Autoavaliação referente às atividades do primeiro semestre Prezados(as) alunos(as):
Em primeiro lugar, esperamos que vocês estejam bem e com saúde, assim como seus familiares! Como parte integrante do processo de avaliação, estamos solicitando a vocês que enviem ao(à) professor(a) de Educação Física responsável pela sua turma a sua autoavaliação em relação às atividades de Educação Física propostas na página do CAp durante o primeiro semestre.
Abaixo está o modelo a ser respondido, com os itens que consideramos importantes a serem abordados. Sejam sinceros nas respostas, pois as mesmas, bem como as sugestões de vocês, nos ajudarão a planejarmos as nossas atividades, com o objetivo de tentarmos realizar propostas significativas para vocês, que auxiliem no seu bem-estar físico e psicológico, nesse momento complicado que estamos vivendo!
Um grande abraço, e fiquem bem!
__________________________________________________________________________________ Autoavaliação – Educação Física – 1º semestre de 2020
1) Nome e turma
2) E-mail e número de Whats (para facilitar o contato)
3) Avalie como foi o seu envolvimento nas atividades de Educação Física publicadas na página do CAp (foram, no total, 10 atividades): se acessou e leu as atividades, se praticou ou não o que foi proposto, justificativas (se for o caso).
4) Avalie como foi o seu envolvimento nas atividades em que foram solicitadas um retorno para os(as) professores(as): a) tarefa da Semana 9 (Questionário); b) tarefa da Semana 11 (Treino de Hiit) e c) tarefa da Semana 13 (YOGA). (Lembrem que a devolução destas tarefas contará para o processo de avaliação deste ano letivo. Ainda estamos aceitando!)
5) Você considera que teve algum ganho/aprendizagem com as atividades que foram propostas pela Educação Física? Explique.
6) Faça suas críticas e sugestões em relação às atividades propostas pela Educação Física.
Endereços para envio das atividades (lembre de identificar seu nome e turma). Se possível, solicitamos que o envio seja preferencialmente por e-mail. Se não for possível, envie pelo WhatsApp.
Turma 101- Prof. Ivan: [email protected] Whats 993248562 Turma 102- Profa. Cristina: [email protected] Whats 999643375
Turma 201- Profa. Camila: [email protected] Whats 981459673 Turma 202- Profa. Beth: [email protected] Whats 999003101 Turmas 301 e 302- Prof. João: [email protected] Whats 996838068
Aluno(a): Professor(a): Beth, Camila, Cristina, João e Ivan Componente curricular: Educação Física
Tarefa de estudos dirigidos a distância
1.
Tarefa: Análise de temática cultural através de filme
Eixo Temático: Cultura, Etnia, Multiculturalismo, Interculturalidade
Apresentação da tarefa:
A tarefa solicita que você assista a um filme e faça uma reflexão sobre ele. Reflexão esta em qualquer formato (word, pdf, áudio, resenha, comentários de cenas, tópicos). Pode ser uma resposta bem pessoal, uma primeira análise, de como você entende e avalia a história apresentada no filme. Isso porque a tarefa seguinte, a de número 23, terá um conteúdo explicativo com abordagens e conceitos da Antropologia a partir de vários assuntos e cenas do filme, de modo a ampliar sua análise inicial.
1. Orientações para a realização da tarefa: 2. Tarefa:
a) Assistir ao filme “A Massai Branca .
b) Enviar por email uma reflexão a respeito do filme em qualquer formato (word, pdf, áudio, resenha, comentários de cenas, tópicos).
3. Material de consulta:
Filme longa-metragem “A Massai Branca (Diretora Hermine Huntgeburth, Alemanha, 2005, 2h05min). https://www.youtube.com/watch?v=d82DCOJMq0I
Observação: Esse filme é um clássico para discutir os eixos temáticos propostos no título da atividade. O ideal seria estarmos em aula presencial para debatê-lo. Até porque existem três cenas íntimas e com nudez entre o casal protagonista, sendo que uma delas, a primeira, pode ser percebida como agressiva. Dentro da história do filme e como material para estudar conceitos de Antropologia, todas as cenas têm explicação e fazem sentido. Não assista com crianças por perto e, se optar por não vê-las, avance esses minutos: Cena 1) 24min40s até 26min15s; Cena 2) 39min36s até 40min30s; Cena 3: 47min54s até 50min05. Se você não quiser ou não puder assistir ao filme, escreva pedindo substituição da tarefa.
Aluno(a): Professora: Kelly Correa da Silva Componente curricular: Sociologia
Turma: 200 Data: 28/08 E-mail da professora: [email protected] Observação: Se você tiver dificuldade para acessar o filme, avise ou solicite auxílio por email ou whatsapp.
