EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA 2ª VARA CÍVEL
DA CAPITAL FORUM JOÃO MENDES JR.
Ação Ordinária Declaratória nº 00/547593-7 Nilton Gurman
contra Banco Itaú S/A
CONTROLE 929Maria Regina Rato Avelar, Contadora, CRC 1SP071497/O-4, Perita
nomeada e compromissada nos autos dos Embargos do processo
supra, às
fls 329
vem mui respeitosamente peticionar à V. Excia o
que abaixo se segue:
ENTREGA DE RESPOSTAS AO QUESTIONAMENTO #01 AO SEU LAUDO PERICIAL, ASSINADO E COMPOSTO DE
FLS DE LAUDO, FLS. DE ANEXOS, NUMERADAS E RUBRICADAS EM fls
Nestes termos,
P.Deferimento.
SÃO PAULO, 26 de fevereiro de 2003.
MARIA REGINA RATO AVELAR PERITA DO JUÍZO
QUESTIONAMENTO #01 AO LAUDO PERICIAL FORMULADO
PELO ASSISTENTE TÉCNICO DO BANCO RÉU NA AÇÃO
ORDINÁRIA:
O fato controverso do Laudo Pericial, o qual força este signatário a se pronunciar de forma contraria, reside na alegação da Perícia de que a utilização da "Tabela Price", e a utilização da TR como índice de atualização monetária, prevê a cobrança de juros sobre juros, ou seja, anatocismo, bem como o cálculo da primeira prestação do financiamento em questão apresentado pela Perícia.
ESCLARECE ESTE SIGNATARIO:
Quanto ao ANATOCISMO NA TABELA PRICE - Para demonstrar que nos contratos regidos pela tabela PRICE não existe a possibilidade de cobrança de juros sobre juros, passamos a esclarecer de que forma os juros são cobrados em contratos desta natureza.
Nos contratos regidos pelos fundamentos matemáticos do Sistema Francês de Amortização ou, como é mundialmente conhecido, Tabela PRICE os juros incidem sempre sobre o Capital, na periodicidade prevista contratualmente, que neste caso é mensal.
A incidência dos juros coincidem com o pagamento de cada parcela, a qual é composta de duas partes, sendo uma destinada ao pagamento total dos juros do período em questão e a outra destinada à amortização do Capital emprestado
Portanto ao se pagar uma parcela, estão sendo totalmente quitados os juros sobre o capital devido daquele período, não restando nada alem do capital devido para ficar sujeito a incidência dos juros do período seguinte, o que impossibilita totalmente a incidência de iuros sobre juros
Para melhor entendimento, este signatário produziu uma planilha, respeitando rigorosamente os fundamentos matemáticos da Tabela PRICE, onde pode ser observada claramente a composição de cada parcela.
A inexistência do anatocismo pode ser comprovada pela simples observação da coluna "juros" da planilha abaixo, que como foi dito anteriormente incide apenas sobre o capital devido no respectivo período e diminui mês a mês, face a diminuição do referido capital.
Simulação de Financiamento Prazo 12 através da Tabela Price 14,057% ªª dividido por Taxa % ªª 14,06%
12 meses equivale a
Total Financ. R$ 1.000,00 1,1714% ªm. Prestação R$ 89,81
forma linear
Data Parcela N Juros 1,1714% Amortização Prestação Saldo Devedor
A B A+B+C 1.000,00 01-jan-00 1 11,71 78,10 89,81 921,90 01-fev-00 2 10,80 79,01 89,81 842,89 01-mar-00 3 9,87 79,94 89,81 762,95 01-abr-00 4 8,94 80,88 89,81 682,07 01-mai-00 5 7,99 81,82 89,81 600,24 01-jun-00 6 7,03 82,78 89,81 517,46 01-jul-00 7 6,06 83,75 89,81 433,71 01-ago-00 8 5,08 84,73 89,81 348,98 01-set-00 9 4,09 85,73 89,81 263,25 01-out-00 10 3,08 86,73 89,81 176,52 01-nov-00 11 2,07 87,75 89,81 88,77 01-dez-00 12 1,04 88,77 89,81 0,00 Totais 77,76 6.638,74 Saldo Médio = 6.638,74 / 12 = 553,23
Somatória dos juros pagos durante um ano= 77,77 (A) Saldo Médio durante o ano = 553,23 (B)
Taxa em % dos juros pagos no ano= (A/B) x100 14,057%
Portanto demonstra-se que os juros aplicados foram de 1,1714% ao mês de forma simples
Como pode ser observado na planilha acima, os juros pagos durante o ano sobre o saldo médio totalizam 14,057%, exatamente conforme o enunciado da referida planilha demonstrando que os juros são aplicados de forma linear.
