida curta ou evolução para leucemia aguda. A região mais acometida é a 7q22.1 e não se sabe quais genes especificamente estão sendo envolvidos na patogênese da doença (Serio, 2002).
As deleções de 11q foram observadas principalmente em mulheres com ARSA, sendo descrita como bom prognóstico e os pacientes apresentaram uma maior sobrevida. A deleção de 11q envolve uma região próxima a do centrômero, geralmente concentradas em 11q23. O braço longo do cromossomo 11 apresenta vários genes que podem estar relacionados com algumas desordens hematológicas (Olney & LeBeau, 2001).
Aberrações envolvendo o cromossomo 13 foram observadas em aproximadamente 5% dos casos de SMD, podendo ocorrer em qualquer subtipo da doença. Com relação ao cromossomo 17, a deleção do braço curto, está sendo observada em pacientes em processo de terapia e é menos freqüente em SMD primária. Isocromossomo de 17q também foi descrito, do ponto de vista hematológico, os casos com iso de 17q apresentaram algumas características particulares como vacuolização de neutrófilos e eosinofilia, apresentando uma evolução desfavorável (Hirai, 2002).
Trissomia do cromossomo 19 em LMMC relaciona-se a manifestações de doença mieloproliferativa. Alterações no cromossomo 20 foram relatadas em aproximadamente 5% dos casos de SMD primária, observando-se uma deleção de seu braço longo. Deleção de 20q foi relacionada a um prognóstico bom. Os genes supressores tumorais (GST) que se localizam em 20q, como o TPO1 e o PLC1, possuem função de transdução de sinal (Hirai, 2002; Romeo et al., 2002).
O isocromossomo de X foi descrito como uma alteração relacionada principalmente a ARSA, com prognóstico intermediário. A nulissomia de Y pode ser
explicada pelo acúmulo de erros no processo de divisão celular. No entanto nulissomia de Y pode ser associada a um bom prognóstico (Romeo et al., 2002).
As alterações consideradas complexas são observadas principalmente em SMD secundária e estão relacionadas com um prognóstico desfavorável. Estas alterações são caracterizadas por mais de três anormalidades simultâneas, sendo que em grande parte as alterações envolvem perda de material genético. Algumas translocações que podem ocorrer em SMD provocam uma desregulação da expressão de alguns genes, estando relacionada com o aumento, diminuição ou perda total de produtos protéicos normais (Hirai 2002; Romeo et al., 2002).
Os estudos a níveis moleculares principalmente, realizados por FISH, trouxeram informações valiosas para a compreensão e caracterização da SMD (Bennett et al., 2005).
O Gene EGR-I localizado no cromossomo em 5q codifica uma proteína que possui função de diferenciação das linhagens celulares monocítio-macrofágica. Também tem função de diferenciação de blastos mielóides e é um regulador de crescimento celular. Com relação ao IRF-1 é considerado um GST e atua como regulador negativo de proliferação celular (Serio, 2002; Preisler et al., 2001; Boultwood et al., 1994).
Outro gene estudado que também está localizado em 5q é o CSF-1R que possivelmente não possui função de supressão tumoral e atua na regulação de crescimento de células mielóides (Mhawech P & Saleem A, 2001; Heim et al., 1995).
Não só os estudos de genes considerados GST podem ser relacionados à progressão da SMD, mas estudos de microssatélites, que são regiões de repetições no DNA de aproximadamente 100pb, são de extrema importância (Maeck et al., 2000).
Os telômeros são seqüências de DNA repetitivo localizadas nas extremidades dos cromossomos e que são responsáveis pela manutenção da estabilidade cromossômica, logo na SMD a atividade da enzima responsável pela recomposição da perda gênica através do encurtamento dos telômeros, a telomerase, está possivelmente insuficiente devido a correlação com os cariótipos complexos e as instabilidades que se apresentam nesta doença (Gurkan et al., 2005).
Casos em que não ocorrem perdas de material genético ou quando ocorre ganho que é menos freqüente que as perdas em SMD, devem-se enfocar os estudos dos oncogenes que atuam paralelamente aos GST para alterar o controle do crescimento celular. Genes como RAS, P53, PDGF e CSF-1R quando se apresentam mutados, podem contribuir para o surgimento e o desenvolvimento da SMD (Hirai, 2002).