O filme:
O filme chama-se “A Massai Branca e é baseado na autobiografia de Corinne Hofmann, onde relata seu relacionamento romântico com um homem pastor e guerreiro da etnia massai (ou samburu). No filme, seu nome foi substituído por Carola, uma mulher suíça que em viagem de férias pelo Quênia em companhia do noivo, apaixona-se por um homem nativo, como dito acima, da comunidade de Barsaloi, afastada muitas horas de Nairóbi, capital do país, ou de qualquer outro centro urbano. O link sugerido no item 3 – Material de consulta é do YouTube, versão dublada; tem alguns problemas de tradução, mas nada que comprometa as ideias centrais e o sentido da narrativa. Se encontrar o filme em outras plataformas, sugiro assistir no original.
Tarefa de estudos dirigidos à distância
1.
Título ou conteúdo da tarefa: Segunda lei da Termodinâmica
1. Bom dia pessoas. Após algumas semanas de revisões e aplicações das transformações gasosas e da primeira lei da termodinâmica, vamos finalmente avançar sobre o assunto de máquinas térmicas e a segunda lei da termodinâmica.
A ideia de que o calor é uma forma de energia é bastante nova, ela foi solidamente estabelecida apenas no século XIX. Porém as aplicações do calor fornecido por uma fonte quente para realizar trabalho mecânico tem registro histórico desde o século I, esse primeiro registro trata-se da máquina de Heron. A máquina usava uma fonte quente para produzir apo d g a, o apo e a di ecionado po d o ue impulsionavam o giro de uma esfera metálica. Esse tipo de máquina recebeu o nome de máquina térmica.
A máquina térmica de Heron tinha rendimento muito baixo, ou seja, a quantidade de calor gasto com o aquecimento da água era transformada em pouco trabalho mecânico. Por essa razão as máquinas térmicas não ocuparam um papel importante na história até meados do século XVIII. Por volta de 1770, o inventor escocês James Watt apresentou o primeiro conceito de máquina térmica com rendimento suficiente para aplicação industrial. Os impactos dessa nova descoberta foram os fatores que alavancaram a revolução industrial na Inglaterra do século XVIII.
A máquina térmica de Watt usava um condensador (fonte fria) e um sistema de l la pa a o aciona o apo d g a. O movimento do vapor impulsionava um pistão, o movimento do pistão era conectado a um sistema de hastes que transmitiam o trabalho mecânico para uma roda. O trabalho mecânico era usado inicialmente para mover moinhos ou para bombear água de minas subterrâneas. O potencial dessa máquina em gerar um fluxo contínuo de movimento permitiu emprega-la a locomotivas e barcos a vapor e futuramente em indústrias.
A comunidade científica da época voltou seus esforços para o desenvolvimento de máquinas ainda mais eficientes. Várias versões de máquinas térmicas impactaram a sociedade como m odo, como a bina a apo , onde o apo d g a p e i ada mo ia a p de ma turbina para gerar trabalho mecânico; ou mesmo os motores de combustão interna, que usam combustível para gerar explosões e assim aproveitar o vapor em alta pressão para mover pistões e produzir trabalho.
Aluno(a): Professor: Willian T. Prants Componente curricular: Física
Tarefa de estudos dirigidos à distância
Não importa o modelo de máquina térmica ela sempre receberá calor de uma fonte quente 𝑄 , usará parte desse calor para realizar trabalho 𝜏 e devolverá o restante para a fonte fria 𝑄 . Dessa forma podemos definir a eficiência ou rendimento 𝑅 da máquina térmica pela relação entre o trabalho realizado e o calor absorvido da fonte quente.
𝑅
𝜏
𝑄
O trabalho 𝜏 pode ser calculado como a diferença entre o calor absorvido da fonte quente 𝑄 e o calor cedido para a fonte fria 𝑄 , tal que 𝜏 𝑄 𝑄 . A equação acima fica:
𝑅
𝑄
𝑄
𝑄
𝑄
𝑄
𝑄
𝑄
𝑅
1
𝑄
𝑄
O rendimento é medido em porcentagem, a máquina ideal teria rendimento igual a 1 (100%), ou seja, ela transformaria toda o calor recebido em trabalho 𝑄 0.
Quatro grandes nomes da ciência dedicaram seus esforços para compreender as relações de rendimento em máquinas térmicas e as relações entre as fontes de calor quente e fria, são eles: O francês Nicolas Léonard Sadi Carnot (1796-1832); O alemão Rudolf Julius Emanuel Clausius (1822-1888); o britânico William Thomson, conhecido também como Lord Kelvin (1824-1907) e o gênio alemão Max Karl Ernst Ludwig Planck (1858-1947).