Para exemplificar o acima afirmado, passamos a analisar a primeira linha da referida planilha:
Juros Amortiz. Prestação Saldo
11,71 78,10 89,81 921,90
Demonstração do calculo dos juros: Capital total financiado R$ 1000,00
Juros contratuais 14,057%ªª que dividido por 12 meses resultam em 1,1714% ªm.
Portanto, 1,1714% de juros sobre o capital financiado de R$ 1.000,00 resulta em R$ 11,71, os quais são totalmente quitados ao se pagar a prestação de R$ 89,81, restando ainda o valor de R$ 78,10 a ser abatido do capital emprestado, resultando em um saldo devedor de R$ 921,90, sobre o qual incidirão os juros de 1,1714% no próximo período e assim sucessivamente até o final do contrato, afastando por completo a possibilidade da incidência de juros sobre juros, como demonstra a planilha já citada e apresentada.
Na planilha acima apresentada pode ser observado que, o valor das prestações são constantes do início ao fim do financiamento, devendo incidir apenas a correção monetária na data do efetivo pagamento de cada parcela, quando for o caso.
Dando continuidade, esclarece este signatário que:
"A capitalização composta é aquela em que a taxa de juros incide sempre sobre o capital inicial, acrescido dos juros acumulados até o período anterior."
Neste caso o texto acima deixa claro que a capitalização composta é aquela em que a taxa de juros Incide sempre sobre o capital inicial, acrescido dos juros acumulados até o período anterior e como não existe no presente caso Os tais "juros acumulados até o período anterior", não existe também a capitalização composta dos juros.
Quanto ao ANATOCISMO NA COMPOSIÇÃO DO índice DA TR - Não há qualquer ilegalidade na estipulação contratual que estabelece a atualização do saldo devedor do financiamento pela aplicação dos mesmos índices de atualização aplicáveis aos depósitos de poupança, tendo em vista que referida estipulação esta respaldada por legislação especial e regulamentos pertinentes ao SFH vigentes ao tempo da celebração do contrato "sub judice".
Com efeito, o ajuste relativo a indexação do contrato pelos índices dos depósitos de poupança aplicáveis no saldo devedor, tem fundamento no disposto no artigo 9º do DecretoLei n0 70/66, bem como especificamente pelo item XVI da Resolução n0 1.446, de 05.01.88, do Banco Central do Brasil, que estabelecem:
“Decreto-Lei n0 70/66:
Art. 9º - Os contratos de empréstimo com garantia hipotecária, com exceção dos que consubstanciam operações de credito rural, poderão prever o reajustamento das respectivas prestações de amortização e juros com a conseqüente correção monetária da dívida."
"Resolução n0 1.446/88:
XVI - Os saldos das operações de financiamento imobiliário, de que trata esta resolução, terão cláusula de atualização monetária vinculada aos índices de atualização dos depósitos de poupança."
Alem do mais tal previsão contratual está lastrada no art. 4º da Lei 8.692/93.
Registre-se que a sistemática de indexação dos contratos firmados no SFH está em prática desde a edição da Lei nº 4.380 de 21 de agosto de 1.964.
