Previsão de tempo severo:
Desafios, novas tecnologias e aprendizado com o
Projeto SOS-CHUVA e a nova geração de satélites
GOES-16
Prof
aDr
aRachel Ifanger Albrecht
[email protected]
colaboradores: Luiz Machado, Vinicius Sperling, Camila Lopes, Carlos Morales, Izabelly Costa, Bruno Ribeiro.
Sumário
1)
Previsão de tempo de severo:
a) O que é e o que é necessário para fazê-la? b) Quais são os desafios?
2)
Novas tecnologias e aprendizado na previsão
imediata de tempo:
a) O projeto SOS-CHUVA• A previsão e monitoramento de tempo severo é um dos maiores desafios
encarados pelos Serviços Meteorológicos do mundo, sendo um desafio
NOVO e ainda MAIOR NOS TRÓPICOS.
• Tempo severo são sistemas meteorológicos que levam a ocorrência de: • Granizo (> 1,9 cm)
• Rajadas de vento (>93 km/h) • Inundações e enchentes
• Raios
• Tornados
1) Previsão de tempo severo: o que é e o que é necessário para fazê-la?
1) Previsão de tempo severo:
•
Além da
ameaça à vida
, os ventos fortes, granizo, raios,
enchentes e inundações dessas tempestades causam também
danos materiais extensivos
à construções, lavouras e
infraestrutura.
•
Para evitar esses danos, a meteorologia dispõe de
métodos de
previsão de tempo severo
:
• Previsão de tempo ”clássica”, na escala de dias;
• Previsão imediata de tempo (i.e., ”nowcasting”),
na escala de minutos à horas.
1) Previsão de tempo severo: o que é e o que é necessário para fazê-la?
•
A previsão de tempo severo é uma das mais difíceis de serem
realizadas em qualquer um desses métodos porque, para ser
eficaz, ela exige a determinação de:
• Probabilidade de ocorrência (%)
• Intensidade
• Locais afetados
• Tempo de antecedência (a fim de dar um tempo de resposta adequado aos usuários)
•
Um exemplo clássico e bem sucedido são as previsões de
tempo severo associadas aos ciclones tropicais (e.g., furacões):
Probabilidade e localidade In tensidade Antecedência da previsão
• Porém, a os ciclones tropicais (probabilidade (%), intensidade, locais
afetados, tempo de antecedência) são um fenômeno de larga escala, o que garante relativa alta previsibilidade na escala de tempo de dias.
• Tempo severo de menor escala (e.g., tempestades locais) são fenômenos de meso-escala e menos previsíveis na escala de tempo de dias, mas muito
bem previsíveis na escala de tempo de horas a minutos quando usamos
técnicas de nowcasting, associadas à previsão ”clássica” de até 48h.
Previsão de 48h
Probabilidade de Tempo Severo
1) Previsão de tempo severo: o que é e o que é necessário para fazê-la?
• Nos Serviços Meteorológicos onde a previsão de tempestades que geram
tempo severo é adequada, existem três elementos principais associados à
ocorrência desses eventos que são muito bem definidos e conhecidos:
i. Parâmetros específicos e limites bem estabelecidos de severidade
• e.g., calculo de índices de instabilidade
ii. Os padrões meteorológicos (e
evolução) associados à ocorrência de tempo severo
• e.g., evolução e padrão de escoamento de vento e umidade de larga escala
iii. A climatologia de cada um dos eventos severos, para
determinarmos as potencias áreas de ocorrência
• Os métodos que preveem a ocorrência de tempo severo são baseados nas
propriedades atmosféricas favoráveis à ocorrência desses eventos. Esses
métodos levam em consideração:
• Dados observacionais
• e.g., estações meteorológicas e balões meteorológicos
• Imagens de satélite
• Informações de Radares Meteorológicos
• Resultados de modelos numéricos de previsão de tempo
1) Previsão de tempo severo: o que é e o que é necessário para fazê-la?
Todas variáveis são
coletadas no Brasil!
• Vários métodos de previsão de tempo severo foram desenvolvidos ao longo dos anos, principalmente nos Estados Unidos e Europa.