Podemos resumir suas contribuições em dois enunciados que constituem a chamada Segunda lei da Termodinâmica:
Enunciado de Clausius:
É impossível construir um dispositivo que opere, segundo um ciclo, e que não produza outros efeitos, além da transferência de calor de um corpo frio para um corpo quente. Em outras palavras,
É impossível a construção de um dispositivo que, por si só, isto é, sem intervenção do meio exterior, consiga transferir calor de um corpo para outro de temperatura mais elevada. Enunciado de Kelvin Planck:
impo el a con o de m dispositivo que, por si só, isto é, sem intervenção do meio exterior, consiga transformar integralmente em trabalho o calor absorvido de uma fonte a
ma dada empe a a nifo me. Em outras palavras,
Nenh m p oce o po el onde o nico e l ado a absorção de calor de um e e a io e a con e o comple a em abalho.
As duas conclusões que podemos chegar são que não existe uma máquina térmica operando em ciclos que tenha rendimento de 100% e que não há um processo natural onde calor é removido de um corpo frio e transportado para um corpo quente, para realizar esse feito é necessário realizar trabalho externo sobre o sistema.
Tarefa de estudos dirigidos à distância
2. Tarefa: Façam a lista de exercícios em anexo.
3. Devido a recomendações da Comissão de Ensino (COMEN), não haverá mais links de videoaulas.
Anexo I Lista de exercícios.
I Dê exemplos de máquinas térmicas que ainda estão presentes no nosso cotidiano. Tente identificar as fontes de calor quente e fria e o tipo de trabalho mecânico realizado.
II Um motor a combustão recebe 14000J de uma fonte quente e realiza um trabalho mecânico de 3500J. Determine o rendimento desse motor e a quantidade de calor que é cedida para a fonte fria. III Determine o calor recebido da fonte quente e perdido para a fonte fria por um motor a diesel que possui rendimento de 40% e realiza a cada ciclo um trabalho de 2000 J.
Tarefa de estudos dirigidos a distância
Título ou conteúdo da tarefa: O comprimento de um arco Orientações para a realização da tarefa;
Oi queridos, como estão? Enviar os Exercícios de 3 à 10 da página 3 p/ [email protected] Qualquer dúvida me chame, estou aqui te esperando!! 🙂
Material adaptado de IEZZI, Gelson; DOLCE, Osvaldo. Matemática, ciência e aplicações. 9ª ed. São Paulo, 2016.
O comprimento de um arco
Quando medimos o comprimento de um arco, a unidade utilizada é a mesma do raio: metro, centímetro, milímetro etc.
Observe que na figura ao lado o comprimento de um arco depende da medido do raio considerado: os arcos medem, cada um, 45º ou 𝑟𝑎𝑑 , mas seus comprimentos são diferentes.
Aluno(a): Professor(a): Fabiana F Serres Componente curricular: Matemática
Tarefa de estudos dirigidos a distância
Tarefa de estudos dirigidos a distância
Tarefa de estudos dirigidos a distância
1.
Construindo um Quadrado
1. Orientações para a realização da tarefa;
A tarefa desta semana deve ser enviada para o e-mail [email protected]. A tarefa pode ser feita a mão em papel e fotografada ou scaneada e anexada ao e-mail. Qualquer dúvida, perguntar no e-mail ou no grupo de WhatsApp criado pelos colegas.
2. Tarefa:
A partir do que já aprendemos em tópicos este ano, dá uma olhadinha nas atividades já feitas, construa um quadrado, utilizando régua e compasso. Escreva um passo a passo de como você fez, de modo que alguém que siga este passo a passo consiga desenhar este quadrado também.
Qualquer dúvida me chama, estou te esperando!! 😊
Aluno(a): Professora: Fabiana F Serres Componente curricular: Tópicos Especiais II
Tarefa de estudos dirigidos a distância
1.
Título ou conteúdo da tarefa: Estudo sobre a obra Caderno de Memórias Coloniais 1. Orientações preliminares:
Iniciaremos o estudo da obra Caderno de Memórias Coloniais, da escritora portuguesa [nascida, porém, em Moçambique – no continente africano] Isabela Figueiredo.
Diante da situação de isolamento social, não será possível ter acesso aos exemplares do livro disponibilizados na biblioteca do CAp. Trabalharemos, então, neste estudo dirigido, a partir de trechos da obra, de trechos de entrevista com a autora, de resumo da obra disponível na internet e de vídeo disponível no Youtube.
