Julho de 2016
Brexit: Certezas e Incertezas
China e a Expansão via Aquisições
Uma das principais formas recentes de expansão do capital chinês é o processo de fusão e aquisição de ativos. A partir de 2015, esses
processos se intensificaram, sendo que 2016 pode ser um ano recorde. Como exemplo, pode-se citar a compra da Syngenta (empresa de produtos químicos suíça) por US$ 14 bilhões pela chinesa ChemChina.
Até meados de junho, esperava-se a manutenção de um
cenário econômico e político positivo para a União Europeia, pelo menos em 2016. A estabilização da crise migratória, a baixa probabilidade do chamado Brexit no plebiscito do dia 23 e a confirmação do crescimento econômico em diversos países do bloco, contribuíam com a formação de expectativas otimistas.
No entanto, a confirmação do voto a favor do Brexit gerou uma
nova onda de grande instabilidade sobre o bloco econômico.
Os mercados financeiros já indicam o aumento da instabilidade
através da intensificação da volatilidade nas bolsas de valores e da fuga para ativos de baixo risco. Exemplos: (i) a bolsa de Frankfurt caiu mais de 8% no dia 24 de junho, (ii) o crescimento do preço da onça do ouro em dólares foi superior a 11% entre o inicio de maio e julho, (iii) a desvalorização da Libra em relação ao Franco Suíço foi de 6,58% ao final do dia 24 de junho e de 8,06% em comparação ao Dólar. 0 20 40 60 80 100 120 0 100 200 300 400 500 600
Número de negócios realizados Valor em Bilhões de Dólares
Fusões de empresas chinesas com companhias estrangeiras
Fonte: The Economist - Dealogic
85,0 90,0 95,0 100,0 105,0 110,0 115,0 120,0 125,0 130,0
FTSE 100 DAX CAC 40
Bolsas Europeias - Número Índice
Fonte: Elaboração Propria
1.000 1.050 1.100 1.150 1.200 1.250 1.300 1.350 1.400
Preço Ouro - US$/Onça Troy
Fonte: COMEX
Com relação ao resultado do plebiscito e a efetivação do Brexit,
existem algumas certezas: (i) o processo de globalização pela via da União Europeia não promoveu o aumento do emprego qualificado que era esperado pelos ingleses das regiões industriais; (ii) os imigrantes são vistos como concorrentes ao emprego dos cidadãos; (iii) o bloco não teve êxito em lidar com importantes problemas econômicos, políticos e sociais; e (iv) a liderança da Alemanha é vista com crescente ressalva.
Por outro lado, restam muitas dúvidas que ainda serão
respondidas: (i) haverá Brexit de fato? (ii) A Escócia permanecerá na União Europeia? (iii) Qual será o impacto
econômico para o Reino Unido? (iv) Qual será o impacto
econômico para a União Europeia? (v) Haverá outros plebiscitos que possam levar a novas baixas no bloco? e (vi) Ocorrerá alteração relevante na condução das políticas internas, especialmente no caso da Alemanha?
1,25 1,30 1,35 1,40 1,45 1,50
LIbra esterlina/US$ LIbra esterlina/Franco Suiço Taxa de câmbio - Libra Esterlina frente ao Dólar e ao Franco Suiço
Fonte: LSE 1,07 1,09 1,11 1,13 1,15 1,17
Euro/Franco Suiço Euro/US$
Taxa de câmbio - Euro frente ao Franco Suíço e ao Dólar
Este material foi elaborado pela UNA-CE, contendo, basicamente, informações sobre eventos futuros. Estas projeções/estimativas estão sujeitas a riscos e incertezas, tais como: as condições de mercado; ambiente
Julho de 2016
Destaques Economia Brasileira
Inflação: Junho sob Controle e Pressão de
Alimentos para os Próximos Meses
O IPCA-15 de junho registrou aumento de 0,35% em junho.
Este resultado representa uma queda importante em relação ao mês de maio (0,78%). Como resultado, a inflação em 12 meses diminuiu para 8,84% (melhor resultado do ano).
Certamente, a trajetória de queda (exceção do mês de maio)
está relacionada com o atual período de depressão econômica. Nestas situações, a inflação é gerada por choques de oferta.
A má notícia é que o impacto dos choques de oferta já pode
ser observado sobre os preços dos seguintes alimentos: (i) feijão, (ii) milho, (iii) leite, (iv) arroz e (v) soja. O feijão carioca registrou uma elevação impressionante de quase 140% entre fevereiro e o início de julho. Enquanto que o milho atingiu um aumento superior 21% na mesma base de comparação.