• Os indicadores desses métodos são baseados nas condições meteorológicas
locais e seus limiares devem ser calibrados para cada região do globo, e é aí
que encontramos os maiores desafios da Meteorologia no Brasil frente aos eventos severos:
A. Extensão continental do Brasil e sua grande variabilidade de características físicas • Região tropical e subtropical, florestas, montanhas, planaltos, costas
B. DISPONIBILIDADE DE DADOS históricos e em tempo real
• Históricos – para mapear as zonas e períodos de risco ; Tempo real – para emissão de alertas (prejudicado pela falta ou precariedade dos meios de comunicação – e.g., região Norte do Brasil)
C. RECURSOS HUMANOS e capacidade computacional
• Formação e ABSORÇÃO de pessoal qualificado; Computação de alto desempenho
D. CAPACIDADE dos previsores em receber e manipular os produtos meteorológicos • Cursos de capacitação
E. POLÍTICAS PÚBLICAS de apoio e capacidade dos usuários em aplicar as
informações
• Organização das responsabilidades de cada órgão para construir um sistema eficaz de disseminação da informação e ações de prevenção e correção
1) Previsão de tempo severo:
1) Previsão imediata de tempo (i.e., nowcasting): quais são seus desafios?
Exemplo da NOAA em previsão imediata de tempo (Estados Unidos):
Dados observacionais
Severe Prediction Center
Modelos numéricos de Previsão de Tempo Dados observacionais
Dados de Radar Meteorológico Rádio NOAA E s c ri tó ri o s e s ta d u a is e lo c a is Def e s a Civ il Rádio, TV, Celular, Companhias privadas Público Geral Dados de satélite
SOS CHUVA
•
Como viabilizar uma estrutura semelhante no Brasil?
•
Logo, o projeto
SOS CHUVA
é uma
prova de conceito
de um modelo
de previsão de tempo severo, focando em alguns dos desafios:
A. Disponibilidade de dados históricos e em tempo real• Históricos para mapear as zonas e períodos de risco ; Tempo real para emissão de alertas
(prejudicado pela falta ou precariedade dos meios de comunicação – e.g., região Norte do Brasil)
B. Recursos humanos e capacidade computacional*
• Formação e absorção de pessoal qualificado; Computação de alto desempenho
C. Extensão continental do Brasil e sua grande variabilidade de características físicas • Região tropical e subtropical, florestas, montanhas, planaltos, costas
D. Capacidade dos previsores em receber e manipular os produtos meteorológicos • Cursos de capacitação
E. Políticas públicas de apoio e capacidade dos usuários em aplicar as informações • Organização das responsabilidades dos órgão e sistema eficaz de disseminação da
informação
O que é o ”
CHUVA
”?
•
Projeto CHUVA (2010-2015) (Fapesp 2009/15235-8)
•
C
loud processes of tH
e main precipitation systems in Brazil: A contribU
tion to cloud resolV
ing modeling and to the GPM (GlobA
l Precipitation Measurement)GPC P (1979 -2010 ) rainf all (m m /day ) 1 2 3 4 6 5 B e lém -PA Fo rt al ez a -CE A lcân ta ra -MA S. J.Cam po s -SP ta M a ri a -RS M a n a u s -AM
•
Projeto CHUVA (2010-2015) (Fapesp 2009/15235-8)
•
C
loud processes of tH
e main precipitation systems in Brazil: A contribU
tion to cloud resolV
ing modeling and to the GPM (GlobA
l Precipitation Measurement)4 6
O que é o ”
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GPC P (1979 -2010 ) rainf all (m m /day ) 1 2 3 4 6 5 B e lém -PA Fo rt al ez a -CE A lcân ta ra -MA S. J.Cam po s -SP S ta M a ri a -RS M a n a u s -AMO que é o ”
SOS-CHUVA
”?