Será necessário material para escrever. 2. Estudo:
Parte I:
a) Leia, a seguir, o resumo do livro Caderno de Memórias Coloniais:
Genial acerto de contas da autora com o passado colonial de Portugal e com seu pai, um eletricista português radicado em Moçambique. O pai parece personificar Portugal: despreza e explora os nativos. Tudo isso é visto pelos olhos de Isabela, que lá nasceu em 1963 e voltou para Portugal nos anos 1970, durante o contexto da descolonização. O livro tem origem num blog da autora, canal pioneiro para tentar trazer mais realidade à narrativa edulcorada do Portugal africano. Até então, havia uma enxurrada de memórias cor de rosa e piedosas de brancos que cresceram nas colônias portuguesas e que nunca tratavam das questões reais e duras do passado, como a exclusão da população local (negra).
Edulcorada = adoçada
(Disponível em: https://todavialivros.com.br/livros/caderno-de-memorias-coloniais)
b) Material extra: Assista ao vídeo “CADERNO DE MEMÓRIAS COLONIAIS - ISABELA FIGUEIREDO” (Milcaretas), disponível em: https://youtu.be/ebJFN7fByhI - Duração: 6min. c) Material extra: Busque resenhas sobre o livro, disponíveis na internet, para complementar seu estudo. Procure ir sempre além!
Parte II:
A seguir, leia o trecho da entrevista concedida pela escritora Isabela Figueiredo (publicada em 07/10/2019):
JORNAL DO COMMERCIO – Caderno de Memórias Coloniais teve uma reação dura, pois muitos portugueses retornados não queriam admitir o racismo e a exploração das colônias. Desde o lançamento, mudou a forma como o romance é lido em Portugal? E em países como Moçambique e Angola?
ISABELA FIGUEIREDO – Sim, foi uma reação dura, no início, da parte de quem gosta de branquear a história de Portugal. Precisei ser muito firme na minha argumentação relativamente ao que tinha experienciado na época colonial. Ao que tinha visto, ouvido e sentido. Houve uma tentativa de descredibilização da minha memória, relacionada com a minha idade muito jovem, à altura, e também com o facto de a minha origem social ser operária. Mas isso foi sendo resolvido com a honestidade do relato, com a confirmação do
Aluno(a): Professora: Daniela Favero Netto Componente curricular: Literatura e Língua Portuguesa
Tarefa de estudos dirigidos a distância
meu testemunho por parte da Academia e com a excelente recepção da crítica. Essas vozes calaram-se. O Caderno impôs-se em Portugal como um testemunho incontornável do que foi o colonialismo português na sua fase moribunda.
Não penso que seja um livro muito estimado nas ex-colônias, porque também não poupa os africanos relativamente às atrocidades que se seguiram, no período da descolonização. As injustiças por eles cometidas também lá estão. É um livro impiedoso para todos, na sua narrativa.
JC – Em Portugal, existe a figura dos retornados, que nasceram em outros países, mas se consideram portugueses. Como você lida com a sua própria origem? Considera-se uma moçambicana, uma portuguesa ou um pouco dos dois?
ISABELA – Na minha vida há essa enorme fenda identitária, que eu vou remendando laboriosamente, mas que não é nada incomum. Outros povos que se viram afastados do lugar onde nasceram, por motivos políticos, conhecem este sentimento. Eu nasci em Moçambique sob administração portuguesa. Tive uma educação católica, baseada nos princípios tradicionais da cultura portuguesa, que se foi desenvolvendo num local tropical, exótico, no qual o catolicismo e a cultura portuguesa eram uma imposição contra-natura. Claro que fui influenciada pelo espírito do lugar, tanto como pela cultura portuguesa. Claro que essa dualidade existe em mim. Durante 13 anos da minha vida, os primeiros, eu me considerava moçambicana. Mas vivo em Portugal há 43 anos e preciso de ter um chão ao qual chame meu. Preciso de paz e segurança e Portugal é o país onde as encontro, onde me sinto bem. Assim, considero-me uma portuguesa vira-latas. Uma portuguesa estrangeirada, mas uma portuguesa muito verdadeira.
JC – Foi difícil escrever sobre o seu pai, figura através da qual o livro revela tantos aspectos do racismo e machismo da ocupação portuguesa de Moçambique?
ISABELA – Não. Foi muito fácil. Foi um texto que me saiu como um jorro de lava de um vulcão que vive em erupção adiada. Eu penso que esperava a morte do meu pai para poder escrevê-lo. E assim que fiz o luto, assim que organizei as minhas emoções fazendo alguma psicanálise, o texto começou a surgir com uma força e uma violência incontidas. Devo dizer que este livro não foi muito trabalhado. Ele é mesmo matéria bruta, não lapidada
JC – O livro a ajudou a se reconciliar com a memória do seu pai? Ou a afastou mais da figura dele?