O IPCA do mês de junho incorporou parte desses aumentos,
0,35%, mas o impacto será maior no mês de julho.
O IGP-M de junho já capturou o choque mencionado acima
em parte devido à forte influência do IPA (Índice de Preços ao Atacado) em sua composição. A inflação registrou 1,69% no mês, o que provocou um crescimento do indicador em 12 meses. 2,0% 4,0% 6,0% 8,0% 10,0% 12,0% 14,0% IGP-M (% 12 meses) Fonte: FGV 6,0% 7,0% 8,0% 9,0% 10,0% 11,0% IPCA (% 12 meses) Fonte: IBGE 30,0 80,0 130,0 180,0 230,0
Feijão Carioca Milho Seco
Litro de Leite Arroz Irrigado em Casca
Preço do Feijão, Milho, Leite e Arroz no atacado - Número índice
Fonte: Agrolink
Taxa de Câmbio
Chama atenção a forte tendência de valorização do Real no ano
de 2016. Isso pode ser explicado pelos seguintes fatores principais: (i) baixa probabilidade de elevação da taxa de juros básica dos Estados Unidos, (ii) manutenção do elevado diferencial de juros interno e externo, e (iii) constituição da nova equipe econômica.
A taxa de câmbio tem influência sobre diversos aspectos da
economia. Ressalta-se aqui dois deles. No ano de 2016, esta valorização contribuirá para conter a taxa de inflação. Como o nível ainda é elevado, a valorização recente não deve reverter os resultados extremante positivos da balança comercial e das transações correntes. Isto significa que as contas externas permanecerão como o grande destaque da economia brasileira.
3,20 3,30 3,40 3,50 3,60 3,70 3,80 3,90 4,00 4,10 4,20
Taxa de câmbio - Real frente ao Dólar
Fonte: BCB
A Salvação pelo Balanço de Pagamentos
O mês de maio registrou mais um bom resultado das transações correntes (U$S
1,2 bilhões). O desempenho da balança comercial, que é parte das transações correntes, foi notadamente importante.
O saldo verificado nas transações correntes, considerando os primeiros 5 meses
do ano, foi muito pouco negativo (- U$S 6,0 bilhões), o que afasta qualquer risco de crise no balanço de pagamentos no médio prazo. Vale lembrar que o saldo foi de - U$S 35,3 bilhões no mesmo período de 2015 e de U$S 44,3 bilhões no mesmo período de 2014.
Os investimentos externos diretos no mês de maio somaram U$S 6,1 bilhões, o
que é positivo dentro do contexto brasileiro.
Vale ressaltar que o estoque de reservas internacionais permanece num patamar
elevado total de US$ 363,4 bilhões no conceito caixa.
-14,0 -12,0 -10,0 -8,0 -6,0 -4,0 -2,0 0,0 2,0
Saldo Mensal - Transações Correntes (em US$ bilhões)
Do ponto de vista do resultado primário, o mês de maio apresentou mais um número negativo, o que era esperado. A expectativa é que os próximos meses registrem um aprofundamento da crise fiscal, seja devido à queda de arrecadação, seja devido ao aumento de gastos correntes recentemente aprovado pelo Congresso Nacional.
Crescimento Econômico e os Desafios Pós
“Fundo do Poço”
Mesmo levando em conta a manutenção de resultados muito
negativos com relação ao mesmo período do ano anterior, os sinais de que a economia brasileira atingiu o fundo do poço são cada vez mais fortes: (i) o PIB do primeiro trimestre se manteve praticamente estável em relação ao trimestre anterior com ajuste sazonal; (ii) a produção física industrial também se manteve estável em maio com relação à abril na série com ajuste sazonal; (iii) a taxa de desocupação se manteve em 11,2% no trimestre março-abril-junho (11,2% no trimestre fevereiro-março-abril); e (iv) o IBC-BR registrou estabilidade entre os meses de março e abril.
Esta estabilidade é importante, pois pode ser o primeiro
passo para o início de uma trajetória positiva do produto. Infelizmente, ainda não há indicação de retomada e a expectativa é de que a economia brasileira permaneça estagnada durante os próximos meses.
Cabe ressaltar que há fatores importantes da conjuntura
brasileira que podem gerar um novo ciclo de declínio do produto. O principal deles é o risco de um processo abrangente de falência de grandes empresas brasileiras, começando com a Oi. Os índices de endividamento encontram-se muito elevados e não há perspectiva de melhora. Além disso, o número de empresas investigadas por operações como a Lava Jato e a Zelotes, e por seus desdobramentos, não para de crescer, o que torna a situação mais desafiadora.