Como componente da via de sinalização para proliferação celular e ativado por receptores de tirosino-quinase e sendo estimulados por fatores ligantes extracelulares temos o oncogene RAS. De 10 a 15% da SMD são detectadas mutações do gene N-RAS e dentro de uma classificação prognóstica apresenta-se como desfavorável e rápida transformação para Leucemia Mieloide Aguda (Hirai, 2002).
A apoptose aumentada em SMD está relacionada à presença desregulada de várias citocinas ou ligantes conhecidos por sua atividade funcional pré-apoptótica. Podemos citar como exemplo a Interleucina 1β e o Fator de Necrose Tumoral na medula que estão ativados em pacientes com SMD (Appelbaum, 2004; Steensma et al., 2004; Biesma et al., 1997,).
Como codificador de um receptor-quinase, o gene FLT3 está relacionado com diferenciação e proliferação de precursores hematopoéticos. Em aproximadamente 10% da SMD este gene apresenta mutações interna em tandem. Esta alteração apresenta-se em um estágio avançado da doença, sendo que o prognóstico é considerado
desfavorável e pode ocorrer transformação para leucemia aguda (Shih et al., 2004; Stirewalt et al., 2003; Hirai, 2002,Look, 2005; List et al., 2004).
Não podemos deixar de enfatizar alguns processos importantes que influenciam na expressão de alguns genes, onde podem estar ligados ao surgimento e desenvolvimento da SMD (Aggerholm et al., 2006; Laird, 2005). Tais processos como metilação, hipermetilação e modificações na estrutura das proteínas histonas no DNA são conhecidos como alterações ou fatores epigenéticos e podem, por exemplo, causar o silenciamento da expressão de um gene (List et al., 2004; Laird, 2005; Chauffaille, 2006, apud, Aggerholm et al., 2006; List et al., 2004).
A citogenética tanto convencional se mostra de extrema importância para definir e colaborar com o diagnóstico, prognóstico e também um melhor entendimento biológico da síndrome mielodisplásica.
Os estudos relacionados com SMD ainda estão longe de elucidar e definir todos os mecanismos para o seu desenvolvimento, entendimento biológico e hipóteses diagnósticas, mas desde os estudos iniciais apresentaram sem dúvida um avanço e um desafio muito grande.
Com certeza em breve estes estudos ofereceram uma caracterização mais abrangente que servirá para aperfeiçoamentos futuros, tanto clínicos como laboratoriais, que proporcionaram um processo terapêutico mais preciso podendo oferecer uma melhor qualidade de vida para o paciente.
1.1.2 Epidemiologia
Devido às inúmeras formas com que a SMD pode se manifestar, sua incidência anual no Brasil ainda não é conhecida. A incidência nos Estados Unidos, onde existe um maior número de estudos epidemiológicos é de 10 a 20 mil casos por ano, o que equivale a aproximadamente 40 a 80 casos por milhão de habitantes, ou seja, 1 em cada
12 a 25 mil indivíduos é portador de SMD. A incidência da doença em indivíduos acima de 60 anos, segundo a literatura médica, é de 1 caso para cada 5.000 habitantes, e se manifesta mais comumente em pessoas na faixa etária de 70 anos na Europa e nos Estados Unidos. No Brasil, contudo, os dados epidemiológicos mostraram uma tendência na SMD de surgir mais cedo, por volta dos 55 anos (Lopes et al., 1999). A precocidade no surgimento da doença no Brasil pode estar associada a alguns fatores ambientais. Tem sido atribuídos aos brasileiros uma maior exposição a agentes tóxicos, já que a legislação de controle ambiental no Brasil é precária e insuficiente, quando comparada com as de países europeus e dos EUA. No Brasil os indivíduos nem sempre têm a consciência dos riscos ocupacionais e acidentais a que estão submetidos. Conseqüentemente, há desconhecimento da importância da atitude preventiva. Daí, portanto, a proporção de casos de cânceres relacionada às exposições ocupacionais pode variar de 4 e 40% no território nacional (Ribeiro et al., 2004).