A correção monetária dos depósitos de poupança aplicada no saldo devedor dos contratos de financiamento do SFH é condição legal e essencial para o efetivo resgate das aplicações daquele Sistema, não apenas porque essa mesma indexação é aplicada aos recursos captados através das cadernetas de poupança e dos depósitos do FGTS, como também e principalmente porque não ocorreria a real liquidação de sua expressão monetária, diante da perda do poder aquisitivo da moeda determinada pelo processo inflacionário.
Como já dito, o índice de atualização monetária das cadernetas de poupança, foi eleito pelas partes contratantes, por que os recursos utilizados para operações de financiamento de imóvel, pelos agentes financeiros do Sistema Financeiro de Habitação, são obtidos junto as cadernetas de poupança. Como é sabido, desde a criação do SFH, pela Lei nº 4.380/64, os depósitos remunerados em caderneta de poupança constituíram a fonte de recursos primordial do referido sistema (art. 5º), como quais os agentes financeiros captaram recursos para aplicação em financiamentos habitacionais.
Os Bancos múltiplos (caso do requerido) estão obrigados a pagar, por sua carteira de credito imobiliário aos depositantes da caderneta de poupança, a atualização monetária respectiva e, pois, devem ser remunerados nas mesmas condições, sob pena de prejuízo à liquidez de suas operações.
Não é concebível que as instituições financeiras não possam cobrar dos mutuários, no mínimo, igual índice, ou seja, o mesmo índice de atualização dos recursos que captou no mercado.
ativas e passivas da instituição financeira; equilíbrio esse que somente será atingido se esta compatibilizar suas operações ativas com as obrigações passivas de captação dos recursos aplicados.
Assevere-se que a taxa aplicada no saldo devedor é somente a da remuneração básica (atualização monetária) resultante da Caderneta de Poupança, desprezados os juros de 0,5%.
Trata-se de correção monetária liquida, calculada pela inflação prevista, expurgada dos juros reais que, assim, não realimentam novas previsões financeiras.
Objetivando orientar os Agentes Financeiros e o próprio mercado, o Banco Central do Brasil, editou o Comunicado n0 3.053 de 15.10.92, esclarecendo que:
"A decisão do STF visa proteger o ato jurídico perfeito. Não alcança, portanto, contratos firmados após a vigência da referida Iei, nem invalida a incidência da TR em contratos firmados antes de sua vigência, quando isso seja conseqüência do que foi originalmente estabelecido pelos contratantes”.
Em decorrência daquela decisão, as prestações dos contratos do gênero da Autora devem continuar a ser reajustadas de acordo com os índices pactuados no próprio contrato. E, conforme se demonstrou, foi exatamente esta a postura do Banco-Réu.
Destarte, os reajustes do saldo devedor por índices de poupança estão expressamente ajustados, pelo que não aplica-los efetivamente importaria em descumprimento contratual, quando não inobservância da legislação vigente.
Ainda sobre a decisão da Corte Suprema, vale dizer ainda, que o STF não excluiu a TR do universo jurídico, decidiu sim, que a TR não poderia substituir índices anteriormente contratados, vejamos:
“NUMERO DO PROCESSO: RE175678”. CLASSE: RE - RECURSO EXTRAORDINARIO.
ORIGEM: MG - MINAS GERAIS.
RELATOR: MIN:156 -MINISTRO CARLOS VELLOSO. REVISOR:
RELATOR PARA 0 ACÓRDAO: PARTES:
DATA DO JULGAMENTO: 1994.11.29
SEÇAO JULGADORA: 02 - SEGUNDA TURMA. PUBLICAÇÕES:
DJ - DATA-04.08.95 PP-22549
EMENTÁRIO DO STF - VOL-01794.25 PP-05272. EMENTA: CONSTITUCIONAL.