•
S
ISTEMA DE
O
BSERVAÇÃO E PREVISÃO DE TEMPO
S
EVERO
= Observation System and Nowcasting of Severe Weather
•
Objetivos do SOS-CHUVA (2016-2019) (Fapesp 2015/14497-0):
• Aplicar o conhecimento sobre microfísica de nuvens adquirido durante o Projeto;
• Entender a evolução da microfísica de nuvens à medida que ela muda para se tornar um evento extremo;
• Construir modelos conceituais e prever essas mudanças;
• Desenvolver um sistema de alerta de intensificação de tempestades; • Torne esta informação útil e acessível à sociedade:
• Informação enviada diretamente à Defesa Civil
Local e instrumentação
• Sítio principal em Campinas-SP (~90 km de São Paulo, capital)
• Dezembro 2016 à Julho 2018 (1 ano e 9 meses)
Local e instrumentação
•
Base na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas):
• Radar Sellex X-Pol • Micro-Rain Radar • Radiômetro
• Disdrômetros
• Joss Waldvogel e Parsivel
• Vapor total de água por GPS • Pluviômetro
• Distribuição de tamanho de aerossóis
• Concentração de núcleos de condensação de nuvens • Estação meteorológica
Local e instrumentação
•
Rede medição de
campo elétrico
(field-mill)
•
Rede de medição de
granizo
(hailpad):
• 23 sensores; 10 tempestades amostradas
Local e instrumentação
•
Na USP-Esalq (Piracicaba):
Local e instrumentação
•
Redes de detecção de
raios
:
• BrasilDAT (EarthNetworks), STARNET (USP) and LINET (USP-Nowcast)
LINET
BrasilDAT STARNET
Modelos numéricos de previsão de tempo que
resolvem nuvens (CRM – Cloud Rosolving Models)
• BRAMS – Brazilian Regional Atmospheric Modeling System (operacional) • Redução do tempo de spin-up (”aceleração”) para nowcasting
• Rodadas a cada 3h
• WRF-ARW (pesquisa e operacional)
• Assimilação de dados de radar meteorológico (Vendrasco et al. 2016)
• Assimilação de dados de raios do sensor GLM do satélite GOES-16 GLM (Vendrasco
et al. 2017)
• WRF-CELLS (somente pesquisa)
• Com eletrificação de nuvem explícita (Mansell et al. 2013; Fierro et al. 2014)
• Combinação de diferentes esquemas de parametrização de microfísica e eletrificação de nuvens (Puig e Albrecht 2018)
• Meso-NH (somente pesquisa)
• Com eletrificação de nuvem explícita e propagação explícita do canal das descargas
Resultados preliminares:
Tempestades de granizo
Resultados preliminares:
Tempestades de granizo
Resultados preliminares:
Tempestades de granizo
•
Tempestade do dia 15-Nov-2018, Indaiatuba e Campinas:
Resultados preliminares:
Tempestades de granizo
Resultados preliminares:
Tempestades de granizo
Resultados preliminares:
Tempestades de granizo
•
Tempestade do dia 15-Nov-2018, Indaiatuba e Campinas:
intra-nuvem nuvem-solo
n
ode
raios
por
minuto
Hora (UTC)
Resultados preliminares:
Tempestades de granizo
•
Altura da máxima concentração de hidrometeoro e máxima
Período de operação intensiva
27-Nov à 01-Dez-2018
•
Teste da Plataforma de Nowcasting em tempo real*
•Atividades em conjunto com RELAMPAGO Dry-Run
•Treinamento de estudantes e Defesa Civil
Alcançando o público em geral
•
Aplicativo de celular com dados de
vários radares
meteorológicos
,
imagem de satélite
do Brasil,
raios
e
previsão
de chuva para os próximos 20 minutos
.
• Alertas de tempo severo: aproximação de raios e chuva da local do
usuário.
Geostationary Operational
Environmental Satellites
• Antes do laçamento, os satélites GOES são denominados por
letras (-A, -B, -C..., -R, -S).
• Assim que é lançado, o satélite é redenomnado com um número
(-1, -2, -3…, -16, -17)
História do programa de satélites GOES
GOES-1 a GOES-3 GOES D-H GOES -4 a GOES-7 (GOES-G falhou) GOES I-M GOES-8 a GOES-12 GOES N-P GOES-13 a GOES-15 (GOES-Q cancelado) GOES R/S GOES-16/17 • Primeiro satélite GOES da NOAAS • Spin-stabilized • 3-axis stabilized • Imageador e sondador simultâneo, 100% do tempo • Imageador e Sondador alternados • Aumento da resolução • Aumento da resolução espacial, temporal e espectral • Raios Launched in Nov/2016
História do programa de satélites GOES
GOES-16 GOES-15 GOES-13/14 GOES-17 (checkout position)GOES-R/S Series Spacecraft
Extreme Ultraviolet and X-Ray Irradiance Sensor (EXIS)
Space Environment In Situ Suite (SEISS)
Magnetometer Advanced Baseline Imager (ABI) Geostationary Lightning Mapper (GLM) Solar Ultraviolet Imager (SUVI)
Advanced Baseline Imager (ABI)
5 4 3
X
Mais rápido em cobertura temporal: imagem
full disk em até 5 minutos (vs.