ISABELA – Ajudou-me a poder aceitá-lo e amá-lo. O meu pai é a pessoa mais importante da minha vida. A pessoa que mais amei. Que amo, que me acompanha para todo o lado, que me protege, com quem troco impressões sobre a vida. O livro ajudou-me a despejar o saco. Foi uma forma de lhe dizer: “agora estás aí, impossibilitado de responder, num lugar onde já espero que tenhas compreendido o que fizeste errado, portanto vais ouvir-me até ao final”. Ele escutou, deu-me razão e pede perdão através de mim. Agora podemos os dois viver em paz, finalmente. Ele é um excelente pai e um excelente homem e eu sou a sua filha muito amada.
JC – A linguagem do livro é ingênua e (talvez justamente por ser ingênua, límpida) também reveladora. Como foi encontrar a forma ideal de contar eventos tão duros da sua vida, da sua família e da colonização portuguesa?
ISABELA – Não houve uma procura da forma ideal. O discurso impôs-se, saiu. Eu já disse que foi um jorro de lava. Não deve haver muitos livros tão pouco trabalhados na história da literatura. A única coisa que tive consciência de procurar foi a linguagem da criança, o olhar da criança. O seu coração. Ingênuo e límpido, como você diz. Eu queria que o discurso fosse o da menina, não o da mulher. Isso não foi totalmente conseguido. Há momentos em
Tarefa de estudos dirigidos a distância
que se nota mais a mulher, mas a minha preocupação foi apenas dar voz à criança ferida que ficou lá atrás.
JC – O Brasil, claro, tem um passado colonial distinto, mas marcas do racismo e do poder colonial permaneceram e permanecem – e a leitura de Caderno de Memórias Coloniais reitera alguns elementos e revela outras. Notou a persistência dessas cicatrizes da ocupação portuguesa na sua passagem pelo Brasil? Como acredita que os portugueses veem hoje seu papel na colonização na América do Sul?
ISABELA – Sabe que eu nunca imaginei o Brasil como um lugar marcado pela colonização portuguesa. No passado, para mim, o Brasil era o lugar da arquitetura de Niemeyer, da paisagem maravilhosa do Rio de Janeiro, da Amazônia, das baianas rodando com as suas compridas saias brancas, da música do Chico, do Caetano Veloso e de mil outros extraordinários músicos, do Grande Sertão Veredas muito branqueado, enfim, um lugar que era o paraíso. Era dessa forma que o Brasil era visto por nós, portugueses, nas ex-colônias ou no continente europeu, nos anos 1960 e 1970. Eu penso que havia desinformação. Essa ideia foi caindo por terra quando os brasileiros começaram a imigrar para Portugal, nos anos 1990 do século passado e a mostrarem-nos uma outra realidade. Mas só percebi mesmo, quando vim cá, pela primeira vez, há dois anos e de repente me senti em Lourenço Marques. Parecia o lugar onde eu tinha nascido, reconstituído. A mesma paisagem tropical, os mesmos criados uniformizados pelas ruas, os brancos na sua vida de brancos e os negros na sua vida de negros, vivendo da servidão aos brancos. Tudo isto normalizado. Aceite. Foi como viajar no tempo. Foi perturbador. E continua sendo.
Quanto à forma como os portugueses veem o seu papel na colonização da América do Sul é complicado. Você pensa que os alemães sentem grande vontade de falar do que se passou na 2ª Guerra Mundial? Enfim, é um assunto devidamente estudado pelos acadêmicos, mas esses não têm tempo de antena na televisão, em horário nobre. Eu diria que as questões coloniais entraram no discurso da classe alta urbana e instruída, em Portugal, mas que ainda não a transcenderam.
(Disponível em:
https://jc.ne10.uol.com.br/canal/cultura/literatura/noticia/2019/10/07/o-olhar-impiedoso-de-isabela-figueiredo-para-a-colonizacao-portuguesa-389896.php)
Parte III:
A seguir, há um trecho de um capítulo do livro Caderno de Memórias Coloniais para leitura:
Isabela Figueiredo em Caderno de Memórias Coloniais (Todavia, 184 págs.), sobre a infância como filha de um eletricista português em Lourenço Marques (hoje Maputo), Moçambique:
(...)
Eu tinha de usar um anel de ouro com um rubi. Era feio e apertava-me o dedo. Os negros não usavam nada que os apertasse, a não ser o trabalho do branco. Servir o branco apertava já o suficiente. Por isso, os negros, ao domingo, bebiam o vinho de caju que tinham deixado a fermentar toda a semana.
(...)
Ao domingo à tarde, a rádio passava o Nelson Ned cantando Domingo à Tarde. Ao domingo à tarde íamos ao cinema. O cinema da Machava passava sessão dupla, com intervalo de meia hora entre cada filme; os mufanas calçados vinham vender Quibons geladinhos aos brancos, e chupas em pirâmide às crianças dos brancos.