CORREÇAO MONETARIA. UTILIZAÇÃO DA TR COMO ÍNDICE DE INDEXAÇÃO. I. - O Supremo Tribunal Federal, no julgamento das ADins 493, Relator o Sr. Ministro Moreira Alves, 768, Relator o Sr. Ministro Marco Aurélio e 959-DF, Relator o Sr. Ministro Sydney Sanches, não excluiu do universo jurídico a Taxa Referencial, TR, vale dizer, não decidiu no sentido de que a TR não pode ser utilizada como índice de indexação. O que o Supremo Tribunal decidiu, nas referidas ADIns, e que a TR não pode ser imposta como índice de indexação em substituição a índices estipulados em contratos firmados anteriormente a Lei 8.177, de 01.03.91. Essa imposição violaria os princípios constitucionais do ato jurídico perfeito e do direito adquirido. C.F., art. 5., XXXVI.
índice de indexação e que estivesse esse índice sendo substituído pela TR e dizer, no caso, não há nenhum contrato a impedir a aplicação da TR.
III. - R.E. não conhecido."
Há de se levar em consideração, ainda, que a não aplicação no contrato da correção do saldo devedor pelo índice das cadernetas de poupança, conforme pactuado, poderá gerar um desequilíbrio contratual com enriquecimento sem causa por uma das partes, "in casu", a autora, pondo em risco um sistema todo próprio e benéfico, viabilizador da aquisição da casa própria.
PORTANTO, CONFORME ACIMA DEMONSTRADO, NO SISTEMA FRANCES DE AMORTIZAÇAO, BEM COMO NA COMPOSICAO DO INDICE DA TR NÃO EXISTE A INCIDENCIA DE JUROS SOBRE JUROS COMO ERRONEAMENTE CONCLUIU O ILUSTRE PERITO NA RESPOSTA AO QUESITO N0. 3 - SERIE DO AUTOR, A SABER:
"4. Os valores indicados na conta gráfica, albergam capitalização de juros?
Resposta: Sim. Tendo em vista que na determinação da prestação pela Tabela Price há incidência de capitalização de juros. E também a utilização da TR para atualizar o saldo devedor, visto que a TR embute taxa de juros remuneratórios e não simplesmente índice de atualização monetária. Há, portanto dupla cobrança de juros sobre as parcelas: Aqueles embutidos nas parcelas pela Tabela Price mais aqueles juros embutidos na própria TR". QUANTO AO CÁLCULO DA PRIMEIRA PRESTAÇÃO
Na elaboração do Laudo Pericial, o Sr. Perito recalculou o valor da primeira prestação e identificou uma diferença a menor entre o resultado obtido e o valor calculado pelo Banco.
Conforme se observa, os cálculos apresentados pela Perícia, embora matematicamente corretos, deixaram de contemplar o valor do seguro referente ao mês de assinatura do contrato, desta forma demonstra-se abaixo, o cálculo da primeira prestação, conforme disposições contratuais:
DEMONSTRATIVO DO CALCULO DA PRIMEIRA PRESTAÇÃO
FÓRMULA: EM = Valor do encargo mensal =
C * i*(1 + i)n
(1+ i)
n-1
LEGENDA:
* = sinal de multiplicação C = Valor do financiamento
i = Valor da Taxa de juros mensal / 100 n = Prazo em meses do financiamento
CÁLCULO DA PRESTAÇÃO
PM = EM + SEGUROS
Substituindo-se os valores do contrato na fórmula temos:
C = Valor do financiamento - 64.230.600,00 i = Valor da Taxa de juros mensal / 100 - 1,1714% /100 n = Prazo em meses do financiamento - 120
Juros contratuais de 14,057% ao ano, dividido por 12 meses = 1,1714% ao mês 1,1714 / 100 x (1,1714% /100 + 1 ) 120 – 1 EM = 64.230.600,00 x ( 1,1714 /100 + 1 ) 120 – 1 EM = 99.521,91 Seguros: TOTAL= 73.285,66 PM = EM + SEGUROS Prestação = 99.521,91 + 73.285,66 Prestação = 1.072.807,87
Cabe lembrar que o seguro devido na data da assinatura e cobrado juntamente com a primeira prestação, cujo valor é apresentado a seguir:
Valor da primeira prestação conforme já demonstrado:
Prestação = 1.072.807,87
Valor do seguro devido na assinatura do contrato:
Seguro = 73.285,66
Valor total da primeira prestação:
Valor Total = 1.072.807,87 + 73.285.66
Valor Total = 1.146.093,23
(valor correspondente na data da assinatura do contrato)
Desta forma, uma vez que o referido Laudo Pericial extrapolou o âmbito da Perícia técnica, julgando a lide, o Laudo Pericial não deve ser considerado, ficando desde já impugnado, sem que antes seja devidamente corrigido para que os cálculos, obtidos em conformidade com o avençado no contrato firmado entre as partes, apresentem os valores corretos, tais quais os valores apresentados pelo Banco, os quais foram obtidos seguindo rigorosamente as clausulas contratuais.