O número de casos de SMD na idade infantil tem aumentado consideravelmente nos últimos anos e daí a necessidade e a importância de se desenvolver mais estudos e conseqüentemente capacitar profissionais que tenham interesse nos diferentes aspectos da doença (Hindsgav et al., 2000; Fenaux, 1996).
Um dos primeiros estudos publicados relacionando infância e mielodisplasia no Brasil foi feito por Lopes e colaboradores em 2006 no Centro de Tratamento e Pesquisa do Hospital do Câncer de São Paulo. Sendo que se tratou de um estudo retrospectivo, obtidos de registros dos anos de 1984 a 1991. Os autores identificaram oito casos de SMD entre 320 crianças que foram encaminhadas ao hospital com diagnóstico provável de leucemia. Os demais casos foram diagnosticados como: LMC (7/320); LLA (227/320); LMA (54/320); AA (7/320) os outros com (17/320) diagnósticos a uma reação de leucemogênese a infecções graves. Posteriormente foi
realizado um estudo complementar acrescentando seis outros casos de SMD identificados na mesma instituição no período de 1992 a 1994 também com SMD (Lopes et al., 2006).
Crianças com SMD primária apresentam aproximadamente 50% de anormalidades citogenéticas clonais nas células malignas. A freqüência percentual destas anormalidades é maior em pacientes com doenças mais avançadas, progressivas e secundárias (White et al., 1992; Yunis et al., 1988).
O Brasil, por ser um país grande e com tantas diferenças, as características de determinadas regiões e os aspectos epidemiológicos provavelmente influenciam tanto na incidência e prevalência quanto nos diferentes tipos de cânceres e de mielodisplasias. Exames mais refinados e disponíveis para a população, principalmente as mais carentes, são praticamente impossíveis de serem realizados em centros com poucos recursos financeiros o sem recurso humano especializado. Desta forma, a capacitação de profissionais para o desenvolvimento técnico e para o pensamento crítico analítico aplicado, sem dúvida traria inúmeros benefícios, principalmente para a população carente e menos assistida nas diversas regiões nacionais e garantiria uma análise epidemiológica que retratasse melhor a realidade dos agravos da saúde na população (Lopes et al., 2006).
2. Justificativa
As anormalidades citogenéticas estão intrinsecamente relacionadas ao processo neoplásico, representando tanto uma causa como uma conseqüência do tumor. A presença das anormalidades cromossômicas numéricas e/ou estruturais representa uma importante informação no que diz respeito ao prognóstico da doença neoplásica, à resposta ao tratamento quimioterápico e a probabilidade de cura. Em alguns casos, constitui importante parâmetro de orientação quanto à escolha da abordagem
terapêutica. O tratamento do paciente com mielodisplasia deve ser feito considerando o risco biológico da doença, definido pelas alterações cariotípicas clonais da doença, além da idade e das condições clínicas do paciente.
No Estado de Goiás, até o momento, nenhum estudo foi realizado visando correlacionar os achados cariotípicos na síndrome mielodisplásica. Portanto, os dados obtidos a partir do presente estudo contribuirão para reforçar as comunidades médicas e científicas que de fato a avaliação citogenética, tanto convencional como a molecular, promovem informações valiosas que poderão contribuir para a definição do diagnóstico e prognóstico do paciente.
3. Objetivos
3.1. Geral
Avaliar as alterações citogenéticas na síndrome mielodisplásica, utilizando a técnica de citogenética convencional correlacionando os achados citogenéticos com os dados clínicos dos pacientes, na tentativa de incrementar informações de valor prognóstico para os casos de SMD.
3.2. Específicos
- Determinar a diversidade das alterações citogenéticas nos pacientes em estudo, que apresentar diagnóstico para síndrome mielodisplásica.
- Demonstrar a importância das alterações cromossômicas nos quadros da SMD como variáveis auxiliares ao diagnóstico, classificação, acompanhamento, escolha terapêutica e entendimento mais adequado em função da diversidade biológica da doença.
- Correlacionar os resultados citogenéticos obtidos com aspectos clínicos e laboratoriais.
- Estimular as parcerias entre a Universidade Católica de Goiás - Laboratório Núcleo de Pesquisa Replicon, Laboratório de Citogenética Humana e Genética Molecular – LaGene – Superintendência Leide das Neves Ferreira da Secretaria de Estado da Saúde – (SES), Hospital Araujo Jorge e Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás.