A enorme sala do cine Machava dividia-se em três zonas bem definidas: bancos corridos de pau, à frente: primeira plateia; bancos individuais estofados, até ao fundo: segunda plateia; empoleirados metro e meio acima da última fila da segunda plateia, os
Tarefa de estudos dirigidos a distância
camarotes, todos forrados a veludo vermelho, luxo dos luxos, só ocupados quando o filme era mesmo muito popular e a afluência o exigia. Filmes como O Fado, A Maluquinha de Arroios. Cantinflas, Jerry Lewis e Trinitá também enchiam camarotes.
Alguns negros iam ao cinema. Calçavam-se e vestiam roupa europeia remendada. Sentavam-se na primeira plateia, e, eventualmente, em dias pouco frequentados, na primeira fila da segunda plateia.
Não estava escrito em lado algum que os negros não tinham acesso normal à plateia ou ao balcão, mas raramente os vi ocupar essas zonas. Havia um entendimento tácito, não um acordo: os negros sabiam que lhes cabia sentarem-se à frente, nos bancos de pau: os brancos esperavam que a pretalhada se juntasse toda à frente, a falar aquela língua lá deles, olhando para trás a cobiçar a mulher do branco, mas devidamente sentados no banco que lhes pertencia.
Para os brancos, um preto, lá da primeira plateia, nunca olhava para trás por bons motivos. Ou lançava o amarelo do olho contra-natura às brancas, ou procurava o que roubar, ou destilava ódio. De forma geral, no cinema ou fora dele, o olhar dos negros nunca foi, para os colonos, isento de culpa: olhar um branco, de frente, era provocação directa; baixar os olhos, admissão de culpa. Se um negro corria, tinha acabado de roubar; se caminhava devagar, procurava o que roubar.
Ao domingo à tarde íamos ao cinema. Eu levava um anel. Não gostava de anéis. Os lugares da segunda plateia do Cine Machava haviam sido montados sobre um plano inclinado. Tudo o que caía rolava até à primeira plateia, e ninguém lá iria; era o lugar dos pretos. Nem valia a pena.
Eu teria sete anos. Usava aquele anel. Detestava-o.
Pensei em ver-me livre da horrível bijutaria, e ocorreu-me uma ideia infalível, que executei na primeira oportunidade. No cinema, na escuridão, a meio do filme, num momento de maior barulho, maior suspense, tirei o anel do dedo, e lancei-o, com o possível impulso, por debaixo dos cadeirões, para que rolasse, inapelavelmente, até à primeira plateia, e desaparecesse, para sempre, nas mãos dos negros, que haviam de lhe chamar um figo.
Num domingo, fi-lo, e respirei de alívio. Adeus anel. Adeus, suplício. Adeus para sempre. Havia de dizer que o tinha perdido, que me estava largo, que me tinha caído do dedo sem notar. E depois, nada a fazer. Um anel era caro. Realmente. Mas, paciência. Eu era tão distraída!
Nesse domingo comi um Quibom no intervalo. Estava contente. Ninguém reparou que já não tinha o anel, mesmo quando me esqueci de esconder a mão.
Nesse dia. Já terminava o intervalo, quando uma cena deveras invulgar prendeu a atenção da segunda plateia em massa: um negro tinha saído do seu lugar lá à frente, e avançava pelo corredor lateral esquerdo, perguntando algo, de fila em fila. O que queria o gajo? Andava a pedir dinheiro, de certeza. E, quando chegasse à nossa fila, ninguém lhe ia dar nada, já se sabia. Que trabalhasse. Não se dava dinheiro a negros, a menos que trabalhassem, e o que se desse, seria pouco, para não se acostumarem mal.
Quando chegou à nossa fila, pudemos distinguir-lhe, entre o polegar e o indicador direitos, um minúsculo anel dourado com uma pedra vermelha, enquanto perguntava, "Este anel é daqui?"
A minha mãe ainda guarda esse anel, lá em casa, na caixa dos ouros.
(Disponível em: https://michellaub.wordpress.com/2019/02/22/um-anel-no-chao-do-cinema/) Parte IV:
Faça a leitura do texto a seguir, que foi escrito pela estudante do CAp Lívia Uchoa, em 2019. A estudante cursa, atualmente, o terceiro ano do Ensino Médio do CAp.
Tarefa de estudos dirigidos a distância
"O olhar dos negros nunca foi, para os colonos, inocente: olhar um branco, de frente, era provocação; baixar os olhos, admissão de culpa. Se um negro corria, tinha acabado de roubar, se caminhava devagar procurava o que roubar." (Trecho de Caderno de Memórias Coloniais, de Isabela Figueiredo).