RESPOSTA DA PERITA DO JUÍZO AO RÉU
Tudo que o I. Assistente afirmou em seu arrazoado a respeito da Tabela Price é verdadeiro. No corpo da Tabela Price não há incidência de juros sobre juros: é na
determinação do valor da prestação que se embute o juros sobre juros.
Esta perita anexa um cálculo alternativo de uma Tabela no formato da Price sem ocorrência, no entanto, de juros sobre juros. São as planilhas BANCauditLinear e
INPC10Linear. A prestação foi determinada supondo-se uma evolução linear e não
parabólica do saldo devedor.
Na planilha ContratoGurman a perita evidencia os cálculos para prestação inicial, às taxas contratadas e praticadas pelo Banco, na forma da Tabela Price. No rodapé desta mesma planilha, o perito calculou a prestação na forma linear, sem incidência de juros sobre juros e a partir desta prestação, construiu a planilha BANCauditLinear.
Na planilha BANCauditLinear, a perita calcula os Saldos Devedores, utilizando a TR, com juros na forma linear, isto é, extirpando a cobrança de
juros sobre juros (anatocismo) existente na determinação da prestação
pela Tabela Price.
Na planilha 10INPCLinear, a perita recalcula os Saldos Devedores, utilizando o INPC, com juros na forma linear, isto é, extirpando a cobrança de juros
sobre juros (anatocismo) existente na determinação da prestação pela
Na planilha ResumoLinear, a perita apresenta a comparação de saldos entre as planilhas BANCauditLinear e INPC10Linear.
Abaixo seguem os resultados calculados de forma linear extraídos da planilha
ResumoLinear:
#100 09/01/00 Saldo Devedor Saldo Devedor(-) # Vcto. (-)Amortização Amortização(+)
Encargo(-)Pagto BANCauditLinear 0 09/09/91 64.230.600,00 64.230.600,00 64 09/01/97 120.300,75 97.737,86 80 09/05/98 96.812,90 65.050,80 100 09/01/00 65.050,80 9.904,54 INPC10linear 0 09/09/91 64.230.600,00 64.230.600,00 64 09/01/97 106.148,59 36.750,17 76 09/01/98 87.630,49 (1.346,13) 80 09/05/98 81.431,03 (15.555,19) 100 09/01/00 44.158,91 (96.709,48)
Outro ponto a realçar nestas respostas é quanto ao valor da primeira prestação (encargo) calculada pelo I. perito do Banco: somou duas vezes o valor do seguro obtendo um valor errado. O valor da primeira prestação é aquela calculada pelo perito do Juízo, 1.072.766,04 em sua planilha ContratoGurman e não 1.146.093,23 como pretende acima o I. perito do Banco, somando o seguro duas vezes.