- Fornecer dados para um estudo prospectivo, que permitirá uma análise detalhada, à medida que se agregam novos casos de SMD.
- Capacitar recurso humano para o desenvolvimento do pensamento técnico, crítico e analítico aplicados, que visem apoiar o diagnóstico de SMD no Estado de Goiás.
4. Materiais e Métodos
4.1. Delineamento do estudo
O presente estudo foi conduzido no Núcleo de Pesquisa Replicon da Universidade Católica de Goiás em cooperação mútua com o LaGene - Laboratório de Citogenética Humana e Genética Molecular / SuLeide - Superintendência Leide das Neves Ferreira / SES – Secretaria de Estado da Saúde / Governo do Estado de Goiás. As amostras foram obtidas junto aos Serviços de Hematologia dos Hospitais Araújo Jorge (HAJ) e Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC/UFG).
A avaliação do prognóstico foi realizada a partir da obtenção dos dados dos prontuários individuais, confrontados com os resultados do diagnóstico citogenético convencional dos pacientes.
4.2. Grupo amostral
Foram avaliadas amostras de 25 pacientes com indicação clínica para síndrome mielodisplásica, sendo que somente 15 pacientes com diagnóstico confirmado para SMD foram incluídos neste estudo. A participação individual no estudo e as doações
das amostras biológicas foram voluntárias. Todos os 15 pacientes participantes preencheram e assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido (Anexo I e II).
4.2.1 Critérios de Inclusão
- Pacientes com indicação clínica para síndrome mielodisplásica. - Pacientes com diagnóstico primário e secundário para SMD. - Pacientes com TCLE assinado.
4.2.2 Critérios de exclusão
- Pacientes que não apresentaram diagnóstico para SMD. - Pacientes que não concordaram em participar do estudo. 4.3 - Aprovações pelos comitês de ética em pesquisa
O Projeto de pesquisa intitulado “Importância do diagnóstico citogenético convencional como fator prognóstico na síndrome mielodisplásica” foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Médica Humana do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (protocolo de registro Nº 141/08 em 03/12/2008) e pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Araújo Jorge da Associação de Combate ao Câncer em Goiás (protocolo de registro Nº 033/08 em 07/08/2008).
4.4. Coleta das Amostras
Os Serviços de Hematologia dos Hospitais Araújo Jorge e Hospital das Clinicas da Universidade Federal de Goiás realizaram as coletas de medula óssea e/ou sangue periférico para o estudo morfológico e/ou imunofenotípico destas amostras. Das amostras biológicas aspiradas, 2,0 mL foram destinadas para o presente estudo. O risco para os pacientes voluntários foi relativo ao procedimento da coleta da amostra. Em qual houve um desconforto para o paciente no momento do procedimento, que foi conduzido por profissionais capacitados do setor de hematologia em que possuía todos os recursos ambulatoriais a procedimentos desta natureza. Ademais, a obtenção das
amostras fazia parte da rotina necessária para o diagnóstico da doença, não sendo conduzida com fim específica para pesquisa.
Os critérios de inclusão que foram seguidos criteriosamente para o teste citogenético são:
• A coleta foi realizada utilizando seringas e tubos esterilizados exclusivamente por raios gama.
• Heparina foi o anticoagulante utilizado.
• As amostras foram transportadas sob refrigeração adequada para a correta preservação da viabilidade celular.
• As amostras foram processadas para a cultura de células em um período de no máximo 2h após a coleta.
Os critérios de exclusão das amostras para o teste citogenético foram:
•As coletas e transporte das amostras não foram realizados conforme descrição anterior.
•Amostras que chegaram ao laboratório hemolizadas ou coaguladas. 4.5. Citogenética Convencional
O protocolo conduzido foi obtido de Verma e Babu (1995). As culturas foram feitas em quadruplicatas.
4.5.1 Início da Cultura
- Protocolavam-se os dados dos pacientes no livro específico de protocolo do laboratório.
- Utilizavam-se frascos aliquotados com meio de cultura incompleto ou com meio completo (Marrow Grow - Cytocell).
- Etiquetavam-se os frascos de cultura, com o código de identificação das amostras.
