Dinâmica Molecular e Monte Carlo
Prof. Roberto Gomes de Aguiar Veiga
Dia
Algoritmo de Verlet
r
i(
t +Δ t)=r
i(
t )+v
i(
t)Δ t +
F
i(
t )
2 m
iΔ
t
2+
d
3r
idt
3Δ
t
33 !
+⋯
Expansão em série de
Taylor em torno da posição
de uma partícula i.
r
i(
t −Δ t )=r
i(
t)−v
i(
t)Δ t +
F
i(
t )
2 m
iΔ
t
2−
d
3r
idt
3Δ
t
33 !
+⋯
De modo similar, mas para o instante
anterior de tempo:
Somando as duas equações
e truncando no termo de
segunda ordem:
r
i(
t −Δ t )=r
i(
t)−v
i(
t)Δ t +
F
i(
t )
2 m
iΔ
t
2−
d
3r
idt
3Δ
t
33 !
+⋯
r
i(
t +Δ t)≈2 r
i(
t )−r
i(
t−Δ t)+
F
i(
t)
2 m
iΔ
t
2- Equações de movimento newtonianas são reversíveis no tempo → invertendo o sinal dos momentos, o sistema numa dada posição do espaço de fase voltaria à posição inicial.
- Algoritmos para a integração devem ser reversíveis no tempo → família de algoritmos Verlet é, em princípio → implementação não é estritamente reversível no tempo, devido à precisão limitada da máquina.
- DM não prevê a trajeta “correta” de um sistema de partículas → dependência das condições iniciais → duas trajetórias inicialmente muito próximas irão divergir exponencialmente com o passar do tempo.
- Erro na integração numérica, por menor que seja → a trajetória gerada por DM irá divergir da trajetória real → instabilidade de Lyapunov.
- Ainda bem que DM não é usada para prever trajetória de satélites → o que importa é que a trajetória gerada permita fazer previsões estatísticas, amostrando o espaço de fase de acordo com o ensemble selecionado.
- Cálculo das forças requer o conhecimento
do potencial de interação entre as partículas.
- Verdadeiro potencial U(r) →desconhecido →
aproximaod por uma função empírica
analítica → parâmetros ajustados para
reproduzir dados experimentais e/ou de
cálculos de estrutura eletrônica.
- Vários modelos de potencial (i.e., formas
funcionais de U(r) → para cada modelo de
potencial, várias parametrizações para
materiais puros ou ligas/compostos.
r
iji
j
U(r
ij)
Potencial de Lennard-Jones
- Interações de par entre partículas não-iônicas. - Largamente utilizado no início das simulações computacionais → hoje em dia, usado mais para ligações baseadas em forças de dispersão.
- Apenas dois parâmetros ajustáveis.
- Computacionalmente muito barato → aplicabilidade limitada no estudo das propriedades de materiais reais.
r
iji
j
ULJ(rij)=4ε
[
(
σ
r)
12 −(
σ
r)
6]
r
E
ε
σ
Potencial Tersoff
- Potencial de interação entre três corpos. - Largamente utilizado para modelar
ligações covalentes direcionais → carbono, silício, germânio.
θ
r
r
Embedded atom method (EAM)
E =
1
2
∑
i , jϕ (
r
ij)+
∑
i ≠ jF
i[
∑
i≠ jρ
(
r
ij)
]
Interações de par
Contribuição da
densidade eletrônica
- Proposto por Daw e Baskes →
cada átomo tratado como uma
impureza imersa na densidade
eletrônica dos demais átomos.
- Muito utilizado para modelar
metais e suas ligas.
- Potencial tabulado.
- Grande disponibilidade de
potenciais EAM → e.g., NIST
repository:
https://www.ctcms.nist.gov/potenti
als/
- Desenvolvido por van Duin e colaboradores
→ captura a quebra e a formação de ligações
químicas em sistemas complexos → campo
de força “reativo” sofisticado.
- Química de superfície → e.g., formação de
“ferrugem” na superfície do ferro.