Quanto à utilização da TR esta perita tem a enfatizar o que se segue:
A TR, índice contratual, é uma taxa fornecida diariamente pelo BACEN e é baseada em CDB’s; é, pois, uma taxa financeira.
índice de inflação, compilado dentro de critérios que a seguir se reproduz com as
informações contidas no site http://www.ibge.gov.br
Para que a comparação do saldo devedor seja o mais aproximado possível, dever-se-ia usar o valor para a TR e para o INPC, do mesmo dia.
Dever-se-ia, portanto calcular o índice pró-rata diário para o INPC para este ser comparável com a taxa diária fornecida para a TR.
Esta perita poderia ter calculado o pro-rata; ex. gr, segundo o método recomendado na Circular Cetip 076/94; porem, como isto seria excessivamente trabalhoso, tomou a data de vencimento defasado 21 dias da data do valor cheio do mês de coleta de dados do período de referencia (o vencimento do contrato é dia 09 de cada mês).
Índice Nacional de Preços ao Consumidor - INPC
Os índices mensais resultam, regra geral, da comparação dos preços vigentes nos 30 (trinta) dias do período de referência com os 30 (trinta) do período base. A coleta integral de preços se dá a cada período de 30 (trinta) dias que é segmentado, sem interrupção, em 4 (quatro) subperíodos. Cada um deles contém cerca de 7 (sete) dias com datas definidas através do Calendário Anual de Coleta do SNIPC.
O período de coleta do INPC e do IPCA estende-se, em geral, do dia 01 a 30 do mês de referência.
TEMPO PREVISTO ENTRE COLETA E DIVULGAÇÃO Aproximadamente 8 (oito) dias Úteis.
Esta
perita mantém, portanto a sua forma de cálculo, por possibilitar comparações mais precisas entre o índice INPC e a taxa TR.QUESTIONAMENTO#01 AO LAUDO PERICIAL FORMULADO
PELO AUTOR – fls. 387/391 NO AGRAVO DE
01 - O Objetivo da Perícia é o de constatar se o contrato objeto da presente lide encontra-se em débito ou não.
02 – Tal trabalho manifesta que o autor tem como saldo devedor a importância de R$ 89.136,09.
03 – No que tange em relação ao contrato, como afirma os quesitos do banco réu, a perícia elaborada está correta, no entanto o que estamos discutindo, não é a cobrança relativa ao contrato efetuado entre as partes, e sim o exagero da
cobrança, a capitalização dos juros sobre as parcelas, se o contrato está em sintonia com o estabelecido pela Lei 4380/64, entre outros itens. Espera-se a realidade da questão e não a
realidade contratual.
04 – O laudo foi baseado no contrato do banco, o que não acusa a realidade dos fatos e da situação do país.
05 – Se verificarmos os quesitos elaborados pelo autor, podemos nos situar na realidade financeira e irreal do contrato, e pelas próprias respostas da Perita, que confirma o questionamento no Laudo anterior.
O autor discutirá nesta ação, que o agente financeiro está utilizando juros abusivos, não respeitando os da Tabela Price, quando o correto segundo determinação do SFH, não pode ultrapassar a 10%ªa, pelo que se nota a taxa mensal de juros a 1,1714% se transforma num percentual de 421,704 anual.
Assim, requer que a perita venha esclarecer os pontos ora discutidos, relatando-os e explicando-os tais demonstrativos de maneira mais clara e evidente para apreciação, sendo que assim possamos analisar melhor as controvérsias dos Laudos que ora foram parte da questão guerreada.