- Para cultura de medula óssea heparinizada segue-se:
- Na câmara de fluxo laminar, separava-se 2 mL da amostra enviada ao laboratório em um tubo cônico de 15 mL.
- Acrescentava-se 4 mL do meio de cultura. - Centrifugava-se por 6 minutos a 1800rpm.
- Na câmara de fluxo laminar, retirava-se o sobrenadante e acrescentava-se mais 2 mL do meio de cultura. As células eram ressuspendidas em meio de cultura.
- Em um tubo do tipo eppendorf de 2 mL contendo 1 mL do líquido de Thomas, colocava-se 0,05 mL da suspensão celular.
- Com o auxílio de em uma câmera de Newbauer estimava-se o total de células na amostra.
- Em um tubo de cultura incompleto que continha 4 mL de meio de cultura, adiciona-se:
- 2 mL de SFB;
- 100 µ L de L-glutamina;
- quantidade de amostra adequada;
- não acrescentar fitohemaglutinina para cultura de medula óssea.
- para o meio de cultura completo para medula óssea, acrescentar somente a amostra adequada de medula.
- Homogeneizava-se lentamente, por movimentos circulares e de inversão. - Incubava-se em estufa a 37ºC e 5% de CO2 por 48hs.
Para cultura de sangue periférico foi utilizado meio de cultura incompleto, acrescentando: 1 mL da amostra, 1 mL de SFB, 100µ L de L-glutamina, 100µ L de fitohemaglutinina, enquanto para meio de cultura completo acrescentar somente 1ml da amostra de sangue.
4.5.1 Bloqueio da Cultura
- Acrescentava-se 75µL de colchicina (10µg/mL) após 47 horas do início da cultura. A amostra era devolvida para estufa a 37ºC e 5% de CO2 por 30 minutos.
- Posteriormente, o volume do frasco de cultura era transferido para um tubo cônico de 15 mL devidamente identificado, que foi e centrifugado a 1800 rpm durante 6 minutos.
- Desprezava-se o sobrenadante por aspiração e acrescentava-se, lentamente por gotejamento, 10 mL de solução hipotônica de cloreto de potássio a 0,075 M. Esta suspensão era incubada por 30 minutos a 37°C e 5% de CO2.
- Completava-se o tubo até 14 mL com solução fixadora de Carnoy (3 partes de álcool metílico para 1 parte de ácido acético). Homogeneizava-se a suspensão lentamente por inversão e deixava-se repousar por 10 minutos a temperatura ambiente.
- Centrifugava-se por 6 minutos a 1800 rpm e aspirava-se o sobrenadante, deixando-se 2,0 mL da solução recobrindo o bastão celular.
- Acrescentava-se lentamente por gotejamento e sob agitação constante até com solução de Carnoy até que completasse 14 mL no tubo..
- Repetiam-se os dois últimos passos por duas ou três vezes, até que a suspensão celular tivesse o sobrenadante límpido.
4.5.2 Preparação das Lâminas
- Para preparação das laminas, primeiramente centrifugava-se o material por 6 minutos a 1800 rpm e desprezava-se o sobrenadante deixando aproximadamente de 1,5 a 2,0 mL de solução, dependendo da quantidade do bastão celular.
- Limpavam-se muito bem as lâminas para desengordurá-las com uma solução de álcool etílico a 70%.
- Preparava-se uma lamina teste e depois de observava-se o material preparar no mínimo, cinco lâminas.
- No momento do gotejamento, umedecia bem as lâminas com água destilada, preferencialmente a uma temperatura baixa e colocá-las no banho-maria a 60ºC.
- Esta diferença de temperatura entre a água contida na superfície da lâmina e o vapor quente do banho-maria, irá facilitar o espalhamento dos cromossomos.
- Homogeneizava-se a solução de células antes do gotejamento, utilizando uma micropipeta de 250µL, sendo que o ideal éra gotejar 3 vezes, sendo uma em cada extremidade e uma no centro da lâmina.
- Secavam-se as lâminas em temperatura ambiente e observava-se no microscópio invertido se há a presença de metáfases
4.5.3 Bandeamento
- Faziam-se alíquotas de 0,5 mL de tripsina (2,8%).
- Completa-se esta alíquota para um q.s.p de 50 mL de tampão PBS.