Lembro-me exatamente de cenas e mais cenas de racismo que infelizmente eu já vivenciei, isso me chateia. O trecho citado resume tudo que já senti e até hoje sinto. É uma droga, mas todos nós, negros, somos sujeitos a essas discriminações em algum dia de nossas vidas.
Eu tinha em torno de uns dez anos de idade, minha mãe havia conseguido cem por cento de bolsa em um colégio particular no Bom Fim, onde a maioria era branca. Minha mãe achava que naquela escola o ensino seria melhor, mesmo que fosse do outro lado da cidade. O primeiro dia de aula já estava prestes a chegar, eu estava ansiosa, mas ao mesmo tempo estava com medo: será que iriam gostar de mim?
Já tinha amanhecido, eu tinha que levantar antes mesmo do galo cantar. Já era hora de me vestir, colocava o uniforme: era obrigatório. Botei as calças, calcei os tênis e o meu anel de borboleta que ganhei de minha tia. Ao chegar na escola encontrei minha amiga, que por um acaso morava no mesmo prédio que eu. Ela se chamava Valentina, tinha os olhos claros e os cabelos loiros como mel. Quando cheguei, o olhar dela fixou-se em meu anel, o elogiou e me contou que a amiga dela (também branca) que era da outra turma, tinha um idêntico ao meu. Não me importei e continuei meu dia. Fomos pra sala, e a aula logo começou. Parece estranho mas o dia passou rápido, então fui pra casa e passei a tarde ajudando minha mãe na limpeza da casa. Já era hora de dormir, e mais um dia estava por vir.
"Tirei o anel do dedo e lancei-o com o possível impulso, por debaixo dos cadeirões, para que rolasse, inapelavelmente, até a primeira plateia, e desaparecesse, para sempre, nas mãos dos negros." (FIGUEIREDO, Isabela). Eu tão nova já entendia muita coisa, e a menina da outra turma também. Ela sabia que eu era a negra e ela a branca, e ela era superior a mim.
A cena era a mesma do ocorrido no livro. O que mudou foi o ambiente, minha nova escola. Mais um dia de aula começou, e a sala estava cheia. O anel da tal garota da outra turma não era muito caro, mas ela, com a má intenção de talvez me prejudicar, jogou o anel no chão. Ele caiu no fundo escuro da sala, e ficou lá.
Toca o sinal. Finalmente tinha acabado a aula. Fui para casa, almocei, fiz meus deveres da escola, dormi, brinquei e fui para o banho. Logo já era noitinha, deitei em minha cama e era hora de fechar meus olhos, eu dormi. Mais uma manhã, e a rotina era a mesma, usando meu anel.
Chego no colégio e sinto que todos os olhares se fixaram em mim. Não estava entendo, nem mesmo Valentina falou comigo. Minha cabeça não sabia o que pensar, e continuei a andar em direção a sala. A aula mal começa e ouço meu nome vindo de uma voz grossa. Era o diretor, que me chama novamente e diz para irmos pra sala dele. O nervosismo estava me subindo à cabeça. Dedos trêmulos. Minha passada era pesada, mas estava tentando não demonstrar todo aquele sentimento.
Para minha surpresa, quando cheguei na sala do diretor, a menina que tinha o anel igual ao meu estava lá. Reparei nos seus dedos, e o anel não estava mais lá. Sentei-me e a guria logo começou a tagarelar, dizendo que eu havia lhe roubado. Minha expressão era de choque. Como alguém tinha a audácia de me chamar de ladra? Não mesmo. Minha mãe me educou muito bem, sabia que roubar era errado. Não mudei a minha cara, e a menina não parava de falar. O diretor a interrompeu e me perguntou:
- O anel que está no seu dedo lhe pertence?
- Sim, minha tia que me deu. - Respondi sem demora, mas muito nervosa pois nunca tinha ido à sala do diretor.
Tarefa de estudos dirigidos a distância
O diretor ia voltar a falar, mas foi interrompido: alguém batia na porta. Era a faxineira da escola, que entrou. Na mão dela estava o anel, igual ao meu. Ela veio avisar que havia encontrado o anel na tarde passada, no fundo da sala, enquanto organizava as salas de aula. Na hora abri um sorriso. Eu não era ladra, a prova estava ali!
A menina levantou-se, pegou o anel da mão da faxineira e saiu da sala. Acho que ela estava brava. O diretor me olhou, mandou eu ir embora, mas antes me disse:
- Vamos fingir que nada disso aconteceu!
Voltei para a sala, feliz, mas triste. O dia passou lento, mais lento que o rastejar de uma lesma. O sinal toca novamente, finalmente posso ir para casa. Chorei no caminho para casa, mas limpei o choro ao chegar. Não queria preocupar minha mãe, pois ela já tinha muitas preocupações. Fui para meu quarto, tirei o anel, e guardei-o em uma caixinha. Eu sentia que se eu o usasse novamente iria ter o mesmo sentimento ruim que tive ao ser acusada de roubo. Eu só tinha dez anos de idade.