- Altíssimo custo computacional.
ReaxFF
Vários modelos de potencial estão disponíveis no LAMMPS:
https://lammps.sandia.gov/doc/pair_style.html
r
corte- Em princípio → a interação de uma
partícula com todas as outras
partículas deve ser utilizada no
cálculo da força resultante.
- Na prática → potencial decai
rapidamente com a distância →
apenas partículas dentro de um raio
de corte são consideradas nas
somatórias → reduz enormemente o
gasto computacional com o cálculo
das forças.
Requer a criação e manutenção de
listas de vizinhos.
- Uma vez definido o raio de
corte → aplicação pode ser
abrupta → U(r>r
corte)=0 →
descontinuidade →
Lennard-Jones e outros potenciais de
pares.
- Uma função pode ser aplicada
a U(r) entre um valor de r e r
corte,
de modo que U(r) decaia
suavemente até zero → função
U(r) contínua → maioria dos
potenciais mais sofisticados.
Raio de corte
r
E
ε
σ
r
corte- Modelos de “force field” para materiais biológicos (proteínas, polímeros, etc). - Contribuições à energia total são aproximadas por funções que consideram as ligações entre dois átomos como permanentes ao longo de toda simulação.
- Diferente dos modelos de potencial anteriores → átomos ligados por “molas” inquebráveis.
- Contribuição eletrostática e van der Waals também usualmente
consideradas.
U =U
ligação+
U
ângulo+
U
diédricoModelos de potencial de ligações fixas
Controlando temperatura e pressão
- Simulações de DM podem ser realizadas em diferentes ensembles
estatísticos.
- No ensemble NVE (microcanônico) → temperatura e pressão não controladas.
- No ensemble NVT (canônico) → temperatura deve ser controlada, assumindo
um reservatório de calor com uma temperatura fixa T.
- Sob essa condição → os momentos do sistema de partículas clássicas
obedecem uma distribuição de Maxwell-Boltzmann.
- Vários algoritmos (“termostatos”) alteram as equações de movimento para
levar em conta o contato térmico com um reservatório de calor.
- Algoritmo mais simples → velocidades das partículas alteradas de tempos em
tempos para impôr a temperatura prescrita.
- Termostatos mais avançados → muito utilizado, o termostato determinístico de
Nosé-Hoover → introduz uma variável fictícia dinâmica de fricção, s.
- Partículas são aceleradas ou desaceleradas por esse termo de fricção até que
a distribuição de momentos reproduza a distribuição canônica na temperatura T
prescrita.
- Temperatura do sistema não é estritamente fixa → no equilíbrio, flutua ao redor
de T.
Mid 2r i dt2 =Fi−s Mivi
Frição
s(
t+Δt 2)
=s(t)+ Δt 2 Q[
∑
i N Mi vi 2 (t) 2 − 3 N +1 2 kBT]
s(t +Δ t)=s(
t +Δt 2)
+ Δt 2 Q[
∑
i N Mi vi2(
t+Δt 2)
2 − 3 N +1 2 kBT]
ri(t +Δ t)=ri(t)+vi(t )+(
Fi(t ) 2 M −s(t )vi(t))
Δt2 2Força agindo sobre a partícula i
→modidficada para levar em conta um
termo de frição.
Coeficiente de frição no
instante t+Δt → determinado
em dois passos, como a
velocidade no algoritmo
velocity Verlet.
Versão modificada do algoritmo
Velocity Verlet.
- Sistema também pode ser conduzido a uma pressão prescrita → ensemble NPT.
- No ensemble NPT → sistema acoplado a um
reservatório de pressão → volume do sistema muda para atingir a pressão externamente imposta.
- “Barostatos” → algoritmos usados para atualizar o tambanho da caixa de simulação dada uma pressão. - Barostato de Parrinello-Raman → mais utilizado → não apenas o volume, mas tambéma forma da caixa de simulação pode mudar (resposta à aplicação de um cisalhamento) → similar ao Nosé-Hoover, com uma dimensão extendida, mas com equações mais
complicadas.