- Colocava-se a solução de tripsina (0,025%) em banho-maria até atingir 30ºC.
- Usava-se metanol puro para inibir a ação da tripsina. - Usava-se o corante Giemsa a 4%
- Colocava-se a lâmina gotejada com material na solução de tripsina após a mesma ter atingido 30ºC deixando por aproximadamente 30 segundos.
- Mergulhava-se a lâmina no metanol para tirar o excesso desta enzima.. - Deixava-se por 3 minutos no corante.
- Mergulhava-se a lâmina na água para tirar o excesso de corante e em seguida secava esta lâmina.
4.5.4 Análise Citogenética
Um sistema de microscopia óptica motorizada, interligado a um computador equipado com Software específico para análise citogenética (IKAROSR Metasystems Germany) foi utilizado como ferramenta de apoio para a análise citogenética convencional.
4.6 Preparo das Soluções
4.6.1 Preparo de solução hipotônica
- Preparava-se uma solução hipotônica de cloreto de potássio a 0,075M. Exemplo para uma cultura:
KCl ... 0,055g Água destilada... 10 Ml.
- Preparava-se10 mL de solução para cada amostra.
4.6.2 Preparo de solução fixadora álcool-ácida de Carnoy
- Preparava-se a solução fixadora de Carnoy utilizando-se 3 partes de álcool metílico para 1 parte de ácido acético glacial.
Exemplo para uma cultura:
Álcool metílico... 30 mL Ácido acético glacial... 10 mL
4.6.3 Preparo da solução de Giemsa a 4% Giemsa... 2 mL
Água destilada (q.s.p)... 50 mL
Guardar a solução de Giemsa a 4% ao abrigo da luz.
5. RESULTADOS
Os dados descritivos obtidos dos 15 pacientes com diagnósticos confirmados para SMD incluídos no presente estudo foram relacionados na Tabela IV
Tabela IV Dados descritivos dos pacientes estudados com diagnóstico de SMD.
Variável n % Sexo Masculino 05 33,3 Feminino 10 66,7 Idade (anos) 12 - 40 06 40,0 > 40 09 60,0 Total 15 100
O tamanho discreto do grupo amostral pode ser explicado pela incidência reduzida da síndrome mielodisplásica na população.
As médias de idade para os indivíduos do sexo masculino, sexo feminino e a média geral foram 46,0, 52,4 e 49,2 respectivamente.
Para a realização do teste citogenético convencional proposto neste estudo, foram utilizados como amostras biológicas dos pacientes, sangue periférico heparinizado e medula óssea heparinizada. A distribuição percentual dos pacientes com SMD quanto ao tipo de amostra coletada encontram-se ilustrados na Figura 01.
Figura 01. A distribuição dos pacientes com SMD quanto ao tipo de amostra coletada.
60%
40%
Para obtenção dos 15 pacientes incluídos neste estudo com diagnósticos confirmados de SMD foram realizadas culturas de amostras de sangue periférico ou medula óssea de 25 pacientes encaminhados para o laboratório com indicação clinica de SMD. No teste citogenético convencional culturas de 6 pacientes não tiveram expansão clonal e 4 pacientes tiveram resultado citogenético, mas não foi possível obter o termo de consentimento livre e esclarecido, logo estes também não foram incluídos no estudo.
Os cariótipos podem apresentar-se de várias formas, principalmente quando estiver associado a um tipo de distúrbio relacionado a linhagens celulares sanguíneas. No caso de pacientes com diagnóstico de síndrome mielodisplásica não é diferente. As alterações numéricas, identificadas como trissomias e monossomias e as estruturais, incluindo translocações e inversões e outras alterações consideradas complexas, os achados adicionais e os cariótipos normais, identificados neste estudo, estão descritos na Tabela V.
Tabela V. Alterações genéticas identificados nos pacientes estudados com SMD.