Atividade
a) Orientação para a realização da atividade:
Para compreender o conteúdo do parágrafo/texto elaborado por você, o leitor do parágrafo/texto precisará saber um pouco sobre o referido capítulo (Parte III) e um pouco sobre o texto da Lívia (Parte IV). Portanto, considere essas informações em sua produção. Antes de iniciar a escrita, consulte o material sobre Estudo do Resumo, que utilizamos nas aulas presenciais em março de 2020. Embora o objetivo da atividade não seja propriamente a elaboração de um resumo, o material estudado nas aulas presenciais pode auxiliar na estruturação do seu parágrafo/texto, especialmente para orientar sobre como fazer referência adequada ao trecho do livro ou ao texto da Lívia.
b) Orientação para revisão:
Antes de enviar o texto/parágrafo, faça uma revisão criteriosa de sua escrita para verificar o seguinte:
a) O parágrafo deve ter, no mínimo, três frases corretamente pontuadas e com concordância verbal e concordância nominal bem empregadas. A revisão da pontuação deve seguir as recomendações das aulas anteriores, referentes às estratégias de uso da pontuação nas frases.
b) O conteúdo do parágrafo deve atender ao que é solicitado no quadro acima.
c) Deve ser possível para o leitor compreender quando o seu texto/parágrafo está tratando
do texto da Lívia e quando está tratando do trecho do livro Caderno de Memórias Coloniais. Isso pode estar claro na sua cabeça, mas não no texto escrito. Por isso, revise-o bem!
c) Orientação para envio:
Após a revisão criteriosa para verificar a clareza e a adequação da escrita, envie o parágrafo/texto para o e-mail indicado no cabeçalho.
Guarde o material deste estudo dirigido, pois será necessário para o próximo estudo. Boa semana!
A partir do material disponibilizado neste estudo dirigido, escreva um parágrafo que estabeleça relação entre o assunto de que trata o trecho do livro (Parte III) e o texto da Lívia (Parte IV).
Lembre-se: o parágrafo elaborado é texto! Sendo texto, deve explicar-se por si só, ou seja, quem ler o parágrafo deve compreendê-lo como um todo, sem necessitar recorrer ao enunciado que solicitou sua elaboração.
Tarefa de estudos dirigidos a distância
ESTUDANDO O RIO GRANDE DO SUL URBANO
1- A atividade: Vamos estudar o Rio Grande do Sul urbano, considerando sua evolu ão, regi es metropolitanas e aglomera es urbanas. A atividade DEVE ser enviada para o e-mail da professora, d vidas tamb m.
Fonte das informa es/imagens: (https atlassocioeconomico rs go br
OBS: no final da atividade dessa semana está o gabarito da semana 19.
2- A tarefa: Ler os textos/imagens apresentados abaixo e responder as quest es. 3- Conte do:
C f me Ce IBGE 2010, Ri G a de d S l i 85,1% de a la m a d
em egi e c ide ada ba a . Ai da em i f ma e ficiai a ali ada , i
a a li e e c m dad de 2010. Ob e e g fic abai e e da a e .
Evolu ão da popula ão do RS por situa ão de domic lio - 1940 2010
F e: IBGE/Ce Dem g fic
Al no(a): P ofe o (a): Ana Cla a Componen e c ic la : Geog afia
T ma: 201 e 202 Da a: emana de 24 a 28 de ago o
Tarefa de estudos dirigidos a distância
1) Em qual d cada a popula ão urbana do RS tornou-se maior que a popula ão rural?
a) 1950 b) 1980 c)2010 d) 1960 e) 1970
Divisão Municipal e hierarquia urbana no RS
Observe a imagem abaixo e responda as quest es.
b) Há na imagem vários elementos que comp em o Mapa. Observe, identifique e escreva os mesmos abaixo.
... ... ... ...
Tarefa de estudos dirigidos a distância
c) Considerando a Rosa da Dire es, escreva os limites pol ticos do RS: Norte: ...
Sul: ... Leste: ... Oeste: ...
d) Qual o t tulo da imagem?
... ... e) Há uma classifica ão das cidades do RS representada na imagem que
corresponde a n veis hierárquicos de influ ncia. Os dois primeiros n veis possuem 1 e 2 cidades, respectivamente, dessa forma identifique para eles essas cidades. Enumere tamb m os n veis restantes e identifique 3 cidades classificadas em cada um.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Gabarito atividade semana 19 : a) C; b) B; c) D; d) D
Bom trabalho! Bj da Sora
Tarefa de estudos dirigidos a distância