25-X
Mais resolução espacial Ex.: IR: 2 km (vs. 4 km no GOES-13)X
Mais bandas espectrais: 16 bandas no ABI (vs. 5 no imageador GOES-13)
• 2 modos de varredura:
– Full disk a cada 15 minutos + CONUS a cada 5 minutos + MESO a cada 30 segundos.
ABI – Cobertura espacial
• 2 modos de varredura:
– Full disk a cada 15 minutos + CONUS a cada 5 minutos + MESO a cada 30 segundos. – ou Full disk a cada 5 minutos.
ABI – Cobertura espacial
53
Full Disk Imagery Increased
From 8X to 96X per Day
ABI
Approximate Central Wavelength (μm)
ABI
Band Type Theme
0.47 1 Visible Blue Visible Green 0.64 2 Visible Red 0.86 3 Near-Infrared Veggie 1.4 4 Near-Infrared Cirrus 1.6 5 Near-Infrared Snow/Ice
2.2 6 Near-Infrared Cloud Particle Size 3.9 7 Infrared Shortwave Window 6.2 8 Infrared Upper-level Water Vapor 6.9 9 Infrared Mid-level Water Vapor 7.3 10 Infrared Lower-level Water Vapor 8.4 11 Infrared Cloud-Top Phase
9.6 12 Infrared Ozone
10.3 13 Infrared “Clean” Longwave Window 11.2 14 Infrared Longwave Window
12.3 15 Infrared “Dirty” Longwave Window
ABI – Cobertura espectral: GOES-16
57 0.64 m 0.86 m 1.38 m 1.61 m 2.26 m 3.9 m 6.19 m 6.95 m 7.34 m 0.47 m 8.5 m 9.61 m 10.35 m 11.2 m 12.3 m 13.3 mSimulaçõa
par
a
o
Fur
acão
K
atrina
Cobertura Espectral: GOES-13
Simulaçõa
par
a
o
Fur
acão
K
atrina
True Color Imagery
h ttp:// w w w .s se c.wi sc.ed u/n ew s/ art ic les /9626GOES-16:
First light in
true color
(
Using Python
to Explore
GOES-16 Data
)
https://www.star.nesd is.noaa.gov/GOES/GO ES16_FullDisk_Band.p hp?band=GEOCOLOR &length=24Baffle & Door Solar Rejection Filter Solar Blocking Filter Metering Tube
Focal Plane Array Assembly (FPAA)
Loop Heat Pipes Baffle
Support
Lens Housing & Support Structure Narrow Band Filter Sensor Unit Variable Pitch CCD
GLM – Geostationary Lightning Mapper
Anatomy of a Lighting Discharge:
GLM detection methods
•
GLM creates background images
every 2 min
•
Detects changes in brightness
relative to the background every
~2ms
•
Illuminated pixels are termed
GLM Events
•
Filters determine the likehood
that events are real lightning
•
Lightning Cluster Filter Algorithm
(LCFA) combines events into
groups and groups into flashes
(definitions on next slide)
Courtesy of Michael Peterson (CICS/UMD)
https://youtu.be/1lHOQA-zfHE
One single GLM Flash (2017-09-09):
• Events are the illuminated pixels
• Groups are the square dots being
GLM – Geostationary Lightning Mapper
• Lightning is controlled by updraft intensity and ice particle collision.
– – – – – – + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + ++ + + + – +
GLM Forecaster Demo at NOAA’s
Hazardous Weather Testbed, May 2018
Avg 1-min Group Area
Total 1-min Flash Energy 2-min
Flash Extent Density
Avg 1-min Flash Area
Avg 2-min Flash Area
http://goesrhwt.blogspot.com/2016/08/surprise-indiana-tornadoes-and-total.html
With lightning: 68% Without lightning: 21% Kokomo, IN storm 8
minutes prior to first warning (8/24/16)