RESPOSTA DA PERITA DO JUÍZO AO AUTOR:
Respondendo ao questionamento, esta perita tem a informar que:
a) – na reprodução do Saldo do Banco, planilha BANCaudit do perito, na prestação de nº 100, o mutuário tem um saldo devedor de:
89.136,09
Entretanto, na planilha 10INPC, a perita objetiva reproduzir o cálculo feito com a TR, apenas alterando para o INPC, como solicitado pelo Autor
Reapresenta a seguir a planilha Resumo, conforme segue:
# 100 último pgto efetuado 09/01/00
Saldo Devedor Saldo Devedor(-) # Vcto. (-)Amortização Amortização(+)
Encargo(-)Pagto BANCaudit 0 09/09/91 64.230.600,00 64.230.600,00 64 09/01/97 164.090,27 164.151,05 80 09/05/98 143.722,44 143.857,17 100 09/01/00 88.497,11 89.136,09 10INPC 0 09/09/91 64.230.600,00 64.230.600,00 64 09/01/97 134.074,90 58.073,56 76 09/01/98 115.937,01 13.190,11 80 09/05/98 109.432,71 (4.509,35) 100 09/01/00 64.257,39 (115.985,03) 10INPC4380 0 09/09/91 64.230.600,00 64.230.600,00 64 09/01/97 88.545,46 (814,07) 80 09/05/98 53.319,22 (76.526,61) 100 09/01/00 (7.351,80) (208.066,32)
Conclui a perita, portanto, explicando que:
- Na planilha BANCaudit – reprodução dos cálculos oferecidos pelo Banco-Réu, na prestação # 100 – último pagamento efetuado, apresenta um
saldo devedor de R$ 89.136,09.
- Na planilha 10INPC – a perita efetuou os mesmos cálculos, substituindo a TR pelo INPC, sendo que na prestação # 100 – último pagamento
efetuado, apresenta um saldo credor de R$ 115.985,03
- Na planilha 10INPC4380 a perita efetuou os cálculos, utilizando o INPC, juros de 10% e levando em consideração a determinação da Lei 4380/64, ... c) ao menos parte do financiamento, ou do preço a ser pago, seja amortizado em prestações mensais sucessivas, de igual valor, antes do reajustamento, que incluam amortização e juros; sendo que na prestação
# 100 – último pagamento efetuado, apresenta um saldo credor de R$ 208.066,32
Lembra esta Perita, ainda, que tais cálculos foram elaborados dentro das solicitações feitas pelo I. Advogado do Autor, nos quesitos de # 6 à 10 do Laudo Pericial. Não são de iniciativa da Perita.
Apresenta esta Perita, portanto, três alternativas de cálculo, objetivando colaborar com o MM. Juiz para o julgamento da lide.
Na resposta aos quesitos do Autor, no Laudo Pericial, ficou claro que o presente contrato não está em sintonia com o estabelecido pela Lei
4380/64, quanto a taxa de juros e a forma de amortização.
E por solicitação do I. Assistente do Banco-Réu em questionamento, a perita apresentou a série de planilhas em cálculo Linear. Resumo Comparativo:
# 100 último pgto efetuado 09/01/00 #100 09/01/00
Saldo Devedor Saldo Devedor(-) Saldo Devedor Saldo Devedor(-) # Vcto. (-)Amortização Amortização(+) (-)Amortização Amortização(+)
Encargo(-)Pagto Encargo(-)Pagto BANCaudit BANCauditLinear 0 09/09/91 64.230.600,00 64.230.600,00 64.230.600,00 64.230.600,00 64 09/01/97 164.090,27 164.151,05 120.300,75 97.737,86 80 09/05/98 143.722,44 143.857,17 96.812,90 65.050,80 100 09/01/00 88.497,11 89.136,09 65.050,80 9.904,54 10INPC INPC10linear 0 09/09/91 64.230.600,00 64.230.600,00 64.230.600,00 64.230.600,00 64 09/01/97 134.074,90 58.073,56 106.148,59 36.750,17 76 09/01/98 115.937,01 13.190,11 87.630,49 (1.346,13) 80 09/05/98 109.432,71 (4.509,35) 81.431,03 (15.555,19) 100 09/01/00 64.257,39 (115.985,03) 44.158,91 (96.709,48)