Alterações Genéticas Descrição Cariótipo
Trissomia 47,XX,+22 47,XX,+ mar 47,XX,+21 Numéricas Monossomia 45,XX,-17 45,X,- (Y) Deleções 46,XX,del(12)(p23) 46,XY,del(7p) 46,XY,del(11)(q13) 46,XX,del(11)(q23) 46,XX,del(10)(q26) 46,XX,del(5)(q13q33) Translocações 46,XX,t(3;10)(q29;q25) 46,XX,t(8;16(q22q22) Duplicações 46,XX,dup(1)(q3.2;4.2) Estruturais Isocromossomo i(17q)
Achados Adicionais Poliploidia 69,XX
Normal Normal 46,XY
Além da citogenética, dados obtidos através da análise do hemograma e mielograma são de extrema importância para que seja realizada a classificação do prognóstico e tratamento do paciente. Os resultados da contagem dos leucócitos, neutrófilos, hemoglobina, plaquetas e blastos dos pacientes em estudo, estão demonstrados na Tabela VI.
Tabela VI. Resultados do hemograma e mielograma dos pacientes com SMD. Pacientes Leucócitos (mm3) Neutrófilos (mm3) Hemoglobina (g/dl) Plaquetas (mm3) Blastos (%) 1 2.900 2.465 14,3 180.000 0 2 3.800 2.128 15,5 132.000 0 3 3.900 1.322 15,1 129.000 0 4 3.100 992 13,4 272.000 0 5 2.800 1.344 12,0 132.000 0 6 2.900 609 11,0 231.000 0 7 2.100 1.161 13,8 241.000 0 8 2.100 1.302 12,1 234.000 0 9 800 782 9,0 50.000 0 10 2.800 1.532 8,5 221.000 0 11 11.600 4.060 8,8 104.000 6 12 3.600 2.092 8,7 242.000 0 13 2.900 810 9,1 236.000 0 14 3.300 1.287 11,3 310.000 0 15 3.200 1.310 9.0 235.000 0
Com a proposta de um novo sistema de classificação o IPSS (Internacional Prognostic Scoring System) por Greenberg em 1997 foram definidos alguns fatores prognósticos de acordo com esta classificação, sendo que suas respectivas pontuações estão representadas na Tabela VII.
Tabela VII. Classificação IPSS. Pontuação 0 0,5 1,0 1,5 2,0 Blastos na M.O.(%) Cariótipo Citopenias <5 bom 0 a 1 5 a 10 intermediário 2 a 3 - ruim 11 a 20 21 a 30 Fonte: Greenberg 1997.
1 – Cariótipo de baixo risco: normal, deleção do cromossomo Y, deleção do braço longo do cromossomo 5 ou deleção do braço longo do cromossomo 20. Cariótipo de risco intermediário: todas as demais alterações citogenéticas. Cariótipo de risco alto: alterações complexas (>3) ou alterações citogenéticas envolvendo o cromossomo 7.
2 – Citopenias Neutrófilos <1500/mm3 ou plaquetas < 100.000/mm3 ou hemoglobina < 10g/dl.
De acordo com a soma de pontos da classificação IPSS, foram definidos grupos de risco em que os pacientes estão incluídos. Esta pontuação esta representada na Tabela VIII.
Tabela VIII. Grupos de risco de acordo com o IPSS.
Grupo de Risco Pontuação
Baixo Intermediário I Intermediário II Alto 0 0,5 a 1,0 1,5 a 2,0 >2,5 Fonte: Greenberg 1997.
As alterações citogenéticas identificadas por paciente e suas respectivas porcentagens neste estudo estão descritas a seguir na Tabela IX.
Tabela IX. Alterações citogenéticas e suas respectivas percentagens encontradas por paciente com diagnóstico para SMD.
1- SP: Sangue Periférico Heparinizado. 2- MO: Medula Óssea Heparinizada.