Outro aspecto importante é o de que diversos projetos já
licitados, especialmente de infraestrutura, não devem ter continuidade este ano por falta de crédito bancário. Isto repercute negativamente sobre uma taxa de investimento agregada já muito reduzida.
A única certeza é que a volta de um crescimento mais robusto
do produto ainda está distante – último trimestre de 2016 e primeiro de 2017 – e ainda assim sob grandes riscos de não ocorrer. 6,0% 7,0% 8,0% 9,0% 10,0% 11,0% Taxa de desocupação (%) Fonte: IBGE 80,00 85,00 90,00 95,00 100,00 105,00 110,00
Produção Industrial Mensal (Índice mensal com ajuste sazonal)
Fonte: IBGE -10 -2 -2 -10 -20 4 -7 1 10 -7 2 10 -8 -8 -7 -5 -7 -12 -21 -61 15 -25 -8 10 -15
Resultado Primário - bilhões de reais
Fonte: Tesouro Nacional
134 136 138 140 142 144 146 148 150 Índice IBC-Br (ajustado sazonalmente) Fonte: BCB
Este material foi elaborado pela UNA-CE, contendo, basicamente, informações sobre eventos futuros. Estas projeções/estimativas estão sujeitas a riscos e incertezas, tais como: as condições de mercado; ambiente
Julho de 2016
Destaques Empresas
Esta década foi extremamente desafiadora para o setor sucroenergético devido aos seguintes fatores principais: (i) preços reduzidos
do açúcar no mercado nacional e internacional, (ii) preços reduzidos do etanol no mercado nacional, em virtude da política de subsídios aos derivados de petróleo, (iii) taxa de câmbio desfavorável, (iv) grandes desafios relacionados à mecanização da produção, fim da prática de queimadas e corte manual, e (v) condições climáticas desfavoráveis em diversos anos.
A conjuntura começou a mudar a partir da safra 2015/2016, momento em que todos os fatores citados acima tiveram melhoras
sensíveis. As previsões para a safra 2016/2017 são muito otimistas com a moagem batendo o recorde dos últimos anos.
A Retomada do Setor Sucroenergético
Projeções dos Principais Indicadores
Fonte: Elaboração própria
Destaques Economia Brasileira
O saldo da balança comercial em junho apresentou mais um importante
superávit - R$ 4,0 bilhões. As exportações alcançaram R$ 16,7 bilhões, o que representa uma redução no valor de 18,6% frente ao mesmo mês do ano passado. As importações, por sua vez, somaram R$ 12,8 bilhões, valor 19,3%, menor que o de junho do último ano.
Observa-se que para o acumulado do ano, o saldo comercial apresentou
um superávit muito expressivo de US$ 23,6 bilhões. A título de comparação, para o mesmo período de 2015 a balança comercial registrou déficit de US$ 2,2 bilhões.
As exportações, para o acumulado do ano apresentaram valor de US$
90,2 bilhões, queda de 5,9% frente a 2015. Quanto às importações, vemos que estas somaram US$ 66,6 bilhões, declínio de 28,9% sobre igual período de 2015.
Balança Comercial
O setor deve ter avanços importantes mesmo neste momento de depressão econômica, especialmente por tratar-se de uma
commodity e pelo fato da taxa de câmbio ser favorável. As receitas oriundas das exportações de açúcar tendem a ser bastante elevadas.
Indicadores 2016 2017 2018 2019 2020
Dólar - R$ por US$ (Final do Período) 3,60 3,75 3,90 4,00 4,10
Selic (Final do Período) 13,25% 12,50% 12,00% 11,25% 9,75%
TJLP (Final do Período) 7,50% 7,00% 7,00% 6,50% 5,50%
IPCA (Variação Anual) 6,93% 5,90% 5,40% 5,20% 5,00%
PIB (Taxa de Crescimento) -3,30% 0,50% 2,00% 3,00% 3,50%
490.000 510.000 530.000 550.000 570.000 590.000 610.000 630.000 650.000 Histórico Expectativa Moagem de Cana no Centro-Sul - por safra
(milhares de toneladas) Fonte: Conab 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90
Preço do açucar em São Paulo (à vista em reias) Fonte: Conab -5 0 5 10 15 20 25
Saldo Exportação Importação
Balança Comercial (bilhões de reais)