- Dimensões da caixa → médias temporais.
Ly Lx Ly L
V
ol
um
e
V
ol
um
e
an
d
sh
ap
e
2
1
3
4
2
1
Condições periódicas nesta direção U1,2 U2,1 Superfícies livres- Ao longo de direções periódicas → átomos
próximos ao contorno em um lado interagem com átomos próximos ao contorno do outro lado,
contanto que estejam dentro da distância de corte. - Àtomos numa superfície livre não interagem com átomos na outra superfície.
- Sistemas “bulk” (infinitos) → periódicos em todas as direções.
- “Slabs” → periódicos em duas direções, com superfícies livres na terceira.
- Fios → periódicos em uma direção, com superfícies livres nas outras duas.
- Clusters e partículas → superfícies livres em
- Condições iniciais (posição e momento) → sistema fora do equilíbrio térmico e/ou
mecânico.
- Rodar DM por um certo período de tempo com o termostato/barostato apropriado
→permite ao sistema chegar ao equilíbrio com o reservatório de calor e/ou pressão.
- Equilibração → tipicamente no ensemble NPT → temperatura e pressão tentendo aos
valores prescritos → energia e volume equilibrados também.
- Após a equilibração → rodada de produção (possivelmente mudando o ensemble para
NVT ou NVE) → médias temporais podem ser tomadas e observáveis físicos obtidos.
- Termodinâmica → systema não pode deixar o equilíbrio espontaneamente.
- Em simulações de DM → energia e temperatura podem desviar (problemas numéricos)
→ essencial seguir o comportamento das variáveis termodinâmicas.
Equilibração
- Exemplo → cristal CCC perfeito com 2000
átomos.
- Interações Fe-Fe → potenciala EAM de
Ackland.
- 100,000 passos de DM.
- Δt = 0,001 ps.
- Simulação NPT feita com o LAMMPS.
- Temperatura alvo → 300 K.
- Pressão alvo → 0 MPa.
Caixa de simulação após
100 ps.
Equilibração
dimension 3 units metal boundary p p p atom_style atomic lattice bcc 2.86region box block 0 10 0 10 0 10 units lattice create_box 1 box create_atoms 1 box pair_style eam/alloy pair_coeff * * Fe-Cbecquart2011.eam Fe neighbor 4.0 bin neigh_modify delay 5 thermo 1000 timestep 0.001
velocity all create 300 123456 dist gaussian variable step equal step
variable etotal equal etotal variable press equal press variable temp equal temp variable vol equal vol
fix 1 all npt temp 300 300 $(100.0*dt) iso 0.0 0.0 $(1000.0*dt) drag 2.0 fix 2 all print 100 "${step} ${etotal} ${temp} ${press} ${vol}" file equil.dat run 100000
unfix 1 unfix 2
write_data coord.lmp
Equilibração
Energia total
Equilibração
da energia
Equilibração
Temperatura
Equilibração da
temperatura
Temperatura
alvo
Equilibraçao
Pressão
Pressão
alvo
Produção
- Após a equilibração → ensemble trocado para NVT.
- Todos os outros parâmetros da simulação mantidos → T=300 K, inclusive.
- Valores médios (esperados) → computados a partir de 1000 valores → um valor tomado a cada
100 passos de DM.
Energia
Temperatura
Pressão
<E>=U=-7867.035308 eV <T>=299.834879 K <P>=7.0512113 MPaProdução
dimension 3 units metal boundary p p p atom_style atomic read_data coord.lmp pair_style eam/alloy pair_coeff * * Fe-Cbecquart2011.eam Fe neighbor 4.0 bin neigh_modify delay 5 thermo 1000 timestep 0.001variable step equal step variable etotal equal etotal variable press equal press variable temp equal temp
fix 1 all nvt temp 300 300 $(100.0*dt)
fix 2 all print 100 "${step} ${etotal} ${temp} ${press}" file prod.dat run 100000
unfix 1 unfix 2
print "Acabou!"