A classificação IPSS tem como objetivo determinar o prognóstico para conseqüentemente os médicos assistentes possam determinar um tratamento mais especifico e direcionado para cada paciente. A classificação IPSS dos quinze pacientes com diagnóstico de síndrome mielodisplásica incluídos neste estudo está demonstrada na tabela X. Pacientes Amostra Biológica Cariótipos n (%) 1 SP 46,XX 46,XX,del(12)(p23) 47,XX,+22 80 10 10 2 SP 46,XY 100 3 SP 46,XY 46,XY,del(11)(q13) 52 48 4 MO 46,XX 46,XX,del(10)(q26) 46,XX,del(11)(q23) Poliploidia 85 5 5 5 5 MO 46,XX 100 6 SP 46,XX 100 7 SP 46,XX 46,XX,t(3;10)(q29;q25) 95 5 8 SP 46,XX 100 9 MO 46,XX 46,XX,dup(1)(q3.2;4.2); i(17q) 49 51 10 MO 46,XY 100 11 MO 46,XY 45,XY,-17 47,XY,+21 46,XY,del(7p) 47,XY,+mar 55,6 7,0 10,0 15,0 2,4 12 SP 46,XX 46,XX,t(8;16(q22q22) 94 6,0 13 MO 46,XY 45,X,del(Y) 6,6 93,4 14 SP 46,XX 46,XX,del(5)(q13q33) 87 13 15 SP 46,XX 100
Tabela X. Classificação IPSS dos pacientes estudados de acordo com o grupo de risco dos quinze pacientes com diagnostico para SMD.
Pacientes Pontuação (IPSS) Grupo de Risco (IPSS)
1 0,5 Intermediário I 2 0,0 Baixo 3 0,5 Intermediário I 4 1,0 Intermediário I 5 0,5 Intermediário I 6 0,0 Baixo 7 0,5 Intermediário I 8 0,0 Baixo 9 1,5 Intermediário II 10 0,0 Baixo 11 2,0 Intermediário II 12 0,5 Intermediário I 13 0,0 Baixo 14 0,5 Intermediário I 15 0,5 Intermediário I
Depois que os pacientes foram classificados no grupo de risco, os médicos assistentes puderam determinar o protocolo terapêutico mais individualizado para o paciente e observar a perspectiva evolutiva da doença, como esta sendo citado na Tabela XI.
Tabela XI. Tratamento e evolução dos pacientes estudados.
Pacientes Tratamento Evolução
1 Suporte Estável 2 Suporte Estável 3 Suporte Estável 4 Suporte Estável 5 Suporte Estável 6 Suporte Estável 7 Suporte Estável 8 Suporte Estável 9 Suporte Óbito 10 Suporte Estável 11 Quimioterápico LMA/Óbito 12 Suporte Estável 13 Suporte Estável 14 Suporte Estável 15 Suporte Estável
1 – Suporte - Vitaminas B-12, ácido fólico e fatores de crescimento celular como (eritropoetina).
6. DISCUSSÃO
Todo e qualquer estudo e análise com relação ao diagnóstico, prognóstico e evolução da SMD é muito importante, pois a incidência reduzida na população dessa patologia, aliada a diversidade e complexidade dos quadros clínicos, dificulta as condutas terapêuticas, com impacto significativo na sobrevida individual. Assim, o sucesso terapêutico, que permite aos profissionais envolvidos ampliar a sobrevida individual e oferecer uma melhor qualidade de vida aos pacientes, depende de uma ação multidisciplinar, que promova a definição correta do prognóstico. Sob este ponto de vista há méritos nos resultados citogenéticos descritos no presente estudo, pois ampliam as chances de se compreender a complexa biologia da Sindrome Mielodisplásica.
O diagnóstico, de SMD para os pacientes, que compõem o grupo do presente estudo, foi baseado nos diversos tipos de alterações cromossômicas observadas, juntamente com a presença de alterações displásicas celulares em uma ou mais linhagens hemopoéticas no estudo do sangue periférico e da medula óssea.
Em diversos estudos (Norman et al., 1993; Bain, 1997) argumentam que um protocolo de exclusão para SMD deve incluir dosagem de ferro, ácido fólico e vitamina B-12, além de realizar o teste anti-HIV. Todos os pacientes com SMD que participaram do presente estudo foram submetidos a estes ensaios sugeridos para o protocolo de exclusão. A deficiência dos níveis séricos de ferro, ácido fólico e vitamina B-12 pode levar o paciente ao desenvolvimento de anemias. A infecção por HIV pode causar alterações na hematopoese devido tanto à infecção viral propriamente dita como efeito colateral devido os medicamentos antivirais usados para o tratamento dos pacientes.
De acordo com Pinheiro e colaboradores (2006), quando é observada uma síndrome mielodisplasica secundária, as displasias e as citopenias são mais agressivas, o que possibilita um maior processo de fibrose no ambiente medular, observa-se uma